N/T: A música da festa é "Ajude-me estou viva" por Metric.
Capítulo 7: Segundos
Quando Rachel acorda de manhã, é com Quinn se mexendo ao lado dela. Seu peito aperta, calor florescendo no coração dela e se espalhando por todo lado, pelos dedos das mãos e dos pés dela.
Lembra a ela de andar no sol em um lindo dia depois de ficar dentro de casa enfurnada por horas. É o primeiro dia de primavera depois de um longo e gelado inverno. É uma noite descuidada de verão, encarando as estrelas. É bebericar chocolate quente enquanto enroscada em um suéter grandão no sofá.
Então Quinn se move novamente, e Rachel sente a pele desnuda delas deslizando juntas. É tudo isso mais fogos de artifício e o refrão de uma música e uma faísca elétrica que faz a jornada de algum lugar debaixo do seu estômago.
Mais cor. Cor que brilha, pisca e arrepia.
Só de acordar, os olhos de Quinn estão incandescentes.
Rachel sorri languidamente. "Oi."
"Oi," Quinn diz, voz grossa de sono. Quinn se move novamente e dessa vez ela fica vermelha.
Rachel se enrosca nela, colocando a cabeça embaixo da mandíbula de Quinn e entrelaçando as pernas delas. "Eu podia acordar desse jeito todo dia."
"Eu podia também," Quinn diz, envolvendo os braços ao redor dela.
Rachel cantarola, contente. "Noite passada foi incrível. Tudo sobre ela foi perfeito. Você principalmente."
"Até mais do que os aplausos?"
"Oh, se você coloca desse jeito..." Rachel diz provocando.
"Sim, bem não fique acostumada com a minha atenção então," Quinn diz.
Rachel sorri com Quinn resmungando e beija sua clavícula. Ela aperta os braços ao redor de Quinn, apreciando a forma do corpo dela. Ela passa a mão pelo quadril de Quinn e se maravilha com a pele pálida contrastando com o tom mais escuro dela.
"Tentando ter o melhor de ambos os mundos?" Quinn diz momentos depois.
"Considerando meu trabalho árduo em ambas as áreas, eu acho que eu posso merecidamente ter ambos."
"Eu acho que você está me objetificando," Quinn diz levemente.
Rachel arfa dramaticamente e então dá risadinhas quando Quinn faz cócegas nas costelas dela. "Eu nunca faria isso!"
Ambas caem em silêncio e Rachel está contente em aproveitar o momento. Ela relaxa e por alguns minutos o mundo consiste inteiramente dela e de Quinn. É só quando Rachel sente Quinn inexplicavelmente se tensionado que ela se senta, olhando pra Quinn.
"Eu não estava exagerando. Noite passada foi incrível. Você... Você se arrepende?" Rachel diz. Ela não pode evitar que a insegurança deslize na sua voz. Ela está bem ciente da sua pele desnuda por todas as razões erradas.
"Não!" Quinn diz rapidamente e se coloca sobre os cotovelos. O coberto cai pra cintura dela e os olhos de Rachel desviam pro peito de Quinn. Ela rapidamente muda os olhos de volta pro rosto de Quinn, enrubescendo. As bochechas de Quinn ficam um tom mais vermelho também, e ela se mexe mas não move o cobertor. "Eu... eu só... eu não me arrependeria da noite passada por nada. Eu queria tanto. Eu não menti sobre isso. Era tudo em que eu podia pensar. Eu só ainda estou me acostumando com... hum... sexo. É uma coisa saber sobre clinicamente – uma coisa saber que eu tenho uma filha pelo amor de Deus. Outra coisa é perseguir isso como algo especial entre duas pessoas. Isso faz sentido?"
Rachel sorri e se move para passar uma mão gentilmente pelo cabelo bagunçado de Quinn. "Sim, faz. Além do que há a questão de aprender sobre sua própria sexualidade."
"Pare," Quinn diz, segurando um sorriso. Ela cai de volta de costas, cobrindo o rosto com as mãos. "Eu não posso levar você a sério."
Rachel não pode evitar. Ela corre uma mão pelas costelas de Quinn e pelo esterno dela. Quinn move as mãos dela, mostrando olhos arregalados e Rachel sorri suavemente, dando boas vindas. "Estou contente que experimentamos isso juntas."
"Você é a única que eu quero, Rachel."
Um arrepio de prazer corre pela espinha de Rachel e calor floresce embaixo do seu estômago. "Diga isso novamente."
"Que tal eu amo você e eu quero fazer amor com você de novo e de novo e de novo," Quinn diz sua voz baixando a um tom rouco baixo.
Aquelas palavras – com aquele tom – fazem maravilhas, coisas pecaminosas com ela. E Rachel encontra seu corpo dela se movendo quase por vontade própria até que ela está sentada sobre a cintura de Quinn. Rachel sabe que Quinn tem que sentir o quão molhada ela já está. E os olhos de Quinn escurecem, suas mãos deslizando contra as coxas de Rachel e para os quadris dela.
O telefone de Rachel escolhe aquele momento pra tocar. "Oh não! Que horas são?" Rachel diz. Ela está num misto de pânico e desapontamento, coração correndo por ambas as razões. Seus olhos pousam sobre seu despertador. "Quinn! É depois das 11!"
Ela se enrola, pés ficando presos nos lençóis enquanto ela tenta sair da cama para pegar o telefone dela. Ela cai, meio em cima de Quinn. Ela finalmente consegue escapar da cama dela, mas tão logo ela consegue, seu telefone fica em silêncio. Quinn ri, e Rachel se vira para mandar uma olhada de brincadeira antes de pegar o telefone dela.
"Era meu pai," Rachel diz para o bem de Quinn. Ela rapidamente ligou pra ele de volta.
"Oi amorzinho," seu pai diz quando atende.
"Bom dia! Desculpe por perder sua ligação," Rachel diz brilhantemente, movendo-se de volta para sentar-se na cama. Quinn se enrola em direção à ela, passando um braço pela cintura dela e a mão dela vem a descansar nos quadris dela.
"Bom dia pra você também," seu pai diz. "Você e Quinn ainda querem se juntar a nós para o almoço?"
Rachel cobre o telefone com a mão dela e sussurra em direção à Quinn. "Almoço?"
Quinn concorda com a cabeça.
Rachel fala de volta no telefone. "Claro. Você tem algum lugar em mente?"
"Há um Italiano fofinho a meio quarteirão do nosso hotel se você não se importar de vir pra esse lado."
"Isso parece mais que aceitável."
"Encontramos você lá em 30 minutos?"
"Uh, oh – nós podemos chegar em 45?" Rachel diz. Ela está ligeiramente amedrontada de que seu pai saiba exatamente porque ela está pedindo por mais e sente um fluxo de desconforto com o pensamento.
"Tudo bem. Encontra-nos no saguão do hotel?"
"Tudo bem. Vemos vocês em breve!" Rachel diz e rapidamente desliga. Ela pula pra ficar de pé. "Levanta, levanta, levanta. Nós vamos encontrá-los em 45 minutos! Nós ainda temos que tomar banho e precisamos deixar pelo menos 10 minutos para a caminhada até o hotel."
Quinn se estica pra agarrar o pulso dela e então entrelaça as mãos delas. "Nós temos tempo," ela diz rindo. "Nós não temos que sair pela porta nesse exato segundo."
Rachel respira, reconhecendo a verdade na declaração de Quinn. "Eu reconheço que você pode estar correta nisso."
"Oh, é mesmo?" Quinn diz, arqueando a sobrancelha. Ela se retira da cama, e, Rachel lambe os lábios quando Quinn fica de pé, toda pele desnuda à mostra. Ela é linda e Rachel anseia por tocá-la novamente.
"Você – hum... você quer tomar banho comigo?" Rachel diz.
Quinn fica vermelha, mas concorda com a cabeça e Rachel nunca esteve mais agradecida por ter uma suíte antes.
Tomar banho com Quinn é uma experiência incrivelmente íntima, e Rachel é rápida em fazer uma nota mental para se certificar de que isso aconteça novamente quando elas não estiverem apressadas para estar em nenhum lugar no futuro imediato. Ela quer nada mais do que empurrar Quinn contra a parede e fazê-la sua ali mesmo. Ela imagina o fluxo de água contra elas, a pele molhada e escorregadia e a sensação do calor apertado de Quinn. Ela engole e se comporta só porque são os pais dela que elas vão encontrar, e ela ficaria mortificada se eles perguntassem o motivo pelo qual elas estariam inevitavelmente atrasadas.
Elas estão fora do quarto logo, fazendo um tempo bom. É um dia frio de inverno, e Rachel respira o ar, frio passando pelos seus pulmões, sentindo-se incrivelmente viva. Ela gentilmente cutuca Quinn com o cotovelo enquanto elas caminham pela calçada, contendo um sorriso.
Quinn olha pra ela, os cantos dos lábios dela se curvando pra cima e arqueando uma sobrancelha. "Então você vai contatar aquele cara Mason da noite passada?"
O mundo de Rachel vira cinza em um segundo. O ar gelado em seus pulmões ficam de repente dolorosamente entorpecedor. "N-Não!"
"Não?" Quinn diz, soando desnorteada. Sua confusão é evidente com o virar dos lábios e a mexida da cabeça. "Mas ele parece ser algum tipo de envolvido..."
A mente de Rachel corre. Seu sangue congela. Mesmo que Garrett nunca o tenha mencionado antes, ela está quase certa que Mason está envolvido na Broadway ou teatro profissional de alguma forma. Mas ela não pode contatar ele. Não com o risco de mexer com as balanças. Não arriscando a vida de Quinn. Ela já arriscou tanto e machucou Quinn em sua ignorância. Ela se recusa a apostar mais com a saúde de Quinn. Ela se conforma com uma desculpa, palavras rapidamente caindo dos seus lábios. Ela sabe que é fraca e falível mesmo enquanto está falando, mas ela não tem mais nenhum lugar pra recorrer. "Eu não tenho ideia de quem ele é ou por que ele me deu o cartão dele. Eu não posso falar com ele! Quem sabe qual é a ocupação dele ou que tipo de homem ele é! Ele pode dirigir um laboratório de drogas! Ou com aquelas roupas, ele pode ser um chefão da máfia! Eu não posso ficar envolvida!"
"Ele é o tio do seu amigo Garrett," Quinn diz lentamente.
"Bem eu sempre achei Garrett um tanto quanto suspeito," Rachel diz com o tanto de confiança que ela consegue reunir.
"Rachel... Isso é sobre o que conversamos antes? As coincidências?"
Rachel não responde imediatamente. Ela olha pros pés, contando os passos. É calmante, relaxante. Distrai.
"Rach, olhe pra mim, por favor," Quinn diz suavemente, parando e deslizando para a ponta da calçada.
Rachel não pode deixar de segui-la. Ela olha pra Quinn, absorvendo o olhar caloroso esverdeado.
Ela morreria antes de machucar Quinn novamente.
"Nada é uma coincidência," ela diz.
"Você diz isso tão confiante, mas o que mais pode ser? Como você pode ter certeza?" Quinn diz. Ela se inclina pra mais perto, sua voz implorando. "Eu não pressionei nesse problema antes, mas eu vou agora porque você está jogando fora uma oportunidade sem necessidade. Converse comigo, Rach."
O vento sopra ao redor dela e Rachel treme quando cinza sopra junto. Ela se inclina pra ela totalmente e fica aliviada quando Quinn rapidamente a envolve em um abraço. Ela anseia por entrar debaixo do casaco de Quinn, para sentir, ouvir e experimentar o batimento cardíaco de Quinn e o sangue quente de vida pulsando pelas veias dela. Elas estavam totalmente desnudas menos de uma hora atrás, mas Rachel anseia por estar ali novamente na segurança da cama dela e envolvida nos braços nus de Quinn agora mesmo. Mas o abraço de Quinn aperta e ela coloca um beijo no topo da cabeça dela. E isso é o suficiente.
É mais do que o suficiente.
Mesmo que o coração dela bata freneticamente no peito dela. Mesmo que ela possa literalmente sentir a cinza tentando clamá-la. E mesmo que os braços de Quinn não possa manter as duas metades dela de se reafirmarem – rasgando, puxando, metendo as garras nela. Demandando-a para satisfazer ambos ou ser dilacerada em duas.
Rachel respira tremulamente. "Você era pra ter morrido naquele acidente de carro, Quinn. Eu... eu fiz um acordo. De alguma forma, eu negociei por sua vida."
"Com os médicos?" Quinn diz, perplexa. Rachel pode dizer que Quinn sabe que isso não faz sentido.
"Com o Destino. Ou Deus. Ou um deus. Ou algo," Rachel diz.
"Rachel, o que você está dizendo?" Quinn diz incisivamente. "Você não está fazendo sentido nenhum. Você não vai e – isso é impossível."
"Eu sei que isso vai contra tudo que você acredita, mas eu juto pela minha vida que eu forjei um acordo com algo além do que nós tipicamente percebemos. E disse a ele que você tinha que viver e eu desistiria de qualquer coisa em retorno. 'Para mudar um destino, alguma outra coisa deve ser mudada em troca.' E eu concordei com isso. Porque nada era e é mais importante pra mim do que você ter uma chance de viver."
Quinn está quieta e em cima das garras no coração dela, a ansiedade de Rachel está chegando a um ponto insuportável porque seria tão fácil para Quinn dizer que ela estava insana e como ela podia possivelmente pensar isso e ela devia dar entrada em um hospital psiquiátrico. Não há mais nada no mundo ao redor delas. A calçada de Nova York em que elas estão paradas pode muito bem não existir porque tudo além de Quinn é um borrão enevoado. Então Rachel fala mais, palavras derramando-se incontrolavelmente dos lábios dela.
"Foi na sala de espera do hospital. Eu não lembro de adormecer. Eu não sei de que outra forma eu poderia ter considerado a situação. Mas eu lembro de acordar. E antes de eu acordar, eu encontrei ele. Destino. Eu só chamarei de Destino porque eu não sei que outro nome dar. Tudo ao redor de mim era cinza e o Destino mesmo estava em todo lugar e em tudo, sem corpo. E eu implorei a ele que mudasse o seu destino porque não era justo, Quinn. E não era certo e eu não ia permitir que você morresse," Rachel diz.
"Você não ia me permitir morrer," Quinn diz. "Eu não..."
Rachel engole as lágrimas. Ela não está certa de quando começara a chorar. "Eu já amava você. Eu não sabia, mas amava. E o pensamento de você morrendo por minha causa? Eu tinha que mudar isso. E Destino me deu aquela chance para que eu mudasse nossos destinos. Eu troquei meu futuro pela sua vida. E é um acordo que eu farei toda oportunidade que tiver."
Ela diz as últimas palavras lentamente, falando cada sílaba devagar porque é uma coisa que ela entende em tudo isso. E Quinn a surpreende, falando gentilmente quando a última sílaba é dita.
"Então se você aproveitar seu destino original, seu futuro original, eu morrerei?"
"Sim," Rachel diz tremulamente. "Eu sei que você pode achar que eu sou louca, mas eu juro que isso é verdade por tudo que eu já amei."
Quinn está calma. Suas mãos correm pelas costas de Rachel, de cima a baixo, acalmando-a, mas sua voz fica distante quando ela fala. "Eu deveria ter morrido naquele acidente de carro. Eu tive uma recuperação miraculosa e eu caí doente algumas vezes desde então. Você criou um acordo com uma entidade desconhecida para que eu pudesse viver." Então sua voz fica mais forte, mais presente. Ela se afasta ligeiramente, só o suficiente para olhar pra ela. Seus olhos estão quentes e expressivos. "Eu não sei em que acreditar. Mas eu sei que você não é louca."
"Sério?" Rachel diz. Ela funga e passa a mão pelos olhos, controle lentamente retornando.
"Sério," Quinn diz. Ela para e então diz brincando, "Pelo menos eu acho que não."
E é aí que Rachel sabe que, se nada mais, pelo menos elas ficarão bem. Ela continua, dessa vez sua voz num tom normal e controlada. "Apesar de tudo, apesar de saber o que eu faço, parte de mim desejar continuar a procura pelo estrelato na Broadway. E eu odeio isso. Eu odeio que eu faça isso, mas está lá, puxando-me – dizendo-me para aproveitar meu futuro no palco. Como eu concilio com isso? Que eu ainda queira mesmo sabendo o que eu sei."
"Se o que você diz é verdade, talvez mudar seu destino não apagou aquela parte toda de si mesma," Quinn diz. "Eu ainda acredito – como eu sempre acreditei – que você vai conseguir o estrelato."
Rachel sorri no ombro de Quinn. É um peso fora dos seus ombros dizer à Quinn toda a verdade E mesmo que Quinn não acredite nela – Quinn confia nela. E isso é o suficiente. Seu sorriso só diminui quando ela pensa no que começou essa conversa. Insegurança borbulha em seu peito. "Eu não posso alcançá-lo. Eu não posso tomar essa chance em você. Quinn – eu só vou desapontar você."
"Pare com isso," Quinn diz incisivamente. Ela se mexe e segura Rachel a uma distância de braços estendidos pelos ombros. Seu tom muda ali, tornando-se algo oscilante entre doce e duro, frio e quente. "Você não vai me desapontar. Você é realmente tão egoísta em pensar que eu só estou aqui porque eu acho que você vai ser grande? Novidades Rach – eu estou indo mais do que bem em Yale e eu amo você por tudo que você é e escolhe ser."
Rachel quer chorar tudo de novo. Ao invés disso, ela se abaixa pros braços de Quinn e deixa se esquecer da cinza e submerge na cor.
Naquela noite ela faz amor com Quinn com tudo que ela possui. Rachel estima o jeito que suas mãos e lábios fazem-na sentir, a palidez suave da pele dela, os músculos esguios embaixo e o jeito que ela arqueia ao seu toque. Ela grava o amor dela no corpo de Quinn. E quando Quinn goza, a memória se tatua em sua alma.
Elas voam pra casa no próximo dia. Quinn viaja com eles do aeroporto, e os pais dela passam pela casa Fabray para deixá-la. Rachel não pode dar um beijo de despedida em Quinn na frente da porta da casa dela como ela quer com seus pais olhando do carro. Ela se conforma com um casto pressionar de lábios.
Então Quinn sussurra baixinho enquanto elas se separam, "Eu mal posso esperar ter você gemendo meu nome novamente."
Então Rachel voa, esquecendo a audiência delas e agarra as lapelas do casaco dela e puxa Quinn para um abraço machucador e cheio de energia que deixa Quinn de olhos arregalados e sem fôlego.
"Amo você," Rachel diz com um pequeno e satisfeito sorrisinho.
O próximo dia é Véspera de Natal e ela e os pais dela o passam fazendo um festival inteiro de Hanuká que ela tinha esquecido enquanto estava em provas e se preparando para Fora de Curso. Ela troca algumas mensagens com Quinn durante o dia e mais alguns com Seth que pergunta sobre Mason. Rachel evita responder as perguntas dele.
As mensagens de Quinn são esporádicas. Ela foi carregada para visitar a irmã tão logo ela colocou o pé na porta no dia anterior. Quando os pais de Rachel finalmente se cansaram da das celebrações combinadas de Hanuká e Natal, Rachel roubou alguns minutos com Quinn no Skype naquela noite.
Ela não pode evitar o sorriso que estica seu rosto ao ver Quinn.
O sorriso só desaparece quando ela distraidamente checa o e-mail dela no meio da conversa e vê o nome de Mason Thorpe ali na caixa de entrada dela.
"Rachel, o que foi?" Quinn diz preocupadamente, cortando uma história sobre a mãe dela e a irmã.
"Nada," Rachel diz rapidamente. Ela fecha os olhos e respira. "Não, não é nada. Mason me mandou um e-mail como ele disse que faria."
"Você está bem?" Quinn pergunta, preocupação evidente. Ela se inclina pra mais perto da câmera e Rachel arruma força do olhar pixelado dela.
"Sim, é só – eu meio que pensei que ele não iria me contatar."
"Por que?" Quinn diz, cerrando o cenho.
"Eu pensei que eu era uma distração passageira. Que ele tinha outras coisas rolando. Enquanto eu cedo na noção de que ele pudesse ser um chefe da máfia, eu ainda não sei exatamente quem ele é também."
"Você vai abrir?"
"Não," Rachel diz decididamente. "Não vou. Não vou tomar esse risco. Se ele estiver de qualquer forma relacionado com a Broadway, eu sei que a parte de mim querendo aquele futuro vai ficar muito mais difícil de ser suprimida. De jeito nenhum eu vou tomar mais riscos em relação à você."
Ela olha pra Quinn, desejando mais do que nunca que ela estivesse do lado dela agora mesmo.
"O que você quiser fazer," Quinn diz, "Eu apoio."
"Eu não posso."
Dói dizer isso. Dói ver o breve relampejo de desapontamento no rosto de Quinn antes de ser trocado por preocupação. Mas Rachel sabe que doeria mais se ela machucasse Quinn novamente.
Os dias passam rapidamente, e, ao tempo que Quinn volta pra casa, Rachel está certa de que ela cozinhou coisas suficientes para alimentar a maior parte de Lima. Ela se mantém ocupada de outras formas, lendo romances, vendo TV e colocando o papo em dia com Kurt e Tina e os outros. Ela toma conhecimento que Puck está em casa e está de anfitrião de uma festa de Ano Novo para o clube do coral. Ela troca mensagens apressadas com Santana, mas é Seth e Garrett quem continuam a fazer com que o telefone dela vibre mais. Ela responde educadamente, mas continua a tergiversar com qualquer coisa relacionada à Mason. Ela sabe que deve estar levando os dois à loucura.
Quando Quinn bate na porta dela na noite fria quando ela volta da irmã dele, Rachel praticamente a nocauteia nos degraus da frente em seu entusiasmo.
"Eu senti sua falta," Rachel diz.
Ela puxa Quinn para um beijo, correndo as mãos pelo cabelo solto dela. Quinn suspira e Rachel sente-a derretendo-se no beijo. O pressionar dos lábios se torna lânguido e casto – a única coisa que promete mais é o aperto que Quinn mantém nos quadris dela e o jeito dos seus olhos quando elas se separam.
"Você sabe," Quinn diz, respiração virando ar. "Nós estivemos separadas por mais tempos em alguns pontos durante o semestre."
"Sim, mas nós ambas também estávamos atoladas de trabalho. E eu estive passando todo o meu tempo –"
"Cozinhando. Sim, eu sei. E se você me der alguns daqueles biscoitos que eu sei que tem que ter feito parte da sua atividade, eu prometo que você não me precisa me dar nada mais de Natal."
"Mas eu comprei e embalei seu presente há um tempão! Se eu tivesse sabido disso, eu nunca teria gasto qualquer dinheiro extra em você," Rachel diz. Ela dá um sorrisinho. "Eu suponho que não seja muito tarde para devolvê-lo."
"Tá, tá," Quinn diz, rolando os olhos com uma exasperação excessiva. "Vamos trocar presentes antes que você mude de ideia. Eu sabia que devíamos ter trocado presentes antes que mamãe me levasse embora."
Rachel dá risadinhas, levando Quinn pra dentro. Ela espanta o frio, percebendo quanto tempo elas ficaram paradas lá fora quando o calor retorna aos seus dedos. Seus pais as abordam brevemente para cumprimentar Quinn. Ambos a abraçam à guisa de cumprimento e então as manda em seu caminho.
"Porta aberta, Rachel!" Seu pai diz quando Rachel puxa Quinn pelas mãos pra subir.
"Mas –" Rachel para.
"Eu não me importo que vocês sejam universitárias. Minha casa, minhas regras!"
Rachel bate o pé e faz birra petulantemente, mas congela ao ver Quinn tentando esconder um sorriso. Ela se permite um bufo final e rapidamente sobe o restante dos degraus.
Deixar a porta aberta não a para de imediatamente beijar Quinn tão logo elas estão dentro do quarto dela. Quinn sequer tem a chance de colocar a bolsa em algum lugar ou tirar o casaco dela quando Rachel puxa seus corpos juntos. Quinn, entretanto, está mais do que cúmplice, angulando sua cabeça para aprofundar o beijo e deixar os lábios delas deslizarem juntos sem esforço. Rachel vibra do fundo da garganta dela aprovando e então desliza a língua pra boca de Quinn, querendo mais e mais e mais enquanto as chamas começam a crescer em seu estômago.
Há um baque quando a bolsa grande de Quinn cai no chão, esquecida. Rachel puxa o casaco de Quinn, lutando para tirá-lo dos ombros dela. É impossível quando Quinn não para de tocá-la – mãos correndo pelas costas dela, dedos enroscando no cabelo dela, palmas pressionadas nas costelas e seios dela. Rachel grunhe frustrada, separando-se do beijo. Quinn ri e finalmente a ajuda a remover o casaco e o cachecol.
"Que selvagem," Quinn diz divertida, colocando um beijo na têmpora dela.
Rachel ri levemente mesmo que o clima mude. É provavelmente para o melhor de qualquer forma considerando que os pais dela estão sentados lá embaixo. Isso não significa que ela não se mexa estranhamente em seus pés por um momento tentando suprimir o desejo queimando nas veias dela.
Quinn se inclina, levantando a bolsa dela. Ela a pega e senta na cama, puxando dois presentes embalados. Ambos são grandes o suficiente que eles não caberiam em uma bolsa sequer ligeiramente menor. Quinn os estende com um pequeno sorriso.
"Espere!" Rachel diz. Ela corre pro armário dela, pegando um presente bem embalado. Ela se junta à Quinn na cama, sentando ao lado dos presentes e segura o dela com um pequeno sorriso. "Você primeiro."
"Ok," Quinn diz levemente, tirando o presente das mãos de Rachel. Ela cuidadosamente o desembala, levantando uma sobrancelha. Rachel coloca as mãos dela embaixo de si, de repente ansiosa com o que Quinn vai achar.
"Oh uau. Rachel... Isso é perfeito." Quinn diz. Um sorriso leve e genuíno floresce no rosto dela.
"Então você gosta?" Rachel diz esperançosamente.
"Eu amei," Quinn diz. Ela se inclina, pegando os lábios de Rachel com os dela, antes de retornar a atenção para os dois presentes dela. Seus olhos estão em chamas de prazer e alívio corre por Rachel quando ela pensa que fez bem. Um presente é um ano de assinatura do The New Yorker, e o outro é uma inscrição de membro do Museu Metropolitano de Arte.
"Eu peguei uma inscrição de membro pra mim também. Eu espero que você não se importe com a minha companhia," Rachel diz.
"Isso é incrível, Rachel. Sério," Quinn diz, suavemente apertando a mão dela. "Abre o seu? Apesar de eu estar incerta de superar os seus presentes."
"Quinn," Rachel diz quando ela rasga a embalagem do primeiro presente, "Estou certa do que quer que você tenha comprado pra mim é mais do que adequado, e – uma coleção Sondheim!"
Rachel não pode deixar de sorrir largamente quando ela segura a caixa de DVDs imaculada. A embalagem orgulhosamente diz 'A coleção Stephen Sondheim' com uma impressão adicional indicando os seis trabalhos incluídos na antologia.
"Eu vi que sua coleção de teatro estava sem alguns trabalhos chave então eu cheque com seus pais só pra ter certeza de que você não tinha nenhum dos trabalhos de Sondheim incluídos nesse box. Eu acho que você ficou satisfeita?"
Rachel concorda com a cabeça e agarra o box no peito dela antes de gentilmente colocá-lo na cama e pega o outro pacote. "Qualquer outra coisa é demais. Eu não acho que eu vou conseguir aceitar."
"Eu acho que veremos..."
Rachel é um pouco mais paciente em abrir o segundo presente. Leva um momento para ela entender o presente. É uma pilha de programas de peças – mais ou menos umas duas dúzias deles. "Bela e a Fera, Paixão, Barco de Show, Damn Yankees... Todos esses estreados ou foram refeitos em 1994," Rachel diz em reverência. "Quinn, você me conseguiu programas de peças da Broadway do ano que eu nasci?"
"Quase todos eles. Eu não consegui achar alguns dos mais obscuros. Talvez quando eu for rica e famosa eu poderei comprar pra você cópias autografadas."
"Você deve ter levado um tempão para achar todos esses," Rachel diz.
"Não me dê tanto crédito. A internet é uma ferramenta maravilhosa."
"Não, Quinn. Sério. Isso é incrível. Eu não posso acreditar na quantidade de pensamento que você colocou nisso."
"Eu pensei que talvez pudéssemos emoldurá-los de alguma forma para que você possa mostra-los. Você nem tem que usar todos eles –"
Rachel interrompe Quinn voando para abraçá-la, derrubando-as na cama. "Eu amo você. Isso tudo é tão perfeito."
Dois dias depois, Rachel está de mãos dadas com Quinn enquanto elas andam em direção à casa de Puck para a festa de Revéillon. Seu telefone vibra assim que elas entram. Dessa vez, é Garrett ao invés de Seth, e a mensagem é um pouco diferente das anteriores perguntando sobre Mason.
"Estou enlouquecendo que você não contatou Mason ainda. Só faça. Ele é um agente. Um dos melhores. Você é especial e ele sabe disso. Nós todos sabemos."
Seu telefone vibra novamente. É Seth. Bem na hora para atuar em equipe com Garrett.
"Garrett e eu estamos festejando com Mason em uma festa de figurões da Broadway! Você está perdendo! Só fale com ele."
Rachel quer gritar quando o cinza nada ao redor dela. Sempre, sempre está lá. Incansável. Ela está certa de que ela vai ser rasgada em duas dessa vez porque tudo que ela sempre quis antes está esperando, bem ali para ser possuído. Mas manter Quinn viva e sem danos – essa é a prioridade principal dela.
O aperto de Quinn na mão dela aumenta, e, Rachel lembra de respirar novamente. Quinn se inclina pra ela, gentilmente desligando o telefone dela e levando os lábios à orelha dela. "Está tudo bem. Eu estou aqui," Quinn diz suavemente. "Nós não temos que nos preocupar com nada hoje à noite além de nos divertirmos."
Puck vem correndo em direção a elas tão logo as últimas palavras saem dos lábios de Quinn. Ele pega Rachel em um grande abraço e a coloca de volta nos braços de Quinn, e desse jeito, seu mundo é lavado em cores novamente.
A música, o álcool e os amigos tomam conta. Santana afasta Quinn dela quase imediatamente. Rachel dança primeiro com Kurt e então com um grupo incluindo Tina, Mike e Mercedes. Brittany a agarra no meio disso, e é quase impossível acompanhar os movimentos dela. Ela é salva por Quinn que oferece uma mão com um sorriso charmoso.
Rachel dá risadinhas e aceita, permitindo que Quinn a valse para os braços dela. Ela se deixa ser carregada enquanto Quinn balança os quadris com a batida da música. Seu sangue corre quente e não tem nada a ver com a temperatura quente da casa ou o exercício físico da dança. Ela deixa suas mãos vagarem e seu corpo derreter e se amoldar ao de Quinn, e, mesmo que seja Lima, ninguém na casa se importa. A música só abaixa quando a contagem regressiva para o ano novo começa. Quinn a beija até tirar o fôlego tão logo a sala grita "Feliz Ano Novo," e Rachel entende que nada mais existe.
A festa continua até de manhã, virando uma reunião do clube do coral. Todos estão presentes, a não ser Finn.
"Ele apoia tanto quanto pode, mas ele não sabe bem como lidar com o fato de que você está namorando Quinn. Ele achou que seria melhor fazer outros planos mesmo com todo mundo na cidade," Kurt diz pra ela. Eles estão parados no canto da cozinha, vendo o irmão de Puck (ou meio-irmão como Rachel entende) tentando abrir um segundo barril.
"Eu não estou reclamando," Santana diz alto, se intrometendo na conversa quando ela entra carregando dois copos de plástico.
Kurt suspira. "Ele amadureceu bastante nos dois últimos anos."
"Estou certa de que sim," Santana diz com só meio sarcasmo. Ela segura um copo na frente de Rachel. "Eu preciso que você venha comigo."
"Por quê?" Rachel diz. Ela dá um olhada em Santana, pegando o copo das mãos dela e olha-o suspeitosamente. "Isso está envenenado?"
"Isso está – o que? Não!" Santana briga. "Kurt, você poderia manter Britt acompanhada um pouco?"
Kurt dá de ombros. "Considerando que isso foi relativamente educado pra você, eu farei. Sem promessas de que ela retornará para você no mesmo estado que você está a deixando."
"Só não a deixe tirar as roupas. Eu não quero que todos esses adolescentes vadios, que Puckerman teve que convidar, pintem as cuecas deles. Venha, Berry."
"Onde estamos indo?" Rachel pergunta enquanto segue-a.
"Só aqui fora onde podemos conversar por um segundo. Eu espero que você tenha seu agasalho de cerveja em você."
"Meu o que?"
"Agasalho de cerveja. Você não está numa faculdade de verdade agora? E você não sabe o que agasalho de cerveja significa? Você sabe quando você esteve bebendo, e, você está toda quente do álcool..." Santana diz mordazmente. Rachel apenas dá metade dá atenção quando ela vê os olhos de Quinn do outro lado do cômodo. Quinn está em um grupo com alguns dos atuais membros do coral, Puck e Sam, mas nesse momento, seus olhos estão totalmente focados em Rachel. Ela está passando a ponta do dedo ao redor do copo dela e seus lábios se curvam em um ligeiro sorrisinho. Manda um arrepio pela espinha de Rachel.
" – e você sequer está me escutando porque você está muito ocupada despindo Quinn com seus olhos," Santana diz. Ela abre a porta dos fundos. "Enfim, apenas traga sua bunda aqui pra fora."
O frio não está tão ruim quanto ela esperava e ela está agradecida que Santana não a levou pela neve do quintal também, Rachel odiaria ter que afundar seus sapatos atuais naquela papa. Santana estrala os dedos pra uns alunos do ensino médio se beijando no canto da varanda e eles correm pra dentro.
"Eu ainda mando," Santana diz, sentando no balanço.
"Isso é sobre Quinn?" Rachel diz lentamente.
"Sim," Santana diz e toma um gole da bebida dela. "Ela ama você desde sempre, você sabe. E se você –"
"Ai meu... Santana, você está prestes a me dar o discurso 'quebre o coração dela e eu matarei você'?" Rachel diz interrompendo. Santana encara-a e Rachel abaixa a cabeça dela para esconder o sorriso. "Certo. Desculpe."
"Quinn e eu nem sempre nos demos bem, mas ela é minha garota e eu vou cuidar dela. Ela está tão feliz agora, porra. Você tem muito poder sobre ela. Destrua isso e eu juro que eu vou quebrar você."
"Eu a amo, Santana."
"Eu sei," Santana diz com um suspiro. "Eu nunca pensei que eu a veria tão feliz. Não é tudo você, claro. Eu espero que sua cabeça não seja grande o suficiente para pensar que é. É você e Yale e estar fora dessa maldita cidadã. Maldita Lima. Boa coisa que você finalmente tomou jeito e também saiu daqui."
"Eu tenho Quinn pra agradecer por isso. Eu nunca teria conseguido sem ela."
"Deus, eu não sei como, mas de alguma forma vocês duas juntas realmente te faz um pouco mais suportável. Quando você não está sendo toda brega desse jeito. Vocês meio que se fazem melhor."
"Obrigada," Rachel diz. Ela sorri malvadamente. "É um alívio ter sua benção."
"É, é," Santana grunhe. "Então eu ouvi que você teve sua primeira apresentação na NYU na outra semana?"
"Sim, eu tive," Rachel diz relutante. Seu coração flutua com a memória da apresentação e afunda tudo novamente quando ela pensa sobre o e-mail de Mason esperando na caixa de mensagem dela.
"E?" Santana diz. "Eu nunca pensei que eu veria esse dia que eu teria que arrancar qualquer palavra de você."
"Foi incrível," Ela disse saudosamente. "E acabou sendo mais importante que eu pensei que seria com relação as pessoas que apareceram."
"Oh sério? Eu entendo –"
A porta dos fundos abre com estardalhaço, e, Mike aparece, ,olhos arregalados e sem fôlego. "Rachel! Quinn! É Quinn!"
Rachel está de pé, coração na garganta, antes que sequer Mike termine de falar. Ela derruba a bebida dela, e, deixa o copo dela derramando o conteúdo dela na varanda, esquecido. A festa está parada lá dentro. Todo mundo está silenciosamente olhando pro centro da sala onde está acontecendo um borrão de ação. Música continua a tocar. A vocalista canta e as letras pulsam por ela. "Ajude-me, eu estou viva. Meu coração continua batendo como um martelo. Batendo como um martelo." O mundo fica preto, então branco, até que finalmente fica cinza.
"Saia da porra do caminho!" Santana grita desesperadamente. A multidão se move e se espalha e Rachel se joga para achar Quinn.
Blaine está meio que segurando-a. Os braços dela estão presos fracamente ao redor das costelas dela. Seus olhos estão desfocados. Há uma faísca de reconhecimento.
"Rach. Eu não posso – eu não posso," Quinn diz suavemente, em pânico. Sua respiração sai em pequenos arquejos. "Respirar – Dói." Ela gesticula as últimas palavras.
Rachel se inclina pra frente mesmo quando o reconhecimento morre nos olhos de Quinn.
"Quinn!" Rachel grita, nervosa. A respiração de Quinn está falha. Fraca. Está morrendo mesmo quando Rachel a alcança. Não entendo. Não compreendendo. O corpo todo de Quinn está tingido de azul. Pálido. Sem sangue.
"Ligue pra emergência!" Ela ouve Santana gritar distante.
"Puck já está ligando!" Outra pessoa grita.
"Traga os aqui agora, porra!"
"Quinn," Rachel murmura várias vezes.
Barulho soa em seus ouvidos. Cada batimento cardíaco em seu peito pula nela dolorosamente.
Quinn não está respirando.
Ela está morrendo.
"Quinn – fique comigo! Quinn!"
Tudo vira cinza exceto o amarelo do cabelo de Quinn e o azul tingido sua pele. E Rachel não entende. Ela não entende! Blaine deita Quinn no chão, forte, capaz, mãos vivas indo pro coração dela. Pulsando.
Ela não entende. Ela segura a mão de Quinn enquanto Blaine trbalha.
Está fria.
"Por favor, Quinn! Por favor! Aguente! Eles estão vindo. Ajuda está vindo. Eu prometo!"
Blaine está contando ao respirar. Uma memória aparece. É chocantemente vívida. Ela está sentada no Lima Bean com Kurt e Blaine. Este diz que todos os estudantes de Dalton tem aulas de massagem cardíaca no colégio. Essa memória desvanece enquanto Blaine xinga no presente. Seus movimentos são ríspidos e violentos. Desesperados.
Os segundos passam.
Quinn está morrendo.
Bem na frente dos olhos dela. Quinn está morrendo.
Não há nada que ela possa fazer.
"Eu não entendo!" Rachel chora. "Eu não fiz nada!"
E então braços finos e fortes estão a puxando pra trás e Blaine está soltando e ela não entende mais nada. Ela se joga, desesperada pra alcançar Quinn, até que ela vê a camiseta azul de uniforme ao redor dela. Eles cortam pra abrir a camiseta dela e um dos paramédico enfia uma agulha grossa no peito nu de Quinn.
"Afastem-se!"
O corpo inconsciente de Quinn pula e treme incontrolavelmente.
Rachel não pode assistir mais. Ela se vira no aperto de Brittany, escondendo o rosto dela no ombro da amiga.
O relógio sobre a mesa da recepção ainda paira sobre a sala de espera. Agora está adiantado alguns poucos minutos, mas o ponteiro dos segundos continua a se mover pra frente em movimentos contínuos circulares e lentos.
Rachel fecha os olhos. Tudo que ela pode ver é Quinn pálida e sem vida, deitada no chão da sala de Puck. Ela abre os olhos, sem conseguir lembrar mais dessa cena, e se conforma em encarar o relógio.
Cada batida do coração dela a destrói. Ela segura as lágrimas, a histeria, mas por muito pouco.
Ela não entende. Ela não fez nada.
Mas o cinza está mais pronunciado do que nunca. Zomba dela. Desdenha dela.
Brittany está sentada ao lado dela, gentilmente brincando com o cabelo dela. Isso ajuda a mantê-la calma. Ela imagina se Brittany sabe que – sabe o quão perto ela está de quebrar. Porque Quinn... Ela treme e Brittany cantarola uma música relaxante, mão agora massageando a nuca dela. Santana anda por toda a área de espera, passando por todos que seguiram a ambulância ao hospital. Judy está sentada na frente dela, segurando a mão de um homem bem barbeado, alto com o cabelo grisalho. Ambos estão vestidos bem, já que também tinham estado em uma festa de Ano Novo.
Os segundos continuam a bater.
Os toques dos dedos de Brittany combinam com cada segundo que passa.
A área de espera afunda em cinza até que não haja mais nada.
"No mais profundo do seu coração, você deseja que Lucy Quinn Fabray viva."
"Sempre."
"Destino não é tão facilmente alterado. Equilíbrio deve ser mantido."
Rachel volta à consciência com um engasgar.
"Calma, princesa judia," Puck diz. Ele está ajoelhado na frente dela, suas feições duras se suavizando com preocupação. Brittany ainda está ao lado dela e Santana finalmente se acomodou no chão na frente dela, sentada entre as pernas da namorada.
"Eu voltei pra casa para limpar um pouco e pegar algumas coisas que as pessoas esqueceram. Aqui está seu telefone. E as coisas de Quinn," ele diz.
"Obrigada," Rachel diz, sua voz grossa e arranhada. Ela tira tudo das mãos dele.
"Quinn tem sorte em ter você," Puck diz.
Rachel está anestesiada. "Ela não estava respirando. Ela está morta."
"Ei," Puck diz, suavemente. "Blaine fez a coisa dele e os paramédicos chegaram a tempo."
"Nós não sabemos disso ainda," Rachel diz, sua voz quebrando. "Nós não sabemos de nada."
Ela não sabe de nada. Ela forçou demais, por muito tempo. Ela está jogando com algo que ela não pode compreender totalmente. Não importa as garras em seu coração pelo que sua vida no palco significa, por causa da vida de Quinn... A vida de Quinn. Isso é que importante no final. E ela tem sido casual demais, descuidada. É a vida de Quinn.
Por estar apaixonada por Quinn, ela foi imperdoavelmente egoísta. Algo feio, escuro e quente explode dentro dela. Ódio. Ódio de si mesma.
Brittany joga um braço ao redor dos ombros dela, fazendo um barulho calmante. "Quinn é forte. Não a subestime. E acima de tudo, não se culpe, Rachel."
Ela não tem palavras ou habilidade pra responder Brittany. Não com o ódio corroendo-a, consumindo-a e a comendo por dentro. Ela grita dentro da cabeça dela e anseia por deixar o som escapar para a sala de espera. Pra deixar todo mundo saber o quão desprezível ela é.
Ao invés disso, ela mexe no telefone dela. Ela tem inúmeras ligações perdidas pelo curso da noite. A maioria originada de Seth e Garrett, e ela não duvida que as mensagens de voz esperando na caixa de mensagem sejam deles também. Há uma outra ligação de um número discurso que ela poderia apostar que é Mason.
A última coisa que ela quer é encher o lugar com perguntas sobre Mason ou sobre a Broadway. É muito cedo, e ela sabe que eles não vão nem atender. Mas nada disso importa. Quinn está em algum lugar desse hospital. Morta. Viva. Lutando pela vida dela. Rachel está à mercê dos médicos descobrirem. Ela traz os joelhos ao peito, se enrolando em si mesma e silenciosamente soluçando.
Ela não tem nada além da culpa dela e vergonha. Desprezando tudo que ela é e escolheu ser.
