And this is no case of lust you see
It's not a matter of you versus me
Its fine the way you want me on your own
But in the end its always me alone

I'm losing my favorite game
You're losing your mind again
I'm losing my baby, losing my favorite game

E isso não é caso de luxúria, você vê

Não é sobre "eu contra você"

Está tudo bem no jeito que você me quer, da sua maneira

Mas no final é sempre eu sozinha

Estou perdendo meu jogo favorito

Você está perdendo sua mente de novo

Estou te perdendo, perdendo meu jogo favorito

My Favorite Game- Cardigans

Adrian se levantou da cama, de uma vez. Sua pele estava febril e seus pensamentos ainda mais confusos. A única coisa que ele queria eram os lábios de Faith sussurrando coisas sacanas em seu ouvido com o seu sotaque cantado e seus dedos deslizando pelo seu abdômen. Queria deslizar seus lábios pelos seios brancos e se afundar entre os quadris da dhampir, queria morder suas coxas e estar dentro dela e fazê-la gemer e-
Existiam certas coisas que ele preferia fazer na vida real e não em sonhos e essa era uma delas. Mas como Adrian iria saber que iria acabar dessa forma? E fazia tanto tempo desde a última vez que...
Se enfiou dentro do chuveiro gelado, esperando que isso o acalmasse, em vão. Ele era, antes de tudo, um homem e o que Faith havia feito com ele (e ele com ela) não era algo que pudesse ser esquecido facilmente. A última vez que tinha chegado perto de fazer algo assim fora com Rose e ela definitivamente não tinha tanta destreza quanto Faith.
Rose.
Era o suficiente para faze-lo voltar ao normal. O que estava acontecendo com ele? E o que ele iria fazer, quando visse a guardiã de manhã? Ela provavelmente acharia que era só um sonho, mas ele sabia melhor do que isso. Ele sabia que todas as sensações ali eram reais, que os desejos eram verdadeiros e que ele estava tão presente ali quanto ela.
Tentou voltar a dormir, em vão. Decidiu ligar a televisão e repassar tudo o que havia acontecido no dia anterior, a começar pela conversa com Jill.
A garota havia ficado surpresa de início, mas depois mostrou genuíno prazer em revê-lo. Como Adrian havia sido egoísta, deixando-a sozinha no meio da selva que era a corte. Ele se propôs a ajudá-la, pelos sonhos, com o que ela precisasse. Não prometia que fosse direto, mas iria aparecer pelo menos uma vez a cada dois dias para ver como as coisas estavam. Também deu várias dicas que ele considerava óbvias, como "ser discreto" e "agir corretamente". A garota também havia comentado que Lissa havia conseguido retirar a lei de redução da idade dos Dhampirs e estava lutando para emplacar uma de proteção aos morois.

Ótimo, pelo menos ela estava trabalhando.
Isso lhe dava certa satisfação, porque mostrava de alguma forma que não era o idiota que o pintavam. Ele havia levantado a candidatura da nova rainha e ela já havia começado a fazer o que prometia.
Engula isso, pai.

Depois, vinha a parte divertida. Dublin era uma cidade linda, apesar de estar nublado praticamente o dia inteiro. O pub que haviam almoçado era maravilhoso e o restaurante do jantar, melhor ainda. As mulheres eram bonitas, como Faith havia dito, mas nenhuma chegava aos pés dela, semi-nua embaixo dele e-
ADRIAN, PARE COM ISSO.

Depois de algumas horas andando para cima e para baixo dentro do quarto, como um tigre enjaulado, ele decidiu que iria frustrá-la. Era um jogo que dois podiam jogar, mesmo que ela não soubesse que estavam jogando. A solução imediata seria arrumar uma outra mulher e se livrar do que estava sentindo logo e de uma vez, mas algo lhe dizia que as coisas iriam ficar esquisitas se fizesse isso.

Então iria provocá-la até ela decidir agir como adulta e assumir para ele que o queria e terminassem o que haviam começado.
Quem está agindo como criança aqui, Adrian?

Xxx

Faith estava no sofá há uns dez minutos, rezando internamente que acontecesse algo bizarro e Adrian não aparecesse com Eddie para o passeio que havia planejado. Pelo menos dessa vez não seriam só os dois, então ela poderia se focar e esquecer do sonho. Só de se lembrar já sentia a sua pele arrepiar e tinha que se concentrar muito na revista que estava no seu colo, aberta numa página qualquer com uma foto da Rainha Dragomir.
— Faith. — ela levantou a cabeça e deu de cara com Adrian.
Sem camisa.
— O que você está fazendo sem camisa? — ela tentou muito não ficar vermelha, sem muito sucesso.
— Te seduzindo. — ele deu um sorriso meio sacana e depois riu. — Nós vamos na piscina. Vá vestir um biquíni. Eddie já está lá.
— Piscina?
Piscina significava Adrian de sunga que significava...
Ela ficou mais vermelha ainda, com a respiração ligeiramente descompassada. As lembranças da noite anterior ainda estavam bem claras na sua mente e ela iria querer ter certeza se tinha calculado as proporções corretamente e aquilo não ia funcionar.
— Não dá. Eu não posso ir para a piscina. — ela respondeu, ignorando qualquer coisa que ele tenha respondido depois.
— Você não pode me deixar sozinho lá. — ele pegou um cigarro e colocou nos lábios.
— Você não vai estar sozinho, tem Eddie e milhares de salva-vidas e dhampirs guardando o lugar. E está de dia. — ela fechou a revista e se levantou. — Tem certeza que não quer ir para Wicklow?
— Eu preciso descansar um pouco. Boiar na piscina, tomar uns martinis. Não quero beber enquanto estiver fora. — ele suspirou, balançando os ombros. — E se eu passar mal, você sabe como não me fazer passar vergonha...
Ela levantou uma sobrancelha e Adrian lhe deu o seu melhor sorriso. Aquilo estava ficando a cada segundo mais bizarro.
— Tudo bem, Adrian. Vou pegar um livro no meu quarto e você me encontra na piscina. — ela se virou e começou a subir as escadas.
— Eu não sei onde é a piscina. — ele estava com as mãos nos bolsos, o cigarro aceso em um canto da boca, pronto para ser devorado.
Foco, Faith.

— Pergunta para alguém? — o tom dela era irônico.
— Não, eu não entendo o que esse povo fala com esse sotaque esquisito. Só você fala direito. — ele encolheu os ombros, parecendo uma criança. — Eu posso ficar aqui te esperando. Sento ali, fico quietinho.

— Tudo bem, Addy. — ela suspirou. — Pode vir comigo.
Ele pulou os degraus de três a três, parou ao seu lado e lhe ofereceu um braço para se apoiar, com um sorriso no rosto. Faith enfiou as mãos nos bolsos da calça e continuou subindo as escadas, com Adrian na cola.

— O que aconteceu com você, little elf? Caiu da cama? Ou é a lua nova, que faz mal para a sua magia? Você não era grossa assim até ontem.
— Desculpa. — ela resmungou enquanto entraram num corredor cumprido, com várias portas.
— Ah, já sei. É tpm, não é? Essas coisas acontecem com dhampirs também? Eu achei que com todos os exercícios que vocês fazem, isso fosse aliviado. Imagina só? Se eu fosse strigoi eu iria temer dhampirs na tpm... Uma palavra e puf—
Ela havia parado e ele, sem prestar atenção no caminho, esbarrou nela e quase caiu. Ela o segurou e por um instante, os dois se encararam. Faith podia sentir o coração dele ligeiramente acelerado por debaixo da pele dele e o largou, como se ele fosse radioativo.

— Nem bebeu e já está caindo, Addy? — ela disse, com um meio sorriso. — É aqui. Não mexa em nada.

Adrian pisou com cuidado no carpete do quarto dela, absorvendo toda e qualquer informação sobre os seus arredores. Haviam fotos espalhadas por quase todas as paredes e várias peças de roupas espalhadas pelo quarto. Uma pilha de livros quase da altura dele se escondia em um dos cantos e a cama era enorme até para ele.
Se aproximou de uma das paredes. A maioria das fotos eram de crianças e ele reconheceu Faith em uma menina loirinha de bochechas rosadas e olhos azuis-gelo. Ao lado dessa, uma foto com três meninas. Uma delas, morena, era a mais alta das três. De seu lado, uma loirinha de olhos azuis que ele conhecia bem e uma menina de cabelo avermelhado, muito menor do que as outras duas.

— São suas irmãs?
— Sim. A morena é Bliss, a outra loirinha é a Hope. — ela se aproximou, pegando outra foto. — Essa é de quatro anos atrás.
Adrian pegou a foto na mão. No centro, estava Hope e suas duas irmãs. Bliss era muito mais alta que as outras duas, com um corpo curvelíneo que o lembrava da avó que ele havia conhecido alguns dias antes. Hope tinha 12 anos, ele se lembrava, e já era mais alta que Faith, mas não muito. O cabelo avermelhado havia se tornado um loiro mais escuro que o da irmã mais velha.
— Quantos anos você tinha aqui? 18? — ele fez as contas, baseado na idade que ele supunha que ela tinha. Na verdade, ela não havia mudado muito desde aquela foto.
— Quase 20, meu amor. — ela deu um meio sorriso quando ele a olhou com a testa franzida. — Eu sou uma elfa, não envelheço. Lembra?
Ele balançou a cabeça e deixou a foto no lugar, caminhando até a pilha de livros. Faith recolheu algumas coisas do chão e se trancou no banheiro depois. Os seus olhos passaram pela lista de livros e ele achou algumas ficções baratas, alguns best-sellers e umas coisas que nunca tinha visto na vida. Pegou um deles e se jogou na cama dela, imaginando o que poderia fazer nela.

No banheiro, Faith lavou o rosto e se olhou no espelho. Tirou a blusa de manga comprida e a calça e trocou por um vestido, tentando controlar a sua respiração. Claro que o destino estava pregando uma peça nela. Primeiro, a fazia ter aquele tipo de sonho e depois o enfiava, sem camisa, no seu quarto. Aí o fazia olhar para as suas fotos de forma tão compenetrada. E aí a fazia ter vontade de jogá-lo na sua cama no mesmo instante e ver se a realidade seria tão boa quanto o sonho.
Foco.

Destrancou o banheiro e deu de cara com Adrian estirado na sua cama, um livro em uma das mãos e a outra apoiando a cabeça. Menos uma peça de roupa e daria um ótimo anúncio da Calvin Klein.
— Pronta? — ele levantou os olhos e se sentou na cama. Era impressão sua ou ele a estava devorando com os olhos. — Bonito vestido, little elf.
Sim. — ela pegou um livro na sua mesa de cabeceira, tentando afastar as imagens que se formaram com a cena anterior. — Vamos?
— Tirar o seu vestido e deixá-lo jogado no chão? É uma boa ideia. — ele ficou de joelhos na cama.
Faith sentiu um calor subir pelo seu ventre e contou até dois, mentalmente.

— Addy, você me fará ter muito trabalho assim. Ele estava no chão há dois segundos atrás. — ela virou de costas e caminhou até a porta. — Vamos?
— Sua cama é tão macia que eu podia ficar nela para sempre. Você dorme nela sozinha? É grande demais. — ele a seguiu.
— Você está interessado demais na minha cama, Addy. — ela lambeu os lábios, enquanto caminhavam pelo corredor. — Quer dormir nela hoje?

xxx

Quer dormir nela hoje?
O que diabos aquela mulher queria dizer com aquela frase? Adrian a seguiu pelo corredor, descendo as escadas e caminhando por um caminho até uma enorme piscina coberta. E o que ele havia respondido mesmo? Qualquer coisa que a havia feito rir, mas que não o tinha comprometido.
E ele não sabia mais o que era real ou não. O fato dela ter ido colocar um vestido que ressaltava tão bem seus atributos físicos era um indício que ela sabia que estavam jogando um jogo ou só algo aleatório? Tudo bem, ela ir para a piscina com uma blusa de manga comprida e calça não fazia sentido, mas ela podia ter colocado um biquini.

Mas se ela colocasse um biquini, ele tinha certeza que não sairiam daquele quarto.
Tinha que adotar outra estratégia e rápido.

Para sua sorte, havia um monte de morois ali dispostas a colaborarem com o seu novo plano.
Deitou-se numa cadeira de sol ao lado do guarda-sol onde Faith lia seu livro e não teve que esperar dois segundos antes que uma mulher se deitasse na esteira do lado e o garçom lhe trouxesse um daqueles drinks cheios de frufru. Era álcool, ele não recusaria.
— Adrian Ivashkov! — a moroi disse ao se sentar, com um sorriso. — Eu soube que estava na Irlanda, mas não sabia que estava nesse hotel! Não é lindo?
— Sim, é lindo. — ele deu um sorriso sedutor. — Mas não tão lindo quanto você. Qual o seu nome?
— Helena Sarkozy. Você provavelmente não me conhece, porque eu só fui na corte uma vez, mas meu pai vive me falando do seu pai e de como você é um jovem brilhante e promissor.
Faith deu uma risada da mesa e os dois se viraram. A moroi tinha uma expressão de desdém.
— O que foi? — ela levantou uma sobrancelha com um meio sorriso. — O livro está realmente engraçado.
Helena resmungou qualquer coisa e arrumou o seu cabelo escuro atrás da orelha. Se reclinou na cadeira e Adrian não pode deixar de perceber como ela era bonita. Mais de 1,70, rosto bonito, olhos cor de mel. Mais que bonita, ela era gostosa.
— Você tem um sotaque muito bonito, Helena. Da onde você é? — ele se inclinou na direção dela e passou uma mão pelo cabelo.
— Oh, eu sou francesa. — Helena ficou ligeiramente corada e arrumou o cabelo atrás da orelha. — Estou aqui de férias da faculdade. Faço Direito.

Faço direito.

Se ela tivesse que ouvir a voz irritante daquela moroi mais uma vez, ela temia pela segurança de Adrian. Ele a havia arrastado para lá para vê-lo dar em cima de uma garotinha, assim?

Sabe quem fazia direito? Faith. Com um murro no queixo e um chute nos joelhos. E Eddie nem para ajudá-la a passar pelo suplício de ouvir a conversa tola e sem objetivo dos dois morois. A cada drinque que tomavam, ficavam mais fúteis e aleatórios. E ela não conseguia ler nenhuma linha de seu livro. Maldita hora em que Adrian havia mandado Eddie passear. Ele estava agora do outro lado, conversando animadamente com um dos dhampirs que serviam como salva-vidas.
Não era ciumes, ela decidiu. Era só indignação pela falta de respeito que ele a havia mostrado. Ainda tinha que encarar olhares malignos vindo da francesa, que estava profundamente incomodada com a presença de uma pessoa como Faith ali.
— Adrian. — ela o chamou, fechando o livro com um estralo.

Os dois olharam para ela, a francesa numa careta.
— Sim, Faith?
— Eu posso ir fazer algo útil além de ouvir você conversando com a senhorita Sarkozy? — a moroi fez uma cara de ultraje ao ouvir isso, visivelmente indignada.
— Achei que estava lendo o seu livro. — Adrian deitou na esteira, sem desviar o olhar dela. — Achei que estava divertido.
— Está, mas aqui tem barulho demais para eu me concentrar. Qualquer coisa, você sabe onde me achar. — ela se levantou e Adrian a segurou pelo braço.
— Calma aí, eu preciso que você me faça um favor.
— Sim?
Ele se inclinou na direção dela, encostando os lábios no ouvido dela.
Me compra umas camisinhas?