Capítulo V.
Perder-se também é caminho.
Clarice Lispector
Eu poderia dar um milhão de argumentos para odiar Astoria Greengrass de todo meu coração. Do fundo dele. Só que, eu posso mentir pra tentar mentir pra todos, menos pra mim e pra Deus.
Há dias eu me tranquei nesse apartamento e não converso com ninguém, só saio pra trabalhar e volto. Mesma rotina. Todos os dias da minha vida, até que a morte venha ser minha ultima inimiga a ser aniquilada.
Aprendi muitas coisas com Astoria, e uma delas, as que eu menos acreditava, é que quando amamos, fazemos qualquer coisa pra que essa pessoa fique feliz.
Poderia contar detalhes de quão boa amante ela foi para mim, mas eu não sou mulher de revelar segredos, principalmente quando dizem respeito à mim.
Posso estar louca, de gastar tanto tempo conversando com minha consciência. Ela não me dá conselhos, mas me ouve como ninguém.
Eu odeio Astoria hoje, agora, mas volto a amá-la daqui 20 minutos, como um relâmpago. Eu não sei, no momento eu estou me sentindo muito traída, mas isso não quer dizer que eu não a perdoei. Isso não quer dizer que a quero de volta.
Não a quero nunca mais. Prefiro que ela morra, a saber que me magoou tanto.
Draco estava muito abatido. Ele saíra do St. Mungus, e ficara sentado refletindo sobre todas as bobagens que ele havia dito a Astoria. E que há tempos, ele precisava distanciar-se de Daphne, mas não conseguia, porque ela ameaçava sempre contar à irmã o caso deles.
O curandeiro não conseguia identificar exatamente o que Astoria tinha, mas Draco podia fazer uma breve ideia de que era emocional.
Ele resolveu adentrar o hospital, e esperar alguma resposta. Um senhor com as vestes verdes veio em direção à ele, com um rosto simpático, porém preocupado.
- Senhor Malfoy? – disse o curandeiro.
- Sim – disse ele, apertando a mão do curandeiro – ela já está melhor?
- Então, sua esposa teve apenas um desmaio, mas eu preciso fazer algumas perguntas ao senhor, se me permitir.
- Claro – falou Draco.
- Ela tem se alimentado bem? Digo, quanto às refeições adequadas para gestantes? – perguntou o Doutor, curioso.
- Sinceramente, eu recebi a notícia há dois dias... Não sei como anda a alimentação dela com relação à gestação. Anteriormente, posso afirmar que ela sempre foi muito prudente e rígida com alimentação, doutor. – falou Draco, um pouco sem jeito.
- Peço que o senhor, por favor, vigie a alimentação dela. Ela está muito abatida e precisa de muitos cuidados e além disso, o emocional dela está muito pior, tente não aborrecê-la.
- Ah sim... emocional. – disse Draco, num tom curioso.
- Ela vai precisar ficar mais dois dias aqui, senhor Malfoy, se ela melhorar e se não tiver prejudicado o bebê, ela receberá alta.
- Muito obrigado. Mesmo. Ela está em condições de receber visitas? – perguntou Draco, aflito.
- Ela ainda está muito cansada, não está em condições de conversar. Eu recomendo que o senhor volte amanhã.
- Tudo bem – disse ele, tentando sorrir – muito obrigado.
Os dois despediram-se e Draco aparatou dali direto pra casa.
01:50 A.M Hospital St. Mungus
Usar a rede de flu era mais fácil, pois não fazia tanto barulho e não chamava atenção. O Hospital não era tão movimentado durante a madrugada, as curandeiras só faziam as visitas para dar os medicamentos noturnos aos pacientes, e dar uma olhada nos pacientes em observação.
Era obvio que usar a Capa da Invisibilidade, nestes momentos, seria mais fácil. Poupava disfarces medíocres, perguntas e outras atividades a mais.
Leu todos os andares do local, e foi até onde imaginara que Astoria estivesse. O quarto dela, pelo visto, seria individual, principalmente pela gravidez.
Adentrou o quarto lentamente, ela estava dormindo. Como um anjo. Retirou a capa da invisibilidade, e colocou as mãos em Astoria para acordá-la. A loira abriu os olhos lentamente, e olhou com um olhar assustado por um momento, depois sorriu, em deboche.
A boca de Astoria fora tapada, destruindo seu sorriso, e a varinha apontada em seu rosto.
- Ri mesmo, vagabunda! Eu quero que você veja quem sou eu, veja bem – disse apertando seu rosto – porque depois, você não vai ter como provar. Obliviate.
E os olhos de Astoria se apagaram.
N/A: É proposital ser desse tamanho. Eu mudei de ideia AGAIN, e até segunda tem outro, ok? Geeente, recomemdem a fic, mandem reviews, enfim... beijos!
