Cap. VII
- Rigsby disse que Jane não mencionou a aposta.
As duas estavam agora nas mesas sob guarda sóis à beirada da piscina. Lisbon quase vomitou ao ver um drink de framboesa, e pediu um suco de laranja.
- Ah, claro. Ainda. – ela disse.
- Talvez esteja arrependido. Ele me pareceu bastante… abatido.
Lisbon olhou nos olhos de Van Pelt como se estivesse preocupada, então balançou a cabeça, como se um choque de realidade tivesse lhe atravessado, como se lhe ocorresse o quão idiota era por ficar preocupada com Patrick.
- Ele queria vir falar com você, mas eu disse que não queria receber ninguém.
- Certo. Certo, obrigada.
- Chefe… - começou Van Pelt, tateando o caminho por onde iria falar, para que não irritasse Lisbon – Talvez seja hora de falar com ele. Perguntar por que fez isso.
- Não. Eu não quero vê-lo nunca mais.
- Bom, então é melhor sair daqui… - disse Van Pelt ao vê-lo vindo em sua direção.
Lisbon olhou pra trás e sentiu ódio só de vê-lo. Levantou-se e saiu andando, como se nada tivesse acontecido. No caminho, avistou Richard, bebendo no bar. No impulso do momento, foi até ele e se sentou no banco ao lado.
- Bom dia, Richard.
Ele a olhou bem, ficou um pouco em silêncio e então sorriu.
- Bom dia, Teresa. Como passou a noite?
- Engraçado perguntar isso.
- Eu deveria saber?
- Não, não. Claro que não. – Lisbon olhou para trás e viu que Patrick havia parado e a estava observando – Eu estive pensando… Eu acho que devíamos reatar o namoro. Claro, se você quiser.
- Nossa, por que isso de repente? Claro que eu quero, mas… o que a fez mudar de idéia?
- Digamos que essa noite.
Ele ficou um tempo em silêncio olhando para ela, como se tentasse entender, sem sucesso.
- E então? – perguntou Lisbon, e olhou para trás, pra ver se Jane continuava olhando – Vai me beijar ou não?
Richard se surpreendeu com essa frase, pois do tempo que namorava Lisbon, ela nunca fora assim. Na verdade, era ele quem implorava por beijos, sempre. Mas a beijou.
Patrick, de longe, levou à mão aos cabelos e virou de costas. Em seguida voltou-se ao casal e caminhou até eles.
- Lisbon, preciso falar com você.
- Eu não tenho nada pra conversar. – ela respondeu.
- Hey, cara, já é a segunda vez que nos interrompe.
Patrick lhe lançou um olhar fulminante. Parecia querer matar aquele homem lentamente, e assisti-lo sofrer.
- Lisbon, por favor.
- Eu não permito que ela vá falar com você. – sorriu o homem.
- Quem é você pra impedir Lisbon de fazer algo?
- Sou o namorado dela.
Patrick ficou em silêncio, processando a informação, e só então olhou para Lisbon, como se lhe pedisse uma explicação.
- Se tem algo pra dizer, diga aqui. Não vou esconder nada dele. – ela avisou.
- É incrível sua atitude meramente infantil para me irritar. – disse Jane. – Está disposta a ficar ao lado de alguém que você não gosta e que não te merece apenas para evitar ter de resolver seus problemas com uma simples conversa. Está fugindo como uma criança brincando de pega pega, e esse homem é o seu piques, onde está a salvo de mim. Mas até quando vai ficar aí? Ou melhor, até quando vai ficar brincando de pega pega, esconde esconde, até quando vai fugir dos seus problemas?
Lisbon ficou algum tempo sem nada dizer e seus olhos começaram a ficar vermelhos, mas ela conseguiu controlar suas emoções.
- Você devia ter vergonha de vir falar comigo. – ela disse, finalmente.
- Só quero resolver esse problema. Como adultos.
- Não há problema algum. Estou apaixonada por Richard e nós voltamos a namorar. Não tem nada a ver com você, Jane.
- Eu entendo. – ele afirmou, balançando a cabeça, dando a entender que o ponto não era esse – Eu entendo que não queira mais falar comigo ou que não queira me ver. Entendo até que acabe com meu emprego no CBI, o que terei de implorar para que não faça, pois ainda tenho uma dívida com Red John, mas eu não entendo, e nem aceito, que fique com esse… esse homem.
Richard se colocou na frente de Lisbon, erguendo os ombros e o olhando de cima. Era um tanto mais alto que Patrick, talvez do tamanho de Rigsby.
- E se ela prefere a mim do que a você, heim, cara? Qual o problema com isso?
- Você é o tipo de homem que é capaz de cometer atrocidades e ainda assim sorrir no dia seguinte. É um aproveitador. Foi o idiota perdedor no colegial, ganhou dinheiro, fez algumas plásticas e resolveu compensar toda a perda agora. Tenho uma novidade pra você: não tem mais quinze anos, sua época acabou. É hora de assumir suas responsabilidades e pagar pelo que faz.
No momento seguinte, Jane estava no chão, com o nariz sangrando.
- Richard! – berrou Lisbon, e em seguida o segurou para que não batesse mais.
- Suma da minha frente, cara, ou eu te mato.
Jane se levantou, limpou o sangue, que, no entanto, continuou a escorrer e balançou a cabeça.
- Essa é sua escolha, Lisbon. – ele disse.
- Sim.
- Não vai me dar a chance de explicar. – ele concluiu.
- Não. Não hoje.
Ele afirmou com a cabeça novamente, visivelmente abatido, e sem conseguir olhar nos olhos dela. Murmurou um "ok" e foi embora.
Se não houvesse quilômetros de oceano até a terra mais próxima, Jane teria pegado a estrada e sumido.
