Ósculos e amplexos
Para que complicar o que é simples?
Disclaimer: Acho que eu não preciso ficar repetindo, mas pra aliviar minha consciência, vou dizer de novo: Saint Seiya não me pertence, caso contrário, Kamus e Milo seriam os personagens principais e Seiya teria morrido, ou melhor, nem existiria e o anime precisaria ter outro nome…
Ah, eu também não ganho dinheiro escrevendo isso, portanto, tio Kurumada, não me odeie, nem me processe.
Outra coisinha: Fic "M", portanto pode conter alguns assuntos que você não se sinta à vontade, tudo bem? Se não gostar, procure alguma outra fic e divirta-se! E se gostar, obrigada por ler!
Aviso:
Casal atípico à vista,
mas tenham sempre em mente
que essa é uma fic de Kamus e Milo
(Kyu e Mimi o/)
Ah, esse capítulo está quase que completamente em flashback.
-o.O.o-
Capítulo 6 – O Princípio da Reflexibilidade da Luz
Com o telefone na mão, porém, ele resolveu dar um basta naquele marasmo que estava sua vida.
Procurou o número na memória do aparelho e chamou por ele, dentro de alguns segundos escutou a voz que tanto queria do outro lado da linha:
— Alô?
— Aioros, sou eu, Kamus.
Minutos depois, ele viu o carro do grego estacionando ali perto.
-o.O.o-
— Kalispera, Kamus. Tudo bem? — Assim que Aioros chegou, saudou Kamus cordialmente cumprimentando-o com os tradicionais três beijos nas bochechas e forte aperto de mão.
— Boa tarde, Aioros. Obrigado por ter vindo. Te convidei para o almoço meio em cima da hora, não? — Falou o francês enquanto se sentavam.
— Que nada. Eu ia ficar em casa coçando o s mesmo.
— Que bom então que não atrapalhei nada.
— De jeito nenhum. Obrigado pelo convite.
— Foi difícil de achar o café?
— Não, eu tenho um ótimo senso de direção. — Falou e sorriu largamente, mostrando seus dentes alvos e alinhados.
— Grande coisa. Só não se perdeu porque eu ensinei o caminho.
— Ok. Digamos que você contribuiu um pouco.
— Como vai Aioria? — O ruivo mudou de assunto. Sabia que aquela medição de forças não chegaria a lugar nenhum. — Ele já tem algum projeto em mente?
— Não. Voltamos à Grécia para descansarmos. Eu não consigo ter mais nenhuma boa idéia para um romance e ele estava cansado de sempre receber os mesmos roteiros para dirigir os mesmos filmes. Ele insistiu em voltar para cá. No fundo foi bem melhor mesmo. Tínhamos dois sobrinhos que não conhecíamos e nossos pais não estão assim tão novos…
— Entendo… — Disse Kamus taciturno.
— E você? O que tem feito nesses últimos anos? Como está Hyoga?
— Ele está morando com a mãe na Rússia, você não sabia?
— Não. Não sabia.
— Ele resolveu ficar com ela depois que cresceu mais um pouco. Eu não me opus.
— Sinto muito, Kamus.
— Pelo quê? A escolha era dele. Eu apenas posso guiá-lo nas decisões, ou estaria inibindo a integração dele com a sociedade.
— Se fosse comigo eu não iria querer que ele morasse com Nachata.
— Até você? Ela é minha ex-mulher, devo um pouco de respeito a ela.
— Kamus, ela já era insuportável no colégio. A gente detestava quando marcávamos uma reunião, ou qualquer outra coisa, e ela vinha pendurada em seu pescoço.
— Não foram tantas vezes assim.
— Mas foram o suficiente.
— Então não era só Milo que não gostava dela.
— Não, Milo era quem a odiava mais.
— Eu achava que era implicância só dele. Ela sempre me tratou bem, a não ser depois do divórcio.
— Acho que Milo sentia eram ciúmes… — Falou pensativo — E o trabalho?
— Eu defendi uma tese há pouco tempo e resolvi publicá-la. Continuo atendendo em meu consultório pela manhã e na parte da tarde ainda sou o Orientador da Escola de Artes.
— Você sempre gostou muito de lá, não, Kamus?
— Sempre. Apesar de nunca ter conseguido desenhar uma casa com um sol sorridente no alto do papel.
Ambos riram.
— Eu também não desenho. Eu gostava da variedade de pessoas. Era cada tipo doido.
— Isso mesmo. Eu me sentia muito livre lá.
Eles pararam de conversar ao perceberem a reaproximação do garçom que servira Kamus minutos atrás.
— Desejam mais alguma coisa, senhores? — Perguntou o rapaz mecanicamente.
— Dois chopes.
— Não obrigado, Aioros.
— Traga dois, esse cara vai precisa beber algo pra esquecer o que o Lyon foi pro vestiário. Eu é que não sairia com essa camisa por aí! — Disse o sagitariano apontando para o peito de Kamus em deboche.
— O Lyon só não está muito bem na UEFA.
— Não está muito bem? Ele levou a maior goleada do Inter! O goleiro de vocês é um babaca.
— Hnf. O Lyon ganhou o título na França no começo do ano!
— Grande merda! O que é a França dentro da Europa inteira!
— É um dos poucos países que ganharam a Copa do Mundo.
— Só uma vez! E ainda por cima porque era a sede. O Brasil quem deveria ter ganhado.
— Isso não é verdade. A seleção do Brasil se baseava apenas em Ronaldo. Como Ronaldo não jogou, ela não ganhou.
— Ronaldo jogou, sim! Ele entrou quando o jogo já havia começado.
— Eu quero dizer é que ele teve um desempenho medíocre. E eles não tinham uma boa defesa naquele ano. Só para comparar, Na Copa de 94, o Brasil levou só três gols até a final; já em 98, eles levaram onze. Eles nunca ganhariam a copa porque não tinham um time coeso e organizado, se baseava só no ataque de uma única pessoa, os outros 10 jogadores ficavam chupando o dedo.
— Pra mim essa história ainda está mal contada. — Ele parou um só instante para receber os chopes e deu um grande gole, ficando com um pouco de espuma nos lábios, mas limpando-a em seguida — Acompanhe o meu raciocínio: um: a França era a sede da Copa; dois: a Croácia é quem deveria esta na final, mas a arbitragem só via os erros da Croácia, nunca os da França;e três: a nebulosa não escalação de Ronaldo para a final. Tudo tem dedo do governo francês por trás!
— Hmm… teoria da conspiração. Anda lendo muito Dan Brown, Aioros? Se for do jeito que você está pensando, você acha que o Brasil vai ganhar a Copa do ano que vem? Não vai! Sabe por quê? Acompanhe o raciocínio: um: A sede vai ser a Alemanha; dois: eles derrotaram a Alemanha na final da Copa de 2002; três: a Alemanha é o país mais rico da Europa, então já deve ter comprado o resultado e não adianta ninguém assistir essa poxxx porque os alemães vão ganhar (1).
— Você está se doendo porque eu disse que a França comprou o resultado da Copa. Ela também não tinha um grande time, confiava apenas em Zidane, que nem é francês!
— Claro, toda seleção tem o craque, mas o Brasil não tinha um bom time ou uma boa estratégia e não ganhou por causa disso.
— Kamus, admita que a França não tem tradição alguma em futebol.
— A França tem tradição de muitas coisas! Futebol é apenas um jogo idiota. Pior é a Grécia que deu vexame em quase tudo nas Olimpíadas no ano passado! Vocês é que não tem tradição nos esportes.
— Mas a tradição Grega nos esportes vem antes dos Romanos! Nós é que inventamos o espírito olímpico. Agora ninguém respeitou isso, sabe? Onde é que foi a primeira Olimpíada Moderna: na França.
— Quem está se doendo agora? Muito melhor ser francês do que ser grego! Temos estilo e influência.
— Isso é você quem diz… Não, Kamus, eu dou o braço a torcer, as francesas são muito melhores que as gregas, to me lembrando da tua mãe! Ela era gostosa, nossa!
— E a sua então? Aqueles olhos verdes quase deixam um cara cego!
Ambos caíram na gargalhada.
— Cara, eu senti sua falta! Sua e dos outros. De vez em quando eu me lembrava daquele verão que passamos na casa dos seus pais, lembra?
— De maneira alguma eu me lembro do "fatídico verão de 1983". Eu tenho umas fotos que minha mãe tirou.
— Tem? Você pode escanear e mandar para o meu e-mail?
— Claro, qual é seu e-mail? — Disse Kamus puxando o celular e apertando pacientemente as teclas até encontrar o nome do grego na lista de endereços — Pode dizer.
— quirion (underline) 67 (arroba) gmail (ponto) com.
— Quírion, o sagitário?
— Exatamente, Quírion, o rei dos centauros. Ele se comprometeu em vingar Órion, que foi morto pelo Escorpião gigante de Ártemis. É por isso que a constelação do Sagitário representa um centauro apontando a sua seta para o "coração" do escorpião, a estrela Antares.
— O Escorpião estava lá para proteger a deusa. Órion queria tirar a virgindade dela à força, porque Ártemis decidiu se manter casta por toda a eternidade. Faltou essa parte da lenda.
— Isso não importa. Órion era um companheiro valoroso e todo amigo deve vingar a morte ou a desonra do outro.
— E por causa disso o Sagitário está condenado a caçar o Escorpião? Isso é que é uma eternidade sem sentido.
— Gaminedes e sua eterna indignação com as escolhas dos deuses?
— Gaminedes foi joguete de Zeus.
— O mais belo dos jovens sobre a terra, que foi raptado por uma águia a fim de que ele servisse à luxúria de Zeus.
— E como Hebe casara-se com Hércules, Gaminedes ficou como o aguadeiro dos deuses. Todas as noites ele derramava a água restante da ânfora sobre a Terra para aplacar a sede dos homens. Anda pesquisando sobre Mitologia Grega, Aioros?
— Na verdade eu sempre gostei, são belas histórias. Tem notícias dos rapazes? Eles já estão na Alemanha?
— Eles estão indo para lá hoje. Milo ficou de me ligar, mas até agora não ligou.
— Kamus, há quanto tempo vocês moram juntos?
— Desde que Hyoga tinha 2 anos. Por quê?
— Por nada… É que naquele dia na reunião, ele estava se empenhando muito em dizer que vocês nunca tiveram nada um com o outro, não dá pra acreditar.
— Mas nunca tivemos.
— Por quê?
— Você já ficou com algum de seus amigos?
— Com Saga, Kanon, com Shura e com você.
— Com Shura!
— Claro. Aquele espanhol é muito gostoso nunca reparou?
— Eu só saí com mulheres, Aioros.
— Você não sabe o que está perdendo. Mulheres são muito travadas, além do medo de ficarem grávidas… errr foi mal, Kamus.
— Até parece que Milo nunca me falou as mesmas coisas. E não é toda mulher que interage com o parceiro. A maioria não simplesmente interage.
— Está falando como psicólogo ou por você próprio?
— Por ambos.
— E as mulheres com quem você transou faziam de… tudo?
— Nem todas queriam sexo anal ou oral, se é isso que você quer saber, grego.
— Era isso que eu queria saber, obrigado.
— Disponha.
— Então eu estou autorizado a perguntar que você precisa dar uma?
— E quem disse que eu estou a perigo?
— Então por que esse mau-humor todo, francês? Não quer que eu pergunte? Eu paro.
— Mau-humor? Pode perguntar o que quiser, já disse.
— Então quando foi a última vez que você transou?
— Há poucas semanas.
— Isso já é tempo demais. Zeus, eu tenho um celibatário à minha frente! Quer passar o resto da vida sozinho, Kamus?
— Eu estou bem do jeito que eu estou. Por que ninguém entende isso? Eu não nasci com ninguém agarrado a mim, não preciso de outra pessoa para me sentir feliz.
— Até porque coitada da sua mãe. E eu não acredito no que você está dizendo. Kamus, precisamos de uma candidata a Senhora Flaubert o quanto antes.
— Não, eu não tenho mais paciência de agüentar insegurança, choradeira, atrasos de uma hora e frescuras!
— Ou quem sabe um candidato? — Disse Aioros procurando a perna de Kamus por baixo da mesa com o próprio pé.
—Isso seria mais interessante… — Disse Kamus num largo sorriso — Só um minuto, o celular tá tocando… Bem, descarregou. Aioros, me diga, tem alguma idéia para seu próximo livro?
— Eu tenho escrito algumas poesias, eu tenho deixado os romances de lado.
— Eu não entendo muito de poesia… acho que são horrivelmente subjetivas e não têm os detalhes da prosa.
— Aí é que está, elas são cheias de sutilezas, tem que estar atento para pegar o que estão escondidas em uma.
E a conversa se estendeu até altas horas da noite, quando Aioros fez questão de deixar Kamus em casa.
-o.O.o-
— Eu gostaria de falar com o Senhor Flaubert se não fosse incômodo.
O francês olhou para o relógio à cabeceira da cama. Uma da manhã, havia ido dormir apenas uma hora e já vinha receber outro telefonema inconveniente.
— Sou eu. O que quer? — Disse rispidamente.
— Nossa, Kamus, eu passo duas semanas fora e você não mais reconhece minha voz? Que espécie de amigo é você?
(…)
— Você tem notícias do pessoal? Tem falado com alguém?
— Só de vez em quando. Hoje estive com Aioros naquele café aqui perto.
— Mesmo?
— É…
— …
— …
-o.O.o-
Kamus estava dobrando a última manga de sua camisa quando escutou uma buzinada de leve em frente ao seu prédio. Deveria já estar pronto, mas se atrasara um pouco na escola naquele dia, mal tivera tempo para se arrumar.
O interfone tocou, era o porteiro avisando que seu amigo já havia chegado. O ruivo dissera a ele pedisse para lhe esperar mais uns minutos que já estava descendo.
Calçou os sapatos e saiu à caça de suas chaves, ele nunca se lembrava de onde as tinha jogado. Achou-a em cima da mesa da sala e trancou a porta. Desceu as escadas rapidamente e logo estava no térreo.
Ao avistar o carro de Aioros, ficou um pouco sem graça, detestava se atrasar, mas não tinha importância, era só dizer que ficara preso no trabalho que ele não ligaria.
— Desculpe.
— Não tem problema. — Disse o grego, o qual desligara o motor do carro e esperava Kamus apoiando a mão no queixo e olhando pela janela.
— Fiquei preso no trabalho.
— Já disse que não tem importância. — Sorriu divertido, não estava zangado, mas talvez perdessem a sessão de cinema que haviam planejado.
— Vamos, acho que não conseguimos pegar a sessão no Kalonaki (2), vamos ao Plaka?
— É, depois a gente pode comer alguma coisa num restaurante perto da Pireus.
Conversaram amenidades até chegar ao outro cinema, mas tudo isso, Kamus fazia para disfarçar um grande incômodo que estava guardando junto consigo: estava nervoso em estar saindo com Aioros.
O pior é que não havia razão para isso. Já haviam se encontrado naquele dia no café, só que agora tinha a péssima sensação que todos os olhos se voltavam para eles. Começara a se sentir estranho desde o momento em que botara os pés fora do carro e adentrara o cinema.
Na fila para bilheteria havia uma fila considerável, uma vez que se tratava de uma sexta-feira e todos os odiosos filmes americanos teimavam em estrear sempre no mesmo dia. Pelo menos aquele que gostaria de assistir estava em cartaz havia algumas semanas, então a sala não deveria estar muito lotada.
Cada um pagou sua entrada, se estava saindo juntos também não precisavam dar tão na cara. O moreno logo foi atrás de um imenso copo de refrigerante e perguntou se ele queria um também. Recusou educadamente e disse que era melhor entrar e guardar o lugar dos dois.
Kamus sentou-se em alguma das fileiras do meio e esperou pacientemente até que o outro chegasse. Logo avistou Aioros com um copo de setecentos mL de coca-cola e procurando por si. Acenou com o celular ligado, colocando o aparelho no silencioso quando o grego sentou-se ao lado de onde estava.
— Tem certeza que não quer? — Disse o sagitariano ao sentar-se.
— Não, obrigado.
Conversaram amenidades até que o bendito filme começasse. Realmente, a sala não estava muito cheia e pelo que escutara e lera nas críticas era um filme interessante, como qualquer bom filme francês.
Os primeiros minutos foram bem tranqüilos, quando o ruivo sentiu alguma coisa perturbá-lo. Vasculhou em volta e não viu nada. Resolveu voltar sua atenção à tela, mas havia perdido alguns segundos da trama e demorou um certo tempo até conseguisse acompanhar o roteiro novamente.
Mais alguns segundos e aquela sensação não o deixara, pelo contrário, estava mais forte do que nunca. Esticou um pouco o pescoço e procurando a fonte daquela interrupção, seus olhos caíram em uma senhora que estava algumas fileiras atrás de si. Bem, deveria ser apenas impressão, não era possível que aquela mulher estivesse realmente o observando.
— O que foi, Kamus?
— Nada, só achei que havia alguém olhando para cá.
— Não tem ninguém olhando para cá, está todo mundo assistindo ao filme.
— É, eu sei.
O francês se aquietou relaxou um pouco em seu assento, colocando a nuca apoiada nas costas da cadeira e tentando esticar as pernas, mas sem sucesso.
"Droga de corredor estreito."
— O que aconteceu até agora?
— Nada de importante.
Importante ou não, estava meio difícil de entender como a trama estava se desenrolando. Preferiu deixar passar e ver se conseguiria acompanhar o resto, quando sentiu alguma coisa se por sobre a sua mão. Olhou de lado sem muita discrição e mais uma vez constatou o óbvio: Aioros estava com a mão sobre a sua.
Mas o que era de se esperar, afinal? Eles não haviam marcado um encontro para ir ao cinema?
"Estúpido." Recriminava-se mentalmente, sabia que sua expressão deveria estar hilária. O pior de tudo é que aquela impressão estava ainda mais forte. "Ela não está olhando para você, deixe de ser egocêntrico. Além do mais ela não pode te ver nesse escuro."
O francês sentiu mais envergonhado quando aquela mesma mão desceu até sua cintura e repousou de seu lado direito, fazendo-o retesar-se na cadeira. "Ele não está perto demais? Nós combinamos em sermos discretos. E a mulher?" Ele olhou rapidamente para trás e mais uma vez achou que ela olhava para eles.
"Meu filho, ela não está te vendo. Isso aqui está um breu, como você quer que ela te enxergue?" A mão de Aioros começou a acariciar-lhe levemente a cintura e puxar sua blusa para cima, metendo-se por baixo dela. "Mas se eu consigo vê-la ela também consegue me ver. É o princípio da reflexibilidade da luz. Bela hora de lembrar da inútil aula de Ótica, Kamus."
"Ela está nos vendo e deve estar achando que somos dois libertinos! De onde é que eu desenterrei essa palavra?" Os pensamentos do aquariano estava a mil. Não conseguia se livrar da imagem da senhora e muito menos dos juízos de valor que ela deveria estar fazendo dele.
— Você ainda consegue entender o que eles estão dizendo sem ler a legenda? — O grego sussurrou em seu ouvido, colocando-se mais perto do seu corpo.
— A maioria. Não pratico meu francês há muito tempo. — Disse, tentando desesperadamente lutar contra o martírio que ele próprio se colocara. — A gente sempre acaba esquecendo alguma coisa.
— É uma pena…
— Aioros, não está gostando do filme? — Filme? Que filme? Ele apenas sabia que estava de corpo presente a um, nada mais. Essa foi a única desculpa que conseguiu arranjar, não tinha idéia do que fazer para afastá-lo sem que ele percebesse.
— Está um pouco parado, não está achando? — Se o grego soubesse…
— De jeito nenhum! Repare em como os diálogos são inteligentes. — Isso soara deveras artificial, mas fazer o que?
— Eu estou esperando essa menina de olho arregal-…
— SHHHHHHHHHH. — A reclamação fez Aioros voltar ao seu lugar e deixar Kamus à vontade.
"Graças a Zeus"
E ficaram nessa lengalenga até que o mortalmente parado e sacal filme francês terminou. As pessoas estavam saindo do cinema e passando ao seu lado, quando o aquariano percebeu que aquela senhora estava olhando diretamente para sua direção e não fazia questão de esconder isso, mas ele continuava sem ter certeza se ela estava olhando mesmo para eles.
"Quer saber? Foxx-se." Kamus trouxe o moreno pelos ombros para mais perto e o envolveu num abraço um tanto discreto e nem se dignou a ver se aquela mulher expressava alguma reprovação a ele estar com outro homem, apenas esperou pacientemente os créditos quando o sagitariano puxou o ruivo para um beijo, o qual prontamente foi retribuído.
Permaneceram sentados até que as luzes se acendessem, quando praticamente se sentiram expulsos do cinema.
— Vamos pr'aquele restaurante que eu te falei? — Indagou o grego. — Dá pra ver o Cabo Sunion bem de cima.
— Eu acho que um pouco de vinho seria uma boa idéia.
— Ora, ora, ora… Não é que o francês saiu da toca? — Viraram-se ao mesmo tempo para encontrar a fonte daquela voz grave e conhecida.
— Como vão vocês? — Perguntou um sorridente homem de longos cabelos loiros e mechas azuladas.
— Que filme vieram assistir? — Perguntou a mesma pessoa que os chamara ainda há pouco, a qual possuía um forte sotaque italiano.
— Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain (3). — Respondeu Kamus, mas essa era a única coisa que saberia dizer se perguntassem qualquer coisa a ele.
— Me disseram que é horrível. — Comentou Afrodite. — Não existe um ponto mais emocionante, nada.
— Isso é despeito. Você está dizendo isso porque todos os filmes suecos são de sacanagem. — Provocou Aioros, nunca era demais tirar onda com a cara de qualquer amigo.
— Vai me dizer que gostou? — Inquiriu o pisciano, seus olhos fuzilando o grego.
— Eu achei bem… interessante.
— Pela sua resposta deve ter sido mesmo. — Rebateu Afrodite. — E você, Kamus?
Um leve rubor subiu às faces do francês, mas respondeu sem titubear.
— É uma história bem leve. Faz a gente prestar atenção nos pequenos detalhes a nossa volta. Realmente não possui clímax, mas faz pensar que as coisas simples muitas vezes podem trazer felicidade.
— Isso parece até discurso ensaiado. — Comentou Máscara da Morte rindo zombeteiro. — Leu isso em alguma crítica de jornal?
Os olhos do aquariano estavam um pouco mais abertos que o normal, mas só um observador muito atento teria captado o nervosismo naquele rosto lívido, até porque MdM acertara, ele realmente havia lido aquilo em algum lugar.
— Acho que Kamus pegou o espírito da trama. — Falou Aioros casualmente.
— Desculpem, não quero ser chato, mas nós ainda não jantamos. — Disse o francês.
— Vocês nos acompanham? — Emendou o grego.
— Não obrigado. Shurinha disse que ia nos ligar hoje às onze horas. Estamos voltando para casa. — Respondeu Afrodite educadamente. — Fica pra outro dia.
— Então a gente já vai. Diga a Shurinha que estamos todos sentindo falta dele.
— Não enche o saco, Aioros. — Reclamou Máscara de brincadeira.
— Vamos, Oros. O lugar é longe.
Despediram-se e em seguida o italiano virou-se para seu namorado e comentou:
— Eu sou discípulo do Cupido, Dido, acho que consegui juntar um casal! — Disse MdM fingindo estar deslumbrado e saltitante pela nova descoberta.
— É, Cupido, esses dois estão juntos. Só quero ver como vai ser quando Milo chegar de viagem…
-o.O.o-
O inverno já estava bem próximo, enquanto isso, o outono já trazia o frio consigo. Eram meados de dezembro e a temperatura já estava muito mais baixa que nos meses anteriores, mas nada que desanimasse dois loucos torcedores de fórmula 1 a assistir à corrida na mais fria das madrugadas (4).
— Quer café, Aioros? — Perguntou Kamus sentando-se no sofá ao lado do grego.
— Não, quero só cerveja, obrigado.
Dentro do apartamento do francês escutavam-se apenas os gritos e reclamações dos dois homens, além dos zumbidos infernais que aqueles carros fazem… mas fazer o que se eles gostam?
Faltavam apenas dez voltas para o final quando o ruivo, um tanto quanto alto, se impacientou e disse:
— A Renault não ganha mais, palmas novamente pra Ferrari, senhoras e senhores!
— Larga de ser chato, Kâ! — Aioros o puxou para um beijo e ele reclamou.
—Ei, mas eu quero ver a chegada!
Não demorou mais do que alguns segundos para que a famigerada corrida acabasse.
— Schumacher mais uma veeeeez! — Bradou Aioros em comemoração.
— Me conte uma novidade!
— Oh, francês, como você é mal-humorado. — Falou fazendo biquinho, o sagitariano também não estava lá muito sóbrio, mas sabia exatamente o que estava fazendo. Tanto que se colocou em seu colo e não deu tempo para Kamus protestar, tomou-lhe a boca, brincando avidamente com sua língua.
Aioros separou-os por um segundo e pôs-se a beijá-lo outra vez, primeiramente despejando alguns selinhos em seus lábios e depois beijando delicadamente a lateral de seu rosto e pescoço, mordiscando sua orelha e afagando suas costas.
O ruivo estava deliciado com as carícias, era o terceiro encontro deles e nunca tinham ido mais longe que simples beijos. O melhor é que dessa vez estava sendo mimado por alguém, não o contrário.
Sentiu novamente o grego enrolar uma mecha de seus fios lisos em um de seus dedos e fechou os olhos, tentando aproveitar as sensações. Deixou-se cair de lado no sofá, apoiando a cabeça do braço do móvel.
Assim, permaneceu com uma das pernas estiradas, mas dobrou a outra para que o moreno pudesse deitar sobre si. Quando o grego pôs-se sobre ele, o abraçou ternamente beijou-lhe os cabelos castanhos.
Logo sentiu sua calça ser puxada para baixo e não ofereceu resistência à pessoa que a estava tirando. Deixou-se conduzir como uma boneca. Tudo o que era novo e diferente sempre lhe era muito bem-vindo e empolgante. Estava disposto a aproveitar ao máximo todas as sensações que o amigo podia lhe oferecer, nem que para isso tivesse que ser egoísta.
— Aos poucos, Kâ.
Fosse lá o que Aioros queria dizer com aquilo, não importava, queria sentir o agora. Então abriu os olhos e trouxe os dedos do grego ao cós de sua cueca e pediu que a retirasse. Não estava completamente excitado, só queria sentir os toques o quanto antes, sua curiosidade o estava matando.
— Tire, Oros… tire… — Sua voz estava manhosa e pesada. Dentro em breve estaria completamente entregue.
O moreno obedeceu. Puxou cuidadosamente a cueca azul marinho do francês e a descartou. Deu uma olhada nada discreta no corpo abaixo do seu e sorriu de canto. Daí, agarrou a cintura do ruivo e passou as mãos por todo o seu tórax, por cima e por baixo de sua camisa. Deteve-se um instante sobre seus mamilos, mas ao que parecia Kamus gostava mais das carícias em seu pescoço.
Aioros retirou-lhe a blusa e examinou cuidadosamente o corpo abaixo de si. O francês era lindo, inegável. Possuía um corpo forte e ao mesmo tempo esguio e delicado. A pele branca e umas poucas sardas em seus ombros. Sorriu docemente para o outro e de forma delicada deitou-se sobre ele e o beijou outra vez.
Kamus estava completamente arrepiado, mais pelo frio do que por qualquer outra coisa. O grego percebeu e passou vigorosamente as mãos em seus braços e coxas, o que lhe proporcionou uma gostosa sensação de bem-estar pelo calor que o atrito proporcionava; tanto quanto aumentava sua excitação bem como a curiosidade.
O aquariano suspirou fundo. Não sabia se aquilo era ser tratado com rudeza, ou se era mais uma das diferenças que sabia existir entre homens e mulheres – pelo menos na teoria dos seus livros da faculdade –, é certo que Aioros não era bruto, mas não era possuía toques delicados. Eram gentis, mas firmes, algo difícil de descrever.
À essa altura, o ruivo já estava, sim, excitado. Portanto, movimentava-se abaixou do sagitariano a fim de obter algum contato e percebia que o desejo do outro por si estava presente. Aquela brincadeira estava lenta e até um pouco tormentosa, no entanto, relutava em passar ao outro estágio dela, ainda estava um pouco hesitante, é fato.
— … Oros… — O grego não se dignou a responder. Estava mais controlado que Kamus e, mesmo se tratando de dois homens adultos, ele era o mais experiente dos dois e precisaria levar as coisas com paciência, mas não com zelo excessivo.
— Vamos para seu quarto, Kâ.
Aioros levantou-se com alguma dificuldade – devido ao pequeno espaço em que ambos se encontravam. Deixou-se de joelhos do modo que conseguiu e ajudou o francês a se erguer, oferecendo-lhe a mão direita.
Aquela era uma situação um pouco constrangedora para Kamus. Há algum tempo que estava apenas se deixando levar pelo moreno e assim, de repente, interromperem aquela seção de carícias – mesmo sabendo que em instantes recomeçariam de onde haviam parado – para irem a um lugar mais reservado. Ou será que confortável seria a resposta mais correta?
Resignou-se. Principalmente quando dois braços gelados pelo ar frio circundaram sua cintura e trouxeram-no para mais perto de seu dono.
— Você está todo arrepiado. — Disse o grego de forma brincalhona, oferecendo um sorriso encantador a quem agora considerava amante.
— Não estou…
— Tudo bem sentir frio, senhor Kamus.
— Eu sou imune a isso.
O grego não respondeu, olhou-o com ternura e desceu até o chão, ainda tendo o cuidado de esperar pelo aquariano.
Quando finalmente o ruivo pôs os pés no chão gelado, Aioros resolveu pregar-lhe uma peça: abaixou-se sem aviso algum e com um sorriso safado nos lábios, pôs suas mãos para trabalhar.
— O que você está fazendo! — Perguntou o francês num misto de surpresa e indignação, tentando livrar-se da armadilha que o outro impusera — Me coloque no chão! — Reclamou, forçando todo o seu peso para baixo e livrando-se do abraço a que era submetido.
— Ah, eu pensei que iria gostar de ser levado nos braço, Kâ… — Aioros respondeu debochado.
— Você é louco! — O ruivo fechou a cara por alguns segundos. Só sendo Aioros mesmo para cogitar a possibilidade que ele gostaria de ser levado para seu quarto nos braços, como se fosse uma noiva em plena lua de mel.
— Não fique aborrecido, Kâ. — O sagitariano chegou por trás dele e enlaçou sua cintura. — Vamos para o quarto. — A voz do moreno soou baixa e grave, carregada de lascívia, o que fez todo o lado direito do corpo de Kamus responder ao sentir o hálito morno em sua orelha e nuca.
Ambos os homens não tocaram mais palavras até estarem no quarto do francês. Kamus estava um tanto tenso com a situação e queria relaxar o mais possível. Felizmente, ele achava que tomara a decisão correta, era só se precaver adequadamente e seguir adiante.
Assim, o ruivo sentou-se na cama com as costas apoiadas nas grades da cabeceira e esperou alguns segundos para que o grego se juntasse a si. Sorriu instintivamente quando o sagitariano retirou a camisa, dando a perceber os músculos de seu peito e braços logo abaixo da pele bronzeada. E com a respiração de Aioros ele poderia vê-los trabalhando.
— Está gostando do que vê, Kâ? — O moreno era uma pessoa única. Inteligente, bonito, sensato. Qualidades essas que o francês admirava. Além de que, ele transmitia sensualidade e confiança, algo que lhe agradava imensamente.
— …
O moreno riu consigo mesmo. Era engraçado Kamus estar apenas esperando por suas ações, parecia um aluno ansioso que estava prestes a sugar até a última gota de conhecimento que o professor tem a transmitir.
Então o grego foi engatinhando até o aquariano e sentou-se de frente a ele, colando os dois corpos e puxando o outro para um beijo mais lascivo do que os que eles haviam trocado até agora.
Algumas coisas eram novas naquela situação e faziam Kamus deliciar-se com o prazer da descoberta. Uma delas era a inegável postura decisiva e dominante que o moreno fazia mostrar a cada minuto, a outra era ainda mais incontestável: a existência de um outro membro que não o seu.
Podia senti-lo sob a calça do outro e mesmo que não quisesse admitir para o dono, queria tocá-lo, senti-lo, descobrir se ele respondia da mesma maneira que seu próprio corpo; se os mesmos estímulos produziriam efeitos idênticos ou se conseguiria descobrir áreas mais sensíveis no amigo e amante? Porém estava envergonhado e orgulhoso demais para pedir por isso.
Parecendo que lia os seus pensamentos, o sagitariano pegou as mãos de Kamus, trazendo-as até sua cintura e forçando para baixo o cós de sua calça.
Sentindo-se mais à vontade, o ruivo colocou a maior parte de seus dedos por dentro da calça de Aioros, sentindo a pele morna que ele possuía. Passou a fazer movimentos com as mãos e dedos, apertando de leve os quadris do grego, sentindo a rigidez de seus músculos – tão diferentes das carnes macias de uma mulher.
Numa tímida tentativa de participar, Kamus tentou desabotoar o jeans surrado que o moreno usava. Ao conseguir, abriu o zíper, pôde sentir o sexo desperto de seu companheiro por baixo do tecido macio de algodão da roupa de baixo, mas não se atreveu e a tocá-lo intencionalmente.
O grego levantou-se um pouco do colchão para que sua calça pudesse ser puxada e descartada. Então, inclinou-se sobre o francês, levando-o a deitar-se na cama por cima dos travesseiros que permaneciam arrumados – não por muito tempo – à cabeceira.
Perpendicularmente ao ruivo, o outro se debruçou contra aquela cintura estreita e resolveu brincar um pouco com o umbigo do psicólogo e, enquanto isso, sentia o membro exigente roçar-lhe a face.
Nesse meio tempo, as únicas oportunidades que Kamus conseguira de ser tocado da forma que gostaria, era apenas por carinhos furtivos que Aioros destinava ao seu sexo. Suspirou com raiva. Não era nada agradável esperar pela boa vontade do outro em lhe proporcionar algum prazer… mas resolvera seguir como passivo e como passivo seguiria.
Mesmo que o francês estivesse gostando daquela tortura lenta e provocante, por outro lado, achava que já poderiam passar para outro nível nas brincadeiras àquela altura. Portanto, agarrou a mão esquerda na grade que formava o espelho de sua cama e com a outra, empurrou o rosto do sagitariano até seu pênis endurecido.
Vendo-se livre para ir em frente, o grego não se fez de rogado e começou a alternar pequenos beijos pela extensão do sexo do ruivo, principalmente à sua glande. E assim, de vez em quando colocava apenas a pontinha da sua língua para fora, a fim de percorrer o membro do francês, fazendo-o apertar firmemente a barra em sua mão.
Kamus estava deliciado. Aioros era diferente de todas as pessoas com quem havia dormido, não tinha pudor algum em seus atos e sabia exatamente o que estava fazendo. E o melhor: ele parecia estar apenas começando.
Lentamente, o grego atrevia-se a lambê-lo com mais vigor. Ele gostava de passar mais de sua língua pelo ruivo começando de sua base e indo até o fim, retornado ao começo para reiniciar o trabalho.
Com o polegar e mais dois dedos, o sagitariano segurou seu alvo e ao invés de passar sua boca desde o começo, achou por bem que deveria apenas incitá-lo daquele ponto que apertava até a glande – o que fez o ruivo subir aos céus, uma vez que agora ele demorava-se menos a chegar em seu ponto mais sensível.
Pressionando-o de leve com seus dedos e fazendo uma leve massagem no local, o moreno inclinou a cabeça e arranhou a pele do sexo de Kamus com seus dentes inferiores, fazendo-o gemer alto.
Enquanto sentia a superfície serrilhada dos dentes do amigo deslizarem por si, o francês fincou os pés na cama, afundando-os no colchão e, por conseqüência, levantando os quadris. Ele tinha os olhos cerrados e deixava o ar escapar pesadamente por sua boca. Torceu o corpo um pouco de lado e virou a cabeça, apoiando-a melhor aos travesseiros. Quanto às mãos, simplesmente não sabia o que fazer com elas e, em não se decidindo, terminou por alojá-las pelos cabelos curtos e escuros do outro.
Aioros por sua vez, circundou o membro do amante e sugou-o de lado. Sugou de novo dentro em breve e de novo. Assim conseguiu que o aquariano arqueasse as costas e não tivesse mais controle algum de sua respiração ou os sons que eram produzidos pela sua garganta.
Quando finalmente o moreno recebeu o sexo do francês em sua boca, escutou um grito estrangulado e sentiu um leve empurrão em sua nuca. Então, pôs-se a sugá-lo com paciência, para proporcionar o máximo de sensações que ele poderia experimentar.
Deveras, o contato da língua um tanto quanto áspera contra a sua glande, fazia com que Kamus conseguisse pensar apenas no prazer que sentia. Ainda mais quando sentia o sexo ser puxado garganta do sagitariano a dentro.
O gozo estava próximo, ambos sabiam. O moreno estava preparado para o momento, mas percebia claramente que o aquariano adiava aquela hora o mais que estava conseguindo. Ele até permitiu que o ruivo fosse egoísta por algum tempo, mas estava precisando dar atenção a si mesmo também.
Por isso, o grego apelou para além do trabalho de sucção que estava fazendo, massagear os testículos do francês e a área que por trás deles ficava escondida. Apertando um pouco mais forte essa região, Aioros sentiu o gosto tão característico de sêmen, sentando-se na cama e controlando-se até que o outro voltasse à compostura.
— Kâ… e eu?… Vamos! — Reclamou o sagitariano, sacudindo-o depois de passado o tempo que ele julgava necessário para o outro se recuperar. Na verdade, esperava ansioso, demorara tempo demais a se tocar e agora sofria com isso.
— Calma! — Ainda entorpecido, Kamus sentou-se na cama e olhou hesitante para o moreno. Devia ou não devia tocá-lo?
— Logo! — Sem mais uma única gota de paciência, o sagitariano agarrou a mão do ruivo e levou-a até seu membro, suspirando altamente aliviado.
O francês retesou-se um pouco, não que estivesse com raiva da atitude do outro, na verdade o entendia perfeitamente, só não estava ainda acostumado à situação… Contudo, teve uma idéia: parou de manipular o amante – sob profundos protestos desse – e, rapidamente sentou-se atrás do grego, separou as pernas e colou todo o seu tronco às costas do outro.
Sentindo-se mais confortável, aninhou o rosto na curva do pescoço do grego e passou a acariciá-lo como se fosse como ele próprio se masturbando.
O sagitariano adorou a idéia. Por cima da mão de Kamus colocou a sua própria, guiando-o da maneira que mais apreciava: movimentos rápidos com a mão levemente curvada na parte inferior de seu membro e com alguns apertos em sua ponta.
Todavia, o ruivo já se sentia mais confiante para impor ritmo àquela fricção. Fechou a mão em torno do pênis do moreno e diminuiu a velocidade com que descia por ele. Encostou-se mais às costas dele para ter maior alcance e controle do que fazia, frustrando o sagitariano.
Sentiu-se endurecer novamente com a proximidade e o atrito dos dois corpos. Assim, o francês achou por bem deixar de lado aquela tortura e concentrar-se em fazer o outro atingir o clímax, apelando para movimentos curtos e repetitivos na parte mais sensível do sexo dele.
Com ajuda de Aioros, em poucos instantes ele levou o moreno ao orgasmo. Então, o ruivo agarrou-se com o braço esquerdo o peito do sagitariano a fim de que ele se recuperasse do êxtase ao apoiar o peso dele em si.
Tendo o grego seguro contra seu tórax, Kamus deu um jeito de dar cabo àquela segunda ereção. Estava cansado, queria dormir e sentia que o corpo do amante estava tão relaxado que em instantes deveria estar cochilando.
Lutando contra o torpor, o grego virou-se de frente ao ruivo e passou a acariciar-lhe o membro novamente. Da mesma forma que havia sido consigo, contou com a ajuda do outro para masturbá-lo. Forte e vigorosamente, assim o aquariano ensinava a tocá-lo para fazê-lo obter um orgasmo dentro em breve.
"Problema" resolvido, Kamus trouxe Aioros um beijo rápido e juntos deitaram-se na cama, a fim de aquietarem as respirações e as batidas aceleradas do coração de cada um.
Mais calmo e interagindo melhor com o mundo que o cercava, o francês arrependeu-se amargamente de não ter puxado os lençóis antes: todo o ambiente estava gelado. A contra gosto, levantou-se e puxou as cobertas, cutucando o outro para que levantasse também.
— Que é, Kâ? — Perguntou mal-humorado, olhando-o com os olhos vermelhos, detestava ser cutucado e ainda mais ser acordado quando acabara de adormecer.
— Tá frio, levanta. — o sagitariano obedeceu contrariado e desabou na cama para dormir o sono dos justos.
O aquariano deitou-se ao lado bem junto a ele, buscando o calor do outro e adormeceu sem mais demora.
-o.O.o-
A noite anterior havia sido marcada por tantas coisas diferentes que dormir bem era tudo o que merecia. Mesmo assim, Kamus estava cansado e todo quebrado, parecia que havia sido esmurrado por algumas horas e o levaram desacordado para se deitar em uma cama depois disso.
Manteve os olhos completamente fechados, pois o sol já estava alto e a luz o incomodava. Tinha um gosto amargo na boca e a garganta estava completamente seca. Levou a mão à testa, teria uma bela dor de cabeça naquela manhã, tudo culpa do álcool.
No entanto, sentia-se bem consigo mesmo, uma parte de si havia sido preenchida ontem e isso o deixava até mesmo feliz, sensação essa que não sentia há muito tempo. Todo aquele incômodo físico nada se comparava ao alívio que sentia.
Sorriu-se consigo mesmo ao enterrar o rosto no travesseiro e se descobrir relutando em acordar, riu ainda mais quando percebeu que estava ereto, pelo visto sua mente lhe atormentara durante o sono.
Quando virou o corpo, percebeu que o colchão estava um pouco mais baixo do seu lado direito e também sentiu um cheiro marcante de cedro – aroma esse que conhecia tão bem e tanto gostava. Aquilo só podia ser castigo por estar se sentindo tão alegre. Bem estar como aquele só poderia ser pecado!
Tateando com o braço a pessoa que estava deitada de lado junto a si – a qual oferecia-lhe as costas – arrastou-se no colchão para junto dela, encaixando seus quadris nas nádegas do grego. Passou-lhe a mão sobre a cintura sem a vergonha que sentira da primeira vez, agarrou seu membro e passou a masturbá-lo lentamente por baixo da calça do pijama.
Quando finalmente abriu os olhos, pois alguma coisa estava diferente, deparou-se com uma imensa cascata de cabelos loiros cacheados e se deu conta do papel ridículo que estava fazendo. Corou instantaneamente e levantou-se da cama aos tropeções, trancando-se no banheiro de Milo.
Em nada ajudava o fato do escorpiano ter acordado e lhe chamar o nome completamente confuso. Como não se apercebera que ambos estavam vestidos?
"Idiota! Idiota! Idiota! Você transou com Aioros, mas não foi ontem, estúpido! Vocês só se viram mais uma vez depois disso e antes de pegar os caras no aeroporto!"
Milo abafou uma gargalhada no travesseiro depois que Kamus havia se rertirado. Não contava com esse "bom dia", mas em nada lhe desagradara, muito pelo contrário.
Murmurando baixinho, pensou:
"Ah, então é assim, não é? Você não perde por esperar Antonie Kamus Flaubert. Eu detesto ser interrompido desse jeito…"
CONTINUA…
(1) Não estou dando um de mãe Diná, era apenas a minha opinião antes mesmo da Copa começar, mas como demorei a postar o capítulo… bem, parece que eu estou torcendo contra (né, Anushka?), mas não é só ceticismo mesmo.
(2) Eu procurei por nomes de bairros atenienses no meu amado Google. Na verdade na verdade, entrei em um site e catei os nomes de alguns lugares. O engraçado foi perceber que o cabo Sunion realmente existe #horrível em geografia#.
Mas queria alertar uma coisa: Não sei onde são esses lugares, não sei se estão longe ou perto um do outro, não sei ao menos se são bairros, só sei que são nomes de lugares (no sentido mais amplo da palavra). Se um dia eu for a Atenas eu descubro e conto para vocês XD.
(3) O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Eu assisti e gostei, mas não é o melhor filme que já vi na minha vida inteira #chata#).
(4) Como deu para perceber eu detesto fórmula 1, mas para fazer esse capítulo eu me obriguei a ler algumas coisas, dentre elas que o grande prêmio final acontece em meados de Outubro, por isso, não se incomodem com os dois meses de atraso que essa corrida tem…
Notas da Autora:
Ai, #envergonhada# será que vocês ainda me amam? Eu demorei mais do que pretendia dessa vez, mas estava em final de período e todos os meus professores legais passaram trabalho, aqueles que nos "adoram" passaram trabalho e prova, imagina minha cabeça pra escrever mais uma linha de qualquer coisa que fosse.
Queria pedir desculpas por esse capítulo não ter betagem, assim que a minha beta número um voltar de viagem, ou a beta número dois tiver o computador de volta, ou a beta número três não estiver mais trabalhando, eu recoloco o capítulo com os errinhos alterados.
Eu tenho mania de repetir expressões ou reescrever um período até cansar e assim vão se "acumulando resquícios" de frases anteriores: algumas preposições e artigos terminam ficando de metidos nas frases. Releio o que faço fiz algumas vezes, mas sempre me escapam detalhes i.i
E pra completar, meu querido "backspace" não tá funcionando, estou sobrevivendo à base do "delete".
E, gente, não que eu escrevo para ganhar comentários, na verdade escrevo porque me sinto bem fazendo isso, mas às vezes bate um desânimo quando se tem uma proporção de trezentos stats para apenas uma review e isso ajudou o capítulo demorar um pouco mais, eu estava sem "gás" para escrever.
Sinto muito e que fique claro que com esse discurso eu não estou me fazendo de vítima e pedindo reviews disfarçadamente, apenas me senti na obrigação de ser sincera. Principalmente porque eu detesto forçar alguém a alguma coisa, o problema é que eu andava tão estressada com a facul que terminei por ficar um pouco insegura em relação a Ósculos. A culpa é minha por não saber separar as coisas, me desculpem.
Mudando de assunto para coisas que não tenham nada a ver com minha personalidade retorcida, eu vou acrescentar um sobrenome ao meu nick. Continuarei sendo Ilía-chan, mas agora serei Ilía-chan Verseau (Aquário em francês – quem quiser eu conto a história de como isso aconteceu XD), daqui a alguns dias eu vou mudar o nome no meu profile aqui no site também.
E quanto Kamus não acreditar na vitória do Brasil, não o culpem, culpem a mim. Como já disse, sou completamente cética em relação a essa Copa, só acredito que iremos ganhar quando a taça estiver na mão e não gosto nem um pingo de futebol. E ganhando ou não isso não me abala em nada.
Por ironia, a França vai jogar contra o Brasil hoje, mas não venham me pegar para Cristo se o Brasil perder! Eu quero que ganhe, lógico, assim ainda teremos alguns feriados daqui pra frente XD
Muitos beijos,
Ilía Verseau
