"Onde eu estou? O que aconteceu?" – uma série de flashs desconexos invadia sua mente. – "Como eu vim parar aqui?" – ele tentava se lembrar. – "Voldemort!" – ele se levantou bruscamente, sua cabeça doeu e ele teve que fechar os olhos imediatamente. Parecia que eles queriam fugir de suas órbitas. Deitou-se novamente, pois sentia seu corpo muito cansado. Ficou de olhos fechados alguns segundos, mas uma voz distante o chamou atenção.
Harry? – era Gina. Ele jamais confundiria aquela voz. – O que aquele crápula fez com você? A culpa é toda sua, Ronald! – ela aumentou o tom de voz. – Por que você foi contar para ele?
Porque ele é um idiota, Gina! – Hermione respondeu pelo amigo.
"Mione!" – ele pensou contente.
Eu falei mesmo! Ele tinha que saber! E eu não sou um idiota, Granger!
"Rony!" – ele sorriu. – "Estão brigados de novo?" – ele abriu os olhos lentamente. Olhou ao redor e reconheceu a ala hospitalar de Hogwarts. – "Como eu cheguei aqui?"
Oh! Ele está acordando! – Hermione exclamou.
Graças a Deus! Harry, você está bem? – Gina perguntou.
Estou... – ele falou fraco. Levantou a cabeça para encarar os amigos, mas não tinha ninguém ao seu redor. – "Será que eu sonhei?" – ele se sentou com dificuldade. Olhou as camas ao redor e então encontrou os amigos debruçados sobre outra cama. – "O que eles estão fazendo ali?"
O que aconteceu? – uma voz familiar perguntou.
Os amigos se afastaram um pouco e ele pode ver. – Não pode ser! – ele exclamou.
Olhem! O cretino também acordou! – Rony falou e veio raivoso em sua direção. – O que você fez com ele seu...
Sai fora, Weasley! – uma garota gritou. – Você está bem, Draco?
Harry não estava entendendo nada. Ele esfregou os olhos e abriu-os novamente. Olhou para a outra cama ocupada para ter certeza. Não tinha como errar, era ele mesmo. Mas como? Olhou as próprias mãos, estavam mais pálidas que o normal. Tocou o próprio rosto a procura dos óculos, não estavam lá. – "Como é que eu estou enxergando sem os óculos?!"
Oh, sr Malfoy, sr Potter! Finalmente acordaram! – mme Pomfrey chegou de repente e colocou a mão em sua testa. Depois correu até o outro paciente e fez o mesmo. – Sr Weasley, vá chamar a professora McGonnagal! Esses dois rapazes têm muito que explicar. – e ela se encaminhou para o armário de poções.
Que bom que você acordou, meu querido! Eu estava tão preocupada. Aquele Potter é louco! Ficou louco depois que acabou com Você-Sabe-Quem! Só pode! – a moça acariciava-lhe a face enquanto ele a olhava como se ela fosse louca.
Potter? Como assim?
Você não se lembra? Ele nos atacou há dois dias, naquela sala de aula vazia!
Ele olhou novamente para o outro paciente. Era o seu corpo que estava ali e Gina a seu lado, segurando sua mão, preocupada.
Draco? O que foi? – a garota sentou ao seu lado.
Ele a olhou confuso. – "Se eu estou no corpo do Malfoy, então ele está no meu corpo... Mas se ele está no meu corpo..." – ele olhou novamente e sentiu o rosto esquentar. "Harry" estava acariciando o rosto de Gina. – "Malfoy jamais trataria a Gina desse jeito!" – ele procurou ao redor para saber se havia mais alguém desmaiado ali, mas não havia. – "Quem está no meu corpo, então?!" – ele olhou novamente bem a tempo de ver os dois trocarem um beijo discreto. Hermione agora conversava com mme Pomfrey.
Draco? Não me diga que você perdeu a memória! – a moça se desesperou ao seu lado.
Não... – ele respondeu evasivo.
Que bom! Porque temos que nos vingar do Potter! Isso não pode ficar assim, amorzinho! Ele vai ter que pagar pelo que fez!
"O que foi que eu fiz?" – ele olhou para si mesmo e agora ele retribuía o olhar, tão intrigado quanto o dele. Os dois se encararam por um tempo, mas o olhar de seu corpo não era de raiva, de revolta por estar no corpo errado, era de curiosidade, como se estivesse se perguntando quem era aquele outro. – "Será que..." - Hei Par... Pansy?
Sim?
Que dia é hoje?
11 de outubro! Faz dois dias que vocês estão desmaiados.
"11 de outubro? A última coisa de que me lembro foi de estar lutando com Voldemort, mas ainda era julho! Voldemort está no meu corpo? E onde eu estive estes meses todos?"
Muito bem, senhores! Será que alguém poderia me explicar o que foi que houve?! – a professora McGonnagal chegou com o rosto consternado. – O que faz dois alunos se atacarem dessa maneira? A ponto de ficarem dias inconscientes?!
A culpa foi do Potter, professora! – Pansy gritou e fez Harry se assustar. – Eu e o Draco estávamos... Conversando... E ele chegou do nada e me atacou! Depois só me lembro de ter acordado aqui!
Potter?! – ela olhou para a outra cama.
É verdade professora! – Voldemort respondeu.
Aquilo realmente o surpreendeu. – "Não pode ser o Malfoy! Ele jamais a enfrentaria dessa maneira!"
Mas eu os ataquei porque eles... – mas ele foi interrompido por Gina que lhe dera um cutucão discreto.
Atacou por que, sr Potter? – ela insistiu.
Por... – mas Hermione fez sinal dessa vez.
Sr Weasley, senhoritas, por favor, saiam!
Mas... – Gina tentou.
Agora! A senhorita também srta Parkinson! – depois de olhar raivosamente para os três grifinórios, ela finalmente os seguiu. A professora continuou: - E então, sr Potter? Atacou-os por quê?
Voldemort encarou Draco em busca de algum sinal de medo, mas ele não estava lá. Como apenas conhecia o lado debochado dele achou normal. – Ele e a namorada atacaram Gina certa noite. Eu apenas me vinguei!
E o sr fala isso com tanta naturalidade, sr Potter? – ela ficou indignada. – Eu não o estou reconhecendo!
Mas a senhora vai brigar comigo? – ele perguntou. – E ele?! – apontou para Draco.
Eu não sei o que o sr Malfoy fez. De qualquer maneira não devia ter feito. Os dois estão em detenção e vão perder 50 pontos cada um para sua casa! - nenhum deles reclamou. - Francamente! Isso é uma escola ou um campo de duelos?! – e saiu indignada batendo o pé.
Harry e Voldemort permaneceram se encarando, se estudando. Harry tinha certeza de que aquele não era Draco. Sabia que ele era covarde demais para enfrentar um professor, mesmo estando em outro corpo. Voldemort analisava o comportamento de Draco. Tinha suas dúvidas quanto a quem estava mesmo naquele corpo.
Você se lembra do que aconteceu, Malfoy?
Harry pensou antes de responder. Como Malfoy responderia? – Por que a preocupação, Potter? – tentou falar tão arrastado como Draco falaria. – Está com medo da detenção?
Não, Malfoy! Mas você deveria ter medo! Eu não vou desistir de... Me vingar pelo que você fez!
Não vai ser tão fácil, Potter!
Eu sei! – ele sorriu desafiador. – Mas também não será impossível! Você é o vilão da escola, não eu!
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Não demorou para que os dois saíssem da enfermaria. Como sempre a escola toda já estava sabendo do acontecido e as mais mirabolantes versões estavam sendo contadas. Harry, por sua vez, não dava ouvidos a elas. Ele estava mais preocupado em descobrir com certeza quem estava em seu corpo do que com as especulações a cerca de mais uma suposta briga entre ele e Draco Malfoy. Além de tudo ainda havia a necessidade de se adaptar ao novo corpo, as novas companhias e às novas roupas, que agora eram verdes.
Harry nunca havia notado que Draco era mais alto que ele, mas agora isso parecia evidente. Seus pontos de referência estavam completamente diferentes. Quando passava por um quadro que antes ficava na altura de sua cabeça, agora ele batia em seu ombro. Algumas pessoas com as quais ele estava acostumado a cruzar nos corredores, agora estavam menores. Isso de certo modo o divertia porque ele achava muito incômodo ser baixinho, apesar de nunca ter tido realmente tempo de pensar no assunto. Era também estranho o fato de não usar óculos. Para alguém que os usava desde que se lembrava por gente, era estranho imaginar que alguém enxergasse bem sem eles.
Algo com o qual ele não se acostumou de jeito nenhum foi com a brancura de sua nova pele. Parecia que estava constantemente anêmico, embora se sentisse fisicamente bem. O fato de ter uma garota o tempo todo grudado nele também era estranho. Pansy não o largava um só minuto, pior, estava sempre segurando ele pelo braço, pela mão, pela cintura. Agora ele entendia como Rony se sentiu durante seu namoro com Lilá Brown.
Por falar em Rony, ele, Hermione, Gina e o falso Harry já estavam no salão comunal esperando o almoço quando ele chegou com Pansy a tira-colo. Era estranho ver aquela cena: ele sentado junto aos amigos. Pior ainda, ele segurando a mão de Gina, embora ela parecesse um pouco incomodada.
"Pelo visto nós estamos namorando, mas desde quando?"
Draco? – nada. – Draco?!
Hum?
Aonde você vai?
Quê?
Aonde você vai? Nosso lugar já está guardado! – Pansy falou puxando-o pela mão.
Ele havia passado direto pela mesa da Sonserina. Aquilo era realmente inusitado. Ele sentado entre os alunos que olhavam feio para ele desde que entrou na escola, pelo simples fato de ser quem era. Agora todos o olhavam com certo respeito. Alguns ainda vinham cumprimentá-lo por ter deixado o "Santo Potter" inconsciente por dois dias, embora ele mesmo tivesse ficado inconsciente também.
Voldemort também estava vigiando Draco. Estava inconformado com o fato do feitiço ter dado errado. Pior, estava preocupado com a possibilidade de ter libertado Harry, o que seria perigoso demais para ele.
"Se aquele é o Potter, então ele está fingindo muito bem... Mas não... Potter não é dissimulado a esse ponto. Ele não conseguiria." - continuou observando-o para notar qualquer reação adversa de Draco. – "Mas se estiver fingindo..." – ele olhou significativamente para Gina. Aproximou-se dela no banco e passou o braço por seu ombro, depois cochichou qualquer coisa em seu ouvido.
Da mesa da Sonserina Harry notou a aproximação dele, mas notou também que Gina não a aceitou muito bem. – "O que está acontecendo afinal?" – pensou. – "O que ele fez para ela?"
Harry se deixou guiar a tarde inteira pela "namorada". Quem quer que estivesse ocupando seu verdadeiro corpo não estava a fim de sair dali, só lhe restava então fingir que era Draco Malfoy para descobrir como desfazer a troca, e para isso ele tinha que se habituar aos costumes do rapaz.
Ele não se lembrava mais como era aquele salão comunal. Havia entrado ali aos 12 anos junto com Rony, mas fora a única vez que o fizera. O ambiente lhe pareceu escuro e frio demais. Não havia pessoas conversando em frente a lareira, ou grupos de pessoas estudando, ou um grupinho barulhento jogando Snap explosivo. Apenas alguns gatos pingados lendo ou praticando sozinho algum feitiço para os exames. Era deprimente.
Ele estava parado em frente a uma das janelas que não mostrava muita coisa, já que a casa ficava nas masmorras. Dois braços o enlaçaram carinhosamente pela cintura e ele se assustou.
Você está tão quieto, Draco... – Pansy comentou. – Está tudo bem?
Hum... Está... – falou evasivo.
Que bom... – ela o abraçou mais forte. Harry começou a se sentir mal com toda aquela aproximação. – Você não quer ir para outro lugar? – perguntou próximo ao ouvido dele, enquanto acariciava sua barriga.
Ou...Outro lugar?
Umhum... Aqui está lotado demais... – ela desceu discretamente uma das mãos até chegar ao cós da calça.
Harry se assustou e se afastou dela rapidamente. Sentia o rosto quente e uma sensação estranha. Um arrepio perpassou seu corpo quando ela o olhou rindo maliciosamente.
Que foi, Draco?
Nada...
Então? Vamos?
Para onde?
Qualquer lugar onde possamos ficar sozinhos... – ela se aproximou lentamente. Ele deu um passinho curto para trás. – Não vai me dizer que ainda está muito abalado... – ela debochou enlaçando seu pescoço e aproximando perigosamente o rosto.
Para falar a verdade... – ele tentou afastá-la pela cintura, mas seu toque a incentivou a se aproximar mais.
Eu sei como te deixar mais relaxado... – ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo.
Harry tentou se afastar, mas ela foi mais rápida e o beijo foi inevitável. O que mais o surpreendeu foi o fato de ter gostado daquele gesto. Pansy o prensou entre seu corpo e a poltrona mais afastada. Explorava sua boca com a língua fazendo-o retribuir, mesmo involuntariamente. Sem perceber ele já a trouxera para mais perto e o calor de seu corpo o incomodava. Não estava habituado a garotas com tanta iniciativa. Gina nunca fizera o tipo ingênua, mas também não era como Pansy. A comparação o fez voltar a si e ele a afastou.
Que foi? – ela perguntou decepcionada.
Nada é que... Eu estou meio preocupado... – ele deu a volta na poltrona e se sentou tentando acalmar os ânimos.
Preocupado com o quê? – ela se sentou em seu colo e ficou acariciando seus cabelos.
É que... – ele não conseguia se concentrar com o peso dela em seu colo, com as carícias em seus cabelos agora lisos e claros. – É que eu... Eu não consigo me lembrar o que aconteceu no dia em que o Potter me atacou... – falou de uma vez.
Mas você ainda está pensando nisso? – ela parou o carinho.
Será que eu estou perdendo a memória? Por que você não me conta o que houve? – pediu finalmente se concentrando em algo que não fosse o calor do corpo dela.
Hum... – ela resmungou, mas sabia que não conseguiria nada de "Draco" se não lhe respondesse antes. – Nós estávamos namorando naquela sala de aula vazia. Na verdade nem tínhamos começado nada. De repente ficou tudo escuro e eu só me lembro de ter acordado na ala hospitalar com você e o Potter.
E por que ele nos atacou, você sabe?
Você está brincando, não é? – ela sorriu debochada. Ele fez cara de desentendido. – Foi porque nós torturamos a Weasley outro dia, lembra?
Nós o quê?! – ele se mexeu fazendo-a quase cair de seu colo.
O que deu em você Draco? – ela se levantou bruscamente. – Você está estranho. A mme Pomfrey disse que você não ficaria com nenhuma seqüela daquele feitiço.
Não, é que... – ele pensou rápido. – Agora que você falou eu me lembrei...
Sei... – ela o olhou, desconfiada.
Olha... Eu acho que eu vou me deitar! – ele se levantou de repente. – Estou com um pouco de dor de cabeça...
Que desculpa esfarrapada, Draco... – ela falou chateada.
Não é uma desculpa! É sério!
Tá bom... – ela fez bico.
Boa noite... – ele falou logo.
Draco!
Que foi? – ele parou já impaciente.
Me dá boa noite direito! – ela falou com as mãos na cintura. Ele a olhou sem entender o que ela queria. – Quer saber? Boa noite! – e passou por ele impaciente seguindo para o dormitório feminino.
Só então Harry se deu conta de que não sabia onde era o dormitório masculino. Ficou observando-a e a viu subir uma escada que logo se dividia em duas. Como ela fora por um lado ele deduziu que o masculino seria do lado oposto. Não foi difícil encontrá-lo já que nesse ponto a Sonserina era como a Grifinória. Em cada porta havia uma placa que indicava o ano correspondente a cada quarto. Ele só precisaria descobrir qual seria sua cama. Depois de entrar no dormitório percebeu que não seria tão difícil já que uma das camas tinha uma colcha verde escura com um M prateado cuidadosamente bordado.
Metido... – sussurrou, mas se pôs a fuçar nas coisas de Draco para pegar um pijama e se enfiar sob as cobertas.
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Harry tentara fugir de Pansy naquela manhã. Sentia-se incomodado ao lado dela. Toda aquela preocupação, aquela cobrança por atenção, aquele desejo de que voltasse a ser o Draco de antes, apesar dele não saber exatamente como o Draco de antes se comportava.
Ele espreitara os amigos o dia todo. Durante as aulas prestava atenção a cada movimento do falso Harry. Notou algo estranho na relação dele com os amigos. Ele estava sentado ao lado de Rony, como sempre, mas os dois não se falaram durante toda aula. Nenhum dos dois falou com Hermione, tampouco.
A tarde, durante um tempo vago, resolveu ir até a biblioteca. Sabia que era lá que Hermione se refugiava quando estava brigada com os amigos. Para sua surpresa Gina também estava lá. As duas conversavam baixinho. Ele passou por elas lentamente, tentando ouvi-las a qualquer custo. Não resistiu e olhou para Gina. Seus olhos se encontraram e seu coração saltou com a surpresa. Gina o olhava com um ódio mortal, Hermione também. Lembrando-se que agora era Draco Malfoy e que aquele olhar era exatamente como deveria ser ele continuou seu caminho, sentando-se numa mesa próxima, mas ainda observando-as.
Tá olhando o que, Malfoy?! – Gina falou de repente. Ele se assustou e deixou um livro cair. – Vamos sair daqui, Mione! O ar dessa biblioteca ficou irrespirável de repente! – ela se levantou bruscamente sendo seguida por Hermione. As duas lhe lançaram olhares de repulsa.
Meio decepcionado ele achou melhor não segui-las. Não queria correr o risco de dar de cara com Rony e "Harry" e começar uma nova briga. Mesmo por que se fosse mesmo Voldemort isso seria perigoso, tanto para ele quanto para os amigos que não perceberam a troca. Enquanto pensava no próximo passo a seguir duas meninas, uma delas muito brava, ocuparam duas cadeiras não muito afastadas dele, fora impossível não ouvir a conversa.
Calma Susan! – uma delas falava.
Calma nada! Quem ele está pensando que é? – Susan respondia com as bochechas rubras de raiva. – É a segunda vez que ele faz isso! Marca comigo e depois não vai!
Para falar a verdade eu sempre achei estranho ele te dar trela... Ele ainda namora a Weasley, não namora? – as antenas de Harry se ligaram. – Eu nunca imaginei que o Potter fosse desse tipo.
Vai ver ele não era assim porque tinha mais com o que se preocupar, mas agora que Você-Sabe-Quem já era...
Bom... E o que você vai fazer? Contar para Weasley?
Não sei, Mariah! Mas eu vou fazer alguma coisa para me vingar! Isso não vai ficar assim! Ele não pode me tratar como uma qualquer e achar que vai ficar por isso mesmo!
Hum, hum... – Harry parou ao lado delas.
O que você quer aqui? – a outra perguntou.
Eu ouvi vocês falando sobre o H... Potter?
Ouviu porque é enxerido! – Susan retrucou.
Ouvi assim como toda biblioteca ouviu! – ele debochou.
Envergonhada ela percebeu que era verdade. Muitos olhavam para ela com cara de reprovação. – O que você quer afinal?
Bem... – ele afastou uma cadeira e se sentou. – Você sabe que eu e o Potter não nos damos muito bem...
Bondade a sua! – Mariah falou.
O fato é que eu estou querendo dar uma lição no Potter também, e acho que você poderia me ajudar nisso!
Ela pareceu se interessar: - E o que eu teria que fazer?
Me dar a senha para entrar na Grifinória! – ele despejou.
Hahaha! Você só pode estar brincando! – Susan falou.
Você não quer se vingar dele?
Mas não a ponto de deixar um sonserino entrar na Grifinória! O que você quer lá? Vai sufocar o Potter com um travesseiro durante a noite?
Claro que não! – ele exclamou. – Eu preciso de uma coisa que ele tem! Sei que ele vai ficar perdido sem aquilo.
E o que é? Eu mesma poderia pegar!
Harry pensou no assunto. Aquilo seria perigoso. Envolveria uma pessoa que não tem nada a ver com a história, mas ele precisava do Mapa do Maroto. – É um pedaço de pergaminho que ele certamente guarda no malão embaixo da cama!
Um pedaço de pergaminho? – Mariah duvidou.
Um pergaminho mágico!
E o que o pergaminho faz?
Não é da sua conta! – respondeu de repente, sentindo-se mal por isso depois.
Então acho que você não precisa da nossa ajuda, Malfoy! – Mariah se levantou ofendida puxando Susan pelo braço.
Não! Esperem aí! – ele se levantou rápido. - Desculpem-me! Eu não posso dizer para que serve o pergaminho, mas se você quer se vingar dele essa é a melhor forma!
Ela pareceu pensar no assunto. Mariah não estava gostando da idéia, mas a raiva de Susan era maior que a razão. - Ok, Malfoy! Eu vou pegar o tal pergaminho. Tem alguma coisa escrita nele?
Não... É um pedaço de papel em branco, precisa de um feitiço para ativar, mas eu não vou dizer qual! – acrescentou logo. – Hoje tem treino da Grifinória não é? Com certeza ele não vai estar lá.
Não sei não... Desde que ele saiu do time tem ficado muito tempo enfiado no quarto.
Como assim saiu do time?
Malfoy! Você jogou contra a Grifinória! Pegou o pomo antes da Weasley, de maneira nem um pouco honesta, mas pegou! Sinceramente, acho que você tem que parar de se meter em confusão com o Potter! - Mariah falou.
Harry terminou aquela conversa completamente atordoado. Além de tudo "ele" não estava jogando quadribol. Aquilo foi demais para ele. – "Eu tenho que fazer alguma coisa! Eu tenho que voltar para o meu corpo o quanto antes!" De qualquer jeito!
Falando sozinho, Malfoy?
Ele se assustou. Virou-se imediatamente para dar de cara com seus antigos olhos verdes. Teve que usar seu auto controle para continuar agindo como sabia que Draco agiria se o encontrasse no corredor.
Não posso, Potter? Além de herói você virou dono de Hogwarts? – desafiou.
Harry? – Gina chamou, os dois olharam, era inevitável. – Harry, você não vai arrumar outra confusão, vai? – ela falou irritada.
Claro que não Gi! – Voldemort respondeu com um sorriso enviesado. Fez questão de passar o braço pelos ombros de Gina e trazê-la para bem perto de seu corpo tudo isso olhando de esguelha para Malfoy.
"Ele está desconfiado! Então está ciente de que houve uma troca..." – ele se controlou para fazer a cara habitual de nojo que Draco faria.
Então vamos embora! Você já tem uma detenção, não vai querer ser expulso, vai?
E ficar longe de você? Nem pensar! – ele a beijou de modo que ela não pôde nem desviar.
Harry se controlou para não voar em cima dele. Respirou fundo e falou: - Que nojo, vocês dois! Ainda vão empestear o mundo com mestiços! – e saiu andando antes que não se contivesse.
Seu sangue fervia de raiva. Seria mesmo capaz de esmurrar alguém, qualquer um. Nunca havia sentido tamanha raiva antes, pelo menos não aquele tipo de raiva. Um ciúme incontrolável e frustração por saber que estavam usando o corpo dele para se aproveitar de Gina.
Hei, Malfoy! – alguém chamou tirando-o de seu torpor. – É isso?! – Susan correu em sua direção agitando um pedaço qualquer de pergaminho.
Deixe-me ver! – ele puxou o papel das mãos dela bruscamente. Aparentemente um papel normal, que ele só descobriria se era ou não o Mapa do Maroto se usasse o feitiço, o que ele não faria na frente dela. – É esse mesmo! – ele falou. – Obrigado!
Obrigado nada! – ela o interrompeu. – Quero saber o que você vai fazer com ele?
Hum... Quando a segunda parte do plano estiver pronta eu te aviso! – desconversou e correu antes que ela começasse a protestar de novo.
Enfiou-se na primeira sala vazia que encontrou e abriu o pergaminho, bateu nele com a varinha de Draco pronunciando as palavras chave e viu o castelo se materializar sobre o papel. Analisou os vários pontinhos que andavam para lá e para cá. Viu Hermione sozinha na biblioteca, Rony dando círculos sobre o campo de quadribol, Gina atravessando o salão principal até o campo. Vasculhou um outro cantinho e encontrou um balãozinho com o seu nome, parado dentro de uma sala de aula vazia. Resolveu procurar por Draco, encontrou-o também numa sala vazia, imóvel. Então seguiu até lá, saiu da sala e olhou o mapa novamente para ver se o caminho estava realmente livre, e então suas suspeitas se confirmaram: Voldemort estava entrando na Grifinória.
Então é ele mesmo! – falou sozinho. Olhou a sala onde aparecia o nome de Draco e ele continuava parado no mesmo lugar. – Mas então... O que o Malfoy está fazendo no castelo? – seguiu para a tal sala, ansioso.
Abriu a porta devagar para não assustar quem quer que estivesse lá. Espiou lá dentro, já esperando ser recebido por algum feitiço ou azaração, mas não veio nada. Não havia ninguém dentro daquela sala. Decepcionado ele entrou de uma vez e fechou a porta atrás de si. Olhou o mapa novamente e o nome de Draco continuava lá, no mesmo local em que o seu aparecia agora.
Mas então? – ele olhou ao redor. Usando o mapa para se orientar ele foi até o cantinho onde o nome de Draco aparecia. Olhou sobre as carteiras, procurou portas escondidas, mas nada. Agachou-se no chão procurando por um alçapão, nada também. Então ele percebeu um brilho dourado perto da mesa encostada na parede. Engatinhou até lá e conseguiu pegá-la. – A horcruxe! – examinou-a. Estava intacta. Observou mais de perto e notou a cor de seus olhos, cinzentos: - Eu tinha certeza de que eram pretos... – olhou mais um pouco, colocando-a contra a luz. Como num estalo resolveu olhar o mapa novamente. O nome de Draco e o dele apareciam embaralhados, como se estivessem próximos demais. – Malfoy?! – ele exclamou olhando a jóia em sua mão.
