Metonímia: consiste no emprego de um termo pelo outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de assimilação entre eles. É a figura de linguagem mais abrangente, com ao menos vinte formas de uso no cotidiano normal de uma pessoa. Ex: Adoro Dan Brown (na realidade, você adora Langdon e situações absurdas mas completamente inebriantes)
Eu, na minha infância, chegara à conclusão que coisas estranhas faziam parte da vida humana. Tipo ter que comer jiló quando, claramente, brigadeiro era muito melhor, ou tipo ter que parar de brincar de pique esconde à noite quando se esconder era muito mais fácil ou, então, arrumar a cama quando obviamente ela seria desarrumada umas quinze horas depois.
É, era estranho. Mas eu consegui me acostumar tanto com o jiló – que parei de comer assim que tive idade suficiente para fazer uma cara de metida e dizer 'Não, prefiro isso' – e me conformei a parar a brincadeira às cinco da tarde e de arrumar a cama. E isso, apesar de eu não gostar nem um pouquinho dos três, me serviu para uma coisinha; nem sempre as coisas saem como achamos que elas vão sair.
Então, me acostumei.
Claro, era estranho conhecer um mundo totalmente diferente do seu, e era estranho não precisar mais levantar para conseguir pegar alguma coisa. Era estranho beijar pela primeira vez – pedi água para Marlene, porque o carinha tava com gosto de pimenta e eu odeio pimenta – e era estranho – e ao mesmo tempo delicioso – começar a ser seguida por olhares masculinos. Era estranho que um desses olhares não tenha desgrudado após dois anos de foras, e também era estranho eu estar gostando dele agora.
Era uma vida cheia de estranheza, a que eu tinha. Portanto, sentar no degrau mais alto da arquibancada como pedira o tal garoto não me pareceu particularmente estranho.
Estranho foi meu sentimento de excitação.
É, isso mesmo. Eu estava gostando de vestir as cores da Grifinória para assistir um jogo cujas únicas três regras que eu sabia eram 'faça gol, agarre a bolinha amarela e mate os outros com bolas assassinas'. Eu estava gostando de ter as discussões sobre como Black era fenomenal e como não havia outro igual a James, estava gostando de ouvir os cantos da torcida pedindo pelos jogadores.
Sim. Sim, sim, sim, era estranho. Porque, mais do que gostar, eu estava gritando junto. Gritei quando o time da Grifinória entrou, quando o capitão – James, James, James – foi o primeiro a aparecer no céu escuro e causou um urro de gritos em todos que o viram. Vaiei quando a Corvinal entrou, e gritei mais um pouco quando os jogadores do meu time voaram perto da arquibancada.
Era divertido.
Mas, apesar de tudo, chega a hora em que você pára de gritar. Eu sabia que esse momento chegaria, e foi por isso – quer dizer, para não ficar gritando sozinha, porque essa torcida parecia bem sincronizada sem mim – que eu parei de gritar um pouco mais cedo, e simplesmente segui James com o olhar.
Ele estava lindo. Lindo mesmo, com o cabelo arrepiado e os óculos mais firmes no rosto com um feitiço que aprendemos no terceiro ano. Quase perfeito de vermelho – eu tenho uma queda por homens de vermelho – e quase perfeito com a satisfação que irradiava.
Ele adorava mesmo estar nos centros das atenções.
E, quando deixou de meio que se exibir para olhar em volta e parar o olho em mim, eu quase me senti derreter na arquibancada, apesar da cena que eu armara com Mary sobre vir ou não. Eu senti meus lábios sorrirem e meu olho esquerdo piscar em retribuição à piscadela dele, e minha boca formar um beijo soprado em resposta ao dele. Senti minha nuca se eriçar, senti um calor subir por meu rosto e senti que meus olhos brilhavam ao segui-lo com o olhar.
Quase de repente eu soube.
Tentar se acostumar com o estranho, mamãe sempre me disse, era uma coisa ruim. Mas, como eu gostava de sair em vantagem, eu simplesmente me acostumava com tudo e fingia que era uma situação normal – quando fingi que o tal de Dursley era um cara agradável, por exemplo – e continuava seguindo em frente, a única de cabeça erguida.
Mamãe me avisara. Falara 'Lily, preste mais atenção, que depois você pode se acostumar' mas eu, de novo, ignorara.
Se não fosse assim, talvez eu percebesse. Percebesse que esse ano inteiro fora realmente estranho, com James como monitor chefe e com a gente conversando e rindo como os velhos amigos que não éramos. Com ele me dando indiretas e eu sorrindo a elas, com a gente se divertindo nas rondas até às três da manhã e com a minha própria pessoa procurando por ele e ansiando por seu toque.
Era estranho que eu ansiasse por isso. Era estranho que eu quisesse entrar em mais brincadeira como aquela, era estranho que eu, depois, trocasse olhares com ele enquanto deveria estar anotando sobre as consequências do canto das sereias. Era estranho que eu gostasse de seus presentes, era estranho que eu combinasse coisas com ele e era ainda mais estranho que, em uma dessas, eu voasse e quisesse mais que aquele beijo leve e aquela conversa na lareira.
Ainda mais estranho do que conversarmos ainda mais até esse fim de semana. Ainda mais estranho de quase não desgrudarmos um do outro, e ainda mais estranho do que minha aparente vontade em querê-lo.
Droga. Eu era estranha. A paixão era estranha, e deixava para trás um sentimentos estranho também.
Por que eu não ouvi mamãe?
OoOoOoOoOoOooOoOoOoOoO
Remus uma vez me disse que o costume faz parte da vida humana. Que, depois de um tempo, a gente sempre se acostuma com alguma sensação que, num primeiro momento, nos 'extasiou ou nos fez ficar tristes'
Nas palavras dele, claro.
Eu até cheguei a pensar que era verdade, porque eu realmente já havia me acostumado. O deslumbre inicial do real poder da minha capa e da proeza que nós fizemos ao construir o mapa haviam ido embora. A fascinação pela história da guerra já fora embora, e restara apenas o dever.
E eu também via isso nos outros. Lembro de Lily quando chegara, olhando para tudo com os olhos grandes com curiosidade e encantamento. Agora, nem levantava os olhos quando um fantasma passava ao seu lado. Lembro de Remus, olhando com certa culpa para a gente no terceiro ano, mas hoje o olhar saíra e só voltava quando um de nós aparecia com alguma coisa machucada. Peter também, suas mãos agora não tremiam de uma excitação deturpada – tem outro nome? – toda vez que ouvia o nome de Voldemort ou parte de sua história. E Sirius...
Bom, parece que Sirius era um caso à parte. Ele continuava com a mesma fascinação por armários de vassouras e meninas como companhia dentro deles mesmo depois de todo esse tempo - ao menos, agora, ele não fazia uma careta exageradamente verdadeira à palavra 'namoro'.
De qualquer jeito, eu achava que eu continuaria não sendo a exceção dessa lei e continuaria a perder o fascínio pelas coisas depois de um tempo, da mesma forma que acabara perdendo parte dos outros. Acreditava piamente estar fadado a ser um eterno submetido aos poderes do meu cérebro quando Lily, no sexto ano, me disse uma coisa.
'Você e esse seu fascínio inexplicável por bolinhas fugitivas'.
Aí, eu percebi que cada vez que eu pegava uma vassoura era como se fosse a primeira. Meu coração batia do mesmo jeito, e eu sentia a satisfação por voar - e por ser um dos melhores nisso, claro – toda vez que pensava nisso. Todo jogo era novo, toda visão de pomo e toda perseguição eram como se a mesma descarga de adrenalina tomasse conta de mim.
Achei que era uma dessas exceções às leis, e me dei por satisfeito. Uma só razão para quebrar as regras e as leis parecia o suficiente para mim, e foi com grande gosto que apontei o dedo para o Moony e disse 'háh, você está errado'.
Mas eu estava errado também, pelo visto. Porque o que eu achava ser só uma coisa, eu descobri ser duas; e da melhor maneira possível, porque eu estava voando, antes do primeiro jogo do meu último ano em Hogwarts, e olhando para a garota que eu era apaixonado.
Nunca poderia deixar de me acostumar com o olhar que Lily me lançara da arquibancada.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Merlin, eu estava nervosa. Estava realmente nervosa.
"Lily, o jogo está 140 a 50"
"Mas e se o carinha da Corvinal pegar o pomo e..."
Mary quase bufou de tanto que tirava sarro de mim.
"Estamos falando de James. Ele gosta de deixar as coisas mais emocionantes, lembra?" retrucou, e eu tive que morder minha língua para não responder que sim, eu me lembrava. Quer dizer, há menos de cinco minutos ele dera uma pirueta na hora de enganar o apanhador inimigo que quase derrubara esse último que, agora, estava extremamente cuidadoso "E o que ele te disse antes de dormir ontem?"
Que ele ia pegar o pomo para mim.
"Que ele ia pegar o pomo para mim, Mary"
"E ele já faltou com a palavra dele?"
De novo, eu mordi minha língua. Será que ela ficaria chateada se eu contasse que ele tinha jurado que nunca mais mexeria com o Severus quando, na primeira semana de aula, lhe deu uma detenção por conduta irresponsável na aula e por respondê-lo? Severus não tinha exatamente culpa, e foi bem verdadeiro quando disse que o delito dele – que, por acaso, era olhar para mim – era o mesmo que o James fazia 24 horas por dia.
Tinha?
"Nunca"
"Então, espere. Eu já te disse, Alice já te disse Marlene vive resmungando. O campeonato é nosso, Lily"
E, se as três concordavam em alguma coisa, era porque eu devia confiar também. Então, era simplesmente respirar fundo, olhar para o jogo – pode parecer que não, mas o placar não dizia muito. Parecia difícil lá em cima para a Grifinória – torcer os dedos e gritar junto com a torcida.
Fácil, não fosse meu coração batendo rápido e desobedecendo aos limites físicos e biológicos ao tentar escapar pela boca. Fácil, não fosse o nervosismo que eu só sentira em provas e a excitação que eu sentia ao receber as notas delas. Ridiculamente fácil, não fosse o fato de meus olhos estarem teimosamente em James e não na goles.
Talvez por isso eu tenha visto que, quando a Corvinal marcou um gol – 140 a 60 – ele tenha franzido o cenho e olhado na direção do aro do meio. Talvez por isso eu o tenha visto projetando o corpo para a frente – do jeito que ele me ensinara na nossa terceira aula de vôo, exatamente ontem – e desaparecendo no instante seguinte, só me permitindo ver o relance de seu corpo.
O narrador gritou algo como 'James Potter viu o pomo!' e as duas arquibancadas prenderam a respiração. Eu me peguei prendendo também enquanto ignorava os gritos da localização dele, todos atualizados de meio em meio segundo quando ele voava para outro lugar.
Foi em um movimento único, preciso. Levantou um braço, abriu a mão e, no instante seguinte, o tom dourado do pomo estava entre sua pele clara.
Foi estranho eu ter gritado com a multidão de vermelho e dourado. Foi estranho eu ter sentido tamanha felicidade com a captura de uma bolinha de pouquíssimos centímetros de diâmetro, e foi estranho pensar que eu nunca mais zoaria papai por causa do Manchester.
E foi deliciosamente estranho me deliciar com o simular de 'Para você, como eu prometi' que ele soltara na minha direção.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Noite de festa. Noite de bebida contrabandeada de Hogsmeade, noite de cigarros trouxas e a nova moda hippie tomarem bruxos, e noite de comemorar até não poder mais o começo do nosso quinto título seguido, e do meu terceiro como capitão.
Era a primeira das verdadeiras noites grifinórias que teríamos no ano. E, se Merlin quisesse – e ele há de querer, embora eu e meu time não precisemos exatamente da ajuda dele para isso – essa seria apenas o aquecimento para as outras noites.
E, nelas, Lily não estaria conversando com Mary e Marlene sobre alguma manobra dessa última.
Ela havia tirado o gorrinho branco, quase perolado, que tinha na cabeça para se proteger do frio. Havia tirado também o cachecol vermelho e o casaco um pouco mais escuro que o gorro, e estava simplesmente com um suéter branco e uma calça jeans trouxa que e a deixava maravilhosa. Tinha, nas mãos, um copo com um pouco de cerveja amanteigada, os olhos olhando desinteressados para um cigarro na mão de Marlene enquanto ouvia suas histórias e perguntava coisas básicas – que todo bruxo sabia desde que tinha uns três anos – sobre Quadribol.
Não. Estaria conversando comigo – ou talvez não – e sobre muito mais do que Quadribol.
Então, desejando começar logo essas noites, dei dois passos na direção dela, até que Marlene – observadora desde pequena, vou te contar – olhou para mim com um olhar divertido e tragou o cigarro, soltando uma desculpa suficientemente alta para eu ouvir – chantagista desde pequena também, porque eu tenho certeza que ela vai me pedir algo em troca – e saindo antes que Lily pudesse protestar. Mary a seguiu, imediata, e isso fez com que Lily finalmente se virasse na minha direção.
Sorriu, e eu sorri também.
"E eu crente que podia contar com o elemento surpresa"
Ela riu, deixando o copo com a bebida em algum canto qualquer.
"Marlene é a arte da discrição" disse, recebendo meu abraço e meu beijo na testa. Levantou os olhos para mim e sorriu outro sorriso, diferente do primeiro, antes de se afastar um pouco de mim e se recostar na parede de pedra "Mas para que você ia querer um elemento surpresa?"
Eu sorri, também deixando o que eu bebia – alguma coisa com chocolate – de lado. Estendi-lhe a mão e ela, sem hesitar, pegou, até entrelaçando nossos dedos sem que eu tivesse que fazer uma pequena pressão para tal.
Foi um passo ou outro que avançamos depois da nossa primeira vez voando. Conversamos naquela vez da lareira, conversamos no café da manhã, conversamos enquanto preparávamos poções e transfigurávamos ratos – não, ela não tinha medo - em morcegos. Rimos enquanto estávamos a alguns metros de altura, rimos quando praticávamos feitiços juntos – eu a fizera ficar com o cabelo azul celeste até o chão – e rimos antes de irmos dormir.
Eu a beijara do mesmo jeito apenas na hora de nos despedirmos.
"Você gosta de ser surpreendida, não?" perguntei, sorrindo ainda, dando um passo na direção dela. Lily, quase como em desafio, arqueou a sobrancelha e esperou por mais, os olhos brilhando sob alguns fios de sua franja "Eu ia te chamar para sairmos daqui"
Ela arqueou um pouco mais "Para?"
"Qualquer outro lugar"
"Ah, vamos. Você tem que ter um lugar em mente" ela riu em seu protesto, mas não ofereceu a menor resistência no momento em que a puxei em direção ao retrato "James, são onze horas. Nós não podemos..."
"Somos monitores chefes, podemos tudo" eu interrompi, divertido, conseguindo uma risada dela "Além disso, nós nem temos aula amanhã. O que pode haver de mal?"
Senti que ela mordia o lábio inferior para não rir, exatamente o que eu fiz quando ela apertou minha mão em resposta e me seguiu pelos corredores vazios até o lado de fora do castelo de Hogwarts, onde o frio que ela sentia a trouxe um pouco mais para perto do meu abraço.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Assim que eu entrei em Hogwarts, tive minha primeira noção de como era grande esse terreno, e me deliciei com todas as perspectivas de lugares novos que eu poderia conhecer. Me coloquei, então, a passar minhas tardes de sábado passeando pelos jardins, conhecendo cada cantinho e sentando embaixo de cada árvore para aproveitar todos os centímetros de Hogwarts.
Mas, com treze anos, meu deslumbramento especial caiu um pouco. E eu, já meio acostumada com tudo isso, parei de ir a lugares que não eram exatamente meus favoritos e descobri que quantidade não é qualidade, e que eu poderia muito bem aproveitar muito mais meu tempo aqui se fizesse as coisas que eu gostasse.
Deixei de ir até o outro lado do lago, onde as árvores eram bonitas mas pinicavam. Deixei de ir ao jardim sul, que dava direto para a casa da Sonserina e que tinha mais cobra que qualquer outro lugar no mundo. Não visitava mais o monumento na beira da colina que levava à parte alta do bosque, e também deixei de lado os arcos que uniam uma parte do terreno à outra.
Desse, eu me arrependia. Porque, agora, eu estava sob eles, vendo minha própria respiração no ar gelado e completamente consciente do toque da mão de James na minha, apertando-a com carinho enquanto eu quase exclamava em deleite com o que tinha na minha frente,
Não sei exatamente o que mudou. Não faço idéia se foi mesmo a minha mente que evoluiu de lá para cá ou se Dumbledore resolveu cuidar melhor daquela parte do jardim e colocar aquelas flores ali, ou se elas simplesmente surgiam no outono e no inverno e eu fui na época errada.
Só sabia que, agora, eu não queria sair dali.
"Seriam duas surpresas se Marlene não tivesse feito aquilo"
Eu sorri, virando-me para ele. James sorria também enquanto apertava minha mão antes de deixá-la para tocar minha cintura e me virar em seu abraço, minhas costas em seu tórax impossivelmente quente e sua respiração em minha nuca.
Eu me deixei ser abraçada. Ali, estava delicioso, quente na noite fria. Nossos dedos, que se encontravam na minha cintura, se acariciavam mutuamente; um ritmo bem diferente do dos nossos corações, porque o dele estava calmo contra a minha pele enquanto o meu, apesar de calmo também, se acelerava a cada segundo.
"Eu gostaria de ver um pôr-do-sol daqui" disse, indo um pouco para o lado para olhar para ele "Você poderia me propor isso amanhã que eu, sinceramente, poderia muito bem fingir ser uma surpresa e vir com você"
"Viria?" ele sorriu na meia escuridão, e eu senti vontade de erguer meu polegar e percorrer o contorno de seus lábios com ele "De qualquer jeito?"
Eu ri, leve "Não deve ser bonito?"
"Eu não faço idéia" ele admitiu, abrindo o sorriso. Foi ele quem fez; ergueu a mão e, com o mesmo dedo que eu faria, contornou meu lábio inferior. Eu terminei de me virar em seus braços, levantando os olhos para olhar para ele "E eu faria de tudo para continuar sem ter idéia alguma, mesmo amanhã"
Se fosse qualquer outro dia, eu franziria o cenho por não ter entendido nada, mas hoje eu sabia exatamente o que ele queria dizer com isso. Foi por querer exatamente a mesma coisa que eu abri o sorriso constante e de canto que estava em minha boca e que toquei sua cintura enquanto sua outra mão endireitava minha franja na lateral.
Eu queria beijá-lo ali. Sentir seu gosto, sentir seu toque, sentir sua mão quente apertando minha cintura ou acariciando meu rosto enquanto sua língua ia contra a minha. Queria sentir nossas respirações se misturando, queria que nos separássemos apenas alguns centímetros para buscarmos por ar para, logo depois, recomeçarmos tudo.
Foi o que mamãe disse quando eu lhe contei o desastre que foi meu primeiro beijo. Disse que ele foi com muita sede ao pote, que ele deveria não ter querido o continente inteiro, mas somente parte do conteúdo que ele poderia oferecer para ir descobrindo o resto. Disse alguma coisa sobre ele me tomar como eu todo, quando na realidade eu era pedacinhos que ele levaria mais de uma noite para descobrir, mesmo se fosse o cara mais rápido do mundo.
Isso fazia sentido. Muito, até, mas era algo extremamente difícil de ser seguido quando a boca de James sorria bem perto da minha, quando nossos narizes se roçavam e nossas respirações faziam uma dança quase sincronizada entre o espaço mínimo que existia entre a gente. Era também difícil de ser seguido quando teríamos nosso primeiro beijo, quando eu sentia que minha mão seria uma total desobediente da minha razão e percorreria o que conseguisse de seu corpo enquanto estávamos ali, um no outro.
"Mas..." eu o interrompi no último segundo possível para ele parar o caminho até minha boca, sorrindo quando ele riu e beliscou meu queixo como quem reprime alguma coisa "... dever ser mesmo..."
"Eu diria 'foda-se' para o pôr-do-sol" foi a vez dele de me interromper, divertido, dando-me um selinho também divertido "E não o veria, definitivamente"
Eu sorri e baixei o olhar para sua boca, só fechando os olhos no momento exato em que seus lábios se tornaram impossíveis de serem vistos por eles. Um segundo depois, senti sua boca sobre a minha, e no outro uma pressão gentil entre meus lábios para que sua língua finalmente entrasse.
Não foi necessário nem mais meio segundo para eu descobrir que diria exatamente a mesma coisa para o pôr-do-sol.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Ooooooooooi!
Então, a metonímia... bem difícil de ser escrita - procurem mesmo no google, são mais de vinte tipos - mas eu acho que meu esforço valeu a pena. Você...? ;D
PS: sem tempo para revisar. Desculpem erros grotescos.
PPS: reviews?
