Capítulo Sete
Return To Diagon Alley
(Retorno ao Beco Diagonal)
— Acredito que todos se lembram de Remus Lupin. — Dumbledore disse, olhando para seus funcionários. Era o feriado de páscoa; não que isso fosse um empecilho para Remus, mas os funcionários de Hogwarts tinham estado ocupados até então.
— É claro. — McGonagall disse, agraciando seu antigo aluno com um sorriso, enquanto Flitwick acenava com entusiasmo. — É bom vê-lo novamente, Remus.
— Vocês também, professores. — Remus assentiu para ambos. Ofereceu um sorriso aos outros; Sprout, sua antiga professora de Herbologia; Hagrid, que o abraçara quando chegara; Emmeline Vance, que ensinava Defesa; e o professor Quirrell, o jovem professor de Estudo dos Muggles. O último deles, no entanto, não estava feliz em vê-lo.
— Lupin. — Snape disse suscintamente.
Seboso. O pensamento veio espontaneamente, antes mesmo que Remus se desse conta. Maldito seja, James. Você sempre disse que ia me corromper.
— Snape.
— Agora, acho que todos sabem por que estamos aqui. — Dumbledore disse, recostando-se em sua cadeira.
— Para conversar sobre o menino Potter. — Snape respondeu com um tom de desprezo. — Eu não vejo como isso me diz respeito, diretor. Sou pago para ensinar, não para correr atrás do melhor amigo mentalmente instável do James Potter... E qualquer crianças que ele pode, ou não, ter sequestrado... Por todo o país.
— Eu estou pedindo a sua ajuda, Severus. — Dumbledore retorquiu em um tom firme, mas agradável. Olhos pretos encontraram azuis e alguns minutos se passaram, antes de Snape desviar os olhos e suspirar, mas ele não insistiu. Remus ficou surpreso com isso, mas, também, eles não tinham mais quinze anos. Talvez Snape houvesse crescido tanto quanto ele. — Ainda mantém contato com Lucius Malfoy?
— Seria negligente não o fazer, depois de ele ter-me "honrado" com a custódia de seu filho no caso de sua morte.
— Ah, sim. — Dumbledore respondeu alegremente. — Draco? — Snape assentiu. — Ele estará em Hogwarts...?
— Depois do próximo ano. — Snape disse suscintamente. — Junto de seu irmão.
Depois do próximo ano... Remus pensou.
— Assim como Harry.
Os ocupantes da mesa se viraram para olhá-lo.
— Se o menino estiver vivo. — Snape disse parecendo infeliz.
— Estará. — Remus respondeu. Havia uma pequena chance de que Sirius mantivesse Harry vivo por causa da profecia, mas era o bastante para lhe dar esperanças e Remus prendia-se a isso com todas as forças.
Dumbledore pigarreou levemente.
— Quanto ao Lucius, Severus... Quero que se junte às buscas dele pelo menino.
— E quando terei tempo de fazê-lo, diretor? Posso lembrá-lo que eu tenho uma turma de NIEM de doze alunos esse ano? E as provas serão em dois meses...
— Estou ciente, Severus. — Dumbledore interrompeu, erguendo uma mão. — Mas talvez uma hora a cada domingo seja o bastante. — Snape resmungou e cruzou os braços. Dumbledore o olhou pensativo. — No mínimo, — disse por fim. — questione o progresso das buscas. — Snape o observou com uma expressão dura em seu rosto. — Lucius será mais honesto com você do que qualquer outra pessoa.
Snape pareceu murchar.
— Muito bem, diretor.
— Obrigado. — Dumbledore agradeceu com sinceridade. — Remus, peço que você entre em contato com Lucius Malfoy.
— Desculpe?
Os olhos de Dumbledore brilharam.
— Eu sei que você e Lucius tiveram um relacionamento tenso no passado — na opinião de Remus, isso era amenizar as coisas. -, mas, por mais que você tenha sido inestimável ao Ministério nos últimos dois meses, as buscas deles se limitam aos Aurores e membros do Esquadrão e, até onde sei, você queria ajudar a procurar.
— Bem, sim, mas...
— Posso sugerir que se voluntarie a procurar no mundo muggle? — Dumbledore continuou. — Assim, não precisará interagir tanto com Lucius.
— Mandarei uma coruja quando terminarmos aqui. — Remus disse em um tom decisivo.
— Excelente. Minerva, teve alguma sorte no número quatro?
— Eu os visitei três vezes desde fevereiro, como sabem. — ela respondeu, tensa. — Nenhum dos vizinhos viu alguma coisa. A maioria dos muggles ficou surpresa ao saber que eles tinham outra criança!
Dumbledore franziu o cenho.
— Parece que terei de visitar Petunia Dursley, afinal. — suspirou. — Imagino que ela não ficará muito feliz.
Snape torceu os lábios.
— É o que eu imagino, diretor.
Dumbledore o estudou, antes de sorrir um pouco.
— Ah, sim. Eu tinha me esquecido.
Remus trocou um olhar com McGonagall, que parecia tão confusa quanto ele se sentia.
— Há alguma nova teoria quando ao motivo de o menino ter sido levado? — Flitwick perguntou.
Dumbledore olhou para Remus.
— Se Sirius quisesse Harry morto, ele já estaria morto a essa altura. — disse a contragosto, mas ainda era verdade. — O fato de eles estarem escondidos me garante que Harry ainda vive. — e a profecia, é claro.
— Ele será um Comensal da Morte. — a professora Sprout comentou com tristeza. — Aquele pobre garotinho.
— Se Sirius quisesse criá-lo como um Comensal da Morte, ele não teria dito aos Dursley que estava levando Harry. — Remus lembrou. — Os dois teriam desaparecido. Não, ele o está protegendo para que possa entregá-lo a Voldemort.
Ao seu redor, todos tinham expressões misturadas de pena, preocupação e — no caso de Snape — repulsa.
— Isso é tudo muito bom, Lupin — o mestre de poções disse. —, mas quanto tempo demorará para Black se cansar e decidir matá-lo ele mesmo? — Flitwick estremeceu e caiu da cadeira. — Bem, Lupin?
— Como é que eu vou saber? — Remus perguntou pesadamente.
— Apenas assumi — Snape retorquiu delicadamente. —, dada sua história, que Black pudesse tê-lo procurado, querendo ajuda... Ou um cúmplice, até...
— Severus, honestamente! — a professora McGonagall exclamou, defendendo Remus. Hagrid se levantou parecendo bravo, antes de sentar-se quando Dumbledore balançou a cabeça. — Você não tem mais quinze anos!
— Estou ciente, obrigado, Minerva! — Snape respondeu enfurecido.
— Então tente agir de acordo com sua idade! — ela ralhou. — O diretor também era amigo de Black, mas não o vejo tentando implicá-lo! Ou a mim, para ser honesta! — um dos aparelhos prateados no canto da sala estava zunindo loucamente. — Você já pensou que, como sua professora, eu ensinei tudo o que ele sabe? Acha que estou escondendo Black e Potter em meu escritório enquanto conversamos?
— Não. — Snape respondeu com mau-humor. — Mas ele é...
— Um lobisomem? — Remus perguntou, cansado.
Snape o olhou com ódio.
— Eles são criaturas das trevas. Todos sabem disso. — Emmeline contorceu o rosto, mas Remus balançou a cabeça para ela.
— Oh? — os lábios da professora McGonagall estavam crispados perigosamente. — Achei que você, Severus, saberia melhor do que ninguém que é melhor não julgar as pessoas com base em seus passados. — Snape abriu a boca para protestar, mas não pareceu conseguir encontrar as palavras. Remus tinha que admitir que era muito engraçado ver um homem de trinta anos receber um sermão de sua colega mais velha. — Ou eu preciso lembrá-lo de seu passado nada exemplar? Ou que você tem um passado questionável por conta de suas decisões, enquanto o de Remus o é por circunstâncias fora de seu controle...
— Minerva, isso é o bastante. — Dumbledore interrompeu em voz baixa. A professora McGonagall se acalmou, o rosto vermelho.
— Está tudo bem, diretor. — Snape falou com o rosto inexpressivo. — Eu falei fora de hora. — Remus ergueu as sobrancelhas. Snape ofereceu um sorriso desagradável. — E me atrevo a dizer que Minerva só está tentando se vingar... Perder a Copa das Casas por cinco anos consecutivos deve estar pesando... — as narinas de McGonagall se dilataram e ela olhou para Snape com raiva. Dumbledore riu. — Afinal, grifinórios são famosos por seu orgulho...
— E os sonserinos por sua humildade. — Remus retorquiu secamente. O professor Quirrell riu nervosamente.
— De fato. — Snape respondeu, dando-lhe um olhar penetrante. — Terminamos, diretor? Se tenho que achar tempo para conversar com Lucius amanhã, preciso corrigir alguns trabalhos ainda hoje.
— Pode ir, Severus, desde que os outros não tenham nada a acrescentar. — Dumbledore olhou ao redor, mas todos balançaram a cabeça. Snape se levantou e saiu, as vestes negras esvoaçando atrás dele.
Ele ainda parece um morcego, Remus pensou com diversão.
— Ainda precisa de mim, professor? — perguntou.
— Não, Remus, pode ir. — Dumbledore gesticulou para a porta do escritório. — Boa sorte com aquela carta.
— Vou precisar. — Remus respondeu de mau-humor.
— Eu te acompanho. — Hagrid disse inesperadamente, levantando-se.
Os dois se despediram dos outros e foram embora; enquanto desciam as escadas, Remus perguntou:
— Está tudo bem, Hagrid?
Hagrid deu um tapinha desajeitado no ombro de Remus.
— Você parecia precisar de companhia.
Remus sorriu.
— Talvez. — admitiu. — Obrigado. — Remus acabou não indo direto para casa. Encontrou-se acomodado na cabana de Hagrid, com uma xícara de chá do tamanho de um vaso a sua frente. — Obrigado. — disse novamente.
Hagrid apenas balançou uma de suas mãos enormes.
— Não se preocupe. — disse.
Remus adicionou uma quantidade generosa de açúcar a seu chá e o misturou com uma colher do tamanho de uma colher de trolha.
— Então, como você está? Faz tempo desde minha última visita...
— Você estava ocupado. — Hagrid retorquiu sem se preocupar. — E bem, obrigado. Fazendo o de sempre, suponho. — Hagrid se levantou e tirou uma forma de bolos de pedra do forno, colocando-a em frente a Remus na mesa. Canino ergueu a cabeça, esperançoso, e foi descansar a cabeça no colo de Remus, olhando para o bolo a cada pouco. — Canino!
— Não tem problema. — Remus disse, acariciando atrás das orelhas do cachorro. Sentiu-se um pouco nostálgico, mas também satisfeito quando o cachorro soltou um resmungo feliz; um cachorro tinha lhe ensinado onde era melhor acariciar um cachorro... Impediu-se de continuar pensando nisso e tomou um gole de chá.
Houve uma batida na porta.
— Hagrid?
— Você se importa? — Hagrid perguntou, olhando para a porta.
— Não. — Remus respondeu.
— Pode pegar o bolo. — Hagrid ofereceu, levantando-se para abrir a porta.
Remus, que tinha anos de experiência com a comida de Hagrid, pegou um dos bolos e, enquanto Hagrid estava abrindo a fechadura, cortou-o com um Diffindo murmurado e o deu a Canino quando Hagrid não estava olhando.
— Como vocês estão, Charlie, Tonks?
— E aí, beleza, Hagrid. — disse uma garota de voz amigável.
— Bem, obrigado. — um garoto respondeu amigavelmente. — Está ocupado? Pensamos em passar para ver como você está.
— Que gentil! — Hagrid exclamou. Seu tom era um pouco triste. — Estou com Remus...
— Sinta-se livre para convidá-los, Hagrid. — Remus avisou. — Eu não me importo.
Hagrid se virou e sorriu para Remus — que retribuiu —, antes de dar um passo para trás para permitir que os dois alunos mais velhos — Remus diria que do sétimo ano — entrassem. A garota tropeçou no tapete de entrada e o garoto a segurou sem parecer pensar em fazer isso. Era claro que isso acontecia bastante. O sol de começo de abril brilhou atrás deles.
— Olá. — o garoto, um ruivo atarracado com as cores da Grifinória e a insígnia que indicava que era capitão do time de Quadribol, cumprimentou com um aceno alegre. Ele atravessou a cabana e ofereceu uma mão para Remus. — Charlie Weasley.
— Remus Lupin. Eu acho que conheço seus pais. — Remus respondeu com um sorriso. Ele não precisava mencionar que era só por ter conhecido Gideon e Fabian Prewett durante a guerra e, por extensão, a irmã deles, Molly.
Charlie indicou a garota Lufa — ela era magra com um rosto em forma de coração e o cabelo curto e amarelo — ao seu lado.
— Essa é Nymphadora Tonks. — completou com um sorriso maldoso.
A garota virou-se para ele, parecendo incomodada — seu cabelo assumiu um tom forte de vermelho como se para combinar com seu humor —, antes de revirar os olhos e voltar a olhar para Remus, parecendo curiosa.
— É apenas Tonks. — ela falou com irritação. Seu cabelo voltou ao tom de amarelo quando ela lhe ofereceu uma mão. — É um prazer conhecê-lo.
— Você também. — Remus respondeu. — Sabia que seu cabelo acabou de mudar de cor?
— Meu cabelo? — a garota perguntou. Seu cabelo começou a piscar; vermelho, azul, verde, púrpura, laranja, rosa, preto, branco e de volta ao amarelo, antes de o ciclo começar novamente. — Não sei o que quer dizer. — Remus sorriu e, um momento depois, ela retribuiu. — Eu sou uma Metamorfomaga. — explicou e, ao fazê-lo, seu cabelo cresceu e ficou encaracolado, antes de virar um rastafári e, então, voltar para o estilo curto e espetado que estivera antes.
— Impressionante. — Remus comentou, antes de franzir o cenho. — Disse Tonks?
— Sim, e se me chamar de Nymphadora, eu vou...
— É a filha de Ted e Andy? — perguntou, imaginando quantas Metamorfomagas da mesma idade com um primeiro nome bizarro e um sobrenome conhecido, existiam.
— Achei te conhecer de algum lugar! — ela exclamou com triunfo, abafando o comentário de "ah, bolinhos de pedra! Erm... Delícia..." de Charlie.
— Eu frequentei a escola com as... Irmãs de sua mãe. — comentou, não conseguindo se forçar a falar sobre Sirius.
— Entendo. — Nymphadora disse, parecendo curiosa. — Então, conheceu Sirius Black.
Remus fez uma careta.
— Conheci, sim. — de fato, ele, Sirius e James costumavam tomar conta dela. Ele não mencionou isso, mas não conseguiu evitar perguntar: — Ainda gosta de poções?
Ela cerrou os olhos.
— Como sabe?
Remus acabou contando que já cuidara dela e recontou uma visita particularmente agitada; ela estivera fazendo uma poção para eles — que na verdade era apenas água com açúcar —, e James tomara como obrigação enfeitiçar a todos eles para que sofressem os resultados que ela falara que aconteceriam. Remus acabara com a pele rosa e manchada e uma voz ridiculamente alta; Sirius, com o chifre de um unicórnio e cascos; James, com orelhas e rabo de gato. A garotinha achara tudo terrivelmente engraçado. Ela, então, convencera Sirius a se esconder e assumira a aparência dele. Ele e James tinham incentivado a brincadeira — apesar de terem notado imediatamente a troca, afinal, desde quando Sirius usava uma antiga camiseta de futebol de Ted? — até que ela voltasse a ser ela mesma.
Charlie estava chorando de rir quando Remus terminou e acabara derramando chá em sua roupa; ou ele não percebera ou não se importava. Nymphadora — Remus não conseguia se obrigar a pensar nela por seu sobrenome, achando que seria grosseiro — também estava rindo, seu cabelo em um tom agradável de laranja que era quase do mesmo tom do de Charlie; ela parecia se lembrar de várias partes da história — ela tinha por volta de oito anos na época e era velha o bastante para se lembrar. Hagrid pegara uma lata de bombons de caramelo e sorria para todos, enquanto os servia de mais chá. Canino tinha ido babar em Charlie.
Remus notou que, apesar de estar se divertindo, sentia-se solitário; por um lado, era bacana estar em um ambiente tão amigável, ouvindo as provocações amigáveis entre os dois alunos do sétimo ano; por outro, isso o fazia se lembrar de quando ele, James, Sirius, Peter e até mesmo Lily tinham aquela idade.
Remus sabia bem que alguns poucos anos podiam mudar tudo e viu-se imaginando se os dois alunos a sua frente seriam poupados da crueldade da vida, se teriam que viver com ela, como ele, ou se seriam mortos por ela — como James, Lily e Peter. Não se permitiu entreter a ideia de que um deles acabaria seguindo os passos de Sirius. Mas Sirius também era amigável aos dezessete anos...
-x-
— Só para você saber — Padfoot avisou, parando com a mão na maçaneta da loja de varinhas de Ollivander. —, esse cara é horripilante. E ele sabe... Bem, de tudo.
— Ele vai saber quem nós somos? — Harry quis saber.
— Ficaria surpreso se não soubesse. — Padfoot respondeu.
— Não é melhor você esperar aqui fora, então? — Harry perguntou, olhando para Padfoot com nervosismo.
— Nah. Além do mais, adquirir a primeira varinha é o mesmo que dar os primeiros passos ou falar sua primeira palavra. Eu tenho que estar lá, é meu trabalho. — Harry decidiu que eles iriam embora se houvesse alguma chance de o homem chamar os Aurores. — Entre, então.
Harry entrou na minúscula loja quase tropeçando; hoje, estava mais alto como parte de seu disfarce. A loja era empoeirada — Harry já estava acostumado à poeira —, com um balcão a poucos metros da porta. Atrás do balcão, havia várias prateleiras cobertas por milhares de caixas. Padfoot entrou na loja e fechou a porta atrás de si. Ele olhou com incerteza para a cadeira estreita no canto, antes de se sentar com cuidado. Sentou-se de modo que estivesse de frente para Harry e o balcão, mas que ainda pudesse olhar pela janela para se certificar de que ninguém estava vindo. Era a primeira vez que tinham se aventurado no mundo mágico desde aquela noite em fevereiro e os dois estavam um pouco ansiosos.
— Bom dia. — uma voz soou, fazendo Harry dar um pulo. Harry ouviu Sirius respirar fundo atrás de si e se remexer.
— Er... Olá. — Harry olhou para seu padrinho, pedindo ajuda.
Padfoot apenas sorriu e murmurou:
— Eu te avisei.
Harry se virou para o homem. Ele era velho, com olhos pálidos e nebulosos e cabelos brancos ralos. O senhor Ollivander ergueu a mão de Harry e examinou-a. Ele ainda não tinha piscado.
— Não sabia se teria a chance de vê-lo, senhor Potter. — ele comentou suavemente. Focou seus olhos prateados em Padfoot. — Há alguns rumores desagradáveis no momento.
— Ficamos sabendo. — Padfoot respondeu, fechando a cara.
— Você tem os olhos de sua mãe. — o senhor Ollivander comentou, voltando sua atenção a Harry. — Parece que foi ontem mesmo que ela veio comprar sua primeira varinha; vinte e seis centímetros, farfalhante e de salgueiro. Uma ótima varinha para feitiços. — soltou a mão de Harry. — Seu pai, por outro lado, tinha uma varinha de mogno. Pena de fênix. Flexível. Um pouco mais poderosa e ótima para transfiguração. Eu diria que ele gostava bastante dela...
O senhor Ollivander afastou a franja de Harry — que hoje estava loira — de sua cicatriz. Harry resistiu à vontade de afastar a mão dele e ajeitar seu cabelo.
— Sinto em dizer que vendi a varinha responsável... — falou. — Vinte e oito centímetros. Azevinho. Uma varinha muito poderosa e, nas mãos erradas... Se eu soubesse, então, o que acabaria fazendo... — suspirou e olhou para Padfoot. — Cipreste, não era? Trinta e oito centímetros.
— E fibra de coração de dragão. — Padfoot completou com cautela.
— Outra varinha poderosa, mas de um jeito diferente. E não é uma varinha cruel, pelo menos não no começo... — deu um olhar penetrante para Padfoot.
— Nunca foi uma varinha cruel. — Padfoot respondeu em voz baixa.
— Ainda a tem, então? — Padfoot hesitou e assentiu. — Posso vê-la? — o senhor Ollivander pediu.
— Se prometer devolvê-la inteira. — Padfoot impôs com severidade.
— Sim, sim. Pareço me lembrar de ser uma varinha muito leal. Duvido que conseguiria revendê-la se quisesse, e seria uma pena destruir algo tão adorável. — Padfoot olhou para Harry e passou a varinha ao velho, que a acariciou e levou-a a altura de seu ouvido. Ficaram em silêncio por um momento e Harry se permitiu questionar a sanidade do artesão de varinhas; então, o senhor Ollivander suspirou e devolveu a varinha a Padfoot. — Não, nunca foi uma varinha cruel. — ele comentou com um sorriso distante. — Bem, então, senhor Potter. Está aqui um pouco mais cedo do que o normal, mas considerando quem você é, não consigo me sentir surpreso... — tirou uma fita métrica do bolso de suas vestes. — Qual é o braço da varinha?
— Direito. — Harry respondeu; Padfoot permitira que ele usasse sua varinha para realizar alguns feitiços mais básicos, apesar de a varinha de Padfoot ser imprevisível. Às vezes, ela quase não respondia, mas noutras ocasiões, ela expandia significativamente o feitiço de Harry, como na noite que saíram da Rua dos Alfeneiros.
— Estique o braço... Sim... Fique aí.
— Espere. — Padfoot pediu. Ele acenou a varinha e Harry diminuiu vários centímetros, voltando ao seu tamanho normal.
O senhor Ollivander os olhou com curiosidade.
— Isso poderia ter dificultado as coisas. — disse por fim e sorriu. — Sempre foi uma boa varinha para feitiços não verbais. — Padfoot assentiu. O senhor Ollivander balançou a fita métrica e voltou a se aproximar de Harry. — Acredito que seu guardião tenha lhe dado uma base sobre varinhas?
— Sim, senhor. — Harry respondeu. — A varinha escolhe o bruxo, certo?
— Então você estava ouvindo. — o senhor Ollivander disse para Sirius. — Eu nunca tive certeza... Sim, senhor Potter, é basicamente isso. Cada varinha é única do mesmo jeito que os bruxos são únicos. — a fita métrica estava medindo o espaço entre as narinas de Harry, que ficou vesgo ao tentar observá-la. Uma risada mal disfarçada no canto da loja o fez olhar feio para Padfoot. — Usamos uma grande variedade de madeiras e núcleos de fibras de coração de dragão, pelos de unicórnio ou pena de fênix...
Ele continuou a falar, enquanto media Harry — não tinha ideia do porquê o espaço entre seus olhos era importante — e, então, o senhor Ollivander se afastou.
— Isso é o bastante. — a fita métrica caiu no chão e enrolou-se como uma cobra. Ele correu para trás do balcão e, por um momento, Harry temeu que ele fosse chamar o Ministério, mas ele voltou em alguns segundos com uma pilha de caixas. Harry relaxou. — Tente essa aqui, senhor Potter. — Harry aceitou uma varinha preta e fina. — Ébano e pelo de unicórnio. Trinta centímetros. Precisa. — Harry achou que parecia ser a varinha de uma garota, mas balançou-a ainda assim.
O tinteiro sobre o balcão explodiu, cobrindo Harry e o senhor Ollivander de tinta. Padfoot riu em seu canto.
— Acho que não gostou de mim. — Harry comentou.
— Essa varinha não gosta de ninguém. — o senhor Ollivander respondeu, limpando suas vestes com um lenço. Gesticulou para Harry deixar a varinha de lado. — Talvez essa aqui. — disse, oferecendo a Harry uma varinha um pouco curva. — Bordo e pena de fênix. Dezessete centímetros. Muito flexível. — dessa vez, Harry não tivera a chance de erguer a varinha antes de ela ser tirada de sua mão. — Pereira e fibra de coração de dragão. Vinte e dois centímetros. Flexível. — essa varinha queimou a mão de Harry quando ele tentou segurá-la. Murmurou um xingamento (nos dois meses em que morara com Padfoot, aprendera alguns xingamentos bons) e devolveu a varinha ao artesão de varinhas.
Padfoot parecia estar se divertindo ao observar Harry rejeitar e ser rejeitado por o que já devia ser quarenta varinhas. Experimentara todos os núcleos que o senhor Ollivander oferecera e, pelo menos, cada tipo de madeira; estava começando a sentir que o senhor Ollivander não conhecia mais nenhum sinônimo de "flexível". Harry também conseguira destruir metade da loja; colocara fogo no balcão, vaporizara uma das pernas da cadeira de Padfoot, fizera uma das prateleiras desmoronar e conseguira criar um buraco enorme no teto quando uma varinha soltara o que só podia ser descrito como um raio.
— Um freguês difícil. — o senhor Ollivander disse, ficando mais feliz a cada rejeição. — Não se preocupe, vamos encontrar a varinha perfeita para você... Talvez algo um pouco mais incomum... É, porque não... — sumiu e voltou um momento depois com uma caixa preta. — Azevinho e pena de fênix. Vinte e oito centímetros. Boa e maleável.
Harry segurou a varinha. No momento em que a tocou, calor subiu por seus dedos e por seu braço, mas era um calor agradável; e não como a sensação de queimadura da varinha de pereira. Também reconheceu a sensação; era o mesmo formigamento que sentira quando acabara no teto da cozinha da escola; que sentira antes da peruca da senhora Peterson ficar azul; e era a mesma sensação de quando trancara todas as portas da casa em sua primeira semana morando com Padfoot.
— Consigo sentir. — Harry comentou com incerteza.
— Experimente-a. — o senhor Ollivander murmurou quase completamente escondido atrás de uma pilha de caixas de varinhas sobre o balcão.
Harry obedeceu e várias fagulhas vermelhas e douradas saíram da ponta da varinha e mancharam o ar ao seu redor. Padfoot estava sorrindo largamente.
— Oh, bravo! — o senhor Ollivander exclamou. — Sim, de fato. Muito bom... E curioso. Sim, muito curioso.
— O que é curioso? — Harry perguntou, devolvendo a varinha com relutância para que o senhor Ollivander pudesse embrulhá-la.
— Eu me lembro de cada varinha que vendi, senhor Potter. De cada uma. Acontece que a fênix cuja pena está na sua varinha produziu mais uma pena, apenas mais uma. De fato, é muito curioso que você tenha sido destinado para esta varinha porque a irmã dela... Ora, a irmã dela foi a que lhe deu essa cicatriz. — Harry trocou um olhar com Padfoot, que parecia perturbado. — É curioso como essas coisas acontecem... Eu acho que é seguro assumir que podemos esperar grandes feitos de você, senhor Potter. Afinal, Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado realizou grandes feitos... Terríveis, sim, mas grandes.
Harry estremeceu. Padfoot estava certo; esse homem era horripilante.
— O que foi aquilo que senti quando peguei a varinha? — perguntou ao pagar.
— Sua magia. — o senhor Ollivander respondeu, parecendo satisfeito com essa pergunta. — As varinhas são meras intermediárias, afinal. Uma intermediária muito poderosa, é claro, mas ainda assim uma intermediária. Elas têm sua própria magia, mas não pode ser usada sem um bruxo. Por outro lado, o bruxo pode usar magia sem uma varinha.
O senhor Ollivander lhe entregou o pacote marrom que continha sua varinha e curvou-se à saída deles — apesar de apenas depois de Padfoot ter deixado Harry alto mais uma vez.
— Isso foi interessante. — Harry comentou.
— Sempre é. — Padfoot respondeu. — Desembrulhe sua varinha. A partir de agora, você a levará consigo para todos os lugares.
Harry obedeceu e guardou a varinha no bolso de seu jeans. Por um momento, pareceu que Padfoot ia falar algo engraçado, mas mudou de ideia.
— Para onde vamos agora?
— Comprar pó de flu. — Padfoot disse. — Costumava ter um vendedor perto da farmácia, mas acho que ele não fica mais ali... — caminharam por quase dez minutos antes de finalmente encontrarem uma banca perto da sorveteria. Padfoot mandou Harry ir comprar sorvete, enquanto comprava uma sacola de um pó brilhante e um formulário para pedidos via coruja. — Acho que, agora, uma coruja. — Padfoot comentou. — Aí poderemos comprar várias coisas via coruja e não precisaremos vir tanto.
— Eu vi um Empório das Corujas agora a pouco. — Harry comentou entre uma lambida e outra em seu sorvete.
— A Eeylops? — Padfoot perguntou.
Harry de ombros.
— Acho que sim.
— Se me lembro bem, fica perto da saída d'O Caldeirão Furado. — Padfoot guiou Harry pela rua até o Empório. Harry hesitou com o pé na porta; o lado de dentro estava escuro, iluminado apenas pelos lampiões espalhados pela loja e pela pequena quantidade de luz natural que entrava pela porta. Estavam cercados por vários olhos brilhantes e pelo som de penas e pios baixos.
— Olá. — disse uma bruxa que caminhava até eles. — Precisam de ajuda ou só estão olhando?
— Estamos procurando uma coruja. — Padfoot respondeu.
Harry bufou zombeteiramente e desviou, rindo, quando Padfoot tentou lhe dar um tapa na cabeça.
— Não me culpe, foi você quem disse!
Padfoot o olhou feio e deu um tapinha carinhoso no topo da cabeça de Harry.
— Eles não morreram, né? Estão aí dentro, me zombando.
— Quem morreu? — a bruxa perguntou com preocupação.
— Er... Minha última coruja. — Harry respondeu, apressando-se em colocar uma expressão triste em seu rosto. Padfoot engasgou.
— Oh, eu sinto muito, amor. — ela respondeu, apertando seu ombro. Ela olhou feio para Padfoot por ele ter rido. Harry assentiu, tentando parecer deprimido. — Eu sei que é difícil perder um animalzinho... Eles sempre terão um lugar especial em seu coração; eu sempre achei que, para diminuir a dor, o melhor a se fazer é encontrar outro animalzinho para te fazer companhia.
— É... Er... É o que eu estava pensando. — Harry disse. — E sempre gostei de corujas.
— Eu também. — a bruxa disse. — Eu sempre achei que elas são criaturas inteligentes; muito mais espertas do que gatos ou cachorros... Ou, Merlin me livre, sapos... E são muito mais práticas. Os muggles parecem achar que os cachorros conseguem entregar jornais, mas ainda tenho que ver. — Padfoot rosnou baixinho e a bruxa o olhou de um jeito estranho. — Quer um pouco de água, senhor?
— Não. — Padfoot respondeu. — Mas pode nos mostrar as corujas. Seria ótimo.
— Está procurando por algo em particular? — ela perguntou.
— Uma coruja. — Harry respondeu com um olhar travesso para seu padrinho.
— Ele vai para Hogwarts esse ano. — Padfoot mentiu, indicando Harry.
— Oh, não precisa dizer mais nada. — ela falou com alegria. — Imagino que mandará cartas e pacotes com muita frequência. — Harry sorriu e assentiu. — Precisará de uma coruja forte, então. — concluiu, batendo um dedo no queixo. — Uma das grandes... — estalou a língua, pensativa, antes de sorrir. — Temos algumas corujas Bufo-Real. — sugeriu. — Elas são muito populares entre os sangues-puros.
— Sim, eu sei. — Padfoot respondeu, suscintamente. — Prefiro algo diferente. — a bruxa pareceu curiosa com sua reação. Harry tentou pensar em uma desculpa, mas Padfoot foi mais rápido. — A última coruja dele era uma Bufo-Real. — murmurou para a bruxa, indicando Harry com a cabeça.
— Nesse caso, — ela se apressou a dizer. — temos ótimos Corujões. Elas são um pouco mais raras.
Padfoot balançou a cabeça.
— Elas me dão medo. — comentou. — É algo nos olhos... Parece que estão sempre franzindo o cenho. — pessoalmente, Harry não tinha nada contra Corujões, mas preferiu ficar quieto. Eles iam dividir a coruja, então os dois tinham que concordar em qual levariam.
— Vendemos nossa última Coruja das Torres na segunda-feira. — ela franziu o cenho. — E só receberemos o próximo carregamento na semana que vem. — seus olhos brilharam. — Mas sabe de uma coisa? Temos algo um pouco mais raro se te interessar.
— O quê? — Harry perguntou.
— Temos uma Coruja-das-Neves no momento. Ela ainda é nova, mas algumas pessoas preferem assim já que é mais fácil de treinar.
Padfoot e Harry trocaram um olhar.
— Podemos ver? — Padfoot pediu.
— É claro. — a bruxa os guiou pela loja, ocasionalmente tirando um dos pássaros livres do caminho, até que chegaram a um local um pouco mais iluminado. Havia várias corujas jovens ali (até mesmo algumas gaiolas tinham sido arrumadas em forma de ninhos para as mães corujas) e encontraram a coruja equilibrada altivamente em um poleiro no fundo.
Harry nunca teria notado que ela era uma Coruja-das-Neves; ao contrário das fotos que vira desse tipo de coruja — sempre brancas —, essa era cinza. Ela era coberta por uma camada irregular de penas cinzas, apesar de suas asas estarem cobertas por penas pretas e brancas. Ela fixou os olhos dourados neles, quase arrogantemente, e Harry quase riu da maneira que seu comportamento contrastava com sua aparência diferente.
— Ela certamente é diferente. — Padfoot comentou parecendo se sentir divertido.
— Ela ficará linda quando perder as penas de filhote. — a bruxa garantiu. A coruja bateu o bico como se concordasse.
— Ela já sabe voar? — Padfoot quis saber.
— É claro.
— Isso é tudo o que importa, então. — Padfoot concluiu, dando de ombros. Virou-se para Harry. — O que acha? — a coruja beliscou seu dedo e esfregou o bico em sua mão. Padfoot sorriu. — Quanto?
— Dez galões. — a bruxa respondeu.
— Por uma coruja?! — Padfoot perguntou, erguendo uma sobrancelha.
— É uma espécie rara. — ela retorquiu.
— Justo. — Padfoot falou, tirando as moedas do bolso.
A bruxa os ajudou a encontrar uma gaiola que ainda seria grande o bastante quando a coruja acabasse de crescer e explicou a Harry os cuidados básicos que ela precisava — porque Padfoot ficara entediado e estava cutucando uma coruja das torres com cara de irritada. Eles também compraram os petiscos de coruja que a mulher disse que ajudaria a treiná-la.
Saíram da loja e os três piscaram contra a luz do dia.
— Solte a coruja. — Padfoot pediu. Harry obedeceu e ela pulou para fora da gaiola, indo se equilibrar no ombro de Padfoot, que olhou ao redor, garantindo-se de que não havia mais ninguém por perto, e falou: — Fale o endereço da casa para ela e peça que nos encontre lá.
— Você não pode fazer isso?
— Não se você quiser que ela ache a casa.
Harry demorou um momento para entender o que ele quis dizer e, então, assentiu.
— Certo, er... Pode nos encontrar no número doze, Grimmauld Place? — Harry se sentiu tolo fazendo isso, mas a coruja piou uma vez e levantou voo, a asa batendo no nariz de Padfoot.
— Excelente. — Padfoot encolheu a gaiola e guardou-a no bolso. — Seria muito chato ficar carregando-a. — explicou e Harry assentiu. Voltaram a subir a rua. Harry achou que iam à livraria, mas parecia que seu conhecimento sobre Quadribol era mais importante na lista de prioridades de Padfoot; foi praticamente arrastado pela porta por seu padrinho.
O lado de dentro era maior do que Harry esperara. Era bem iluminado e tinha uma decoração colorida. Numa das paredes — a que incluía a vitrine da loja —, vassouras de diferentes tamanhos tinham sido presas ao revestimento de madeira avermelhada que cobria toda a loja. Noutra parede, estava à mostra os equipamentos — enormes bolas vermelhas que Padfoot chamou de Goles; as pretas, chamadas Balaços; e a minúscula bola dourada, o Pomo de Ouro; assim como os pesados bastões dos batedores; luvas, óculos, botas e todos os tipos de equipamentos de proteção que existiam.
As outras duas paredes eram dedicadas à Liga de Quadribol, com as enormes bandeiras dos times e pôsteres individuais e dos times. Nas prateleiras, estavam livros — ou sobre os times ou sobre algum jogador em particular — e vários produtos; havia coisas normais, como chapéus, cachecóis, broches de todos os tamanhos e formatos, bonequinhos e, também, havia vestes, bastões e bolas autografados.
Padfoot o arrastou até uma mesa que ficava perto do caixa, onde pequenos bonecos de plásticos voavam sobre um campo em miniatura.
— Vê esse aqui? O que está no meio? — Harry assentiu. — Ele é o apanhador... — Padfoot começou a explicar as regras do jogo. Era fácil de entender, Harry achou, e ficou ansioso para tentar jogar, apesar de não saber quando teria a chance.
— Desculpe, querido. — uma mulher de meia-idade disse, tropeçando numa caixa de graxa de vassoura.
— Tudo bem. — Harry murmurou distraído, ainda observando os bonequinhos.
— E você não sabe de onde Dora herdou isso. — um homem barrigudo lhe disse com carinho.
A mulher resmungou e, por um momento, ela estava intimidadora; ela era alta, com olhos cinzentos, cabelo castanho e maçãs do rosto altas. O homem — Harry decidiu que era o marido dela — deu uma piscadela. A expressão da mulher se suavizou quando ela sorriu.
— Ei, garoto, vem ver isso aqui! — Padfoot chamou. Ele estava parado ao lado de um mostruário de vassouras, apontando para um tubo cheio de bolas douradas.
— São Pomos? — Harry perguntou, erguendo a mão para pegar uma.
Padfoot segurou sua mão.
— Não toque se não for comprar. — avisou. — Elas têm memória corporal e a última coisa que as pessoas querem é um Pomo de Ouro que não os reconhece. — Harry colocou as mãos nos bolsos para não ficar tentado a tocar as bolas. Padfoot riu dele. — Você é mesmo parecido com a sua mãe.
— O que quer dizer?
— James já estaria implorando para comprar uma.
— Achei que você tinha dito que o pai era um artilheiro.
— Ele era, mas também jogava como apanhador; ele começou como apanhador, porque não tinha nenhuma vaga de artilheiro aberta quando começamos o segundo ano. Do terceiro ao sexto ano, ele jogou como artilheiro, mas no sétimo voltou a ser o apanhador.
— Por quê?
— Davey Gudgeon era um ano mais velho... Ele jogou como Batedor até seu terceiro ano, mas então sofreu um acidente com o Salgueiro Lutador e sua coordenação olho-mão não era mais boa o bastante para Batedor e ele passou a ser o Apanhador.
— Acidente com o Salgueiro? — Harry repetiu.
— É uma das árvores de Hogwarts. Teve uma brincadeira durante nosso segundo ano, para ver quem conseguia chegar mais perto... Os Grifinórios sempre se davam bem, mas Gudgeon quase perdeu um olho. Foi quando paramos com a brincadeira...
— Perdeu um olho?!
— A árvore bateu nele. — Padfoot disse com um encolher de ombros. — Uma confusão.
— Mas ser apanhador não é mais difícil do que ser Batedor? Quero dizer, o Pomo é menor.
— Sim, mas o Pomo não está tentando te acertar. Se você errar o Balaço e ele te acertar... — Harry se encolheu; mais cedo, tinha visto um dos bonequinhos ser atingido por uma bola preta do tamanho de um rolimã. O bonequinho perdera o braço (apesar de Padfoot ter garantido que isso era um exagero e que, no máximo, só fraturas aconteciam). — Enfim. Prongs passou a jogar como Apanhador quando Gudgeon terminou a escola porque não tinha mais ninguém para jogar. O único interessado era um aluno do primeiro ano, mas todo mundo sabe que primeiranistas não podem jogar.
Foram olhar as vassouras — Padfoot queria saber o quanto elas tinham melhorado nos últimos sete anos. A mulher que tinha tropeçado antes estava lá com seu marido.
— Eu ainda acho que deveríamos comprar uma coruja para ela. — ela disse, estudando uma vassoura lisa.
— Dromeda, estou te dizendo, ela vai querer a vassoura ao invés de um pássaro. Além do mais, ela já tem aquele maldito gato...
— Sim, Ted, mas no que uma vassoura vai ajudá-la? — a mulher perguntou, desviando de outro mostruário. — Corujas são práticas...
— Dromeda, ela estuda bastante. É o que ela precisa fazer se quer ser aceita no DELM. — a mulher assentiu. — Devíamos dar algo divertido a ela.
— É por isso que você é o favorito. — a mulher disse num tom acusatório.
— É claro. — o homem retorquiu. — Não foi ideia minha chamá-la de Nymphadora... — Padfoot ergueu a cabeça e seu rosto empalideceu. A mulher empurrou seu marido, rindo. — Com licença? — um vendedor apareceu. — Gostaríamos de encomendar uma Comet-26.
— Uma ótima escolha. — o homem respondeu com um sorriso. — Ela está fora de estoque no momento, infelizmente, mas receberemos uma remessa nova no dia dezesseis...
— Não tem problema. — a mulher retorquiu com um sorriso. — Desde que possamos colocar na cama de nossa filha no dia vinte e quatro...
Harry não ouviu o resto; Padfoot o pegou e arrastou-o para trás de uma prateleira cheia de bussolas para vassouras.
— Você os conhece? — Harry adivinhou.
— A mulher é minha prima. — Padfoot disse. Harry voltou a olhar para a mulher, cético. Não achava que ela se parecesse com Padfoot, exceto pelos olhos, mas, sendo justo, ele não se parecia com Dudley. Esperaram até ela ter dado as costas para eles antes de sair da loja e se misturarem com a multidão.
Continua.
