Três chances

ou

O terceiro em discórdia

Capítulo Sete

Ikki viu como Hyoga saiu da sala parecendo carregar algum grave problema consigo. Entretanto, embora o que mais desejasse fosse seguir atrás dele, exigindo que lhe dissesse o motivo para estar tão alterado, o cavaleiro de Fênix não saiu do lugar.

As palavras de Hyoga ficaram fortemente gravadas em si. "Fique longe de mim". Foi o que o loiro dissera. E essas palavras foram pronunciadas em um tom que não lhe permitia agir de outra forma.

Aquilo tinha doído em Ikki de uma forma inesperada. Claro; a rejeição era algo que o moreno já estava acostumado a receber de Hyoga. Viviam brigando e discutindo devido às personalidades tão distintas. Porém, dessa vez... tinha sido diferente.

Naquelas palavras, não havia a rejeição costumeira. Não era um pedido de afastamento falado no calor do momento, em meio a uma briga mais acalorada. Não; o Hyoga que lhe pedira para se distanciar era, ao mesmo tempo, um Hyoga desconhecido, como ele nunca vira até então, ao mesmo tempo em que ele lhe soara absurdamente familiar.

Veio-lhe ao peito uma sensação muito desconfortável. E não saber que sensação era essa, não conhecer exatamente seu motivo, não compreender inteiramente o que estava ocorrendo consigo era perturbador demais, especialmente para alguém como o cavaleiro de Fênix, que sempre gostou de se sentir no controle da situação.

- Esse seu amigo é muito esquisito. – Simon começou a falar, aproximando-se do moreno.

A voz grave e sonora do homem de cabelos castanhos despertou Ikki de seus pensamentos. Olhou de canto para o colega e disse, com uma expressão nada amigável:

- Não fale dele. – seu tom de voz não foi apenas repreensivo. Foi cortante; e Simon sentiu isso vividamente.

- Da forma como diz, parece até que esse cara tem sua permissão para agir dessa maneira com você. – os olhos cor de mel não fugiam dos olhos escuros como o mar. E o modo como pronunciou essas palavras demonstravam que Simon não tinha gostado nem um pouco de ser repreendido.

- Isso não é da sua conta. – foi Ikki quem desviou os olhos primeiro. Estava preocupado, confuso, com sentimentos contraditórios a respeito de Hyoga. Tudo o que não precisava agora era discutir com outra pessoa.

Preparava-se para sair da sala, não só para abandonar aquela conversa, mas para tentar fugir das sensações que pareciam devorá-lo por dentro. Entretanto, antes que conseguisse dar dois passos, sentiu uma mão forte segurá-lo pelo braço. Olhou para trás e estreitou os olhos para Simon, que o mantinha preso.

Ikki não costumava precisar de mais que um olhar significativo para qualquer pessoa compreender que estava invadindo seu espaço. Esse mesmo olhar deixava claro que o indivíduo intrometido deveria afastar-se de imediato.

Porém, não foi o que aconteceu. Simon continuava segurando firmemente o braço do moreno. O editor-chefe era muito alto e forte, e parecia querer demonstrar o vigor que lhe era notável na forma como detinha o cavaleiro de Fênix.

- Pode me largar? – Ikki falou com uma voz séria. Realmente odiava quando não respeitavam seu espaço.

- O que está havendo com você hoje, Amamiya? Está muito estranho.

- Eu já disse que não é da sua conta, Simon.

- Quando seus problemas particulares interferem no seu trabalho, passa a ser da minha conta.

Se tinha algo que Ikki detestava mais que invadirem seu espaço, era quando duvidavam de sua capacidade:

- O dia em que meu trabalho for comprometido, você poderá me cobrar qualquer coisa. – irritado, o moreno arrancou seu braço à força da mão de Simon.

- E, por acaso, não foi o que ocorreu hoje? - o homem de cabelos encaracolados pôs as mãos sobre o quadril, como se cobrasse explicações.

- Hoje? – Ikki riu, ainda mais nervoso – Você só pode estar brincando... eu tirei fotos excelentes!

- E algumas que demonstravam total desconcentração.

- Tirei mais que o dobro de fotos boas. Você não terá problemas para escolher algumas para a sua revistinha. – o cavaleiro de Fênix fez uso de um tom depreciativo, o que irritou visivelmente o outro.

- Não fale desse jeito, Amamiya.

- Eu falo como quiser.

- Eu sou seu chefe.

- Um deles. Pode me demitir, se quiser. Não vai me fazer diferença.

- Não fale como se eu não tivesse qualquer relevância na sua vida, Amamiya. – a voz de Simon demonstrava alguma relutância, quase como se ele temesse a resposta que pudesse advir do que acabava de dizer.

- Você não tem relevância na minha vida, Simon. – a voz fria com que Ikki respondeu feriu profundamente o editor-chefe.

Talvez por isso, talvez por desespero, talvez por ver o moreno tão distante como nunca, talvez por justamente Ikki estar tão diferente do habitual... não era possível afirmar o motivo com certeza, mas Simon, que não estava no seu momento mais racional agora, terminou por decidir que era hora de fazer algo que, há muito, desejava.

De forma abrupta, agarrou Ikki em seus braços fortes e beijou sua boca forçosamente.

Havia muito tempo que desejava experimentar o sabor daquele beijo, o gosto daquela boca na sua.

Desde a primeira vez que colocara os olhos em Ikki, tinha se sentido diferente. Até então, não havia sentido atração por homens; mas, subitamente, não conseguia parar de pensar naquele homem.

Na qualidade de editor-chefe, tratou de conseguir uma posição estável para o moreno como fotógrafo da revista Atual. Queria Ikki perto de si o máximo que conseguisse. Porém, o talentoso fotógrafo não gostava de se sentir preso e trabalhava para a revista a seu modo; sem qualquer amarra profissional. Isso o deixava livre para ir e vir quando quisesse e Simon, que tanto tentou ajudar o moreno a encontrar estabilidade, descobriu surpreso o quanto ele preferia continuar com seus trabalhos de freelancer.

Compreendendo que não conseguiria manter Ikki por perto pelo lado profissional, o homem de cabelos castanhos passou então a buscar conquistar sua amizade. Novamente, descobriu o quanto aquele fotógrafo conseguia ser escorregadio, evasivo, lacônico.

Mesmo assim, não desistiu. Não conseguia. Não entendia como; mas estava obcecado. Sentia que precisava estar perto de Ikki. Queria-o consigo, não importava como. Por isso, armou-se de sua maior habilidade como editor-chefe de uma revista de grande circulação: sua cara-de-pau.

Era inconveniente e sabia que Ikki não gostava da forma como se intrometia em sua vida. Aliás, não era difícil saber. Era visível naqueles olhos azuis o quanto o moreno odiava quando ele invadia seu espaço pessoal. Entretanto, não recuava. Continuava seguindo, acreditando que, um dia, encontraria uma brecha.

A brecha que esperava não veio. Talvez, a melhor oportunidade não aparecesse. Não importava mais; precisou aproveitar o momento.

Sentiu a ameaça que Hyoga representava no momento em que o viu, descendo daquele carro, na entrada da mansão. Sentiu, sem grandes dificuldades, que havia uma grande tensão entre o loiro e o moreno. Porém, ou os dois não se davam conta disso, ou algo os impedia de concretizarem o sentimento latente entre eles.

Não fazia a mínima questão de saber o porquê. O importante agora era encontrar um jeito de conquistar Ikki antes daquele loiro agir.

Inicialmente, pensara em criar algum plano de ação, traçar alguma estratégia que o aproximasse mais do moreno. Alguma tática mais elaborada que deixar documentos importantes na mochila de Ikki, para usá-los como desculpa para revê-lo.

Todavia, as coisas não iam bem. Depois de ver como Ikki correu atrás do ciclista, depois de vê-lo como nunca o imaginara, perseguindo desesperadamente alguém que julgava se chamar Heitor... aquilo já tinha mexido com Simon, deixando-o extremamente enciumado. Então havia alguém na vida de Ikki? Mas nunca o vira com ninguém; ele nunca mencionara ninguém...

Porém, isso parecia ser agora uma constante. Pelo visto, era do feitio do moreno não falar sobre aqueles por quem guardava algum interesse. Afinal, depois de descobrir a existência do tal Heitor, conhecia, logo em seguida, esse Hyoga.

Que o loiro tinha interesse em Ikki era óbvio. Que o fotógrafo também sentia algo por ele era fácil de notar. Simon encontrava-se já no seu limite e o que fez seu desespero enfim transbordar foi ouvir do outro, com todas as letras, que ele não era relevante em sua vida.

Aquilo tinha sido demais. O desespero o guiara. O desespero era o sentimento que prevaleceu naquele beijo impulsivo e inesperado...


- Eu já disse que estava precisando espairecer, Sam! – a jovem Isolda falava nervosa, caminhando apressada à frente do líder dos rebeldes.

- Se precisava conversar, podia ter me acordado! Eu fiquei na sua cabana por um motivo, Isolda! – Samuel caminhava a passos largos, acompanhando o ritmo ditado pela morena – Eu queria estar por perto quando você precisasse...

- Já falei que não precisava conversar.

- Então por que estava lá com aquele forasteiro?

- Por que o trata como se não fizesse parte de nós? Ele também está lutando pela nossa causa, Sam! – Isolda parou e virou-se a fim de encarar os olhos cor de mel do amigo.

- Eu não confio nele. E essa história de que ele não recorda de coisa alguma me é muito suspeita.

A jovem zangou-se com esse último comentário. Balançou a cabeça negativamente, como se dissesse para si mesma que não valia a pena discutir com o outro. Deu-lhe novamente as costas e recomeçou a caminhar.

- Aonde você está indo? – Samuel voltou a acompanhá-la.

- Não interessa a você.

- Interessa, sim. Tudo o que se passa nesse acampamento é do meu interesse, Isolda.

A jovem estancou o passo nesse instante e riu:

- Sempre fico impressionada em ver como você consegue fazer uso da sua posição para subjugar os outros. – desferiu um olhar firme para o homem de cabelos encaracolados – Mas você não me intimida, Sam. Nem um pouco.

- Eu não quero intimidá-la, Isolda! Quando vai entender que eu me preocupo com você e só quero o seu bem?

- Não preciso que cuidem de mim.

- Precisa, sim! Você está esgotada, Isolda! Fica dia e noite cuidando de Sebastian e se esquece de viver a própria vida!

- Não traga meu irmão para essa discussão. – a jovem falou em tom de aviso.

- Desculpe-me. – Samuel emendou rápido – Sinto muito. Por favor, Isolda... Não quero discutir com você.

- Entretanto, é exatamente o que está fazendo. – a jovem abraçou o próprio corpo, para se proteger do sereno da noite. Acabava de se dar conta de que havia esquecido seu xale lilás em algum lugar.

- Está com frio? – a voz de Samuel era doce agora e suas feições suavizaram-se – Vem; eu acompanho você até sua cabana. – o homem aproximou-se da amiga, envolvendo-a com seus braços fortes a fim de aquecê-la assim.

Isolda, contudo, tão logo sentiu os braços de Samuel sobre seu corpo, esquivou-se desse toque. Fizera por reflexo. E ficou tão surpresa quanto o líder dos rebeldes.

A amizade que existia entre os dois era forte e antiga. Por isso mesmo, havia certa intimidade entre os dois. Por mais de uma vez, Samuel protegera Isolda do frio e da chuva, usando seu próprio corpo para isso.

O modo como a garota se desvencilhara de seus braços deixou o homem de cabelos castanhos estupefato:

- O que é isso agora, Isolda? Não posso mais tocar em você? – o homem parecia bastante zangado.

- Eu... – a morena parecia confusa com sua própria reação. Não fizera de propósito. Nunca vira problemas em se deixar abraçar pelo amigo. Porém, algo nela estava mudado e não compreendia o que podia ser.

Por algum estranho e desconhecido motivo, não foi capaz de suportar o toque de Samuel sobre si.

- O que aquele forasteiro disse para você?

- O quê? – Isolda mostrou-se confusa.

- Ele disse algo, não foi? Por isso está assim, estranha.

- O Heitor não disse nada, Sam. Agora, deixe-me em paz. – Isolda, embora não conhecesse de fato o que a levara a agir assim com o amigo, suspeitava que tivesse a ver com o loiro. Não havia lógica nisso, mas sentia que existia uma relação entre o surgimento de Heitor com a estranha forma que tratava Samuel nesse momento.

Decidida a não prolongar essa situação, a bela morena quis se afastar, mas antes que pudesse agir, o homem de olhos cor de mel segurou seu braço, trazendo-a para mais perto de si:

- Eu não quero mais ver você perto dele. – a voz grave soou mais forte que de costume.

- Não pode me impedir de vê-lo, Sam.

- Posso, sim. Amanhã, mandarei que o expulsem do acampamento.

Isolda arregalou os olhos azuis como o mar:

- Você não pode fazer isso!

- Já está feito.

- Não pode simplesmente expulsá-lo, sem qualquer motivo justo!

- Quem disse que não possuo um motivo? Eu já falei que não confio nele. – sentenciou o líder.

- Sam, por favor! Ele precisa ficar! – agora, era Isolda quem depositava ambas as mãos sobre os braços fortes do amigo – Heitor está ferido, ele precisa de cuidados! Além disso, ele perdeu a memória; para onde ele irá?

- Isso é problema dele.

- Você não pode fazer isso! – repetiu a moça, furiosa ao ver seus argumentos serem rechaçados cruelmente.

- Por que se importa tanto? Você mal o conhece, Isolda! – Samuel deixou claro seu desgosto em ver a forma como a jovem se esforçava para manter o loiro no acampamento – Por que age como se ele tivesse alguma relevância em sua vida? – indagou, nervoso.

- Porque ele é relevante para mim! – a morena disparou sua resposta sem nem ao menos pensar no que dizia.

Aquilo tinha sido demais. Era possível que a moça apenas tivesse dito isso porque, como muitos no acampamento comentavam, Isolda precisava cuidar desse forasteiro porque assim se sentia menos frustrada pelo estado em que se via seu irmão.

Isso havia sido o que Samuel vinha se repetindo desde que Heitor chegara ao acampamento.

No entanto, a maneira dedicada com que Isolda defendia a permanência do loiro ali estava ultrapassando os limites do bom senso, segundo o líder pensava. E as últimas palavras ditas por ela eram quase... apaixonadas.

Podia ter se enganado? Sim. O fervor com que ela proferira aquela frase poderia significar muitas coisas.

Porém, Samuel não estava mais sendo capaz de pensar. Apenas sentiu-se tomado por um ciúme gigantesco. Amava a amiga há tempos, mas nunca se declarara. Nunca encontrara um bom momento e isso se devia, em grande parte, ao fato de a amiga, desde sempre, viver para cuidar de seu irmão. Sendo ambos órfãos desde muito novos, Isolda tomara para si a tarefa de cuidar de Sebastian de forma incondicional. Por sinal, em sua vida, não lhe parecia sobrar tempo para mais nada, a não ser cuidar do caçula.

Depois que o mais jovem perdera a memória, as coisas pioraram. E Samuel ficara esperando pelo momento adequado de se declarar, mas esse momento parecia se distanciar cada vez mais...

Agora, com a chegada do forasteiro, essa chance parecia se afastar ainda mais.

Não podia permitir que isso ocorresse.

Impetuosamente, tomou a amiga em seus braços e a beijou apaixonado, depositando nesse beijo todo o seu amor, até então, frustrado.

Isolda fora pega de surpresa. E tão completamente surpresa ela estava que não soube como reagir nos primeiros segundos desse beijo. Era como se nem ao menos estivesse ali, de fato, pois sequer correspondia àquele beijo desesperado. Seus olhos sequer se fecharam e foi justamente por isso que ela avistou a figura de Heitor aparecendo subitamente.

No mesmo instante, a morena empurrou Samuel, afastando-se rápido, como se houvesse sido pega em flagrante. Como se tivesse sido vista fazendo algo que não devia.

Isolda olhava para Heitor, sem conseguir dizer palavra.

E o soldado olhava para os dois sem conseguir compreender. Havia corrido até ali, para alcançá-los, e agora se arrependia amargamente de tê-lo feito.

Não entendia o que sentia. Isolda estava beijando Samuel. Foi com essa cena que se deparou depois de correr para encontrá-los. Não deveria estar surpreso. Aquilo devia ser esperado. O que havia de errado ali? Nada.

Então, por que aquilo lhe doera no fundo de sua alma? Por que aquela cena despertava tantas emoções que pareceram adormecidas por uma vida inteira e que, bruscamente, eram trazidas à tona?

Por que ver Isolda nos braços de outro homem lhe parecia... insuportável?

- O que você quer? – Samuel rosnou, falando por entre os dentes, com olhos flamejantes de raiva devido à interrupção.

- Eu... – Heitor enfim reagiu, piscando os belos olhos azuis algumas vezes, como se assim despertasse para a realidade – Você esqueceu seu xale na beira do rio. Eu... vim trazer. – levantou o xale lilás para mostrar que realmente o havia trazido – Desculpem-me a interrupção, eu... – o loiro mal conseguia elaborar uma frase completa – Depois eu devolvo seu xale. – Heitor deu as costas e começou a se retirar, apressado, sentindo uma dor absurdamente forte comprimir seu coração.

- Heitor! Espere! – Isolda gritou, afastando-se de Samuel e correndo atrás do loiro.


- Heitor! – falou Ikki, ao mesmo tempo em que se afastava bruscamente de Simon. Era como se acabasse de despertar de um sonho, embora não estivesse dormindo. Olhou ao redor, demorando para conseguir se situar. Parecia perdido entre dois mundos.

- Heitor? – Simon estreitou os olhos na direção de Ikki, num misto de frustração e ódio.

- Quem é Heitor, irmão? – Simon olhou para a porta e viu Shun ali, parado. Era visível na expressão do jovem cavaleiro de Andrômeda que ele havia presenciado o beijo e também a forma como ele foi repentinamente partido por seu irmão.

- Eu... não sei... – o moreno levou a mão aos cabelos, com uma expressão confusa e com os olhos escuros nublados de angústia. Sentia o desespero de Isolda; o desespero por ver Heitor afastar-se de si daquele modo.

- Quem é esse cara? – perguntou Simon, que se via um pouco descontrolado. Não suportava a ideia de que seu primeiro beijo com Ikki tivesse sido interrompido pela simples lembrança desse tal Heitor.

- Eu não sei! – o moreno gritou, canalizando sua angústia dessa maneira.

- Como não sabe? Já é a segunda vez que você fala o nome desse cara hoje! Eu quero saber quem é ele, Amamiya!

– Eu já disse que não sei! – gritou Ikki, ainda mais enfurecido – Vá embora daqui, Simon! Suma da minha frente! – dizendo isso, o cavaleiro de Fênix caminhou em direção à cozinha.

- Amamiya! Volta aqui! – Simon ia seguir o moreno, mas Shun se colocou em seu caminho.

- Olha, eu sinto muito pelo comportamento do meu irmão. Mas é melhor você ir embora.

Simon olhou para Shun como se quisesse argumentar, mas percebeu naqueles olhos verdes uma grande firmeza por trás da doçura com que ele pronunciava aquelas palavras.

O editor-chefe suspirou pesadamente, resignado. Então levou a mão ao bolso do paletó e alcançou seu maço de cigarros:

- Está bem. – falou, com a voz um pouco mais calma – Eu vou. Mas, por favor. Peça para ele me ligar depois.

Shun nada respondeu. Simon então voltou-se para a saída principal da sala, caminhando em direção à porta que daria para fora da mansão.

Não olhou para trás.

E não o fez por saber que voltaria.

Não só à mansão.

Voltaria àquele momento.

Voltaria ao beijo interrompido com Ikki.

Só que, da próxima vez... não haveria interrupções.

Continua...