Por mais que tentasse, Sirius achou impossível parar de pensar em Marlene. A visita dela a sua casa tinha despertado lembranças adormecidas há muito tempo, de tempos felizes que partilharam, quando eram crianças. As idéias que a moça adquiriu, antes de ir para a universidade, é que o separaram dela. Era uma pena que, ao ficarem adultas, algumas pessoas assumissem outro código de comportamento, que nem mesmo era delas. Geralmente eram obrigadas a aceitar esse outro código... como era o caso de Marlene. Não havia dúvida de que o pai dela, um velho mandão e avarento, exercia muita influência em sua vida.

James continuou seu amigo por muito mais tempo e só as carreiras tão diferentes que escolheram é que acabaram afastando os dois. Com Marlene não foi assim. Sirius tinha a impressão que, quase da noite para o dia, ela havia deixado de ser a garotinha que implorava para brincar com ele e com James, para se transformar na adolescente tímida e reservada. O que mais doía é que ela não fez nada para encontrá-lo, quando saiu de sua escola na Suíça. No entanto, Marlene continuou a ver James. Isso o magoava muito, mesmo.

Sem perceber, parou de andar e só quando o sol começou a queimar seu rosto, é que viu que tinha parado em frente a um atalho, que levava à propriedade de Lord McKinnon. Balançando a cabeça, continuou a caminhar. Não era seu costume andar pelos bosques àquela hora do dia, mas de repente tinha sentido necessidade de ficar sozinho, de escapar do telefone que não parava de tocar.

Ao longe, viu a figura de uma mulher que se aproximava e, como não queria companhia, entrou numa parte mais fechada do bosque. Infelizmente, ela teve a mesma ideia e, como já não dava mais para fugir, Sirius a cumprimentou, quando a moça passou por ele.

- Oi, Marlene. Não vai falar comigo?

- Já falamos o suficiente, na última vez em que nos vimos.

- É sobre isso que queria falar com você. Eu lhe devo um pedido de desculpas.

- Obrigada. - Tentou continuar, mas ele se colocou na sua frente.

- Por que tanta pressa? - Apontou para um tronco caído, a poucos passos dali. - Sente-se um pouco, para descansar.

Em silêncio, Marlene o seguiu até o tronco.

- Não sei por que me descontrolei daquele modo com você - ele continuou abruptamente. - Minha única desculpa é que sua visita me pegou de surpresa.

- Você demonstrou isso muito bem. É claro que nunca lhe passou pela cabeça que não era fácil, para mim, continuar a vê-lo, depois que cresci.

- Sei que seu pai não teria aprovado, mas...

- Meu pai não tem nada a ver com isso. - ela o interrompeu. - Era você.

- Eu? Mas como?

- Você é cinco anos mais velho do que eu. Isso não tinha importância, quando éramos crianças, mas depois que você foi para a universidade, tudo mudou.

- Mas não fez nenhuma diferença na sua amizade com James. Você continuou a vê-lo.

- Porque nossas famílias são amigas. - Olhou-o de lado, mas desviou rapidamente o rosto. - Você sempre esteve tão ocupado com seu trabalho e a política, que me fez perceber o quanto eu era infantil.

Sirius estava surpreso porque nunca tinha pensado nisso.

- Não me importo se você acredita ou não - Marlene continuou, interpretando mal o silêncio dele. - Você sempre gostou de pensar o pior de mim.

- Não vamos discutir de novo. Andromeda já puxou minhas orelhas, por eu ter tratado você daquele modo.

- Ela sempre detestou maus modos. - Marlene sorriu de leve.

- E ainda detesta. Lembra-se daquela vez em que eu fiz você subir na macieira do velho Jenkins, para apanhar maçãs?

- Nunca vou me esquecer da bronca que ela lhe deu, quando descobriu.

- Ela foi mais mãe pra mim do que minha própria mãe. Mas você subia em árvores melhor do que eu. - Sirius sorriu. – Tinha pernas mais longas. - Olhou para as pernas de Marlene, que corou e puxou mais a saia. - Não precisa escondê-las. Ainda são lindas. São a única parte de você que não mudou.

- Eu também não mudei, Sirius. Você foi o único que mudou.

- O garoto nobre se tornou um rebelde sem causa - ele comentou com amargura. - É isso que quer dizer, não é? Só porque decidi ser alguém por mim mesmo, sem precisar usar o sobrenome nobre e sujo da minha família? Não tenha pena de mim porque fui deserdado, minha vida é muito melhor agora.

- Não é bem assim. Nunca senti pena de você, como você mesmo sentia. - Marlene ouviu-o prender a respiração e olhou-o com frieza. - Você sabe que tenho razão. É por isso que está sempre na defensiva comigo. Mas a única diferença que existe entre nós é que você se fez sozinho. Você é que ergueu as barreiras que nos separaram, Sirius.

- Terminou?

- Não. - Depois que começou, Marlene parecia ter perdido todas as inibições. - Posso imaginá-lo, daqui a dez anos, carregando uma pasta de ministro e usando terno e gravata, como prova de que não esqueceu suas origens. Detesto as pessoas que querem apagar o passado... você é um Black e sempre será. Viver numa casa modesta não apaga o que você é, o sangue que corre em suas veias.

Sirius abriu a boca para dizer alguma coisa, pensou melhor e fechou-a de novo, com os lábios bem apertados. O silêncio entre eles se prolongou e Sirius chutou, de mau-humor, umas plantinhas ali perto.

- Por que estamos discutindo, Marlene? Quando você era criança, costumávamos ser amigos.

- Mas não sou sua inimiga, agora.

- Estamos em lados diferentes.

- Isso não me torna sua inimiga.

- Pensa mesmo que estou saindo com Lily, para ficar sabendo dos planos de James? - perguntou de repente.

Desta vez foi Marlene que ficou em silêncio por um longo tempo, antes de responder.

- Parecia possível, há alguns dias. Mas agora não creio mais nisso - confessou. - Posso entender por que gosta de sair com ela. Lily é uma linda mulher.

- E é muito compreensiva, também.

- Está querendo dizer que eu não sou?

- Não estou querendo dizer nada. - Virou-se para ela. - Por que sempre acha que estou atacando você?

- Porque sinto que está.

- Talvez eu esteja me defendendo - Sirius disse de repente, olhando-a fixamente. - Você é uma mulher muito provocante.

Marlene ficou em pé de um pulo, mas ele se levantou ao mesmo tempo, ficando muito próximo dela.

- Está agindo como se estivesse com medo de mim - Sirius disse com suavidade.

- Por que eu teria medo de você?

- Vou lhe mostrar - ele disse com voz rouca, puxando-a para seus braços.

Seu beijo foi tremendamente apaixonado, como se o desejo que estava armazenado dentro dele tivesse sido liberado pelos lábios da moça. Um toque que ele saboreou como um conhecedor, num restaurante de cinco estrelas. Vagarosamente, acariciou os ombros e as costas de Marlene, pressionando seu corpo esbelto contra o dele e deslizando os lábios sobre os olhos, as faces e as têmporas da garota, inalando com prazer seu perfume.

- Lene - murmurou com voz trêmula. - Lene.

Dócil, ela continuou em seus braços, sabendo que era inútil lutar com ele e sem forças para tentar. Tentou ficar apática, mas seu corpo estava tremendamente consciente do dele, do peito rijo apertado contra seus seios, do rosto de pele áspera e quente encostado ao seu, do calor da respiração dele, misturando-se com a sua. Vagarosa e insidiosamente, o desejo por ele despertou em Marlene, e a apatia que tomava conta de sua mente desapareceu, dando lugar a um sentimento intenso e estranho, que nunca tinha experimentado antes. Seus lábios moveram-se sob os de Sirius, separando-se quando ele os mordeu de leve, cedendo depois inteiramente à pressão urgente da língua dele. Então, ela o empurrou com um grito. Sirius resistiu ao movimento, mas Marlene começou a bater no peito dele com os punhos e ele acabou por soltá-la, dando um passo para trás. No entanto, seus olhos continuaram presos: os dele, embaciados, como se ainda estivessem vendo a rendição da garota; os dela, cheios de desespero.

- Você não tinha o direito de fazer isso! - Marlene murmurou.

- E por que não? Um rato também pode olhar para uma rainha.

- Não! - Marlene gritou. - Por favor, Sirius, não!

Sirius permaneceu onde estava, muito tempo depois que Marlene fugiu dali, tentando, sem sucesso, avaliar seus sentimentos. O que Marlene tinha, que fazia com que se comportasse com tanta grosseria? Seria seu ar de "não-me-toque-não-me-rele", ou ela despertava nele algo mais profundo e primitivo? Ele não era assim, com as outras mulheres. Ao contrário, várias vezes fora acusado de ter muito auto-controle. Disso, Marlene não poderia nunca acusá-lo. Desanimado, balançou a cabeça. Já estava devendo outro pedido de desculpas a ela. Mas quando pedisse desculpas de novo, não ia mais lhe dar motivos de queixa.


Naquela mesma noite, Lily foi com Sirius a um comício. Como sempre, ela sentou-se entre a audiência e depois lhe disse a impressão que seu discurso tinha lhe causado.

- Acho que falou melhor do que nunca - comentou, quando já estavam no carro. - Explicou muito melhor seu programa eleitoral e foi menos... menos...

- Agressivo, como diz minha família. Eles sempre me acusaram disso. Mas não posso evitar. Sempre que as coisas me atingem profundamente, eu reajo de modo intenso.

- É melhor sentir as coisas profundamente, do que não sentir de jeito nenhum.

Sirius olhou-a de esguelha.

- Está falando por experiência própria?

- É melhor do que falar por ignorância.

Ele riu.

- Gostaria que todo mundo se lembrasse disso, inclusive eu. - Diminuiu a velocidade do carro. - Que tal tomar alguma coisa? Estou começando a me sentir culpado. Cada vez que a convido para sair, eu a levo a um comício.

- Eu gosto de ouvi-lo falar, Sirius.

- O que acha de mim, comparado com James? - Com o canto dos olhos, percebeu a reação de susto dela e disse, rapidamente: - Esqueça esta pergunta. Eu não tinha nada que fazê-la.

- Eu poderia responder a ela... só que nunca ouvi James fazer um discurso.

- Mas que coisa! Acho que ele tem certeza que você vai votar nele, ouvindo ou não seus discursos.

- Eu não voto. Não faz tanto tempo assim que estou aqui.

Eles estavam rindo, quando entraram no bar Cap and Bells. Era a primeira vez que Lily entrava num lugar tão elegante, desde que chegara à Inglaterra, e ela olhou com curiosidade para as luzes baixas e a mobília de carvalho polida.

- É bonito aqui. Sempre pensei que os bares não tivessem tapetes no chão e fossem muito cheios de gente.

- Geralmente eles são assim. Mas existem bares como esse, mais quietos e bem mobiliados. Pode-se até encontrar uma princesa, aqui.

- Uma princesa?

- Marlene - Sirius explicou, embaraçado.

- Por que não gosta dela?

- Eu gosto, mas ela é diferente de nós.

- Ela respira, come e dorme como nós.

- Entendo o que quer dizer. Mas Marlene é tão diferente de nós quanto James é.

- Você não falaria assim, se vivesse no meu país. Qualquer pessoa que não aprova o governo automaticamente é considerada um inimigo e levada para a prisão. Mas aqui, não importa de que lado vocês estejam, são todos livres.

- Daqui a pouco vai me dizer que não tem importância para quem a gente vote.

- Não sei se tem importância ou não. Você e James são ambos boas pessoas.

- Não gosto de ser comparado com James.

- Por que não? - Lily perguntou zangada.

- Porque ele é prepotente e frio.

- James não é nada disso. Ele só esconde o que sente.

- Ele não tem sentimentos.

- Claro que tem. Acha que eu teria me casado com um homem que...

Horrorizada, Lily percebeu o que tinha dito. Era impossível apagar suas palavras, ao mesmo tempo que era impossível negá-las. A verdade estava expressa em seu rosto. Desesperada, olhou para Sirius, sabendo que tinha que obter sua promessa de silêncio.

- Por favor, Sirius, esqueça o que eu disse - pediu. - Não posso revelar um segredo que não é só meu.

- Um segredo que não é só seu... - Sacudiu a cabeça, confuso. - Está dizendo que é a esposa de James?

- Por favor. - Estava trêmula de medo. - Fale mais baixo. Ninguém pode saber disso.

Vendo a expressão angustiada dela, a dele se suavizou.

- Não acha que deve me contar a história toda, Lily? É o mínimo que pode fazer.

Lily concordou e começou a pensar por onde devia começar.

- Eu o conheci em Rovnia... - falou vagarosamente. - Era o dia do Carnaval das Rosas...

Sirius ouviu com atenção, mas sem qualquer sinal externo de emoção. Só quando ela contou sua chegada a Park Gates, foi que sua zanga explodiu.

- Mas que modo sujo de tratá-la!

- As pessoas fazem coisas estranhas, quando estão presas em uma armadilha.

- Isso não justifica o comportamento de James! Você não deveria ter feito nunca o que ele pediu!

- Concordei porque... - Lily parou e olhou por sobre o ombro. - O que foi isso?

- O quê?

- Tive a impressão de ouvir a porta se abrindo aqui do lado.

Sirius olhou por cima da cabeça de Lily.

- Não tem ninguém lá. - Virou-se para ela. - Ainda acho que foi uma loucura aceitar a proposta de James.

- Mas eu entendo o problema dele. Não deve condená-lo porque se casou comigo e depois se arrependeu.

- Não é o fato dele ter se arrependido que me deixa tão zangado. É o modo como ele tentou se livrar de você... fingindo que é a babá da irmã dele! Droga, Lily, James merece tudo que lhe acontecer de ruim. Se você deixar que eu use essa informação, vou fazer com que ele perca a eleição.

- Não pode fazer isso. - Olhou-o horrorizada. - Eu dei minha palavra a James de que guardaria segredo. Se ele descobrir que o traí... Oh, Sirius, prometa que não vai dizer nada.

O rapaz estreitou os olhos azuis.

- Se é o que quer, não posso dizer mais nada. Acho que está errada, mas respeito a sua vontade.

- Não quero que respeite a minha vontade. Quero que tente entender a situação. Sabe muito bem que as pessoas mudam e não pode culpar James por ele ter deixado de me amar. Afinal, ele pensou que eu tivesse me divorciado e...

- Não precisa arrumar desculpas para ele - Sirius disse, abruptamente. - Já lhe dei minha palavra e não vou quebrá-la. - Esfregou a mão no queixo, com os olhos quase fechados. - Marlene sabe quem é você?

- Sabe.

- Então é por isso que ela me pediu para não sair mais com você. Ela também está numa situação difícil.

- Mas só até nosso divórcio ser arrumado de acordo com a lei. Depois eles estarão livres para se casar.

- Não entendo como você e Marlene ainda podem defendê-lo.

- O que você faria, se estivesse na situação de James? Ele quer vencer a eleição tanto quanto você e tem medo que use esta informação contra ele.

- Não creio que agisse como ele - Sirius disse, vagarosamente. - E nem teria ficado noivo de outra mulher, sem antes verificar se estava legalmente divorciado.

- Isso é só uma questão técnica - Lily explicou. - Logo que a eleição terminar, James vai cuidar disso.

- E o príncipe e a princesa viverão felizes para sempre.

- É. - A voz de Lily saiu forçada. - Marlene é muito reservada, mas acho que ama James.

- Acha mesmo? - O tom de Sirius era tão estranho, que Lily olhou para ele.

- Por quê? Você não acha? - perguntou.

- Não sei o que Marlene sente, mas ela não é tão reservada quanto finge ser. - Ele se levantou. - Quer uma cerveja? Não sei como você está se sentindo, mas outro copo vai me fazer bem.

Lily recusou e ficou observando o rapaz se afastar. Sirius estava sempre na defensiva, quando falava de Marlene, como se esperasse ser criticado. Será que achava que a garota era sua inimiga, só porque estavam em partidos políticos diferentes? E por que se importava tanto com isso? Lily continuou a observá-lo, enquanto ele esperava pela bebida. Não era só a atitude de Sirius em relação a Marlene que era estranha, mas também a dela em relação a ele. Ainda se lembrava muito bem de como ela exigira que parasse de ver Sirius. Na época, não tinha entendido a zanga da garota, mas agora começava a desconfiar. Será que Marlene... e Sirius... estavam brigando por uma coisa muito mais básica e emocional que a eleição? Será que estavam brigando por amor?

Era fácil acreditar nesta teoria tão fantástica. Tudo mostrava que era verdadeira. A agressividade de Marlene com Sirius; a amargura que o rapaz sentia por James... Um sentimento que Lily sempre achou que devia ter raízes mais profundas que suas diferentes opiniões políticas.

Sirius voltou para a mesa com um copo de cerveja. Tomou um gole e sorriu para Lily, mas o sorriso não atingiu seus olhos. Ela olhou para ele, como se o estivesse vendo pela primeira vez. E, de certo modo, era isso mesmo. Sirius estava magro demais para sua altura e apesar de ser normalmente pálido, estava com uma cor acinzentada, como se tivesse passado muitas noites sem dormir.

- Por que está me olhando assim? Se está com medo que eu divulgue o segredo de James, esqueça. Já prometi que não vou fazer isso.

- Não estava pensando em James, mas em você e Marlene.

Ele parou com o copo a meio caminho da boca e o recolocou devagar sobre a mesa, como se estivesse com medo de derramar o líquido, com a mão trêmula de nervosismo.

- E o que estava pensando sobre mim e Marlene?

Com a franqueza de sua raça, Lily respondeu:

- Acho que vocês se amam.

- Pelo amor de Deus! Isso é uma loucura tão grande, que nem vou me preocupar em negar.

- Acho bom - Lily disse, referindo-se à última parte de sua frase -, porque tenho certeza de que estou certa.

- As mulheres sempre acham isso - Sirius disse, tentando fazer humor.

- Quando um homem ama uma mulher, existe alguma coisa em sua voz que o denuncia, quando ele diz o nome dela. Você pode admitir ou não, mas ama Marlene. Eu... - Interrompeu-se de repente, quando a porta do bar se abriu e um homem grisalho, de meia-idade, entrou.

- Oi, Edward - Sirius cumprimentou. - Acho que ainda não conhece a Srta. Evans. Lily, este é Edward Burke, meu cabo eleitoral.

O homem a cumprimentou com um forte aperto de mão e sentou-se com eles à mesa. Durante meia hora ele e Sirius conversaram sobre política e quando o relógio badalou, Lily se levantou, dizendo que precisava ir para casa. Achava que estava sendo desleal com James, ficando sentada ali e ouvindo seus rivais falarem com tanta segurança, em vencer a eleição.

- Não precisa me levar para casa. Deve ter muitas coisas para conversar com o Sr. Burke e...

- Nossa conversa pode esperar. - Deu uma olhada para o cabo eleitoral. - Eu o vejo amanhã, no salão do comitê.

- Certo.

- Não gosto muito do seu cabo eleitoral - Lily comentou, quando já estavam no carro. - Não me parece um homem honesto.

- Não é mais desonesto que os outros. É que você não está acostumada com esse tipo de gente.

- Pode ser. Só conheci professores e intelectuais... como meu pai.

- Sente saudades da sua vida em Rovnia? - Sirius perguntou, referindo-se pela primeira vez à história que ela havia lhe contado, naquela noite.

- Sinto saudades da vida que tinha quando era criança e no início de minha adolescência... mas não da Rovnia de hoje.

Sirius resmungou alguma coisa, como se não soubesse ao certo o que dizer, e Lily se sentiu aliviada, quando desceu do carro. Não tinha medo de que ele quebrasse sua promessa, mas lamentava ter cometido o deslize que a obrigou a lhe contar toda a verdade.

Sirius estava achando impossível esquecer o que Lily lhe contara sobre James. Apesar de seus pontos de vista diferentes, ele sempre respeitou o outro. Mas agora sentia um certo desprezo pelo homem que se comportava daquele modo com a mulher que, um dia, confessou amar e que ainda era sua esposa. No entanto, Lily não podia ouvir uma palavra contra ele. Era evidente que ainda o amava e ele não conseguia entender como uma mulher podia se sentir assim, em relação ao marido. Mas as mulheres podem amar os homens que menos merecem isso. Como Marlene, por exemplo. Se Lily estivesse certa e Marlene o amasse... Mas era impossível. A alegria momentânea que sentiu foi substituída pela raiva e Sirius pisou no acelerador. Só quando chegou à vila e foi obrigado a diminuir a velocidade é que se lembrou de novo do que Lily tinha dito sobre Marlene. Mas isso era tolice! Ela não o amava mais do que ele a ela.

Com um ranger de freios, brecou o carro em frente de sua casa. Ele não amava nenhuma grã-fina de nariz para o ar, como Marlene McKinnon! Que ideia mais sem fundamento! Bateu a porta da frente com força, com todo o seu ser tentando negar o que Lily tinha dito.


Huuuuum, tem gente apaixona, querendo negar o sentimento. Como prometido eu postaria depois que acabassem as aulas e aqui estou com um capítulo quentinho para vocês, espero que gostem e muito obrigada Nanda Soares, Joana Patricia, Andromeda Moony e F. TomokoLeMarie pela reviews, eu amei de coração, obrigada mesmo. beijos e até mais.