Perfectly
Told myself that you were right for me – but felt so lonely in your company –
Parece que quando você pensa que vai morrer, milhares de pensamentos invadem a sua mente ao mesmo tempo sem aviso e sem ressalvas – todos juntos de uma vez só sem realmente se importar com o quanto aquilo vai ser capaz de lhe abalar, ignorando completamente que a morte eminente já é por si só perturbadora.
Mas então quando você realiza que está pensando demais e que tudo não parou, você percebe que não morreu. Mas que provavelmente chegou muito perto disso.
Sakura já havia imaginado sua morte mais de uma vez, e em nenhuma delas as areias de Sunagakure fazia parte do cenário. Claro que nenhuma delas era de maneira agradável, como uma ninja em atividade ela deveria esperar por tudo… Especialmente pela morte. Então porque daquela vez não estava querendo esperar?
Ela já havia apanhado mais de uma vez… De outras pessoas, da vida, de quem amava. O amor em especial fora o último a lhe dar um tapa na cara e a mandar ficar calada, escondendo-se no âmago do seu ser e prometendo ficar para todo sempre lá, ironicamente amargurado. Havia depositado toda sua vida e todos os seus planos em um homem que a abandonara e levara tempo demais para recolher os pedaços do que havia restado para retomar de onde parara. Aquilo provavelmente explicaria sua insatisfação com uma morte tão estupidamente prematura, ocasionada pela sua mais pura irresponsabilidade e fraqueza: a confiança.
Porque mesmo não havia desistido daquele verbo idiota que atende por "confiar"? Provavelmente porque quanto mais apanhava da vida, mais realizava que vivia cercada de pessoas maravilhosas… E que deveria ser eternamente grata por isso e por todas as oportunidades que o destino parecia lhe proporcionar.
Ter conhecido pessoas como Tsunade, Jiraya, Kakashi, Hinata, Ino e Naruto – especialmente Naruto – a faziam ter certeza de que ela muitas vezes agia como aquilo que mais desprezava, como uma egoísta. Se fosse para morrer, ela queria que fosse perto deles… Perto o suficiente para que todos eles pudessem ouví-la dizer que os amava antes de partir.
Mas era idiota pensar – ou desejar – a forma com a qual vai morrer, certo? Era egoísta querer ter aquele tipo de desejo atendido.E também ela não ia morrer… Não agora. Não ali. Ainda tinha muito o que fazer em Sunagakure, ainda tinha muito o que conversar com Gaara…
Gaara.
A última pessoa que vira antes de fechar os olhos, a última pessoa que a fizera se sentir segura nos braços... A última pessoa que ela havia esperado fazê-la se sentir assim. Ela ainda podia sentí-lo a segurando, quente, forte... Como ela nunca pensara que ele poderia ser. E pensar que anos antes, muitos anos antes, estar nos braços dele teria significado sua morte.
Aquilo tudo havia a dado uma nova perspectiva dele. Uma que provavelmente já existia em seu subconsciente e que por algum motivo ela relutara para aceitar.
Ele era bonito, forte, decidido, corajoso, provavelmente tão apaixonante quanto as enfermeiras pensavam que ele era. Também era teimoso, por vezes mal educado e terrivelmente temperamental... Nada que ela no fundo não gostasse, nada que no fundo ela também não fosse. Talvez ela e o Kazekage fossem mais parecidos do que ela pensava.
Quando ele falava com ela, a olhava nos olhos. Quando ela o provocava, ele não hesitava em responder... E quando ela falava algo inteligente ele a olhava com algo parecido com apreciação. Coisas que Sasuke jamais faria. Coisas que ele fazia sem perceber, mas que não passavam despercebidas por ela.
O que ela pensava de Gaara, afinal? Nem ela mesma sabia como definir. Atração, talvez? Não era amor... Porque ela sabia exatamente como era amar quem jamais poderia ter. Doía.
Doía olhar e saber que nunca poderia tocar, que nunca poderia ter... Que talvez algum dia pudesse saber a sensação de ter essa pessoa em seus braços mas que nunca passaria daquela simplicidade, nunca seria de maneira completa. Doía ter a certeza de que independente de todos os esforços seu amor nunca poderia ser correspondido. Doía entregar seu coração com o maior cuidado nas mãos de alguém que nunca saberia o que fazer com ele.
Ela não queria passar por aquilo de novo. Então porque estava se quer pensando em algo como aquilo? Gaara estava muito acima de onde ela podia alcançar.
Seus desejos eram de um sadismo imensurável... Sempre a levando a querer tudo aquilo que jamais poderia ter.
"-...Gaara?" – quando sentiu tudo doer e seus olhos finalmente se abriram ela teve certeza de que não havia morrido. E de que aquilo não era um sonho... Por mais que o rosto dele tenha lhe parecido por um mero instante angelical.
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Sabaku no Gaara não estava irritado. Dizer que ele estava irritado seria constatar o óbvio e apenas a constatação do óbvio não lhe bastava naquele momento. Agora as coisas estavam passando dos limites... E se Sakura tivesse se ferido? Aquilo teria sido um desastre diplomático sem dimensões.
Ninguém ousou se quer intercepta-lo quando o Kazekage entrou no hospital, Kankuro em seu encalce como uma sombra e milhares de grãos de areia agitando-se ao redor deles.
Ele não precisou pedir para ninguém para saber em que quarto ela estava. Seus instintos estavam aguçados e o Shukaku – que havia sido novamente lacrado dentro de si anos atrás – parecia estar respondendo à toda sua raiva. Foi praticamente guiado até a porta do quarto dela, e só parou porque ela se abriu antes que ele tocasse a maçaneta.
"-Kazekage-sama." – o vento vindo da janela passou pela garota parada na porta, trazendo o perfume inconfundível que o conduzira até ali de maneira involuntária. Um perfume fresco, suave, que o trazia também a lembrança distante de flores. Flores de cerejeira e folhas novas. O perfume que ele sentira de perto quando ela dormira em seu sofá e que secretamente procurava sempre encontrar pelos lugares que ela passava.
"-Gaara." – ele resmungou, a segurando com apenas um braço quando a garota simplesmente desabou à sua frente. O chakra dela estava baixo, mas estava estável. Podia sentir o corpo miúdo e quente respirando levemente contra o seu, e não soube dizer quando exatamente ergueu a outra mão para tocar-lhe os cabelos.
Ela estava bem. E o fato daquilo ser um alívio tão grande o fazia pensar o que exatamente era aquilo que sentia toda vez que a via, toda vez que ela estava perto. Não era mais só curiosidade, era algo além daquilo, algo novo e completamente incômodo que ele não sabia nomear.
"-Kazekage-sama." – estreitou os olhos para o lado, onde algumas enfermeiras preocupadas haviam se amontado, observando atentamente enquanto seu Kage segurava a médica de Konoha de maneira cuidadosa e protetora entre seus braços. - "Sakura-sensei... Ela está..."
"-Ela está bem." – foi tudo o que se limitou a responder, demorando alguns segundos a mais para erguê-la no colo e leva-la de volta para a maca de onde ela não deveria ter saído tão cedo. Observou-a por mais um instante, tirando uma mecha de cabelos rosados da frente do rosto antes de soltar um suspiro pesaroso.
Aquela mulher era, definitivamente, a pessoa mais teimosa e admirável que já conhecera. Meneou a cabeça, como se desaprovasse algo que estava pensando anteriormente e sumiu em meio a uma nuvem de areia.
Na porta do quarto, três pares de olhos surpresos piscavam copiosamente. O que, exatamente, elas tinham acabado de ver seu Kazekage fazer?
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Uma tempestade de areia atingiu Suna naquele fim de tarde, e Temari não tinha muita certeza se ela havia sido causada por razões naturais ou por seu irmão mais novo. Afinal, Gaara sumira a tarde toda e ainda não havia dado sinal desde que o sol começara a se por, quando fora ao hospital.
Era engraçado como por vezes se enganava ao tomar conclusões sobre os sentimentos do Kazekage... Tinha certeza que aquela mistura de sentimentos estava sendo ainda mais confusa para ele do que para ela. Cada vez que deduzia algo sobre ele descobria-se completamente precipitada e errada... Tocou a testa, sorrindo levemente ao constatar que não sabia se gostava ou não daquela instabilidade representada pelo ruivo. Bem, já deveria ter se acostumado à ela.
A única coisa sobre a qual Temari tinha certeza estar certa era o fato de que Sakura poderia salvar seu irmão. Poderia dar para ele tudo o que um dia ela nunca imaginou que ele fosse capaz de ter, poderia ensiná-lo muito mais do que pensou que ele pudesse aprender, mostra-lo coisas muito além do que ele poderia enxergar. Ela poderia ser a redenção que Temari e Kankuro julgaram ser impossível de existir, aquilo que haviam desistido de procurar em algum ponto do passado.
Pensando agora, não poderia ser mais grata à aldeia da folha. Mais especificamente, à Naruto e Sakura. Se não fosse por eles, Gaara não seria o líder que era. Se não fosse por eles, Gaara se quer estaria vivo... E ela teria perdido até mesmo Kankuro se não fosse por aqueles dois. O débito que tinha jamais poderia ser quitado, mas isso não significava que ela desistiria de procurar uma forma de retribuir a altura.
Com um suspiro pesaroso, ela deitou-se em sua cama e fechou os olhos. Gostava de dormir ao som das tempestades – talvez por um simples costume –, elas lhe passavam a tola e errônea sensação de paz que ela tanto buscava. Era como se enquanto houvesse areia e vento para todos os lados, nada de ruim pudesse acontecer.
Era uma sensação falsa, ela sabia, mas era uma mentira na qual ela gostava de acreditar.
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Sasuke não gostava de areia.
Sunagakure o trazia lembranças das quais ele não gostava e pensamentos que há muito havia afastado de sua mente. E, no entanto, ali estava ele... Sentado em frente a uma maca no hospital, esperando o momento exato em que os olhos verdes de Haruno Sakura se abririam para ele. E ele já estava ficando cansado de esperar.
Inclinou a cabeça levemente, observando com cuidado a respiração leve da garota, o corpo machucado movendo-se vez ou outra para procurar uma posição mais confortável. Aquele deveria ser o que chamavam de sono dos justos, um privilégio ao qual ele não tinha direito ou um direito do qual ele fora privado. Talvez por castigo, talvez por merecimento... Sasuke já não sabia mais, e também não se importava.
Sua missão ali havia sido simplificada. Aparentemente Sakura havia matado Tsubaki e quase morrido no processo devido ao veneno das plantas do Som. Mas o antídoto certo que trouxera provavelmente a ajudaria a melhorar rápido o suficiente para lhe dar as respostas que precisava. Não que ajudá-la estivesse em seus planos, mas ela também não deveria ter tido intenção alguma em acabar o ajudando, e o Uchiha não gostava de ficar em débito com alguém... Especialmente com ela. Além do mais, se alguém realmente tivesse que matá-la, esse alguém seria ele e ninguém mais. Ninguém deveria tocá-la, não como ele fazia, não como ele queria... Não com as emoções que ele causava. De algum jeito doentio e distorcido, sabia que no fundo ela seria sempre sua e de mais ninguém, por mais que não tivesse nada a oferecer em troca a vaga idéia dela estar ali já lhe era satisfatória.
Aproximou-se lentamente, estreitando os olhos escuros para a o rosto de pele pálida e contornando-lhe o queixo com o indicador. Sempre tão frágil e descuidada... Tinha certeza de que conquistar a confiança da rosada não fora desafio algum para uma pessoa tão calculista e falsa como Tsubaki. Tocou-a no pescoço, ignorando o leve movimento que ela fez, os dedos gelados deslizando lentamente por toda a extensão até chegar no ombro. Poderia matá-la tão facilmente... E ninguém nunca saberia o que teria acontecido. Mas aquele não era o momento.
"-...Kazek-" - ela abriu os olhos lentamente, ajeitando-se na cama e piscando um pouco.
Sasuke não soube bem o que o irritou tanto, se o fato dela ter se referido a outra pessoa de uma maneira tão confortável e segura ou o fato de não o ter reconhecido prontamente. Seus dedos apertaram-se contra o pescoço dela de uma maneira leve.
"-Sakura." - estreitou os olhos escuros para a garota, sorrindo de lado ao vê-la retrair.
"-Sas-Sasuke-kun!" - ela ergueu as mãos, segurando as dele que estavam em seu pescoço enquanto tentava inutilmente tirá-las dali. - "Está me machucando-"
"-Eu sei." - murmurou sem emoção alguma, demorando alguns segundos mais para soltá-la. - "O que Tsubaki queria aqui?"
"-...O que está fazendo aqui? Porque isso está acontecendo? Sasuke...?" - silêncio. Ela ajeitou-se na maca, engolindo em seco enquanto o fitava.
Tantos anos... Tantas palavras não ditas, tanta saudade, tanto tempo, tanto esforço... Para nada. Sakura não o respondeu nos minutos que se seguiram. Podia ouvir a tempestade lá fora, o vendo e a areia batendo contra as portas e janelas, fazendo questão de esconder até mesmo a luz do luar. Era só ela e ele ali. Ela e ele entre um silêncio incômodo, entre requisições, lembranças e um poço de mágoas que era grande o suficiente para mantê-los separados. E ambos sabiam que ele poderia matá-la a qualquer instante.
"-Ela queria começar uma guerra entre a areia e a folha. Aparentemente isso enfraqueceria ambos a ponto de dar vantagens para ela e Kabuto... E mais alguém. Acredito que haja mais alguém. Mas Orochimaru está morto, não está? Você o matou, não matou? Naruto disse que-" - ela parou de falar quando ele lhe deu as costas.
E se tivesse olhado para trás antes de partir teria encontrado o olhar desapontado da kunoichi, cujos punhos estavam cerrados. Mas ela não ia chorar, não de novo, não por ele.
"-Da próxima vez que nos encontrarmos, Sasuke-kun..." – murmurou baixinho, para si mesma e mais ninguém. – "Vou levá-lo de volta para Naruto. É uma promessa."
E aquilo há muito tempo deixara de ser um objetivo por ele. Agora era por Naruto.
Por Naruto e mais ninguém, porque ele não merecia viver com aquela decepção, com aquele peso sobre os ombros. O que ambos fossem fazer depois já não a interessava mais.
...Por Naruto.
– but I don't wanna live that way, reading into every word you say.
Ok, eu sei que demorei séculos e que mereço muito apanhar por isso, mas calma! –desvia dos tomates –Todo erro tem uma explicação plausível (a não ser que tenha ocorrido de maneira premeditada...)!
Eu tive sérios problemas com relação a esse capítulo. Tive a infelicidade de perdê-lo duas vezes (meus notebooks conseguiram bater o recorde e pifar não apenas uma, MAS DUAS vezes... Fazendo com que eu perdesse todos os meus arquivos (ARGH!). Daí como é de se esperar eu desanimei totalmente e acabei deixando de lado, as idéias sumiram também e eu considerei sinceramente a idéia de desistir desse fic. MAAAAS! Aparentemente vocês não desistiram de mim, porque continuei recebendo reviews pedindo para que eu continuasse, e podem ter certeza de que se estou aqui postando esse capítulo agora, é por vocês! Eu adorei ter recebido tanto incentivo, foi animador e me deu inspiração pra reescrever pela terceira vez o mesmo capítulo. Então deixo aqui meu MUITO OBRIGADA a todos que comentaram e me incentivaram: hyuugaamore, Ayumi, Dani Margera, Guest, Rane Guedes, tatá, Didinha, Raca, Krol, jlia, Roh Matheus, Nagila, YukiYuri, Lala-Hyuuga, Ana Uchiha, Pricililica.
Muito obrigada pessoal, de verdade mesmo!
...Vou ficando por aqui, deu bastante drama por hoje já!
Beijos!
