Capítulo 7: Previsões
- Tomoyo-chan, por favor!
- Não, não e não.
- Mas...
- Sakura, você não percebe que isso perde totalmente o propósito da coisa?
- Como assim? - a outra sereia suspirou antes de explicar.
- O objetivo disso tudo sempre foi você se ver livre e conhecer a superfície. Eu ir até lá e você ficar aqui não faz o menor sentido.
Sakura ficou um tempo em silêncio. A amiga tinha um bom ponto, mas ela não queria aceitar. Era injusto. Tomoyo tinha feito tanto progresso com essas visitas. Ela estava rindo mais, falando mais, não queria que ela regredisse.
- Eu sei disso. Mas mesmo assim acho que você deveria ir. Dia sim, dia não, eu posso aguentar – deu um sorriso para convencer a sereia de que não estava mentindo.
- Eu não quero ir.
- Não vai me dizer que ainda é por causa da implicância do Eriol – a sereia revirou os olhos, fazendo a outra ruborizar um pouco.
- Mas é claro que não! - Sakura ainda a olhou como se duvidasse da afirmação – Acontece que eu nunca gostei de ir lá, pra começo de conversa.
- Mas ir te faz bem, e você sabe disso, só não quer admitir.
- Sakura! Eu não vou e ponto final! - Tomoyo cruzou os braços decidida, enquanto Sakura soltou um longo suspiro.
Mais uma vez ela estava lá, para mais um encontro. Era costume da sereia de olhos verdes fitar a praia, as pessoas. Ela invejava as pessoas, os humanos. Em sua cabeça, eles podiam ir para onde quisessem, eles eram livres. Porém, naquele dia, não era a terra que mirava, e sim o céu. Passou a pensar que aquelas criaturas voadoras eram um exemplo mais perfeito de liberdade. Elas alcançavam o céu, a terra e inclusive a água, constatou após observar uma mergulhar com precisão e subir a superfície com um peixe na boca.
Perdida em seus pensamentos, a sereia não percebeu que alguém se aproximava, até que o próprio lhe chamou a atenção.
- Sakura? - a voz gentil e masculina chegou aos seus ouvidos, fazendo com que ela descesse a cabeça em direção ao par de safiras que lhe encaravam sorridentes.
- Eriol! Que bom que veio – ela sorriu de volta.
- Tomoyo realmente não quis vir, então? - ele sentou-se ao seu lado na pedra.
- É, não consegui convencê-la. Ela sempre tem bons argumentos.
- Espero que não tenha sido minha culpa.
- Não seja bobo. Se o motivo fosse esse, tenho certeza de que ela viria sem pensar duas vezes – Sakura riu.
- É mesmo? - ele questionou divertido - Qual foi o motivo então?
- Ela não queria que eu ficasse sozinha lá – respondeu dando os ombros.
- Como assim? Não há mais ninguém vivendo com vocês? - o inglês questionou fazendo a sereia praguejar mentalmente por não pensar antes de falar.
- Não exatamente. Apenas passamos a maior parte do tempo uma com a outra. - porém, Eriol não aceitou aquilo muito bem, já que Sakura parecia nervosa quanto a esse assunto.
Ele sabia que Sakura era órfã, pois Shaoran lhe confidenciara esse detalhe. Também sabia que Tomoyo era um tipo de acompanhante para ela, embora não soubesse as relações de parentesco que Tomoyo possuía.
- Então me conte, com quem mais vocês se relacionam?
"Droga!" Se ela não respondesse, ele ficaria desconfiado, e isso não era nada bom.
- Bem... tem o Touya, mas eu já contei dele pra vocês.
- Ele ainda tem incomodado?
- Não muito agora. O nosso plano deve estar dando certo. - Eriol sorriu satisfeito.
- Quem mais?
Sakura precisou de mais alguns segundos para pensar. Havia mais duas sereias, não devia ter problema falar delas...
- Tem a Naoko e a Senhorita Mizuki, mas nós quase não nos vemos. Elas são muito ocupadas, não nos visitam com muita freqüência. - o inglês lhe lançou um olhar interrogativo, então Sakura continuou – A srta. Mizuki tem alguns poderes especiais. Ela é capaz de prever o futuro. Não é algo que ela controle, e nem sempre as imagens são coerentes, por isso o rei gosta de tê-la por perto todo o tempo. A Naoko tem a nossa idade, mas é um tipo de assistente para a srta. Mizuki, por isso quase tão ocupada quanto ela, mas nos visita mais vezes.
- Você parece gostar muito dessa Mizuki – o inglês constatou e Sakura ruborizou um pouco.
- Sim... - afinal, aquela sereia era diferente como Sakura, era a única que expressava seus sentimentos abertamente. Claro, a sereia não mencionou isso e voltou a fitar o céu. - Como vocês chamam essas criaturas? - perguntou curiosa, atraindo o olhar de Eriol para o mesmo lugar.
- Aves. Essas são gaivotas. São particularmente chatinhas.
- As vezes eu queria ter nascido uma harpia. - ela comentou sem pensar, recebendo um olhar interrogativo do feiticeiro. - Essas criaturas já existiram, não é? Parte mulher, parte aves.
- Sim, mas já estão extintas. Se bem que, pra muita gente, você também está extinta – ele sorriu divertido. - Mas elas eram seres cruéis, pelo que ouvi dizer.
Sakura sorriu de lado diante desse comentário. E quem disse que os sereianos eram um poço de bondade? Claro, ela não diria isso em voz alta.
- Você não gosta muito de viver no mar, não é mesmo? Já que está sempre vindo para cá e agora diz que queria ser uma harpia.
- Não é isso – ela o interrompeu – Eu adoro o mar.
- Então...
- Eu só queria ser capaz de conhecer outros lugares – embora esse não fosse o real motivo, não deixava de ser verdade.
Um mês de férias já havia se passado, tão rápido que fazia os jovens quererem aproveitar o mês restante da melhor forma possível. Não havia mudado muita coisa no passar dos dias. Os amigos costumavam passar a manhã na praia, a tarde dando voltas na cidade e a noite em festas promovidas pelos colegas de classe.
Shaoran e Eriol continuavam vendo as sereias diariamente, ou melhor, vendo Sakura, já que Tomoyo não voltara a aparecer, por mais que a amiga insistisse. Nakuru aproveitava o máximo de tempo que podia com o namorado, por isso largara um pouco do pé do primo, já Meiling corria atrás do Shaoran mais do que nunca. Sempre que o garoto voltava dos encontros secretos, lá estava a prima berrando em seu ouvido querendo saber onde ele estava. O chinês sempre tinha uma resposta na ponta da língua, mas a chinesa já percebia que ele lhe escondia algo.
Chiharu e Yamazaki agora estavam namorando oficialmente. Todos sabiam que isso aconteceria cedo ou tarde, mas o contador de histórias finalmente decidira abrir os olhos e fazer o pedido oficial. Agora só faltava a Rika, era o que Meiling gostava de dizer. Muitos apostavam que seu par seria o Eriol, e ele não desmentisse, cortejando a garota sempre que podia. Rika insistia em dizer que ele era um cavalheiro exagerado e que não havia nada entre os dois além de amizade.
Vendo os casais desabrocharem a sua volta como se estivessem na primavera, e não no verão, Meiling sentia-se cada vez mais solitária. Não seria difícil para a chinesa arrumar um namorado, mas parecia impossível para ela conseguir o namorado que queria. Fazia de tudo para que seu primo a notasse, fazia todas as suas vontades, exceto ficar longe dele. Não desgrudava porque tinha conhecimento das garotas interessadas nele. Ele era estrangeiro, alto, forte, cabelos rebeldes e olhos lindos, sem falar na voz doce e do jeito cordial, só uma garota louca não o notaria e somente as já comprometidas não tentariam tê-lo.
Felizmente, ele estava alheio a todas, inclusive, infelizmente, a ela. Mas Meiling estava certa de que quando o chinês resolvesse se abrir para um relacionamento, seria ela quem ele iria procurar. Afinal, estavam noivos, e ela agradecia todos os dias por isso. Shaoran estava preso a ela por mais que não quisesse. O problema é que ela ainda sonhava que um dia ele se apaixonaria por ela também.
Bom, de que adiantava ter esses pensamentos agora? O primo já havia sumido de novo. Ela suspirou longamente ao se ver sozinha na mansão.
- Er... Shaoran, eu realmente não acho que seja uma boa idéia.
- Deixa disso. Ninguém vem até aqui, esqueceu? - ele insistiu tornando a arrastá-la pelo braço mar afora.
- Como você pode ter tanta certeza? - ela argumentou segurando-se na pedra com mais força.
- Eu venho aqui faz dois anos e nunca vi ninguém! - puxou-a novamente.
- Você também pensava que eu estava extinta, não é? - segurou-se com mais força.
- Deixe de teimosia! Você não quer sentir a terra? - puxou mais uma vez.
- Eu posso senti-la no fundo do mar – tentou se soltar das mãos dele.
- Não é a mesma coisa, e sabe disso. Ande, Sakura! Deixe disso. Não aparecerá ninguém – tentou puxar de novo, mas a sereia resistia firmemente, até que uma idéia lhe veio a cabeça – Sabe, algumas lendas dizem que quando as sereias entram em contato com a terra, elas viram humanas.
- Sério? - Sakura perguntou tão estupefata que acabou se soltando e o chinês aproveitou para continuar arrastando-a em direção a praia.
- Não custa na tentar, não é?
- Mas ainda assim alguém pode aparecer... - Sakura nem estava se reconhecendo, mas talvez a convivência com os feiticeiros tenham lhe causado um surto de responsabilidade. Ou talvez fosse o fato de não ter mais Tomoyo ali para lhe controlar.
- Ninguém vai aparecer. Confia em mim – ele disse sorrindo, deixando-a abobalhada. Não era do feitio do chinês sorrir, mas quando o fazia, Sakura ficava completamente extasiada. Como negar alguma coisa agora? - Além disso, caso alguém apareça, o que é muito improvável, eu te escondo com algum feitiço, ou sei lá.
Sendo assim, que mal tinha não é? Sakura deixou-se ser arrastada em direção a praia enquanto conseguia ouvir as broncas de Tomoyo em sua cabeça. Ela não precisava saber, certo? Quando Sakura já conseguia sentir a areia na calda, ela soube que não conseguiria nadar a partir dali. Shaoran então parou e ficou de pé.
- Eu... Eu terei que te carregar agora...
Só então ela se deu conta daquele fato e corou instantaneamente.
- Tu-tudo bem...
Shaoran abaixou-se novamente aproximando-se da sereia. Próximo demais, ambos pensaram. Ele evitou encará-la nos olhos, para não demonstrar seu constrangimento, e assim Sakura também fez. Ele pegou seu braço com delicadeza desnecessária e colocou em volta do seu pescoço. Em seguida, colocou a própria mão em suas costas desnudas e, com um pedido quase inaudível de licença, segurou sua calda. Era como segurar um peixe, ele não evitou pensar.
Como se ela fosse feita de pluma, ele a ergueu sem a menor dificuldade. Também, pudera, com tantos músculos... Sakura agarrou-se no chinês ao sentir a distância que estava do mar.
- Eu não vou te deixar cair – ele a confortou e ela relaxou um pouco.
O caminho entre a água e a areia seca nunca parecera tão longo para o chinês. Mas ele também tinha que admitir que estava prolongando aquilo o máximo possível, já que estava gostando mais do que devia da sensação da sereia em seus braços. Sakura também não podia negar que era um calor bem vindo e confortável. Talvez pudessem repetir aquilo mais vezes apenas para voltar a sentir aquelas sensações.
Ela apertou com um pouco mais de força o pescoço de Shaoran quando ele estava abaixando para colocá-la na areia. Ele a soltou delicadamente e separou-se com um grande pesar.
Sakura sentia aquela coisa estranha, que Shaoran chamava de areia, e um tanto incômoda grudando em sua calda. Ela tentava mexê-la, mas ficava exatamente como um peixe fora d'água, então deixou-a quieta. Ambos agora olhavam para sua calda e expectativa, esperando que algum tipo de magia a encobrisse e pernas aparecessem em seu lugar. E então...
Nada.
Sakura soltou um suspiro desanimada e passou a brincar com a areia com as mãos. Shaoran também estava um tanto decepcionado, mas não demonstraria. Aproveitou aquele tempo para observar melhor a sereia, agora sem a água do mar para atrapalhar. Seus cabelos longos, cor de mel, iam até a altura da cintura. Os olhos verdes cintilavam observando a paisagem a sua volta, o rosto delicado girava lentamente para todos os lados, por vezes revelando o pescoço fino, por onde se seguia o corpo magro, coberto apenas por um tipo de tecido, que muito lembrava algas, que escondiam somente os seios. O chinês logo desviou o olhar, descendo para a barriga lisa. A pele alva se estendia até um pouco abaixo do umbigo, onde começavam as escamas, verdes cintilantes como os olhos da mesma, até as graciosas nadadeiras. Olhando Sakura daquele jeito, não era difícil para Shaoran entender as lendas onde sereias atraíam os marujos para se afogarem no mar.
- Shaoran?
Ele só então se dera conta de que já era chamado algum tempo e corou instantaneamente.
- Desculpe – pediu sem graça para que a sereia repetisse.
- Eu disse... que não estou me sentindo muito bem – ela murmurou meio fraca.
Ele acordou num estalo e pegou a sereia no colo sem cerimônias. Ambos coraram com a aproximação repentina, mas não disseram nada. Mas uma vez ela se agarrou firmemente no chinês, com medo da altura. Decidindo se divertir um pouco com isso, um sorriso maroto surgiu nos lábios do garoto.
- AH! – Sakura gritou repentinamente, quando o feiticeiro fingira que iria soltá-la, mas a segurou no segundo seguinte.
- Eu disse que não te deixaria cair – ele comentou rindo, levando um tapa no braço logo em seguida, quando Sakura percebera o que ele fizera.
Ainda rindo, ele caminhou até a beira do mar, onde Sakura disse que estaria tudo bem ficar. Ele a colocou delicadamente na areia. Assim que sentiu as ondas do mar virem até si, a sereia sentiu-se muito melhor. Sorriu para o garoto em agradecimento.
- Você poderia vir sempre para cá agora, não é? Me poupa o trabalho de nadar até lá – o chinês comentou divertido.
- Não sabia que você era preguiçoso – ela rebateu e ele fechou um pouco a cara, dizendo que não era assim – Tudo bem, eu posso vir para cá. No momento, é melhor eu ir – disse por fim, vendo que já estava passando da sua hora.
- Tudo bem – o chinês respondeu tentando esconder a onda de decepção que o acertou. – A gente se vê depois de amanhã então.
Aquela era sua usual despedida. Eles diziam "até logo" e seguiam seus caminhos. Foi por este motivo que a seguinte ação de Sakura o pegou completamente desprevenido. Ela lhe deu um rápido e estalado beijo na bochecha, corando furiosamente em seguida, antes de sumir no mar. O chinês ficou ainda alguns minutos ali parado, olhando para o nada com uma cara de bobo, sentindo a quentura que ainda marcava sua pele.
Sakura não fazia idéia do que tinha feito e nem do porquê de tê-lo feito. Ela simplesmente fizera. Fora sem pensar, puramente por impulso. Estava olhando para ele e no segundo seguinte seus lábios estavam contra a sua pele. Ela não sabia o significado que aquilo tinha, muito menos o nome que ele daria para aquilo. Mas não se arrependia do que tinha feito, nem um pouco.
- Mizuki! – o grito gélido ecoou pelo cômodo vazio e escuro. Macabro, seria como pessoas normais o descreveriam. Porém, não se tratavam de pessoas, muitos menos normais.
- Sim?
A sereia entrou no cômodo sem se importar em se curvar para o seu soberano. Ela era dona de longos cabelos ruivos e olhos castanhos avermelhados. Mantinha um sorriso no rosto, apesar de ser claramente falso. Apenas o próprio Rei tinha conhecimento da raiva sem sentido que sentia quando via aquela criatura. Maldita criatura possuidora de poderes que ele tanto invejava. Se fosse ele a ser capaz de prever os futuros acontecimentos, jamais dependeria daquela sereia. Principalmente porque ele tinha certeza de que ela usava sua maldita mente para planejar um jeito de lhe passar para trás. Mais um motivo para tê-la sempre perto de si, sob os seus cuidadosos olhos.
- Você sabe as minhas dúvidas, então não me faça perder tempo questionando-a! – ele falou irritado. Ele não deveria sentir raiva. Ele não deveria sentir! Mas aquela sereia lhe despertava as malditas sensações que ele tanto odiava.
- O amor não é algo que se controle – ela começou calma, aparentemente alheia ao olhar raivoso que lhe era dirigido. – você, melhor do que ninguém, deveria saber disso.
Imediatamente o ódio daquele ser aumentou. Ele apertava fortemente os punhos, prestes a explodir. Controlou-se o máximo possível para não avançar naquela criatura.
- Cale essa maldita boca – ele disse entredentes.
Mizuki ainda parecia não ligar para a raiva de seu soberano. O sorriso falso não falhou por nem um segundo.
- O senhor não precisa se preocupar. – ela continuou, cuspindo a palavra de respeito – Está nos olhos de ambos. Não vai demorar muito para se apaixonarem.
Ela não esperou que ele a mandasse embora. Saiu sem fazer nenhuma reverência e nem disse uma palavra. O Rei também não ligava, ele precisava dela, então não perderia tempo ensinando-a a mostrar respeito. Porém, seus lábios lentamente formaram um sorriso maligno. Não faltaria muito e ele teria sua vingança.
Shaoran havia voltado para a praia, mas não encontrara ninguém. Seus amigos deviam ter tirado o dia para sair da rotina e fazer algo diferente. Ele não ligou. Não estava muito afim de conversar naquele dia. Ele sentou-se na areia e ficou encarando o mar. Um pouco de tudo passou em sua cabeça. Seus compromissos, sua família, seus amigos, seu clã, sua prima e noiva e... Sakura. Ele tinha que parar com isso, estava pensando demais nela ultimamente.
Distraído demais, não percebeu que Eriol caminhava pelas areias da praia acompanhado por Rika. Ambos conversavam entretidos, até o inglês perceber a presença do amigo solitário. Rika logo percebeu para onde Eriol olhava e sorriu compreensiva. O inglês sorriu de volta. Eles não precisaram trocar uma palavra para se comunicarem, no fim das contas. Eriol beijou-lhe a mão, no seu costumeiro ato cavalheiro, e afastou-se da jovem, indo até o amigo.
Sentou-se ao seu lado, mas demorou alguns segundos para que Shaoran percebesse a sua presença. Surpreso, o chinês voltou sua atenção para o rapaz, antes de mirar novamente o mar.
- O que houve? - Eriol quis saber curioso e preocupado.
- Nada.
O inglês continuou encarando-o totalmente descrente, e Shaoran não precisava olhar para ele para saber disso.
- Estava apenas aproveitando um tempo de paz para pensar na vida.
- Então você aproveitou a hora certa. Meiling não quis vir a praia hoje. Tirou o dia para fazer compras com as garotas.
- Menos com Rika, eu pude ver. - ele comentou reparando que a garota estava ali perto, observando-os vez ou outra.
- Ela não gosta desse tipo de coisa.
- Sei. Ela gosta de passar o tempo com você.
Eriol suspirou. Era raro esses momentos em que o inglês tinha um ar sério. Shaoran logo entendeu que seu assunto com Rika era algo mais sério e complicado do que ele imaginava. Ficava um pouco chateado pelo amigo não compartilhar essa história consigo, mas ele sabia que o motivo era revelar coisas que não devia sobre a jovem.
- Eu levei Sakura para a areia hoje – ele comentou desviando o assunto.
- E então? - o inglês agora estava curioso.
- Parecia um peixe fora d'água – ele riu – mas ela não aguentou muito tempo, começou a se sentir mal. Então eu a levei de volta.
- Você só criou uma desculpa para carregá-la no colo, não é? - Eriol riu ainda mais quando o vermelho tomou conta do rosto do amigo.
- Não tem nada a ver! - ele tentou protestar.
- Sei – Eriol continuava sorrindo divertido – Olha, você pode ir no meu lugar amanhã.
- Por que?
- Eu vou aproveitar para fazer algumas coisas. Além disso, você parece aproveitar mais esses encontros do que eu.
- O que quer dizer? - o chinês quis saber sem entender o verdadeiro sentido nas palavras do amigo.
- Nada, nada – Eriol desconversou sorrindo – Mande desculpas para a Sakura por mim, amanhã. Agora – continuou levantando-se e estendendo a mão para o amigo – Vamos levantar esse astral que o dia 'tá só começando.
Shaoran riu e aceitou a mão de Eriol. Ambos se juntaram a Rika e foram encontrar com seus amigos pela cidade.
Uma sereia de cabelos curtos castanhos nadava rapidamente pelos corredores escuros do castelo. Ela ofegava, claramente cansada, mas não se atrevia a diminuir o ritmo. Finalmente chegara ao final do corredor, onde havia uma porta de madeira com alguns símbolos escritos. A expressão da sereia ficou séria e revoltada ao encará-los, pelos significados que tinham em suas vidas. Suspirou. Não havia nada que pudesse ser feito. Enfim, abriu a porta e adentrou no cômodo.
Era um quarto relativamente grande. Bem mais confortável que o quarto de Sakura, coisa que também deixava aquela sereia indignada. No entanto, as características eram praticamente as mesmas. Apenas uma cômoda e uma larga concha, que servia de cama. A fraca luz avermelhada revelava uma outra sereia ruiva deitada na mesma.
- Senhorita Mizuki – disse por fim a sereia invasora.
- Naoko, você demorou – a ruiva disse sem parecer realmente se importar com o fato.
- Desculpe-me. Tive alguns contratempos.
- Touya? - Mizuki perguntou mesmo sem precisar. Já sabia a resposta.
- Quem mais? - Naoko respondeu irônica, sentando-se na concha junto com a outra sereia – Aquela criatura só nasceu para nos atormentar. Não sei como Sakura e Tomoyo o aguentam.
A ruiva não respondeu. Naoko sabia que não deveria falar daquele jeito. Por alguma razão, Mizuki agia estranha quando o assunto era Touya.
- O eclipse da lua está chegando – a sereia anunciou com um olhar vazio. Naoko encarou o chão igualmente séria.
- A srta. realmente acha que não devemos avisar Sakura? - Naoko tentou convencê-la mais uma vez. Já perdera as contas de quantas vezes discutiram aquele assunto.
- Não devemos interferir no curso dos fatos. - e recebia sempre a mesma resposta.
Suspirou indignada. Também não poderia fazer nada quanto àquilo.
Continua...
Galera! Nem demorei tanto dessa vez, nee? O título desse cap é sem comentários. Peço mil e uma desculpas, mas eu realmente não consegui pensar em NADA bom pro título. Enfim...
Pode ter ficado meio estranho a transição de tempo no meio do cap, mas eu não vi outra forma de fazer isso. Tipo, é mais do que certo que eu vou reescrever esta fic e ajeitar esses detalhes, mas eu prometi para mim mesma que só farei isso quando a fic estiver totalmente postada.
Eu mencionei um pouco das harpias nesse cap e tem um pouco a ver com a história de como essa fic nasceu. Quando a minha amiga disse "Vamos fazer uma fanfic!" eu não fazia idéia de que história criar. Uma coisa era fato: eu não conseguia, naquela época, modificar em nada a história original de CCS e também estava farta de lobisomens e vampiros. Sereias sempre foram criaturas que me fascinavam. Naquela época (eu tinha doze anos) eu estava apaixonada pelo filme Peter Pan, onde pela primeira vez eu vi as sereias como criaturas más. Claro, eu ouvia histórias que elas usavam suas vozes para afogar os homens e tudo mais, mas naquele filme eu VI pela primeira vez uma sereia daquela forma. Como eu queria criar um enredo totalmente original, eu segui essa linha. Claro, naquela época também eu jamais veria Sakura como um ser maligno, e por isso eu fiz os sereianos apenas como seres vazios. (Porque a Sakura é diferente é um dos mistérios dessa fic). Antes de me decidir por sereias, porém, eu pensei em várias criaturas místicas pouco exploradas em histórias. As harpias me vieram a mente. Eu elaborei, com minha mente mirabolante, toda uma história onde harpias seriam os predadores naturais das sereias e coisas a mais, mas como isso não interessa nem um pouco nesta fic, eu me controlei para apenas mencioná-las (xD) Quem sabe numa próxima fic, para quem se interessar... hehe
Enfim, temos a aparição da Mizuki e da Naoko! Aposto que ninguém esperava por essa, não é? Pelo menos, não pela Naoko xD. Elas têm um papel importantíssimo nessa fic. E parece que o nosso casalsinho tá começando a desabrochar, não é? Assim como o Eriol e a Rika? Talvez, quem sabe.
Bem, quero dizer que é a partir desse cap que a história de verdade começa. Daqui pra frente muita coisa vai acontecer, boas e ruins xD. Finalmente está chegando a razão pela qual eu não desisti, e nunca desistirei, desta fic. Mas isso eu só vou contar mais pra frente.
Agradecimentos:
Tifa Lockhart Valentine (postei dois caps e vc continua me devendo Redenção! haha. Mas continuo esperando pacientemente ^^), Priscila Cullen , Jupiter (eu vou continuar postando sim, pode deixar ^^) e a Princesa Sakura, a rapariga que nunca desistiu de mim, mesmo depois dos 4 anos (eu acho) que eu fiquei sem postar essa fic! Um beijo muito especial para você! ^^
É isso aí galera. O próximo cap já está planejado, então não deve demorar muito para sair.
Um beijo enorme para todos vocês!
