A aula de Herbologia estava entediante como nunca. Era, de longe, a matéria que Hermione menos se interessava, apesar de estudá-la com o mesmo afinco que para as outras matérias. O papo de Harry e Rony era outro assunto que a cansava cada vez mais, seja pelo conteúdo, seja pelo simples fato de que nada do que eles dissessem era muito novidade para ela.

Os meninos sentiam muita dificuldade em se concentrar, cada um por seu motivo; por isso, Hermione sempre redobrava a atenção nas aulas, só para o caso deles resolverem fazer algo muito idiota, ou se fizerem algo muito idiota sem ao menos pensar antes. Nesse dia, contudo, a garota era quem estava distraída na estufa.

Ela pensava na resposta de Malfoy sobre ele se deixar seduzir: o que será que ele quis dizer? Seria aquilo uma brecha? Será que ele ainda estava zombando com ela?

Rony parecia especialmente feliz naquele dia. Hermione não se deu ao trabalho de perguntar o porquê, justo pelo motivo de que estava muito na cara depois de alguns minutos de aula. Lilá estava muito vermelha e parecia ter chorado horrores, enquanto que ele não usava mais o colar que ela havia lhe presenteado. Os dois haviam terminado.

– O que acha de tomarmos uma na festa que a Chang está organizando para hoje, Harry? Hein, Hermione? Topam? – Ele estava animado e não parava de insistir. Hermione lembrou-se vagamente de concordar com aquilo enquanto observava, de canto de olho, cada movimento de Malfoy perto de Pansy Parkinson.

Os dois eram muito amigos, o que era mais do que notável. O modo com que se portavam perto um do outro era bem similar à maneira com que Harry a tratava e vice-versa (o que era engraçado, porque Hermione sempre tivera a impressão de que Parkinson tinha ciúmes da atenção que Malfoy dava a ela, mesmo que de uma maneira ruim); agora, contudo, sob um olhar mais atento, estava muito na cara que eles não tinham nada um com o outro.

Blásio Zabini, por outro lado, ainda tinha o olhar que Hermione classificara como engraçado na direção da garota. Ela evitava seus olhos, mas, quando sua curiosidade falava mais alto, ela se arrependia. Numa hora, porém, Malfoy percebeu aquela troca de olhares e imediatamente fechou a cara.

A aula demorou séculos em sua opinião, mas finalmente terminou, fazendo com que os garotos subissem de volta para o castelo. Hermione tinha um tempo livre enquanto que os amigos deveriam ir para a aula de adivinhação, o qual ela utilizou para pedir a Gina alguma dica de como se vestir para a festa daquela noite.

Gina, muito feliz com a nova proximidade com a amiga, passou horas adaptando um look ousado ao estilo certinho da amiga, acabando por ceder aos seus gostos: Hermione terminou com uma camisa xadrez em vermelho e preto, uma saia preta que vestia até o meio das coxas (para seu eterno constrangimento e para a alegria de Gina), All Star vermelho e cabelo solto. Fez uma maquiagem leve e passou um perfume almiscarado, agradecendo a amiga e indo de encontro a Harry e Rony.

Dino esperava a ruiva do lado de fora do quarto e, quando viu a namorada, agarrou-a e a tirou do chão, ao que Harry e Rony ficaram ambos muito vermelhos de raiva. Hermione deu uma risada e puxou-os pelos cotovelos, deixando o casal com certa privacidade. Os garotos dirigiram-se animados até a Sala Precisa, onde a festa já acontecia fazia algumas horas.

– Vou pegar algo para a gente beber. Só um minuto. – Rony disse no momento em que percebeu a proximidade de Lilá.

Hermione e Harry se entreolharam, rindo. A garota percebeu o incômodo que assolava o amigo.

– Harry, posso te falar uma coisa?

– Sim? – Concordou o garoto distraído, olhando para os lados.

– Eu gosto muito de você... Mas às vezes você é tão burro – ela foi logo no ponto, capturando a atenção do moreno, que deu uma risada pelo nariz.

– Diz isso por que...

– Ah, vá. Não se faça de desentendido. – Disse ela, sentando-se com ele em um banco perto da caixa de som para que somente os dois se escutassem. – Você deveria dizer alguma coisa à Gina, sabe. Quem sabe ela corresponde?

Harry olhou-a como se ela estivesse dizendo algo muito estúpido.

– Ela está ocupada demais ficando com todos os caras da escola.

– Mas ela só faz isso porque está cansada de tentar chamar sua atenção! – Hermione exclamou, inconformada com a atitude de Harry. O garoto só fazia olhar ao redor; parecia estar procurando alguém. Quando finalmente arregalou os olhos, Hermione o seguiu e seu sentimento desesperado aumentou. – E ainda por cima veio aqui por causa da Chang?

– Ah, Hermione, dá um tempo – disse ele, saindo de perto dela e indo em direção à morena.

Ela suspirou e resolveu pegar uma bebida ela mesma. Do tanto que estava aprendendo a ficar sozinha, parecia uma ação inofensiva, a não ser por...

– Olá, Granger.

Hermione foi barrada por um moreno muito alto. Era Zabini.

– Eu te conheço? – Ela disse, levantando uma sobrancelha. O garoto riu.

– Não. Sou Blásio, prazer.

– O prazer é meu, Blásio. Com licença – ela esquivou-se do garoto e continuou andando até o balcão onde se encontravam as bebidas, enchendo dois copos de cerveja amanteigada. O moreno a seguiu.

– Eu queria te fazer uma pergunta... – Ele começou.

– Pois não? – Ela o olhou depois de virar metade do primeiro copo de cerveja de uma vez. Ele arregalou os olhos e depois sorriu.

– Você está saindo com alguém?

– Não – Hermione respondeu de pronto, porque era a verdade.

– Ótimo – disse Blásio, puxando-a pela cintura e beijando-a ardentemente.

Hermione ficou sem reação por alguns segundos, e foi o que bastou para a bebida começar a fazer efeito em seu sangue mal-acostumado. Ela correspondeu o garoto, comparando-o imediatamente com Córmaco – e sorrindo com a comparação ao constatar que Blásio era ótimo com beijos.

Ele afastou o rosto do dela por um segundo, sorrindo de orelha a orelha e puxando a garota com ele para um canto. Nesse meio tempo, Hermione terminou de tomar o primeiro copo de cerveja, constatando também que os toques de Blásio em sua pele faziam com que ela sentisse um calor gostoso em certas partes baixas do corpo.

Blásio apoiou-se de costas numa parede para que ficasse em uma altura apropriada para beijá-la.

– Obrigada, já estava achando que teria que pegar um banquinho – ela agradeceu, fazendo-o rir e beijá-la de novo.

Hermione jogou o copo vazio longe e passou a arranhar as costas do moreno, o qual puxou seu corpo mais para perto pela cintura, pressionando nela cada pedaço de pele que conseguia alcançá-la. Hermione sentiu a dureza de sua excitação no baixo ventre e sorriu no meio do beijo.

Zabini desceu a mão de sua cintura para sua coxa, alcançando a barra de sua saia e puxando-a um pouco para cima. Um alerta piscou na mente de Hermione, que jogou o copo com cerveja na cabeça do moreno. Ele se assustou e olhou bravo para ela, que tinha se afastado; porém, quando falou, o moreno a surpreendeu, uma vez que suas feições suavizaram.

– Perdão. Fui um pouco mais longe do que deveria. – Ele pegou sua mão e olhou fundo em seus olhos. – Mas vamos concordar que você deixa qualquer um louco.

– É, tenho certeza que sim – disse uma voz carregada de raiva atrás dos dois.

Rony olhava a cena com uma cara nada boa. Zabini deu uma risada.

– Acho que te vejo depois, Granger – ele beijou a mão da garota e saiu quase saltitante.

– O que pensa que está fazendo? – Rony quase gritou. Hermione estava incrédula.

– O que VOCÊ pensa que está fazendo? – Ela começou a se afastar dele, indo em direção ao balcão na intenção de pegar mais cerveja. – Eu posso me cuidar muito bem!

– Tenho certeza que não. Faz o favor de parar de beber, sim? – Ele tentou pegar o copo da mão da garota, que ficou muito brava, desvencilhou-se dele e virou todo o conteúdo de uma vez na boca, dando um sorriso triunfante ao final.

– Não. – Ela disse simplesmente, enchendo o copo novamente.

Hermione começou a ficar com a vista embaçada, mas não se importava. Rony acabara de estragar um dos melhores momentos de seu ano letivo.

– Sai daqui, Ronald, ou vou chamar a Lilá e dizer que você se arrependeu de terminar – ameaçou Hermione, rindo.

– Eu não me arrependi – disse Rony, emburrado. – Eu nunca a quis. Só fiquei com ela porque ela foi a única que demonstrou algum interesse.

– Acho que temos algo em comum, então. – Disse Hermione, virando mais um pouco de cerveja na boca. Aquele gole deixou-a com soluços.

– Ah, larga a mão de ser trouxa – ele disse, puxando-a para seus braços. Isso deixou Hermione com tontura. – Eu sempre quis você.

E então, pela terceira vez naquele dia, e sem aviso algum, os lábios de Hermione foram tomados sem sua permissão. A atitude de Rony era algo a se pensar; algo que Hermione nunca esperaria, nem em um milhão de anos.

Contudo, dessa vez, seus lábios eram tocados pelo garoto que ela achava que gostava desde que o conhecera. Pela segunda vez naquele dia, Hermione comparou um beijo com o de Córmaco, decepcionando-se como nunca. Não havia a menor química entre os dois, apesar de que ela teve certeza, depois de refletir sobre, de que a culpa era do álcool.

Hermione empurrou Rony depois de alguns segundos sem correspondê-lo e olhou para ele com um misto de pena e raiva.

– Você só está fazendo isso porque presume algo sobre mim. A verdade é que você não sabe de NADA sobre mim, Ronald Weasley.

Dito isto, Hermione saiu em disparada da sala, carregando o restante do copo de cerveja consigo. Parou por alguns minutos no corredor em frente ao Grande Salão para bebericar o restante de sua cerveja. Passou alguns segundos olhando as portas gigantescas do castelo e, por fim, sentou-se escorada em uma pilastra fazendo absolutamente nada além de assobiar uma música aleatória.

Ela não conseguia sentir raiva, ódio ou qualquer coisa realmente ruim. O álcool deixou um efeito gostoso em seu sistema, fazendo com que ela ficasse sorridente e se sentisse muito bem consigo mesma, obrigada.

Por fim, seus assobios atraíram alguém.