CAPITULO SEIS

O interior opulento do grande jato particular de Edward tirou o fôlego de Bella.

A cabine principal possuía móveis convidativos e era adornada com arte moderna. O interior também oferecia um escritório, um cinema e diversas suítes. Vestida de calça jeans e casaco de algodão, ela sen tiu-se simples demais no ambiente sofisticado que a cercava.

— Para qualquer lugar que vou, preciso ser capaz de trabalhar. Passo muito tempo viajando e geralmen te levo alguns funcionários comigo — explicou Edward durante o almoço delicioso que foi preparado pelo chef pessoal dele.

Era um vôo curto e quando a refeição acabou, o jato já estava se preparando para aterrissar.

— Por que Paris? — indagou Bella na limusine que os tinha apanhado no aeroporto.

— A França tem leis rígidas para a invasão de priva cidade da imprensa. Muitas pessoas públicas acham a mídia menos intrusiva aqui.

— Então para onde me levará?

— É uma surpresa... Uma surpresa boa, espero, cara mia.

O destino deles foi a Villie St-Louis, uma das áreas residenciais mais exclusivas de Paris. O carro parou diante de uma construção elegante do século XVII. Cada vez mais curiosa, Bella acompanhou Edward para dentro. A luz do sol entrava por janelas altas e iluminava um hall refinado e uma escadaria, comple mentados por uma decoração contemporânea impressionante.

— Sinta-se livre para explorar — murmurou Edward suavemente.

Bella não tentou esconder a confusão.

— O que está acontecendo? Por que você me trou xe para esta casa?

— Comprei esta casa para você. Quero que crie meu filho aqui.

Ela estava perplexa pelo conceito e pela palavra. Meu filho, não nosso filho. Notou a distinção, mas tentou considerar aquilo como um sinal de encorajamento do desejo dele em se envolver no futuro do bebê. Incrédula, meneou a cabeça.

— Quer que eu me mude para outro país e viva sendo dependente de você? E devo bater palmas de alegria ou algo assim?

— Deixe-me explicar como vejo isso — pediu Edward.

Bella ficou calada para não lhe dizer mais uma vez o quanto o considerava arrogante e audacioso. Deveria ficar impressionada pela surpresa que prova velmente custara milhões. Devia achar que ele estava sendo generoso e criativo numa situação difícil. Con tudo, sentia-se humilhada e ofendida, uma vez que, novamente, Edward usava a riqueza e o poder para tomar decisões por ela.

— Quer vinho? — Ofereceu ele, indicando a garra fa chique sobre a mesa. — É um Brunello clássico dos vinhedos Cullen, os quais pertenceram aos Cullen por séculos.

— Estou grávida... Álcool não é uma boa idéia, — Quando Edward continuou olhando-a sem compreen der, ela acrescentou: — Você sabe alguma coisa sobre mulheres grávidas?

— Por que eu saberia?

Bella cruzou os braços.

— Diga-me por que você acha que seria uma boa idéia eu me mudar para a França.

— Se permanecer em Londres, você sempre sofre rá preconceitos por causa de seu passado.

— Por minha prisão, você quer dizer.

Edward a estudou longamente.

— Com minha ajuda, você pode reescrever sua his tória e enterrar seu passado. Pode trocar de nome e se mudar para cá a fim de começar uma vida nova. Se ria uma segunda chance para você e também propor cionaria um ambiente menos contencioso para meu filho.

A franqueza dele realmente machucava. Respirando fundo, Bella andou até a janela. Enterrou as unhas nas palmas enquanto lutava para manter a compostura.

— E você acha que é isso que devo fazer?

— Se você permanecer em Londres, nossa associa ção será inevitavelmente exposta pela imprensa. Uma vez que isso estourar, não poderá mais ser contido.

Num movimento abrupto, Bella se virou.

— Ouvi você e agora terá de me ouvir. Fui para a prisão por um crime que não cometi. Eu não roubei aquela jarra, ou nenhum dos outros itens que sumiram da coleção da sra. Taplow.

Com o semblante inflexível, Edward suspirou.

— Você cometeu um erro. Era muito jovem e não tinha família para apoiá-la. Vamos nos esquecer disso e lidar com o desafio atual.

Empalidecendo, Bella o encarou. Estava chocada pela recusa dele em considerar que ela pudesse ser inocente.

— Você não pode ao menos me ouvir?

— Você foi ouvida na Corte diante de um juiz e de um júri, 4 anos atrás.

Sentindo-se como se tivesse sido golpeada no rosto, Bella desviou o olhar. Edward se recusava a ouvir a declaração de inocência. Não queria ouvir a história dela porque estava convencido de que era culpada.

— Minha preocupação está no futuro — continuou Edward. — Iremos nos focar nisso.

Ela o fitou agora, os olhos castanhos cheios de raiva.

— Você não está preocupado comigo, exceto em controlar tudo que faço sem assumir um compromisso em retorno.

— Esta casa é um grande compromisso para mim. Pense na vida que você teria aqui. — Edward fechou a distância entre os dois e lhe pegou as mãos. — Um recomeço, sem preocupações financeiras, o melhor para você e seu filho. Por que está discutindo sobre isso?

Precisamos lidar com essas praticidades antes de con siderarmos qualquer ângulo mais pessoal.

— Eu lhe disse que nunca optaria pelo "estilo de vida lucrativo". — A voz dela era trêmula porque es tava tentando, sem sucesso, afastar-se dele. Em todos os níveis, os sentidos desejavam contato físico, mesmo que fosse apenas o calor das mãos másculas nas dela. Estava totalmente perturbada, querendo fazer a coisa certa enquanto temia tomar a decisão errada.

— Eu nunca deveria ter feito esse comentário, delizia mia. Estava agressivo sem motivo naquela noi te. Você agora carrega meu filho. Quem mais deveria cuidar de você?

Edward estava tão perto que Bella mal conseguia respirar de tanto que o desejava. Podia sentir o efeito eufórico da proximidade dele ameaçando fechar-lhe o cérebro, enquanto não queria pensar ou criar uma dis tância entre os dois. Decidiu que os sentimentos por Edward Cullen eram muito mais profundos do que gostaria de admitir.

— Bella — sussurrou Edward numa entonação pu ramente sedutora.

— Ouça, eu nem mesmo decidi se ficarei com o bebê ou não. — Ela teve de forçar a frase, porque era muito difícil pensar com clareza e suprimir um conhe cimento que ameaçava destruí-la de auto-desgosto.

Surpreso, ele apertou os dedos ao redor dos pulsos dela.

— O que você está tentando sugerir?

Com expressão sofrida, ela tirou as mãos das dele.

— Posso optar por adoção...

— Adoção? — Repetiu Edward incrédulo.

— Eu fui adotada e tive uma infância muito feliz. Se eu não estiver certa de que posso fazer meu bebê feliz, vou considerar adoção como uma possibilidade. Porque de uma coisa eu sei! — disse ela com ênfase. — Isso não se trata de casas, aparências e dinheiro! Nem se trata do que você quer. Trata-se de minha ha bilidade de amar e cuidar do meu bebê.

As feições bonitas e bronzeadas ficaram tensas.

— É claro que sim. Mas você não estará sozinha nessa situação. Terá o meu apoio.

— Você não estará aqui nas horas difíceis. Virá vi sitar apenas quando lhe for conveniente. Não entende que não quero ser dependente de você? Não quero que pague minhas contas e me diga o que fazer o tempo todo...

— Não será assim.

Bella foi rápida para desafiá-lo novamente.

— Não? Então eu estaria livre para morar com ou tro homem aqui se conhecer alguém?

Os olhos de Edward se tornaram furiosos. Foi pego de surpresa e o desgosto à idéia falou por ele.

— Obviamente não — disse ela. — Você esperaria que eu vivesse como uma freira...

— Ou que se contentasse comigo.

— Oh. — Bella tremeu, a raiva crescendo agora.

— Então você não está apenas falando sobre ser um pai que vai me dar apoio. Haveria elos sexuais atados a este arranjo, também.

— Esta é uma observação sórdida. Não posso pre ver. Não sei o que acontecerá conosco.

— Você sabe exatamente o que aconteceria conos co, e a resposta seria nada — declarou ela. — Pelo que sei, você nunca teve um relacionamento sério na vida. E certamente não irá quebrar seu hábito por uma ladra condenada!

Edward a pressionou entre a janela e a parede e a estudou com olhos sensuais.

— Mesmo se não posso manter as mãos longe de você quando está me irritando, delizia mia?

Mas Bella estava com muito medo do magnetismo dele para relaxar a guarda.

— Você disse isso para Lauren Mallory também? Ou ela se qualifica para uma abordagem menos cri tica?

As feições clássicas de Edward estavam impassíveis quando avisou:

— Não dou satisfações a nenhuma mulher.

— Então como ousa exigir alguma coisa de mim? — Bella estava tão furiosa que tremia. — Recuso-me totalmente a ser um tipo de segredo sujo em sua vida!

— Não foi isso que eu lhe pedi.

— Sim, foi. Tem vergonha de mim, mas ainda quer dormir comigo. Eu jamais aceitarei isso. Perdeu seu tempo e o meu me trazendo aqui, Edward. — Ela foi para a porta. — Quero voltar para Londres.

— Isso é infantilidade, bellezza mia.

— Não — discordou ela. — Estou sendo sensata.

— Temos de chegar a algum acordo sobre essa si tuação.

Bella lhe lançou um olhar de desdém.

— Não posso conversar com você do jeito que es tou me sentindo. Talvez possamos nos falar ao telefo ne daqui a alguns meses.

— Daqui a alguns meses? — disse ele atônito. — Você precisa de mim agora!

— Não, não preciso.

Maremma maile... Você não está se cuidando de maneira apropriada! — condenou Sérgio de repente. — Quantas horas por dia trabalha? Não pode manter dois empregos enquanto está grávida e permanecer saudável.

Bella lhe deu um olhar frio.

— Vou conseguir. Aprendi há muito tempo a não confiar em um homem.

— Quem lhe ensinou isso?

— O amor da minha vida... Jacob. — Ela sorriu como se deliberadamente tivesse falado aquilo para colocar mais uma barreira entre eles. — Nós crescemos juntos, éramos vizinhos. Não há nada que eu não teria feito por ele. Mas ele não merecia isso e com você não será diferente...

A expressão de Edward era de ultraje.

— Estou fazendo todo o possível para apoiá-la.

— Não, você está me oferecendo dinheiro e me mandando para um país estranho onde tenho menos chance de lhe causar embaraço. Se chama isso de apoio, fique com ele! — Bella abriu a porta da frente num esforço para terminar o confronto.

Madonna diavolo! E quanto a isso? Pode ficar sem isso também? — Ele a pegou nos braços e a bei jou com uma paixão arrebatadora.

Imediatamente ciente da masculinidade dele contra o corpo dela, ela tremeu naquele abraço apertado e correspondeu a cada beijo de maneira intensa e seden ta. Mas nada podia suavizar a tristeza em seu interior e a dor no coração. Quando ele a liberou, Bella se encostou contra a parede.

— Eu deveria beber o vinho clássico e subir a es cada com você para comemorar, certo? — Ela conti nuou lutando, apesar de os joelhos estarem trêmulos. — Mas não estou tão desesperada a ponto de precisar compartilhar um homem, e nunca estarei!

Edward já estava usando o telefone. Não se dignou a responder à explosão. O silêncio era sufocante. Ela sentiu-se ignorada e achou isso insuportável. Mesmo quando estava furiosa com Edward, queria estar de vol ta os braços dele. Ele girou a chave da porta e não disse nada. Também não a impediu de partir.

— Odeio você... Realmente odeio você — sussur rou ela e partiu, e naquele instante sentia exatamente o que lhe dissera.

A porta foi fechada calmamente.

Consciente de que os seguranças de Edward observavam cada movimento, Bella se esforçou para parecer composta. Então subitamente, vindo da casa atrás dela, ouviu o inconfundível barulho de vidro quebrando. A garrafa de vinho especial atingindo a lareira? Ela endireitou os ombros e ergueu o queixo. Com olhos brilhando de satisfação e um novo propó sito no próximo passo, se dirigiu para o carro que a aguardava.

Durante as duas semanas seguintes, todavia, Bella sentiu-se totalmente exausta. Boboo morreu dormindo e ela ficou inconsolável pela perda do gato. Enquanto temia pelo futuro e sofria pelo animal de estimação, os enjôos matinais se estenderam para outras horas do dia, e começou a perder o sono de noite enquanto se preo cupava. Estar grávida e passar mal era mais esforço do que esperara, e teve de diminuir as horas que trabalhava no Café. Ciente das dificuldades financeiras de Bella, Renata lhe ofereceu um quarto vago, mas Bella estava determinada a não se aproveitar da amizade delas.

Não tivera mais notícias de Edward, até que, certa manhã, enquanto viajava de ônibus para o trabalho, viu um flash do rosto dele numa página de jornal que um homem estava lendo ao lado dela. Não foi possí vel ver sobre o que o artigo se tratava, então, assim que desceu do ônibus, comprou o jornal e pagou o preço pela curiosidade.

Edward, ela descobriu, era dono de um iate gigan tesco chamado Diva Queen, e tinha dado uma festa de despedida de solteiro para um amigo, Jasper Withlock, um bilionário grego. Uma dançarina exótica falava sobre "orgia no mar". Bella estudou a foto de Edward dançando com uma loira seminua. Mesmo com a camisa aberta e parecendo embriagado, ainda estava lindo e ela engoliu em seco. Ele realmente gostava de loiras, pensou com tristeza. Também parecia estar se divertindo muito.

Aquele não era um homem que uma mulher esco lheria para ter um filho não planejado, reconheceu. Entretanto, como poderia culpá-lo quando ele já havia aceitado responsabilidade e estava disposto a ajudá-la financeiramente? Em nenhum momento Edward lhe dissera como sentia-se com a perspectiva de ser pai, e agora percebia que não precisava dizer, quando o comportamento falava tão claramente por ele.

Na opinião de Bella, ele dera aquela festa no iate como uma forma de reagir à situação em que se en contrava. Não queria ser pai e estava ainda menos feliz que a mãe do futuro filho tinha antecedentes cri minais. Aqueles eram fatos desagradáveis e era hora de ela aprender a aceitá-los. A primeira coisa a fazer era não envolvê-lo naquele primeiro estágio da gra videz. Um período de separação provavelmente seria bom para ambos, pensou com tristeza. Ela precisava de tempo e espaço para decidir o que queria fazer depois que o bebê nascesse. Esperar que Edward lhe desse uma resposta para os medos e dúvidas era um caminho certo para a decepção.

Naquela noite, Bella comeu no apartamento com Renata e lhe contou suas intenções.

— Terei de deixar Londres. Se eu parar de trabalhar no Café, não conseguirei pagar o aluguel. E não quero pedir ajuda a Edward.

— Por que não?

Bella pegou o jornal da bolsa e o colocou sobre a mesa.

Renata leu o artigo, arqueou as sobrancelhas e o colocou de lado sem comentários.

— Se você não se importa em cuidar de crianças e cozinhar, pode ir para casa de minha afilhada em Devon — disse ela.

— Sua afilhada? A corretora de imóveis?

— Angela é agitada e prática como você. Vocês vão se dar bem. O marido dela é jornalista e raramente está em casa. Ela está grávida do quarto filho e pre cisando desesperadamente de ajuda, uma vez que a babá dela se casou — murmurou Renata. — O que você acha?

— Vou considerar qualquer opção — respondeu Bella. — Não há nada para me manter aqui.