CAPÍTULO VI
Bella engoliu em seco. Amava tanto Edward que não saberia como lhe recusar um favor. Entretanto a intuição pedia que agisse com cautela. Ele se levantou da cama.
— Esqueça! Fique aqui, assista ao resto do filme, enquanto cuido de Lauren.
Então era isso!
— Ela veio mesmo? — perguntou, incrédula. — Quer dizer... sinceramente não esperava que fosse tão audaciosa.
— Um marinheiro acabou de me informar que ela está no deque inferior, esperando permissão para subir.
— Meu Deus! E se Jasper estivesse aqui? Por que seu irmão Emmett não a despede?
— Teme que Jasper seja obrigado a voltar ao tribunal para pagar mais dinheiro à ex esposa. Meu irmão caçula está tentando levar avante um negócio de gado, mas a avidez de Lauren por dinheiro dificulta as coisas.
Bella não entendia o que ele quisera dizer com ajuda.
— Como posso ajudar?
— Já que ela veio até aqui porque tem ciúme de você, sua cooperação poderá me livrar desse problema que me perturba há anos.
— Bem, já que é assim, farei o que quiser.
— Tem certeza?
— Quando dou minha palavra, falo sério. Edward a fitou por um longo momento.
— Muito bem! É bom terminar com essa história de uma vez por todas!
— E onde devo ficar quando Lauren chegar?
— Pode ir para a cozinha e preparar uns drinques.
— Certo!
Enquanto preparava as bebidas, Bella lamentou não ter tido tempo de ir para seu quarto, aplicar batom, e mudar de roupa. As que usava eram muito simples, mas não havia remédio. O som de uma voz feminina chegou aos seus ouvidos.
Dirigiu-se à sala de estar, e lá encontrou Edward com uma mulher sentada no sofá. Lauren Mallory era deslumbrante.
De altura mediana e peso certo, usava os longos cabelos escuros em um rabo-de-cavalo. Os grandes olhos castanhos e o sorriso que mostrava dentes perfeitos fizeram Bella pensar em uma garota simples e espontânea. Enquanto examinava o conjunto verde que delineava suas formas, podia compreender por que Jasper se apaixonara. Edward fora uma exceção por não cair em sua rede.
— Por fim nos encontramos — murmurou, oferecendo os drinques.
— Sim — replicou Lauren. — Quem poderia pensar que o homem no hospital era Edward em vez de seu marido? Meus pêsames.
— Obrigada. Agradeço seus esforços para me fazer vir até aqui.
Edward convidou-a para se sentar também, e Bella observou que o sorriso de Lauren se tornara menos esfuziante.
— Estava dizendo a Edward que meu patrão, seu irmão Emmett, permitiu que viesse até aqui para ajudá-lo até se recuperar.
Bella teve certeza que a outra mentia, e não sabia o que responder.
— Nada como a família em uma hora de crise — acabou por murmurar, sem graça.
Lauren fitou Bella com atenção.
— Quanto tempo pretende ficar no Equador?
— Partirei para os Estados Unidos em breve.
Uma expressão de puro alívio surgiu no rosto bonito de Lauren.
— Então ficarei contente em ajudá-la com os preparativos da volta.
Edward esvaziou o copo, e replicou:
— Não será necessário. Já providenciei tudo.
— Mas não devia se preocupar em sua convalescença.
— Não é incômodo, Lauren, mas sim um privilégio, porque levarei Bella para Dakota do Sul a fim de ajudá-la em um serviço fúnebre para seu ex-marido.
Lauren engasgou com seu drinque, e os olhos castanhos voltaram a pousar em Bella.
— Ex-marido?! Então... é divorciada?
— Há quase um ano. Mike mentiu para a empresa sobre seu estado civil. Não sabe como fiquei surpresa com sua mensagem. Já não nos víamos desde a separação, e ignorava que estivesse no Equador.
Lauren estava furiosa, e não tentava disfarçar. Bella sentiu-se obrigada a dar maiores explicações.
— O único motivo de não ter dito ao telefone que era divorciada de Mike, foi porque pensei que a empresa só contratasse homens casados para trabalhar fora dos Estados Unidos. Temi que, caso dissesse algo impróprio, ele fosse mandado embora em um momento tão difícil.
— E por que se importaria? — dardejou a outra, demonstrando seu caráter.
Bella respirou fundo.
— Porque, apesar de divorciada, me preocupava com seu bem-estar. Compartilhamos nossas vidas por um certo tempo, e isso conta.
— Tudo depende do marido.
O comentário fez Bella pensar em Jasper.
— Edward me contou que foi casada com seu irmão caçula, Lauren. Tenho certeza que, apesar de divorciada, iria ajudá-lo se precisasse de auxílio.
— Talvez.
— Jasper me levou até o apartamento de Mike, onde encontramos sua namorada que está grávida. Ele lhe deu dinheiro em nome da Cullen Corporation, e creio que foi um gesto de uma pessoa justa.
Edward a fitou com surpresa, porque não conhecia esses detalhes, mas Lauren o distraiu.
— Quando volta de Dakota do Sul, Edward?
Ele se levantou, aproximou-se de Bella, e colocou uma das mãos em seu ombro.
— Não tenho certeza. Tudo depende de Bella aceitar ser minha esposa e secretária particular.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Bella observou o rosto pálido de Lauren, enquanto seu coração batia de modo desordenado. Tentou recuperar o ar, e recordou trechos da conversa recente.
"Algo errado, Edward?"
"Não, se concordar em me ajudar, Bella."
As mãos de Lauren pareciam garras, ao segurar as bordas do sofá. Encarou Bella.
— Vão se casar?
Edward devia estar desesperado para lhe pedir tal coisa, apesar de ela ter prometido que o ajudaria. Assim pensando, Bella respondeu:
— Ainda não é certo. Primeiro realizaremos o serviço fúnebre. Sentiu um aperto firme no ombro, que a fez estremecer, enquanto Edward dizia:
— Então, como pode ver, não necessito de mais ajuda. Telefonarei para Emmett a fim de agradecê-lo por ter cedido sua secretária para que viesse até aqui.
— Não será preciso — apressou-se a dizer Lauren.
— Muito bem. Estávamos assistindo a um filme quando você chegou, e queremos continuar. Vou levá-la até o elevador.
— Vá se deitar — disse Bella, assumindo o papel de mulher apaixonada, o que não era difícil. — Acompanharei Lauren.
Ele se inclinou, e beijou-a no pescoço, quase fazendo com que perdesse o equilíbrio. Em seguida despediu-se friamente da visitante, e deixou a sala.
Com passos duros, Lauren dirigiu-se ao elevador, e o brilho furioso dos olhos castanhos foi a última coisa que Bella viu, antes de a porta se fechar.
Sem perda de tempo, dirigiu-se para o quarto de Edward, onde o encontrou já deitado, e assistindo ao filme com prazer.
— Ela se foi.
Edward apertou um botão e congelou a imagem na tela, sorrindo com satisfação.
— Minha tática funcionou.
Porém, ante tanta calma, ela sentiu uma grande irritação.
— Sim, mas vai voltar e dizer ao seu irmão Emmett que vamos nos casar. Quando sua família descobrir que isso não é verdade, é provável que Lauren volte a atacar. Creio que sua vitória foi temporária, Edward.
— Depende de você.
— O que quer dizer?
— Ainda no hospital, decidi oferecer-lhe o emprego de secretária particular. Jamais tive uma, porque me parecia desnecessário. Mas no momento sinto que é indispensável, e você é especial.
— Esse comentário vindo de um magnata me lisonjeia muito, mas...
— Não terminei de falar.
— Desculpe.
— Terá mais problemas para resolver neste navio do que no Departamento de Turismo de Lead. Diga quanto quer ganhar. Posso lhe oferecer uma vida segura, e tempo livre para receber sua família e ir visitá-la, além da oportunidade de conhecer o mundo. Porém algo me diz que isso não basta...
— Acha que sou uma ambiciosa? Edward sorriu.
— Ainda não terminei. O que a faz tão importante e necessária para mim, é essa sua qualidade feminina que sabe tão bem lidar com as pessoas. E uma criatura cheia de compaixão, Bella, mas percebo que só se sentirá completa com um marido e filhos.
Ela se deixou cair sobre a poltrona mais próxima. Sim, Edward a conhecia profundamente.
— Sou um solteirão empedernido, portanto não tenho traquejo nessas coisas, mas estou pedindo que seja minha esposa. Não precisa me responder já, e até prefiro que assim seja, até que tenhamos realizado a cerimônia para seu ex-marido.
— Creio que já falou demais, e precisa repousar a garganta. Mas ele ignorou o comentário.
— Tive muitas mulheres na vida, mas sempre acalentei um sonho que agora se tornou realidade: a cidade flutuante. Isso me impediu de criar raízes porque não seria um marido ideal. Entretanto, nos últimos dias, concluí que minha vida entrou em nova fase, e senti que não quero continuar sozinho. Sua presença fortificou essa ideia.
— E sobre o amor?
— Já o conhecemos no passado. Ambos sabemos o que é a paixão e o mistério entre um homem e uma mulher. E você já soube o que é ficar grávida.
Ante essas palavras, Bella evitou encará-lo.
— Tem medo de engravidar de novo e perder a criança? Ela balançou a cabeça, confirmando.
— Isso explica por que está tão ansiosa a respeito de Emily. Lágrimas teimaram em rolar pelas faces de Bella, que murmurou:
— É horrível perder um bebê quando se está sozinha. O vazio é enorme, ainda mais por não se ter ao lado o homem responsável por essa vida, seja porque ele não quer ou porque não pode estar perto nesse momento.
Interrompeu-se, e enterrou o rosto entre as mãos, a fim de se conter.
— Desculpe, Edward.
— Nunca peça desculpas por suas emoções, Bella. Já sabemos que existe essa química entre nós, que nos faz ler os pensamentos um do outro. Também existe respeito, bom humor e, creio, lealdade, no nosso relacionamento. Esses são sentimentos poderosos para forjar um bom casamento, e, quem sabe, um dia surgirá o amor.
Ele se esquecera do desejo físico, refletiu Bella. A força que trazia animação e vitalidade a um casamento, assim como bebês. E seu desejo por Edward Cullen era enorme...
Lembrou-se que Jasper lhe dissera que o acidente deixara o irmão vulnerável, porque, pela primeira vez, experimentara o desespero. Então ela surgira em sua vida, como uma tábua de salvação.
Entretanto ainda estava convalescendo, e dali a uma semana talvez não pensasse da mesma maneira. Era provável que mudasse de ideia, depois de ir para Dakota do Sul.
— Vou pensar no caso — murmurou por fim.
— Essa conversa me deu muita fome. Se não se opõe, gostaria de comer um sanduíche de queijo quente. Quando voltar continuaremos a assistir ao filme. Estava chegando na melhor parte.
— Não espere por mim — gritou Bella, que já corria para a cozinha. — Já assisti muitas vezes.
— Mas não será a mesma coisa sem sua companhia.
— ...e tornaremos a encontrar nosso irmão Mike Cullen no dia do Juízo Final. Amém.
O pastor terminou de falar, e a congregação entoou um cântico. Bella sentia-se gratificada por ver a capela repleta. Um singelo tributo fora prestado para Mike e os tios que o haviam criado.
Uma cerimônia fúnebre em Spearfish fora a coisa certa, porém não conseguia esquecer do homem que estava sentado alguns bancos atrás.
Graças à generosidade de Edward Cullen, a igreja recebera uma boa soma em dinheiro para suas obras, e uma lápide de mármore fora encomendada para o túmulo da família de Mike.
A mãe de Bella estava encantada, e não permitira que Edward fosse para um hotel. Recebera-o em sua casa em Lead e, de certa forma, a filha sentiu-se aliviada, porque assim não teria de hospedá-lo em seu próprio apartamento. Edward também encantara sua irmã Ângela, que o elogiava a todo momento, e Bella não podia culpá-la, porque ele era mesmo maravilhoso.
Ninguém queria vê-lo regressar para o Equador, em especial ela mesma, que temia que tivesse mudado de ideia sobre o cargo de secretária particular e, principalmente, esposa. Desde que tinha chegado em Dakota do Sul, Edward não tocara mais no assunto.
Quando a cerimônia terminou, Bella tratou de conversar com vizinhos e amigos, a fim de se afastar um pouco de Edward.
— Querida — disse a mãe — vou voltar para Lead com Ângela e Ben. Quando você e Edward chegarem lá, almoçaremos.
— Ele pretende voltar para a América do Sul hoje, mamãe.
— Se bem o conheço, não irá rejeitar uma boa refeição primeiro.
A senhora observara Edward Cullen o suficiente, e já que o inchaço na garganta desaparecera, comia de tudo e com enorme apetite.
— Foi uma linda cerimônia. Obrigada por tudo — murmurou Bella com voz embargada.
— O que houve, meu bem?
— Nada. Estou um pouco emotiva.
— Então não o deixe partir — sussurrou—lhe a mãe ao ouvido. Ela descobrira seu segredo!
— Bella? — A voz possante de Edward, totalmente recuperada, soou com ânimo. — Posso ajudar em mais alguma coisa?
Vestido com um terno sob medida de seda cinza, estava tão lindo que ela não ousava encará-lo. Tinha medo de ficar de boca aberta, e fazer papel de boba.
— Não, obrigada. Podemos ir?
Após se despedir de mais algumas pessoas, encaminhou-se para o estacionamento, de modo deliberado caminhando bem na frente de Edward, a fim de pegar a direção do carro antes que ele o fizesse.
O médico dissera que precisava manter a tipoia por mais umas semanas, portanto Bella dirigira até Spearfish no seu Honda Civic. Nos últimos três dias fora enfermeira de Edward, e o tempo passara tão depressa que ela mal se dera conta. A ideia de que ele em breve partiria deixava-a deprimida.
Quando penetraram nos limites de Lead, Edward quis saber:
— Por que ainda não me levou ao seu apartamento? A pergunta a pegou desprevenida.
— Andamos tão ocupados que não houve tempo.
— Temos tempo agora.
Bella sentiu o coração acelerado.
— Minha mãe nos espera para o almoço e, depois que comermos, precisamos partir para o aeroporto em Rapid City.
— O piloto estará pronto quando eu decidir partir. Estacionaram na entrada da casa da mãe, atrás do carro de Ben.
— Não acho que seja uma boa ideia, Edward. A tensão crescia entre os dois.
— Isso porque decidiu se casar comigo e teme que tente fazer amor antes do casamento?
— Ora! E claro que não!
Na verdade, o que temia era que ele não tentasse fazer nada!
— Acabou de comparecer a uma cerimônia fúnebre para seu ex-marido, e tenho bom senso e sensibilidade suficientes para saber que não seria hora nem lugar para intimidades, Bella. Tenho curiosidade em conhecer seu apartamento apenas para saber mais a seu respeito. Se sexo fosse tudo o que desejava, não teria proposto casamento.
Então ele não mudara de ideia! A oferta estava de pé.
— Creio que deixei claro que pretendo levar as coisas com calma, mas esteja certa que anseio por um dia termos um casamento normal com filhos.
— Já demonstrei no passado que não sou uma boa reprodutora — murmurou Bella, baixando os olhos.
— Bem, da minha parte nunca tentei ser pai, portanto estamos empatados. Não se preocupe, que sempre a apoiarei.
Ela sabia que podia confiar em sua palavra.
— E agora que esclarecemos esses pontos importantes, posso dar a boa nova a sua família? Gostaria que voltasse comigo hoje. Temos um casamento para planejar, e muito trabalho a fazer.
O cérebro de Bella se agitava em um turbilhão de ideias. Seu primeiro casamento fracassara, e era loucura mergulhar em outro, sabendo que não era amada. Seria um enlace de conveniência, porém o pensamento de perdê-lo e de nunca mais vê-lo...
— Capitães de navio ainda têm o poder de realizar casamentos?
— Só se forem clérigos também. Por sorte o capitão Riley, do Atlantis, foi capelão naval e ainda tem seus poderes eclesiásticos. A capela no primeiro deque irá acomodar nossas famílias muito bem.
— Creio que a minha não poderá comparecer, Edward. Meus parentes não têm passaportes.
— Tenho um amigo no governo que lhes dará vistos temporários. O que mais a preocupa?
— Meu emprego.
— Lamento pelo seu pobre patrão, pois você é insubstituível. Bella sorriu.
— Ele não é um pobre-coitado.
— Será, quando souber da novidade.
— E sua família? Não ficará chocada?
— Feliz, eu diria.
— Quando pretende lhes contar?
Os olhos verdes de Edward brilharam de modo divertido.
— E por acaso pensa que será uma grande surpresa e que já não imaginavam isso? Jasper deve ter se incumbido de contar que estávamos juntos no Atlantis, e no momento talvez esteja chorando pelos cantos. O que mais a preocupa?
— Tenho um apartamento para deixar vago.
— Isso é fácil. Darei um telefonema e contratarei uma empresa de mudanças. Enviarei um avião para levar suas coisas até o navio.
Ele parecia estar sempre cem passos adiante.
— Ângela e Ben precisam de um carro. Posso dar o meu para eles.
— E precisa levar sua certidão de nascimento para o Equador.
— Minha mãe deve ter uma cópia aqui.
— Por falar nela, já chegou ao portão, e está acenando para nós. Mas antes de descermos, há mais uma coisa. Dê-me sua mão.
Com o canto do olho, Bella viu algo luzir, e um segundo depois, Edward enfiou—lhe no dedo um enorme brilhante engastado em ouro. Trêmula, viu que era em forma de coração, e soltava faíscas como o de verdade, que tinha no peito.
— Bella? Edward?
O capitão Riley, do Atlantis, imponente em seu uniforme branco, postava-se à frente do casal.
— Depois de amanhã este navio colossal empreenderá sua primeira viagem. Muitas pessoas aguardam esse momento. Dirão que é uma obra extraordinária de engenharia, e um fato miraculoso na história da humanidade. Entretanto, algo ainda mais glorioso está para acontecer aqui e agora. Suas famílias, amigos e associados compareceram para testemunhar a união de duas pessoas de valor nos sagrados laços do matrimônio.
Voltou-se para o noivo e prosseguiu:
— Para que essa união perdure, você, Edward, precisará se perguntar todos os dias de sua vida o que pode fazer por sua esposa, e agir. — Fitou a noiva com um sorriso. — E você, Bella, pergunte-se sempre o que pode fazer por seu marido, e agradá-lo.
A cerimônia prosseguiu, e enquanto Edward pronunciava as palavras com vigor e clareza, Bella mal conseguia se recordar do pobre homem enfaixado que conhecera no hospital.
O noivo ao seu lado nesse momento resplandecia em um terno formal azul-marinho, com uma gardênia na lapela, e dispensara a tipoia.
Trocaram as alianças, e o capitão disse:
— Os símbolos são sempre lindos, mas nada significam sem a compreensão verdadeira. Aí reside a mágica e o poder de sua união. Pela autoridade da Igreja a mim concedida, declaro-os marido e mulher. Edward, pode beijar a noiva.
Então o noivo inclinou a cabeça e a beijou. Para a maioria das pessoas, o primeiro beijo acontecia muito antes da cerimônia do casamento e, em geral, com privacidade. Entretanto nada com Edward Cullen era muito tradicional e previsível, refletiu Bella, que correspondeu com entusiasmo.
Por fim ele se afastou, e seu rosto estava muito pálido.
— Sente dor? Sabia que devia ter usado a tipoia!
— Estou bem.
Mas não dava para acreditar, pois algo mudara. Será que ele se assustara ao sentir que correspondera ao beijo com muito entusiasmo? Estaria preocupado, achando que ela esperava por alguma coisa que não estava preparado para lhe dar?
Mas os pensamentos de Bella foram interrompidos pela voz do capitão, que pedia aos presentes para se dirigirem à recepção no salão principal.
Edward passou—lhe um braço pela cintura, e quase correu entre as filas de convidados sorridentes.
