Olá povo.
Desculpem-me a demora absurda, mas vocês não acreditam o que me aconteceu.
FUI ROUBADA!
Isso mesmo! O laptop que continha a fic já era (graças a Deus tinha uma parte salva no e-mail) e eu tive que reescrever este capítulo quase todo.
Desculpem os erros gramáticas, estou desesperada e não consegui passar o pente fino.
Bom, mas está aí, divirtam-se!!!
Obs: coloquei um pov do Remus dessa vez, tá curtinho, é só uma experiência. Digam-me se ficou bom.
Capítulo 6
(Março fechando o verão)
James
(Domingo, 14h02min, Greengarden House, Apt. 10)
Ding Dong
- Olá, boa tarde Marlene, o que posso fazer por você hoje? – perguntei a morena que se encontrava na frente da porta.
- Oi James, só vim pegar umas coisas, não se incomode com a minha presença – ela sorriu e entrou no apartamento sem fazer cerimônias.
- O que o Sirius quer desta vez?
- Uma pasta com os relatórios do caso dele, sobre um tal de Doug Sabian, uma barra de chocolate preto e seus óculos de leitura.
- Óculos?
- Ajude-me, por favor!!! Eu não os achei da vez passada e ele me chamou de incompetente! – ela vasculhava as gavetas perto da TV.
- Lene, acalme-se, ele não usa óculos – disse entregando uma valise preta – falou isso para você ficar apavorada, provavelmente.
- Filho da mãe!!! E eu achei estranho na hora... – tomou a pasta – Ok, obrigada James, tenho que escalpelar um infeliz.
- Brotou o Bastardos Inglórios em você? – ri – Certo, aproveite e leve meus cumprimentos.
- Tá. Estou indo. – ela deu um beijo em minha bochecha e saiu correndo apressada.
Voltei a meu quarto, pegando a guitarra a pouco desprezada.
Dedilhei os acordes de I'll stick Around, do Foo Fighters.
- I thought I knew all it took to bother you. Every word I said was true; that you'll see. – essa música me lembrava das tardes de Sábado em que eu e Sirius tocávamos na garagem da minha casa, tínhamos apenas 16 anos e sonhávamos em ter uma banda - How could it be I'm the only one who sees. Your rehearsed insanity Yeah.
Ouvi a campainha de novo, imaginei ser Marlene querendo, de alguma forma, conferir se existia um óculos de verdade. Era incrível como ela aceitava tudo que lhe diziam (outra vez ela acreditou quando Remus disse que o restaurante em que íamos cobrava 30% ao invés dos 10 usuais).
- Entra! Tá aberta!
Voltei a me concentrar na música.
- I still refused all the methods you've abused. Its alright if you're confused; let me be – ouvi passos vindo do corredor, interrompendo meus dedos.
Alguém abria a minha porta.
- Oi... Não sabia que tocava – Lily apontou para mim, escorada na porta, meio envergonhada.
- Sim, desde o colegial – sorri.
- Por favor, não pare por minha causa...
Assenti com a cabeça e voltei a tocar, apenas o instrumento, sem cantar.
Ela sentou-se a meu lado e disse:
- Er... Desculpe estar te evitando esses dias...
Desde o incidente de quinta-feira ela se escondia em toda e qualquer oportunidade que tinha de me ver. Solução: Plantões (se é que é possível ter 3 dias sem dormir...) ou pelo menos ela dizia estar.
Não disse nada, apenas voltei a cantar.
- I've been around all the pawns you've gagged and bound. They'll come back and knock you down – vi Lily colocar seus olhos nos meus, estava sem óculos, portanto não tenho certeza - And I'll be free.
Ela me agarrou, literalmente.
Ainda em choque, segurei sua cintura com força, puxando-a em minha direção, logo após tirar a guitarra do meio do caminho. A ruiva segurava a lateral do meu rosto, deslizando uma das mãos, calmamente, até o pescoço.
Ela continuava de joelhos na cama, enquanto eu permanecia sentado. Inclinei-me para trás, encostando as costas no edredom, levando-a a deitar-se sobre mim. Deslize-a para baixo, assumindo o controle e passei a trilhar beijos pelo seu queixo, pescoço, busto...
- James... – sua voz estava entrecortada – O que estamos fazendo, exatamente?
- Humm? – perguntei – estamos socializando.
- Ah, ok.
Voltei a beijá-la e acabamos sentados um na frente do outro (meio enlaçados).
- Qual surpresinha você terá para mim, Evans? – comecei a levantar sua blusa.
- Hahahaha – ela riu – está fazendo cócegas!
- Eu vejo algo vinho saindo por aqui – disse – o que tinha em mente?
- Não tinha nada em mente – ela mordeu o lóbulo da minha orelha – seu depravado.
Ponto fraco.
Joguei-a com tudo na cama e tirei minha camisa rapidamente, jogando-a em um canto isolado do quarto (n/a: imaginem isso, de joelhos na altura da cintura dela... Zégzi).
- Você é uma garota má, Evans, muito má.
Ela riu.
- James? – ela perguntou perto da minha orelha outra vez – Isso é só um encontro casual, certo?
- Como queira – falei, cheirando seu cabelo.
- Não precisamos tornar isso público, ok? – ela falava ofegante – uma vez não mata ninguém...
Essa garota era surpreendente, queria apenas diversão.
- Não, não mata... – dei um chupão (n/a: existe outra palavra sinônima para isso? É tão rude... Parece, sei lá, eu não gosto do nome) em seu pescoço e ela curvou as costas, pedindo mais – Fortalece.
Ela assumiu o controle desta vez, sentando-se ao redor da minha cintura, imitou o mesmo gesto que eu havia feito anteriormente.
E lá estava ele, vinho, cor-de-sangue, sem alças e com um pequeno laço no centro. Era liso e sem rendas.
- Quer analisar meu sutiã, Potter? – Ela juntou os braços, apertando-os, enquanto colocava uma unha entre os dentes.
- Talvez mais tarde – arranquei-lhe de uma vez.
I've taken all and I've endured. One day it all will fade I'm sure.
I DON'T OWE YOU ANYTHING!!!!
Marlene
(Domingo, 15:11, St. Mary Hospital)
- Sirius, seu filho da mãe! – gritei, ao chegar ao quarto branco do meu amigo – eu não acredito que você não usa óculos!!!
- Sério que você acreditou? – ele riu, deixando de lado o controle da pequena TV, com míseros canais a disposição – Hahahahaha.
- Cale a boca! Idiota! Você sabe que eu acredito se me disserem que apareceu um coelho verde em casa!
- Desculpe, cara amiga – ele disse – trouxe meu chocolate?
- Trouxe – entreguei-lhe uma barra de chocolate preto, era gordinha – opa, opa! – falei antes de deixá-lo encostar – Metade é minha, foi cara!
- Ok – ele partiu um quadradinho – recheio de marshmallow! Você é uma gênia! Adivinhou meus pensamentos!!! Sabe o tipo de comida que servem nessa porcaria?!
- Sei – disse – por isso eu trouxe duas caixinhas de comida chinesa – puxei o saco até a altura de seu rosto.
- Sabe, eu te daria um abraço agora, mas estou imóvel – ele falou, apontando para o gesso que envolvia sua barriga – então. Novidades?
- Sim, eu tenho!!! Duas, na verdade! – puxei uma cadeira para perto de sua cama – Você não vai acreditar no que acabei de ver.
- Ai, que babado amiga? Conta, conta – ele fez pose gay. Morri de rir.
- Pois é, estava saindo do seu apartamento – falei – ah é, inclusive trouxe sua pasta, James me entregou.
- Não fuja do assunto, vamos, o que foi?
- Certo, vi Lily encaminhando-se para lá! – bati as mãos – Não é demais?!
- Peraí, está dizendo que a ruiva finalmente deixou as noites de plantões?
- Podemos dizer que sim – falei – O caso é: acho que eles vão voltar a se falar hoje!
- Não é para menos... – ele deu um sorriso torto – James utilizou o método Potter. Eu mesmo o faço de vez em quando, não que seja preciso, mas é interessante.
- Ai, que nojo, o que diabos é isso? – imaginei alguma coisa entre caras. Eu adoro gays, mas não gosto de imaginar coisas entre eles, é estranho – Quando ele usou?
- Eu te mostro qualquer dia desses – ele riu e eu coloquei a língua para fora – não é nada homossexual! E não se preocupe com o quando.
- Sei - Ri, mordendo outro pedaço do chocolate.
- E qual o outro assunto? – ele perguntou, com uma das mãos atrás do pescoço, mostrando...
- EI! VOCÊ FEZ UMA TATUAGEM! – gritei.
- Até que enfim você notou! – ele ria abertamente – Eu fiz ha uma semana, no fim do mês passado. James notou assim que eu cheguei a casa. Talvez pelo fato de ter entrado no apartamento com um daqueles plásticos ao redor do braço, mas isso não vem ao caso...
- MEU DEUS, DEIXA EU VER!!! – corri até onde ele estava e puxei a barra da camisetinha ridícula de hospital para cima – você fez... O que você fez?
- Essa tatuagem é especial – ele apontou para o desenho preto – é egípcia.
- Humm, que mais?
- É uma Ankh (n/a: pergunto-me como diabos se ler isso, joguei no Google e descobri: Anak), uma cruz. Ela simboliza vida eterna, a vida após a morte.
- Legal. Eu adoro o Egito – e é verdade, desde que eu li uma série de livros intitulada Ramsés, acho sua cultura fascinante.
- Veja só: as alças se entrelaçando compõem a união dos sexos, ou Osíris e Isís e também é relacionada ao período de cheias do Nilo – ele continuou explicando – Ela era como um símbolo para os egípcios convertidos, os chamados Cristãos Cópticos, por assemelhar-se ao crucifixo de Jesus.
- E você aprendeu tudo isso... – incitei-o a continuar.
- Com um amigo.
- É o que Sirius? – disse – Como assim?
- Foi o seguinte – ele cruzou os dedos, apoiando as mãos no baixo ventre – Há dois meses atrás tive um cliente que era fascinado por símbolos.
- Robert Langdon da vida? – ri.
- Não, ele era curador de museus.
- Que tipos de problemas com a lei um homem que trabalha em um museu pode ter? – perguntei incrédula.
- Não foi ele – Sirius riu – fui contratado para ajudar seu filho a sair das grades.
- Ai meu Deus! O que aconteceu? – arregalei os olhos – Conte tudo!
- O nome do garoto era Hugo, e ele participava de uma tribo gótica – assenti com a cabeça, adorava essas coisas meio policiais – era chamada A Máscara. Eles tinham como símbolo o Ankh.
- E o que houve?
- Foram presos ao serem encontrados fazendo rituais de sangue com uma inocente.
- Ela morreu? – desesperei-me, essas coisas me davam medo.
- Não – ele abriu um sorriso – segundo disseram, eles só precisavam de um pouco de sangue de uma virgem para a união dos sexos. Uma troca de fluidos. Ela consentiu, fazia parte do grupo.
- Então, qual o grande problema nisso tudo?
- O problema é fazer isso com várias pessoas ao redor, todos vestidos de preto e com caninos falsos de vampiro – ele comentou – e a forma da retirada do sangue ser com esses dentes.
- Nooossa! Mas e aí? Como eles acabaram encarcerados?
- Foram vistos pelo vizinho – e riu – estavam fazendo isso no quintal de Hugo, o pobre homem pensou mal.
- Mas eles saíram da cadeia?
- Sim, foi fácil na verdade, eram todos de menor – coçou os cabelos – só precisaram pagar a fiança com serviços sociais.
- Espera aí – ponderei – Você se tatuou baseado nas invenções de adolescentes brincando de RPG? Você é impressionante mesmo...
- Opa, opa! – ele colocou as mãos estendidas, como se dissesse: "eu sou inocente!" – Quis saber mais sobre o que eles faziam, disseram-me que era o clã dos seguidores de Seth, uma espécie de vampiros.
- Vampiros possuem espécies? Essa é boa... – revirei os olhos.
- Sim, mas... Não vem ao caso – balançou a cabeça – O Pai dele me deu um curso básico sobre o Egito, achei muito interessante e resolvi tatuar.
- Você é louco – ri – ei, o que é essa casquinha aqui – apertei em uma parte grossa da tatuagem.
- AAAAHHH – ele gritou e eu retirei o dedo rapidamente de lá – Você tem problemas?!
A tatuagem começou a sangrar.
- Tá sangrando!!! – corri até o banheiro pegando um punhado de papel higiênico para limpar seu braço – Pronto! Foi sem querer, juro!
- Eu te perdôo, só porque eu sou legal – soprava o machucado – Ei, não vai me contar a outra novidade?
- Ah, é mesmo... Desculpe, eu me distraí.
- Eu sei que sou uma grande distração – ele poliu as unhas e depois as esfregou no ombro da camisa – ninguém consegue resistir.
- Pense aí cara, foi exatamente por isso – de certa forma sim, tatuagens me tiram do foco, elas são incrivelmente sexys... Uma vez já namorei um cara que tinha um braço completo (a grande parte formada por temas old school) e duas carpas gigantes nas costas (humm, ótimas costas), minha mãe adorou o cara (já disse que ela é mais jovem que eu? Pois é) e achou péssimo quando acabamos.
Pra falar a verdade, ela ficou mais deprimida que eu. Mas tudo bem, ele não tinha muito cérebro de forma que eu não conseguia sustentar assunto por mais de meia hora.
As coisas eram mais físicas, afinal, eu não conseguia me controlar perto dele.
- Lene.
Aquele corpo transpirava testosterona.
- Lene.
Eu ainda não acredito que ele casou com aquela vadia tatuadora.
- LENE!!!!
- Ai, o que é Sirius?! Por que tá gritando? – repousei uma mão no lado esquerdo do peito.
- Você tava olhando para o a parede com uma cara de: Adããã...
- Eu odeio essa expressão... – ri – Ok, onde paramos?
- Você estava dizendo que eu sou o cara mais gostoso do mundo – fez uma cara de modesto – e que eu fiquei extremamente sexy de tatuagem, portanto, eu acho que você estava delirando aí com a parede, pensando na forma mais fácil de tirar minha camiseta de hospital.
- É o que Sirius? – ri outra vez.
- Não se preocupe com a forma mais fácil, eu gostaria que você tentasse com os dentes – fez uma breve pausa - beeeeeeeem lento.
- Acho que aumentaram sua dose de morfina.
- Hehehehe, foi engraçado – ele colocou o braço para cima, apoiando a cabeça (e mostrando um pedaço da tatuagem – Pela milésima vez, qual é a grande novidade?
- Você não vai acreditar – disse, revirei-me na cadeira, cruzando as pernas como se fosse um índio – lembra daquele vídeo que eu fiz pela Oxford Street? Para ter inspiração com a linha de camisetas e tudo?
- Ahãm.
- Pois é, eu filmei uma parte dentro daquele restaurante brasileiro, quando fui almoçar.
- O Brazil by Kilo? Como é que anda o seu Francisco? Faz tempo que eu não passo por lá. Aquela feijoada...
- Eu sei, é deliciosa – cortei-o – voltando ao assunto – lancei-lhe um olhar sério – eu conheci um cara lá. E rolou um super clima entre a gente.
- Vocês conversaram sobre o que?
- Bom... A gente não se falou... Mas nos olhamos milhares de vezes.
- E como ele era?
- Ai, era lindo! Tinha aqueles olhinhos puxados, aquela aparência estranha, usava roupas lindas e tinha até uma havaiana. Uma havaiana! Elas são caríssimas e cheias de estilo – suspirei – enfim... Perfeito.
- Eu não acredito... – ele disse incrédulo – Você tá apaixonada por ele.
- Deixa eu acabar! Depois você tira suas conclusões – pigarreei, limpando a garganta – Eu aposto que ele ia vir falar comigo se você não tivesse me ligado, dizendo ser um assunto importante. Ah! E ele adorou o toque do meu celular, era The Strokes, significa que ele tem bom gosto para música.
- Duas coisas: primeiro, desculpe-me tirá-la do seu príncipe encantado, mas era o Remus, eu tinha que ligar. – ele enumerou com os dedos – Segundo, como diabos você sabe que ele gostou da música?
- Primeiro: eu desculpo, era o Remus, ele vem em primeiro lugar – imitei-o – segundo: ele riu quando o celular tocou. Isso quer dizer que ele gosta.
- Ele podia ter pensado: "que música patética, essa garota é ridícula".
- Ninguém acha The Strokes ridículo depois de ouvir – cruzei os braços – você é prova viva disso.
- Eu sei, mas talvez ele não.
Eu apresentei a banda ao Sirius, com a gente era assim, sempre que um achava uma banda boa repassávamos ao outro. Mas nesse caso, ele disse que a voz do cantor era de drogado alcoolizado e ele nunca ia gostar disso.
Eu consegui convencê-lo o quão bom pode ser ouvir drougs and álcoollll (n/a: vocês já ouviram o Guilherme Zaiden falando isso no vídeo do Pastor Cerafim? Joguem no Youtube, não vão se arrepender) no seu pé do ouvido.
- Cala a boca – dei um tapa na sua perna – eu não acabei.
- Diga...
- Eu saí da mesa pra te atender, certo? – ele assentiu – Quando eu voltei lá, o cara tinha ido embora, portanto eu não o vi de novo.
- Ahhh, que pena – ele fez uma cara falsa de tristeza.
- Shiiii, eu mandei você falar?
- Desculpa, criança brutal.
- Quando eu fui rever o vídeo – ignorei o comentário – Vi-o passando em frente a câmara.
- O que é lógico, ele tinha que fazer isso pra sair do restaurante.
- Não, ele podia ir pelo outro lado, pare de me interromper! – bati em sua perna novamente – Ele abriu o caderno que estava desenhando na mesa, ah é, ele desenha!!!! Não é lindo?
- Marlene, seja breve, meu ouvido não é pinico.
- Nhê... Bocó. Só porque não desenha – ri – mas olha só, tinha um pássaro empoleirado num galho com uma cartola na cabeça.
- O que tem de tanta emoção nisso?
- Tinha um balãozinho do lado, escrito: Good Lunch – cruzei as mãos – quase morri!!!
- Você está afim de um cara que nunca falou na vida? – ele perguntou – De novo?
- Eu estou, e daí? Amores platônicos sempre acontecem.
- Inacreditável, já não bastou aquele cara?
Ele falava do Kevin. Foi um cara que eu me apaixonei no trabalho (do tempo que eu estagiava numa empresa de arquitetos, para ganhar experiência), ele era tudo o que eu queria num homem, pelo menos na minha imaginação. O fato é que eu nunca tive coragem de falar com ele e as coisas continuaram desse jeito quando saí para trabalhar por conta própria.
Ficamos só nas olhadas, as vezes um sorrisinho. De vez em quando um oi e um tchau.
- Aquele cara é passado, esse pode ser presente.
Não era por isso que eu tinha deixado de sair em encontros (dois em três anos, eu sei, patético), mas sempre achei que não daria certo. Sempre voltava a ele.
Kevin era lindo, chamava demais minha atenção. Tinha uma espécie de ímã que me atraía constantemente.
- Como? Ele te chamou pra sair, por acaso?
Era destino. Eu achava ser destinada a ele.
- Não. Mas se acalme, vai passar logo – abanei as mãos, numa clara expressão de tempo corrido.
- Eu espero, tenho ciúmes de você com outros caras, sabia? – ele fez biquinho.
- Sim, eu sabia – abri um sorriso – apesar de não entender.
- Minha melhor amiga não escolhe as pessoas certas.
- Meu melhor amigo também não – encostei o dedo indicador em seu nariz – mas nem por isso tenho ciúmes – tirei-o de lá, encostando-me na cadeira.
- Mas eu tenho, conviva com isso – ele repousou as mãos no gesso ao redor de seu corpo.
- Eu sou desleixada com isso, admito – cocei a cabeça, numa expressão confusa – costumo notar as coisas quando elas realmente acontecem.
Trocamos olhares significativos que perduraram alguns segundos, até eu desviar para a parede, sorrindo.
- Admita isso agora: - ele esticou a manga da camisa, mostrando a tatuagem e flexionando o bíceps – Estou muito gostoso com ela, não acha?
- Sim, eu acho, você está o maior tesudo – sorri, pegando em seu braço durinho e altinho (parecia um pão carioquinha) – agora pare de se mostrar ou vamos ter um batalhão de enfermeiras aqui no quarto.
Havia três delas rondando o ambiente de fora, dava para notar como elas tinham parado seus afazeres para admirar meu amigo. Tudo isso graças a uma janela de vidro gigante que habitava o cômodo.
- Está com ciúmes, é? E aquele discurso anterior? – ele sorriu e mexeu os cabelos, fazendo charme para elas.
- Nenhum, nenhum – encostei a cabeça em uma das minhas mãos.
- Olha só – ele disse – está vendo aquela loira com mechas californianas (pergunto-me onde ele sabia esses nomes)?
- Estou.
- Ela é a responsável pelos meus banhos.
- Você é banhado na cama?
- Não, mas como não posso mexer meu tronco, tenho que ser assistenciado todos os dias.
- E você fica nu, perto dela? Eca, que horror, você nem poderia fazer nada!
- Eu tomo banho de cuecas – ele suspirou - É uma pena esse gesso atrapalhar meus planos.
- Seu tarado! – bati em sua perna outra vez, não sei quantas foram hoje – ela é uma profissional, não vai se enxerir para você!
- Eu não posso fazer nada, baby – ele sorriu e acenou para ela – eu disse.
A loira californiana sorria bobamente.
- Ok, retiro o que disse – vi o relógio que tinha no pulso – olha só à hora! Tenho que ir!
- Ir para onde?
- Comprar os ingressos para o jogo do Liverpool, que vai ter nessa quarta, contra o Manchester City – abri o trench coat preto que estava usando e mostrei minha linda camiseta vermelha.
- Por um segundo imaginei você só de lingerie preta pra mim, com cinta-liga e tudo – ele coçou o queixo – mas é só esse trapo feio.
- Ora, cale a boca. Nem em seus sonhos eu faria isso – fechei-o e arrumei o cabelo em um rabo de cavalo – e essa camisa é sagrada, foi autografada pelo Daniel Agger.
- Vá logo, os estágios fecham as seis, faltam quarenta minutos.
- É mesmo, tenho que correr!
- Antes venha aqui me dar um beijo de despedida – ele usou o dedo, chamando-me.
- Ok, seu reclamão – dei um beijo bem demorado em sua bochecha, sua barba me fez cócegas – até mais.
Saí do quarto quase esbarrando com a enfermeira Califórnia.
- Senhor Black? É hora do banho – balancei a cabeça em sinal negativo e segui ao elevador.
Lily
(Segunda, 08h07min, Greengarden House, Apt. 11)
(PS: de outra semana, vale constar)
Acordei cedo, não entendendo o porquê, hoje só precisaria ir ao hospital durante a tarde. Mais precisamente às cinco.
O sono acabou por completo então fui tomar um banho.
Quando acabei, escolhi com cuidado meu sutiã (nunca se sabe quando um vizinho aparece por aqui) e decidi-me por um preto push-up com rendinha na borda que eu havia comprado no mês passado na La Perla. Coloquei uma blusa soltinha de decote no busto da mesma cor e um jeans claro azul.
Descalça, segui até a cozinha, a fim de preparar panquecas com calda de chocolate e cerejas ao marasquino fatiadas por cima (compre-as ontem e por via das dúvidas as escondi pela geladeira – Marlene era viciada).
Humm, delícia.
Peguei os ingredientes necessários: leite, farinha de trigo, fermento, sal, açúcar refinado e ovos. Com vinte minutos, comecei a colocá-las na frigideira, soltando aquele aroma gostoso no ar.
- Meu Deus do céu, que cheiro bom! – Marlene aparecia na cozinha coçando o olho e bocejando (n/a: se eu não mencionei antes, estou dizendo agora: a casa das duas lembra muito a da Monica de Friends – essa foi a real razão de eu me inspirar no seriado para compor a fic – relevem os móveis, não serão tão iguais) – Ignore meu estado matinal, só fiz escovar os dentes.
- Deixa disso sua cachorra, tá linda – fora a cara amassada, ela usava as habituais calças de dormir (verde, dessa vez) e um top branco (n/a: não sei vocês, mas pra mim, top é um daqueles sutiãs de academia, ou semelhante, ou seja, só cobre os seios). Os cabelos estavam legais, digo isso porque eles ficam super repicados quando ela acorda, sem aparentar o meu bombril vermelho – o que diabos você faz nesse seu cabelo pra estar sempre perfeito? E essa barriga?
- Eu sei, tô meio gorda... – ela passou a mão por ela - E não faço nada, eles acordam assim.
- Gorda? Tá uma tábua! Deixa de fazer doce!
- E você? Senhora tenho-o-corpo-mais-desejado-por-todos-os-homens-do-mundo.
- Obrigada, obrigada – fiz pose, colocando um dedo na boca e encostando a outra no joelho. Agachei-me empinando o bumbum e lancei um olhar 43.
- Vish, toda gostosona. Como é que ninguém pega você?
- Bom... – vir-me-ei constrangida para o fogão, estava derretendo o chocolate em banho-maria.
- Não diga que saiu de novo com o Hugh! – Ela sentou-se em um dos bancos altos da bancada (n/a: eu não resisto narrar, é mal de arquiteta, desculpem-me: imaginem a cozinha da Mônica, ok? Agora excluam aquela mesa ridícula que tem lá e coloquem um balcão retangular com tampo de granito preto no meio. Ele tem um daqueles fogões próprios para bancadas e espaço para quatro pessoas na frente. Ah é, a geladeira é inox de duas portas. LUXO!) – Ele te pegou, né?
- Não... Só naquelas duas vezes mesmo – comecei a cortar as cerejas.
- Então quem é? – ela roubou uma do potinho e colocou na boca.
- Er... O... Como está o Sirius no hospital?
- Bem, ele vai sair de lá amanhã – pegou outra – Quem é?!
- Pare de insistir!
- Eu conheço?
- Bem...
- Eu conheço! Hahaha! Já sei quem é!!!
- Sabe nada.
- Sei sim, você pegou o James!!!! Safada!
- Como...?!
- Joguei verde e colhi maduro!!! Sério mesmo?! Conte-me todos os detalhes!
- OK! Ai meu Deus, você não vai acreditar – fechei o fogão e sentei-me em um dos banquinhos ao seu lado – lembra da época que eu parei de falar com ele? E inventei milhões de plantões para fazer?
- Sim.
- Pois é, isso aconteceu depois de eu chama-lo a um almoço no Nobu.
- Nobu?! Humm.
- Nada a ver, Lene – balancei a mão – foi pra perguntar se ele não queria ir num encontro comigo, Hugh e Juliet, no Red Lion.
- Ahhh, já entendi – falou – ele pensou que iria com você e o outro casal.
- Foi isso! Eu nem me toquei, ele ficou com uma cara estranha... Mas enfim. As coisas pioraram quando eu o perguntei que roupa ele gostaria numa mulher numa situação como essa – Lene morria de rir – Pare com isso! Era para o Hugh! E eu gostei das idéias... Sabia que você nunca deve usar meia-calça para se encontrar com um homem?
- Sim, apenas se forem separadas. Sirius já tinha me contado. Mas e aí, ele ficou ouriçado? – e riu mais.
- Sei lá. Eu não notei... – roí uma unha – Conversa vai, conversa vem ele se tocou do ocorrido.
- Uhh, e depois?
- Depois? Eu disse que nós éramos amigos, e que ele tinha entendido mal.
- E o que ele falou?
- Mais ou menos assim: "Lily, achei ter deixado claro pra você que não te queria só como amiga quando te chamei para sair".
- Ahhh, que lindo!!!
- Que lindo o que? Você sabe que ele beijou a oxigenada da Valerie na minha frente... Eu disse: "Achei que você tinha me mostrado que era só um amigo quando beijou aquela meretriz na minha frente".
- Você disse meretriz?! Hahahahaha!!!
- Talvez não, mas deveria. Começamos a discutir um com o outro até que ele soltou: "Eu realmente queria aquele beijo, Lily".
- Nossa!!! Ele já tem uma fã!!! Mais, mais!
- E aí eu disse: "que beijo o que, Potter, você já se divertiu o bastante com sua amiguinha".
- Eu. Não. Acredito. Sua. Burra.
- Espere, eu não cheguei a terminar.
- Por quê?
- Por que ele me beijou – ela estava boquiaberta – é, foi isso mesmo. Lembra que eu estava sonhando com o Owen naqueles dias? Pois é, foi assim que ele me pegou.
- MORRI!!!
- E aí eu dei uma de autista escapando dele como o diabo foge da cruz.
- Você é retardada? Se ele foi assim te beijando, imagine um homem desses numa cama.
- É, ele é melhor.
- É O QUE?! LILY EVANS, EXPLIQUE ESSA HISTÓRIA DIREITO!
Levantei da cadeira e trouxe as panquecas com a calda.
- Vamos comer, sim?
- Aham Cláudia, senta lá – ela ironizou - Eu como e você conta, ande. Não quero saber de doce.
- Sim... Alguns dias depois eu resolvi criar vergonha na cara e ir pedir desculpas.
- Certo – ela disse atacando a comida.
- Aí eu fui ao apartamento dele.
- Sim, eu te vi indo lá! Ai meu Deus, conte logo!
- Eu o encontrei tocando guitarra, acredita?! – ela assentiu – e depois de me explicar ele começou a cantar. Você sabe que eu tenho uma super queda por músicos.
- Sei, lembro daquele cara, o Nate. Aquele que você saiu no colegial que tinha uma banda em Nova York – fiz que sim – qual era mesmo o nome deles? Metal Juice? Nome ridículo.
- É, era essa mesma – suspirei – e você pegou o baterista, o Travis.
- Pena que eles eram tão drogados.
- Pois é, uma pena.
- Ai meu Deus, estamos fugindo do assunto!
- É mesmo, deixe-me acabar – pigarreei – eu não agüentei amiga, agarrei ele lá mesmo, e aí... Já sabe.
- Finalmente!!! Muito bem!
- Obrigada... E desde então temos nos esbarrado por aí.
- Vocês estão namorando? E não contaram pra mim? Porque eu sei que o Sirius já sabia dessa arrumação.
- A gente não tá namorando, estamos tendo encontros casuais.
- Lily, conte isso direito, sei que isso é idéia sua.
Ponderei.
- Sabe o que é Lene, eu acho que ainda não estou pronta para um relacionamento. Não consegui esquecer o Carlos... E... O James parece gostar de liberdade, ele é... Como posso dizer...
- Tão Sirius?
- Isso! Adjetivo perfeito. Somos livres, entende?
- Você não quer magoá-lo, entendi.
- Isso...
- Sabe o que eu acho? Que faz muito bem. Se rolar rolou – ela pegou em minha mão – imagina só se você chega a se apaixonar de verdade por ele?
- É...
- Ok Lily, vou tomar um banho agora porque tenho uma reunião na Zara.
- Olha só a Srta. Sucesso! Tenho uma coleção na Zara!
- Beijos, beijos amiga. Depois me pede um autógrafo – ela rebolava em direção ao quarto.
Cerca de dois minutos depois a campainha tocou.
Fui atender, porque Lene demora pacas no banho.
- Sim, o que... Deseja? – lá estava ele, só de jeans.
Ai. Meu. Deus.
- Um passarinho verde me disse que você só ia trabalhar à tarde.
- Ora, é verdade sim.
- Então neste caso...
Ele enlaçou minha cintura e prendeu-me na parede mais próxima.
Meu Owen Hunt.
- James, Marlene está aqui! Seja mais discreto!
- Desculpe, baby. Mas não consigo me controlar – puxou os meus cabelos e depositou uma mordida no meu pescoço.
Humm... Ponto fraco...
Subi uma perna ao seu redor.
- Lily! Quem era? – Marlene gritava do quarto.
- Era... – James colocou as mãos sobre meus seios – CORRESPONDÊNCIA!
- Ah, ok... Daqui a pouco estou de saída.
- CERTO! – gritei mais uma vez, sem querer.
- James, escute-me,ouviu o que ela disse... Você tem que ir embora. Aliás, o que está fazendo aqui e não trabalhando?
- Eu pedi ao Tom para segurar minha barra.
- Não gosto disso – sorri internamente, na verdade era ótimo – você faltando com o serviço.
- Quem disse que eu estou? – ele riu – Tenho muito o que fazer por aqui.
Ri em seu ouvido, enquanto nos dirigíamos para meu quarto.
Sirius
(Sexta-feira, 12h03min, St. Mary's Hospital)
- Ahhh, até que enfim me livrei daquela coisa – girei, experimentando meu corpo – bem melhor.
- S-sim... – Lucy falou, olhando atentamente para o meu tórax.
Humm.
- Tenho certeza que já posso voltar à ativa – acho que ela entendeu a indireta, porque arregalou os olhos.
- Sr. Black, acho que o senhor precisa de um banho – sorri – olha só os restos de gesso presentes no seu corpo! Está imundo.
- É... Eu acho que... – Senti mãos ao meu redor.
- Amor!!! Até que enfim você tirou aquele gesso! – Uma cabeça conhecida entrava em cena – Nossa, era um empecilho e tanto.
- Er... Olá? – A enfermeira californiana disse.
- Ah, oi, eu sou a Marlene, como vai? – Lene disse para Lucy e voltou-se para mim – Sentiu minha falta, meu bem?
- Chram... Senhor Black, vou preparar as coisas no banheiro – Califórnia pigarreou.
- Ah, mas o que é isso! Não se preocupe querida, deixe que eu mesma cuido dele – ficou de pontas de pé e trouxe meu rosto de encontro ao seu, depositando um selinho – assim a gente pode tirar o atraso, não é mesmo?
E apalpou a minha bunda.
- Eu acho que ele ainda não tem condições de fazer isso sem uma profissional encarregada.
Seria realmente legal ver uma briga de amazonas na minha frente, mas eu desisti dessa idéia depois da apalpada.
- Não Lucy, pode deixar. Já estou forte como um touro – flexionei o bíceps tatuado (eu adorava fazer isso) – E além do mais... Estava morrendo de saudades dessa boca.
Peguei Lene de uma vez e inclinei-a para baixo, dando-lhe um beijo cinematográfico.
Ela nada conseguiu fazer a não ser corresponder, passando os braços ao redor do meu pescoço e alisando meus cabelos com uma das mãos.
As coisas comigo não ficavam inacabadas, quem ela pensa que é para me dar um beijo chulo e aproveitar-se da minha bunda sem receber nada de troco?
- Tem um código azul no quarto ao lado... C-com licença.
Lucy Califórnia saiu do quarto deixando-me as sós com Lene.
Pensando melhor agora, deveria ter chamado as duas para virem me banhar.
- Humm – ela saía de perto de mim, empurrando-me – foi divertido, agora vá tomar banho. Ela tem razão, você está imundo.
- Ah não, você vai me ajudar, lembra?
- Sirius, sejamos racionais – começou... – imagine você só de cueca tomando banho – já ia dizer, "pra que?" – e nem venha com gracinhas. Aí eu ia ter que te assistenciar e acidentalmente você jogaria água na minha blusa e ia ficar tentado em saber qual era a cor do meu sutiã já que ela estaria colada em meu corpo.
- Sabe, eu acho que nós deveríamos checar se sua teoria é correta.
- Não, não... Coisas como isso aí iam aparecer.
Olhei para baixo e...
Droga.
- Banho, banho, banho – ela me empurrou pelas costas.
- Eu não tenho minhas roupas, quer que eu saia pelado pelo quarto?
Senti um punhado de panos na minha cara.
- Agora!
Segui para o banheiro e despi-me.
Era por isso que ela tinha parado o beijo.
Malditos 15 dias de celibato.
Tomei um banho rápido e imaginei qual seria a cor de seu sutiã.
Ah, qual é? Ela tocou no assunto, não é minha culpa.
Opa...
Banho gelado às vezes é necessário.
Terminei de me secar (bons minutos depois) e analisei as roupas que ela havia me separado: minhas cuecas pretas Calvin Klein (humm), uma camiseta de mangas compridas rosa de botões, um jeans surrado azul e um blazer cinza escuro (n/a: combinação PERFEITA!). Nunca havia usado ele sem ser no trabalho, totalmente empacotado.
Escovei os dentes e passei meu perfume nos cantos certos.
Não sei se vocês já ouviram, mas no filme: Alfie, o sedutor, o personagem principal diz que só devemos colocá-los nos locais chave: da cintura para baixo.
E eu aderi ao truque, posso dizer que é imbatível.
Aliás, segundo ele, a combinação de terno cinza com blusa rosa é ideal.
- Lene, você já assistiu Alfie? – perguntei do banheiro, já quase vestido.
- Já, por quê?
- Nada não – bingo!
Terminei de me arrumar e adentrei no quarto.
- E então, como estou? – abri os braços ajeitando os punhos.
- Er... Ficou ótimo! – ela chegou mais perto – calce os sapatos! Eu só achei esses aqui no que você chama de quarto. Passou um furacão por lá?
- Obrigado – peguei meus sapatos brancos de trabalho – eles ficam guardados numa sapateira no corredor. E meu quarto... Bom, ele é sempre assim.
- Sei...
- E então, Lene... Ciúmes é?
Ela colocou as mãos nos bolsos da calça, balançando-se pra frente e pra trás.
Era uma das coisas que eu adorava nela, suas roupas esquisitas e seu jeito independente.
Apesar de adorar quando ela dava o braço a torcer.
- O que é isso! Não mesmo... – jogou os cabelos soltos para trás – Estava assegurando o emprego daquela coitada.
Hoje ela estava com uma calça jeans clara e uma camiseta xadrez vermelha... De botões... Muito atrativos.
- Ok, não está mais aqui quem falou.
- Você se exaltou até demais, seu safado – ela colocou uma bolsa enorme que tinha trazido no ombro – vamos embora?
- Sim... Não agüento mais esse marasmo – acompanhei-a, com uma mão em suas costas – E foi você que começou.
- Foi mesmo, bundinha durinha heim? – ela deu um beliscão lá.
- Não tanto quanto a sua – dei-lhe um tapa.
- Sirius! Já chega disso, assine logo esses papéis!
Encostamo-nos no balcão e vi outra das minhas enfermeiras atendendo.
- Helen! Poderia me passar o formulário de alta, por favor? – mexi nos cabelos molhados.
- Claro Sirius, uma pena você estar indo embora...
- Ora... Quem sabe não faço uma visitinha? – peguei em seu queixo.
- A-aqui está... – peguei a prancheta.
- Obrigado.
Lene puxou-me o braço de uma vez.
- Assine logo esta merda.
Fiz o que tinha dito e seguimos em direção a saída.
- Estressada.
- Você estava queixando àquela mulher na minha frente!
- E daí?
- Espere e verá – ela distanciou-se, chegando perto de um dos médicos que haviam por perto.
De longe deu pra ver que ela estava dizendo que ele era muito bonito ou algo do tipo, porque o cara sorria e diminuía a distância.
- Vamos, amor – peguei-a pelo braço – já entendi o recado – falei, quase na entrada.
- Sirius? – Helen chamou-me de longe.
Senti-me sendo empurrado pelo colarinho em direção a parede.
Olhei para aqueles olhos caramelos e sorri, antes dela me...
Beijar?
- Olho por olho, dente por dente – deu um tapinha no meu rosto – Te espero no carro, Black.
E saiu, rebolando e mandando beijo para o médico de antes.
Remus
(Sábado, 14h08min, Staveley, Apt. 3)
"Apartamento confortável, com duas suítes, cozinha, sala ampla e uma varanda de frente para o adorável Nothing Hill. Procura-se alguém para dividir as contas. Para quem estiver interessado, contatar Remus Lupin no e-mail . Paddington Avenue nº 55, apartamento 3".
É, acho que ficou bom. Agora é só postar nos classificados do The Daily Mirror e do Daily Telegraph e esperar que alguém faça contato.
Tomei um longo gole de café puro e calcei umas chinelas. Meu estado deplorável tendia a continuar por um longo tempo, mas eu estava disposto a mudar.
Eu não conseguia dormir, eu trabalhava mal, estava duro (porque as contas deste apartamento estão de longe ao alcance de um simples promotor feito eu) e não conseguia parar de pensar o quão estúpido tinha sido ao passar anos namorando com uma mulher lésbica. Eu possuía todos os motivos para me afogar em bebidas, mas eu não tinha nem capacidade para tal, graças a uma pequena herança de família.
A última vez que me lembro de ter bebido tanto foi no dia 10 desse mês. Cheguei a casa, já esperando a zona de sempre (eu não conseguia conservá-la num estado agradável, de forma que existia uma pilha de jornais espalhados ao seu redor – Roger parecia tão depressivo quanto eu, tanto que deixava uma trilha de mijo por todas as partes -, outra de louça suja na pia da cozinha e um cheiro desagradável que já tinha tornado-se usual no apartamento.
Mas não dessa vez.
Meus amigos resolveram fazer uma festa surpresa de aniversário para mim, sim, eu estava fazendo 27 anos este ano e nem acreditava na minha sorte. A primeira coisa que vi foi Roger, meu gato de rua de pêlo curto preto com olhos amarelos, banhado (quem conseguiu essa proeza eu não sei) e com uma gravatinha verde no pescoço, miando e ronronando ao redor das minhas pernas. Alguns segundos depois, senti um aroma de limão (aqueles de bom ar) e encontrei um apartamento limpo.
"Errei de andar?", foi tudo o que consegui dizer quando meus amigos pularam gritando surpresa!
Estavam todos lá, Lene, Sirius, Lily, James, Peter, Helena, Bonnie, os irmãos Phelps... Meus amigos mais antigos e o pessoal do trabalho.
E aí foi a festa da tequila, era o preço cobrado para um apartamento limpo (Lene disse que tinha passado o dia inteiro lá com Lily, lavando e arrumando). Obrigado, tomei muitas doses acompanhadas de sal e limão.
O suficiente para a ceninha de streaptise feita por mim, James e Sirius na mesa de centro da sala, com direito a dinheiro na cueca e tudo.
Consegui 7 euros e 20 pence.
Desde então resolvi que minha vida ainda tinha jeito, era muito novo para desistir. Tanto que já fiz o anúncio no jornal e hoje mesmo começaria uma arrumação na casa.
Olhei ao meu redor e encontrei os usuais jornais (apesar de Roger estar mais comportado nos últimos dias), os copos descartáveis de café, as pilhas de processos sobre a antiga mesa de jantar, quilos de roupa suja sobre o sofá...
Suspirei.
Coloquei a comida do gato na cozinha e fui tomar banho.
Quem sabe mais tarde passava na lavanderia.
Gostaram? Sim, não? Digam-me, estou louca por reviews.
Ah, sim... Vou passar a agradecê-las na Fic a partir do próximo capítulo, respondendo uma a uma, portanto me escrevam e tenham seu nome registrado aqui!
Adorooo!
Beijomeliga.
