A/N: Conseguimos bater o recorde de reviews! O capítulo anterior teve 16 reviews! Muito obrigada a todos que deixaram um review. Graças a vocês esse capítulo está sendo postado hoje. Ele tem 24 páginas no Word! Divirtam-se, e lembrem-se de depois deixar um review .
AVISO IMPORTANTE! Quem estiver gostando dessa fic, pelamordedeus manda msg para a autora original, Kathryn's NomDePlume! Ela está querendo saber se deve continuar a escrever a história… eu estou com medo dela parar de escrever! E acreditem quando eu digo, está maravilhosa! Ou seja, mandem PM para ela, ou review na história original dizendo que vocês estão acompanhando a versão traduzida, e que não querem que ela pare de escrever essa história! Quem quiser ajuda para escrever a mensagem em Inglês, me manda por PM o que quer dizer, que eu traduzo para o Inglês e mando de volta para vocês poderem mandar para ela! Vamos lá gente! Não vamos deixar a melhor fic do casal Lily/James morrer!
A Cada Outra Meia-Noite
Capítulo 7: Conversas Necessárias
Meia hora depois, quando ele entra no quarto da Monitora Chefe, ele encontra a Lily e o Mercúrio aninhados juntos no sofá, dormindo em frente à lareira. O James sorri para si mesmo, vendo a linda cena. Uma jovem e linda garota, e um jovem e lindo unicórnio, enrolados em um casaco grande demais para os dois, dormindo pacificamente. Não querendo incomodá-los, ele coloca uma cadeira perto ao fogo, e pega a redação na qual ela estava trabalhando.
"Poções… blegh." Ele murmura. Uma Redação nos Usos Variados de Sangue de Unicórnio. Ele lê, e fica impressionado. Lily Evans é muito melhor em poções do que ele jamais vai ser. Não é de se admirar que o Slughorn goste tanto dela.
O Mercúrio parece ter ouvido ele, e acorda, derrubando a sua mamadeira vazia, para se aproximar do James. Ele não se aproxima dele completamente. Ele ainda mantém a distância, como ele faz com todo mundo que não é a Lily, mas ele chega mais perto do que ele jamais chegou antes. O James entende que essa é a forma do pequenino expressar a gratitude dele, por ele ter salvo a mãe dele.
James olha por cima da cabeça do unicórnio, para a Lily. O casaco se desarrumou quando o unicórnio saiu, e agora, a pele nua dela está exposta, junto com o mesmo sutiã manchado de sangue que ela está vestindo. Para deixá-la decente, ele vai até ela e ajeita o casaco, a cobrindo completamente.
Ajoelhando tão próximo a ela, ele não consegue impedir de prestar atenção. Mesmo que, nesse momento, ela esteja com as bochechas angustiantemente pálidas e sem cor, elas ainda aparecem ser macias e lisas, e o cabelo dela é tão sedoso e solto. Sem perceber, ele retira o cabelo do rosto dela, e acaricia aquela bochecha com o dedão dele.
Ele recua rapidamente, como se a mão dele tivesse se queimado, lembrando do que o Sirius disse.
"Eu não a amo." James pensa para si mesmo. "Sim, eu me importo com a segurança dela, mas isso não é amor. Ela é talentosa e inteligente, provavelmente a minha discípula predileta, mas isso não quer dizer que eu a ame. Eu teria reagido da mesma maneira se fosse qualquer outro aluno hoje a noite..." Exceto que, se tivesse sido qualquer outro aluno senão a Lily Evans, teria um novo lobisomem na ala hospitalar, e ele e o Remus estariam se afundando nos sentimentos de culpa. Se tivesse sido qualquer outro aluno, a não ser a Lily Evans, ele não teria pensado duas vezes em levá-los para a ala hospitalar, em invés de fazer o desejo deles. Se tivesse sido qualquer outro aluno, sem ser a Lily Evans, ele não teria sentido o coração dele se esmagar, ao ver o corpo sangrento no chão. Mas não era qualquer outro aluno. Era a Lily Evans.
Só existe somente a Lily Evans...
"Não! Maldição!" O James se xinga silenciosamente. "Certo, pára de mentir para si mesmo, James. Sim, você se importa com o que aconteça com a Lily, você ficaria chateado se ela estivesse infeliz ou machucada, mas isso não significa que você a ama. Se preocupar com a aluna com quem você tem mais contato, é comum. Todos os professores se importam com os alunos dele e têm favoritos. Qualquer um deles ficaria triste, e fariam o melhor o possível para protegê-los do perigo. É um sentimento natural. E o Professor Slughorn e o Slug Club dele? E daí que eu só tenho um membro no meu clube, o princípio é o mesmo, não é?" James rosna e bagunça o cabelo. "Merda, Sirius." Ele xinga em voz alta. Ele não percebe que estava andando em círculos de novo. Ele parece estar fazendo muito isso, ultimamente.
A Lily se mexe no sofá, se senta, e em uma voz tão carinhosa diz, "Aí está você...". O James pára o seu curto sorriso, quando ele percebe que ela estava falando com o unicórnio, e não com ele. O Mercúrio alegremente pula no sofá, e vai para o abraço dela. Mais uma vez, uma sensação estranha de ciúmes se estabelece no estômago dele, mas melhora um pouco quando ele a ouve dizer, tristemente, "Ele ainda não voltou..."
"Sim, ele voltou." Diz o James.
Ela vira a cabeça, enquanto a mão dela vai para o coração. "Merlin, quase morri de susto agora. Porque você não me disse que estava de volta?"
"Eu não queria acordar você."
"Ah… Como está o Remus?"
"Ele está da mesma maneira que sempre fica, depois de uma transformação..."
"Você não contou para ele sobre mim não, não é? Eu estava do lado de fora na noite passada. A culpa foi minha. Eu deveria ter voltado depois que o Hagrid saiu. Eu estou bem, então por favor, não conta para o Lupin, ele foi tão bom comigo no meu primeiro ano..."
"Você conhece o Aluado?"
"Sim. Ele me ajudou na minha primeira semana, quando eu fui atacada por um bando de pixies que moravam em um armário velho, no terceiro andar, e depois disso, ele sempre estava me ajudando, me dando aulas particulares, me ensinando sobre a sociedade mágica, e as coisas que eu não conhecia, por ser nascida trouxa. Eu nunca esqueci. Ele era do sétimo ano, e eu era somente uma aluna do primeiro ano, e mesmo assim, ele sempre arranjava tempo para me ajudar toda semana."
O Remus nunca comentou que ele conhecia a Lily, mas também, porque ele deveria ter mencionado isso, tanto naquela época, quanto agora.
"Eu não disse nada para ele, somente disse que a gente não deveria vir mais até os terrenos da escola. Nós não podemos deixar isso acontecer novamente, se tivesse sido qualquer outro aluno, sem ser você..." Ele não completa a frase. "Vamos ver como está o seu ombro..."
Ela se vira de costas para ele, e remove o casaco. "Não está mais doendo tanto, mas mesmo assim, eu não consigo me mover muito bem. Como que está a aparência?"
"Não está muito boa, mas também, ainda tem sangue seco na sua pele e no seu… vestuário. Você deveria tomar um banho."
"Esse tipo de ferimento deixam cicatrizes?"
"Eu tenho algumas… então, sim."
"Bem, que bom então que está nas minhas costas, então eu não tenho que ver essa coisa feia todos os dias."
"Cicatrizes não são feias, ter cicatrizes te dão personalidade."
"Não, ter personalidade que te dá cicatrizes… e elas somente são atraentes nos homens."
"Você acha que as cicatrizes são atraentes?"
"Pergunte para qualquer mulher. Contanto que não seja uma cicatriz que deforme, ou que cruze o seu rosto todo, elas são atraentes… Porque é um sinal de personalidade. Mas eu acho que eu vou ouvir o seu conselho, e tomar um banho. Eu me sinto, bem, como se eu estivesse coberta de sangue seco e sujeira. Eu volto em 5 minutos, se você quiser esperar."
"Eu vou esperar."
A Lily volta para o quarto dela, que tem um banheiro unido a ele. Ela se senta na cama dela, e remove a saia, e a meia calça. Ela têm problemas quando tenta retirar o sutiã. Ela precisa de duas mãos para removê-lo, mas ela não possui a mobilidade necessária no ombro esquerdo dela para conseguir alcançar as costas, e abrir o fecho. Ela suspira, não querendo, mas sabendo que ela não tem outra escolha senão pedir ajuda.
"Me ajuda, por favor!" Ela chama do outro quarto. O Professor Potter aparece em um instante, parecendo pronto para duelar com um inimigo, ou pegar uma donzela em perigo, prestes a desmaiar. O que ele não estava pronto, era para ver uma garota parada, aparentando completamente indefesa, e somente vestindo roupas íntimas. Ele olha para o chão, para o teto, para as paredes, para qualquer coisa que não seja ela.
"O que foi?"
"Eu não consigo mover o meu ombro para trás o suficiente para alcançar o fecho. Eu preciso de ajuda para tirar isso." Ela diz, parecendo tão envergonhada quando o Professor dela está.
"Eu não acho que isso seja muito apropriado." Ele diz, sem jeito. A Lily dá um suspiro irritado, ela sabe que isso é embaraçoso, mas não tem o porque fazer uma tempestade por causa disso. Seria muito menos embaraçoso se eles não tivessem que conversar sobre isso, mas aparentemente, ele está fazendo as coisas difíceis. Não foi a poucas horas atrás que ele estava abraçando ela, balançando ela, e acariciando o cabelo dela tão gentilmente? Não foi ele mesmo que a despiu até esse ponto?
"Não somente eu te dei uma ereção em sala de aula, mas eu fui atacada por um lobisomem, que é um dos seus melhores amigos, e nós dois somos animagos ilegais. Eu acho que a gente já passou, e muito, do ponto de decência." Ela nem mesmo menciona o fato sobre a confissão acidental dele, que ele é um auror disfarçado.
Ele concorda com ela, mas ainda caminha hesitante na direção dela. Ela se vira de costas para ele, e ele levanta uma mão, e abre o fecho com um movimento rápido. A Lily se pergunta se essa técnica de abrir o sutiã é um talento natural, ou se ele vem desenvolvendo essa prática durante os anos… Ela decide que prefere não saber.
"Obrigada." Ela diz, começando a entrar no banheiro, mas então ela pára e vira. "Hagrid! Se ele acordar e o Mercúrio não estiver lá…"
"Eu vou levar o Mercúrio de volta. Conhecendo o Hagrid, ele vai ter um ataque de pânico, ou sair correndo na direção da floresta, ou cair em lágrimas… talvez ele faça os três de uma vez só. Mas você fica aqui, nós temos que conversar."
O humor da descrição acurada do Hagrid foi ofuscado pela frase fatídica 'nós temos que conversar'. Ele não poderia entregá-la para o Ministério por ela ser uma animaga, porque ele também é um, mas têm muitas outras coisas pelas quais ele pode estar chateado, agora que ele está calmo o suficiente para poder pensar sobre elas.
"Certo." Ela diz, caminhando na frente dele, ambos ainda desconfortavelmente cientes de que ela está vestindo apenas a sua roupa íntima, na direção da sala comunal. "Mercúrio. Você tem que voltar para a cabana do Hagrid agora."
O Mercúrio fez um movimento para mostrar o desagrado dele.
"Eu estou bem agora, mas você não quer que o Hagrid se preocupe com você, não é? Muito Bem. Eu sinto muito por não poder ir com você, então ele vai te levar de volta." Ela diz, usando um braço para apontar para o professor dela, e o outro ela mantém firmemente cruzado no peito dela, para que o sutiã solto dela não caia, deixando-a exposta. O Mercúrio parece um pouco relutante, mas concorda. "Você é um bom garoto." Ela diz, acariciando ele. "Eu vou te visitar o mais rápido que eu puder."
"Agora a pergunta é, como sair com um unicórnio do castelo, sem ser visto. Aonde está a minha capa da invisibilidade?"
"Eu a guardei em um lugar seguro, eu vou buscá-la." Ela diz, se levantando e indo para o quarto dela, ainda com um braço a cobrindo. Uma vez no quarto dela, ela pega a capa e se cobre com ela. Silenciosamente, ele sai do quarto dela nas pontas dos pés, na direção do Professor Potter. Um tremor de excitação percorre o corpo dela. Ela descobre que gosta de ficar invisível… muito.
Silenciosamente, ela caminha mais e mais próxima a ele, parando a poucos centímetros de distância dele, e só fica parada lá, estudando o rosto dele. É um rosto forte, e muito bonito também. Os óculos fazem com que ele tenha uma aparência intelectual, mas sem eles, ele parece 100 um jogador de Quadribol. E então, os lábios que ela estava encarando se tornam em um sorriso maroto. Em um movimento rápido, ele se dirige a ela, e puxa a capa com sucesso. Ela se sente exposta, ainda mais do que já estava.
"Eu achei que você fosse fazer isso. Eu conheço a minha própria capa, Evans. Eu sempre fui capaz de dizer quando os meus amigos tentavam me pegar desprevenido." Ele diz, com confiança.
A Lily se sente levemente boba, mas somente balança os ombros indiferentemente… bem… balança um ombro só, o que faz com que a alça do sutiã dela caia. Educadamente, o Potter pretende não perceber isso, e coloca a capa nele. Uma varinha então aparece, como se materializasse no ar, e coloca um feitiço no Mercúrio, de tal forma que ele se funde com os arredores. A Lily ainda está pasma com a capa, ela nunca viu ninguém desaparecer embaixo dela. Ele estava inteiramente e completamente invisível. Ela não faz a mínima noção de aonde ele está.
Ela prende a respiração, e o coração dela começa a bater rapidamente, enquanto ela sente um tecido líquido tocar o braço dela, subindo, colocando a alça do sutiã dela de volta no ombro. E então, o retrato se abre, e fecha, e ela sabe que ele foi embora, porque mais uma vez, o quarto parece mais frio sem ele.
Ela fica parada no mesmo lugar, até que a respiração e a batida do coração dela retornem ao normal, o que leva mais tempo do que ela gostaria de admitir.
Ela deixa a água cair sobre ela por muito tempo, tentando, em vão, lavar os pensamentos da cabeça dela, enquanto ela lava a sujeira do corpo dela. Mas não ajuda nada, em invés deles escorrerem junto com a água, parece que a água focaliza os pensamentos mais ainda.
"Maldição..." Ela repete diversas vezes. Com aquele único toque, o Potter fez isso ser impossível. Ela tinha feito um trabalho tão bom em fingir, em se convencer de que isso não é nada, mas agora o coração disparado dela é impossível de se ignorar. Por quê? Ela se pergunta. Ele fez um estardalhaço para me ajudar a abrir o meu sutiã quando eu pedi, e ainda assim ele acha que está tudo bem, quando ele está invisível, para…
Ela sabe que está dando muito mais importância a isso do que realmente deveria, mas foi um gesto tão sem sentido. Ela não tem a mínima idéia da expressão facial dele, quando ele arrastou aquele toque delicado no braço dela, ou o que ele quis dizer com isso. Ela está tão confusa e frustrada, ela o odeia por fazer com que ela se sinta desse jeito. Não, ela não o odeia por isso, ela o odeia porque ele é um professor de Hogwarts… Não, nem mesmo isso. Ela odeia a si própria por pensar desse jeito sobre um professor. Ela jura para si mesma que ela não vai mais pensar assim, as garotas ficam atraídas pelos seus professores o tempo todo, isso não significa nada. Ela simplesmente vai retirar isso da mente dela, e continuar normalmente.
Ele quer conversar, e ela vai conversar como ela normalmente conversaria, como se ele não tivesse tocado nela quando ele estava invisível, com o gesto mais imprestável, e mais doce… Ela vai conversar como se nada tivesse mudado.
James e o Mercúrio caminham na direção da cabana do Hagrid. São somente 8 da manhã, e em um domingo. Quase todo mundo está dormindo até tarde. O James mal havia fechado a fechadura do cercado, quando o Hagrid aparece do lado de fora, surpreendendo tanto o professor, quanto o unicórnio.
"Dia, James, o que você está fazendo aqui?" Pergunta o Hagrid.
"Somente vim ver se você estava acordado, mas como parecia que você ainda estava dormindo, eu resolvi dar um oi para o Mercúrio, antes de voltar para o castelo." James mente, rapidamente.
"Bem, eu estou acordado agora, tinha algo que você queria me dizer?"
"Não, nada em particular, eu só queria dizer oi." Então, o James se lembra de algo, e decide pergunta ao Hagrid sobre isso. "Você sabia que a Evans conhecia o Remus no sétimo ano?"
"Claro. Ela não conseguia parar de falar sobre ele. Era tão bonitinho como que ela falava sobre ele… Em todos os anos dela aqui, eu nunca a vi gostar tanto de alguém como ela gostou dele, no primeiro ano." Ri o Hagrid.
James ri sem vontade. Na verdade, rir é a última coisa que ele quer fazer nesse momento. De alguma forma, ele estava com raiva do Remus, e não tem nada a ver com o fato que ele atacou a Evans a noite passada… Bem… Quase nada a ver com isso. O fato que o Remus faz parte do passado da Lily, saber que eles têm uma história que ele e a Lily não tem, que eles dois vão muito mais longe do que ela e ele próprio, faz o James se sentir com raiva. Saber que, de alguma maneira, o Remus era mais especial para ela do que ele é… isso faz o sangue dele ferver com um ciúme que ele não consegue nem admitir para si próprio, o deixando se sentindo completamente frustrado.
Ela sai do chuveiro, e se seca, olhando de cara feia para o chão do chuveiro dela, que está cheio de manchas vermelhas e marrons. O sangue é algo complicado de se limpar. Com uma toalha enrolada em volta dela, ela entra no quarto, e mais uma vez fecha a cara para as manchas na cama dela, e no uniforme dela também. Secando o cabelo com um feitiço rápido, ela coloca a toalha de volta no banheiro, e procura no malão dela alguma roupa limpa para vestir. Ela teve que se sentar no chão frio para fazer isso, porque ela ainda está muito fraca, ela não consegue se agachar sem se sentir como se fosse desmaiar…
Depois de colocar uma calcinha e uma calça de pijama, ela olha para a seleção de sutiãs dela. De jeito nenhum ela vai passar por aquilo novamente. Em vez disso, ela pega uma camisola, e a coloca, pisando nela e a puxando para cima. Ela acha que dessa forma vai ser mais fácil do que passando pela cabeça dela. O ombro dela ainda não tem esse tipo de flexibilidade. Ela sabe que vai levar dias, talvez até semanas, para se curar completamente. Como um veado, ela sentiu as garras penetrarem, rasgando e destruindo os tendões e os músculos dela. De algum jeito, os ferimentos ficaram menos severos quando ela está humana e, por isso, ela é extremamente grata.
Ela procura no malão dela por uma camisa que ela não precise colocar por cima da cabeça. Ela não gostaria de usar uma camisa com calças de pijama, então ela decide se enrolar em um cobertor. O que ela costuma usar para essa finalidade, estava no encosto do sofá da sala comunal dela, porque ela tem um hábito de dormir no sofá. É conveniente ter um cobertor lá para se cobrir, quando ela não quer caminhar a distância toda até a cama dela. Não tem nada melhor do que cair no sono em frente à lareira…
Ela fica surpresa em ver o Professor Potter sentado no sofá, esperando por ela. Ela não sabe porque ela está surpresa, ele disse que voltaria assim que levasse o Mercúrio para o Hagrid. Se compondo rapidamente, ela caminha até o sofá, remove o cobertor de cima dele, e se enrola nele.
"Sente-se." Ele diz.
Ela fica parada, sem saber se deve se sentar no sofá ao lado dele, ou em uma das cadeiras próximas, que estão a uma distância segura… Se sentindo tonta por causa da falta de sangue e comida, ela sabe que tem que fazer uma decisão rápida, antes que ela desmaie. De repente, ela se sente muito fraca. A visão dela gira, enquanto ela perde o equilíbrio, e rapidamente, túneis escuros se formam nos cantos do olho dela, penetrando mais e mais, até que a visão dela escurece por completo, e ela desmaia.
James olha curiosamente para a Monitora Chefe, enquanto os olhos dela saem de foco. Ela gira levemente. James se levanta e caminha na direção dela, quando os olhos dela giram para trás, e ela colapsa. Ele foi rápido o suficiente para prevenir que ela caísse no chão. Ele a coloca no sofá, usando o cobertor que estava caído no chão para cobrí-la.
"Poppy!" Ele chama, sem saber o que fazer. Ele não quer deixar a Evans sozinha, mas ele precisa conseguir nutrientes para ela.
Com um CRACK, uma elfa doméstica aparece ao lado dele. A Poppy, realmente foi a elfa doméstica da família do James por um breve período, antes de vir trabalhar em Hogwarts. A irmã da Poppy, Lettie, é a elfa doméstica dos Potter. Quando o dono da Poppy faleceu sem herdeiros, ela não tinha mais para onde ir, então ela foi para a casa dos Potter, perguntando se ela poderia trabalhar junto com a irmã, e servir aos Potter. Como eles não precisavam de mais ajuda na casa, a mãe dele sugeriu que ela viesse trabalhar em Hogwarts, onde o James estudava. A Poppy aceitou vir trabalhar em Hogwarts porque o filho da Potter morava lá. A Poppy era o único elfo que o James pode convocar facilmente.
"Desculpa te chamar assim, Poppy, mas eu preciso de um favor."
"Qualquer coisa, Mestre Potter..."
"Eu preciso que você traga um pouco de comida e bebida para a Srta. Evans aqui. Um pouco de leite também seria bom. Ah, e têm algumas roupas no chão, daquele aposento ali, que precisam ser lavadas muito bem."
O James sabe muito bem como que se deve lavar a roupa. Como que ele não pode realmente dar as roupas aos elfos, ele somente diz aonde as roupas sujas podem ser encontradas. Eles não são libertados se as pegarem para limpar, somente se ele der as roupas a eles.
"É claro, Mestre Potter."
"Obrigado, Poppy. Mas tente ser discreta, essa é uma situação muito perigosa, ela foi machucada seriamente, e está muito doente..."
"Poppy entende, senhor. Poppy vai fazer tudo que puder para ajudar."
"Você é ótima, Poppy, muito obrigado." Diz o James. A elfa o reverencia, e corre para o quarto para pegar as roupas sujas. Ele ouve a elfa chorar em choque, quando ela deve ter visto, ou sentindo, o sangue ensopado nas roupas, e ouve outro CRACK alto, enquanto ela desaparata.
O James retorna o olhar para a garota inconsciente, nenhum dos dois altos cracks da chegada ou saída da Poppy acordaram ela. Ela está completamente desmaiada…
"Ou não..." Diz o James, sentindo a testa dela. Ela não estava fria, na verdade, ela estava muito quente. Uma febre alta, sem dúvida. Não tem nada que ele pode fazer, além de colocar um retalho frio e molhado na testa dela, e esperar que ela acorde.
Quando a Lily acorda, ela se sente absolutamente horrível. Ela tem certeza que o desconforto no estômago dela que a forçou para o estado consciente. Ela não abre os olhos, mas ela sabe que deve estar deitada no sofá dela, porque ela consegue sentir o calor da lareira, e ouvir a lenha estalando confortavelmente. Ela sabe que ela não vai ficar aqui por muito tempo. Logo, a dor e a náusea vão exigir satisfação…
Ela tenta forçar o vômito que está se formando na garganta dela para baixo. Ela está tão cansada, ela não sabe se tem energia o suficiente para se levantar e ir até o banheiro. Ela ignora o máximo o possível, tentando se concentrar no frio aconchegante na testa dela, mas ele não é o suficiente para distrair a mente dela da dor familiar.
Ela tem tido problemas com úlceras estomacais desde o quinto ano, a dor constante, e os vômitos regulares já se tornaram um hábito. Ela sabe que, uma vez que ela vomite, a dor no estômago dela vai melhorar um pouco.
Sentindo o vômito subir rapidamente, ela sabe que tem que ir nesse momento. Se sentando mais rápido do que ela deveria, ela corre para o banheiro bem a tempo. A sensação nojenta do vômito queima a garganta dela, a boca dela, e o nariz dela, mas esse é o preço que ela paga para a paz retornar ao estômago dela. Vomitando mais uma vez, ela sente o desconforto diminuir. Mais uma vez, e é o suficiente, ela pensa. Ela sente uma mão quente nas costas dela, e ouve a voz do Potter dizendo "Você vai ficar bem, eu estou aqui… você está bem, deixa tudo sair..."
Ela vomita por uma última vez, e usa o papel higiênico próximo a ela para limpar a boca e o nariz dela.
Nervosamente, ela olha para a privada. Assim como ela temia, contém sangue seco. Sangue que foi digerido pelo próprio estômago dela, e então rejeitado. Algumas vezes, em situações estressantes, o ácido é tanto que a úlcera começa a sangrar. Quando o sangue fica no estômago dela, ele começa a ser digerido pelos mesmos ácidos que digerem o próprio revestimento interno do estômago, o que causou o início do sangramento. Quando muito sangue acumula no estômago dela, causa muito mais dor do que o comum, e força que ela vomite.
Mas não tem a aparência de sangue comum. É marrom escuro, com cristais que os trouxas diriam que parecem sementes de café. A Lily mesma não sabia que essa substância tinha sangue seco e digerido, até o médico dela, dizer isso para ela…
Ela se levanta tremendo, com a ajuda do Professor Potter, e lava o rosto e a boca na pia, e dá a descarga do conteúdo nojento da privada. Ela joga água fria no rosto, o que a faz se sentir um pouco melhor, mas o corpo dela ainda está tremendo todo, como sempre fica depois disso, e não ajuda nada que ela já não estava em boas condições.
Ele estava olhando os livros da estante dela. Ele nem percebeu que ela tinha acordado, até ouví-la indo para o banheiro. Vendo que ela não estava mais no sofá, ele voa pela sala comunal, pelo quarto dela, e entra no banheiro, e vê que ela está violentamente doente. Ele coloca a mão dele nas costas dela, e tenta dizer coisas confortantes. Ele nem se lembra o que acabou de dizer; ele só queria ser confortante. Ele imagina o que diabos a Evans comeu, o vômito dela está estranhamente escuro.
Quando ela termina, ele a ajuda a se levantar e se limpar, antes de levá-la para fora do banheiro.
"Você gostaria de deitar na cama, ou voltar para a sala comunal?"
"Tanto faz, a sala comunal."
O James não gosta do quanto que ela está tremendo. Ele tem certeza que, caso ele não estivesse segurando ela, ela iria desmoronar no mesmo instante. Ela se senta, e ele oferece um pouco de leite para ela.
"Eu sei que eu não deveria fazer isso, mas é a solução mais rápida..." Ela diz, pegando a garrafa, e bebendo dela.
"Solução mais rápida?"
"Esquece..."
"Eu acho que você realmente deveria ir a ala hospitalar, Evans. Eu nunca vi reagirem a uma mordida desse jeito antes."
"Isso não tem nada a ver com a noite passada." Ela diz, quase que condescendente.
"Então o que é isso?" James pergunta.
"Não é nada para se preocupar..."
"Evans, você estava ardendo em febre, e acabou de ficar violentamente doente agora, e você me diz que não é nada para se preocupar?"
"Desculpa, eu quis dizer que não é nada para você se preocupar."
"Evans..." Diz o James, de forma preventiva. O que isso quer dizer… nada paraele se preocupar.
"Professor." Ela diz, o encarando diretamente nos olhos, com a voz calma e firme. "Eu prometo que isso não tem nada a ver com o Remus, ou com a mordida. É uma condição que começou a anos atrás, eu sei o que é isso, porque isso acontece, e como melhorar. Você realmente não precisa se incomodar com isso."
Esse pequeno discurso, está longe de fazer com que ele se sinta melhor, e só faz com que ele fique mais preocupado. Se for algo que acabou de acontecer, eles poderiam achar uma forma de curá-la. Mas, se ela está sofrendo de alguma doença a longo prazo, então o que ele poderia fazer para ajudar? É uma doença séria? O que é isso? Porque ela não quer contar para ele?
'Ela te disse o porque,' ele pensa. 'Porque não é da sua maldita conta. Ela disse claramente que não é relacionado ao que aconteceu essa noite, portanto você não tem o mínimo direito de se meter.' É algo que faz parte da vida dela há muito mais tempo do que ele… Começou antes dele… e não era da conta dele…
Então, ela continua, "Você já perdeu tempo e energia suficientes, em mim. Eu não quero mais me impor em você. Você pode ir agora… Eu não sou a sua responsabilidade."
James se sente insultado, recusado, repudiado, desprezado.
"Você é minha aluna, e os alunos são a prioridade de um professor."
"Você não fica sentado do lado dos alunos quando eles estão doentes. Não se sinta obrigado moralmente a ficar comigo só porque eu fui atacada pelo Remus na noite passada. A sua consciência pode descansar em paz; você curou o meu ombro melhor do que eu poderia esperar. O seu trabalho aqui acabou."
"Você quer que eu saia, Evans?" Pergunta o James, com o temperamento dele começando a se alterar. "Você quer que eu vá embora?"
"Você não tem nenhum motivo para ficar aqui, e continuar a perder o seu tempo."
"Eu não vou ainda, nós ainda temos algumas coisas para conversar… Esse é o motivo pelo qual eu estive esperando aqui..." Ele disse, sabendo que não é inteiramente verdade. Essa foi parte do motivo pelo qual ele ficou.
"Eu estou ouvindo agora, Professor. Você pode começar."
O James acha que não vai conseguir, não quando ele está tão nervoso. Ele passa os dedos nervosamente pelo cabelo dele.
"Ok, Evans, nós temos que aceitar as nossas posições aqui. Quer gostemos, ou não, nós estamos juntos por um tempo, então o máximo que podemos fazer é tentar entender um ao outro, certo?"
"É claro."
O James acha que não vai conseguir continuar, não quando ela tentou fazer com que ele fosse embora duas vezes. Talvez ela não gostasse de companhia quando estava doente, ou talvez ela está cansada da presença dele…
"Olha, Evans, eu não vou forçar essa conversa em você quando você não está passando bem. Se você quer que eu vá embora, eu vou." Ele diz, se dirigindo para o retrato da entrada.
"Não!" Ela diz, de repente. James vira para ela, surpreso. "Eu quero dizer, se você têm coisas mais importantes para fazer, então não deixe que eu fique no lugar delas. Mas..."
"Você quer que eu fique?" Ele pergunta. Ele quer que ela lhe dê uma resposta, uma resposta de verdade. Ela quer que ele fique? Ou ela quer que ele vá embora?
"Eu não quero ser uma carga para você, mas se você não tem nada melhor para fazer, do que sentar e conversar com uma garota machucada e doente, então..." Ela suspira. "Então fica."
Nesse momento ele entendo o que ela está fazendo. Os dois estavam fazendo as mesmas perguntas, mas se recusando a dar respostas. Ela queria saber se ele estava ficando porque ele queria ficar, ou porque ele achava que era o dever dele ficar. E ele queria que ela dissesse se ela queria que ele ficasse aqui ou não. Se ele tivesse algo mais importante para fazer, ela não pediria para ele ficar, e gastar o tempo dele, enquanto ele poderia estar fazendo outras coisas, e ele não ficaria se ela não quisesse que ele ficasse… mas ela não vai admitir que ela quer… o James começa a se sentir tonto só em pensar sobre isso.
É um círculo vicioso, e ele sabe que ele tem que ser a pessoa a quebrá-lo.
"Bem, Srta. Evans, eu não tenho absolutamente nada melhor para fazer hoje, do que sentar e conversar com a Monitora Chefe inválida."
"Sério?"
"Sério. Sabe de uma coisa, você deveria comer algo, você perdeu muito sangue."
Lily pensa que ela perdeu muito mais sangue do que ele jamais vai saber, com a hemorragia interna também...
"Eu não acho que consigo comer nada agora."
"Bem, quando você puder..." Ele diz, colocando a cesta de comida, que a Poppy havia trazido, em cima da mesa.
"Obrigada..." Diz a Lily, genuinamente comovida. Ele estava tornando muito difícil para ela manter a decisão de não se apaixonar por ele…
"Mas a gente realmente precisa discutir tudo."
"Tudo?"
"Mas se você acha que não está se sentindo bem o bastante para isso, agora, então nós não temos que conversar. Talvez você devesse descansar um pouco mais?"
"Não, eu estou bem. Por quanto tempo eu estive dormindo antes?"
"Você quer dizer, quando você desmaiou?"
"É… sim."
"E acordou vomitando?"
"É, aquela vez, quanto tempo eu fiquei dormindo?" Ela pergunta, ligeiramente irritada.
"Você ficou inconsciente por mais ou menos uma hora..."
"Eu só estava curiosa em saber. Agora, sobre o que você quer conversar?" Ela diz, se ajeitando, puxando o cobertor mais apertado nela, ficando mais confortável.
"Nós." Ele diz simplesmente. Aquela única, livre, e simples palavra faz com que o coração dela pule para a garganta dela. Ele continua, depois de um instante, "essa noite mudou tudo. Quantas pessoas sabiam que você estava do lado de fora ontem a noite?"
"Ninguém."
"E quantas pessoas sabem que você é uma animaga?"
"Uma."
"Quem?"
"Você."
"Só eu?"
"Só você."
"Excelente."
"Quantas pessoas sabem sobre o Mercúrio."
"Além de você, o Hagrid, e o Dumbledore?"
"Sim."
"Ninguém."
"Isso fica cada vez melhor. E quem sabe sobre você ser capaz de fazer magia sem varinha?"
"Ninguém."
"Você é muito boa para manter as coisas para você mesma."
"Não tenho ninguém para contar."
"Isso não tem nada a ver, mas mate a minha curiosidade… Quantas pessoas sabem sobre a sua doença?"
"Ninguém… a não ser o médico."
"O quê?"
"Curandeiro."
"Ah… e… eu suponho que, entre o tempo que eu te deixei no Hagrid na noite passada, e a hora que nos encontramos novamente, você não contou para ninguém que eu sou um auror?"
"Somente toda a sala comunal da Sonserina, e dei uma entrevista pessoal para a Rita Skeeter..." Ela disse em uma voz completamente séria. Ele sabe que ela jamais contaria para ninguém, mas ele tem que perguntar. Ele deveria esperar essa resposta sarcástica.
"Excelente. A situação está inteiramente contida. Isso não é tão ruim quanto poderia ser."
"Então nós não temos nenhum problema?"
"Fora você estar doente? Não, eu acho que não, contanto que possamos manter um o segredo do outro."
"Eu sou boa em manter segredos."
"Eu percebi. Isso é muito bom. Eu espero que você perceba, Evans, que o conhecimento que nós dois temos um do outro, poderia colocar nós dois em sérios problemas." Ele diz, enfatizando as últimas três palavras, parando uma depois da outra.
"Eu tenho conhecimento disso sim."
"Então, é do melhor interesse para nós dois agirmos como se nada disso jamais tivesse acontecido. Eu não vou te punir por ter ficado sozinha depois do horário, por ser uma animaga, ou nada mais. Para todos os casos, nós estávamos dormindo aqui a noite inteira. O Aluado e eu também não estávamos do lado de fora. Você não sabe de nada sobre o Remus ser um lobisomem, nada sobre eu ser um auror. Essa conversa nunca existiu..."
"Por que eu tenho que manter o Mercúrio um segredo?"
"Por simplicidade e segurança. Quanto menos pessoas souberem que você está nos terrenos da escola a noite, melhor..." Ele pausa por um momento. "A razão pela qual eu estou posicionado aqui é porque o Ministério está preocupado que Hogwarts possa, não somente ser um alvo para os bruxos das trevas, mas também, terreno de recrutamento,. Assim como o Ministério e… outras… organizações olham para Hogwarts a procura de novos empregados, o Lorde das Trevas também olha a procura de Comensais da Morte. Nós achamos que o lorde das trevas quer manter pessoas dentro de Hogwarts, e estudantes interessados são o jeito mais fácil… Os professores são fiéis ao Dumbledore, então não tem jeito dele colocar um espião neles, a única posição disponível foi ocupada por mim. Eu não te digo isso para te assustar, mas quem você mais precisa temer são os seus colegas. Se uma ou duas pessoas soubessem que você sai para os terrenos todas as noites, a notícia ia se espalhar, particularmente se eles soubessem que você está comigo, porque é dessa forma que as fofocas voam. Se essa informação vazar, e os estudantes errados a ouvirem, então isso nos deixa a dispor dos comensais da morte… Eles já te atacaram duas vezes, e você foi extremamente sortuda até agora..."
"Desculpa te interromper, mas como você sabe daquela outra vez?" A Lily sabe que ele deve ter lido no Profeta, assim como todo mundo. Foi notícia de primeira página quando a Lily escapou por pouco, e ainda por cima com vida, quando foi atacada por comensais da morte em plena luz do dia, enquanto caminhava pelo Beco Diagonal.
"Não somente eu fui colocado a par de atividades anteriores dos comensais da morte, mas quando eu recebi ordens para trabalhar em Hogwarts, eu fui informado sobre a história de alguns poucos estudantes que eram considerados..." Ele não conclui…
"Considerados o quê?"
"De interesse..."
"De interesse?"
"Os Comensais da Morte estão interessados neles, ou como possíveis recrutas para o Lorde das Trevas ou como possíveis alvos para..."
"Eu entendo..." Ela diz, cortando ele, sem querer que ele termine o pensamento em voz alta. Não há dúvida em qual categoria ela se encontra…
"Não preciso dizer que você também não sabe nada disso..."
"Com certeza não. Então o silêncio é a palavra no Mercúrio."
"Sim."
"Você pode me dizer se eles suspeitam de algum aluno em particular? Só para eu poder ficar alerta..."
James pensa sobre isso por um momento, então decide que, já que ele foi tão longe, e ela já sabe tanto, dar um pouco mais de informação a ela não faria nenhum problema, só poderia ajudá-la.
"Michaels, Peters, Walsh, Nott..."
"Então os Sonserinos do sétimo ano?"
"Parkinson, Quibbley..."
"Quibbley?"
"Os pais dele são suspeitos de serem Comensais da Morte… a maior parte dos pais desses alunos são suspeitos de serem Comensais da Morte, os pais do Michaels e do Nott são confirmados. O pensamento lógico é que é mais fácil, e mais seguro para os pais, convencerem os próprios filhos de ajudarem."
"Excelente lógica. Mas o Quibbley… Eu simplesmente não consigo acreditar… Eu quero dizer, ele simplesmente é tão... bom." O Quibbley é um aluno entusiasmado do sexto ano da Lufa-Lufa, que no ano anterior levou a Lily para Hogsmeade.
"Eles não são certezas, somente devem ser levados em consideração..." O James continua.
"Sim, eu sei. Eu posso fazer outra pergunta?"
"Por que não."
"Na floresta, no outro dia, quando os Comensais da Morte mataram os pais do Mercúrio… Você veio porque achou que eu era um alvo?"
Ela fica surpresa em vê-lo jogar a cabeça para trás, rindo. "Eu realmente nem sabia que você estava envolvida até eu te ver sentada lá. Não, eu fui porque o Hagrid pediu para eu ir. Ele sempre fazia isso quando eu estava na escola, excitado para me mostrar o bichinho mais novo dele, ou alguma ajuda com alguma criatura mágica que ele tinha acabado de 'salvar'."
"Então isso foi tudo inesperado..."
"Sim."
"Bom."
"Por quê?"
"Porque se você acabou se juntando a mim, então tudo bem, mas eu não acho que eu aguentaria ter sido designada uma babá secreta..."
"Esse não é o meu trabalho..." Ele diz, defensivamente.
"E eu estou feliz que eu não sou parte do seu trabalho."
"Não, você é completamente uma inconveniência separada."
"Encantador… Mais alguma coisa?"
"Só mais uma coisa." Ele diz, estendendo uma mão. Ela olha para ele sem entender.
"Por que isso?"
"É uma mão. É o costume apertar as mãos quando você concorda em alguma coisa. É um sinal de confiança. Nós temos que confiar um no outro, de agora em diante, Evans, você entende?"
A Lily estende a não dela na dele. A mão dele é quente em volta da dela, enquanto eles apertam na promessa de confiar um no outro com os segredos deles, mas o Potter retira a mão dele mais rapidamente do que a Lily gostaria.
"Merlin, Evans, as suas mãos são tão frias..." ele diz, se levantando e caminhando para trás do sofá. Ele o empurra para frente, para que ela fique mais próxima do fogo. "Pronto. Talvez você vai degelar melhor aqui."
"Obrigada."
"Sem problema…" Ele pára, e olha em volta do aposento. "Então… vamos ver o que fazer..." Ele retira a varinha dele e faz um feitiço de convocação. A Lily reconhece o movimento da varinha, mas o que ele está convocando ela não faz idéia. Ele caminha para a janela, e abre para permitir o que quer que seja, entrar no aposento.
Ela ouve um som de vento, e o som do Potter pegando alguma coisa, então ele fecha a janela. Ele caminha de volta para a cadeira próxima a ela, e coloca a pasta dele na mesa em frente deles, e começa a remover os conteúdos dela, empilhando os pergaminhos na mesa, em diferentes pilhas.
"Uh… Professor?"
"Sim, Evans?"
"O que você está fazendo?"
"Procurando por uma pena… mas parece que eu não tenho nenhuma." Ele vê uma pena da Lily em cima da mesa, e a pega. "Você não se importa se eu pegar isso aqui emprestado não, não é, Evans?"
"Fique a vontade, mas o que você vai fazer com isso?"
"Corrigir os deveres." Mentira.
"O quê? Você me disse que não tinha nada para fazer hoje!"
"Correção, eu te disse que eu não tinha nada melhor para fazer hoje. Corrigir as redações é a última coisa na minha lista de favoritos a fazer."
"Eu estou surpresa que isso apareça na lista..."
"Eu gosto de ensinar, e é parte do trabalho. A resposta dos alunos é realmente importante. Se os alunos não souberem o que eles fizeram de errado, então eles vão ficar repetindo os mesmos erros."
"Mas você não precisa corrigir aqui..."
"Não fala besteira, Evans. Eu disse que eu ia ficar aqui, não foi? Eu não tenho nada melhor para fazer, mas eu tenho coisas a fazer que devem ser feitas… então porque não matar dois pássaros no mesmo quarto, não é?"
"Eu não sei se eu gosto de ser comparada a uma ave morta… Mas não seria melhor você fazer isso no seu próprio aposento?"
"Você está de brincadeira comigo? Os aposentos do Monitores Chefes são muito melhores do que o dos Professores. Olha! Você tem uma sala comunal inteira para você. Eu só tenho um escritório com um quarto anexo. É muito mais confortável aqui. Em invés de dar as notas na minha mesa, eu posso fazer nessa adorável cadeira, próximo a lareira..."
"Se você tem certeza..." Diz a Lily, sem certeza alguma.
"Muita certeza, obrigado. Você não se importa se eu transformar essa tinta em vermelho por um tempo não, não é?"
"Fica a vontade."
Ele transforma, e começa na primeira redação, na pilha mais a direita. Ela decide estudar um pouco também, e pensa em convocar um livro texto para ela. O único que ela tinha com ela era o de Poções, mas ela já terminou esse. Na verdade, ela já havia terminado todo o dever de casa dela, então ela decide rever um pouco de Defesa Contra as Artes das Trevas, já que o Professor está bem aqui. Caso ela tivesse alguma dúvida, ele poderia responder facilmente.
Procurando a varinha dela, ela percebe que não está com ela. Está provavelmente no quarto dela, em algum lugar, provavelmente dentro da capa dela…
"Professor?"
"Hmm?" Ele diz, sem olhar para ela.
"Eu posso pegar a sua varinha emprestada? Eu só quero..."
"Não. Faça sem." Ele a interrompe, sem retirar os olhos da redação na frente dele.
"Mas eu não consigo ver o livro daqui..."
"Não importa." Ele diz casualmente, riscando algo no papel, e escrevendo alguma anotação no canto.
"E se importar?"
"Aí você pode ficar deitada aí, e ficar entediada, até não importar mais."
A Lily balança os ombros. Melhor tentar então. Accio Livro Avançado de Defesa Contra as Artes das Trevas, ela pensa furiosamente. Nenhum resultado. Accio livro texto! Ela tenta novamente. Nada ainda. Ela se forçar a focalizar claramente, mas ela ainda está muito tonta e fraca, e ela não acha que vai conseguir. Mesmo que ela dissesse o feitiço em voz alta, ela duvida que fosse funcionar. Ela somente não tem forças suficiente. Se ela somente pudesse ver o livro texto, ou somente se ela tivesse uma varinha…
Então, ela tem uma idéia repentina. Ela pode ver a ponta da varinha do Potter saindo da capa dele. Accio varinha do Potter! Ela pensa, e instantaneamente ela voa do bolso dele para a mão dela. Antes que ele tenha tempo para pegar de volta, ela rapidamente convoca o livro texto, que vem voando pelo aposento.
"Ei!" Ele diz, se levantando para pegar a varinha dele de volta.
"Professor, cuidado!" Diz a Lily, mas é tarde demais. O livro texto colide com a parte de trás da cabeça dele, derrubado os óculos do rosto dele, com a força do impacto. O livro cai no chão, atrás dele. Tentando não rir, ela pega os óculos dele, que caíram no sofá, ao lado dela, e os entrega de volta para ele. Ele está esfregando atrás da cabeça dele, enquanto pega os óculos com a outra mão.
"Ai."
"Eu tentei te avisar..." Diz a Lily, se defendendo suavemente, culpada, e entregando de volta a varinha roubada. Ele pega a varinha com os lábios franzidos, e a coloca de volta no bolso. Sem falar nenhuma palavra, ele senta de volta, e retorna a corrigir os deveres.
Ele está chateado? Ela não consegue dizer ao certo, o cabelo preto bagunçado dele estão caídos, escondendo o rosto dele, mas os ombros dele parecem estar tremendo ligeiramente. A Lily acha que ele está tentando controlar o temperamento dele, então ela se esconde debaixo do cobertor, com medo do que ele pode vir a dizer. Um instante depois, o coração dela se eleva, quando ela o ouve cair em gargalhadas. Encorajada, ela coloca a cabeça dela para fora do cobertor.
Ele estava rindo tão forte, que ele teve que tirar os óculos dele para limpar os olhos.
"Merlin, isso foi hilário."
"Foi?" Ela também tinha achado isso, mas está surpresa que ele, a pessoa que foi atingida na cabeça, também achou engraçado.
"E a ironia é, eu estava pensando… Alguns alunos nem se importam em ler antes de escrever essas redações, ou de entregar o dever de casa. Eu estava justamente pensando que alguém deveria atingí-los na cabeça com um livro texto… quando, de repente, você sabe o que acontece? WHAM! Livro texto na minha cabeça." Ele diz, começando a rir mais uma vez. "Eu estou tentado a enfeitiçar os livros para bater na cabeça dos donos, como uma lembrança sutil para eles fazerem o dever de casa… Eu acho que seria muito eficiente."
"Bem… Eu acho que seria..." Admite a Lily.
"Evans. Como você parece ser talentosa em fazer feitiços..." Ela pára por um momento, ambos sabendo muito bem do que eles está se referindo. "Eu quero que você crie um feitiço desse. Trinta pontos para a Grifinória se você fizer."
A Lily sorri. Ela ama um desafio, e feitiços são a especialidade dela. Ela já tem várias idéias de como fazer… Pegando um pergaminho em branco, e outra pena, ela começa a fazer anotações com a tinta vermelha.
Depois de duas horas de idéias, a Lily sente o estômago dela melhorar, e roncar, com as dores normais de fome. Isso é um bom sinal. Ela pega um pouco de comida da cesta, enquanto continua a trabalhar. A comida parece ter um efeito imediato nela. Instantaneamente, ela se sente melhor, mais forte.
Depois de mais uma hora, ela se sente como se tivesse aperfeiçoado a teoria, agora tudo que falta é testar, aprimorar, e testar novamente. Fortalecida, e se sentindo muito melhor, ela se levanta e vai pegar a varinha do quarto dela. Ela vai precisar da varinha dela, se quiser fazer esse feitiço corretamente, pois a magia sem varinha dela ainda está incerta.
"Professor?"
"Sim?"
"Eu acho que eu tenho algo, mas eu preciso testar, mas… eu não tenho nenhum alvo no qual testar."
"O que você precisa?"
"Somente de um aluno com um dever, e um livro texto."
"Bem, eu sou um professor, então você não pode mais me atacar, Evans."
"Mas como que eu vou testar?"
"Você tem uma redação para entregar na quinta para a minha aula..."
"Eu já terminei."
"O que você tem para as outras matérias?"
"Eu já terminei todos os meus deveres."
"Você não deixa nada para depois… Certo, então, a partir desse instante eu estou te dando uma nova redação. Para amanhã, 12 polegadas em..." Ele pega o livro texto de DCAT, e abre em uma página aleatória. "Inferi. Como eles são criados e destruídos. Pronto, agora você tem um dever, e um livro texto. Boa sorte, Evans."
Esperando que funcionasse, ela aponta a varinha dela para o livro texto próximo ao Potter, e sussurra as palavras que ela achou que serviriam para o feitiço. Então, com cuidado, ela retira uma nova folha de pergaminho, e escreve o título da redação no topo. Depois de imergir a pena dela de volta ao pote de tinta, ela começa a primeira linha do dever. Ela nem chega a terminar a frase, quando o livro texto voa para ela, e começa a bater na cabeça dela.
"Brilhante Evans! Absolutamente brilhante!" Ela ouve o professor dizer com orgulho.
"Obrigada, Professor, mas eu ainda não terminei." Ela pega o livro, antes que a atinja pela quarta vez, e o coloca no chão. Ele fica parado lá. Ela pega a pena para começar a escrever de novo, e mais uma vez, o livro começa a incomodar ela.
"Parece muito bom, excelente, excelente..." O Potter encoraja. Somente quando ela abre o livro, e o coloca na frente dela, o livro a deixa escrever a redação em paz.
"O aluno tem que ter o livro aberto enquanto está escrevendo o dever… mas por causa do tipo de feitiço que eu utilizei, tudo que o aluno precisa fazer para pará-lo é um simples feitiço Finite Incantatem."
"Bem, eu acho que até lá eles já entenderam o propósito, então não importa. Perfeito, Evans. Trinta pontos para a Grifinória." Ele diz, sorrindo para ela. A Lily brilha com orgulho e alegria, feliz de ter sido capaz de agradar o professor dela.
"Você realmente vai utilizá-lo?"
"É claro. Somente nos alunos do quarto ano para baixo. Uma vez no quinto ano, é impossível fazer um dever sem um pouco de pesquisa, e um aluno do quinto ano pode já possuir conhecimento suficiente para escrever uma redação sem precisar do livro texto. Mas do primeiro ao quarto ano, eu designo redações sobre assuntos, fatos, não teorias, e sempre as designo antes de dar a aula sobre elas, porque eu gosto que os meus alunos já tenham um pouco de conhecimento do tópico antes de eu ensiná-lo. Dessa forma, eles podem fazer perguntas mais informativas, e ter um conhecimento melhor sobre o assunto."
"Eu já te disse que você é o meu professor predileto?"
"Você pode ter mencionado..." Ele diz, incapaz de conseguir parar os lábios dele formarem um enorme sorriso.
"Quantas ainda faltam para você?" Ela pergunta, acenando na direção dos deveres em cima da mesa.
"Eu já terminei o terceiro e o quinto anos. Ainda falta o sexto ano, que não são tantas para corrigir, já que a turma do sexto ano é menor do que as outras, mas elas são mais longas..."
"Bem, eu vou para a biblioteca, você pode ficar aqui e terminar."
"Por que você vai para a biblioteca? Você não deveria ficar aqui e descansar?"
"Eu estou me sentindo muito melhor agora, graças a você. E o livro texto não é muito abrangente sobre Inferi, somente os menciona como uma das criaturas/seres agourentos utilizados nas artes das trevas. Não tem muita informação além disso, somente que eles não são criados como os vampiros. Eles não são mortos-vivos, e sim mortos reanimados."
"Evans, você realmente não precisa fazer essa redação, foi só para você poder testar o seu feitiço."
"Eu sei, mas agora eu estou interessada! Eu li essa seção antes, mas agora eu entendo como isso é um assunto interessante, e como que, tristemente, o meu conhecimento sobre eles é deficiente."
"Uma estudiosa verdadeira."
"Eu posso passar pela cozinha quando estiver voltando, você quer alguma coisa?"
"Sim. Qualquer coisa." Ele responde.
"Qualquer coisa?" Ela diz, de forma marota. Ela sabia o que ia trazer, muffins de mirtilo com hortelã… Ele parece que lê os pensamentos dela, porque então ele diz.
"Qualquer coisa que você mesma comeria..."
"Está certo, eu devo voltar em torno de uma hora."
Ela não fica ausente nem por 20 minutos, quando retorna para a sala comunal. Intrigado pelo olhar infeliz no rosto dela, ele pergunta, "O que há de errado?"
"Seção restrita."
"Como?" Ele pergunta, retirando os óculos dele, e esfregando o nariz.
"Os livros que eu preciso estão na seção restrita… Eu não posso retirá-los sem uma permissão de um Professor."
Sem pensar duas vezes, James rabisca algo em um pedaço de pergaminho, rasga o pedaço, e entrega para ela. "Divirta-se."
A Lily pega com uma mão trêmula. "Muito… obrigada..."
"Para que servem os Professores? Vá agora, quanto mais rápido você for, mais rápido você retorna."
"Eu volto rapidamente." Ela diz com um sorriso. Ela tem certeza que essa é a primeira vez que ela ficou eufórica sobre os mortos reanimados...
Não esqueçam de mandar PM ou review para a autora original!
E é claro, não se esqueçam de deixar um review para mim também.
