7. Curioso e Inesperado

As última horas vinham sendo muito desagradáveis.

Quando chegamos em Forks, Alice pediu que eu ficasse mais algum tempo com ela. Dizia que se sentia culpada por ter passado tão pouco tempo comigo nos últimos dias. Tentei explicar que isso não era motivo de culpa, que eu estava bem – apesar de quase ter enforcado Jessica hoje mesmo. Claro que isso não foi o bastante para impedi-la. Depois de muitos prós e contras, ela me olhou com seus brilhantes olhos castanhos e disse, "Pode, por favor vir? Estou com saudades de você, Bella." Isso foi o bastante para que eu me esquece todo e qualquer cansaço que estivesse sentindo. Não existia força dentro de mim para dizer "não" á ela. Eu também sentia a sua falta, afinal.

Ao contrário das outras tardes, Jasper não ficou conosco e eu também não vira muito Edward enquanto estive na casa dos Cullen. Aliás, eu só os vira duas vezes. Quando chegamos e ao ouvir Alice me perguntando se eu queria carona até em casa.

Isso era excepcionalmente raro.

Passamos a tarde conversando em seu quarto, sem interrupções, convites para jogos, ou até mesmo pedidos de participação da conversa. Tudo parecia tenso demais para isso.

Eu não sabia explicar porquê Alice parecia aflita ao olhar para o relógio de minuto em minuto, mas eu tinha plena consciência de que o convite de Mike não tinha nada haver com isso. Perguntei várias vezes o que estava acontecendo, se havia algo errado, mas para todas as minhas perguntas tive a mesma resposta. "É só um mau pressentimento. Não vamos falar disso."

Odiava quando ela sentia coisas como essa, eu sempre fica angustiada. Por mais estranho que fosse, Alice parecia sempre ter certeza de tudo. Mas ainda assim, não quis pressioná-la. Quando quisesse, me diria o que estava acontecendo de errado.

Em um certo ponto da tarde, nossa conversa voltou a se focar em uma única coisa, o Baile de Outono. Sinceramente, não sei porque eu deixei que começássemos a falar disso novamente. A verdade era que eu não queria ir. Vestidos finos e dançar não eram palavras agradáveis para pessoas desajeitadas como eu. Aliás, qual a finalidade de um baile para os desajeitados? Mas eu não podia dizer isso para Alice, pelo menos não agora. Se dissesse, ela teria um mês para me fazer mudar de ideia, e eu não queria ter que correr esse risco.

Mesmo mal, ela não perdeu a chance de estender o assunto sobre o convite de Mike depois que discutimos todos os possíveis temas para o baile. Oficalmente não era um convite, afinal ele não tinha usado as palavras, "Quer ir ao baile comigo?" Mas ela dizia que a sua mensagem, era uma introdução para isso.

Gostaria de conversar com você na segunda, Arizona.

É sobre o baile.

Mike

Agora, eu estava em casa há algumas horas e não conseguia parar de pensar no que ela me dissera.

"Por que dizer não ao Mike, Bella? O que você vai perder com isso?"

Eu não aceitaria ir ao baile com Mike mesmo se estivéssemos na condição de amigos. Não que eu não gostasse dele, por Deus, não! O que eu sentia por ele não passava de uma espécie de coleguismo. Não era uma amizade de verdade, como a minha com Jake. Sem contar que não parecia certo dizer sim sabendo que ao final da noite, ele estaria acreditanto em uma ilusão. Não importava o quanto eu explicasse, Mike não deixaria de transformar os pequenos detalhes da nossa amizade em sinais de que teríamos algo mais.

Era preciso ser política em uma cidade como Forks, todos se conhecem por aqui..

Deitei sob a minha cama me sentindo frustrada. Nada disso parecia certo.

Alguma coisa me dizia que o convite de Mike viera cedo demais. Era estranho que ele fosse me chamar com tanta pressa. Por que não esperar até segunda, então? Não era como se algo fosse mudar no final de semana. Eu sabia que Mike tinha alguma implicância sobre a minha amizade com Jake, mas ele tinha consciência que eu nunca iria no baile com ele. Jacob estudava na reserva, não poderia me acompanhar.

Depois de muito observar o teto, eu me virei para o lado. Sob a minha mesa havia o meu computador, o meu velho exemplar de Romeu e Julieta – começaríamos a usá-lo na semana que vem durante as aulas de James -, e um pequeno aparelho preto. Foi então que me lembrei.

Era estranho Alice não ter ligado ainda. Normalmente, ela sempre ligava, principalmente quando deixávamos alguma coisa pendente – nesse caso, Mike. Pulei da cama, tomando cuidado para não tropeçar nos meus próprios pés. Talvez ela tivesse ligado e eu não ouvira.

A tela não tinha avisos. O que estava acontecendo com a minha fadinha?

Deitei na cama novamente, dessa vez com o celular sob o meu peito. Uma hora ela ligaria, Alice sempre ligava. Se não o fez ainda deveria estar ocupada. Talvez conversando com Edward, ou até mesmo com Jasper. Quem sabe os dois não saíram depois que eu fiquei em casa? Tentei me convencer disso por pouco tempo, até erguer o aparelho e discar o número. A quem eu estava enganando? Alice, Jasper, e até mesmo Edward, estavam muito tensos.

Um toque.. Dois.. Três.. Ninguém atendeu.

Passei os dedos entre as minhas mechas, tentando colocar meus pensamentos no lugar.

Alice, Mike, o Baile de Outono.. Eu deveria ter ido para La Push, concluí finalmente. Por que insisti para Charlie me deixar em casa? Mesmo cansada, eu não iria conseguir dormir tão cedo com a cabeça cheia. Pelo menos teria compania para discutir tudo isso.

"Qual é, Bella", Jacob diria. Depois falaria um milhão de soluções que eu não teria visto antes sem a sua ajuda.

Talvez eu devesse ligar para ele. É, eu ia fazer isso.

Para o meu alívio, Jake atendeu no segundo toque.

- Bella? – ele perguntou, parecia surpreso com a minha ligação.

- Jake! - exclamei.

- Eu mesmo – ele riu. – Quem mais poderia ser? Quil?

- Quil roubaria o seu celular?

- Para conversar com você, com toda certeza.

- Idiota – eu sorri, revirando os olhos. – Você ainda está na casa dos Clearwater?

- Nope - ele estalou os lábios no "p".

- Por que Charlie não voltou ainda?

- Pelo motivo de Sue ter lhe dado uma lasanha.

- Não seja absurdo, Jacob.

- Absurdo? Desde quando você diz isso?

- Ah – tinha sorte de estarmos conversando pelo telefone, pois eu estava corando. Realmente andava passando muito tempo com Edward. – Não é nada.

- Claro, claro – ele disse, por sorte ignorando o meu embaraço. – Acho que você está escondendo alguma coisa de mim.

- É, eu estou – eu admiti, um pouco envergonhada. Jacob me conhecia como ninguém. – Estão acontecendo algumas coisas, e eu não sei como lidar com isso..

- Coloca pra fora, campeã! - ele exclamou, imitando Charlie.

- Jacob?

- Ok, desculpe. Vamos Bella, conte o que está acontecendo.

Assim estava melhor.

- Você nunca vai crescer, não? – perguntei, não perdendo a chance de o provocar.

- De acordo com a nossa contagem, sou mais velho que você – eu quase podia vê-lo revirar os olhos para mim.

- Acaba de perder um ano por essa brincadeira – tentei parecer séria, mas o meu tom só dificultou a brincadeira.

- Não posso perder anos, ninguém fica mais novo.

- Então eu ganhei mais dois!

- Por quê?! – ele perguntou, fingindo estar horrorizado. Eu precisei rir dessa.

- Por te aguentar!

- Um motivo muito fraco.

- Podemos voltar ao foco da conversa?

- Comece falando, Swan.

- Mike Newton me convidou para o baile de Outono.

- Isso não é uma surpresa.

- Jake, falta um mês ainda! – exclamei. Por ninguém agia como se houvesse algo errado com isso?

- Talvez o cara seja inseguro. Ele é um idiota, Bella – depois de uma curta pausa, ele perguntou - Você vai dizer sim?

- Não sei.. Esse é o problema.

- Você não está se preocupando em magoá-lo, está?

- Sinceramente?

- Você está – ele respondeu por mim. Eu quase podia ver o seu rosto se contorcendo em uma careta.

- Jacob..

- Ele vai sobreviver.

- É claro que vai – eu murmurei, mau humorada.

- Fica tranquila.. Mas Bella?

- Sim?

- Você vai a esse baile?

- Não sei.. – admiti.

- Você quer ir?

Demorei algum tempo para responder. Eu podia mentir para mim mesma, mas não para ele.

- Talvez eu queira, mas não com Mike.

- Então com outra pessoa, você quer?

- Eu não sei, Jacob.. – eu suspirei frustrada, finalmente levando á tona o que realmente estava me tirando do sério. Eu não devia me deixar afundar desse jeito, não assim.

- O Cullen, aquele ruivo.

- Edward – corrigi.

- Tanto faz, o irmão da Alice – ele hesitou, talvez esperando a minha resposta.

- Do que você está falando, Jacob? – eu perguntei, rindo. Ele definitivamente tinha perdido a cabeça!

- Bella, é sério. Desde que o Cullen-

- Edward – o corrigi novamente.

- Tanto faz! – ele riu. Sorri sabendo que ainda iríamos repetir muito isso - Desde que ele chegou você tem estado diferente.

- Jacob,é impressão sua – eu lhe garanti.

- Como Alice costuma dizer? "Os seus olhos começaram a brilhar depois que o viu" – ele murmurou com a voz esganiçada, numa péssima imitação de Alice.

- Não acredito que você disse algo assim – disse num tom de repreensão.

- Nem eu – ele riu, e eu me juntei a ele.

- Você me conhece bem demais, Jake.

- Não preciso te conhecer para perceber que você vai começar a gostar dele – eu revirei os olhos ao ouvir isso – Mas acho que tenho os meus pontos.

- Não acho que eu esteja me apaixonando.

- Eu espero que não – ele admitiu, mudando o tom de brincadeira para seriedade.

- Por quê?

- Se ele não for bom o bastante para você, Bells.. Não sei como vou lidar com isso.

- Você está se pré-ocupando, Jake – ele riu, deixando o clima da conversa mais leve – Eu e Edward nunca vamos ter nada.

- Nunca é uma palavra forte.

- Se apaixonar também.

- Claro, claro. Mas você não pode negar o que está estampado no seu rosto.

- Idiota. Pare de falar essas coisas - um bocejo me interrompeu.

- Está com sono?

- Um pouco.

- Vai dormir, Bells. Colocar a cabeça no lugar-

- Não tem o que colocar no lugar, eu tenho certeza que o problema não é o Edward - eu o cortei.

- Estava falando do Mike.

- Ah, – essa me pegou de surpresa – de todo jeito, isso também.

Jacob parecia estar se divertindo com a minha confusão.

- Venha para cá amanhã, nós podemos conversar melhor. Quero te contar sobre o jantar de hoje.

- Conversou com a Leah? – perguntei, me lembrando dos acontecimentos dos últimos dias.

- Conversei. Mas eu te conto amanhã.

- Que horas? – perguntei, bocejando de novo.

- Assim que você acordar. Tenho uma surpresa para você.

- Uma surpresa? - Jacob gargalhou.

- São muito rápidas. Eu não esqueci que você gosta de adrenalina.

- O que você está tramando?

- Vá dormir – ele riu.

- Até amanhã, Jake.. – murmurei, sabendo que era inútil insistir. Além do mais quando eu realmente estava prestes a dormir.

- Boa noite, Bells.

- Boa noite, Jake.

Aquela noite foi diferente das outras.

Há tempos não tinha pesadelos, mas eu ainda não era capaz de sonhar. Depois de muito acordar com a mente vazia, passei a acreditar que eu não era mais capaz de fazer tal coisa. Talvez o meu cerébro, por alguma deficiência inexplicável, precisava se manter sereno para impedir que a visão do aeroporto voltasse á tona.

Eu acreditei estar certa, até essa noite.

Não tive pesadelos, mas também não tive um sono vazio.

Sonhei que estava indo ao Baile de Outono. E o meu par não era Mike Newton.

Pela primeira vez em muitos meses, eu sabia que era bom. Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava agoniada. Eu não estava correndo, procurando por alguma coisa que eu não sabia ao certo o que era. Eu não estava suando frio, e melhor de tudo, eu não estava gritando. Eu estava feliz, sorrindo. Eu tinha completa noção de onde eu estava, o Baile de Outono, sem dúvida nenhuma. A cena parecia um pouco turva, não sabia se era porque – por mais incrível que pareça - eu estava sendo guiada em uma dança que muito complicada, ainda mais para alguém tão desastrada como eu, ou se simplesmente porque eu estava ocupada demais contemplando o único rosto nítido perto de mim.

Edward.

Precisei girar a chave duas vezes até fazer o motor da minha caminhonete funcionar. Eu não sabia o que estava acontecendo com o meu carro, mas também não iria me preocupar com isso agora. Jacob daria uma olhada depois. Sim, depois de me ouvir reclamando sobre a minha noite. Por que ele tinha que ter mencionado Edward? Por que eu sonhei com o maldito Baile de Outono? Por quê?

Joguei meu celular sob o banco do passageiro, junto com a minha mochila. Ele precisava ter uma ótima surpresa e muito para contar sobre Leah. Eu desesperadamente precisava distrair a minha cabeça e tirar a cena de Edward e eu dançando ao som de uma música lenta da minha mente.

Eu não sabia dançar.

Ele era o irmão da minha melhor amiga.

Nós não iríamos ao baile juntos.

Ponto, fim de história, acabou.

Fiquei repetindo essas quatro frases para mim até que faltavam poucos quilômetros até o desvio para La Push. Fui desligada da minha "lavagem cerebral" quando ouvi o meu celular tocando. Imaginei que seria Alice respondendo a minha ligação da noite passada, mas para a minha surpresa, era Emmett.

- Oi, Em - atendi, apoiando o celular no ombro para que eu pudesse dirigir enquanto conversava.

- Bella, querida! - a voz exclamou brincalhona do outro lado da linha.

Era incrível, bastava ouvir a sua voz para que eu sentisse vontade de rir.

- Você está ocupada?

- Não.. - respondi meio indecisa. Eu definitivamente estava ocupada dirigindo, mas a minha curiosidade falou mais alto.

- Bella, isso vai parecer estranho, mas estão pedindo que você venha aqui hoje.

Bom, isso não era estranho.

- Alice não disse o que queria comigo? Eu estou indo até La Push.

Isso era incomum. Quando Alice pedia para alguém me telefonar, normalmente lhe passava com exatidão o que era para ser dito.

- Bella, não foi ela quem pediu que viesse. Foi Edward.. Ele disse que Alice e ele precisam de você.

Meu coração parou de bater por alguns segundos.

- Tem certeza que você não sabe o que é, Emmett? – perguntei tentando manter a minha voz estável.

Por mais que o meu impulso fosse virar o carro e entrar na estrada para a casa dos Cullen, eu precisei me conter. Tinha um compromisso com Jacob.

- Bella querida, você sabe que meio paranormal nessa casa só é a Alice.

- Mas Emmett..

- Bella, Edward pediu que eu insistisse o quanto fosse. Me poupe disso. Você sabe que vai vir de qualquer jeito.

Suspirei alto antes de responder.

- Te vejo daqui a pouco.

Ás vezes, impulsos não podem ser detidos.

Em pouco tempo, eu estava subindo a escada para a casa dos Cullen. Por mais que eu sentisse como se o meu coração estivesse martelando em meus ouvidos, não pude deixar de notar o quão estranho era chegar sozinha. O usual era eu sempre estar acompanhada por alguém ao subir aquelas escadas.

Meio receosa, bati na porta esperando que alguém logo atendesse.

Alguém.

Por favor, a quem eu queria enganar? Eu só queria ver uma pessoa naquele instante.

- Bella! - Carlisle, com um sorriso radiante no rosto, exclamou ao abrir a porta - Vamos, entre! Como está o seu pulso?

- Muito bem, na verdade – mesmo desapontada, eu sorri começando a me sentir mais calma. Não era difícil se sentir bem perto de Carlisle - E como vão as coisas no hospital?

- Acho que precisamos de mais médicos - ele riu, parecendo cansado.

Quem quer que visse o Doutor Cullen fora de seu ambiente de trabalho, não acreditaria que esse era o melhor profissional da área.

Ele usava blusas claras, jeans e tênis, trajes que o faziam parecer mais um adulto jovem do que o homem experiente que era. Não que ele não transmitisse confiança ou qualquer um dos pré-requisitos para se tornar um médico. Mas era tão novo e jovem, que alguns moradores se sentiram receosos quando ele assumiu o seu cargo no hospital.

Charlie mesmo me contara que os Quileutes não lhe deram muito crédito no início, preferindo usar receitas caseiras aos remédios que Carlisle lhes dava. Acredito que tenham sido tempos difíceis para os Cullen. É claro que hoje todo esse preconceito não existia mais. Carlisle provara que era incrivelmente sábio como médico e pessoa para toda a cidade e região.

- "Acho"? - Esme perguntou, aparecendo na porta da cozinha com uma colher de pau na mão. Eu sorri divertida ao perceber que ela usava o seu avental de cozinha. - Vocé só teve essa folga em duas semanas!

- Mulheres - Carlisle murmurou para mim, virando os olhos.

- É bom te ver, Bella – ela sorriu, vindo em nossa direção - Já almoçou, querida? - perguntou, um sorriso desenhado em seu rosto. Era impossível não retribui-lo.

- Na verdade, acabei de tomar o meu café da manhã - admiti um pouco envergonhada. Já se passava do meio dia. - Acho que dormi um pouco demais hoje.

- Alice também acordou bem tarde hoje. Acho que ainda está deitada, ela disse que estava cansada - Alice cansada? Então, do que Emmett estava falando no telefone? - Acho que essas viagens até Seattle tem desgastado vocês duas.

- Bobagem, querida – Carlisle sorriu. - Se fosse cansativo, elas não fariam isso há meses.

- Se é assim.. - ela deu os ombros, e se virou para mim - Vamos parar de te prender. Edward e Alice estão lá em cima.

- Eles também não almoçaram ainda - Carlisle completou - Vocês podem fazer isso mais tarde.

- Obrigada - agradeci, indo em direção as escadas. Por mais que fosse estranho estar sozinha entre Esme e Carlisle, eles nunca me deixavam sentir desconfortável. Eu estava um pouco mais tranquila agora.

Adentrei o corredor com uma cautela maior do que a habitual. Não era comum ver a casa daquele jeito, além do mais em um sábado. Estava escuro, não havia uma janela aberta sequer.

O que diabos estava acontecendo hoje? Primeiro, Emmett ligara dizendo que Alice, a pedido de Edward, precisava de mim. Depois, Esme e Carlisle disseram que a minha fadinha estava cansada - algo que eu nunca presenciei em três meses - e agora, a casa estava completamente escura. Eu nunca a vira fechada durante o dia. Tudo isso estava me deixando um pouco nervosa.

Com cuidado, tateei as paredes á procura do interruptor. Acho que ninguém se importaria caso alguma luz entrasse naquele cômodo.. Aquela escuridão aumentava a minha tensão.

- Ah!

Como era de se esperar, o meu lado desastrado não perdeu a chance de se mostrar presente. Era incrivelmente frustrante a frequência com que eu conseguia tropeçar nos meus próprios pés - e em solos planos!

Estiquei o braço tentando entender onde eu estava. Minha cabeça doía.

Caíra justamente sob uma porta quando senti a maçaneta fria sob os meus dedos. Devia ser o quarto de alguém, já que o escritório de Carlisle e o banheiro ficavam do outro lado do corredor - se eu não estava muito perdida.

Apoiada contra a porta, eu me levantei aos poucos.

- Bella?-

- !!

Ou tentei.

Dessa vez, a pancada foi mais forte do que eu esperava. Talvez em La Push eu teria me machucado menos.

- Bella, você está bem?

A voz de Edward era abafada. A julgar que eu havia acabado de bater a minha cabeça, era de se esperar que isso acontecesse. Mas ela não veio da direção certa. Edward abrira a porta, portanto sua voz deveria estar vindo de cima. Abri os olhos a sua procura, mas tudo o que vi foi o teto branco de seu quarto.

- Diga alguma coisa - ele ordenou, mas parecia tão preocupado, que soou como um pedido.

Sua voz viera por trás e como eu estava no chão..

A percepção caiu sobre mim tarde demais.

- Sinto muito, por favor, ah meu Deus, você está bem?! Sinto muito, Edward, me desculpe! - Eu falava sem parar. Meu rosto estava ardendo em chamas e a minha cabeça parecia pesar quilos.

Eu continuava murmurando desculpas quando estiquei o pescoço para me levantar. Parei assim que ergui a cabeça. Senti uma forte pontada na nuca.

- Ai! - exclamei.

Por sorte, ao invés de cair sob o corpo de Edward novamente, eu rolei para longe, deitando ao seu lado no chão.

- Bella? - ele perguntou urgente, se erguendo sobre mim. Sorri aliviada ao perceber que ele não estava chateado comigo.

- Edward, me desculpe.. - murmurei novamente. Em sua testa, havia uma marca vermelha, talvez o local onde a minha cabeça batera - Eu não sabia, na verdade, eu caí no corredor-

- Eu sei - ele me interrompeu, e sorriu - Eu te ouvi.

- Ah. Ótimo.

Ele riu com o meu mau humor. Eu não me importava muito em ser desastrada, afinal a má sorte apenas me afetava. Mas cair e ainda levar Edward comigo, estava me deixando irada.

- Você se machucou? - ele perguntou. Agora que sabia que eu estava bem, ele parecia mais tranquilo. Sua voz estava mais leve.

- Minha cabeça está doendo - respondi, com uma careta. Ele sorriu e se deitou no chão ao meu lado de novo. Só então percebi que ele estava em cima de mim. Virei o rosto para observá-lo, Edward olhava para o teto.

- A minha também - ele disse finalmente, ainda sem olhar nos meus olhos. Aquilo me incomodou.

- Edward - murmurei, realmente me sentindo culpada - Olhe só o que eu fiz com o seu rosto.. Sinto muito.

Deformar - mesmo que em mínimos desgastes, um rosto tão bonito era realmente um problema - além do mais quando era o rosto do seu amigo.

Me apoiei em um braço, afim de erguer um pouco a minha cabeça e vê-lo melhor. Os olhos verde esmeralda de Edward por algum motivo brilharam. Sorri ao perceber que eu não tinha feito um estrago muito grande. Ele continuava incrivelmente lindo.

Ao ver que eu o observava, ele me deu um sorriso torto. O típico sorriso que ele me dava quando queria ou estava pensado em algo.

- O que foi?

- Não é nada. Só estou me perguntando qual é o motivo para um sorriso como este. Você fica mais bonita quando sorri assim.

Meu coração estrondou, tremeu, e depois voltou a bater duas vezes mais rápido.

- Estou feliz em ver que não te machuquei – admiti, corando. - É só isso.

- Eu estou bem - ele disse finalmente – Você precisa mais de um pouco de gelo do que eu, Bella.

- Não mesmo – ele revirou os olhos para a minha teimosia. - Você pode ficar com marcas, eu não.

- Onde eu posso ter marcas? - ele perguntou, como sempre, discordando de mim.

Eu mordi o meu lábio um pouco receosa pelo que estava prestes a fazer.

Dane-se.

Aproximei o meu rosto do seu, e com a mão livre, me deixei tocar sua face mais uma vez.

- Aqui - eu sussurrei, não me esquecendo da nossa conversa. Rocei meus dedos sob as marcas, agora mais claras, que a queda deixara. Sua testa, as maças de seu rosto, seus traços finos..

Senti como se todos os nervos da minha mão estivessem sensíveis.

De início, Edward pareceu assustado com o meu toque. Seus olhos ficaram mais atentos, não olhavam mais para o alto ou para os meus. Estudavam com fascínio cada percuso que eu fazia em sua pele, até que se fecharam.

Temi estar indo longe demais e afastei minha mão.

Ele pareceu acordar de algum devaneio. Em milésimos, abrira os olhos, agora ele estava atento ao meu rosto.

- Você se esqueceu de um lugar - ele murmurou, tomando minha mão e a colocando sob o seus lábios.

Um sorriso involutário se abriu em meu rosto.

- Não é minha culpa - disse, ainda sorrindo. A textura era quente e macia. - Foram muito lugares afetados, você precisa concordar.

Sob os meus dedos, um sorriso também se formou. Afastei um pouco a minha mão ao perceber que ele iria falar.

- Tem razão - Edward concordou, agora mais sério - Você conseguiu me afetar.

Então, aconteceu.

Muito hesitante, ele ergueu o rosto em direção ao meu. Tarde demais eu percebi o que estava prestes a fazer. Eu era uma cega, afinal. Desde de que o conhecera, eu soube que havia algo de diferente. Eu só não sabia que não era apenas comigo. Então era isso? Eu nunca sentira algo assim, era assustador o turbilhão de sentimentos que pareciam me invadir.

Em algum ponto, o meu lado mais responsável gritou para que eu me afastasse. "É o irmão de Alice!", ele gritava. Mas não havia força de vontade, ou física, que pudesse me afastar. Não quando seus olhos estavam prendendo os meus, ou quando seu cheiro parecia prestes a me embriagar.

Para ele, parecia haver algo fascinante em minha reação, assim como havia nele para mim. Eu nunca imaginei que um tom de verde poderia ser tão bonito. Quando estava perto o bastante - o bastante para que com um mínimo movimento nossos lábios se tocassem, minha reação foi imediata. Nunca fui capaz de acreditar que meu coração conseguisse aguentar tamanha mudança de pulsação. Edward me deu um sorriso torto, mais bonito do que qualquer um que eu já tenha visto. Ele parecia contente por eu não ter me afastado. Agora ele tinha certeza, eu tinha certeza, que ambos queríamos aquilo.

- O que você está pensando? – Edward sussurrou sob os meus lábios. Fechei os olhos ao sentir o seu hálito quente na minha pele.

- Acho melhor guardar os meus pensamentos para mim – ele estava tornando impossível a tarefa de pensar.

- Hey, o que vocês estão fazendo no chão?

Se Emmett não fosse namorado de Rosalie, eu o mataria naquele instante! Abri os olhos em choque, me afastando o máximo possível de Edward. Ele, por sua vez, apertou os olhos numa linha fina e continuou no seu lugar. Parecia incapaz de se mexer.

Senti o meu rosto se esquentar, mas eu não estava mais envergonhada do que com raiva. Por Deus, Emmett Cullen! Isso era hora de aparecer?!

- Eu caí - disse, quando vi que Edward não iria falar - E acabei levando Edward comigo. Eu estava apoiada na porta.

- Caramba, isso deve ter doído - ele abriu um largo sorriso irônico, talvez imaginado a cena. Eu o fuzilei com os olhos, e então Emmett se virou para Edward. - Você está bem, cara?

- Claro - ele respondeu, imediatamente.

- Esme está perguntando se vocês dois querem almoçar.

Comida era a última coisa que eu conseguiria pensar agora.

- Acho que Bella e eu ainda não estamos com fome - Edward se apoiou na estante de cds e se levantou aos poucos - Mas acho que um pouco de gelo seria bem-vindo, não é Bella?

- Cl-claro - gaguejei pateticamente, também me levantando. Quase caí novamente, eu estava um pouco atordoada.

- Vou trazer para vocês, então - Emmett sorriu e se virou, mas antes de sair, se dirigiu a mim - Bella querida, você está bem?

- Estou – respondi confusa. Eu não podia estar tão mal assim - Por quê?

- Você está um pouco vermelha.


E aí? Alguém quer me matar, enforcar, esquartejar ou coisa do tipo? HAHAHA Convenhamos, as coisas não podem ser fáceis, senão perdem a graça. Não tenho muito o que dizer desse capítulo, ele fala por si só. Só queria agradecer a Tia Emmett bfff(...) por ter me ajudado com algumas partes da Bella. Falta de criatividade é realmente algo triste.

Antes que eu termine, eu queria agradecer pela reviews incríveis que vocês mandaram no último capítulo. De verdade, muito, muito, muito obrigada. Foi uma ótima surpresa entrar no Fanfiction e ler tantos elogios e críticas. Eu não sabia que tantas pessoas liam Avvenire! Eu jurava que eram cinco ou no máximo seis, mas taaantas reviews foram um presente e tanto. MUITO obrigada! :)

O próximo sai em poucos dias.

Mari xx