Relena acordou se sentindo extremamente cansada, afinal dormira pouco. Levantou com custo da cama, logo Heero iria chegar e não poderia deixa-lo esperando. Tomou uma ducha para ajudar a acordar, e vestiu-se rapidamente, com uma roupa casual e desceu.
Heero havia acabado de chegar, parecia tão cansado quanto a loira, já que também teve problemas em conseguir dormir, ainda que havia o adicional Duo para ajudar a atrapalhar seu sono, e pensar que ainda teria que substituir aquele imbecil a noite.
A loira percebeu que ele estava acabado fisicamente, também tivera problemas para dormir? Ou será que teve que trabalhar demais?
_ Você está bem? - Relena perguntou preocupada. - Não é melhor deixar a aula para outro dia? Você parece exausto.
Heero encarou a loira, não estava com um bom humor devido as poucas horas de sono, mas porque tinha tarefas a mais para fazer devido a um sujeito inconveniente que veio durante a madrugada para pedir favores. Sinceramente Duo precisava tomar jeito. O jovem instrutor respirou fundo, não ia adiar a aula, não estava assim tão cansado, e mesmo porque a companhia dela era agradável.
_ Estou bem, não se preocupe.
Relena viu Heero tirar de sua mochila alguns livros.
_ Esses são os últimos, se der tempo hoje, vamos treinar lá fora.
Ao mesmo tempo em que ela ficava ansiosa para aprender a dirigir, ficava um pouco mais angustiada, pois sabia que logo mais ele não daria mais aulas, provavelmente não o veria tão cedo. Aquela sensação de vazio voltou a preencher o coração de Relena.
Por que se sentia daquela maneira? Ficou sofrendo antecipadamente, compenetrada nos próprios pensamentos acabou não escutando o que Heero havia falado, só acordou de seus devaneios quando a campainha tocou, e em seguida veio a governanta Noin com um ramo de flores.
_ Relena, Willian mandou essas flores pra você. - sem pensar a governanta entregou as flores para a jovem senhorita; Segundos depois Noin percebeu que não devia ter dito aquilo, pelo modo como Relena a olhou, além do mais, ela foi a primeira a perceber que a jovem estava se apaixonando pelo ex-soldado. Mesmo que fosse aos poucos e sem perceber.
Heero levantou uma sobrancelha, uma reação automática, sempre fazia isso quando alguma coisa o incomodava, ou o surpreendia.
Noin sabia que não adiantaria explicar nada, Heero já havia entendido, se não fosse namorado ou algo do tipo, estava tentando ser. A governanta sabia que não viriam perguntas vinda dele, o conhecia o suficiente para isso. Relena encarava o ramo de flores, mas não vinha qualquer expressão, como se aquilo não fosse nenhuma surpresa, e nem um sentimento de felicidade veio dê seu rosto.
_ Eu me retiro, precisando de mim só me chamar. - Noin curvou-se levemente e dirigiu-se para outro cômodo, levando consigo as flores, pois sabia que Relena não ia querer ficar com elas ali, ia deixar no quarto da loira, junto com um cartão que veio junto.
A aula seguiu tranquila, passou o conteúdo final e depois uma revisão, ela aprendera bem a matéria, mesmo com certas dificuldades em prestar atenção às vezes, já que o moreno tinha o poder de fazer ela se distrair.
_ Amanhã começarão suas aulas práticas. - pronunciou Heero enquanto arrumava suas coisas para ir embora.
_ Ah... Sim. - Relena foi pega de surpresa, não sabia o que responder, mas ficou empolgada. - Não gostaria de almoçar? Logo a mesa estará posta. - a loira o convidou, mesmo sabendo da resposta, quem sabe um dia ele aceitaria um dos convites dela.
Para surpresa dela, Heero olhou o relógio em seu pulso, como se ao menos fizesse menção de aceitar.
_ Pode ser. - respondeu o moreno, a verdade é que automaticamente ia dizer não, mas brevemente passou pela cabeça que poderia mudar um pouco a si mesmo, tentaria ao menos aquela vez. Talvez tivesse ficado louco, mas ficar perto dela, o fazia se sentir bem, ponderou um instante, devia seguir um pouco mais o que sentia. Seguir suas emoções que aos poucos surgiam.
Relena surpreendeu-se, não passava pela sua cabeça que ele fosse aceitar, sem perceber sorriu. Um sorriso genuíno. Antes que ele mudasse de ideia, pediu que Heero esperasse que ela fosse até a cozinha pedir para que arrumasse a mesa para mais uma pessoa.
O moreno viu a reação dela e ficou um pouco surpreso, não imaginava que alguém sorriria assim para ele, como se realmente apreciasse a presença dele, aquela sensação era nova.
Mesmo que não fosse dito uma palavra durante o almoço não estava sendo uma experiência ruim, Relena sentia-se bem só pelo fato de estar perto dele, além de Heero ter aceitado o convite.
O moreno comia com calma, tentando não se apressar como era de seu costume, sempre fizera tudo muito rápido, inclusive comer. Ela tentava a todo custo fazer ele se sentir a vontade, por isso não falava muito, mas ouvir a voz dele começou a fazer falta para ela. Pensou em o que poderia perguntar que fosse possível de receber uma resposta.
_ Heero… - a loira começou a falar, logo em seguida viu o olhar dele que estava direcionado ao prato a encarar, esperando pelo motivo que foi chamado. - Obrigada por aceitar almoçar comigo, hoje. - ela sorriu timidamente.
Ele a encarou e pensou no que poderia responder, mas não veio nada em mente. Até que Relena voltou a falar.
_ Geralmente eu sempre fico sozinha aqui em casa, apenas Noin conversa comigo como amiga. - Relena queria saber mais sobre Heero, como ele passava o resto do dia? - Duo, me diz que você também é assim…
Novamente Heero levantara a sobrancelha, Duo falava sobre ele para Relena?
O americano sempre falava de seus amigos para Relena, mas ele nunca mencionava quem, já que ele falava "um amigo meu é assim" ou "conheço alguém que gostaria disso". Duo sempre falava de um amigo mal humorado, que não costumava sair para se divertir, era solitário como ela. Imaginando que esse amigo devia ser Heero.
_ Duo não perde uma oportunidade de me encher o saco, não sei como você aguenta esse idiota. - O ex-soldado desviou do assunto, não era confortável falar sobre aquilo, afinal era verdade, sempre teve um espirito solitário, afinal foi criado para ser dessa forma.
A loira riu.
_ Ele é um pouco exagerado, mas é uma pessoa muito bem humorada e divertida. Uma boa companhia. - disse sincera.
_ Com certeza melhor que a minha. - respondeu sem pensar, afinal era o que ele pensava a companhia de uma mosca seria melhor que a dele.
_ Não quis dizer isso! - Relena se exaltou, não era isso que ela queria que ele entendesse. - Eu gosto muito da sua companhia… - a jovem sentia seu rosto esquentar, ficou sem graça em admitir que gostava de estar ao lado dele.
Trowa acompanhou Willian até seu local de serviço, como era um homem importante e influente, fazia um elo direto entre a Terra e as colônias, uma empresa extremamente importante, cuidava de distribuir energia e água. Embora as colônias tivessem sido criadas justamente por causa da falta de recursos naturais do planeta, agora com a Terra recuperada era possível manter um equilíbrio, mesmo que algumas empresas passassem por cima de normas para ganhar mais dinheiro. Com os crescimento das colônias estava difícil conseguir recursos suficientes, eis que a empresa do pai de Willian surge a G- Universe.
Teyuki não era permitida entrar na empresa, muito menos trabalhar por lá, só o fato de a garota existir gerava boatos sobre quem seria a mãe dela? Com quem ele teve um caso? Como a mulher dele reagiu a isso? A jovem não dizia nada, não poderia nem sequer se defender, mesmo que pudesse entrar não iria fazê-lo. Queria trabalhar com alguma coisa, mas Willian jamais deixaria, afinal trabalhava escondida nos Estados Unidos, e assim conseguiu juntar seu próprio dinheiro, queria juntar mais, poderia comprar um apartamento e viver sozinha. Não queria mais ser um estorvo para seu irmão, o único da família que gostava dela, nem os empregados a respeitavam, ficavam falando sobre ela pelas costas.
Agora tinha um guarda costas, o que era outro empecilho. Não poderia mover um dedo sem que seu irmão ficasse sabendo, por fim, ia reencontrar alguns amigos, Willian não seria contra, seria?
Ficou compenetrada pensando no que ia fazer da vida, quem ia visitar primeiro que nem percebeu que seu próprio segurança a encarava, de uma maneira suspeita.
Willian arrumava suas coisas, ia sair mais cedo, queria estar impecável para ver Relena, iria para casa tomar um bom banho e relaxar. Trowa até ganhou o resto da tarde de folga, não queria ninguém perto dele naquela noite, seria especial. Iria reconquistar a jovem senhorita, reconheceu que errou no passado com ela, a loira merecia mais respeito, depois que terminaram ficou com várias mulheres, mas nenhuma preencheu o vazio que havia ficado. Apesar da péssima personalidade que tinha, ainda restavam boas coisas nele.
Assim que chegou a casa perguntou de sua irmã, uma das empregadas comunicou que ela havia saído.
_ Pra onde ela foi? - perguntou curioso, não iria proibir a irmã de sair, afinal agora tinha um guarda costas, mas queria saber onde a irmãzinha tinha ido, ainda sim se preocupava com ela.
_ Ela não disse, senhor. - a empregada respondeu.
_ Ela não disse, ou você que não prestou atenção? - Willian sabia que os empregados falavam de Teyuki pelas costas, prestava atenção em tudo.
_ E-ela… realmente não disse senhor! - ela engoliu em seco, sabia que qualquer coisa que ela dissesse poderia ser demitida na hora.
Willian encarou a empregada com desprezo e subiu para seu quarto. Provavelmente depois que voltasse ia demitir ela e mais alguns empregados, mas naquele momento estava com pressa, teria um jantar para ir e não devia se atrasar.
Como Trowa ganhou a tarde resolveu dar uma volta, comprar algumas coisas que estaria precisando, por ser um segurança pessoal não tinha muito tempo livre, revezava com outro segurança, ele ficava com Willian das nove da manhã até as nove da noite e seu colega ficava com o resto do horário, sem direito a fim de semana ou folga. Ganhava muito bem, não poderia reclamar.
Depois do almoço, Heero foi embora, afinal tinha que cobrir Duo em seu serviço, então precisava adiantar seu trabalho em casa, consertando o micro-ondas de uma senhora que morava no andar de baixo, prometera que entregaria naquela tarde, então não poderia deixar para depois. Além de que de manhã teria de arrumar um ventilador de outro senhor que morava no prédio ao lado. Ia adiantar o máximo que desse.
Enquanto estava ocupado não teve tempo de pensar no trabalho de mais tarde, nem em Relena e nem no sujeito pomposo que vira no outro dia, o tal de Willian.
Mas assim que apertou o ultimo parafuso todos esses pensamentos voltaram, ficou com raiva de Duo pela milésima vez, jurando que se ele se atrevesse a fazer aquilo de novo o esganaria de verdade.
Decidiu tomar um banho rápido, estava suado e sujo. Como o restaurante era demasiado perto, não precisaria se apressar e poderia ir a pé.
Quando a água molhou sua cabeça, sentiu certo alívio, por um momento conseguiu relaxar, até esqueceu que iria trabalhar a mais por causa de seu amigo idiota. Mas outro pensamento veio em mente, Relena e Willian, não sabia dizer por que aquele almofadinha incomodava tanto ele, não foi com a cara dele desde o começo, mas o que o deixava perturbado de fato era sua relação com sua aluna.
Eram quase sete horas e Relena ainda não fora se arrumar, o combinado era que Willian a pegaria às oito horas, mas a jovem não sentia ânimo nem para ir tomar banho, estava indo obrigada, como se arrependeu por ter aceitado aquele jantar. Ia fazer de tudo para voltar mais cedo, pôs se de pé, ia tomar banho e se arrumar. Deu um ultimo suspiro e entrou no chuveiro.
Depois que as guerras terminaram, Quatre foi para colônia onde nasceu, a L4, ajudava seu pai a administrar a empresa, ele que cuidava do abastecimento de combustível, tanto da Terra, quanto das colônias, a maior multinacional do mundo. O jovem ex-piloto ajudava o pai nos negócios, afinal tinha a responsabilidade de cuidar da empresa posteriormente, ia carregar o nome da família Winner.
Atualmente vivia na colônia L4 onde nasceu e cresceu boa parte de sua infância, foi lá também que a própria empresa começou, até mesmo Duo tinha poucas notícias do amigo, afinal viam-se pouco, dentre os pilotos o americano, era o único que fazia questão de visitá-lo. E um dos motivos para o americano querer faltar no emprego era pra visitar o amigo, além de que o loiro tinha uma encomenda que devia entregar para o amigo, e o faria pessoalmente.
Relena finalmente se aprontara, usava roupas simples, porém elegantes. Um vestido rosa claro que ia até os joelhos, colado na parte superior, junto uma sandália com um salto médio. O cabelo estava solto, e apenas uma leve maquiagem sobre o rosto, para completar o visual ela escolheu uma pulseira de ouro branco e ouro amarelo e os brincos combinando. A loira se aprontara em menos de dez minutos, por um momento pensou em vestir uma jeans e uma camisa, afinal não queria ir naquele jantar com ele, mas pensou melhor, ia vestir-se corretamente para ocasião, para depois não ter de ouvir coisas desnecessárias das outras pessoas. E seria a ultima vez que ela o veria, decidiu que terminaria com aquele assunto em alta classe.
Exatamente às oito horas a campainha toca, já imaginando quem seria, saiu de seu quarto e desceu; Respirou fundo, tentando tranquilizar seus pensamentos.
Ela o viu, esperando na sala, todo arrumado. Com outro buque de flores em mãos. Por um momento passou pela cabeça dela, o porquê de ele não ter sido gentil com ela antes, nunca ele havia lhe dado flores, jamais se preocupou em ligar e perguntar como ela estava. Não fazia sentido fazer tudo aquilo, era tarde demais.
Willian a viu descer a escada, ele a imaginava como se fosse uma fada. Apesar de ter se arrumado pouco, ainda sim estava linda, mostrava seu ar elegante. Sentiu seu coração bater forte, como pudera deixar uma mulher daquela escapar por entre os dedos?
_ Está linda… - disse o jovem, a encarando, seguido de um beijo nas costas da mão.
_ Eu sei. - respondeu Relena. - Vamos? Quero voltar logo para casa. - Ela quis deixar claro que não estava indo ao jantar por sua vontade, assim ele poderia se tocar e a deixar em paz, apesar disso Willian não pareceu se abalar, como se imaginasse a reação dela, mas o projeto de homem estava decidido em conquistar a loira novamente.
Relena passou o caminho todo calada, olhava através da janela do carro as outras pessoas, tentando esquecer com quem estava acompanhada, qualquer coisa que Willian perguntasse, respondia monossilabicamente, não ia prolongar o assunto, para sorte da jovem o restaurante era perto, chegaram lá em menos de quinze minutos. Assim que entraram no restaurante, foram atendidos pelo maître que os direcionou para a mesa reservada, era notável os olhares em direção a eles, afinal poucas pessoas não conheciam Willian e seu pai, os olhares para a jovem senhorita também não foram poucos, porém eram mais discretos, afinal ela estava acompanhada de alguém importante, por Relena sair pouco de casa e não participar efetivamente de nada em relação a sua família, ficando a parte social ao encargo de Milliardo, seu irmão mais velho, as pessoas não a reconheciam, mas era visível que era uma mulher da alta sociedade, todos se perguntavam quem era aquela jovem e a qual família pertencia? Em segundos viraram assunto em todas as mesas.
Relena se sentia desconfortável, mas não relevou, fingia não escutar uma palavra dita pelas outras pessoas, sentou-se calada em sua mesa, o desanimo e o desconforto dominavam a loira, mas era tudo suportável.
_ Boa noite, senhores. Sou Heero Yui e atenderei a mesa de vocês. - ao ouvir a voz dele, Relena virou rapidamente para o lado, notando o moreno. O coração começou a bater freneticamente, ficou confusa. O que ele fazia ali? Em Seguida veio o incomodo, ela junto de Willian... Não queria que ele entendesse errado, ela não sabia como reagir.
Willian não esboçou reação alguma, afinal nem o reconhecera, não era de guardar rostos de pessoas que ele não achasse importante.
**Continua**
N/A – Super rápido atualizei, hein! Ganhei super poderes... ! Uhuull! Mentira, a Lica que tem me ajudado a escrever... huehueheuheue
Pessoal, espero que tenham gostado, se puderem me mandem os preciosos reviews... Prometo que logo respondo!
Beijo e até a próxima, obrigada pela visita! Bye bye!
