N.A.: Pessoas lindas do meu coração que estão tendo pequenos ataques com essa fic, acreditem, ainda nem se começou a maldade de Sirius Black. Preparem-se.

Agradeço todo mundo que comentou, todo mundo que colocou a fic no alerta. Espero que gostem cada vez mais e que comentem cada vez mais. Valeu mesmo!

Trice, eu te amo, demais da conta.

Boa Leitura!



Capítulo 6

Naquela mesma tarde Hermione e Sirius foram para A Toca, e quando chegaram viram a casa cheia. Todos os Aurores estavam dentro da casa, amigos e parentes enchiam a casa já tão normalmente cheia. Hermione logo foi para perto de Ron, mas Sirius ainda ficou algum tempo na porta. Estava sentindo-se péssimo. Não contara a ninguém que sonhara com a ruiva, não teria como explicar aquilo, nem mesmo que ele é quem a matara no sonho. E aquilo lhe deixava preocupado, se ele a matara no sonho, teria matado-a na vida real?

Balançou a cabeça, não havia como ter feito isso, estava dentro da casa, dormindo, em seu quarto. Não teria como ter matado a Weasley na noite anterior, era impossível. Sem saber bem o que fazer, apenas abraçou Arthur e Molly, deixando que a mulher chorasse alguns minutos em seu ombro. Não conseguia nem imaginar a dor que ela deveria estar sentindo.

Após Molly começar a chorar no ombro do marido novamente, Sirius encostou-se na pia, perto da janela, apenas vendo as pessoas separadas em pequenos grupos, conversando baixo, olhando para os lados, como se estivessem com medo de que alguém estivesse escutando o que falavam. Vez ou outra escutava um soluço de alguém, mas nunca conseguia achar mais alguém, além da matriarca Weasley que estava chorando daquele modo.

Ficou ali alguns minutos, observando as pessoas, vendo quem ele reconhecia. Porém, foi a voz baixa do lado de fora da casa, perto da janela que chamou sua atenção. Ouviu Harry conversando baixo com alguém, e o que escutou fez se sangue gelar.

-Não se tem pistas, Harry.

-Não é possível. Você viu o corpo... Tinha pouco sangue lá. – o moreno pareceu respirar fundo. – Ela foi morta em outro lugar. Alguém tem que ter visto alguém carregando o corpo dela.

-Eu sei, Harry. Mas ninguém viu. Já conversamos com os moradores das casas ali perto. – Harry pareceu bater na lateral da casa ou com a mão ou com o pé. – Nem mesmo o abuso levou a algum lugar.

-Não... – ele pareceu respirar fundo e engolir em seco para conseguir falar isso. – Não havia nada dentro dela?

-Não.

Passou-se algum tempo, Harry e o outro homem, provavelmente um Auror, em pleno silêncio. Sirius começando a ficar impaciente, moveu-se para mais perto da janela, eles poderiam estar falando mais baixo.

-Não podemos deixar isso passar em branco. – a raiva fervia na voz de Harry. – Você viu o que fizeram no corpo dela. Estava todo... Cortado.

-Harry, eu vi o corpo, ela foi torturada por horas. – a respiração de ambos pareceu cessar e Sirius focou sua audição somente aquela conversa, ignorando o resto dos barulhos de dentro da casa. – Temos que começar a pensar em que podem ser Death Eaters.

-Por que eles voltariam agora e pegariam justo Ginny?

-Um ataque pessoal a você. – a voz do outro homem fez Harry dar outro soco ou chute na lateral da casa.

-Mas precisavam abusar dela? Cortar o corpo inteiro dela?

Sirius fechou os olhos, as imagens de seu sonho voltando a sua mente. Via perfeitamente o corpo da pequena Weasley sendo cortado pela navalha que ele segurava. Via-se perfeitamente entre as pernas dela antes de machucá-la com a lâmina. Ouvia seus próprios gemidos, sua própria satisfação quando chegou ao limite. Via o sangue escorrendo do corpo dela.

-Sirius?

Abriu os olhos vendo Hermione parada a sua frente, os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. A observou com atenção, forçando as imagens de seu sonho a sumirem de sua mente. A morena ainda deixava algumas lágrimas escorrerem dos olhos, como se não conseguisse impedi-las de cair.

-Eu não vou conseguir ir ao funeral, você vai?

-Vou com você pra casa. – disse, não querendo chegar perto do caixão onde estaria o corpo da ruiva. Aquilo estava extremamente estranho e ele não conseguia dizer nada sobre isso. Estava com certo receio de agora que conseguira sua liberdade merecida, lhe colocassem em Azkaban por outro crime que ele não cometera.

Tinha certeza de que pegariam quem fizera aquilo com a ruiva, e ele apenas ficaria com a lembrança do que poderia ter sido uma premonição. Hermione assentiu, ainda chorando e começando a soluçar com mais força. Puxou a morena para perto de si, abraçando-a sem jeito, deixando que ela chorasse em seu peito. Ele tinha idéia da dor dela, lembrava-se de como fora doloroso perder James. Como parecia que tinham arrancado um pedaço de si.

-Por que ela?

Hermione perguntou com o rosto pressionado no peito de Sirius, mas o moreno não disse nada, apenas abraçou com mais força a garota, segurando-a pelos ombros e acariciando seus cabelos de leve, sem saber mais o que fazer. Não estava acostumado a passar por isso, na verdade, não estava acostumado a reações humanas.

Passara 12 anos dentro de uma cela, e logo quando conseguiu a liberdade das barras de ferro, perdera-se no Véu, sozinho, abandonado. Não conseguia sentir-se sintonizado com as emoções dos outros ainda, mas poderia ao menos ficar ali, fingir importar-se até que realmente começasse a se importar com tudo novamente.

Minutos depois levou Hermione embora, Harry pedindo que ele tomasse conta da morena. Aparataram juntos, Hermione não achava que estava em condições de fazer qualquer magia ou poderia acabar em tragédia. Levou-a para dentro da casa, praticamente arrastando-a para cima e para o quarto onde ela dormia. Deitou-a na cama, ouvindo soluços escaparem de sua pequena forma encolhida no colchão.

Era realmente de se dar dó aquela cena, mas ele simplesmente não sabia o que fazer. Ficou parado perto da cama dela, apenas olhando-a encolhida, agarrando com força o cobertor e chorando, soluçando, escondendo o rosto por entre o tecido grosso. Queria poder dizer algo, fazer alguma coisa que parasse o choro dela, mas não tinha a mínima idéia do que fazer.

-Precisa de alguma coisa? – perguntou baixo, como se sua voz pudesse assustá-la e fazê-la chorar ainda mais. A morena apenas balançou a cabeça, chorando ainda mais. – Quer que eu saia?

-Não. – disse por entre as cobertas, esticando a mão e segurando a manga do casaco dele, como se não conseguisse olhá-lo.

Sirius sentou-se na cama ao lado dela, observando-a. Encostou-se na cabeceira da cama, ficando ali apenas escutando-a chorar. Era a pior cena, a garota que ele sempre vira como forte, protetora dos outros amigos, parecia tão pequena, tão vulnerável, tão indefesa.

Sirius.

Virou o rosto na direção da porta, como se tivesse escutado alguém lhe chamando do andar de baixo. Apurou os ouvidos, mas não ouviu mais nenhum barulho, voltou seus olhos para Hermione, a morena não parecia ter escutado nada, estava na mesma posição, ainda chorando e soluçando.

Recostou-se de verdade na cabeceira da cama e fechou os olhos, uma de suas mãos descansando no ombro da morena. O dia fora realmente cheio, ainda tinha a imagem vivida da mão de Hermione roxa com as marcas de seus dedos, ainda via que ela o olhava com medo. E essas imagens misturaram-se a outras de quais ele não se lembrava. Uma garota, cabelos loiros curtos, olhos escuros, pernas longas e a mostra.

Não lembrava de vê-la em canto algum, não lembrava-se do bar que eles estavam, mas ela estava de braços cruzados do outro lado do cômodo, sorrindo de forma maliciosa para ele. Via o corpo dela mover-se devagar, mostrando o que tinha de melhor para ele. Sirius mordeu o lábio inferior abrindo os olhos, o quarto entrando em foco outra vez.

Sirius.

Outra vez aquela voz lhe chamando. Olhou para Hermione, a morena já tinha parado de chorar, mas ainda estava na mesma posição. Novamente ela parecia não ter escutado nada, e ele queria entender de quem era aquela voz. Fitou a porta do quarto, esperando que alguém aparecesse, lhe chamasse e ele pudesse parar de achar que estava imaginando aquela voz.

Ninguém apareceu e a imagem da loira no bar voltou em sua mente, como se passando na frente de suas íris. Quem era ela? E por que ele não conseguia lembrar-se de quando a tinha visto? Balançou a cabeça e passou a mão livre pelos cabelos, jogando-os para trás. O movimento fez Hermione virar a cabeça e olhá-lo.

Sabia que seu rosto estava inchado e que seu estado deveria ser o mais precário possível. Estava tão cansada, tão exausta de tudo que acontecera naquele dia que sua aparência era o que menos importava. Olhou para Sirius que a fitava com olhos tristes. Ele não tinha nada a ver com sua dor, não poderia obrigá-lo a ficar ali.

Mas não queria ficar sozinha. Naquele momento, tudo o que menos queria era ficar sozinha. Já não importava que naquela mesma manhã ele tivesse assustado-a, que havia algo de errado com ele. Agora, Hermione apenas queria alguém ali, perto dela, apenas para estar ali. Mesmo que para distraí-la com besteiras.

Virou-se na cama, ficando de frente para Sirius, vendo que ele ajeitava-se melhor a seu lado. Apoiou o rosto no travesseiro, tentando evitar que a voz de Harry ficasse repetindo em sua cabeça todas as coisas que Ginny sofrera. Era terrível que um ser humano pudesse fazer isso com outro. Claro, ela conhecia a maldade humana, conhecia pessoas desprezíveis que poderiam fazer aquilo. Mas nunca se acha que será com alguém que você ama.

-Acha que vão pegar quem fez isso com Ginny? – perguntou bem baixo, vendo o moreno fitá-la.

-Sim. Tenho certeza. – sua voz não passou certeza alguma para a morena, mas ela aceitou.

-Por que acha que isso aconteceu?

Deu de ombros. Não tinha a menor idéia do porquê de fazerem aquilo àquela garota. Na verdade, tinha idéia, mas nunca a falaria em voz alta. Achava-se nojento apenas pensar na satisfação que o assassino alcançou com o corpo morto da pequena Weasley.

-Será que ela... Sofreu?

-Hermione, não pense nessas coisas. – pousou uma mão no topo da cabeça dela. – Tente pensar que acabou. Não podem mais machucá-la.

Hermione assentiu, mas a dor ainda era grande demais. Imaginar que Ginny teria sofrido horas a fio nas mãos de quem a matou, e o que ele fizera com o corpo dela antes de matá-la. Queria não ter escutado Harry falando o que aconteceu, não queria nunca mais escutar nada sobre aquilo. Era horrível demais.

-Obrigada por ficar aqui.

-Sem problemas. – disse afastando a mão da cabeça dela, apenas para pousá-la no ombro dela, vendo-a aproximar-se mais de si. – Como está sua mão?

A pergunta fez Hermione lembrar-se dos olhos de Sirius naquela manhã e isso a fez estremecer com certa força. Por um momento não quisera se importar com o modo dele de agir horas antes, mas agora, segurando sua própria mão, sentindo a dor levemente, quis afastar-se dele. Porém, não queria de modo algum que Sirius se afastasse, poderia ser que piorasse a situação.

Devagar levantou-se e ergueu a manga do casaco, mostrando para ele o punho direito, arroxeado. Ambos viam as marcas dos dedos de Sirius, onde ele apertara com força.

-Não quis lhe machucar. – disse observando a pele machucada dela.

-Eu sei. – respondeu e olhou-o de canto de olho. – Acho que poderíamos conversar sobre esses seus brancos, não?

Sirius virou a cabeça para olhá-la. Ela queria conversar sobre aquilo? Agora?

-Não acha que seria melhor...

-Sirius, eu preciso ocupar minha cabeça com outras coisas. – cobriu o roxo no punho outra vez, encostando-se na cabeceira da cama, esperando que ele parasse de olhá-la daquele jeito.

-Não me lembro bem. – mentiu, não lembrava-se exatamente do que acontecia, mas sabia que era algo relacionado com Ginny Weasley.

-Então me conta de seu sonho.

O silêncio pairou pelo quarto por alguns minutos, ele sabia bem que não poderia contar nada sobre seus sonhos. Aquilo simplesmente lhe deixaria com um cartaz de culpado pendurado no pescoço. Balançou a cabeça, como se estivesse desculpando-se por não lembrar também de sonho algum. Hermione o fitou de canto de olho, cruzando os braços, querendo que Sirius parasse de mentir.

-Certo, me conte sobre o Véu.

Novamente Sirius ficou em silêncio, aquele tópico simplesmente parecia um papel em branco em sua mente. Tinha flashes sobre o que acontecera lá, mas estava tudo tão conectado e parecido com o que acontecera com Ginny que ele também não poderia dizer nada. Balançou a cabeça novamente, vendo a morena semi-cerrar os olhos como se desconfiasse.

-Uma hora terá que conversar com alguém sobre isso. – disse baixo, como que o acusando.

-Quando lembrar, converso.

A resposta pareceu deixar Hermione ainda mais desconfiada, mas não havia nada que pudesse fazer. A não ser, a pequena idéia que surgiu em sua mente. Assentiu, como que concordando com ele e começou a bolar o plano em sua mente. Sirius falaria por bem, ou por mal.


continua...