*o* Fiiiinaaaalmente a minha internet voltou, e eu to trazendo como um relâmpago o finalzinho de vortex paradise.
(Peço mil perdões pela demora e agradeço logo todo mundo que ainda continua lendo apesar do meu desleixo.)
Enfim, não sei se isso compensa a demora, mas vo postar o 7 o 8 e o 9 logo todos de uma vez. Sendo que pretendo encerrar a história no 10. Espero que gostem =D
Áustria não imaginava que a presença de Hungria em sua casa fosse trazer tanta luz e alegria aos seus dias e àquela mansão. Antes tudo era tão monótono, com apenas ele e Sacro Império – com o qual o convívio muitas vezes era complicado devido á sua rebeldia. Uma vida tomada apenas pelos compromissos sociais, deveres, obrigações, tarefas e as lutas para expandir e proteger território, relatórios e trabalhos. Antes, seu único conforto era a música.
Perguntava-se se era a presença de Hungria que fazia o salão de estar da casa parecer mais iluminada. Se era por causa dela que os empregados pareciam mais alegres, sempre rindo e cochichando pelos cantos. Era por isso que o jardim parecia tão mais bem cuidado e as cores lá fora pareciam tão mais vivas? Será que era por causa dela que seu escritório parecia um lugar tão mais aconchegante e tranqüilo? Era ela que fazia com que o sol que batia nas prateleiras da biblioteca fizessem os livros parecerem tão mágicos?
Tocava suavemente a capa verde de um desses livros, fechando os olhos por um instante como se pudesse ouvi-lo suspirar de alegria por ter sido escolhido para estar junto deles naquele momento. Então voltou-se para Hungria com um sorriso simples encarando-a através das lentes de seus óculos. Ela pareceu surpreendida pelo sorriso do austríaco quando o encontrou, pois antes disso admirava a paisagem da janela, sentada num sofá próximo á ela. E apesar da surpresa, a húngara sorriu com as bochechas suavemente coradas fazendo o coração de Áustria disparar como sempre.
Por mais que acolher o jovem "garoto" húngaro ferido tenha sido um impulso, era uma decisão pelo qual ele era grato por ter tomado.
- Eu gosto desse. – ele o disse aproximando-se dela e sentando ao seu lado no sofá – Já o li muitas vezes. É sobre um homem nobre que se apaixona por uma moça pobre e...
- É romance? - ela se inclinou um pouco na direção dele encostando-se no seu ombro para ver o livro mais de perto. O contato o fez corar mais um pouco.
- É sim. – sorriu envergonhado. – Por que? Você não gosta? Posso pegar outro se quiser...
- Não é isso. Acho legal, mas nunca me interessei muito. – dizia a húngara dando de ombros. – Sempre gostei mais de aventuras e histórias de heróis e batalhas. Sabe, é que, como eu era um garoto... Quer dizer, como eu pensava que era um garoto, eu achava que deveria achar esse tipo de coisa mais interessante. E romances são coisa de menina e...
Hungria parou quando notou que repentinamente uma nuvem negra parecia pairar sobre os olhos do Áustria, que apesar de ter um falso sorriso congelado em seu rosto, pela forma como ele desviara o olhar, ele havia ficado realmente ofendido.
- Ah! Não que você se pareça uma menina, senhor Áustria. – disse ele balançando as mãos nervosamente tentando de alguma forma reverter o que havia feito. – È bem verdade que naquela época você era meio frouxo, mas... Ah! Eu não quis dizer isso...
- Acho que quando éramos crianças você era bem mais másculo que eu... Entendo por que pensa assim... – disse ele ainda com a sombra sobre o olhar e o sorriso congelado. Parecia que sua depressão estava aumentando.
A húngara riu sem graça.
- Ahn... Acho que... Só por que você lia livros de romance não quer dizer que você seja menos másculo por isso. E quanto á você ser chorão e não saber lutar... Bem... – a moça estava se enrolando cada vez mais e estava percebendo isso. – A questão é que, isso não importa, não é? Porque de qualquer forma você se tornou um homem e tanto, não é?
Áustria levantou o olhar e se esqueceu de sua depressão por um momento. A última frase de Hungria havia chamado sua atenção. Era bem verdade que já há algum tempo, ele vinha prestando muita atenção em tudo o que ela dizia, em busca de qualquer coisa que demonstrasse o que ela sentia por ele. E algumas vezes, ele chegara a imaginar coisas, e interpretá-la errado. Mesmo assim, sempre que ouvia algo como o que ela havia acabado de dizer, ele se enchia de esperança.
- O que quer dizer com "um homem e tanto"?
Dessa vez Hungria é quem havia congelado, suando frio sem saber o que responder. Estava tão preocupada em não deprimir Áustria com o que dizia que acabara se entregando.
- Bem... È que... – ela começou, o coração batendo tão forte e tão rápido que ela quase podia ouvi-lo. Apertou um pouco os próprios dedos enquanto olhava para o colo, procurando uma resposta para o que deveria dizer. E ao lembrar-se do quanto gostava de estar com ele... Lembrou-se que não precisava inventar resposta nenhuma. Para ela, Áustria era mesmo um homem incrível. E ela não tinha motivos pra querer esconder esse tipo de sentimento. Enquanto ela ainda olhava para o colo, um sorriso suave surgiu no seu rosto e ela se acalmou. – É porque... O senhor é tão inteligente, senhor Áustria. E isso provavelmente é por causa de todos os livros que leu. Você também ficou muito mais forte e luta muito bem. Além de tudo é uma pessoa justa e de bom coração. Se não fosse, não teria me poupado e me resgatado daquela vez. É talentoso... Sabe tocar uma porção de instrumentos e desenha muito bem. É responsável e sempre faz seu trabalho não importa o que seja. Está sempre sendo tão gentil e carinhoso com todo mundo, não importa o que os outros sejam rudes com você, ou se te agridem, ou se fogem... Algumas vezes pode ser meio rigoroso e duro, e até um pouco assustador, mas acho que mesmo isso é meio que o seu jeito de proteger os que estão ao seu redor. – suas bochechas coraram e ela abaixou um pouco mais o rosto com os olhos fechados tentando fugir do olhar do austríaco. – É um homem muito bonito também. E, eu fico muito feliz de estar perto do senhor, senhor Áustria.
O rapaz moreno ficou algum tempo aturdido diante daquelas palavras e daquele sorriso tímido da Hungria. Como ela conseguia ser assim, tão natural e solta, e tão encantadora? Áustria fitava-a sem piscar. Ela pensava isso tudo dele? Será que... Seria possível que Hungria também gostava dele da mesma forma como ele gostava dela? Por mais que ele ainda não tivesse nada que lhe desse certeza, todas aquelas palavras lhe deram um pouco mais de confiança. Era pouco, é verdade, quando comparado ás duvidas que sentia. Porém, naquele momento, era mais que o suficiente pra que ele se arriscasse e contasse á ela o que sentia.
Hungria se surpreendeu quando a mão grande e alongada dele tocou as suas. Ela atreveu-se a olhar pra ele e encontrou-o fitando-a bem de perto. Ela sentiu um calor no peito. Tinha que inclinar um pouco o rosto para cima para encará-lo, por ele ser mais alto. Áustria parecia inclinado na sua direção. Ela sentia o sangue fazendo suas bochechas formigarem ferozmente, mas simplesmente não conseguia desprender-se daquele olhar tão sério e sereno cor de lápis-lazúli. E apesar de os dois estarem bem próximos, e se aproximando cada vez mais, ela não tinha a menor vontade de interromper aquele momento.
- Elizaveta... – falou ele com a voz baixa e macia. – Eu quero te dizer... Eu queria te dizer a tanto tempo...
- O... o... O que? Senhor Áustria?
- È que eu... – ele sentia o coração palpitar e estava tremendo de nervosismo. Sua mão apertou a mão de Hungria. Nenhum dos dois parecia notar, mas seus rostos estavam a pouquíssimos centímetros de distância.
- Está tremendo! Está se sentindo bem? – disse ela, olhando para a mão dele por um momento, e segurando-a com as duas mãos e forma de concha, baixou a cabeça.
- Sim. – ele disse fechando os olhos com força e respirando, baixou a cabeça por um momento também, sua testa encostou-se na dela. Ele ergueu o olhar novamente. – Por favor, não me interrompa, eu preciso dizer isso de qualquer jeito. E tem que ser agora.
Por alguma razão ela sentiu-se mais nervosa.
- Po...Pode dizer.
- Hungria, eu estou ap-
- Ei!
Sacro Império abriu a porta da Biblioteca tão bruscamente, e o susto dos dois foi tamanho que cada um se jogou contra um dos braços do sofá, criando um grande vão entre eles. Áustria estava tão vermelho, que podia-se pensar que havia vapor saindo de seu rosto. Depois de afastar-se tão de repente, Hungria levou uma das mãos ao peito, tentando acalmar o coração devido ao susto, com os ombros e os joelhos encolhidos.
O pequeno não pareceu notar o constrangimento dos dois, tão pouco pareceu notar que estava sendo inconveniente, visto que entrou na sala com seu ar prepotente, o rostinho invocado e a capa balançando. Parou na frente dos dois e cruzou os braços.
- Por que vocês dois ainda estão aqui? Vão se atrasar para o almoço! Hungria, pensei que você tinha dito que iria cozinhar goulash pra mim.
- Ah! Eu ia mesmo, não é? – respondeu a moça rindo nervosamente.
- Sacro Império! – gritou Áustria, suprimindo sua vergonha com irritação. – Que educação é essa? Entrando assim sem bater! Eu não admito esse tipo de comportamento na minha casa!
- A porta estava aberta. – ele respondeu secamente com os olinhos redondos e azuis voltados pro mais velho.
- E ainda, que intimidade é essa com a Hungria? Até pouco tempo você nem falava com ela!
O loirinho enrubesceu e baixou o olhar por um instante. È bem verdade que costumava ter vergonha de estar perto de Hungria, e por muito tempo achava muito inconveniente ter uma mulher na casa. Mas, de um jeito estranho, descobriu que se sentia muito confortável perto dela. Mesmo que estivesse determinado á jamais admitir isso. E também a achava muito bonita.
- I-isso não vem ao caso! – disse ele virando o rosto emburrado para o outro lado. – De qualquer forma, por que está tão irritado?Vocês não estavam fazendo nada demais mesmo, não é?
- Não! De jeito nenhum! Eu só estava...
- Estava o que? – o lorinho olhou para Áustria de soslaio, meio que sentindo que o havia encurralado.
- Bem é...
- Senhor Áustria estava prestes a me contar algo importante. – respondeu Hungria inocentemente, meio que pensando em voz alta com o dedo indicador encostado nos lábios, quase como se não estivesse participando da conversa.
- Ah... Eu estava? – a voz do austríaco saiu trêmula.
- Não estava? – a moça olhou pra ele piscando confusa. – O senhor estava me dizendo que estava... Ap...
- Ap? – perguntou Sacro Império confuso.
- È. "Ap... alguma coisa".
- "Ap" o quê, Áustria?
Áustria estava suando frio sob o olhar da moça e do pequeno.
- Eu estou... Eu estou... Ap... Ap... – Sentiu que tinha exatamente um segundo para pensar em algo que livrasse a pele dele daquela situação. Então repentinamente ele se levantou, e tomou uma postura séria extremamente artificial. – Estou aprimorando uma técnica musical no piano para um concerto na qual irei me apresentar em breve e por isso não posso ficar aqui e preciso ir praticar.
E dito isso, ele lhes deu as costas e caminhou como um robô em direção á porta.
- Ah! Mas, não iríamos ler agora? – disse Hungria antes que ele saísse.
- Podemos fazer isso depois do almoço, no jardim. Agora preciso ir.
Disse que precisava ir quando já havia ido, deixando um pequeno germânico e uma húngara muito confusa na biblioteca. Ambos ficaram alguns segundos olhando na direção da porta tentando compreender direito o que havia acontecido, mas foi Sacro Império o primeiro a quebrar aquele momento paralisado, quando olhou para Hungria e disse:
- Ele está agindo estranho.
- Você também acha? – disse a moça ainda olhando pra porta e erguendo uma sobrancelha. Depois pousou o dedo indicador nos lábios e olhou pra cima pensativamente. – Por alguma razão estranha, eu tenho a impressão de que não era aquilo que ele queria dizer. Será que estou imaginando coisas?
- Hum...Ás vezes você é meio ingênua.
Áustria estava sentado sob a sombra de uma árvore. A cena que tinha diante de seus olhos era linda, e isso ele não podia negar. Hungria estava linda agachada perto das flores junto á Sacro Império Romano. Ele parecia estar discutindo algo com ela com uma expressão invocada apesar das bochechas visivelmente coradas de vergonha, enquanto ela, apoiada sobre os joelho afim de ficar mais perto da altura dele, sorria gentilmente ignorando as grosserias do menino – o que não era muito difícil pra ela, já que já estava com essas atitudes que eram tão estranhamente semelhantes ao do Prússia.
Mesmo assim ele não conseguia evitar sentir-se aborrecido com tudo aquilo. Afinal, desde que Sacro Império passara a relacionar-se bem com Hungria, ele não tivera muitas chances de ficar á sós com ela.
Suspirou fundo sentindo a brisa suave bater e sacudir a folha das árvores. Hungria disse algo que provocou Sacro Império, o que fez com que ele saísse correndo atrás dela sacudindo o punho, desafiando para uma luta.
Áustria apoiou a bochecha na palma da mão. Sabia que talvez estivesse sendo egoísta. Antes que Hungria chegasse ,ele e Sacro Império mal conversavam. E mesmo antes disso, ele sabia que o pequeno tinha dificuldade de se relacionar com os outros devido ao seu gênio difícil. E apesar do ciúme que sentia da húngara, sentiu que talvez devesse ficar feliz por Sacro Império estar fazendo amizade com alguém depois de tanto tempo. Afinal... O pequeno nunca pareceu se importar com mais nada e nem ninguém além dele...
Vendo os dois brincando pelo jardim, e lamuriando-se por não poder ficar com Hungria, que estava tão linda correndo com os cabelos castanhos ao vento e um sorriso alegre, estranhamente veio á sua mente uma lembrança: Uma vez que havia ido com Sacro Império Romano Germânico ao mercado, e vira França com um de seus irmãos mais novos. Na época, ele tratou como algo insignificante, mas ainda sim, não pode deixar de notar o brilho e a fascinação nos olhos do germânico quando eles encontraram a pequena Itália.
A idéia veio á mente de Áustria como uma lâmpada que se acende. Havia alguém por quem Sacro Império havia se interessado certa vez. E talvez, Itália até fosse uma melhor companhia para Sacro Império do que a Hungria.
Hungria assustou-se quando viu Áustria montado num cavalo a caminho do portão da mansão, com a espada embainhada junto á cintura. Se quer havia notado que ele havia saído de debaixo da árvore – onde ela, envergonhada, tinha que admitir que o abandonara.- . Sentiu-se culpada, por tê-lo esquecido. E esquecer seu adorado senhor Áustria, mesmo que por um momento, para ela era incomum. Porém, não negava que gostava muito de brincar com Sacro Império Romano, que lembrava tanto Prússia.
- Senhor Áustria! - disse ela correndo em direção ao cavalo, sem temer as guinadas do animal arredio. – O que está fazendo?
- Vou me ausentar um tempo Hungria. Talvez alguns dias – disse ele com um sorriso esperto anormalmente satisfeito.
- Por que? E por que tão de repente? – ela disse tentando segurar as rédeas do cavalo que se mexia muito, impedindo-a de fitar o austríaco com clareza. Por mais que Áustria não parecesse chateado, Hungria temia que sua atitude o tivesse feito se afastar dela. – Foi algo que eu tenha feito de errado... Por que se foi...
Ele riu.
- Não se preocupe. Apenas há um território no qual estou interessado e que está sob o domínio de outra pessoa.
- Um território? Pensava que o senhor não se importava tanto com isso.
- Esse é especial. – ele puxou as rédeas do cavalo e direcionou para o portão. – Cuidem-se bem na minha ausência!
- Senhor Áustria, eu ainda acho...
Antes que ela pudesse terminar de falar, ele já havia partido em disparada para fora da mansão. Ela o viu partir com uma sensação incomoda no peito.
Hungria ficara realmente apreensiva durante ausência de seu mestre. Tentava ocupar a mente com os afazeres domésticos, mas pouco adiantava. Até pediu as cozinheiras que lhe ensinassem a costurar, coisa que ela aprendeu com facilidade. Ela ainda não entendia direito por que Áustria havia partido, mas sentia que a culpa era sua e isso a fazia se sentir pior.
Por fim, depois de cerca de quatro dias, uma das criadas encontrou com ela em um dos corredores da grande mansão e anunciou que o austríaco havia chegado e que estava no salão principal. Hungria sentiu a ansiedade subir pela garganta e correu para lá.
A batalha com França não foi a mais complicada da sua vida, mas também não havia sido fácil. Apesar de ser muito subestimado, o francês não era um oponente de baixo calão. De qualquer forma, havia valido a pena. Conseguira então os gêmeos Italianos, apesar do mais velho ser incrivelmente mal educado e indecoroso.
A Itália Veneziana, no entanto, não parecia ser um problema. Num geral, perecia ter raciocínio lento, não entendia direito o que estava acontecendo á sua volta e também não parecia se importar muito. Apenas ficava chorando e falando manhoso perguntando quando lhe serviriam comida.
Áustria observava a pequena Itália Veneziana com as mãos na cintura, um ar prepotente e satisfeito, – Havia deixado seu irmão Romano com o Espanha antes de voltar pra casa. Aguentar seus palavrões e o gênio irritadiço o haviam tirado do sério ,mesmo antes da metade da viagem. Nada lhe irritava mais do que falta de educação. O espanhol, no entanto, pareceu ficar incrivelmente grato pela "generosidade". Áustria não entendia como alguém poderia ficar feliz em ter um menino tão desagradável como companhia, mas não se importava, desde que pudesse se livrar dele. –
A irmã mais nova chorava e fungava com um galo enorme na cabeça que havia ganhado durante a batalha. Ele sabia que Itália, fraca como era, não seria motivo de muita preocupação. E também não achava que fosse lhe causar problemas, mas de qualquer forma decidiu estabelecer algumas regras:
- Bem, aqui estamos. A partir de agora você é da Áustria, então terá que trabalhar como meu subordinado. Eu também estarei no comando da política e indústria do seu país. Tudo o que você tem que fazer é me obedecer. Alguma pergunta?
O país menor levantou o rosto timidamente e pronunciou-se com uma voz meiga, doce e hesitante:
- Hu...-hum... Hoje vai ser servida pasta no...?
- Não, não vai. – cortou o Austríaco impacientemente. Itália já havia perguntado isso incontáveis vezes no caminho de ida para casa.
Hungria aproximou-se lentamente de ambos. Já havia chegado ao recinto há alguns minutos, mas decidira que era melhor não se pronunciar. A moça não queria deixar transparecer, mas, a rispidez do austríaco com o pequeno a havia assustado um pouco. Não havia sido assim com ela –é claro, que devia considerar que a forma como fora parar na casa do Áustria fora um tanto diferente – e perguntava-se se ele havia sido assim com Sacro Império. Já havia percebido que eles dois não tinham um relacionamento muito bom.
- Se...Senhor Austria? O que está acontecendo?
O austríaco voltou-se para trás e ao encontrar a visão da jovem húngara, todo o cansaço da viagem e da batalha pareceu aliviar. Ele esboçou um sorriso que pareceu tranqüilizar tanto Hungria quanto Itália.
- Ah! Hungria! Nossa... Sinto como se fizesse anos que não a vejo. Aproxime-se. – ela o obedeceu e ele voltou-se para Itália. – Essa é a Itália. Eu a trouxe para cá e vai viver conosco agora. Será que poderia ajudá-la a tomar banho e trocar de roupa? – então lançou um olhar meio severo para a pequena Itália. – Ela parece estar inacreditavelmente ansiosa para o jantar.
- Ahn... Acho que posso ajudar sim. – então ela aproximou-se da Itália, apoiou as mãos nos joelhos e sorriu carinhosamente para o pequeno país choroso. – Está tudo bem Ita-chan. Vamos nos dar bem, ta bom?
Itália pareceu sentir-se mais confortável perto de Hungria. Vendo que as duas poderiam ficar bem juntas Áustria se afastou. Sua satisfação por ter conquistado a Itália parecia estar superando o cansaço que sentia. E estava muito ansioso para mostrar a nova hóspede à Sacro Império.
- Eu também vou tomar banho. Espero vocês durante o jantar.
- Seu banho já está pronto Ita-chan!
Hungria estava perto da banheira com água aquecida, com a barra do vestido amarrada nos joelhos e as mangas arregaçadas. Tentava ser o mais gentil possível com a pequena e assustada Itália, que aproximou-se timidamente com o rostinho vermelho e o corpo coberto pela toalha.
Itália entrou na banheira, ainda com os olhos úmidos pela choradeira que havia sido desde que fora capturada pelo austríaco. Hungria ajudou-a a se banhar apenas com um sorriso no rosto a princípio, mas ao ver a aflição da Itália, decidiu que talvez a menor se sentisse mais tranqüila se pudesse conversar um pouco.
- Então, Ita-chan, o que achou da casa do senhor Áustria?
- Hum... Eh... – a pequena ainda parecia hesitante em se relacionar com os outros ali. – È bem grande e... Tem muitas pinturas.
- Você gosta de pintar?
- Go-gosto...
A húngara sorriu e continuou a esfregar sabão pelo corpo da pequena Itália.
- Ouça, Ita-chan... Eu sei que o senhor Áustria pode parecer meio severo ás vezes. Mas, ele é uma pessoa muito gentil na verdade. Não precisa ficar com medo, ele deve estar meio cansado. Mas... Todos aqui são muito legais e educados.
Itália se deixou invadir pelo calor da água na banheira e das palavras de Hungria. Sentia os machucados sararem aos poucos. Olhou pro teto enquanto a húngara esfregava suas costas com sabão, pensando que talvez viver ali não fosse assim tão ruim.
- Hun...Hungria...
- Hum? – a moça levantou o rosto piscando os olhos confusos.
- Vão servir pasta no jantar?
Ela riu meio constrangida.
- Bem, agente não come esse tipo de coisa aqui. Mas, a comida é bem gostosa também. – ela levantou-se lentamente afastando-se da banheira e apanhando uma toalha. – Muito bem Ita-chan, já terminamos, pode vir se secar. Ah! Mas... – Então enquanto cobria o pais menor com uma toalha olhou para cima com uma pontada de confusão no olhar, esfregando a cabeça de Itália com a toalha sem nem se quer prestar atenção no que estava fazendo. – Apesar do senhor Áustria ter dito que era pra eu te ajudar a se vestir, eu não tenho roupas de menino que sirvam em você. Será que ele se esqueceu disso? Na verdade, não tenho nem certeza se ele reparou... O senhor Áustria tem um sério problema de distinção de gêneros. Bem... Não sei se eu tenho o direito de dizer isso, mas...
O menor colocou a cabeça pra fora do monte de toalhas, fitando a húngara com olhinhos curiosos.
- Hum? O que?
Hungria encarou o pequeno italiano e sorriu alegremente dando de ombros.
- Ah, acho que não tem problema não! Além do mais, você fica tão bonitinho vestido assim! Vem cá, eu tenho um vestidinho parecido com o meu que vai ficar ótimo em você!
È isso galere. Peço desculpas de os cap 7 e o 8 ficarem com cara de filler. Eu editei o máximo que pude, mas tinha alguns fatos que eu precisava mesmo relatar, como a chegada do Itália na casa do Áustria e algumas falas importantes que vão influenciar a Hungria, no desenrolo do climax.
A quem venha interessar, o título desse cap, allegro é um andamento musical leve e ligeiro.
Vale agradecer outra vez á todos que estão lendo a fic. E muito obrigada as pessoas que favoritam minhas histórias *o* eu fico feliz sempre que vejo que o pessoal ta curtindo.
