100 Poison+Ice ficlets
Chibiusa-chan
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Título : Flocos de gelo
Tema : #13 Snow (neve)
Palavras : 441
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Para Perséfone-san.
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O grego caminhava pela superfície gelada da Sibéria. Sentia-se perdido, engolfado por aquela vastidão branca que se estendia até onde a vista alcançava. Sentia-se, aliás, como se estivesse completamente envolvido e circundado por ele.
Camus era como a neve. Pálido e frio. E, como um cristal de gelo, era único e igualmente belo. Nunca haveria outro igual.
A temperatura lhe era opressora. Aquele lugar inóspito e hostil parecia querer expulsá-lo de lá, mas ele continuava caminhando. Continuava deixando as suas impressões sobre a superfície branca, para provar-lhe que ali estivera – mesmo que, um dia, invariavelmente o tempo apagasse aquelas marcas.
E, talvez, apagá-las fosse realmente a coisa adequada a se fazer.
Era um ambiente tão diferente da Grécia, com seu sol e calor exuberante. Lá vivia-se com alegria uma vida sem restrições. Havia flores, cores, sons, cheiros. Amor. Abarcavam-se as mais diferentes pessoas das mais diferentes maneiras. Não existiria um ambiente tão antagonista àquele.
Milo divisou uma casa simples ao longe. Agachou-se, retirou uma das luvas e agarrou um punhado de neve. Sentiu os dedos doerem de frio, mas, pouco a pouco, viu o gelo derreter em suas mãos e se perder no chão em pequenas gotículas de água – que logo congelaram, como se ele não tivesse feito coisa alguma.
A neve na Grécia não sobreviveria... Sucumbiria ao calor, tornando-se água. Da mesma forma, o calor não sobreviveria na Sibéria, transformando-se em cinzas. Era o curso natural das coisas, e Milo preferia que fosse assim. As coisas eram do jeito que eram e não deveriam ser modificadas para coexistirem em outro ambiente que não lhe fosse natural.
Recolocou a luva e tornou a caminhar, aproximando-se de seu objetivo final. Cumprimentou-o com seu largo sorriso costumeiro e foi recebido com discreta surpresa e um sorriso contido. Gostava daquele sorriso, era verdade. Mas tinha medo do que poderia acontecer.
Era justamente naqueles momentos, quando sentia o próprio coração aquecer com a demonstração de carinho, que ele fugia. Sabia onde aquela estrada iria parar se decidisse trilhá-la. Justamente por isso escolhia um outro caminho, deixando que o tempo se encarregasse de dar cabo das marcas que ele havia deixado até então, para que tudo continuasse como se nada houvesse acontecido.
Amava-o por ser quem era, da maneira que era. Por mais que vê-lo sorrir fosse o momento mais prazeroso que existisse em sua vida, ele não o queria daquele jeito. No fundo, gostava de ouvir o seu tom monocórdico de voz, dizendo-lhe as mesmas reprimendas de sempre. Deveria ser assim, não deveria ? A neve não deveria existir junto ao sol, ou se transformaria em água.
E, se não fosse neve, não seria Camus.
Fim.
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N/A: Dear, eu fiz algo à sua altura ? Eu simplesmente tirei a fic da cabeça pelas últimas duas frases, você sabe como sou. Quis fazer um paralelo entre os dois mundos e personalidades tão distintas dos dois... Mas saiu tudo de uma maneira tão simplória... Não creio que tenha sido algo sequer remotamente parecido com isso quando você me disse estar ansiosa para ler a ficlet de tema "neve". Mas eu tentei.
Por Chibiusa-chan.
06 de maio de 2008, 22:02.
