CAPÍTULO 7
NARRADO POR HARRY POTTER
Nosso beijo era delicioso, urgente, os lábios dele era doces e macios; seu hálito quente me inebriava completamente. Eu já me sentia completamente acesso.
Me lembrei que ali eu não era submisso. Tomei a inciativa e me mexi no sofá, passando uma perna para outro lado do corpo dele, me sentando de frente para Draco, em seu colo. Eu sentia, embaixo de mim, sua ereção se pronunciar. Eu me mexi sobre ele, esfregando-me em sua ereção, excitando-o.
- Você não presta. – ele disse, as mãos nas minhas coxas, me puxando para baixo, friccionando seu corpo no meu.
- Eu nem sabia que esse meu lado existia. – eu falei, sorrindo.
Desde que eu tinha me envolvido com Draco, eu tinha mudado completamente no que diz respeito a sexualidade. Nas minhas relações sexuais, sempre havia certo distanciamento, certa dificuldade de me envolver e deixar as coisas acontecerem.
- Parece que eu desperto o que há de mais devasso em você. – ele sussurrou, enquanto trilhava beijos no meu pescoço.
- Você definitivamente desperta. – eu falei. – Eu não era assim antes.
Ele acariciou meu rosto, parando de me beijar para me olhar nos olhos.
- Você nunca teve interesse em nenhum homem? – ele quis saber.
Eu me lembrei imediatamente de Philip. Eu não gostava muito de pensar naquilo.
- Houve um Auror, que trabalhava comigo. – eu contei. – Mas não foi a diante.
- Trabalhava? Não trabalha mais? – ele perguntou com gentileza.
- Ele pediu para ser transferido para França, para trabalhar em uma missão. – eu disse. – Logo depois de trocarmos alguns beijos.
- Entendi. – ele disse, sério. – Ele fugiu do que sentia por você.
Franzi as sobrancelhas, não tinha certeza se Philip realmente havia gostado de mim.
- Acho que ele simplesmente não estava interessado. – eu disse baixinho.
- Você ainda tem sentimentos por ele? – ele perguntou.
Havia um brilho estranho em seus olhos.
- Não. – eu respondi, com sinceridade. – Fiquei chateado quando aconteceu, mas passou.
- Tem certeza? – Draco me intimou.
- Tenho. – acariciei o rosto dele. Seria possível que Draco Malfoy estaria com ciúmes de mim? – Você não está preocupado com isso, está?
- Estou. – ele falou como se estivesse surpreso consigo mesmo por ter admitido aquilo. – Antes você disse que não via sentido haver fidelidade entre nós.
Acariciei o rosto dele com calma.
- Não precisa. – eu sussurrei em seu ouvido. – Eu sei que questionei se seria preciso a gente ser fiel um ao outro... mas foi mais por medo do que outra coisa...
- Medo? – ele sorriu para mim. – Não achei que essa palavra existisse no vocabulário do grande Harry Potter.
Ele não dizia em tom agressivo, mas como quem brinca com alguém íntimo.
- Pra mim, dragões e bruxos das trevas sempre foram mais fáceis de lidar do que relacionamentos. – eu brinquei de volta.
Eu me peguei gostando daquele clima entre nós. Era como se naquela noite eu tivesse conhecendo Draco pela primeira vez. Conversar com ele daquele jeito, deixando sentimentos aflorarem dentro de mim, sentindo meu coração bater mais forte quando ele dizia certas coisas sobre nós dois...
- Por que você teve medo hoje? – ele perguntou, ficando sério de repente.
- Sinto medo de me envolver demais. – eu confessei. – Desde que estive aqui investigando aquela denúncia, não penso em outra coisa além de você. Eu tenho medo do poder que você tem sobre mim, para além da parte sexual.
Draco me encarou com intensidade. Minhas palavras pareciam ter mexido realmente com ele.
- Não tenha medo. – ele murmurou, puxando-me para mais perto. – Porque eu também não consigo pensar em mais nada, só em você.
- Que bom que você insistiu nesse acordo. – eu disse, agradecendo aos céus que ele tivesse sugerido aquilo. – Porque não quero te dividir com ninguém.
Eu avancei para ele, tomando-o para um beijo. Havia um envolvimento real entre nós, que eu vinha tentando negar. Draco não era apenas sexo para mim, nem eu para ele. Os acontecimentos daquele dia tinham deixado isso bem claro.
- Quando você disse que nunca tinha estado com homem nenhum, eu senti uma coisa quase que primitiva. – ele declarou. – Você é meu. Ninguém jamais além de mim vai tocar você, ninguém vai te dar prazer, ninguém mais vai ver você gozar...
Quando ele dizia essas coisas, eu me sentia enlouquecido, excitado, entregue. Draco Malfoy sabia me seduzir.
- Você está dizendo isso de propósito para me enlouquecer. – eu reclamei.
Ele podia sentir minha ereção pressionada contra o corpo dele.
- Você gosta quando eu digo que você é meu? – ele mordeu com leveza o lóbulo da minha orelha.
Sua mão passou displicentemente sobre meu membro, apertado pela calça jeans que eu usava. Eu assenti com fervor, os olhos fechados, o corpo arrepiando diante do seu toque.
- Eu sou completamente seu. – eu jurei.
Ele abriu o botão na minha calça com habilidade e abaixou minha cueca, libertando minha ereção. Meu pênis estava completamente duro e sensível por toda atividade sexual que tivemos aquela noite.
- E ninguém mais vai tocar você aqui? – ele segurou meu membro nas mãos, massageando-o.
- Ninguém mais. – eu jurei novamente. Estava louco por ele. – Por favor, vamos pro quarto...
Ele pareceu surpreso com o pedido, parando de me tocar de modo abrupto.
- Você quer voltar pra lá? – ele perguntou. – Você não está com um pouco de dor?
Na verdade estava. Draco tinha introduzido aquele objeto em mim, que vibrou dentro do meu corpo por uma eternidade, massageando-me por dentro, me fazendo gemer de forma ensandecida. Depois, me abrira ainda mais com aquelas bolinhas, e por fim com seu pênis, que tinha me tomado com tanto ímpeto que eu me sentia rasgar.
- Sim. – admiti. – Mas isso não tem a menor importância.
- Claro que tem. – ele disse, a voz preocupada. – Se nós formos para lá, eu não vou conseguir me conter. Vou acabar fodendo você de novo.
- Eu gosto quando você me fode. – eu sussurrei em seu ouvido.
- Ah... Harry... não faça assim... – Ele gemeu. Eu sentia a sua ereção embaixo de mim, via em seus olhos que ele estava perdendo o controle. – Eu estou tentando ser gentil.
- Tudo bem. – eu sorri para ele. – Vamos nos comportar.
Eu gostava de ver a preocupação que ele tinha comigo. Ele parecia ter medo de eu me sentir forçado a alguma coisa. Eu saí de cima dele devagar, me vestindo outra vez.
- Estou com fome. Você quer comer alguma coisa? – eu perguntei. – Temos só mais algumas horas, eu queria ficar com você.
Me senti constrangido de pedir aquilo.
- Como assim só temos mais algumas horas? – ele quis saber.
- Nessa madrugada eu parto para França em uma missão. – eu expliquei – as coisas pioraram lá.
Os ataques a trouxas estavam ficando preocupantes na França. Nós vínhamos mandando auxílio para lá há meses. Kingsley tinha me pedido para ir averiguar como as coisas estavam no país, para fazer um relatório sobre a atual conjuntura e entregar à Seção de Aurores da Inglaterra.
- França? – Draco estava visivelmente incomodado. – Junto com o Auror que você namorou?
O ciúmes era latente em sua voz.
- Eu não namorei Philip. – eu expliquei, e então coloquei minhas mãos sobre os ombros de Draco, virando-o de frente para mim, para que ele me encarasse. – E eu não estou indo atrás dele, eu estou indo fazer uma investigação solicitada pelo meu chefe.
- Mas ele vai estar lá. – Draco estava muito contrariado, parecia debater a questão internamente. – Você vai encontra-lo.
Tenho certeza que se eu fosse seu submisso fora da cama, ele me proibiria de ir. Mas não era o caso, não tínhamos esse tipo de relação. Ele mesmo tinha dito que não queria isso.
- É possível. – eu admiti. – Mas isso não vai fazer a menor diferença para mim, mesmo se eu não estivesse com você, continuaria não fazendo diferença alguma.
- Como você sabe? – ele me intimou.
- Porque ele simplesmente não me atrai em mais nada, é um homem fraco, sem coragem, que preferiu se esconder em outro país a me encarar. – eu expliquei.
- E se ele se arrependeu? – Draco deixava transparecer sua insegurança. Isso me fazia ter vontade de cobri-lo de certezas. – E se ele tentar alguma coisa?
- Ele pode sentir o que ele quiser, e tentar o que ele quiser. – eu garanti. – Eu sou muito bom azarações, não é como se ele fosse conseguir me forçar a alguma coisa.
- "Muito bom" é um eufemismo. – ele se permitiu sorrir. – Tenho pavor de um dia te chatear.
- Eu nunca te machucaria. – eu disse, embora soubesse que ele estava brincando. – Nem fisicamente, nem de nenhum outro modo. Eu te fiz uma promessa, Draco, e eu não quebro promessas. Essa viagem vai ser apenas trabalho.
- Eu confio em você. – ele disse me puxando para um abraço.
- Não quero que você se preocupe nem por um segundo. – eu sussurrei em seu ouvido.
- Quanto tempo você vai ficar? – ele se afastou um pouco para me olhar, mas continuamos abraçados.
- Em torno de uma semana. – eu falei. – A situação lá se complicou muito.
Ele não perguntou exatamente o que estava acontecendo, provavelmente porque sabia que eu não teria autorização para responder. As ações dos aurores eram sigilosas.
- Vai ser perigoso? – ele quis saber.
- Acho que não. – respondi com calma. – Eu não vou atuar na França, minha missão é apenas ver como estão as coisas e voltar para informar os outros aurores.
Draco se levantou de repente e foi me puxando pela mão até a cozinha.
- Vem, vamos pegar algo para comer. – ele sugeriu.
Draco pegou alguns sanduiches e biscoitos na cozinha, mas não parecia ter a intenção de comer ali, pois foi logo saindo do cômodo, fazendo sinal com a cabeça para eu segui-lo. Eu continuei atrás dele, passando novamente pela sala de estar e subindo as escadas da Mansão; no segundo andar, ele não virou a esquerda para onde ficava o quarto de BDSM, mas a direita. Lembrei do dia que estive ali para investigar a casa: aquele era um caminho para seu quarto.
Ele parou na frente da porta que eu me lembrava e me pediu para abrir, pois suas mãos estavam ocupadas com as comidas. Eu adentrei o quarto de Draco Malfoy pela segunda vez na vida.
Ele colocou os sanduiches e os biscoitos em uma mesinha ao lado da cama.
- Vamos nos deitar um pouco. – ele sugeriu. – Era bom se você conseguisse descansar antes da viagem.
Eu assenti com a cabeça, percebendo que tudo que eu mais queria era ficar deitado ali com ele. Aquela intimidade de estar junto em seu quarto, dividir a cama... eu me peguei desejando aquilo. Tirei os sapatos e a calça jeans, para me deitar com mais conforto. Ele também se despiu, ficando apenas de cueca. Nós deitamos lado a lado.
- Fiquei curioso sobre uma coisa. – ele falou, pegando um sanduiche. – Sobre o que é esse filme trouxa você comentou quando viu meu quarto de BDSM pela primeira vez?
- Cinquenta Tons de Cinza. – eu ri, lembrando-me da primeira vez que me deparei com aquele firma na casa de Alice e Duda. – O filme é sobre uma mulher, Anastasia, que conhece um bilionário. Eles ficam muito interessados um no outro, mas ele é um dominador, então ele propõe que ela seja sua submissa.
- Ela aceita? – ele perguntou, sorrindo.
- Não realmente. Ele mostra para ela um contrato de relação entre os dois, que fala dos limites rígidos entre eles, dos limites brandos, palavras de segurança; e regras que ela tem que seguir como alimentação, sono e exercícios físicos. – eu contei. – Mas ela não é uma submissa e fica muito insegura com a ideia, então eles vão fazendo alguns testes, se aproximando... Até que um dia ela pede para ele mostrar afinal até onde ele pode ir.
- Péssima decisão. – ele observou.
- Ele bate nela, eles brigam e ela vai embora. – eu contei.
- O filme termina assim? – Draco se surpreendeu. – Achei que você tinha dito que era um romance.
- Sim, depois tem mais dois filmes com a continuação da história. – eu expliquei. – Eles voltam a ficar juntos, porque estão apaixonados, e passam a ter um relacionamento comum, sem regras. No final acabam se casando, ela engravida... enfim, a história acaba se tornando um romance água com açúcar. Por isso que várias mulheres trouxas adoram, até senhoras mais velhas.
- Um dia podemos assistir juntos. – ele sugeriu. - Fiquei curioso.
Eu sorri. Imaginei nós dois fazendo uma coisa tão banal como ver um filme. Nunca imaginei que um dia eu estaria tão próximo de Draco Malfoy.
- Podemos sim. – eu falei. – Vou pedir o aparelho emprestado para o meu primo. Não sei se funcionaria aqui, pela aura de magia que a Mansão tem... mas podemos ver no meu apartamento.
- Você e seu primo são muito próximos? – ele parecia interessado na minha vida. – É esse que você foi criado junto, não é?
- Duda é um ano mais velho que eu, ele é filho da irmã da minha mãe, a minha tia Petúnia. Quando meus pais morreram fui morar com eles. – eu contei. – Hoje eu e Duda somos amigos, mas quando éramos crianças nos odiávamos.
- Por que? – Draco perguntou, surpreso.
- Meus tios não me suportavam, tinham horror aos meus pais, ao mundo mágico e consequentemente a mim. – eu falei. – Acho que eles sempre incentivaram meu primo a me odiar, mas depois que crescemos, ele começou a pensar por si próprio.
- Eu não sabia que sua infância tinha sido assim. – ele disse, como se sentisse muito.
- Foi muito difícil. Eu e Duda éramos tratados com muita diferença. Para você ter uma ideia, Duda tinha dois quartos enquanto eu dormia em um armário embaixo da escada. – eu contei. Não fazia ideia do porque eu estava dizendo aquilo para ele, mas eu queria compartilhar com ele a minha vida.
Draco arregalou os olhos para mim. Ele estava bastante surpreso.
- Isso é horrível. – ele acariciou o meu braço.
- Já passou. – eu sorri para ele, porque aquilo realmente não me incomodava mais. Tinha ficado enterrado no meu passado. – As coisas melhoraram muito quando eu fui para Hogwarts, depois conheci os Weasleys, que eram como uma família. Eu sempre passava boa parte das férias de verão com eles.
- Seus amigos sabem de mim? – ele perguntou, de repente. – Weasley e Granger?
- Não. Ainda não tive a chance de conversar com eles, Ron e Mione tiveram um bebê recentemente, andam bastante ocupados. – eu comentei – Mas eu vou contar para eles, pelo menos o necessário.
- E o que seria "o necessário"? – ele perguntou, sorrindo para mim.
- Por enquanto eu acho que o necessário é que eles saibam que eu e você estamos juntos. – eu falei. – No início vai ser uma grande surpresa, mas eles vão acabar se acostumando.
- Eu pagaria o que fosse para ver a cara do Weasley quando você disser que está saindo com Draco Malfoy. - ele disse, malicioso.
Eu sorri de volta para ele. Era maravilhoso estar ali, simplesmente conversando com ele. Passamos mais algumas horas daquele jeito, só falando sobre a vida, sobre os planos que tínhamos, sobre as coisas que gostávamos. Era estranho e ao mesmo tempo incrível sentir que eu passava a conhecer Draco de verdade. A gente tinha passado tantos anos estudando na mesma escola, assistindo as mesmas aulas, mas eu nunca o tinha conhecido de fato.
Quando chegou a hora de ir embora, depositei um beijo nos lábios dele, me despedindo. Ele me desejou boa sorte na missão. Me vesti rapidamente e deixei a Mansão Malfoy, chateado por ter que partir.
