CAPÍTULO 6 DE A Sedução Não Mente Tradução de Sara Craven
Bella passou uma noite horrorosa, sem conseguir dormir.
Na manhã seguinte, não parava de pensar no terrível comportamento de Mike.
No entanto, o que não a deixou dormir foi a inacreditável aproximação de Edward no interior do carro... Tal lembrança a atormentava.
E o pior era admitir que, por um momento, ela desejou que Edward não parasse o que estava fazendo...
Ela fora pega de surpresa, disse a si mesma. Mas aquilo nunca voltaria a acontecer.
Quando chegou na escola, a sra. Stanley a esperava, impaciente.
— Até que enfim, Isabella. Quero que você vá à biblioteca esta manhã. Confira se todos os livros estão catalogados. Faça uma lista de todos os problemas que encontrar. Eu preciso dar uma saída.
— Tudo bem, sra. Stanley — disse Bella, embora tivesse feito o mesmo trabalho poucos meses antes.
Como ela suspeitava, a biblioteca estava em perfeita ordem.
Havia um computador por lá, e ela, embora relutante, digitou a palavra "Descent".
Rolando a página que surgiu à frente dela, apareceu uma foto de Edward sorrindo para ela, ao lado de outro rapaz, que também sorria.
Bella aproveitou para ler um breve resumo da história de Edward e da banda, chegando ao primeiro sucesso, que escutara no pub...
Milhares de shows. Aparentemente, muito álcool, drogas, problemas, envolvimento com estrelas de cinema, modelos, cantoras...
Naquele momento, entendeu porque Edward Cullen não se encaixava bem na vida do vilarejo.
Quis parar de ler, mas algo a obrigava a continuar.
Certas vezes, os demônios surgem em nosso interior.
Palavras de Edward... Bella tremeu.
Ela precisava encontrar alguma coisa que afastasse a mente de tudo aquilo.
Precisava de uma ocupação, e resolveu que demonstraria total eficiência no trabalho.
Decidiu, então, separar as correspondências.
— O que você está fazendo? — perguntou uma voz gélida.
Bella girou o corpo e viu a sra. Stanley bem atrás dela.
— Checando a correspondência — respondeu ela aturdida.
— E eu pedi?
— Não.
— Pois limite-se a fazer o que for pedido.
— Fiz uma lista das pequenas coisas que devem ser feitas na biblioteca.
— Muito bem, mas agora pode ir para casa, Isabella.
Mais uma vez, outra tarde livre.
— Obrigada, sra. Stanley — Foi tudo o que ela conseguiu dizer.
Estava a caminho de casa quando ouviu um barulho. Era uma grande Land Rover que se aproximava, com Alec Denali ao volante.
Bella seguiu adiante. Mais à frente, viu um carro parado ao lado da igreja. Era o carro da diocese.
Droga, esqueci de desejar sorte ao meu pai, ela pensou.
Ao se aproximar, viu um grande buquê de flores ao lado da porta principal.
Ela pegou o buquê, cheirou as flores, depois encontrou um cartão: "Oferta de paz."
Não havia remetente, mas só poderia ser coisa de Mike.
Sorrindo, entrou em casa e levou as flores à cozinha.
Pegou o celular e ligou para o trabalho de Mike.
— Bella? — Ele atendeu. — O que aconteceu? Tem um cliente me esperando, não posso falar agora.
— Você deveria saber porque estou ligando... Para agradecer, para dizer que são lindas...
— O que é lindo? Eu não estou entendendo.
— A sua "oferta de paz". As flores...
— Flores? Eu não enviei nada. Deve ter sido um erro do florista... Ou uma brincadeira de alguém. Desculpe, mas preciso desligar.
Bella ficou paralisada.
— Não... — gritou ela um bom tempo depois. — Não pode ter sido ele...
Oferta de paz...
Ela tremia. O estômago se revirava.
Não queria nem pensar nessa possibilidade. Receber flores de alguém como Edward era uma espécie de degradação.
Bella pegou o buquê e seguiu em direção às lixeiras.
— Podem ficar por aí — disse ela.
De volta à cozinha, resolveu preparar um omelete.
— Que surpresa! — Ela ouviu o pai dizer.
— Eu saí mais cedo do trabalho.
— Nós temos uma visita.
Ela ficou paralisada ao ver Edward Cullen entrando na cozinha.
— E acabamos de encontrar essas flores em cima da lixeira — disse o pai.
— Você sabe como elas apareceram por lá? — perguntou Edward.
— Não — respondeu Bella. — Na verdade, elas estavam na porta de casa, mas deve ter sido um engano.
— São flores caras — comentou Edward.
— Mas não são minhas.
— Que pena — disse o pai. — Deveríamos procurar o destinatário, mas o cartão desapareceu.
Na verdade, o cartão estava enfiado num dos bolsos de Bella.
— Vamos levar as flores para a igreja. Edward veio aqui para devolver o meu livro, minha querida. Eu o convidei para almoçar — disse o pai, saindo da cozinha.
Edward e Bella ficaram sozinhos.
— Nada de paz? — perguntou Edward, aproximando-se dela.
— E você duvidava?
— Não sei...
— Pode esquecer o almoço — disse ela, ríspida.
— Eu não estava contando com ele. E você poderia me envenenar. Agradeça ao seu pai.
Pouco depois, o pai voltou à cozinha.
— Edward foi embora? — perguntou ele.
— Infelizmente, sim — respondeu Bella. — Aliás, como foi a reunião?
— Nada boa... As notícias são ruins...
— Por conta do teto?
— Eles acham que não tem conserto. Mas o problema maior é a torre. Acho que vão querer interditar a igreja.
— Não! A igreja é importante para este vilarejo.
— Isso é triste, minha querida, mas já aconteceu em outros lugares. E você sabe que o bispo é um modernizador...
— Nós vamos ter de sair desta casa?
— Provavelmente. Eu devo ser enviado a Market Tranton.
— Pai, nós precisamos lutar contra isso.
— Eu sei, mas por onde começar? Precisamos de um mecenas muito rico para nos ajudar a reformar a paróquia...
Edward Cullen, ela pensou na hora. Droga!
— Isabella, nós precisamos lutar, mas não fique com essa cara — disse o pai, vendo a expressão de horror no rosto da filha.
— Acho que eu estava pensando no bispo... — disse ela, abrindo um sorriso amarelo.
