Desculpas - Rose POV
Faz neste preciso momento uma semana desde a última vez que Scorpius e eu falámos. Não por falta de tentativas dele, claro. Eu vejo o seu olhar à procura do meu em todas as aulas que temos juntos, ou mesmo durante os almoços e os jantares. Vejo-o a correr atrás de mim nos corredores e a chamar o meu nome, mas eu não paro nem olho para trás. Nunca. Tranco-me num armário de vassouras e espero que ele passe e quando vejo que o caminho está livre destranco a porta e sigo o caminho contrário ao dele. Ultimamente tenho ido sempre almoçar ou jantar mais cedo ou então mais tarde, evitando ao máximo partilhar o mesmo espaço com ele.
Mas à noite, quando as luzes se apagam e ninguém me pode ver, as lágrimas vêem-me aos olhos, eu eu tiro a máscara de eu não quero saber que uso todos os dias. Não sei bem ainda porque é que choro. Talvez pelas saudades de um dos meus melhores amigos, talvez por causa das palavras que eu nunca pensei saírem da boca dele, talvez pelo medo que elas sejam verdade.
- Rose! Rose, espera! - oiço alguém chamar e sei instintivamente quem é antes sequer do meu cérebro processar a informação.
Começo a correr com os livros apertados contra o peito, virando à esquerda na primeira esquina, enquanto oiço Scorpius aproximar-se mais e mais, a correr e a chamar por mim. Suspiro de alívio quando avisto um armário de vassouras. Abro a porta repentinamente e entro lá para dentro, fechando a porta atrás de mim e fazendo o minimo de barulho possível, enquanto oiço os passos de Scorpius abrandarem ao perceber que me perdeu. Depois oiço os passos dele afastarem-se e espero mais aguns minutos até ter a certeza que ele está fora do meu alcance.
Destranco a porta e abro-a calmamente com um suspiro, e quando me volto solto o maior grito da minha vida quando vejo Scorpius mesmo à minha frente. Antes de poder reagir ou fugir dali para fora ele abre a porta do armário de onde eu tinha acabado de sair e empurra-me para dentro, entrando logo a seguir a mim, trancando a porta e encostando-se, impedindo qualquer tentativa de fuga que eu pudesse ter em mente.
Ficamos algum tempo em silêncio, apenas a ouvir o som das nossas respirações aceleradas e a sentir a tensão a pairar no ar.
- Já é tempo de falarmos, não? - diz Scorpius, mas eu não respondo, nem olho para ele.
O meu olhar está fixo num ponto vazio do chão, e a minha boca está fechada. Ele parece reparar nisto porque se afasta da porta e ajoelha-se à minha frente, tapando o ponto que eu estava a fixar e obrigando-me a olhar para ele.
- Rose, desculpa. - a voz dele está calma, mas ele parece estar quase a implorar.
Eu mordo o lábio até fazer sangue.
- Rose, eu juro que não queria dizer nada daquilo, eu só estava chateado, só isso. - diz ele, enquanto me segura nos braços, como se tentasse fazer uma ligação qualquer comigo para que eu percebesse melhor o que ele estava a tentar dizer-me.
Fez-se silêncio durante uns tempos e depois eu oiço as palavras a saírem da minha boca, antes mesmo de as poder impedir, e oiço a minha voz fraca e a tremer:
- Então não me achas chata e arrogante?
E é então, nesse preciso segundo, que eu percebo porque é que ando a chorar à noite. Não é pelo facto de ele me ter dito aquilo, exactamente à uma semana atrás, nem mesmo por temer que elas sejam verdade. O que eu tenho medo é que ele realmente pense aquilo de mim.
Ele sorri torto para mim, percebendo que eu já tinha desistido.
- Acho. Mas isso não quer dizer que não goste de ti assim.
Eu sorrio e os músculos dóiem-me e eu tento relembrar-me à quanto tempo é que eu não sorrio, mas isso não importa agora. Eu tenho-o de volta. Eu tenho o meu Scorpius de volta, e isso é tudo o que interessa.
N/A: Bem, o que acharam? Espero que não esteja uma grande borrada :$ Beijos enormes a todos vocês :D
