Capítulo 7
No começo do turno, Greg foi até a sala de Grissom. O supervisor estava sentado à sua mesa, concentrado em escrever alguma coisa. Ele deu três batidinhas rápidas na porta. Grissom levantou o olhar e tirou os óculos para prestar mais atenção nele.
_Entre, Greg – ordenou.
_Oi – ele começou, timidamente. – vim falar sobre os telefones.
_Alguma coisa?
_Bom, o número anotado no bolso de James Morrison era mesmo da segunda vítima, Stuart Nelson. Mas, não temos como provar que ele ligou. James Morrison não tinha nenhum tipo de telefone, pelo menos não que tenha sido encontrado. Já o telefone de Stuart Nelson, fazia chamadas regulares para a Strausser & Smith e alguns telefones anotados na agenda da mulher dele, telefones de amigos. As chamadas recebidas são do celular da esposa, da empresa e de telefones públicos. Nenhuma delas foi gravada, a companhia telefônica tinha ordens restritas para a linha ser o mais segura e discreta possível. Ao que parece, ele prezava muito a discrição e privacidade.
Grissom concordou com a cabeça.
_Tudo bem, Greg. Vamos esperar que Nick e Sara tenham mais sorte com o computador e os arquivos dele.
Ouviram outra batida na porta , era Catherine. Ela nem esperou o convite, entrou na sala exibindo um grande sorriso.
_Olá, garotos! – cumprimentou ela – Como estão?
_Oi! – respondeu Greg, brevemente.
_Olá, Catherine. – Grissom devolveu-lhe o cumprimento.
_Que caras são essas? – ela perguntou, sentando-se ao lado de Greg e cruzando as pernas ao acomodar-se.
_Os telefones não deram em nada. – explicou Greg.
_Então não temos como provar que havia ligação entre as vítimas.
_Talvez nem houvesse, de fato. – Grissom argumentou.
_Mas o número de Stuart Nelson estava anotado em um papel no bolso de James Morrison. – retrucou Catherine.
_Isso não quer dizer que ele o tenha conhecido, ou que tenha ligado para ele. – O supervisor tentava se manter racional. Por mais que ansiasse descobrir tudo logo, não era de seu feitio fazer suposições, ainda mais onde poderiam caber tantas delas. Ou nenhuma.
_Nick já analisou o computador dele? – ela mudou o rumo da conversa.
_Ainda não. – Greg respondeu. – vi ele e o Archie na sala de audiovisual quando estava vindo pra cá.
_Você vai ao trabalho de Stuart Nelson? – perguntou Catherine, tentando dar à voz um tom impessoal e indiferente, mas a pergunta lhe queimava por dentro. Queria que a resposta fosse sim, e que ela estivesse incluída no grupo que iria até lá. Mas será que queria mesmo? Ver Josh novamente não despertaria algo estranho nela? A verdade é que nem ela sabia o que queria ouvir como resposta.
_Warrick foi até lá com o Brass, há uns dez minutos. – ele respondeu, num tom meio disperso, voltando a examinar os arquivos.
Ela olhou para o chão, sentindo-se meio estranha. Sem saber ao certo se queria ou não ter ido também.
O silêncio se abateu sobre eles, mas não durou mais do que dois ou três segundos. Depois de passar o olhar de um para o outro, Greg perguntou ao chefe:
_E o que fazemos agora? Esperamos?
_Se quiser pode ir ajudar o Nick ou a sara. – ele disse, desviando o olhar para ele por um momento.
_Tudo bem. Você vem, Cath?
_Se for ajudar ao Nick, vou ver se Sara precisa de ajuda com os arquivos.
Ele concordou com a cabeça, se levantando, mas mal deu dois passos e Nick apareceu na porta da sala.
_Oi, pessoal! Más notícias sobre o HD do senhor Nelson.
_O que foi que houve? – perguntou Greg, fazendo a mesma pergunta que pairava pelos olhares de Grissom e Catherine.
_O sistema estava protegido por um programa de segurança mais potente que o do governo. – o CSI começou a explicar - É preciso uma senha para ter acesso às pastas e informações. Desligamos e tentamos remover o sistema, mas ele tinha um programa anexo de autodestruição. Qualquer erro na senha, ou uma forma errada de desinstalar o programa ativaria esse mecanismo. Quando tentamos remover o programa usando um dos nossos servidores acabamos ativando o programa e o HD foi formatado. Sinto muito.
_O que será que ele tinha no computador pra ter um sistema de segurança tão avançado? – especulou Greg.
_Seja lá o que for ele levou para o túmulo. – ajuntou Catherine.
_Agora só nos resta esperar que Sara tenha algum progresso com aqueles arquivos. – terminou Grissom.
_Falavam de mim? – Sara apareceu na porta, entrando em seguida e parando ao lado de Catherine.
_O quê que é isso? – falou Greg – Convenção de premeditações?
Sara olhou para ele confusa, mas ignorou o comentário.
_Vim falar sobre os arquivos da vítima. Analisei todos os documentos. A maioria deles é de dados públicos da empresa, algumas contas feitas por fora, dados de contabilidade em geral. Nada que pudesse surpreender muito. Enviei um fax aos bancos pedindo informações sobre aquelas cópias de cheques. Todos foram descontados, claro, e, como eram ao portador, não ficaram registrados os dados das pessoas que sacaram o dinheiro. Mas, olhando nos lançamentos de balanço da Strausser&Smith, tem uma quantia exatamente igual ao valor da soma dos cheques lançada como "Pagamento de Serviços de Terceiros". Pode ser qualquer coisa, mas tudo está dentro dos padrões e parâmetros legais. Não vai nos ajudar muito.
_Certo. – Assentiu Grissom – Obrigado, Sara.
_Bom, por enquanto, não temos nada para trabalhar. Vamos esperar que o Warrick traga alguma novidade do trabalho da vítima.
Greg olhou para a porta, esperando que o colega entrasse também, como fizeram os outros, mas dessa vez a invocação não deu certo e ele voltou a prestar atenção em Grissom.
_Por enquanto é só. - finalizou o CSI mais velho.
_Só? Então estamos dispensados? – Greg ficou animado com a perspectiva.
_Claro! – brincou Grissom, fazendo um sorriso surgir no rosto do mais jovem.
_É sério?
_Claro que não. Não vão a campo hoje, mas há muito a ser feito aqui no laboratório. Podem começar por revisar os relatórios nessas pastas. – ele pegou algumas das pastas que estavam sobre a mesa e foi entregando para cada um dos quatro a sua frente.
_Mais papelada. – Sara sorriu com desdém – Muito obrigada, Greg!
Cada um deles saiu da sala carregando as pastas designadas.
Aquela noite estava mais fria que as anteriores. Apesar do deserto o inverno imperava também sobre Vegas. Catherine atravessou a porta da frente do Departamento de Criminalística, vestindo o casaco preto de camurça por cima da blusinha de lã em listras lilás e brancas e da calça jeans escura. Displicentemente ela andou pelo estacionamento, à procura de seu carro. Mas não foi uma SUV que chamou sua atenção, e sim um Mercedes SKL preto. Aquele mesmo carro a levara a um restaurante a noite passada. Apoiado ao lado do carro estava Josh, as mãos nos bolsos das calças pretas, uma camisa cinza escuro e um paletó também preto. Assim que a viu ele sorriu. Ela lhe retribuiu o sorriso, aproximando-se do carro.
_Olá! – ele a cumprimentou.
_Oi. O que está fazendo aqui? – ela perguntou de forma gentil.
_Bom, eu estava sem nada pra fazer, ninguém em casa, nada interessante na TV, aí pensei em dar uma volta e ver se você gostaria de aproveitar esse friozinho comigo, me fazendo companhia. Tenho uma garrafa de Bourbon e duas taças nos esperando. Espero que não tenha outros planos para essa noite.
_Na verdade não tenho.
_Que bom! Nesse caso, podemos entrar logo no carro? Tentei parecer elegante para você, mas a verdade é que estou congelando! – ele lhe confidenciou, abaixando o tom de voz e aproximando-se um pouco mais dela, fazendo Catherine rir.
_Tudo bem. Talvez eu dê um jeito de te aquecer. – ela jogou charme para ele, enquanto entrava no carro.
Logo chegaram a casa dele. De fato não havia ninguém. Assim que entraram, Catherine sentiu o conforto do aquecimento central e tirou o casaco, deixando-o sobre o sofá. Eles foram lá para cima e Josh a levou até a varanda de seu quarto, onde havia um banco forrado com uma manta bege e, ao lado, uma mesinha com uma garrafa de vinho e duas taças.
_Parece que já tinha tudo planejado – Catherine disse, observando o local.
_Na pior das hipóteses, só teria que guardar a outra taça – ele respondeu, acomodando-se no banco. Catherine sentou-se a seu lado e ele serviu o vinho. Começaram a beber e conversar sobre coisas banais, até que, já na segunda taça, Catherine perguntou olhando diretamente em seus olhos:
_Por que nunca fala nada sobre você?
_Ah, não há nada para falar. – ele respondeu, mantendo o olhar fixo nos olhos dela. – Mas, se há algo que queira perguntar, fique à vontade!
_Pode começar me contando sobre seu sobrenome. Disse que sua família era italiana, mas Strausser me parece russo.
_Alemão, na verdade. - corrigiu ele- É o nome da família do meu avô. Eles foram exilados e fugiram durante a guerra. Acabaram indo parar na Itália, onde ficaram até meus pais resolverem vir para os Estados Unidos, onde eu nasci. Acho que o final da história você conhece.
Ela sorriu em resposta. Josh terminou a segunda taça e então olhou para o céu. Naquele bairro, distante das luzes dos cassinos e boates, podia-se ver melhor as estrelas.
Josh deslizou pelo banco aproximando-se mais dela.
_Vem cá. Quero te mostrar uma coisa. – quando seus corpos se tocaram ele passou o braço pelas costas dela, abraçando-a. – Olhe o céu.
Ela assim fez. A lua cheia tinha um brilho azulado, extremamente ofuscante. Quase não havia nuvens, o que deixava uma visualização perfeita.
_Vê aquela estrela perto da lua? – ele perguntou – aquela maior e mais brilhante.
Ela fez que sim com a cabeça.
_Ela é sua. – ele sussurrou em seu ouvido.
Catherine o olhou,confusa.
_É a sua estrela. – ele continuou – Eu devia dar seu nome a ela, mas acho que já foi nomeada.
Ela riu, olhando para ele.
_Está me dando uma estrela?
_Eu estou tentando ser romântico, será que pode colaborar? – ele riu também.
_Desculpe - ela tentou controlar o riso – É que ninguém nunca me deu uma estrela antes!
_Eu te daria o universo inteiro, se fosse possível.
Ela ficou em silêncio por um momento. Seu coração saiu do compasso por um instante. Josh proseguiu:
_Eu pensei em te dar um anel, ou um carro, mas não teria o mesmo significado. Se brigássemos você jogaria o anel fora, ou mandaria o carro para um ferro-velho. Mas a estrela não. Ela estará lá para sempre. Mesmo que esteja de dia e você não possa ver, mas ela estará lá. E, quando estiver sozinha à noite, pode olhar para ela e saberá que estarei fazendo o mesmo.
_Acho que eu devia dizer algo, mas não sei o que.
_Não precisa dizer nada. Nunca te disseram que às vezes um olhar fala mais que mil palavras?
_Você é assim sempre, ou só está tentando me seduzir?
_Depende. Está funcionando? – ele sorriu.
_Acho que sim. – ela disse, voltando a encará-lo.
Ficaram assim por intermináveis segundos, até que Josh quebrou o silêncio:
_Seus olhos são lindos. Poderia ficar a noite toda aqui, só olhando para eles.
_Josh?
_Sim.
_Será que pode parar com esses elogios baratos e me beijar logo de uma vez?
_Será um prazer! – ele sorriu, passando uma mão por debaixo dos cabelos dela e fez seus lábios se encontrarem.
O toque das mãos dele em sua nuca fez Catherine se arrepiar. O beijo foi ficando mais intenso, mais provocante. Ela tinha uma das mãos apoiada no peito dele e a outra enrodilhada em seu pescoço. Ele passou a beijar-lhe o pescoço, disputando espaço com a gola da blusa de lã macia. De olhos fechados, ela encostou a cabeça no ombro dele, permitindo melhor acesso ao seu pescoço. A mão livre dele deslizava pela coxa dela, subindo até a cintura, onde encontrou um pedacinho de pele descoberta, logo abaixo da blusa, e subiu pelo caminho que acabara de descobrir, fazendo a pele dela se eriçar com o toque. Cautelosamente ele foi encaminhando a mão mais para cima até chegar ao fecho do soutien. Ela não o repeliu, não o pediu para parar, pelo contrário, ela beijou-lhe o pescoço, o maxilar, voltando então a colar seus lábios nos dele. Josh se inclinou para frente,ficando por cima dela e fazendo-a recostar-se mais no banco. Estavam cruzando a linha entre controle e desejo. Já não eram mais donos de si mesmos. Josh parou de beijá-la por um instante, ainda mantendo seu rosto muito próximo do dela. Ele a olhou nos olhos da forma mais franca que pôde:
_Fique comigo esta noite. – ele pediu. – Quero tê-la por inteiro, conhecer cada milímetro do seu corpo.
_Então me leve para a sua cama. – ela o abraçou, trazendo-o mais para perto – Leve-me ao céu...- sussurrou no ouvido dele, de olhos fechados.
Josh levantou-se e a pegou pela mão, fazendo-a ficar de pé também, de frente para ele. Ela o segurou pela gola da camisa meio aberta e o puxou para mais um beijo. Ele passou os braços em volta dela, caminhando em direção à porta do quarto, que atravessaram meio aos tropeços; ela, empenhada em abrir-lhe os botões da camisa; ele, tentando tirar-lhe a blusa. Poucos passos depois e estariam na cama dele. Josh, por cima dela, cobrindo-a de beijos. E se amariam pela primeira vez, descobrindo, tocando, desejando, explorando, sentindo... Até que adormecessem nos braços um do outro, felizes e exaustos.
