Capítulo VI

Gina calculou que tivera sorte em adiar um orgasmo ao provocar a queda da bicicleta. O arranhão em sua perna ardia, mas isso era totalmente secundário diante das carícias que Harry prodigalizava.

A despeito de seu estouvamento e de algumas curvas desproporcionais no corpo, o dr. Potter parecia de fato atraído por ela. Mais do que atraído. Estava lhe inculcando o sentimento de que jamais fora tão sexy.

Além disso, o que ele fazia com suas carícias deveria ser ensinado na escola aos maiores de dezoito anos, em nome da felicidade sexual dos casais. Mesmo assim, Gina resolveu mover-se e sair do alcance dele. Mais um toque, e entraria em combustão orgástica. Evitou-a porque não desejava que o delírio de prazer terminasse tão cedo.

— Aonde você vai? — Harry protestou, imprensando-a contra a parede.

Continuavam no hall de entrada desde que haviam chegado à casa dele. Gina já estava se acostumando ao frio da parede às suas costas, enquanto desfrutava o calor das mãos do parceiro na frente do corpo. De qualquer modo, por que estava nua e ele, totalmente vestido?

— Tire sua camisa — ela ordenou, fechando as pernas.

Harry obedeceu de pronto e provocou admiração. Era incrivelmente bronzeado e musculoso, bíceps não exagerados, mas fortes. O tórax vigoroso contava com um tufo de pelos negros no centro.

— Só para avisar — ele disse, erguendo-se. — Não se mexa, pois há uma mesinha bem perto da sua cabeça.

— O quê? — Distraída, Gina permitiu que Harry a puxasse para frente e para cima. De pé, pela primeira vez ela reparou no ambiente. Tinha sido salva de derrubar no chão uma coleção de porta-retratos particulares, enfileirados sobre a mesa de entrada.

Pela cintura, Harry guiou Gina até a sala, em passadas largas que denunciavam sua urgência de acabar o que começara. Suas atitudes a fascinavam. Era um homem complexo e controlado, e essas facetas da personalidade lhe agradaram, particularmente aquela pela qual ele a colocava no pedestal de uma deusa nua.

Gostaria de ver todas as outras reações de que Harry era capaz.

Assim, ao parar à beira da cama no quarto dele, Gina vergou o corpo na tentativa de tocar os pés com a ponta dos dedos das mãos.

— Que diabo você está fazendo? — Harry tomou aquilo por uma provocação.

— Apenas mostrando a você que não consigo tocar os pés. É falta de exercício.

Ele valeu-se da posição de Gina e encostou a virilha no traseiro dela, fazendo-a sentir sua ereção. Passou a um atrito regular, para cima e para baixo, sob um suspiro de aprovação por Parte de Gina.

— Acho que quer levar umas palmadas estimulantes, não? — disse Harry.

Isso ela nunca admitiria. Já havia esquecido a ameaça, mas, diante de seu ressurgimento, tentou escapar dele, que a segurou com firmeza.

— Não, não é o que eu pretendia. Estava apenas estimulando você.

Com uma das mãos em torno de seus seios, a outra pousada em seu monte de Vênus, Harry a prendeu contra si.

— Então, admite que quis me provocar? Bem, não lhe darei palmadas, mas, se quer jogar, podemos brincar de médico e enfermeira.

A fantasia da brincadeira proposta tomou vulto na mente de Gina, certa de que, por ser médico, ele a praticaria com habilidade. Um beijo na nuca enviou arrepios por sua espinha.

— Sou bom nisso — Harry gabou-se. — Mas, como nós dois somos médicos, você me mostra como faz e eu lhe mostro meu jeito. Podemos alternar o exame completo, um no outro.

Frustrada e impaciente, ela arrependeu-se de ter dobrado o corpo diante dele. Não fosse por isso, Harry já a teria penetrado e satisfeito.

— O que eu ganho com isso? — Gina perguntou.

Ele riu da inesperada questão, depois estendeu o peito sobre as costas nuas dela, criando uma sensação agradável.

— Já que teremos turnos, ninguém ganha ou perde. Nunca brincou de médico e enfermeira quando criança? — Harry atritou a mão no ventre de Gina, cada vez mais baixo, até voltar a tocar-lhe a região íntima.

Com dificuldade, ela meneou a cabeça negativamente.

— Eu era desajeitada para brincar, sobretudo com meninos, e nenhum deles quis se fazer de médico.

Não foi a resposta que ele esperava. Sensual como era, Gina parecia ter passado muito cedo pela experiência de ter o corpo esquadrinhado por um garoto. Ela não era esbelta, com certeza, mas naquele corpo adulto e real nada sobrava ou faltava. Tudo se mostrava firme e lascivo, tentando Harry a saborear e desfrutar.

E ele pretendia desfrutá-la o mais possível.

— Eu também não brinquei disso, Gina, mas não resisto ao seu corpo — Harry disse em tom baixo. — Amo o seu corpo e quero adorá-lo, mostrar como ele me fascina.

A voz de Gina, normalmente aguda e firme, baixou uma oitava:

— Faça isso sempre. Comece agora.

Harry retirou a mão, sob um som de desaprovação que foi silenciado quando ele lhe removeu a calcinha, ainda presa nos calcanhares, e a segurou com competência, levantando-lhe um pé e depois o outro até a boca, para uma carícia imprevista e, por isso, divina.

Os gestos de carinho não impediram que Harry observasse como aqueles pés eram bem tratados. Típico de Gina. Indeciso quanto ao que fazer com a calcinha, Harry acabou por guardá-la no bolso do jeans. Serviria de lembrança ou de troféu. Ela não a teria de volta.

— Por que você pôs a minha calcinha no bolso?

— Pretendo ficar com ela. — baixou-se rapidamente e pousou os polegares acima dos joelhos de Gina. Beijou-lhe as coxas, explorando a maciez da parte interna.

— Para que quer a minha calcinha? — ela conseguiu dizer, apesar de estremecida, varada de desejo.

No entender de Harry, a peça de roupa lhe pertencia, porque planejava não mais sair com Gina, depois daquela noite, e fazia questão de uma recordação palpável do ardente prazer que nunca havia experimentado. Fingiria, então, que nada acontecera entre eles, pois ela já vinha abalando suas defesas, e mais um encontro significaria que se apaixonara por Gina. Seria pena magoá-la ou magoar-se, mas tinha de ser assim.

Droga! Gina era incrível. Deslizar a boca por sua pele clara, até atingir o alvo preferencial, era maravilhosamente bom, erótico e energético. A brincadeira foi posta de lado, porque a tensão sexual entre eles já era grande e Harry não demorou a adivinhar o que ela realmente queria.

Portanto ele observou a figura feminina, mais além do ventre convidativo e dos gloriosos seios, esperando encontrar no rosto de Gina um sorriso de contentamento. E estava lá. No entanto, mais destacado, mais ameaçador, foi o olhar de cumplicidade que ela lhe dirigiu.

Oh, Deus!Gina gostava dele!

Droga!Harry temia que isso viesse a ocorrer. Devia ter contido a excitação, mostrado menos entusiasmo. Agora, ela o olhava como se desejasse mimá-lo e possuí-lo, invertendo os papéis.

Manteve a boca fechada a fim de não dizer alguma asneira, como, por exemplo, pedir que Gina passasse a noite com ele, dividisse a cama e o café da manhã.

— Obrigada — ela falou com uma gratidão autêntica que o aborreceu.

Como ele poderia fazer sexo com Gina e esquecer, quando ela lhe agradecia por tão pouco?

Gina dobrou os joelhos e estendeu-se no chão, ao alcance de Harry. Um dos mamilos oscilou perto da boca dele.

— E agora, Harry? — desafiou.

Ele poderia, se fosse idiota, mandá-la para casa. Poderia juntar os restos de decência que ainda tinha e fazer sexo gentil e suave com Gina, preparando-a para o fato de que depois passaria a ignorá-la.

Também poderia acomodá-la no carpete e possuí-la depressa, já que estava tão desejosa, e amanhã seria outro dia.

Harry fez menção de afastar-se dela. Já sentada no chão, Gina reteve-o com as mãos trêmulas.

A próxima coisa que ela fez foi esticar-se no carpete, com os braços abertos para seu amante ocasional.

— Separe as pernas — ele ordenou. Incapaz de esperar, decidiu apartá-las com os joelhos.

Quente e predisposta como nunca antes, Gina não sofreu nenhum embaraço por expor a parte mais escondida do corpo que julgava tão imperfeito. Harry só fez uma pausa para colocar o preservativo, com mais pressa do que elegância.

Ela notou no rosto dele um selvagem abandono, que jamais esperava ver em Harry. A reação física foi digna da expressão facial. Ele soltou seu peso em cima dela e procurou o ponto certo para a estocada. Os músculos internos de Gina latejaram quando houve a penetração.

— Gosta disso? — Harry indagou, atento ao rosto dela.

Gina mantinha os dentes rilhados. Nada respondeu, preferindo poupar o fôlego. Cada movimento dele a transportava para mais perto do auge. Era uma experiência intensa, profunda e vivida, e ainda proporcionava prazer! Ela enroscou as pernas nas costas de Harry.

— Não ouvi. Você gosta? — ele insistiu.

Com a cabeça tocando o pé de uma mesa, Gina decidiu mexer-se o mínimo possível. Suspirou, gemeu e falou antes que Harry pensasse que ela vacilava:

— Sim, gosto muito.

Ele capturou-lhe a boca e, além de beijos, aplicou pequenas mordidas de paixão no queixo.

— Então, prove. Faça barulho, Gina.

Não seria esforço algum. Mãos na cintura de Harry, seios roçando o peito peludo, ela se guardava para o instante final, mas desde já poderia gritar tão alto que romperia o espelho do hall. E se não adiasse o fim e desfrutasse dois orgasmos seguidos?

O dr. Potter era competente na ação e no ritmo regular. E isso, apenas isso, era mais do que Gina imaginara partilhar com ele. A concentração estampada no rosto de Harry o tornava absolutamente sedutor. Erguendo os quadris, ela sentia a força e o calor das estocadas. As costas ardiam devido ao atrito com o carpete, mas Gina entendeu que havia acertado ao ceder à proposta.

Na verdade, esse foi um erro, porque não havia como conviver com o dr. Harry Potter, dali por diante, sem lembrar a sensação de ele empurrando seu membro profundamente para dentro dela. Gina tinha sido idiota, isto sim, embora se deliciasse com as manobras de Harry, à beira de um clímax intenso.

— Não pare... Não pare... — ela pediu, de olhos abertos e boca comprimida num sorriso satisfeito.

No momento final, Gina tentou não cravar as unhas nas costas dele, porém estava desesperada, a paixão explodindo por todo o seu corpo enquanto Harry a abraçava de encontro ao carpete.

Ondas de calor e suor a dominaram, junto com um aprazível tremor, e ele respeitou seus instantes de felicidade, fazendo uma pausa. Logo em seguida, em busca do próprio prazer final, Harry a beijou, abafando os últimos gemidos de Gina. Enquanto pulsava dentro dela, possessivo, ele introduziu a língua em sua boca e mordiscou levemente seus lábios.

De novo estirada sobre o piso, com a cabeça debaixo da mesinha, Gina se viu perseguida por Harry, entre beijos e movimentos de vaivém. Exausta, dispôs-se a lhe proporcionar um orgasmo inesquecível.

O lado dominador de Harry manifestava-se pelo preenchimento de seu corpo e pelos toques de lábios em cada centímetro de sua pele. Se ele fizesse isso todos os dias, ela pensou, nunca mais deixaria cair nada das mãos.

Harry a agarrava pelas ancas, agora com menos força, e Gina ria de prazer, submissa a qualquer nova ação. Seus músculos estavam relaxados. Harry poderia fazer com ela o que quisesse. E fez, até atingir o auge.

— Bateu a cabeça? — ele perguntou depois, enquanto afagava ternamente os cabelos de Gina.

— Não, estou bem. — Ela sorriu, convencida de que vira uma genuína preocupação na face de Harry. — Acho até que estou curada.

— Mesmo? — Ele a olhou com suspeição. — Nunca mais vai ser desastrada a ponto de derrubar objetos?

— É difícil dizer "nunca mais". Meu tratamento só está começando. — Talvez conseguisse convencê-lo a curá-la com doses diárias de amor.

As mãos de Harry ainda trabalhavam intensamente quando ele sugeriu:

— Vamos ao meu quarto, para ver se você fica mais relaxada.

Ele levantou-se, esperando confirmação da parte de Gina. Claro que, como toda mulher inteligente, ela iria ao quarto. Seria uma nova oportunidade de conquistar aquele homem em definitivo.

— Sim, doutor — Gina concordou em tom suave e obediente, que fez Harry rilhar os dentes em agonia sensual.

Ele estava novamente ereto, e ela felicitou-se por exercer esse efeito sobre o dr. Potter. Mesmo após terminar, Harry não havia ficado satisfeito e queria possuí-la e acariciá-la até ela concordar em não mais partir.

O que representava mais de uma noite.

Sem tempo de alcançar o quarto, ele retirou a calça jeans que ainda vestia, com cuidado para não ferir o membro exposto, e decidiu que faria Gina ir embora, após mais uma sessão de sexo. Apanhou outro preservativo, enquanto ela se estendida no carpete da sala, com os braços erguidos e os olhos brilhantes de excitação.

Harry tirou também a sunga e desabou sobre Gina com todo o calor de sua carne. Em seguida afastou-lhe as alvas pernas. Então, apertou-a com tanta força que, ao deslizar os dedos em sua pele, viu pequenas manchas vermelhas onde a havia tocado. Seria melhor conter-se. Mas os mamilos de Gina já estavam rijos e sua respiração, ofegante. Ela contemplou a musculatura dele e estremeceu graças ao prazer antecipado. Não havia nada de relaxante na situação.

Apesar dos lábios levemente abertos, Gina manteve-se quieta. Harry sentiu-se gratificado por sua capacidade de conservá-la em silêncio. Mas sua boca, em contrapartida, ficou seca ante a visão dos pelos pubianos, que lhe indicavam o caminho do prazer.

— Gina... — ele sussurrou ao beijar-lhe a parte interna das coxas.

— Sim, doutor?

Droga!Ela o estava matando com aquela voz rouca, insinuante, que em nada lembrava o tom adotado durante os procedimentos cirúrgicos no hospital. Lá, Gina era falante, cheia de perguntas, de questionamentos sobre cada tarefa que lhe solicitavam. Agora, seu timbre sensual de flerte e desejo se tornava irresistível.

Harry não soube que demônio o possuiu, levando-o a dizer:

— Você ainda parece excitada.

E continuou a beijá-la nos lugares mais sensíveis e secretos. Gina reagiu com seguidas exclamações de prazer. Ele apreciou a maneira como ela se contorcia. Então, afastou a cabeça e a contemplou.

— Pronto, parei.

A expressão frustrada de Gina lhe causou um esgar.

— Não me sinto melhor — ela falou. — Pode fazer mais alguma coisa? — Mexeu-se sob o corpo de Harry, erguendo os quadris num oferecimento óbvio.

Harry era dono de um arsenal de condutas sexuais.

— Claro que sim, mas temo que seja um procedimento radical. Alguns casos exigem medidas drásticas.

Ele poderia ficar horas sem fim admirando e venerando o corpo de Gina. Adorava a forma pela qual o ventre plano se ampliava de repente para constituir os quadris arredondados. Amava igualmente o modo como os seios pendiam um pouco para os lados, e a incrível alvura da pele debaixo dos braços, quando ela os erguia acima da cabeça.

Meses a fio, Harry sentira-se atraído por Gina, fantasiando cenas eróticas com ela e, ao mesmo tempo, negando essa compulsão. Agora que Gina jazia no carpete, aberta para ele como um doce e suculento fruto maduro, concluíra que nenhuma fantasia o havia preparado adequadamente para a realidade.

Tinha sido mentiroso, ou apenas idiota, ao lhe dizer que uma só noite lhe bastava. Não podia imaginar-se cansado de correr os dedos pela delicada carne de Gina e ouvir seus suspiros de prazer. Nem se cansaria de ver-lhe o canto da boca curvar-se num esboço de sorriso, ou a língua projetar-se para fora e umedecer o lábio inferior, num cacoete do qual talvez ela própria não tivesse consciência.

— Não é tão ruim, é? — Harry perguntou, pressionando a língua no umbigo de Gina, distraído com a idéia de que ela o tentava tanto que ele já agia como um cretino.

Bom mesmo era Gina sentir-se transmutada para outro corpo feminino, um corpo conhecedor de truques eróticos e delícias sensuais que ela jamais tinha posto em prática. Chegar ao auge em dez segundos ou menos era a novidade que mais a assombrava.

Gina era uma mulher demorada em termos de prazer. Necessitava de muita estimulação manual e alta concentração para atingir o orgasmo. Em mais de uma ocasião, no passado próximo, havia visto o ex-namorado consultar o relógio enquanto suava sobre ela.

Tinha plena noção, porém, dos defeitos de seu corpo, daí a dificuldade em relaxar e obter satisfação. Sempre julgava que possuía pele muito clara, seios demais e traseiro exagerado.

No entanto com Harry ela não vinha tendo nenhum problema.

O pendor dele para brincar e excitá-la era um fator importante que lhe despertou admiração. Até aquela noite, pensava em Harry como uma pessoa perfeccionista, concentrada em suas obrigações.

Usualmente, testemunhava essa índole rigorosa durante uma cirurgia óssea. Agora, o dr. Potter só estava focado em fazer sexo e deixá-la louca de desejo.

Havia funcionado.

— Está ruim, doutor. Não posso continuar assim.

Ele teve nervos para rir. Para provocá-la com seu órgão genital entre as coxas, sem penetração. Para atritar os mamilos com os dedos e os lábios. Para mergulhar apenas um centímetro dentro dela, depois recuar.

— Não é engraçado — Gina queixou-se.

— Você é que me faz agir assim — Harry justificou-se.

Ela cerrou os olhos quando ele arremeteu, possuindo-a num estilo mais suave do que antes, guardando pausas enlouquecedoras. Era uma deliciosa maneira de excitá-la que a fazia suspirar, gemer e pedir mais.

— Está gostando, Harry?

Conhecia a resposta que ele omitiu. Em compensação, o dr. Potter mergulhou fundo dentro dela, até que os corpos se unissem completamente. Inexistiam reservas ou inibições entre os dois: Harry não dava atenção a seus supostos defeitos, Gina tirava dele tudo o que podia.

— Droga! — Ele rilhou os dentes.

— O quê? — Ela manteve o corpo relaxado enquanto Harry a preenchia, causando-lhe um choque sensorial graças à fricção quente, ao ritmo lento e ao atrito de seus seios com o peito dele.

Harry meneou a cabeça, e Gina não entendeu, pois sentiu o clímax se aproximando, lançando-a numa plenitude sensual que vinha de baixo e lhe engolfava o corpo inteiro.

Um sopro de ar alcançou o colo de Gina. Harry vinha segurando a respiração, em busca do próprio orgasmo. Ela percebeu o esforço e, enquanto ele aumentava o ritmo das arremetidas, ergueu os quadris a fim de ajustar a pressão e demonstrar quanto se deleitava.

O êxtase explodiu simultaneamente para os dois, numa mistura de prazer, suor e arrepios. Harry desabou sobre Gina e beijou-lhe o ombro, onde acomodou a cabeça. Saciada, ela alimentou a esperança de que a noite de amor se repetisse. Talvez ele também tivesse alguma expectativa, mas seria forçosamente diferente.

Gina não deveria ligar para isso, porém se importou, sim, e enlaçou com os braços o pescoço de Harry, suportando-lhe o peso sem sinal de incômodo. O queixo dele enterrou-se nos seus cabelos, e por isso a voz soou fraca:

— Eu ia lhe mostrar o meu quarto, lembra-se?

Ela apertou-lhe os músculos das costas.

— O que há de bom para ver lá?

— Você tem razão.

Gina riu e logo parou ao ouvir o aviso sonoro quesoou no bipdo dr. Potter.

— Não estou de plantão, portanto vou ignorar.

Ela mexeu os joelhos de forma a agasalhar melhor os músculos pousados em suas coxas. Aquele músculo em particular parecia fora de ação, o que era uma pena, embora não pretendesse fazer de Harry uma máquina de sexo.

O celular então tocou. O dr. Potter saiu de cima dela.

— Coincidência — alegou antes de desistir de atender.

Com um suspiro, Gina sentou-se no chão e começou a aceitar o fato de que não veria a cama de Harry e muito menos passaria a noite ali. O hospital tentava localizá-lo de todos os modos, o que foi confirmado pelo toque do aparelho fixo.

— Droga! — ele praguejou, dirigindo-se, nu, à mesinha do telefone.

Ainda pairando nas nuvens da satisfação sexual, Gina não podia lamentar que o encontro terminasse prematuramente. Mesmo assim, gostaria de conhecer o quarto de Harry. Se ele a estava convidando, isso significava um promissor lance de intimidade maior.

— Vou comprar uma garrafa de água mineral gelada, na saída. Você também quer uma?

— Ótimo — ela disse pela terceira vez, percebendo que até uma criança pequena teria maior domínio do vocabulário.

Então, Harry colocou as mãos na cintura, e Gina constatou que a habitual máscara de indiferença estava de volta ao lugar. Na frente dela, elevava-se o dr. Potter, não um parceiro de aventuras amorosas.

— Bem, temos um acordo sobre esta noite, correto? — ele murmurou. — Isso não irá afetar o nosso relacionamento profissional.

— De modo algum. — Ela pensava em pedir transferência, pois não podia imaginar-se trabalhando no hospital, sob a supervisão do homem com quem praticara jogos lascivos.

Parada ali, saciada e sem calcinha, Gina tinha de fazer uma pergunta, antes que os dois voltassem a ser formalmente o dr. Potter e a dra. Weasley.

— Por que não me deixa cuidar sozinha de um caso? Tenho experiência, como sabe, mas você me nega permissão para realizar cirurgias. Preciso conhecer seus planos para o tempo que me resta de residência médica.

Ele a olhou fixamente, enquanto ajeitava o colarinho da camiseta.

— Pelo amor de Deus, Gina, não me faça falar de trabalho agora.

A reticência de seu orientador a aborreceu. Harry continuava enigmático quanto a decisões sobre a carreira dela, mas Gina era obrigada a confiar nele para o seu treinamento. Era injusto, e ela ainda tinha de sorrir, como a menina sonsa que todos a julgavam ser.

— Foi uma pergunta simples, Harry. Se vamos nos encontrar no hospital amanhã e agir como se nada tivesse acontecido, ao menos eu gostaria de saber o que esperar da minha carreira no futuro.

Harry já rumava para a porta de saída, sem atinar com o que dizer. Era por isso que evitava relacionamentos com colegas. Parecia que as mulheres não compreendiam que trabalho e lazer eram duas coisas diferentes. Gina não deveria ter trazido à tona o assunto da sua carreira, depois de despida e possuída sobre o carpete.

Claro, ele havia assediado a estagiária no hospital, quebrando suas próprias regras. E o argumento dela era válido, o que o tornou ainda mais contrariado.

— Gina... — Com pressa de chegar ao hospital, Harry reviu na lembrança a jovem atraente que gemia debaixo dele, falando seu nome.

A miniblusa só cobria parte dos seios, e o tecido não ocultava os mamilos excitados que o tentavam. A calcinha estampada com lábios vermelhos jazia em seu bolso, recordando-o de que Gina estava deliciosamente nua debaixo do short.

Se houvesse tempo, ele atacaria de novo, mostrando o vigor de seu desejo. Faria morada entre as pernas dela pela noite inteira, talvez todas as noites. Esfregou as mãos e acercou-se de Gina, empalmando-lhe os seios e depois passando os nós dos dedos sobre os mamilos. Teve de ignorar a nova ereção que o atormentou.

Lembrou-se de que se tratava de uma colega, uma doutora que não tinha vindo ao mundo somente para o seu prazer. Modulou a voz e concedeu:

— Muito bem. Não é hora de discutirmos isso, mas, já que insiste... O problema é que você não confia na sua própria habilidade. Não ficarei tranquilo se você conduzir uma cirurgia sem mim, até eu julgar que está pronta.

Baixou a mão até a virilha de Gina, como para provar seu domínio e poder. Havia sido honesto, porém, e agora esperava que ela concordasse.

— Como posso provar que estou pronta?

Harry recolheu as mãos e recuou. Aquele conceito de "estar pronta" era intangível, obscuro. Em algum momento, Gina simplesmente se tornaria capacitada como cirurgia, sem hesitar, sem pedir permissão para tratar de um paciente.

— Não sei — ele respondeu. — Pare de vacilar. Pare de esvoaçar em volta de todos, como um maldito pássaro.

Certamente, não foi a melhor escolha de palavras.

— Andar em volta? — Gina ergueu as sobrancelhas. — Eu supunha que estava ajudando e que minha presença era bem-vinda no centro cirúrgico. — A raiva ficou evidente no tom da voz.

Harry recuou mais um pouco, sem idéia do que dizer. A excitação sexual lhe prejudicava a clareza de pensamento. Espantado, viu que Gina ousava apontar o dedo para ele.

— Esqueça, colega. Não vou me transferir nem me transformar numa enfermeira. Também não quero fazer parte do seu circo.

Circo? Era assim que Gina avaliava a noite de frenesi e êxtase?

— Não seja risível.

Ela resmungou e desviou os olhos dele.

— Quero ser alta, magra e sem sardas. Quero subir na vida e que as pessoas me levem a sério.

De imediato, Harry concluiu que, se Gina fosse uma mulher fria e controlada, ele jamais a teria desejado na cama. Gostava de seu brilho, do sorriso, da energia vital, de seu grande coração. E, que Deus o perdoasse, de seu incrível traseiro.

Mas Harry ignorava como convencê-la, desconhecia as palavras que tendiam a fazer uma mulher feliz. Embora praticar sexo fosse bom, ele privilegiava a profissão, como um viciado em trabalho. Percebeu que ficar com Gina o levaria a um relacionamento suicida. Tudo o que poderia fazer era dizer-lhe a verdade.

— Gina, você não é alta nem magra e tem sardas. Mas isso a torna incrivelmente sexy. Quanto a ser tomada a sério, deve começar por si própria. Tenha uma postura de médica. Ande pelo hospital com passos firmes, de nariz empinado. Com confiança e até um pouco de arrogância.

Atingida pelo conselho, Gina permaneceu calada, indo e vindo pela sala.

— Quando você duvida de si mesma, todos duvidam—completou Harry.

O olhar dela, triste e resignado, estava matando o dr. Potter. Ele já deveria ter saído para o hospital, onde tudo era simples e tudo fazia sentido. Precisava recolocar suas necessidades e desejos acima dos de Gina, a fim de firmar-se como estrela da cirurgia ortopédica.

— Bem, podemos discutir o assunto na segunda-feira. Marcaremos uma reunião para planejar o resto da sua residência. Convidaremos o dr. Sheinberg a participar. Que tal? — Céus! Com tudo isso, ele ainda se sentia vulnerável à marcante sensualidade de Gina.

— Ótimo — ela anuiu.

Harry teve um último minuto para estudar o luxuriante corpo dela, de cima a baixo.

— Tivemos bons momentos, Gina. Sinto muito pela interrupção.

Ela esperou o complemento da frase, algo como "Nós sairemos de novo, faremos tudo de novo e melhor". Nada. Harry apenas colheu o seu queixo, numa espécie de despedida.

— Obrigado. — Foi só o que falou.

— De nada. — Gina aceitou que o dr. Potter não fosse homem de palavras sofisticadas, e subitamente sentiu vontade de entregar-se a ele como uma bacante despudorada. — Pode me telefonar a qualquer hora — acrescentou num tom de mulher carente.

— Não podemos... — Harry começou e interrompeu-se. Percebeu que seu sorriso havia dado lugar a um olhar piedoso para Gina, que ela não merecia.

Era inteligente, com grau superior, bonita e sensual. Dispensava o sexo misericordioso que ele lhe proporcionara. Tinha entrado naquela aventura de olhos abertos, e saía dela com altivez, sem desvantagem.

-O pessoal do hospital vai ficar curioso com o que lhe aconteceu — disse Harry, fascinado com o brilho nos olhos de Gina.

— Não se preocupe, Harry. Esta noite nunca existiu.

N/A: Olha só como Estou ficando boazinha, em um dia dois capítulos!

Mais isso é conseqüência de vcs, adoro seus comentários e sempre quero retribuir o carinho e dedicação de vcs, e cada dia mais feliz com a aceitação de vcs do meu projeto e da Dressa Potter.