Ello pessoas =D
Eu sei, eu sei... Demorei bastannnnnte dessa vez... Todo capítulo prometo que nao vou demorar tanto, mas a universidade anda me trolando muito fortemente e as coisas tão meio fodas lá na facu... Enfim, mil perdões pela demora(de novo). Acho que não vou prometer escrever mais rápido, por que sempre me fodo nessas promessas. Demorei mil anos para escrever esse capitulo D=
Sério, acho que se escrevia mais de dez parágrafos todas as vezes que pude sentar no computador, foi muita coisa...
Well. No more excuses! I'm here again and I'm happy to see you guys here too! =DDD
Ah sim, uma coisa muito importante... MUITO OBRIGADA PELOS REVIEWS! SERIÃO CARA! VOCES NAO TEM NOÇÃO DE COMO EU FIQUEI FELIZ! NHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA =DDD
Okay, parei. '-'
Bem, enfim, capitulo que vem vai ter mais ação com o lindo do Jason e mais drama por parte do nosso Papis favorito 3 [YAY BAT'S LOVE]
Ah sim, um spoilerzinho do capitulo abaixo... Eu escrevi sem realmente ter tempo e "não-preguiça" de consultar as HQs, então, se houver algo de errado sobre a parte do treinamento do Jaybird, me avisem que corrigirei =)
Muito, muito, muiiiito obrigado por lerem e divirtam-se \o
See you next Bat-time! =D
Robin's Heart
Capitulo 07
Damian nunca tinha passado por aquelas coisas tão triviais. Guardar suas próprias coisas sem ajuda, arrumar seu próprio quarto, decorá-lo do jeito que queria.
Abrir caixas, esvaziar caixas, guardar caixas. Ficar cansado por uma atividade tão leiga quanto desempacotar suas próprias coisas. Ainda ter que limpar as prateleiras antes que colocar livros e outros itens inúteis. O Wayne fazia tudo meticulosamente, com um cuidado extremo, cada precioso pedaço daquele templo familiar era importante.
Seu lar.
E mesmo assim, ele não teve coragem de abrir a ultima caixa. Todas eram iguais, mas aquela, em particular, ele soube muito bem distinguir. Engoliu seco e pegou a caixa, colocando em cima do colchão ainda não forrado. Não abriria. Não tinha coragem.
Bem, Jason tinha muitos outros capacetes né? Não é como se fosse precisar daquele que estava no fundo da caixa.
Junto aos bastões que um dia pertenceram a Nightwing.
E a caixa foi guardada em baixo da cama alta. Escondida debaixo dos lençóis brancos que tocavam parcamente o chão. Damian estendeu o cobertor e a manta logo em seguida. Não estava perfeito, um pouco torto talvez, e o lençol, cobertor, manta e travesseiros não combinavam.
Quero dizer, lençol branco, travesseiro azul escuro manchado, manta verde e cobertor amarelo eram no mínimo... Curioso.
O Wayne olhou ao redor, orgulhoso do quarto simples. Bem, talvez ele ainda comprasse algumas coisas legais, tipo quadros, espadas e um tapete menos estranhos. Mas ele gostou daquele jeito. Gostou muito. E mais ainda da varanda nem muito grande e nem muito pequena.
Abriu as portas duplas e deixou o vento gelado entrar. Cada fio de cabelo do corpo arrepiou-se e ele sorriu quando o corpo pequeno estremeceu involuntariamente. Olhou para a esquerda e viu o manto verde escuro, a floresta se perdia em inúmeras e grandes árvores, tão extensa que mesmo se sentasse no telhado da casa, ainda não seria capaz de ver o final.
E depois para a direita. O lago.
A água parecia convidativa. Não era exatamente translúcida, mas era limpa e de um verde agradável. Provavelmente poderia ver seus pés – não tão claramente – se entrasse. Mas o vento gelado levou qualquer pensamento sobre mudar de roupa e nadar.
Nem era realmente época de frio. Mas aquele lugar tinha as manhas de ser um gelo dos infernos.
O que seria um problema para alguém que estava morando na beira da praia nos últimos meses. Provavelmente era por isso que Jason e Roy tinham três blusas de manga compridas por debaixo do casaco de moletom. Kori estava completamente vestida – o que era algo raro. Mesmo que a alienígena tivesse o corpo naturalmente quente, depois de anos se acostumando ao clima da Terra, até mesmo ela sentia um arrepio na nuca quando o vento batia com violência.
Ele voltou para o dentro do cômodo. Fechou as portas e ligou o aquecedor do quarto. Calçou meias grossas e desceu as escadas.
A sala estava agitada.
E era tão estranho..
A sala grande, cheia de móveis escuros que combinavam com as paredes de madeira quase preta. O piso escuro, cheio de pequenos buracos pelos anos de uso, que rangia e estalava, se estendia por todos os cômodos menos os dois banheiros e pela cozinha. Ah sim. E pela garagem.
Jason estava sentado no sofá, rodeado de caixas grandes, pacientemente separando e guardando tudo. Kori mexia no rádio ao lado da TV grande, tentando achar alguma estação que pelo menos funcionasse ali.
E Roy brincava com o cachorro com uma bola de tênis – a qual ninguém fazia a mínima idéia de onde tinha saído -. O brinquedo foi interceptado pela alienígena no meio do ar, ela fez uma feição insatisfeita e colocou uma das mãos na cintura.
Talvez fosse a calça de moletom grande que arrastava no chão, ou a camiseta branca e os cabelos presos, mas Kori nunca tinha parecido tão caseira e bonita antes.
Era bem diferente do jeito fucking beautiful and sexy que ela tinha. Chegava a ser engraçada a cara enfezada da alienígena. O arqueiro encolheu os ombros largos e sorriu sem graça. Murmurou um pedido de desculpas e sentou-se quieto no sofá, olhando Jason que estava concentrado olhando desde pastas de arquivos importantes e livros velhos e raros, até revistas inúteis.
O Wayne se apoiou no corrimão da escada e ficou ali parado, observando.
Se tão tivesse tanto movimento, tanta alegria e naturalidade, se não tivesse aquele calor... Com certeza aquela casa teria um aspecto mais que sombrio e solitário. Mas, nem mesmo as teias de aranha remanescentes, ou o piso que rangia e a escuridão natural do local podia tirar a luz que crescia ali dentro.
"Jay, i'm hungry".
"Hmn".
"Jayyyyyyyybird"
''Ssshhs".
"Jay i'm huuuuungry"
"..."
"Jay... C'mon, i'm starving dude! Não comemos nada desde que saímos da ilha!"
"Okay. Vamos ter que ir até a cidade comprar algumas coisas". O moreno espreguiçou-se, deixando alguns papéis ao seu lado. O ruivo sorriu e jogou o corpo no resto do sofá grande e azul escuro. "Vocês ficam aí enquanto eu vou lá com o Damian".
"Bring those little colorfull bears". A ruiva sorriu, acariciando a cabeça do cachorro que estava por perto.
"E um filme legal". Completou o ruivo, deitado no sofá. "E coisas gostosas para comer vendo filme".
"Aproveita e traz os ingredientes para o jantar também".
"Ah, e traz remédios. Você não comprou nem uma aspirina. E eu dou uma semana para os dois ficarem doentes nesse frio".
"Sim. Mais alguma coisa!?". O moreno rosnou, com ambas as mãos na cintura. Damian riu.
"Refrigerante".
"Pães doces".
"Cigarro".
"Já tenho".
"Não são pra você".
"Harper you little -!"
"Ah! Eu quero jantar massa com molho de carne e queijo ralado em cima".
"Sim Kori...". O moreno relaxou os ombros e cruzou os braços, começando a se interessar. Iria ver até onde a folga dos dois podia se estender. "Algo mais? Roy?"
"Hmn... Sorvete".
"Frutas, legumes e verduras".
"Material de limpeza. Aquelas coisas de limpar chão, de lavar louça, de lavar roupa na máquina... Hunm...". O ruivo franziu o cenho, como se tentasse lembrar do resto
"Papel higiênico, sacos de lixo, guardanapo". A ruiva contou nos dedos.
"Suco! E aquele produto que tira manchas de suco da roupa".
Damian estranhou.
O que tinha começado com uma lista de pedidos interesseiros, terminara com uma lista séria de compras. Coisas que eles precisavam para cuidar da casa. E Jason tinha percebido muito rapidamente a mudança de objetivo da lista. Tanto que o moreno estava escrevendo tudo rapidamente num papel, apoiado num livro grosso. Ele virou a página rapidamente, concentrado, enquanto o grafite deslizava com destreza pelo papel.
Na nave, havia sistema de limpeza, a louça se lavava e a roupa também. Era praticamente uma magia negra. Um beco diagonal onde tudo sujo entrava e do nada aparatava de volta, limpo, brilhante e cheiroso. Naquela casa velha, era capaz das coisas limpas ficarem sujas por magia negra.
Quer dizer que teriam que lavar, passar, limpar e etc.
Franziu o cenho. Ele não sabia lavar uma louça sem quebrar nada!
Talvez Jason soubesse, quero dizer, o moreno morou uns anos sozinho quando mais novo. Devia saber pelo menos o básico. Mal Damian sabia que na verdade o moreno estava preparado e sabia de tudo sobre cuidados domésticos.
Além do mais, tomar conta de uma criança praticamente independente era muito mole comparado a tomar conta de uma mãe bêbada e drogada.
Jason suspirou e estalou o pescoço.
"D! Come here! We are going out!". O moreno falou alto, ainda olhando a lista enorme.
"Eu estou aqui". O menino se manifestou, descendo as escadas com pressa. O moreno sorriu e andou até o irmão, bagunçando os cabelos negros e entregando a lista ao mesmo tempo. "Ow, tudo isso?". Damian ignorou a mão gelada que bagunçava seus cabelos e apenas se concentrou na lista.
"Tudo isso".
"Não vamos precisar de ajuda?"
"Hmn, você precisa de ajuda para fazer algo tão simples quanto fazer compras, Demonbrat?"
"Shut the fuck up Harper! Let's go Jason".
Jason deu um olhar severo para o amigo que soltou uma risadinha e escondeu o rosto numa almofada marrom. Kori suspirou. Com certeza se ela oferecesse ajuda, seria negada. Além do mais, não era muito legal ela aparecer assim, de primeira, na cidade...
Comerciantes não costumam receber alienígenas laranjas e peitudas no meio da tarde.
Jason calçou as botas e pegou as chaves do carro. Damian já estava pronto do lado de fora, conversando alguma coisa com o cachorro que parecia ouvir atentamente. O moreno mais velho suspirou e desceu os degraus, desligou o alarme do carro e o Wayne imediatamente saltou para dentro do veículo. Jason ainda parou e olhou o exterior da casa, franzindo o cenho para as janelas fechadas.
Murmurou algumas maldições e enfiou as mãos nos bolsos, indo até o carro. Péssimo jeito de se começar. Ter sua casa invadida bem debaixo do seu nariz. E ele ainda tinha sido estúpido o suficiente para achar que não ia precisar ligar alarme e câmeras. Só trancou a porta – pelo visto tinha que mudar a fechadura – e saiu para pegar o irmão.
Ele nunca achou que chamaria tanta atenção a ponto de alguém ir bisbilhotar sua casa. Mas consolou-se com o fato de que ainda não tinha absolutamente nada pessoal lá - ainda.
Os computadores e a sala de armas eram bem escondidos no porão e sótão. Aí sim. As portas eram reforçadas e era preciso reconhecimento digital para girar a maçaneta, passar pelos alarmes e sistema de segurança e ter acesso aos cômodos – Ele gastou muito tempo fazendo aquelas malditas portas -.
A parte ruim?
Eles perderam um porão e um sótão. Então não poderiam haver caixas extras, coisas velhas ou qualquer bagulho inútil. Bem, era sua primeira casa, ele e Damian não tinham muita coisa. A casa mal tinha decoração. Então, a priori, não era um problema.
No caminho silencioso até o único mercado grande da cidade, Jason ponderou o quão problemático seria ter somente dois quartos. Com certeza Roy e Kori iam passar a noite. Não só aquelas, mas futuramente muitas outras.
Ele podia colocar um sofá-cama no lugar do sofá velho do escritório/mini biblioteca particular/sala de estudos. Ou encher a sala de prateleiras e transformar o cômodo extra em um quarto de hóspedes. Mas aí colocaria uma escrivaninha no quarto de Damian para o caso do garoto querer um computador além do notebook, ou para estudar ou seja lá o que fosse.
"Jesus... Desde quando eu fico pensando nesse tipo de assunto? Geralmente só penso em quem vou matar e com o que"
"Você está bem?"
"Huh? Ah, estou sim. Só pensando em coisas não muito usuais pra mim..."
"Coisas domésticas?"
"Uhun. Você também?"
"Sim. Não sei lavar pratos". Jason se admirou pela falta de vergonha naquelas palavras. Damian olhava para frente com a mesma feição apenas interessada nas coisas do lado de fora do carro.
"Então compramos uma lava-louças. Precisamos trocar a lavadora e a secadora de roupas também". Murmurou enquanto estacionava. Não era muito longe. Apenas um caminho reto e largo cortava a cidade inteira. E todos os principais estabelecimentos comerciais estavam nessa avenida. Impossível de se perder.
Na verdade, era uma cidade pequena que queria ser grande. Louca para ser grande. Mas sua localização e história não ajudavam muito. Somente a parte jovem e irresponsável gritava por novidades. A maioria pensava sim, em ganhar dinheiro, ficando maior e tendo melhor mercado competitivo. Mas naquele fim de mundo gelado, não tinham muita escolha.
Jason empurrava o carrinho e Damian ia lendo a lista em voz alta. Os dois passavam de corredor em corredor, jogando várias coisas dentro do carrinho grande.
Em questão de minutos, eles já tinham capturado a atenção dos que também faziam compras. E para um/uma bom(a) fofoqueiro(a), eles sabiam quem Jason Todd supostamente era. E agora o jovem estava de volta à cidade após sair por algumas horas. E com uma criança.
Pele branca levemente bronzeada – não eram de nenhuma área perto dali, não mesmo. Não com aquela coloração -, cabelos pretos curtos e olhos azuis. Mesmo porte, posturas levemente parecidas
Huh. O forasteiro era um fanfarrão que tinha feito um filho cedo. Onde estaria a mãe? O que aconteceu? Será que ele tratava bem a criança? Ele sabia cuidar de uma casa? Sabia cuidar de uma criança?
Jason e Damian crisparam os olhos e lábios ao mesmo tempo, observando as pessoas ao redor, enquanto fingiam estarem concentrados na compra. Damian suspirou e espreguiçou-se. Jason olhava dois produtos, comparando os preços, enquanto Damian ficava em pé na parte da frente do carrinho. Assim que o moreno mais velho virou-se novamente para frente, Damian meio encabulado pela cena que iria fazer, forçou um sorriso.
"So, bigbrother, can i have chocolate for dinner?". Jason olhou aquele sorriso forçado e riu de maneira debochada.
"Nope". Responder com um sorriso de canto.
"Porque?". O mais novo parecia entediado.
"Porque você precisa de vegetais e frutas, não de porcaria".
"Chocolate vem do cacau. Cacau é fruta. Seus argumentos são inválidos".
"Nice try. Huh... Lavanda suave ou flores campestres?"
"Pro chão? Flores. Você pegou para piso de madeira né?". Um olhar torto e Damian deu de ombros.
"Okay. I guess we got everything from "clean-stuff". What's next, littlebro?"
"Huh. Food".
Era meio ridículo que eles ainda foram seguidos por quase 30 minutos dentro do mercado, por gente que não tinha absolutamente mais nada para fazer. Mas pelo menos o moreno já tinha dado uma primeira boa impressão: irmão mais velho legal e atencioso que não deixa o irmãozinho comer porcaria.
Não que Damian sequer gostasse de comer porcaria. Ele topava um sorvete ou milkshake de vez em quando. Mas não gostava muito de doces.
Eles decidiram que não havia jeito de levar exatamente tudo da lista naquela tarde. Ainda mais sozinhos. Então se concentraram mais no essencial, no que usariam daquele mesmo dia para o seguinte.
Ou seja, produtos de limpeza básicos e comida.
Acabou que o carrinho nem estava tão lotado, então Jason começou a fazer seus caprichos.
"Esse moletom é legal e bem quente".
"Preto".
"Só tem vermelho e verde".
"Vermelho".
"Certo, então vou ficar com o verde pra mim". Murmurou o moreno, colocando as duas peças de tamanhos diferentes no carrinho. Damian começou a olhar com mais interesse também. Gothan não fazia o frio constante dali, e ele estava morando até recentemente numa praia, então era legal uns casacos e blusas para ficar em casa, luvas e meias grossas.
"Jay, can I take it?". Outro casaco. Um azul de moletom, só que dessa vez, tinha zíper na frente.
"Sure... Eu estava pensando, você acha que devemos comprar roupa pro Titus?"
"Pro Titus?"
"Aqui é frio. Ele não é muito peludo e também já estava acostumado com o calor. Não precisa nada demais, mas algo para proteger pelo menos o tórax".
"Precisa de ração também".
"Ele precisa de brinquedos".
"E uma coleira nova. Aquela ali de couro me parece aceitável".
"Eu vou a falência..."
Ele não tinha realmente a capacidade de negar nada ao Wayne à essa altura do campeonato. Jason daria tudo ao irmão. Tudo o que ele não teve. Tudo o que ele desejava quando era criança.
Tudo o que ele desejou ganhar naquela idade. De meias coloridas e vídeo games, até carinho e atenção.
Jason ficou quieto por um tempo, analisando o outro moreno se movimentar ao seu redor. O Wayne estava relaxado. E ele se sentiu tão aliviado por conseguir essa façanha. Bem, em outras circunstancias, Damian teria negado até a morte sequer ir ao mercado com Jason.
Mas ali estava o jovem Robin. Murmurando coisas sozinho, relaxado enquanto faziam compras e escolhia futilidades para o bicho de estimação. O menino riu sozinho de algumas coisas feias e espalhafatosas nas prateleiras do setor de animais. E ficava extremamente concentrado ao decidir qual era a ração melhor indicada para o seu cachorro.
Jason olhou o carrinho cheio e pensou rapidamente se deveria arrumar um trabalho. Bem, eles iam morar numa cidade, tinha contas a pagar, coisas a comprar...
Nah.
Era mais fácil simplesmente extorquir algum mafioso remanescente do Hong-kong. Apenas um pequeno lembrete de que RedHood ainda matava e ainda aceitava de bom grado dinheiro. Sempre que ele precisava de dinheiro – urgente –, recorria às velhas fontes.
Bruce não era uma opção. Ele absolutamente, nunca, nunquinha, de jeito nenhum, ia pedir dinheiro para Bruce. Mesmo que fosse só para o bem estar do irmão.
Assim... Talvez, ele tenha descoberto que tinha uma conta no seu nome – todos os Robins tinham -. Desde a época que foi adotado pelo bilionário Bruce Wayne. Normal. Crianças, filhas de pais podres de ricos, ganhavam mesadas gordas. Bem gordas. Todo ano, sem exceção.
O que tinha demais?
Bruce nunca desativou a conta, cancelou, invalidou, ou sequer tocou nela, mesmo depois que ele morreu. Claro, que aquele punhado de milhares dólares eram transferidos automaticamente da conta do Wayne para a sua. Mas Bruce nunca deixou de indiretamente ajudar.
Sim, ele teve que usar aquele dinheiro para não morrer de fome algumas vezes – bem, Jason se recusava a trabalhar e, infelizmente, brincar de vigilante assassino não pagava o jantar -, foi muito difícil admitir que precisava de ajuda.
Ele não queria chegar ao ponto de ter que usar sua conta "familiar" de novo. Mas também não queria ficar de joguinhos psicológicos com mafiosos asiáticos o tempo inteiro.
Talvez trabalhar fosse uma boa. De jeito nenhum RedHood ia virar dona de casa e ficar trancafiado, vendo novela e apenas saindo quando houvesse emergências.
E Damian também não gostava nem um pouco de ficar trancado em casa. Mas para esse caso, obviamente, era um fato que Jason cuidaria dos últimos anos de treinamento do irmãozinho.
Ninguém. Nem Batman, nenhum dos atuais ou antigos Robins, ou Talia, ou Ra's Al Ghul tinha sido treinado por Ducra e fazia parte do Al-Caste.
Era uma vantagem enorme que Jason tinha sobre todo mundo.
Ele foi o ultimo e único ser humano a ser treinado lá nas ultimas centenas de anos. Ele nunca tinha lutado pra valer com alguém. Pelo menos nunca teve a necessidade de realmente usar todo o seu poder. E ele daria a Damian aquela carta premiada, assim teria a certeza de que o pequeno saberia se defender muito mais que bem.
Não ensinaria tudo.
Talvez o irmão nem sobrevivesse se ensinasse. Mesmo Jason sentia que se desse tudo de si numa briga, ia ser uma covardia sem tamanho.
Sempre se segurando. Com medo do que poderia acontecer se deixasse todo o sangue fluir, se deixasse a mente sem remorso entrar em ação, se deixasse o assassino tomar conta. Já era um enorme e pesado fardo ele não se sentir mal em matar.
Só Deus sabe lá o que aconteceria se ele fizesse, sem coração, tudo o que foi treinado para fazer.
Mas passaria parte do seu conhecimento para o Wayne. Meditações, concentração, equilíbrio de alma e corpo, artes marciais, combate com armas...
Tudo diferente do que o pequeno havia aprendido até agora. Seria interessante ver como Damian se adaptaria a nova rotina, como ele lidaria com os movimentos, com a necessidade de clarear a mente e o espírito. Ia ser duro, ia doer, lembranças iam voltar e assuntos inadequados iriam ser postos à mesa.
Damian ia se machucar várias e várias vezes. Iria se enfurecer com ele e até poderia não querer ir mais adiante com o treinamento.
Mas Jason sempre estaria lá para afagar os cabelos negros. Para sorrir depois de um dia longo. Para abraçá-lo quando não sabia mais o que fazer, ou quando estava muito envergonhado com as emoções melosas. Para mimá-lo e dizer que ele é sim, o melhor, o mais esperto, o mais ágil e o mais amado.
O amor que Jason conhecia, em todas as suas formas, doía.
Mas tinha que evitar o descaso. Tinha que evitar fingir que não era nada. Que não se importava.E fazer o menino lutar por si próprio. Porque não ia funcionar com Damian. Não ia rolar pela dor.
Então tinha que ser pelo amor.
Muito amor.
"Todd, porque está me olhando desse jeito esquisito? E que sorriso bizarro é esse?"
"Acho que estou ficando meio gay por sua causa".
"WHAT THE HELL?!"
...
Jason se jogou no sofá, exausto, enquanto Damian havia deitado no tapete branco recém comprado e exageradamente felpudo. Os dois suspiraram exaustos. Deus, como estavam mortos! Kori sorria docemente para os dois morenos da cozinha, dando uma risadinha em seguida.
Ela entrou na cozinha e abraçou as costas largas do ruivo. O arqueiro sorriu e continuou a lavar as frutas recém compradas e guardá-las na fruteira em cima da enorme bancada de mármore. A ilha também de mármore no meio da cozinha estava cheia de sacolas, vigiadas pelo cachorro grande, intensamente interessado nas possíveis guloseimas.
Não muito tempo depois, estava tudo guardado. Tudo nos respectivos lugares. Louças nos armários, comidas nos outros armários – a dispensa tinha sido transformada em uma sala vazia que faria o suposto papel do porão: guardar inutilidades – frutas na fruteira, perecíveis na geladeira nova. Titus tinha coleira nova, vasilhas grandes e já cheias de água e ração. Tapetes no chão, luminárias ligadas e lâmpadas trocadas.
E Jason definitivamente, não daria conta de levar um dedo pra cozinhar.
"Eu posso fazer o jantar". O ruivo sorriu, mordendo uma maçã.
"Podemos pedir pizza". O Wayne cortou, ainda jogado no tapete.
"Damian, qualé, eu posso cozinhar!"
"Pizza me parece muito promissor". Jason murmurou, com o rosto enfiado numa almofada.
"Ei! Não me ignorem!"
"Eu vou pegar a lista telefônica".
"Kori!"
Foi bem engraçado, a cara assustada e curiosa do entregador. O garoto devia ter uns 17 no máximo. Era magricela e tinha cabelos pintados de verde. Muitos peircings e andava meio corcunda. Kori ficou no quarto, enquanto o menino entrava na casa, seguindo o moreno mais velho que tinha esquecido parte do dinheiro na cozinha.
Primeiro, ficou com medo do cachorro.
Depois de um ruivo, que jogava qualquer coisa violenta no videogame como um psicopata.
E depois do menino. Porque simplesmente tinha uma cara assustadora.
"Dude, relax. Ele não morde. É treinado".
"S-sim, espero que sim". Uma olhadela para o menino. Arrepios. Muitos arrepios.
...
..
.
Damian viu os dias se passando com tranqüilidade e um pouco de tédio. Já fazia algumas semanas que ele e Jason gastavam o dia inteiro instalando propriamente o sistema de segurança da propriedade. Construindo quartos secretos com fechos eletrônicos que só abriam por digital e reconhecimento de voz.
Sala de armas, sala do computador, quarto e sistema de fuga. Cozinhar, lavar e passar. Invadir e derrubar sistemas terroristas de internet. Fazer compras, instalar eletrodomésticos. Cair de boca no chão pela milésima vez durante o treinamento. Recuperar a infância perdida com filmes infantis e salada de frutas com nutella na sala. Praguejar e amaldiçoar Jason e seu treinamento estranho e diferente, com aquela técnica de luta dos infernos e habilidade de desviar de todos os seus golpes.
E simplesmente roubar um moletom do mais velho, mesmo quando seu armário estava cheio destes, deitar no tapete felpudo da sala com o cachorro e acompanhar o jornal mundial.
Isso quando não monitoravam a situação "super-humana" mundial.
Sinceramente, a parte mais interessante era o treinamento. Damian não entendia como era possível. Naquele dia, ele deu uma surra no vigilante e roubara seu capacete. Mas agora, sequer conseguia tocá-lo. Sim, ele ponderou muitos fatores, então concluiu que a diferença das condições físicas e mentais dos dois antes e agora, influenciava muito.
Além do mais, Jason estava sendo muito mais técnico.
O mais velho se protegeu de um chute e jogou o mais novo longe. Damian quase não conseguiu se equilibrar e não se estabacar no chão pela décima vez.
"Damian, você tem que me atacar para ganhar".
"Eu estou atacando!"
"Não. O seu estilo de luta, a sua frustração, sua raiva, o peso no seu peito... Você está me atacando para matar".
"N-não! Você sabe que eu nunc-!"
"Hey! I know, I know! É que é natural para sua mente e corpo. Você tem que aprender a lutar para ganhar. Lutar para sobreviver, sem condenar o inimigo a escuridão eterna".
"Huh?"
"Damian... Eu fui treinado para matar. So was Dad.Como você acha que ele luta, como eu luto? Saber abater um inimigo, sem matá-lo, é a chave para o controle".
"Dar o primeiro golpe sabendo que vou ganhar a luta, não a vida do meu oponente".
"Exato. Se lutasse sempre do jeito que luta, com uma simples faca, já teria matado muitos. Mas o fato de você estar usando esse estilo assassino, sem a intenção e sem a arma para matar, isso lhe dá desvantagem".
"Não é exatamente fácil lutar com um cara de 200kg só com as mãos. Se eu for pra cima, achando que posso apenas colocá-lo para dormir um pouco, provavelmente vou acabar morto".
"Vou te ensinar a colocá-lo para dormir com um golpe".
"O que?"
Jason sorriu.
Ele nunca tinha tido um pupilo, ou sequer tomado conta de alguém mais novo que ele. Nunca tinha ensinado. Mas gostou da sensação. Por isso Ducra sempre sorria daquele jeito, quando cumpria seus objetivos, quando comemorava vitorioso e alegre por uma tarefa cumprida.
Será que Bruce se sentia daquela forma, quando ensinava e cuidava de cada um de seus meninos?
Balançou a cabeça afastando os pensamentos. Jason sentou-se no chão frio, pegando um dente de leão e o observando curioso. Damian sentou-se junto ao mais velho, cruzando as pernas e mantendo a postura reta, estava pronto para ouvir.
"Você sabe sobre o Al-Caste, sim?"
"Sim".
"Você sabe o quão perigosos, raros e importantes eles são, sim?"
"Sim. Minha mãe disse que talvez eu tivesse a honra de treinar com a mestra Ducra".
"Sim. Porque nem ela e nem seu avô tiveram essa honra. Ninguém da Liga das Sombras teve essa honra".
"O que? Mas eu achei que..."
"Quando fui ressuscitado, eu ainda estava muito aterrorizado, então Talia me levou até Ducra. No começo ela achou que era só uma possibilidade, afinal de contas, se Ducra não aceitasse, Talia teria que me treinar, mas era fato que eu ia correr de volta para Gothan na primeira oportunidade".
"Jay... Are you from Al-Caste?"
"Yep. Ducra não sabia dizer se eu suportei tudo porque era digno, ou porque era simplesmente muito cabeça dura. Então passei aqueles anos sob a supervisão direta dela".
"E o que eu tenho a ver com isso tudo?"
"Eu fui o único ser humano a treinar e completar o treinamento no Al-Caste em centenas de anos. Bem, eu tinha uma colega, mas ela não era humana. Não mesmo".
"Você...? Você quer me ensinar coisas do Al-Caste?"
"Eu vou te ensinar coisas do Al-Caste. Pelo menos algumas delas. Por isso você precisa me ouvir e confiar em mim. Precisa obedecer, pelo menos por agora, para crescer. Fight for win".
"Got it".
"So, when I say, for exemple, wash the dishes, you say...?"
"Me obrigue".
...
..
.
Jay suspirou, olhando o manto branco do lado de fora da janela. Ele sabia que o inverno ali era pesado. Mas não sabia que a coisa era tão feia. Ele jogava sal todos os dias, tirava neve da entrada com a pá, livrava o caminho do carro da neve. Mas todas as manhãs, mesmo quando aparentemente não nevava, estava tudo coberto novamente.
Damian ajudava, claro, mas ele sempre fazia a maior parte do trabalho. O único que parecia adorar a neve era Titus. O cachorro sempre corria e se jogava na neve na primeira oportunidade. Comia e brincava com a neve por uns minutos, depois voltava correndo para casa. Rolava no tapete felpudo para se secar e depois deitava perto da lareira.
Roy e Kori saíram correndo de lá assim que o frio começou a apertar. Covardes. Ficaram um tempão, abusando de sua hospitalidade, para depois saírem correndo quando não era mais conveniente ficar lá.
O moreno tomou um gole de chocolate quente e praticamente gemeu de deleite. Jogou alguns marshmellows dentro da caneca azul e voltou para a sala, onde Damian estava sentado na frente da TV. A priori achou que o Wayne estava vendo algum filme, mas assim que percebeu a ficha de DeathStroke na tela, percebeu que era um pouco mais sério.
"You have to deal with this guy".
"Oh really?"
"I'm serious. Ele foi visto pela ultima vez relativamente perto daqui".
"Quão perto?"
"Cinco cidades daqui".
"Damn. That close?". O moreno resmungou e tomou um gole do chocolate. "Ligue pra Kori, peça que ela e Roy venham. Eu vou sair para resolver isso".
"Vai brigar com ele? Really?"
"Are you crazy? Eu não estou em posição de colocar minha vida em tamanho risco".
"Como assim?"
"Just trust me Little D. Everything will be fine". Jason afagou os cabelos negros que já estavam ficando um pouco mais compridos.
O vigilante subiu para o quarto e foi direto para o banheiro. O cômodo aquecido estava silencioso e calmo. Os dedos quentes deslizaram pelo metal frio da torneira e a tensão fez com que a água começasse a cair em abundancia.
Morna e suave.
Dedos da banheira cheia e da bebida tomada, ele permitiu-se deslizar o corpo cansado na porcelana de revestimento. Gemendo longamente ao fazê-lo. Seus músculos relaxaram e ele começou a pensar.
Havia tanta gente na sua cola. Tanta gente que poderia ter pagado milhões pela sua cabeça – e pelas as de seus amigos -. Sequer podia imaginar a quantia. Torceu o nariz.
Brigar de frente, na cara e na coragem com DeathStroke estava completamente fora de questão. Então como diabos iria se livrar dele? Não era tão fácil assim explodi-lo ou simplesmente atirar em sua cabeça.
Ele era aquele tipo de alvo difícil de se acertar. E que atirava de volta – muito bem, diga-se de passagem.
Normalmente se armaria até os dentes e iria até lá, chutar alguns traseiros mercenários. Mas era diferente a situação. Não estava em posição de colocar sua vida em risco. Não podia se dar ao luxo de arriscar tudo. Não podia perder Damian.
Não permitiria que Damian perdesse mais nada naquela pequena e complicada vida.
...
..
.
Os olhos azuis se arregalaram. A seriedade de antes foi substituída por puro medo. Os lábios tremeram e o homem travou a mandíbula com força. Seu corpo se moveu rápido.
Suas mãos tremiam, mas ele socou com toda a força que tinha.
Suas pernas queriam desabar no chão, mas ele correu o mais rápido que conseguia. Chutou o mais potente que conseguia.
A mente estava em transe, paralisada, mas seu corpo ainda se moveu por vontade de seu subconsciente.
Fear. Pure Fear.
A voz entalada na garganta, ele não conseguia gritar. Queria com todas as forças gritar, urrar, até chorar um pouquinho. Mas seu coração gritava em desespero. Pavor.
Não. Deus, por favor. Não.
A adolescente loira viu Batman passar como uma bala na sua frente. O adolescente velocista viu o morcego passar praticamente por cima de si. O jovem clone moreno estava no chão, tentando levantar desesperadamente, quando viu o homem lutar como um animal contra aqueles ninjas. A morena que não tinha aparência humana não conseguiu agradecer quando o Wayne derrubou todos aqueles inimigos de cima dela – a ajuda nem tinha sido intencional, ela estava meramente no caminho.
E todo o grupo não pode mais ter uma reação relevante, pois o pai lutava como tanto desespero, com tanto fervor, com tanto medo. A moça de pele púrpura foi a primeira a ajudar, atingindo em cheio vários inimigos.
Bruce tirou todos de seu caminho. Os ninjas restantes fugiram e todos puderam correr para o centro do galpão.
O velocista foi o primeiro a correr.
E o primeiro a ir com a boca no chão, ao chegar perto de mais.
The Father left his knees finally touch the ground.
As mãos trêmulas tocaram o corpo jovem estendido no chão.
Fear. Pure fear.
Trouxe o corpo para perto de si, abraçando-o.
- Alfred, check his pulse! NOW
- Ele está vivo, mas não por muito tempo! Precisa tirá-lo daí o mais rápido que puder!
- I'm on my way.
Ele não estava em posição de arriscar mais nada. Não estava em posição de perder mais nada. Pegou o filho no colo e correu para o batmóvel. Não olhou para trás. Não deu importância aos outros heróis. Ele não dava a mínima para nada além da segurança e saúde de seu filho do meio.
Ódio. Raiva. Medo correndo como veneno em suas veias. Ele iria achar os culpados. Nem que tivesse que culpar alguém. Não perdoaria nada nem ninguém que ferisse tanto assim sua preciosa e amada ave.
He was going to burn the hole world for that kid.
No one mess with the goddamn Batman's son.
