Capítulo 6

Eventos inesperados.

Harry tinha marcado o teste de quadribol para hoje. Eu estava animada; nunca havia visto um jogo desse esporte.

Assisti ao teste, rindo ao ver Hermione enfeitiçar o garoto que queria ser goleiro, Mclaggen, para dar a Rony o posto.

Quando os testes acabaram, eu desci da arquibancada para o campo. Eu estava sentada ao lado dos sonserinos e eles me davam nos nervos. Quem em sã consciência aguenta ficar ao lado de um bando de arrogantes? Achei melhor me juntar a Harry, Rony e Hermione antes que eu perdesse de vez a cabeça.

— Parabéns, Ron. — Eu o abracei. Hermione franziu o cenho. Teria que explicar a ela que eu o amava... apenas como amigo. Mas confesso que era engraçado ver o ciúme em seu rosto. Ai. Esqueça que eu disse isso, que maldade a minha. — Harry, ótimas escolhas! — Eu o abracei também, meu coração acelerado. Eu adorava demais este garoto.

— Será que você é boa em vôo como é em feitiços não-verbais? — perguntou Harry, olhando-me de um jeito especulativo. Eu sorri.

— Duvido — eu disse. — Eu sei que não sou tão boa assim; nunca sequer encostei um dedo numa vassoura.

— Eu também não sabia voar — disse ele. — E eu...

— Harry, você voava numa vassoura de brinquedo aos 2 anos de idade — eu disse. — Não me compare com você.

Demorou uns 2 segundos para eu perceber que tinha dito besteira.

— Ops.

O quê? — Harry estava pasmo.

Eu dei uma gargalhada.

— Hei, eu estava só brincando — eu disse, nervosa. — Só brincando.

Concentrei-me em um pedaço de linha que largava do tecido de minha roupa para que ele não visse o pânico em meu rosto. Isso ele só descobriria... no ano que vem! Eu não devia me lembrar disso.

Não mesmo. O que estava acontecendo comigo?

— Vem aqui. — Ele me ignorou, ou talvez estivesse se divertindo com meu pânico, achando que era por causa da vassoura. Também era, na verdade. Puxou-me pela mão e me entregou a firebolt.

— Não, Harry. — Eu me assustei. — Eu não sei...

Ele me ensinou a manusear a vassoura e logo eu estava no ar. Surpreendentemente, eu fui extremamente bem, veloz, com meus cabelos soltos ondulando suavemente atrás de mim. Eu voava com certa elegância, até que a vassoura parou abruptamente e me lançou no ar.

Assim, do nada.

Segurei firmemente no cabo e deixei um grito agudo escapar de meus lábios ressecados pelo frio. Eu estava pendurada no ar, e a vassoura se sacudia, tentando me derrubar de qualquer maneira, numa violência incomensurável. Olhei para o chão, que estava extremamente longe de meus pés, e soltei minhas mãos num átimo, antes que eu tivesse tempo para pensar na distância entre meus pés e o chão sólido e estável.

La embaixo, pude ouvir muitas pessoas gritando. Todos esperavam que eu caísse e que virasse pasta de Gabriela. Com um olhar para a arquibancada, vi quem me amaldiçoava.

Pansy Parkinson.

Enquanto eu caía livremente, a raiva se apossou de mim.

Aresto Momentum, pensei.

Fiquei paralisada no ar, meus pés a um metro do chão. Meu olhar estava fixo em Parkinson, numa careta que evidentemente mostrava o que eu queria fazer a ela. Retirei meu feitiço, e meus pés tocaram o chão com leveza, e eu podia jurar, com graça. Mal estava de pé, a salvo no chão firme, caminhei até onde Pansy estava, na arquibancada, rodeada pelos merdas dos sonserinos. Puxei a varinha de minhas vestes.

— Vadia... — murmurei por entre os dentes.

Ela puxou a varinha das vestes também e já se preparava para me amaldiçoar.

Cruc...

Silencio! — bradei. Bufei, cética, encarando o animal sagrado da Índia a minha frente. — Você ainda ousa usar uma maldição imperdoável em mim, sua vaca?!

Concentrei-me de uma maneira que nunca havia feito antes, para lançar meu feitiço com toda a força que meus poderes tinham.

Estupefaça!

A garota voou muito longe, e tombou pesadamente, desacordada, num dos degraus da arquibancada.

Bem feito!

E então, de repente, eu também estava voando. Não demorou muito, e eu bati em alguma coisa sólida, levando-a comigo ao chão. Seja lá o que for, amorteceu minha queda.

Cara, essa doeu.

Virei-me para ver em que (ou quem) eu esbarrara, só para levar um choque.

Embaixo de meu corpo dolorido e provavelmente machucado, estava Draco Malfoy, desacordado, e havia um profundo corte em sua cabeça, que deixava o sangue fluir livremente.