Capítulo 7- O quebra-cabeças de 4 peças

Mas não deu tempo, a porta do elevador se fechou com um leve estrondo e Jack teve de dar meia volta e ir pelas escadas, pois já estava em cima da hora. Dentro do elevador, Kate teve a leve impressão de ter ouvido alguém gritar para que segurasse o elevador. Tentou apertar o botão para impedir que as portas de aço maciço se fechassem, mas não deu tempo, o elevador já se dirigia para o quinto andar. Dando de ombros para o ocorrido, ela voltou a se concentrar em seus próprios pensamentos sobre o reencontro com a mãe. Não demorou muito e ela chegou ao seu destino, trocou algumas palavras com a recepcionista do quinto andar e foi encaminhada ao quarto de sua mãe sendo avisada que o médico dela, o Dr. Roger Miller viria logo para falar com ela. Mesmo extremamente tensa, Kate adentrou o quarto da mãe.

Jack subiu as escadas de dois em dois degraus e finalmente chegou ao quinto andar. Só não estava arfando porque estava em ótima forma física, ter retomado o hábito de fazer corridas de estádio vinha sendo muito útil. Ao vê-lo, a recepcionista do quinto andar sorriu charmosamente e o saudou:

- Bom dia, Dr. Shephard.

- Bom dia Daisy.- ele cumprimentou de volta já se dirigindo para a sala de cirurgia. Porém, antes que virasse a maçaneta da porta, Daisy interviu.

- Não Dr. Shephard, não usamos mais essa sala para intervenções cirúrgicas, o senhor deve se dirigir para a sala 19 no sexto andar. Aí nesta sala tem uma paciente do Dr. Miller, uma senhora com câncer terminal, a filha dela com quem não fala há anos acabou de entrar no quarto para visitá-la.

- Ok.- Jack a cortou. Não estava interessado em saber da vida pessoal de pacientes, especialmente os que não eram seus. Daisy tinha uma péssima mania de fazer fofocas. – Bom Daisy, eu estou indo pro sexto andar então. Tenha um bom dia.

Mas antes que ele pegasse o elevador, ela o chamou:

- Dr. Shephard, só mais uma coisa.

- O que foi?- indagou ele.

- O Dr. Carlson quer falar com o senhor assim que terminar a cirurgia.

- Certo.- respondeu Jack se afastando.

- E ele parecia muito zangado com o seu atraso.

- Ok Daisy, eu já entendi. Até mais.- resmungou Jack finalmente tomando o elevador.

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Kate estava parada feito uma estátua, fitando o semblante adormecido de sua mãe. Estava com medo de se aproximar porque temia que ela acordasse e desferisse verbalmente contra ela as maiores ofensas, como na última vez em que se viram há cinco anos.

Quando finalmente resolveu dar um passo à frente para observar sua mãe mais de perto, um médico alto, jovem e de feições atraentes entrou no quarto. Ele sorriu para Kate e estendeu-lhe a mão, dizendo:

- Bom dia, Sra. Ford. Eu sou o Dr. Roger Miller, médico de sua mãe.

- Oh, como vai?- respondeu Kate, educadamente apertando a mão dele de volta.

Notou que seu aperto de mão era suave, mas firme e por alguns segundos observou demoradamente os olhos castanho-escuros do médico que lhe sorriu mais uma vez, a boca carnuda e bem feita curvando-se para mostrar dentes muito brancos e bem cuidados. Por fim, ele soltou a mão dela.

- Senhorita, o caso de sua mãe...

- Pode me chamar de Kate, por favor.- ela pediu.

- Kate.- ele repetiu. – Podemos sentar, sim?- Miller indicou apontando duas cadeiras de espaldar branco de frente para a cama de Diane Jensen.

- Como eu dizia, o caso de sua mãe é bastante peculiar.

- Peculiar?

- Oh, sim. Mas antes que eu explique tudo sobre o câncer dela e as demais circunstâncias que o envolvem eu gostaria de lhe pedir desculpas.

- Desculpas pelo quê?

- Porque menti para você.

Kate ergueu uma sobrancelha.

- Dr. Miller, eu não estou entendendo.

- Roger, por favor. Fui eu quem ligou para você alegando ser da diretoria do St. Sebastian. Estou cuidando de Diane há cerca de três meses quando a empresa de seguros pessoais a deixou sob os cuidados desse hospital e desde o primeiro momento eu me empenhei ao máximo no caso dela. Mas mesmo com os meus esforços o câncer progredia cada dia mais e ao contrário do que aconteceu há alguns anos atrás a chance de remissão agora é mínima.

- Entendo.- disse Kate, tentando não parecer tão emotiva, embora seus lábios tremessem anunciando o choro iminente. – Mas porque você diz que mentiu para mim?

- Kate,o câncer de sua mãe é incurável porque ela não deseja mais viver, abandonou tudo. E eu notei isso desde que ela chegou aqui. No início quando ela estava lúcida, eu tentei conversar com ela para que me dissesse o que a afligia tanto, mas Diane era sempre muito evasiva. Curioso a esse respeito fiz algumas pesquisas sobre a família dela e outras questões e acabei descobrindo a história toda, me perdoe, mas sei sobre o que você fez a seu pai e o motivo pelo qual sua mãe a odeia tanto.

Nesse momento, Kate ficou em estado de alerta e deixou escapar uma lágrima, mas nada disse.

- Não se preocupe que não a chamei aqui para acusá-la de nada, eu apenas quero que entenda o que está acontecendo com sua mãe.- ele fez uma pausa, em seguida continuou. – Fazendo essas pesquisas, descobri também sobre o acidente de avião que você sofreu quando partiu de Sidney para Los Angeles e que mesmo depois que foi resgatada da ilha onde ficou por vários meses e foi absolvida de seu crime, sua mãe não a perdoou.

- Roger, onde quer chegar?- questionou Kate, na defensiva.

- Kate, não cabe a mim julgar os motivos pelo qual você foi capaz de cometer um crime, mas saiba que apesar da decisão terrível de desprezá-la que Diane tomou, ela sofreu muito com isso, e o fato de não ser capaz de perdoar e ficar ao lado da única filha é o que está a matando. Portanto, foi por isso que fui obrigado a mentir, Diane não me pediu para que a trouxessem para que ela pudesse te pedir perdão por tê-la desprezado. Na verdade, Diane está sem memória há algumas semanas, não se lembra de nada depois da morte do marido, ou seja, ela não sabe que você o matou.

Kate engoliu em seco, espantada com aquela revelação.

- A única coisa de que se lembra é de que você é a filha querida dela, de quem sente muita falta e como ela não irá viver por muito tempo pensei que você e ela poderiam passar os últimos dias juntas, como uma forma de ressarcirem o passado.

Kate levantou-se abruptamente da cadeira.

- Como ousa tomar decisões por nós duas? Você não sabe de nada do que eu passei todos esses anos sendo acusada pela minha própria mãe, sem ter ninguém no mundo que pudesse me ajudar!

- Eu entendo que esteja zangada, mas...

- Não, você não entende, você...- Kate gaguejou e não conseguiu dizer mais nada, estava em prantos, sem conseguir conter os soluços.

Inesperadamente, Roger Miller a abraçou, acalentando-a junto ao peito. Kate murmurou, aceitando o abraço do médico:

- Ela disse pra mim que...eu...estava morta pra ela...

- Eu sei.- ele respondeu. – Mas agora é a chance de vocês apagarem o passado.

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James cruzava e descruzava os braços, impaciente. Odiava salas de espera de hospital. Olhava para a tv onde passava um irritante desenho japonês cheio de efeitos especiais nauseantes. Torcendo o nariz procurou algo para ler e seu rosto iluminou-se quando viu sobre a cadeira ao lado um jornal, era de dois dias atrás, mas serviria para passar o tempo.

Serviu-se de uma porção de chá da garrafa térmica na mesinha ao seu lado e pegou o jornal, folheando-o displicentemente quando uma manchete na terceira página chamou sua atenção.

"Policial morre ao tentar salvar mulher de um carro em chamas".

Daniel Eric Lively, agente da polícia civil de Los Angeles morreu heroicamente ontem à noite por volta das oito ao tentar salvar de um carro em chamas uma mulher e sua filha de oito anos. A mulher, cujo nome não foi fornecido para a imprensa, chocou seu carro com o de Todd Jenkins,, conhecido arruaceiro e participante ativo de "pegas" na ponte principal da cidade, quando este fugia de uma perseguição policial após ter sido pego em flagrante participando de uma corrida ilegal. Daniel Lively, um dos policiais que o perseguiam testemunhou o acidente e socorreu imediatamente as vítimas. Todd Jenkins morreu na hora, mas a mulher e sua filha ainda estavam vivas quando Lively lançou-se sobre o carro em chamas e salvou primeiro a menina. No entanto, quando foi salvar a mãe o combustível do carro explodiu e matou os dois.(...) Daniel Lively era considerado um dos melhores policias civis de Los Angeles, excelente cidadão, marido e pai. Deixou a esposa, também policial, Ana-Lucia Cortez, e uma filha de cinco anos (...)"

James parou de ler, deixando o jornal de lado. Ana-Lucia Cortez, há quanto tempo não ouvia esse nome. Ela estava viúva e vivia em Los Angeles? Que coincidência, pensou que jamais fosse ouvir falar dela outra vez. Voltou a pegar o jornal, havia uma foto dela com o falecido marido e uma linda garotinha no colo, estampando a matéria. Fitou demoradamente a imagem, todos muito sorridentes, incluindo Ana. James jamais a viu sorrir assim durante todo o tempo em que estiveram na ilha, o semblante constante no rosto dela era o da amargura, sarcasmo e desespero. Se ela tivesse lhe sorrido desse jeito enquanto estavam na ilha ele teria ficado perdido. Inevitavelmente, lembranças antigas começaram a povoar-lhe a mente.

(Flashback)

O calor da mão em seu ombro despertou-lhe de súbito do sono profundo e num instinto, Sawyer colocou-se numa posição defensiva. Porém, seu corpo relaxou e o semblante anuviou-se ao reconhecer os olhos negros que o fitavam no escuro.

O jeito como ela o olhava causou-lhe um leve tremor no corpo, mas ele mostrou não se abalar ao usar de seu costumeiro sarcasmo quando se dirigiu a ela:

- O que foi? Minha campainha quebrou de novo?

Ela nada disse, apenas continuou fitando-o com uma intensidade no olhar que o estava deixando embaraçado.

- Deus, mulher!- ele resmungou. – Se veio à minha barraca no meio da noite deve ter uma boa explicação para isso. O quê? Você quer uma arma, Rambina? Pois eu te digo que só tenho uma e não está carregada e...

Ana-Lucia não deu chance para que ele continuasse a falar e forçou o corpo contra o dele, comprimindo-lhe os lábios num beijo desesperado, avassalador e selvagem. Sawyer arfou quando sentiu a língua dela tentando invadir-lhe a boca e segurou-a pelos pulsos, forçando a se afastar dele.

- Que diabos!- exclamou. – O que você quer?

- Você, caipira miserável! Eu quero você!- ela respondeu com um sussurro, sua voz rouca enviando uma descarga elétrica para o corpo inteiro de Sawyer.

Aquela resposta o deixou mudo e soltando os pulsos dela, ele não sabia o que dizer diante daquela revelação. Embora a situação parecesse absurda, seu corpo não concordava dado o estado em que seu membro de repente se encontrara, dando-lhe a sensação de que a calça estava mais apertada do que de costume.

Como ele não se mexia do lugar, parecendo estático, Ana-Lucia debruçou-se sobre ele e estendeu-lhe a língua, Sawyer sentiu um nó de ansiedade na boca do estômago e tocou a língua dela com a ponta da sua antes de unirem suas bocas num beijo ousado, carregado de erotismo. Sawyer começou a fazer movimentos de vai e vem com a língua dentro da boca de Ana-Lucia enquanto as mãos dela percorriam ávidas, os botões da camisa dele, soltando-os um a um, quase rasgando o tecido.

Ela soltou um gemido abafado quando ele apertou com as duas mãos a cintura dela e suspendeu sua blusa preta. A brisa fria que entrava pela fenda da lona da barraca arrepiou-lhe os pêlos finos do corpo e ela arqueou as costas sentindo-se acariciada pelo vento.

Sawyer a jogou com violência no chão e terminou de tirar-lhe a blusa. Os seios dela subiam e desciam devido à respiração acelerada, os mamilos amorenados e intumescidos como pedra, pedindo os lábios dele. Abaixou-se sobre ela e tomou um dos seios na boca, lambendo o mamilo antes de sugá-lo ao mesmo tempo em que suas mãos apalpavam a cintura dela num ritmo constante fazendo-a estremecer.

Ambos não diziam nada, como da primeira vez em que fizeram sexo, havia apenas a necessidade de tocarem-se e saciarem o desejo que os consumia. Sawyer parou de sugar os seios dela e fitou seus olhos escuros por alguns momentos. Viu que eles estavam cheios de lágrimas e seu coração deu um pulo dentro do peito.

- Ana?- sussurrou, subitamente preocupado com ela. – Você está bem?

Ela não respondeu, apenas agarrou-se ao corpo dele, roçando os bicos de seus seios em seu peito nu, emanando ainda mais calor para o corpo dele. Sawyer fechou os olhos àquele pequeno prazer e mordiscou-lhe o pescoço, faminto por ela. Beijou-lhe os lábios e desceu lambendo todo o seu corpo até o umbigo, dando várias mordidinhas na parte exposta de seu ventre devido ao cós da calça jeans muito baixo.

Ana sentiu a umidade fluir sem controle entre suas pernas e deixou que ele terminasse de despi-la. Sawyer desceu-lhe o zíper da calça jeans, retirando a peça de roupa junto com a calcinha preta que ela usava. Jogou as peças longe, e seus olhos correram pelo corpo dela.

- O cheiro do seu corpo me deixa louco!- disse ele voltando a beijar-lhe o ventre e descendo a carícia até a parte mais íntima de seu corpo.

Ana-Lucia gemeu e afastou instintivamente as pernas para que ele pudesse aprofundar mais as carícias. Sawyer deteve-se alguns momentos nela, acariciando-a com a língua e os dedos até que resolveu terminar de tirar a própria roupa. Nu, ele deitou-se sobre ela devagar e encaixou-se entre suas pernas, Ana-Lucia não se mexeu, deixando que ele comandasse a transa.

Com um movimento preciso, Sawyer ergueu os quadris dela, segurando-a pelo bumbum e penetrou-lhe bem devagar, deixando a extensão de seu membro se acomodar dentro dela antes de começar a se mexer. Observou as reações dela, diferente da outra vez, ela parecia querer muito aquilo e fechou os olhos quando ele a tomou.

Unindo suas mãos às dela, Sawyer começou a mexer-se dentro do corpo dela, indo e vindo, aumentando o ritmo aos poucos.

- Sawyer...- ela gemeu o nome dele e se aninhou em seu peito como uma menina desprotegida.

Naquele momento Sawyer sentiu-se inundado por uma intensa ternura e roçou os lábios pela face dela enquanto continuava a se movimentar. Aumentou o ritmo e começou a ir cada vez mais rápido, quebrando o silêncio do ambiente com o ruído frenético de seu corpo batendo com o dela. Ana-Lucia gemia no ouvido dele, bem baixinho, de vez em quando deixava escapar um gemido mais alto.

- Diz meu nome outra vez, Rambina!

- Sawyer...- ela gemeu.

- Outra vez!- ele ordenou agarrando-lhe os quadris como se pudesse parti-la ao meio.

- Sawyer!- Ana gemeu mais alto, agarrando as nádegas dele como se pudesse fazê-lo penetrá-la ainda mais fundo.

- Ana!- dessa vez foi ele quem gritou.

- James!

James arregalou os olhos ao timbre de voz familiar que nada tinha a ver com os gemidos roucos de Ana-Lucia em suas lembranças. Kate estava de pé diante dele com o semblante intrigado.

- Você está bem?

- È claro que estou.- ele respondeu largando o jornal sobre a cadeira do lado contrário à reportagem sobre a morte do marido de Ana-Lucia. Não sabia porque, mas preferia que Kate não soubesse que ela vivia em Los Angeles. – Por que pergunta?

- Porque cheguei aqui e você estava de olhos fechados segurando o jornal como se estivesse num transe.

- Estava apenas dando um cochilo.- ele respondeu embaraçado. – Você demorou muito. Como foi com sua mãe?

- Não nos falamos, ela estava dormindo. Mas eu tive uma longa conversa com o médico dela.

- E o que ele disse?

- Muitas coisas, mas agora não quero falar sobre isso. Por que não vamos dar uma volta? Fazer compras para o bebê, o que acha?

- Hum, eu tenho uma idéia melhor.- disse ele, mordendo discretamente a orelha dela.

Kate deu uma pequena risada.

- Nada disso, vamos dar uma volta no shopping e à noite quem sabe você consiga me convencer.

- Você sabe que vou conseguir!- ele respondeu provocador tomando a mão dela na sua.

Já estavam quase na porta de saída do hospital quando um homem alto e moreno todo vestido de branco passou dizendo a uma enfermeira.

- E o Shephard? Está na cirurgia?

- Está sim Dr. Carlson.

Shephard, aquele nome fez Kate estremecer ligeiramente, soltando a mão de James.

- O que foi?- indagou ele, vendo que de súbito seu rosto se tornou pálido.

- Eu...- Kate começou a dizer quando sentiu a vista turva, uma voz ecoando em sua mente, dizendo: - Retomei meu emprego no St. Sebastian. – St. Sebastian, St. Sebastian.- ela murmurava. – Jack! – foi a última palavra que disse antes de perder os sentidos.

Sawyer a amparou gritando para uma enfermeira:

- Por favor, me ajuda! Minha esposa não está passando bem!

Continua...