Aqui está mais um capítulo!
Tentou soar a mais dramática possível...
Não esqueçam de dar review.
Contra a nossa vontade
Anna curvou o corpo para frente após uma joelhada forte em seu estômago, apoiando o joelho direito no chão, ofegante. Estava terrivelmente cansada de lutar contra tantos que não pareciam se cansar de atacá-la. Talvez, pelo fato de estarem em maior número, alguns descansarem enquanto outros a atacavam e, assim, revezavam em grupos. Ela, por sua vez, estava sozinha e não tinha ninguém com quem trocar de lugar para descansar naquele momento. V não estava ali para ajudá-la, protegê-la. Por um momento se sentiu sozinha e se perguntou se V notara sua ausência, se estaria preocupado agora ou se procurava por ela. Pensar nele a fez lembrar no beijo que dera nos lábios da máscara de Guy Fawkes.
Fechou os olhos por trás da máscara, esquecendo-se do mundo ao seu redor e mergulhando profundamente em seus pensamentos. Pensou em como ficaria contente sobre as semanas que tivera na Shadow Gallery e como nunca pensou que pudesse sentir novamente o prazer da convivência de alguém. Morou tanto tempo sozinha que se esquecera dessa boa sensação.
Será que V também sentia o mesmo? Provavelmente. Perguntou-se se sim...
Seus braços estavam sendo fortemente segurados por dois homens quando voltou a si completamente. A cabeça baixa e Alberti, bastante zangado por sinal, a sua frente com a boca suja de sangue que tinha escorrido de seu nariz quando ela o socara. Ele dera um soco na barriga dela e outro no rosto, e outro e outro.
- Será que ela morreu? – perguntou Bill, parecendo decepcionado. Ele segurava o bastão de madeira, ansioso para bater em Anna. – Vamos tirar a máscara dela.
- Se tiver morrido então não valeu o tempo...
- Não sejam idiotas... – cortou Anna, a voz um pouco mais alta que um sussurro. Ela inclinou a cabeça para encará-los mesmo que não pudessem ver seus olhos. – Nunca que eu teria o desprazer de morrer nas mãos de imbecis como vocês...
Bill a golpeou com o bastão nas costelas dela, fazendo-a grunhir baixinho de dor e trincar os dentes. Alberti soltou uma risada de escárnio ao ouvir o sofrimento dela. Todos pareciam satisfeito com o estado impotente de Anna.
E foi nesse exato momento que V se infiltrou na fábrica. Seu coração pesando de dor ao ver a situação de Anna e suas mãos começarem a tremer de raivar e desejo de matar todos ali que a machucaram, que tocaram nela, que a fizeram sangrar. Impulsivamente, levou as mãos para o cinto de facas mas parou para observar mais um pouco.
Alberti deu um pontapé em Anna.
- Insolente, menina, e imprudente. – rosnou ele, socando-a novamente. Alberti então pegou um canivete.
- Onde está... O chefe de vocês? – perguntou ela, ofegante.
- E por que você quer saber? Por acaso ele é o seu alvo? – alguém perguntou atrás dela. Era um dos homens que a seguravam com firmeza pelo braço. – Pena, ele não se encontra aqui, menina.
- A chefia sabia que você o procurava, na verdade.- Bill debochou. – Todos estamos aqui como isca e uma bela emboscada para você, pirralha. E caiu direitinho você é uma menina muito levada!
Todos caíram na gargalhada. V respirou fundo para manter a calma, o maxilar tenso e a boca uma linha dura de fúria. Anna compreendeu, sentindo-se estúpida.
Fechou os olhos novamente, suspirando. Como não fora capaz de perceber isso? Impulso. Imprudência. Idiotice. E talvez mais outras palavras que comecem com I. Também achou interessante o fato dele saber que ela o procurava. Desejava matá-lo. Ah, como ela novamente caíra em uma emboscada da vida...
Abriu os olhos e notou o canivete na mão de Alberti.
V também, escondido, notou isso e já tinha duas facas preparadas em suas mãos para arremessá-las.
- Imagino que queria pedir ajuda, não é? – mais um outro alguém perguntou. Quanta gente...
Então o inesperado aconteceu.
- São surdos ou se fazem? Eu disse que não vou morrer nas mãos de imbecis como vocês!
Anna gritara bem alto, libertando-se de forma impressionante e como uma força que não sabia possuir. Todos paralisaram surpresos, dando passos para trás, menos Alberti. Ele simplesmente tentou esfaquear Anna que, com boa defesa, torceu a mão dele e enfiou a própria e última adaga em sua garganta.
Neste momento V arremessou suas facas, matando dois assim e avançou em auxílio de Anna o mais rápido possível. Na verdade, ele matou todo o resto sozinho e de forma rápida e mais ou menos limpa.
Por algum motivo isso a irritou e a desagradou. Novamente... Anna explodiu de raiva.
Surpreendeu V com um empurrão nas costas dele quase derrubando-o no chão. Ele se virou para ela espantado e confuso.
- O que faz aqui!? – gritou ela, fechando o punho livre. – Eu não pedi sua ajuda! Estava tudo sob controle.
- Não foi o que me pareceu a distância. – ele replicou, parando bem calmo ao contrário dela. – Porém pareceu que você me usou para chegar aqui, estou enganado? Isso foi imprudente de sua parte, Anna.
- E quem é você para me dizer o que fazer, hein!? Você que planejava morrer quase um mês atrás. Não acha que isso foi imprudente de sua parte também? Hipócrita!
Ela avançou contra V usando sua adaga e ele, sem outra alternativa, além de muito surpreso, defender-se com uma de suas facas. Anna insistiu, agindo com maior rapidez, desferindo um chute nas costelas de V. Depois um soco que fora bem defendido por ele.
Anna dava mais e mais ataques e V só recuava, defendia, se esquivava. Estava na defensiva porque não queria machucá-la. Não queria que suasmãos a machucassem.
- É diferente, Anna. Eu planejava fazer isso pela liberdade da população deste país.
- Mentira! Você queria apenas se vingar de todos aqueles que lhe causaram dor assim como eu.
V mexeu a cabeça, assentindo e abaixou-se para evitar levar um chute na cabeça mas foi surpreendido por um pontapé na barriga. Ele deu vários passos para trás, quase caindo por falta de equilibro quando viu Anna já próxima com sua mão em punho na direção de seu rosto. Por pouco ele não esquivou. Ela estava visivelmente fora do controle e fora de si mesma. Atacava-o golpe após golpe, cansada mas sem nunca desistir.
- E, através disso, trazer paz e esperança a todos. Não confunda as coisas. Sua vingança por acaso fará algum bem para a população? – ele provocou, tentando abrir os olhos dela.
Sentia um peso enorme no coração de tristeza por vê-la atacando daquela maneira e sem hesitação. Decepcionado porém compreendia-a muito bem.
Anna apenas rugiu de raiva e desatou a máscara, tirando-a e V viu a raiva, ódio e lágrimas nos lindos olhos verdes que tanto admirava. Foi como uma flechada em seu peito ver aquele olhar direcionado para ele. Ver sangue no canto da boca dela. O rosto vermelho de raiva, cansaço e molhado por suas lágrimas que saiam sem parar. Nunca pensou que fosse se sentir dessa forma. Tudo o que mais queria era confortá-la em seus braços e fazê-la para de chorar. Fazê-la somente sorrir como horas antes estava sorrindo. Um sorriso doce e inocente. Ah... O sorriso dela...
Essa momentânea distração custou a V um gancho de direita em seu queixo, fazendo-o trincar os dentes.
- Chega, Anna! Controle-se. Está fora de si, você tem que se acalmar! – ele pediu, defendendo um lerdo soco e segurando o punho dela com cuidado para não machucá-la.
- Não!
O que veio a seguir fez com que V, involuntáriamente e por puro reflexo, torcer o pulso de Anna, deslocando-o. Ele gritou ao sentir a dor lancinante do seu pulso direito ser deslocado e, enraivecida, tentou dar uma joelhada em V.
- Já basta! – gritou V. A intensidade e masculinidade de sua voz fez Anna tremer por um segundo.
Ele deu uma meia rasteira na perna de apoio de Anna, empurrando-a para trás, e deixando-a cair no chão para montar em cima dela. Não montaaar, V apenas colocou um de seus joelhos entre as pernas de Anna e segurou seus pulsos for força esquecendo-se do que estava deslocado. Ficou nervoso e impaciente por ainda vê-la lutar e se debater de raiva porém seus olhos chorosos amoleciam seu coração quebrado.
- Me solta! Droga, me solta agora! – rosnava ela por entre os dentes, debatendo-se loucamente.
- Não enquanto você não ficar calma.
A resposta que Anna deu para ele foi uma cabeçada. Testa contra testa. O problema era que a máscara que V usava era de metal e ela não usava mais sua máscara, também de metal. Pele contra aço, em uma forte pancada, a desnorteou um pouco e causou-lhe um corte logo abaixo do couro capilar.
- Saia... De cima... DE MIM! – Anna tentou empurrá-lo inutilmente e com forças ainda.
V suspirou vendo que as medidas a tomar teriam que ser drásticas. Viu-se, contra a sua vontade, socando Anna no estômago com força descomunal e isso finalmente a fez apagar.
Uma única e cálida lágrima rolou sua bochecha abaixo por ter sido obrigado a fazer isso. Entretanto, o que era preciso fazer tinha de ser feito sem objeção. No final de tudo, suas mãos machucaram-na. Duas vezes.
Era um pouco antes do amanhecer quando V retornara para a Shadow Gallery com Anna em seu ombro. Ela se debatia novamente depois de acordar no meio do caminho e quase fazê-lo cair telhado abaixo do prédio quase matando os dois. O cansaço tomou conta de seu corpo e braços por mantê-la firme e presa contra o próprio ombro, tornando-o agora bastante impaciente. Quase nunca V perdia a paciência e, quando o fazia, tornava-se perigoso mas sabia que tinha de se manter são. Não queria matá-la sem querer. Nunca.
Então, afim de fazê-la ficar calma e pensar sobre os próprios atos, V jogou-a dentro da cela da cópia fake de uma prisão igual a de LarkHill. O coração pesado por trancá-la naquele cubículo vazio, úmido e frio. Trancada sozinha na escuridão e contra a sua vontade. Por que ela fazia seu coração chorar dessa forma?
- Deixe-me sair! – ele a ouviu gritar. A voz dela parecia tão distante, tão abafada por causa da grande porta de ferro.
V não respondeu. Sentou-se no chão, com a cabeça entre as mãos, quando ouviu Anna começar a socar ferozmente a porta com seus punhos. Um soco atrás do outro. Não demorou para notar que ela socava com ambas as mãos. Isso apenas deixaria o pulso deslocado pior e bem inchado mais tarde.
Não aguentando mais ouvir a batidas de punhos na porta de ferro, V tampou os ouvidos com as mãos enluvadas, a cabeça entre as pernas, sentado de forma desolado na parede logo em frente à cela. Lágrimas saiam de seus olhos e seu queixo tremia por ser obrigado a fazer isso com ela. Sabia que isso era pelo bem de Anna mais partia-lhe o peito.
- A música cria para nós um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas às nossas lágrimas...¹ – V sussurrou para si e começou a cantarolar baixinho para si.
Ele também reagira dessa forma quando fora trancado em sua cela em LarkHill. Uma lembrança que ele ignorava todo dia mas o ritmo das batidas na porta pareciam uma música de fúria. O mesmo ódio que ele sentira. A mesma raiva. V cantarolou para acalmar-se...
Oh, Anna, minha pequena, por que você também tem que sofrer por ódio e desejar vingança...?
¹.: "A música cria para nós um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas às nossas lágrimas..." by Oscar Wilde
