Capítulo Sete: Rosas Orientais e o que eu Mereço

Ele foi com ela até a Ala Hospitalar e disse boa-noite. Ela deu-lhe um beijo na bochecha e ele não tentou mais nada. Ele não queria estragar tudo, tinha sido perfeito. A caminhada, a dança, a neve. James não notou que Lily continuava com a sua capa até pela manhã. Sirius não parava de perguntar o que tinha acontecido, mas James continuava mudando de assunto.

James já estava ficando nervoso, estava ficando tarde e Lily ainda não havia descido para tomar café. Mais uma vez a mente do rapaz voltou-se para a noite anterior.

- Bom dia. – James conhecia aquela voz, ele a reconheceria em qualquer lugar, Lily, e ela estava parada bem atrás dele.

- Lily – ele virou-se e segurou a mão dela.

- Bom dia, James. – um sorriso fraco surgiu nos lábios dela. James podia ver traços de sombras escuras embaixo dos olhos dela. Ela tivera uma noite terrível, mas ela não deixaria que James soubesse disso, não agora.

- Eu estava com medo de que você não fosse tomar café.

- Bem, aqui estou eu, e aqui está a sua capa a propósito. – ela disse e devolveu a capa dele.

- Lily! – a voz de Tom atingiu os ouvidos de James. Ele pôde sentir Lily tirando a sua mão da dele.

- Oi Tom! – James virou para o outro lado, ele não conseguia olhar para eles. Ele na verdade não queria era ver Lily beijando Tom.

- Você está bem?

- Sim, apenas preciso comer alguma coisa.

- Eu estou feliz que você esteja bem, você não imagina como eu estava preocupado. – Lily olhou para James.

- Oh, eu acho que posso imaginar. – ela disse sorrindo.

- E Potter, Alex está ansiosa para hoje à noite.

- Hoje à noite? – James perguntou.

- Sim, o encontro duplo. – tanto Lily quanto James ficaram um pouco pálidos.

- É mesmo, eu acabei esquecendo com todos os acontecimentos. – James disse. Lily tentou sorrir.

- Eu também estou ansiosa. – Lily disse, apenas para ser educada.

- Então, você tem algum plano? – Tom olhou para James.

- Sim... Mas é um segredo. – ele olhou para Lily. – Dois casais como nós podem se divertir bastante.

- Com sorte eu posso ter um pouco de tempo sozinho com a minha Lily. – Tom viu o olhar que Sirius que lançou, e não era nada bom.

- Sim. – James disse friamente.

- Te vejo mais tarde Lily. – Tom disse e deu-lhe um beijo.

- Sim, até mais. – quando Tom já havia voltado para a sua mesa, Lily sentou entre James e Remus.

- Lil, eu não estou dizendo isso para causar uma briga entre você e o Tom, mas, todos os caras sabem, os corvinais têm o costume de marcarem as suas namoradas. – Ela virou a cabeça e encarou James.

- O quê você quer dizer com "marcar"? – James não esperava que ela fosse perguntar, achou que Lily não acreditaria nele.

- Mordidas amorosas. – Lily olhou para Remus, que concordou.

- É verdade. – Remus disse.

- Mas ele nunca...

- Apenas se lembre de como ele está suspeitando de você ultimamente, e marcar você seria uma ótima maneira de me lembrar de ficar longe.

- Eu vou me lembrar disso. – ela sorriu, e começou a comer o café da manhã. James não esperava essa reação, nem em um milhão de anos. Ele começou a cantarolar baixinho no ouvido dela, ela virou-se para ele. Um olhar para a mesa da Corvinal, Tom não estava lá. Ela não achou que alguém iria notar, então ela beijou James gentilmente da bochecha, sorriu e voltou a comer.

- Eu não vou cantar dessa vez. – ela sussurrou.

- E se eu tentar de novo?

- Não, você deveria é estar pensando sobre hoje à noite.

- Você realmente quer saber o que eu quero fazer?

- Não. – ela virou-se e encarou aqueles olhos aconchegantes. – Eu não tenho certeza se quero.

- Não dizer ao Tom e a Alex aonde nós iremos esta noite, e fugir com você.

- Você não ouse partir o coração da Alex, se você partir... – Lily não tinha certeza do que iria acontecer se ele partisse o coração dela, mas ela certamente faria alguma coisa.

- Eu entendi. Vamos torcer então para que ela não possa ouvir os meus pensamentos, porque o que eu estou pensando agora certamente iria partir o coração dela.

- Lily ficou subitamente quieta, parecia que o pedaço de torrada no seu prato era a coisa mais interessante do mundo. "Eu queria que ela realmente pudesse ler a sua mente James, eu espero que você parta o coração dela em breve..." Lily parou, no que ela estava pensando? Ela assustou-se; ela não queria que James partisse o coração de ninguém. "Claro que você quer, Lílian, desde que não seja o seu". Ela olhou para cima. Ela não queria pensar assim. Alex era sua amiga, Tom era o seu namorado, os olhos de James era os que ela queria encontrar no café da manhã, e provavelmente não havia mais ninguém que fosse tão protetor com ela quanto James, talvez Remus, pelo menos ninguém na sua família.

- O que você quer fazer hoje à noite?

Lily olhou para a mesa da Corvinal e viu Alex.

- Dizer que estou doente e me enfiar no dormitório com um livro. Tudo o que a Alex quer é te exibir.

- Ela é bem-vinda para me exibir para você. – Lily sorriu. – Talvez ela faça um trabalho tão bom que você me queira só para você.

- Você é apenas um prêmio, algo que ela ganhou, exatamente como eu seria para você. – ela sussurrou.

- Primeiro prêmio na maior competição do mundo, tudo o que eu poderia desejar.

Ele botou a mão na dela em algum lugar entre os seus pratos. Ela levou um momento para decidir, mas puxou a mão para longe. Subitamente ela percebeu que Alex estava olhando para eles, não só olhando, mas encarando, encarando a ela e a James.

- Não pense em mim, pense em hoje à noite. Eu vou voltar para o dormitório.

- Lily você não vai terminar o café? – Ela balançou a cabeça.

- Eu não estou com fome.

- Lil, você não come há dias, você tem que comer mais do que isso.

- Eu vou ficar bem.- Os olhos disseram para ele que ela estava em algum ponto entre furiosa e com vontade de chorar.

- Acho que você precisa dormir um pouco. – James tirou uma mecha de cabelo do rosto dela. Ela concordou.

- Sim, talvez você tenha razão. – ela olhou para ele "Eu não quero dormir, James, eu só quero sair daqui" Lily pensou.

- Você me fala sobre aquele feitiço depois?

- Sim, nós temos um encontro esta noite.

- Eu espero que eu a veja antes disso. – Lily acenou, levantou-se e saiu do Salão Principal.

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Lily enfiou a cabeça nos travesseiros. Ela não estivera cansada assim há anos, aquele feitiço realmente saíra mais forte quando foi repelido. Havia sugado completamente toda a sua força. E depois de que James a havia deixado na noite anterior, o seu 'encontro' com Snape continuava a assombrá-la. Agora ela estava deitada na cama, vestida, apenas cansada. E toda vez que fechava os olhos ela ouvia a voz de Snape ecoar "Eu não entendo porque você está indo atrás desse sangue de lixo. Essa é boa Evens, o seu namorado não te defende então o seu amante o faz. Eu entendo porque ele não te defende você não passa de lama nos sapatos dele".

- Lil? – ela escutou a porta abrir e a voz de James.

- Eu estou aqui. – Ela não levantou, simplesmente não queria que ele a visse, ela tinha problemas suficientes tentando descobrir se era tão boa quanto os sangues-puros. – Você não é autorizado a vir aqui, sabia?

- Você se importa?

- Não. – ele sentou-se na cama dela.

- Você está com fome? – Eça virou o rosto e olhou para ele.

- Não... – disse, balançando a cabeça.

- Você pode me falar agora sobre o feitiço? – ele segurou e beijou a mão dela.

- Eu acho que sim. Teoricamente suga as suas forças, é para te derrubar durante uma hora, mais ou menos, sem efeitos colaterais.

- Então é por isso que você está tão cansada. Eu não devia tê-la levado lá para fora ontem, se eu não tivesse você talvez estivesse bem agora.

- Não, eu estou contente que você tenha feito isso. Não importa o que o Tom disse, eu estou feliz que você veio. Obrigada.

- Não há de quê.

- Eu só preciso recuperar as minhas foras. – ela fechou os olhos por um momento, com a voz de Snape soando em seus ouvidos.

- E você não vai conseguir isso se não comer alguma coisa.

- Por que toda essa insistência sobre comida?

- Bem, você precisa, você não pode vir e dizer que não está com fome. O seu corpo precisa de nutrientes.

- Quando foi que você virou médico? Ok, se te deixa feliz eu vou comer,

- Ótimo, venha comigo.

Eles saíram e ela o seguiu. Aconteceu tudo muito rápido, Lily não percebeu o que aconteceu antes que se visse parada na cozinha. Ela nunca estivera lá antes; não costumava sair por aí quebrando regras, diferentemente de James que provavelmente havia quebrado uma dúzia de regras desde a noite passada.

- Mestre Potter, – um elfo doméstico veio até eles, parecendo conhecer James muito bem. – e senhorita. – ele curvou-se para Lily. – O que o mestre deseja?

- O que você quer?

- Eu, eu não sei. – ela murmurou.

Mesmo que ela não soubesse o que queria, James certificou-se que ela comeria algo. Lily sabia desde sempre que estivera com fome, mas não queria comer no Salão Principal, com Alex a encarando.

- Lily? – ele perguntou quando ela terminou.

- Sim?

- O que você quer fazer hoje à noite?

- Eu não sei, eu não quero dançar e não quero ver você de amassos com a Alex a noite toda.

- Por que não?

- Ver você de amassos com a Alex? – ele concordou. – Porque é entediante, e eu particularmente não gosto do fato de que você está saindo com ela.

- Você não gosta de dançar? – ele perguntou, a sua mente voltando novamente para a noite anterior.

- Eu amo, mas não hoje. – a resposta certa seria 'não com Tom', mas soaria estranho com James por perto.

- Nós estaríamos quebrando regras se fossemos para Hogsmeade?

- Desde quando você começou a se importar?

- Quando é sobre a sua ficha que nós estamos falando, e os nossos amigos corvinais não virão se quebrarmos algumas regras.

- Então por que nós não vamos?

- Para que nós possamos ficar sozinhos? – Lily baixou os olhos.

- Não, para que o encontro termine cedo.

- Se fosse apenas nós dois, eu saberia exatamente o que fazer.

- E o que seria?

- Não, você vai ter que esperar até o nosso primeiro encontro.

- E o que te faz pensar que nós teremos um primeiro encontro? – ela sorriu.

- Eu apenas sei. Diga-me, Lil, qual é a sua flor preferida? – Lily olhou para ele enquanto pensava.

- Você vai dizer que eu não tenho imaginação.

- Não, eu prometo que não vou.

- Ok, rosas.

- O favorito de todas as garotas, longas rosas vermelhas sem espinhos... – ela sorriu.

- Não, rosa oriental, a pequena, com pétalas abertas, rosa e selvagem. Com espinhos, essa é a minha favorita.

- Doce e natural, assim como você. O que você acha de lírios?

- Alguns deles são bonitos. – disse ela balançando a cabeça.

- Especialmente um - ele disse em voz baixa. –, você.

- Isso foi um amor. De onde você tira as suas falas?

- Elas apenas vêm, elogiar garotas é algo natural para mim.

- Eu notei. – ela olhou para o relógio.

- Você está pensando que devíamos voltar, não está?

- Na verdade eu estava, eles provavelmente estão se perguntando onde nós estamos. – ela levantou-se.

- E os rapazes estão provavelmente criando histórias que eles possam espalhar para a escola.

- Provavelmente.

Ela olhou para os olhos dele, alguma coisa neles era muito convidativa. Sem aviso ele a levantou, um braço em baixo dos seus joelhos, e uma mão nas suas costas. Ele a pegou totalmente desprevenida e por um segundo ela achou q fosse cair. Apenas para certificar-se de que não cairia, Lily botou seus braços em torno do pescoço dele.

- Talvez nós devêssemos criar algumas histórias. – James sussurrou.

Lily inclinou-se para frente, seus lábios quase tocando os de James antes que ela pudesse perceber o que ela estava fazendo. Ela tinha fechado os olhos e ouvia a voz de Snape em seus ouvidos, e então o empurrou gentilmente. Snape estava certo, ela não deixaria James afundar tanto a ponto de namorá-la, sangue de lixo, sangue-ruim. James não podia ler os seus olhos, eles estavam fechados. Mas ele sabia que ela queria beijá-lo, ele sabia.

- Eu não posso James. – ela disse, evitando o olhar dele.

- Por causa de Tom? – James a botou no chão.

Lily começou a sorrir, por causa de Tom, ele pensou que fosse por causa de Tom. Ela não precisava explicar nada.

- Sim, por causa de Tom.

Ela estava feliz e terrivelmente triste ao mesmo tempo. Ela tinha acabado de decidir que ele merecia alguém melhor do que ela, e ainda tinha que superar o fato de que ela estava na verdade começando a gostar dele. Felizmente ela não precisava explicar, apenas dizer que era por Tom.

Os seus olhos não estavam tristes, eles não diziam "entenda-me", eles estavam felizes, aliviados. O que tinha acabado de acontecer? Ela queria beijá-lo, ele sabia que não era apenas por Tom, tinha que haver algo a mais.

- Não, não é. É mais do que o Tom, não é?

Lily finalmente voltou a si, virou-se e correu. Antes que James soubesse o que tinha acontecido ela tinha ido.


N/T: Aqui está! O James é um fofo, nao é mesmo? Nao sei vcs, mas eu queria socar a Lily nesse capítulo! (nao reparem na emoção, acontece q a fic original já está com outro capítulo e eu estou anciosa demais para traduzi-lo!)

Apenas uma breve consideração antes que alguém me pergunte: na fic original, a autora usou "briar roses" para designar o que eu traduzi como "rosas orientais". Não é a tradução ideal, mas falta esssa nomenclatura no português, de modo que eu busquei o nome que mais se assemelhasse com a descrição. ;)

Muito obrigada a todos que têm comentado, o apoio de vocês é muito importante!