JAKE

Em momento algum Ada fez qualquer comentário sobre o que aconteceu com ela após aquela ida ao hospital. Apesar de todos os pesares, a espiã sempre teve uma postura confiante, de uma pessoa que nunca se abate não importa a adversidade. No hospital então, era possível perceber a preocupação dela, mas também que ela estava feliz, estava até brincalhona...

Contudo, desde o último encontro, Ada parecia outra pessoa. Sempre séria, reservada (não evasiva como sempre, mas absolutamente calada) sem iniciar qualquer conversa. Foi uma longa reunião no dia anterior, mais outra hoje de manha. Nas duas ocasiões, eles trocaram poucas palavras... ela não deu um único sorriso. Gostaria de ter o contato de Alexei, talvez o agente soubesse se algo aconteceu, mas não tinha.

Ao longe, ela estudava algum material de trabalho disponível em seu tablet, parecia alheia aos detalhes acertados pelo resto do grupo, vez ou outra, pousava a mão na barriga, brevemente. A gravidez não estava anunciada e provavelmente por isso ela se policiava toda vez que o fazia. O que seria aquilo? Tristeza? Jake achava tal situação o cúmulo da crueldade, nunca uma mulher naquela situação deveria precisar sentir algo assim.

" – Confirmado, então. Um agente deverá invadir o local ainda essa madrugada, roubar as fotos e o chip de memória." – Disse um dos agentes. Até o presente momento , Jake não chegou a conhecer ninguém que pudesse chamar de "superior". Nada parecia funcionar no esquema militar, onde havia uma hierarquia. Todos estudavam juntos e decidiam juntos quem entraria em campo, e que comandaria a operação. Se hoje ele é o capitão da missão, não significa que o será amanhã.

Quase que prontamente Ada se levantou. " – Eu faço isso." – disse ela.

" – Uma aeronave está a postos. Precisa de quantos homens?"

" – Vou sozinha."

" – Certo, estaremos a sua espera na aeronave e no acampamento."

Quando todos saíram, ela puxou sua Grapple Gun e a colocou na cintura, começando a preparar seu material logo após. Jake aproveitou para se aproximar.

" – Ada, tem certeza que é uma boa ideia? Você sabe... ir sozinha. Eu posso ir com você."

" – Senhor Muller, eu estou nisso desde o tempo em que você ainda brincava de massinha com a sua própria caca. Não venha querer me dizer como eu devo fazer o meu trabalho." - Recarregou a submetralhadora e saiu sem lhe dirigir um olhar.

Jake ficou uns minutos pensando no que houve ali. Era esperado que os hormônios começassem a virar a cabeça daquela mulher, mas aquilo já era demais. Ela estava uma explosão de mau humor.

Ele sabia que sua função era esperar no acampamento junto com a equipe responsável por coordenar a missão de longe, sabia que ela pediu para ir sozinha e que de fato ela estava certa ao dizer que era muito mais experiente, provavelmente ela sabia o que estava fazendo. Aliás, ela inclusive já foi, já sumiu e nem lhe deu qualquer chance de contra-argumentar. Porém Jake ainda sentia-se estranho por simplesmente deixa-la ir.

" – Foda-se. Eu vou atrás dela."

LEON

Não teve nem ao menos coragem de aparecer no trabalho no dia seguinte. Disse estar doente. E na verdade estava... Olhou uma ultima vez no espelho o rosto inchado graças ao murro de Helena.

"Eu mereci."

Helena não tinha nada a ver com seus problemas, ele não tinha o direito de ter feito o que fez. Ela era sua amiga, eram parceiros, aquilo não foi certo. Amaldiçoou-se sobre mais uma vez em que errou, graças a Ada. Todas as vezes que traiu, mentiu, omitiu... todas as vezes que saiu da linha por causa dela.

O que ela faria com o filho? Entregaria a criança como um produto? O venderia? Uma coisa era fato, ninguém que escolhe ter um filho daquele sangue o faz ao acaso, não, quando se é Ada Wong e sabe muito bem o que aquele DNA significa.

"Se bem que... se ela quisesse apenas coletar material, não precisava ter levado a gravidez a diante... células-tronco embrionárias do filho de Wesker teriam muito mais valor..." – Leon levantou tal raciocínio, mesmo não sendo nenhum expert em genética, isso lhe parecia obvio.

Teria ela então engravidado sem querer? Ela e Jake teriam ido longe de mais e agora ela estava grávida? Isso faria muito mais sentido. Um, porque era sem sentido Jake ser tão burro a ponto de cair numa armadilha dessas... e se ele estava lá ao lado dela, preocupado e dando apoio, é porque ele também queria o filho e não deixaria que fizessem da criança um ratinho de testes. Duas, porque por mais raiva que estivesse sentindo, agora com a cabeça um pouco mais fria, não conseguia admitir para si mesmo, não conseguia acreditar que Ada pudesse ser tão animalesca assim, de oferecer o próprio corpo como receptáculo para um material de venda, que afinal, era filho dela também.

Leon sentiu um aperto no coração. Então não era um trabalho, uma mercadoria... Ela simplesmente o traiu. Traiu o seu amor, o traiu como homem. Ela e Jake ficaram sozinhos, se conheceram melhor e aconteceu... Ada era uma mulher linda e eles nunca conversaram sobre exclusividade antes, nem mesmo durante esses últimos dois anos em que eles se viam frequentemente. Para Leon isso não precisava ser conversado, isso era apenas para ela, pelo visto, não. Ela e o filho do Wesker tiveram um caso, e agora teriam um filho.

Eles deviam estar enrolados, preocupados... buscando uma maneira de agir com a nova situação, e por isso ela o chamou para conversar, provavelmente para dar a noticia de que simplesmente acabou. Justo agora que ele tomou coragem e uma decisão... ela lhe diria que apareceu outro homem e com ele, graças a esse "pequeno acidente", ela tentaria, aquilo que ambos nunca tentou com Leon em dezessete anos.

Honestamente, eram muitas teorias e de todas elas, Leon não sabia qual era a que lhe magoava mais. Ada ser um monstro da pior categoria, e que tudo o que viveram foi uma mentira... ou o fato dela talvez, quem sabe, ter realmente sentido afeto por ele, mas com a chegada de Jake, tudo mudou.

Jake Muller lembrava muito o pai fisicamente, e Leon sempre sentiu ciúmes do Wesker...

"Talvez ela caiu nas graças do menino, porquê na verdade ainda quer o pai dele."

Por isso ela não o procurou imediatamente após Raccon City, por isso demorou seis anos para se encontrarem novamente... E quando isso finalmente aconteceu, Leon já sabia muito bem para quem ela estava trabalhando, e com quem, ela esteve esse tempo todo...

"Wesker!"

Leon não o conheceu, mas só o fato de saber que Ada estava lá, com ele, já fez com que o odiasse.

"Que se foda os dois. Que se explodam com essa criança e que se virem para fugir feito bichos quando começarem a caça-los por causa dela. Não é problema meu. Eu já perdi dezessete anos da minha vida pensando em você, Ada."

Alguém bateu a porta. Leon abriu, era Helena.

" – Que pena. Sua cara ainda tá inteira." – Disse ela. " – Escuta, por gratidão a tudo o que você já fez por mim e pelo amigo que você sempre foi, eu vou te dar uma chance, Agente Kennedy. Você vai me explicar que merda está acontecendo, ou eu vou ter que descobrir sozinha?"

Não discutiu, apenas deixou que ela entrasse.

Depois de longos segundos, o loiro finalmente teve coragem que olhar a jovem nos olhos. Ela era uma jovem então com 26 anos de idade, 12 anos mais nova que Leon, porém parecia sempre enxergar além dele...

" – Uma vez... você me disse: O que está esperando? Vá atrás dela."

" – Ada?"

Leon sentiu o ar falhar, sua voz saiu mais fraca do que ele esperava.

" – Eu fui... E ela está grávida, e o filho não é meu." – Leon pôde notar a expressão de decepção em Helena, nesses dezessete anos, ele nunca teve uma única pessoa que um dia visse, soubesse ou entendesse o que passava no coração dele, nunca teve alguém com quem ele dividisse esse segredo, só ela... e justamente essa jovem foi a sua maior incentivadora. Helena era emotiva, e ele acabou de destruir todas as teorias que ela algum dia teve sobre questões do coração. " – Eu só fiz aquilo porque ela estaria vendo. Eu estava fora de mim, me perdoe."

" – Espera... eu... eu não entendo. Grávida de outro homem? Como assim?"

" – Eu preciso mesmo te contar como essas coisas acontecem?" – Estava impaciente outra vez.

" – Você tem certeza? Conversou com ela?"

" – Sim. Eu tenho."

" – Mas isso não faz o menor sentido! Quem é esse outro cara? De onde ele apareceu?"

Leon ainda a odiava. Sua decepção e humilhação não diminuíram em nada. Mas no fundo, algo lhe dizia que seria errado tal informação sair de sua boca. Ada, Jake e essa criança não eram sua responsabilidade, mas caso essa informação vazasse e uma tragédia um dia acontecesse, gostaria de botar a cabeça no travesseiro e saber que ele, Leon Scott Kennedy, não teve qualquer participação nisso.

" – Não sei, pergunta pra ela."

Então veio a pior parte. A parte em que Helena deixou que os ombros caíssem e ficasse ali parada, com aquela expressão de pena.

" – Helena... porque não comigo? Só eu estava tão enganado? Só eu me iludi em esperar tanto? Por quê ele, e não eu?"

ADA

Entrar na residência do Vice-Primeiro-Ministro do Turcomenistão foi fácil apesar de tudo. Como já era sabido, a vigilância era pesada, muito mais do que a de um chefe de estado qualquer. Claro, levando em consideração o que ele escondia em casa e no que ele estava metido, todo esse esquema de segurança era mais do que justificável.

Invadir o escritório dele e arrombar o cofre também pareceu serviço de criança, tudo o que Ada precisava fazer agora, era ir embora, desaparecendo nas sombras, como sempre o fez.

Do alto do telhado ela avistou a disposição dos seguranças armados e as árvores que rodeavam a construção que mais parecia um palacete. Construir aquele jardim não foi algo barato obviamente, haviam árvores de quase todos os cantos do mundo, e uma infraestrutura de alta tecnologia para dar a elas o ambiente correto para ficarem vivas. Ada só teve noticia de um jardim tão caro e ostentador, quando um príncipe árabe deu um jardim como esse de presente de casamento a uma de suas esposas, mais de um bilhão de dólares investidos num enorme jardim que cercava todo o castelo e sobrevivia em pela região desértica e claro, dez vezes maior que este.

As palmeiras eram exuberantemente altas, se ficasse sempre no topo, fugiria com chance zero de ser vista. Tudo o que precisava fazer era saltar até a varanda do andar inferior e dalí, usar sua grapple gun para se alavancar até a palmeira mais próxima. Em circunstâncias normais, apenas saltaria. Mas no estado em que estava, teve receio. Prudência materna? Talvez... O fato é que acabou decidindo por fincar seu gancho no telhado e então usar a corda de aço para deslizar suavemente até a varanda ao invés de pular de uma altura de quase dois metros. E assim foi feito.

Com o gancho fixo a extremidade superior do telhado, Ada começou a descer, devagar até a varanda usando a parede como apoio, era noite e ela conseguiu ser bastante silenciosa... o silêncio suficiente para que ela escutasse um trincado incomum vindo de seu lança gancho, um ruído metálico, em no primeiro instante, ela pensou que a corda emperrou, no instante seguinte, o frio na espinha e o solavanco se ser abandonada de costas em câmera lenta rumo a queda lhe provou que estava errada. A corda não emperrou... ela descarrilou e soltou!

Não seria uma queda alta, pouco mais de um metro, mesmo assim se assustou, se preparando para onde iria cair, poderia ser numa superfície plana, poderia ser contra um vaso, uma cadeira, uma mesa de vidro ou até mesmo cair para fora do parapeito e ganhar de bônus mais quatro ou cinco metros de queda livre. Era impressionante como durante o medo, tantas hipóteses passam tão rápido em uma mente, no caso de Ada, ainda poderia formular mais algumas, porém foi interrompida pela queda surpreendentemente amortecida. Não era um colchão, não era uma superfície, ela caiu exatamente nos braços de alguém.

" – Jake!"

" – Cheguei bem na hora, heim." – Ele respondeu.

" – O que você está fazendo aqui?" – Perguntou, ainda um pouco surpresa, pela queda e pelo rapaz estar ali.

" – Fazendo uma piscininha de caca pra você cair."

Abriu a boca para responder algo a altura, afinal, ela disse que faria o serviço sozinha, porquê Jake estava ali? Ele a seguiu, a desobedeceu, ou alguém o enviou ali? Nenhuma das opções a agradavam. Ela estava bem assim, sempre foi sozinha... literalmente, e agora mais do que nunca, queria continuar assim. Contudo, a situação em que se via a fez fechar a boca antes de dizer qualquer coisa. Jake a segurava nos braços, ele enorme e ela encaixada neles como se fosse uma mocinha, leve e pequena como uma pluma. Para piorar a situação, no susto, ela ainda acabou os braços ao redor do pescoço dele. Tudo bem que ele era grande, mas como era possível para ele a segurar em queda como se ela fosse feita de pano? Jake também permaneceu calado, no escuro da noite, aqueles olhos azuis apertados, quase sempre ferozes, hoje não estavam, mais ainda assim tinham o brilho característico do dono.

" – Pode me por no chão?" – Ada pediu, achando estranho ele demorar tanto a fazê-lo, ele pareceu acordar de um transe, estava realmente distraído, colocando-a no chão logo em seguida. A parte mais incomoda era não ter certeza se conseguiria sair dali caso ele resolvesse não soltá-la. Jake era de fato muito forte.

" – Mas que diabos..." – Começou a resmungar qualquer coisa sobre o maquinário que tinha em mãos, e que, pela primeira vez na vida lhe falhou quando escutou mais um barulho, o de uma porta se abrindo. Não viu exatamente como tudo aconteceu, foi mais rápido do que da ultima vez – quando ele lhe deslocou um braço, e lhe quebrou 4 costelas quando a atirou contra o chão – muito embora, dessa vez, bem mais suave. Foi arrastada por ele até o parapeito lateral, onde quase não havia luz, saltando junto com ele. Pensou que talvez fossem cair, muito embora quedas não a assustassem, porém nunca o tinha feito sem a sua inseparável Grapple Gun. Mas não, quando tomou pé da situação novamente, não tinha os pés apoiados em lugar algum, estava solta no ar, com Jake a segurando firme contra o próprio corpo com um braço, enquanto ele se equilibrava em um único tijolo e se segurando a grade da janela mais próxima com a mão livre.

Um dois seguranças circulavam pela varanda. Ada estava com Jake, escondidos num canto de sombra, num único tijolo para fora da varanda. Um deles ascendeu um cigarro. A espiã e o ex-mercenário faziam tanto silêncio e permaneceram tão completamente imóveis e tão unidos um ao outro para ocupar o mínimo de espaço, que era possível escutar as batidas do coração de Jake... e ele estava tranquilo, visivelmente concentrado em permanecer ali, invisível. Não tinham ordens para deixar cadáveres para trás, portanto, não poderiam ser vistos.

Quando os homens do Vice-Primeiro-Ministro deixaram o local, Ada aproveitou o impulso de Jake para saltar de volta à varanda, e o ruivo a seguiu logo após.

" – Vamos embora daqui, depois a gente conserta o seu brinquedinho." - Disse ele. A Ada, só restou concordar.

JAKE

Acordou mais cedo do que o necessário, as 4:15 da madrugada, quando o combinado era estar de pé as 5:00. A verdade, foi que mal conseguiu dormir. Há dois dias deixou o Turcomenistão, sem dizer uma palavra a ninguém no acampamento sobre ter entrado em capo e auxiliado Ada. E ontem, a espião não lhe mandou recado, não lhe enviou uma mensagem... ela telefonou. Um telefonema onde ela marcava um encontro para o dia de hoje, e logo de cara ela avisou que não era trabalho... que era um assunto importante, mas pessoal.

"Você poderia ir, Jake? É importante..." – Ada tinha a voz suave e resignada como ele nunca escutou sair da boca dela antes. Aquilo o deixou inquieto.

Desde a ultima noite, só pensava no que poderia ter acontecido caso ele não tivesse sido teimoso e não tivesse ido atrás dela por conta própria. Pensava também em como ela caiu leve e bem encaixada em seus braços, naquele momento ele sentiu como se carregasse algo frágil contra o peito. Será que ela fazia alguma ideia do quanto ela parecia fraca e delicada? Talvez os anos nesse trabalho simplesmente a fazem se enxergar maior e mais forte do que ela aparenta. Ou talvez pense algo como, "sou sexy demais para delicadezas...", mas o fato é que para ele, ela era sim, muito delicada.

Marcaram na hora do almoço, no vilarejo de Wao-Chi, cruzando a fronteira com a China. Era uma estrada livre e em direção a lugar nenhum... nenhum ponto turístico, nenhum grande centro... limpa. Decidiu fazer o percurso de moto. Jake adora isso, pilotar como se fosse sem rumo, perdido no mundo.

Chegando em Wao-Chi, avistou a pensão onde Ada marcou. Ele sabia, não precisava se apresentar na recepção, era só subir as escadas e seguir diretamente para o quarto. Lá chegando a porta estava aberta.

" – Escutei sua moto..." – Ela disse.

Então Jake a viu sorrir outra vez. Como sempre, buscou pela pequena barriguinha estufada, sem achar, graças vestido solto. Ele era acima dos joelhos, verde claro de tecido leve, o detalhe das alças finas so o deixavam ainda mais delicado, e ela simplesmente aparentando ser uma menina. Avistou a bendita Grapple Gun, brilhante e lustrada em cima da mesa, ao lado de uma maleta prateada e uma Crossbow.

" – Consegui consertar?"

" – Sim. É inacreditável... ela nunca tinha quebrado antes. E olha que eu usei por muitos anos." – parou por um instante. " – Nem foi preciso muitos reparos, é um material de muito boa qualidade. E não é pra menos, foi presente do seu pai."

" – Serio?" – Ele se aproximou da mesa e tomou a Grapple Gun nas mãos, avaliando-a cuidadosamente.

" – E inclusive já te ajudou muito uma vez."

" – Me ajudou?"

" – Você lembra da sua ultima vez na China? Você e a pequena Sherry fugindo de uma motosserra, então a balsa de afastou e a coitadinha ficou ali, indefesa, sem que você pudesse chegar para ajudar?"

Jake parou um instante. " – Ei... foi você?" – Ele se lembrava, de uma coisa, ou alguém.. uma sombra, vindo pelos ares, tomando Sherry nos braços e a entregando de volta, sã e salva. Depois sumindo sem deixar pistas. " – Foi você o tempo inteiro."

" – Sim, e você já pagou a divida uma porção de vezes nessas ultimas semanas, devo dizer." Ambos sentaram à mesa redonda, onde ao invés de almoço, só havia a crossbow, a grapple gum e a maleta.

" – Ada, como você está? E o bebê?" – Não resistiu, apenas perguntou, genuinamente preocupado.

" – Estamos bem, obrigada." – Ela respondeu ligeiramente divertida. " – Estamos de férias. Ou... um tipo estranho de licença-maternidade espiã..."

" – Deixaram você parar?"

" – Hn... mais ou menos. Por isso te pedi para vir."

Jake tinha atenção triplicada agora, ele sabia que nunca receberia um telefonema como aquele, com um pedido de ajuda, se não fosse realmente necessário.

" – Jake... Você deve saber que eu não posso simplesmente parar, nesse trabalho... a gente nunca dorme, nós nunca estamos em paz. Somado a isso, eu sou obrigada a reconhecer que durante os próximos meses, eu estou progressivamente vulnerável. Todos os cuidados estão sendo tomados, mas caso falhe... eu não sou mais... eu."

Sabia onde ela queria chegar, ele mesmo não parou de pensar nisso. " – Eu sei disso, você pode contar comi..."

" – Psss. Espera, Senhor Muller." – Ela disse puxando a maleta prateada e revelando o seu conteúdo. Jake ficou atônito. " – Eu sei que ultimamente você tem se mostrado gentil e prestativo, mas uma mulher na minha situação não pode correr nenhum risco. Não tome isso como ofensa, eu não duvido das suas boas intenções, mas eu sinceramente prefiro te dar mais um motivo para não me virar as costas, até o fim, quando eu poder voltar a tomar conta de mim mesma."

" – Puta merda. Quanto tem aí?"

" – Vinte e cinco milhões. Os outros vinte e cinco eu entrego depois que o bebê nascer. Eu preciso de um... guarda costas."

Jake não gostou daquilo. Eram cinquenta milhores, exatamente o valor que ele pediu há dois anos em troca de uma amostra de sangue. Quando ele era um sujeito egoísta, recalcado, desiludido, disposto a se importar com a pessoas o mesmo tanto que elas se importaram com ele, ou seja, nada. O Jake de dois anos atrás acharia ridículo os sentimentos do Jake atual... absolutamente ofendido.

" – Por que esse dinheiro todo? Tem tanto medo que eu te deixe na mão assim? Quer ter certeza que me comprou? Minha palavra não vale?"

" – Não é nada disso, Jake. Se você não quiser o dinheiro, queime-o, doe-o. O motivo de eu fazer tanta questão em pagá-lo, e num valor tão alto, é porque eu posso fazê-lo. Foram muitos anos ganhando muito e sem ter nem ao menos onde gastar. E porquê o valor tem que ser proporcional a importância do trabalho. Nesse momento nada é mais importante do que a segurança do meu filho, eu daria tudo o que eu tenho se você pedisse, no entanto, não estou dando nem a metade. Mais do que fazer disso um acordo profissional e não apenas de boa vontade, a intenção é deixar bem claro pra você o quanto isso é importante pra mim e o quanto isso é sério. E se você achar que eu não acredito nas suas boas intenções, apenas pense, que eu posso contratar qualquer um no mundo, mas escolhi você... e o motivo foi pessoal, justamente porque eu confio em você, e em mais ninguém... nem mesmo no Alexei."

Jake não sabia o que dizer. Era muito dinheiro, sim, mas isso ainda era o de menos. Ada Wong estava depositando todas as fichas dela nele. Estaria ela tão desesperada assim? O fato é que, nunca, ninguém confiou tanto assim nele. Ele ainda era filho do Wesker, ele ainda tinha sangue ruim nas veias, ele ainda era aquele sujeito que já fez coisas tão horríveis que quando se lembra, sente calafrios. E diante dele, mais do que uma espiã como Ada Wong, tinha uma mãe confiando a ele a vida dela e do filho.

" – Nos próximos meses a minha barriga só vai crescer e eu só vou estar cada dia mais vulnerável. Eu preciso que você trabalhe, exclusivamente para mim, até o meu filho nascer, que você seja meus braços e pernas quando eu não puder mais lutar. Você pode me ajudar, Jake? Por Favor."

Continua...

Então pessoas, mais um capítulo. Gostaria de aviar que depois do ano novo eu vou tirar uns dias "de férias"... vou estar bem ocupada e não garanto que terei novos capítulos até o dia 26 de janeiro. Posso ver o que faço com as madrugadas... talvez seja possível, mas provavelmente darei uma boa sumida. Eu fiz um tumblr, onde eu pretendo ir atualizando minhas ideias sobre as fanfics,minhas leituras, jogos, divagar minhas teorias sobre resident evil e talvez outras fics de outros fandom's que eu venha a fazer... eu não sei se aparece o link por aqui se eu postar, mas então procurem the-walker-girl-targaryen-blog . tumblr . com acho que funciona se escrever assim...XD