Esperou que Gina ficasse profundamente adormecida antes de mudar para sua forma humana outra vez e assegurar-se que todas as portas e janelas estivessem fechadas.
Uma vez que esteve certo que ela estaria bem por um momento, transportou-se de seu apartamento de volta a seu quarto no Santuário.
Também estava escuro naquele estabelecimento. Ele abriu a porta e se dirigiu ao quarto seguinte, onde estava Rony.
Como havia estado desde a noite que Harry havia lhe trazido aqui, seu irmão estava em forma de lobo, jazendo em estado comatoso sobre a cama.
Harry suspirou fatigado, enquanto cruzava o quarto.
- Vamos, Rony. - disse, movendo-se para a cama - Desperta. Sinto saudade irmão, e eu realmente necessitaria a alguém com quem falar agora mesmo. Tenho sérios problemas...
Mas era inútil. Os Daimons tinham tomado mais que do sangue de seu irmão. Tinham roubado seu espírito.
A vergonha pela qual tinha passado Rony era mais do que um lobo podia enfrentar. Harry entendia. Ele mesmo havia sentido quando tinha averiguado que era humano.
Não havia nada pior que ser atacado e ser incapaz de defender-se. Estremeceu enquanto as lembranças o atacavam.
A primeira vez que se converteu em humano tinha estado em meio de uma luta com um javali zangado. A besta o tinha investido de tal forma que ainda sentia dor em suas costelas se se movia da maneira incorreta. Em um minuto, era um lobo, e o seguinte estava de costas enquanto o javali o mordia, arranhava-o com suas garras e lhe cravava as presas.
Se Rony não tivesse vindo...
- Te levante irmão. – sussurrou - Não pode seguir vivendo assim.
Rony não o reconhecia absolutamente.
Harry deslizou sua mão sobre a pele clara de seu irmão e se voltou para deixá-lo ali.
Lá fora, no corredor, passou por Aimeé Peltier. Em sua forma humana, ela sustentava uma tigela de sopa de vitela em suas mãos enquanto ia em direção à escada.
A única filha do clã Urso, era loira, alta, magra e com um rosto excepcionalmente formoso. Seus irmãos tinham um grande trabalho para impedir que os homens humanos fossem atrás dela sempre que trabalhava no bar que estava ao lado a casa.
Era um trabalho que tomavam muito seriamente.
- Está comendo? - perguntou-lhe Harry.
- Às vezes. - disse tranqüilamente - Consegui lhe dar um pouquinho de sopa no almoço, esperava que pudesse tomar um pouco mais esta noite.
Ela tinha sido um dom do céu para ele. Só Aimeé parecia ser capaz de chegar ao Rony. Seu irmão parecia de algum modo mais alerta sempre que ela estava perto.
- Obrigado. Realmente aprecio que cuide dele por mim. - De fato, ela passava muito tempo com Rony. Era suficiente para fazê-lo sentir admiração, mas Rony não se moveu de sua cama nem uma vez desde a noite em que Harry havia lhe trazido aí.
Ela assentiu.
- Aimeé? - Perguntou-lhe enquanto ela passava em frente a ele.
Ela se voltou.
- Não importa. Era um pensamento estúpido. - Não havia nada entre seu irmão e a ursa. Como poderia haver?
Harry seguiu caminhando pelo corredor, para a escada.
Ele baixou, cruzou o vestíbulo, e entrou no pequeno hall onde uma porta unia a Casa Peltier com o bar O Santuário do outro lado.
Esta dava à cozinha do bar onde dois Were-Hunters, Jasyn Kallinos e Wren, protegiam-na do inocente pessoal humano da cozinha, quem não tinha nenhuma ideia de por que somente uns poucos escolhidos podiam passar pela entrada, ao outro lado. Era sobre tudo por aqueles do clã Urso que tinham filhotes no último piso da Casa Peltier. De vez em quando, um dos filhotes podia tentar escapar de sua babá e rodar escada abaixo.
A última coisa que os Peltiers precisavam era a alguém chamando controle animal porque eles tivessem feito um zoológico não autorizado de sua casa.
Certamente, a ideia de um humano entrando e encontrando lobos, panteras, leões, tigres, e ursos dormindo em suas diversas camas era bastante divertida a Harry. Ou ainda pior, o dragão que dormia enroscado no apartamento da cobertura. Alguém realmente deveria ter uma câmera. No caso de ver.
Harry inclinou sua cabeça para Jasyn, um Were-Hawk loiro, que era um dos habitantes condenados a morte da casa. O preço pela cabeça do Jasyn fazia a sentença de morte de Harry ser ridícula. Sobre tudo porque, a diferença do Jasyn, Harry só matou quando teve que fazê-lo. Com um verdadeiro coração de animal de rapina, Jasyn estava nisso pela emoção de matar.
Jasyn tinha vivido para espreitar e mutilar.
Enquanto Harry se aproximava da porta vaivém que conduzia a área do bar, esta foi lançada para trás. Kyle Peltier vinha atravessando correndo à forma humana como um morcego fugindo do inferno.
Harry saiu do caminho.
Remi Peltier, um dos quadrigêmeos idênticos com o cabelo loiro comprido encaracolado, atirou Kyle ao piso justo diante dos pés de Harry e começou a esmurrar o seu irmão mais jovem. Kyle tentou pará-lo, mas foi impossível. Remi era um urso muito mais velho, mais forte, que gostava de lutar.
Harry agarrou ao Remi e o separou antes que lhe fizesse mal ao filhote.
- O que faz?
- Matando ao Gilligan. - grunhiu Remi, tentando passar por Harry para agarrar Kyle outra vez.
- Acontece que eu gosto da canção. - disse Kyle defensivamente, limpando o sangue em seus lábios enquanto se movia para esconder-se atrás do aborrecido Jasyn.
Wren deu ao filhote uma toalha para secar seu rosto.
Remi curvou seus lábios.
- Sim, mas é que não ouvimos essa condenada canção do inferno, por isso, idiota. A metade da fodida clientela saiu correndo pela porta.
Mamãe Ursa entrou do lado da Casa Peltier para ver o Kyle sangrando.
- Que diabos? - perguntou, tomando-o pelos ombros para poder examinar seu corte no lábio. - Mon Angie, o que aconteceu?
Toda maturidade abandonou ao Kyle quando viu a sua mãe. Até deixou que uma parte de seu curto cabelo loiro caísse sobre seus olhos azuis.
- Remi me atacou.
Remi arrancou seu braço do afeto de Harry.
- Ele pôs "Sweet Home Alabama" na máquina de discos, mamãe.
Nicolette girou seus olhos para seu filho mais jovem.
- Kyle, sabe que só a pomos quando o Dark Hunter Acheron atravessa nossas portas como uma cortês alerta a nossa clientela. Em que estava pensando?
Harry sufocou uma risada. Acheron Parthenopaeus era o líder dos Dark-Hunters.
Era um homem de muitas dicotomias e de um poder incrível e, mais que ninguém, Harry sabia o que era aterrar-se e cagar-se de medo dele. Sempre que entrava no bar, a maior parte dos Weres, e todos os Daimons se dirigiam à porta. Sobre tudo se tinham algo que ocultar.
Kyle dirigiu a ela um olhar mal-humorado.
- É que é uma boa canção, mamãe, e queria ouvi-la.
Remi se dirigiu à garganta de Kyle, mas Harry o afastou.
- Ele é muito estúpido para viver. - grunhiu Remi - Penso que nós deveríamos cortar sua garganta e economizar a angústia.
Wren soltou uma estranha risada enquanto Jasyn punha cara de pedra.
O pessoal humano ficou sabiamente à margem, e voltaram para seus assuntos como se nada passasse. Já estavam acostumados aos irmãos e a suas constantes discussões entre eles.
Nicolette grunhido a seu filho.
- Todos fomos estúpidos nessa idade, Remi. Inclusive você. - Ela acariciou ao Kyle no braço e o impulsionou para a porta da Casa Peltier - Melhor está longe do bar pelo resto da noite, cherie. Papai e seus irmãos necessitarão tempo para esfriar seus temperamentos.
Kyle assentiu e logo voltou a olhar a seu irmão e lhe mostrou a língua.
Remi fez um som de urso que causou que cada humano na cozinha o olhasse fixamente.
A expressão de Mamãe dizia que já pagaria uma vez que tivesse a seu filhote maior longe do olhar e dos ouvidos dos humanos.
- Penso que é melhor voltar para bar, Remi. - disse Harry, deixando-o ir.
- Bem. - grunhiu Remi - Faça-nos a todos um favor, mamãe. Coma a seu caçula.
Esta vez foi Jasyn quem riu, então ficou sério imediatamente quando Nicolette lhe jogou um olhar ameaçador.
Sacudindo sua cabeça, ela disse ao pessoal de cozinha que voltasse a trabalhar.
Harry começou a ir ao bar.
- Harry, mon cher, espera.
Ele a olhou.
Ela se moveu para parar a seu lado.
- Obrigado por salvar ao Kyle. Remi nunca aprendeu a dominar esse caráter dele. Há vezes que temo que nunca vá fazer.
- Está bem. Ele me recorda muito ao Rony. Quando não está comatoso, obviamente.
Ela olhou para baixo, logo franziu o cenho. Levantando a mão dele, olhou fixamente a sua palma marcada.
- Está acasalando?
Ele fechou sua mão em um punho.
- Isto passou esta noite, mais cedo.
A mandíbula dela se afrouxou antes que o encaminhasse para dentro de sua casa. Ela fechou a porta, logo o enfrentou.
- Quem?
- Uma humana.
Ela amaldiçoou em francês.
- OH, cherie. - suspirou ela - O que vais fazer?
Harry se encolheu.
- Não há nada para fazer. Protegerei-a pelo tempo que dure, e a deixarei seguir sua vida.
Deu-lhe um olhar perplexo.
- Por que te condenará a tantos anos sem nenhuma mulher ou companheira? Se a deixa ir, pode ser que nunca te satisfaça outra vez.
Harry começou a partir, mas ela o puxou para que se detivesse.
- O que deveria fazer Nicolette? - perguntou, usando seu verdadeiro nome em vez de Mamãe, como chamava a maioria - Sou um exemplo vivo de por que temos que nos reproduzir dentro de nossa própria espécie. A última coisa que quero é estender minha doença a outra geração.
Ela parecia horrorizada por suas palavras.
- Você não está doente.
- Não? Então como o chamaria?
- Estas bendito, como o está Colt.
Ele a olhou boquiaberto e incrédulo por suas palavras. Era uma palavra que nunca aplicaria para si mesmo.
- Bendito?
- Oui. - disse ela sinceramente - A diferença do resto de nós, você sabe o que é o outro lado. Foste tanto animal como humano. Nunca saberei o que é ser humano. Mas você sim.
- Não sou humano.
Ela deu de ombros.
- O que queira cherie... Mas conheço outros Arcadianos que se uniram com humanos. Se desejar posso fazer com que falem contigo.
- Com que objeto? Eles eram de sangue mesclado como eu?
- Não.
- Então o que vão dizer? Se minha companheira tiver meninos, serão humanos ou lobos? Eles mudarão sua forma após a puberdade? Como explico a uma companheira humana que não sei como serão nossos filhos?
- Mas você é Arcadiano.
Ele odiava o fato de que Nicolette, Acheron, e Colt pudessem ver o que ele tinha sido capaz de ocultar dos outros. Ele não sabia como eles eram capazes de detectá-lo, mas realmente, odiava. Inclusive seu próprio pai não tinha sabido que ele era um Arcadiano.
Certamente ajudava o fato que seu pai apenas o olhasse.
- Sou Arcadiano? - perguntou, baixando sua voz a um sussurro zangado - Não sinto o lado humano da maneira que Colt o faz. Como posso ter sido um filhote de lobo e logo me converter em humano durante a puberdade? Como é isso possível?
Ela sacudiu sua cabeça.
- Je ne sais pas, Harry. Há muito neste mundo que não entendo. Há muito poucos sangues mesclados, você sabe isso. A maior parte dos humanos que se converteram em companheiros são estéreis. Talvez a tua seja também.
Isto lhe deu alguma esperança, mas ele não era bastante tonto para apegar-se a isso. Sua vida nunca tinha sido fácil. Sempre que tinha estendido a mão para algo que queria, tinha sido esbofeteado sem piedade.
Era difícil ser otimista em uma vida onde o otimismo nunca tinha sido recompensado positivamente.
- Esta é uma oportunidade que não posso pegar. - disse calmosamente, mesmo que uma parte dele desejava essa oportunidade com um desespero que o assustava - Me nego a lhe arruinar a vida dessa maneira.
Nicolette se afastou dele.
- Muito bem. Isso é algo exclusivamente teu, mas se mudar de opinião...
- Não farei.
- Bem. Por que não usa as próximas semanas e fica com sua companheira enquanto ela está marcada? Cuidaremos do Rony enquanto isso.
Atreveria-se a aceitar essa oferta?
- Esta segura?
- Oui, cher. Pode confiar em alguns animais, inclusive nos ursos. Prometo-te que seu irmão estará a salvo aqui, mas sua companheira, ela não está a salvo, enquanto leve sua essência nela.
Nicolette tinha razão. Se, como suspeitava, sua manada estava atrás deles, seus exploradores poderiam encontrar seu aroma perto de Gina. Ela o levaria enquanto tivesse seu sinal, e um Were-Hunter treinado seria capaz de farejá-la.
Nem queria dizer o que seus inimigos poderiam lhe fazer.
- Obrigado, Nicolette. Devo-te uma.
- Sei. Agora fica com sua humana enquanto possa.
Harry assentiu, logo se transportou, retornando ao lado de Gina.
Ela estava ainda adormecida sobre o sofá. Jazendo sobre suas costas, parecia extremamente incômoda. Suas pernas estavam encolhidas e ela tinha um braço sobre sua cabeça enquanto o outro pendurava no ar.
A ternura o alagou enquanto recordava a forma em que ela se exibia enquanto gozava por ele. A imagem de seu rosto no espelho enquanto ele a sustentava.
Era uma mulher apaixonada. Uma que morria por provar uma e outra vez. Contra seu sentido comum, ele estendeu a mão e tocou sua suave bochecha.
Seus olhos se abriram de repente e ofegou.
Gina se levando gritando pensando que via Harry vigiando-a.
- Harry?
O lobo andou silenciosamente até o sofá para sentar-se ao lado dela.
Confusa, olhou ao redor, logo lançou uma risada nervosa.
- Menino, estou alucinando ou o que? OH sim. Looney Tunes, aqui vou.
Sacudindo a cabeça, voltou a deitar-se e tentou voltar a dormir, mas assim que o fez, pôde jurar que cheirava o aroma de Harry sobre sua pele.
Durante dois dias, Harry ficou na forma de lobo enquanto cuidava de Gina, mas com cada minuto, sentia-se como se estivesse sendo brutalmente torturado. Seu instinto natural era reclamá-la.
Se ela fosse uma loba, ele estaria dentro dela inclusive agora, lhe mostrando sua destreza e sua autoridade.
A besta dentro dele exigia o cortejo. O humano nele...
Isso era o que mais o assustava. Nenhuma parte escutava seu tranqüilo e calmo raciocínio. Não é que ele realmente tivesse algum no que ela estava preocupada. Perto dela, ele tinha uma furiosa quebra de onda hormonal tão profunda que fazia que um tsunami parecesse como uma onda em uma piscina de meninos.
Sua necessidade de tocá-la se fazia tão feroz que até temia estar com ela agora.
Fazia uns minutos, em forma de lobo, tinha saído correndo à porta para tentar e conseguir controlar-se antes de voltar para a loja dela para mais torturas. Sempre que ela se movia, esquentava seu sangue. O som de sua voz, a forma em que lambia seus longos dedos, cheios de graça enquanto folheava as páginas de suas revistas, era toda uma tortura para ele.
Estava matando-o.
A desejava.
Realmente, estava começando. A morte tinha que ser preferível a isto. Onde estavam os lobos assassinos quando se necessitava? Sem dor. Essa era a resposta. Nada como uma severa dor para conter seus apetites sexuais.
Pensa em algo mais.
Harry tinha que conseguir afastar sua mente de Gina e de seu corpo. Mais importante ainda, afastá-la do que ele queria lhe fazer "a" e "com" seu corpo.
Determinado a tentar, ele parou diante de uma pequena loja no Royal Street. Era uma loja de bonecas de todo tipo. Ele realmente não sabia por que estava aqui, exceto uma das bonecas na vitrine recordava a uma que Gina tinha em uma caixa perto de sua TV.
- Bem, não fique aí fora de pé, jovem, venha entre.
Uma diminuta anciã estava de pé na entrada. Seu cabelo era cinza, mas seus olhos eram agudos e inteligentes.
- Está bem, só estava olhando. - disse Harry.
E logo sentiu o aroma de algo estranho. Uma greta de poder no ar que era ainda mais forte que um Were-Hunter.
Acheron?
A anciã lhe sorriu.
- Vêem para dentro, lobo. Há alguém com quem acredito que quer falar.
Ela sustentou a porta aberta enquanto ele entrava na pequena e escura loja, coberta de estantes e caixas de bonecas feitas por encomenda. Sem uma palavra, lhe conduziu atrás do mostrador e apartou um par de pesadas cortinas cor borgonha.
Harry se deteve de repente quando viu o mais estranho que tinha visto em seus quatrocentos anos de vida.
O poderoso Dark-Hunter Acheron Parthenopaeus sentado no chão do quarto com suas pernas cruzadas enquanto brincava de bonecas com sua companheira demônio e uma criatura humana.
Harry não podia se mover enquanto olhava à pequena menina sentada sobre o joelho dobrado coberto de couro do Ash, enquanto o Dark-Hunter a sustentava ali com uma grande mão sobre seu ventre. Vestida com um vestidinho tipo avental rosado e sapatinhos negros, ela era formosa, com curtos cachos castanho escuros e um rosto gordinho e angelical.
Ash sustentava um boneco em sua mão direita enquanto a pequena menina mastigava a cabeça de uma Barbie ruiva que se parecia de uma estranha maneira à deusa grega Artemisa, quem tinha criado e governado aos Dark-Hunters. A demônio sentada diante deles sustentava uma boneca loira. A demônio tinha o cabelo negro com uma raiz vermelha que fazia perfeita combinação com o cabelo do Ash.
- Olhe, eu sabia que a bebê Marissa era raça de qualidade. - disse a demônio ao Ash. - Olhe como se come a cabeça ruiva da boneca da Artemisa. Simi tem que lhe ensinar a arrotar fogo e logo apresentar a mesma deusa vaca.
Ash riu.
- Não acredito, Simi. Marissa não está realmente pronta para isso, não, doce?
A pequena garotinha se esticou e colocou uma mão molhada ao queixo do Ash enquanto ria dele. Ash beliscou brincando sua mãozinha enquanto a demônio tomava sua boneca e a fazia dançar com a sua.
- Penso que minha boneca necessita um par de corninhos, akri. - disse a demônio ao Ash - Cre que Liza me fará uma boneca demônio como eu?
Os chifres apareceram imediatamente sobre a cabeça da boneca, com o cabelo vermelho e negro.
O demônio chiou de prazer.
- OH, obrigado, akri. Esta é uma boneca Simi! - Inclinando sua cabeça, a demônio olhou à garotinha na cintura do Ash - Sabe, Marissa é uma linda bebê, mas ela estaria ainda mais bonita com uns corninhos também.
- Não, Sim, não acredito que Amanda ou Kyrian apreciariam a volta de sua filha com um par de chifres em sua cabeça.
- Sim, mas ela é assim... tão... pobre sem eles. Eu poderia fazê-los realmente bonitos. Talvez rosados para que combinem com seu vestido?
- É suficiente, Simi.
A demônio pôs uma cara má.
- OH pooh, não é divertido, akri. - Ela sustentou ao boneco. - Vê isto, Marissa? Bem, agora isto é o que passa quando ele faz que Barbie fique louca. Ela consegue seu molho de churrasco e o come.
Ash rapidamente tomou a boneca da mão do Simi antes que ela pudesse colocá-la em sua boca aberta.
- Não, não, Simi. É alérgica à borracha.
- Sou?
- Não recorda que ficou doente quando comeu aqueles pneus do caminhão que lhe deixavam louca?
A demônio o olhou realmente decepcionada.
- OH. Isso foi o que me fez adoecer? Pensei que era porque a deusa vaca estava por ali.
Ash colocou um rápido beijo ao topo da cabeça da bebê, logo a entregou a Simi.
- Cuida da Marissa durante uns minutos e não lhe coma ou a deixe comer algo.
- Não se preocupe, akri. Eu nunca comeria a bebê Marissa. Sei quanto sentiria falta se o fizesse.
Ash deu a demônio um abraço carinhoso antes de levantar-se e caminhar tranqüilamente para o Harry. Alto e magro Ash era o epítome de um jovem no começo de sua vida. Não havia muitas pessoas mais altas que Harry, mas Ash era um deles.
E não era somente sua altura o que intimidava. Havia algo primário e poderoso no Dark-Hunter. Algo que até o animal no Harry temia.
Ainda assim, conheciam-se o um ao outro desde muitos séculos. De fato, Ash tinha sido o que tinha ajudado ao Harry a encontrar a sua mãe. Até este dia, Harry não estava certo por que o Dark-Hunter o tinha ajudado.
Pois bem, ninguém entendia ao Acheron Parthenopaeus.
- Sabe, não é agradável espiar as pessoas, lobo.
Harry soprou ante isto.
- Como se alguém alguma vez pudesse te espiar. - Ele olhou de novo a demônio e à pequena garotinha - Nunca te imaginei como babá.
Ash jogou uma olhada à mão de Harry, logo o olhou fixamente. Havia algo extremamente desconcertante nos olhos cor prata líquida do Ash que formavam redemoinhos com o poder místico e o antigo conhecimento.
- Nunca te imaginei como um covarde.
A ira queimou ao Harry ante o insulto. Ele virou de costas para Ash, só para que o Atlante saísse de seu alcance.
- Não faça. - Essa só palavra trouxe o suficiente controle ao Harry para deter-se.
Ash olhou por sobre seu ombro à anciã que ainda estava de pé abrindo as cortinas.
- Liza, traria para o Harry uma xícara de chá, por favor?
- Não bebo chá.
-Liza?
- Volto em seguida com ela. - A anciã saiu na loja.
- Não bebo chá. - reiterou Harry.
- Beberá o dela e você gostará.
O olhar de Harry se obscureceu outra vez.
- Não sou um de seus Dark-Hunters, Acheron. Não danço sob suas ordens. Não preciso nada de um Dark-Hunter. Jamais.
Ash soltou um suspiro lento e profundo.
- Sinto muito por Luna, Harry, mas era o que tinha que ser.
Harry fez uma careta ante a oferta de compaixão; seu coração ainda estava quebrado por sua perda.
- Não me fale sobre o destino, Dark-Hunter. Estou de saco cheio com esse tema.
Para seu assombro, Ash esteve de acordo.
- Conheço o sentimento. Mas isso não muda o que acontece a ti, verdade?
Ele cortou ao Ash com um olhar furioso.
- O que sabe sobre isso?
- Tudo. - Ash cruzou seus braços sobre seu peito enquanto olhava ao Harry com um olhar que o pôs nervoso. - A vida seria mais fácil se tivéssemos todas as respostas, verdade? Sua manada virá por ti? Rony será normal outra vez? Gina alguma vez te aceitará como seu companheiro?
Harry ficou frio ante suas palavras.
- Como sabe sobre Gina?
Ele não respondeu.
- Sabe, os humanos são assombrosos em sua capacidade de amar. Não deixe de aceitá-lo porque tem medo do que poderia acontecer. Em troca, talvez devesse se preocupar no que acontecerá se a abandonar.
Isso era fácil de dizer para ele. Ele não era o que estava sendo caçado.
- O que sabe você sobre o medo?
- O suficiente para ensinar um curso de toda uma vida sobre isso. - Ash olhou além dele para ver a bebê levantar-se ao lado da demônio sobre as pequenas pernas cambaleantes que ainda estavam aprendendo como sustentar o peso do bebê. - Ela é formosa, verdade?
Harry deu de ombros. Estava muito longe de ser um perito sobre o que significava "formoso" em um bebê humano.
- É difícil acreditar que se Kyrian não tivesse tido fé na Amanda e em seu futuro juntos, ela nunca existiria. Ninguém teria ouvido a beleza de sua pequena risada ou visto a preciosidade de seu sorriso... Pensa nisso, Harry. Uma contábil que só queria uma vida normal e um Dark-Hunter que pensava que o amor era uma fábula. Se Kyrian tivesse se afastado, ele ainda viveria sozinho como um Dark-Hunter. E Amanda, tendo que aprender em como sobreviver entre os Apolitas e Daimons querendo roubar seus poderes, provavelmente estaria casada com outro agora.
- Eles teriam sido felizes? - Harry não estava certo de por que fez essa pergunta.
Ash deu de ombros.
- Talvez sim, talvez não. Mas olhe seu bebê. Ela vai crescer como a filha de uma bruxa e um Dark-Hunter. Ela saberá coisas sobre este mundo que poucas pessoas jamais saberão. Em realidade, ela já faz. Agora imagine se ela nunca existisse. O que teria perdido o mundo sem ela?
- O que ganhou com ela?
Ash não vacilou em responder.
- Ganhou uma alma realmente formosa, que crescerá para ajudar a todos que a necessitem. Em um mundo cheio de maldade, ela nunca fará mal. E duas almas que nunca conheceram o amor agora se têm um ao outro.
Harry riu disto.
- Alguma vez pensaste em escrever novelas românicas, Ash? Isto poderia derrubar-te em ficção, mas me deixe te contar sobre o mundo verdadeiro. Essa pequena menina crescerá, romperão-lhe o coração, e estará acostumada a que a raça tire proveito dela.
- E seus pais arrancarão o coração de quem o tente. A vida é uma aposta, Harry. É áspera e dolorosa a maior parte do tempo, e isso não é para um tímido. Os despojos é para o vencedor, não para quem não se destacou na batalha.
- O que está dizendo?
- Acredito que já sabe. Gina terá uma melhor vida sem ti? Quem pode dizer? Talvez haja algum humano por aí que possa apreciá-la. Mas ele alguma vez a apreciará tanto como você?
Não. Harry sabia no profundo de seu coração. Seu delicado contato não tinha preço para ele.
- E se a matarem por minha culpa?
- A morte é inevitável para as pessoas. Ela morrerá um dia. Mas a verdadeira pergunta é; ela, alguma vez, viverá? - Ash começou a afastar-se, mas se deteve - E você?
Harry esteve de pé ali, em silêncio, enquanto meditava no que Ash lhe havia dito.
Liza voltou com o chá e Harry lhe agradeceu antes de provar.
Para sua consternação, Ash tinha razão. Estava bom e realmente gostava.
Ash recolheu ao bebê e voltou para ele.
- Você sabe, sempre resta possibilidade que Gina não te aceite. Encontre-a como homem, Harry. Dê-lhe o que seu pai nunca deu a sua mãe. Deixe-lhe ver o homem e ao animal e logo a deixe decidir por si mesmo.
- E se me abandona, deixa-me?
- É a isso ao que teme mais?
Harry apartou o olhar. Maldito Ash por sua sagacidade. Não, seu pior medo consistia em que o aceitasse e que não fosse capaz de mantê-la a salvo de seus inimigos.
- Tudo o que realmente pode fazer, Harry é te dar por inteiro e confiar em que tudo dará certo.
- Realmente confia nas Destinos?
A resposta do Ash o surpreendeu.
- Para nada. Elas cometem enganos tanto como todos outros. Mas ao final, temos que acreditar em algo. - Ash abraçou ao bebê contra seu peito - Então o que escolherá?
A pergunta do Ash ficou na mente de Harry enquanto voltava para a loja de Gina. Ele não sabia que opção tomar e Ash realmente não tinha ajudado.
Em forma de lobo, ele farejou seu caminho à porta da pequena boutique. Desde que se tinha mudado com ela, Gina tinha um hábito de deixar a porta da loja entreaberta cada vez que saía.
Como se soubesse que ele voltaria.
Também lhe tinha feito uma cômoda plataforma atrás de seu mostrador para que ele pudesse ficar ali silenciosamente e olhá-la enquanto trabalhava. E realmente gostava de olhá-la, especialmente quando interagia com outra pessoa. Havia uma bondade nela para com os outros da qual ele carecia.
Em particular gostava de vê-la com a Tabitha. As duas eram extremamente divertidas. Ao menos quando não discutiam sobre quantos membros do gênero masculino, com exceção de seus pais, prestavam.
Ele meio esperava que Tabitha tentasse castrá-lo somente porque era macho.
Agora mesmo, Gina se sentou sobre seu banco de madeira ao lado de sua registradora enquanto terminava de comer a metade de um sanduíche comprado.
- Aqui está. - disse rindo dele - Perguntava-me o que tinha acontecido.
Ofereceu-lhe a outra metade de seu sanduíche e o deixou comer de sua mão. Harry o terminou, logo colocou sua cabeça sobre seu colo. Ela acariciou-lhe suas orelhas e a ternura disso o destroçou.
Talvez Ash tivesse razão. Não devia a ambos, pelo menos, dar uma oportunidade?
Estou postando agora antes que surte pela nova maré de provas que vem aí!
Espero que estejam gostando :3
Mila Pink: Obrigada ^^ muito bom receber o seu review '-' Acredito que não demorará muito para que Gina enfim descubra a terrível verdade que é a vida de Harry. Enquanto isso, eu acho que o nosso lobo vai estar cuidando para que ela confie nele, e ao mesmo tempo para que Rony se recupere logo. Espero que continue acompanhnado '-' bjbj
Infinity21: Oi! Obrigada pelo review :3 Aqui no Brasil a série não foi publicada (e nem sei se vai ser...) por isso encontrei uma imensa dificuldade para achar grande parte dos livros traduzidos, rsrs. Mas acho que não haveria tanta graça se não houvesse um pouco de busca enlouquecida de minha parte. Obrigada! E pretendo continuar sim...
YukiYuri: A vida real é de fato um terror! Odeio simplesmente não poder viver nas histórias direto, e ter que voltar para essa realidade angustiante. Valha-me Deus, eu queria ter um Hunter só para mim! rsrs... Para mim, os melhores livros da série são: Jogo Noturno (Vane e Bride) Prazeres Noturnos (Kyrian e Amanda) e o Dança com o Diabo (Zarek e Astrid). *-* Chorei em cada um desses livros.
