SoHo, minha casa, 3 de outubro (dia do baile do meu pai). Sete e quarenta e cinco da noite.

Está bom, Hermione. Está bom. Agora é só subir o zíper e... Pronto!

Olhei-me mais uma vez, em frente ao espelho. Acho que eu parecia elegante: cabelo de babyliss, com um enfeite prateado preso no lado direito, um vestido tomara-que-caia longo e cor-de-rosa, com uns detalhes de pedra prateada no busto. Rosa combinava com meu tom de pele, realçava a cor dos meus olhos ou dos meus cabelos... Sei lá.

Fiquei me encarando feito idiota na frente do espelho. Eu estava me achando... Bonita.

- Mione - minha mãe disse, batendo na porta do meu quarto - O Harry já está lá embaixo! – por alguma razão, prendi a respiração e senti como se borboletas geladas dançassem no meu estômago. Isso nunca tinha acontecido comigo... Ainda mais pelo Harry – Você já terminou?

- Ainda não! – respondi meio falha, sentindo minha respiração voltar.

Dirigi-me rapidamente em direção à minha cômoda para retocar o lápis de olho e o rímel. Aproveitei também para pegar uma sombra rosa e prata para passar em frente ao espelho.

Ouvi a maçaneta ser girada. Por um momento, senti as borboletas voltarem, até perceber que quem abriu a porta foi a minha mãe. Suspirei, ainda olhando pra ela.

- Que cara de espanto é essa? – perguntou desconfiada – Pensava que fosse quem?

- Ninguém – respondi depressa – Só queria fazer surpresa com relação ao meu visual.

- Você está maravilhosa, filha – ela disse, me abraçando por trás, deixando nós duas de frente pro espelho. Ela usava um vestido azul. A semelhança entre nós era incontestável. Ela sorriu, me fazendo sorrir também.– Nunca a vi tão bonita – fez uma pequena pausa -Tomara que o Harry saiba aproveitar bem – alargou o sorriso.

Eu ia retrucar, mas acabei corando e engolindo o que eu ia falar.

- E como ele está? – tentei, me fazer de indiferente.

- Um príncipe, como sempre – ela deu de ombros – Só que dessa vez de terno e com o cabelo penteado – gargalhei.

- Imagino! – ainda rindo.

- Mione...

- Oi? – perguntei, me analisando. Por incrível que pareça, eu estava me sentindo mais bonita do que as líderes de torcida da escola. Até do que a Chang (isso é surpreendente).

- Tem uma coisa que eu gostaria de lhe dar... – ela disse, me soltando do abraço e tirando um cordão de ouro com um coração de pingente do pescoço. Ela sempre o usava.

- O seu pingente? – perguntei, franzindo a testa – Mas mãe... Você nunca o tira...

- Eu sei – ela disse, colocando em volta do meu pescoço – Mas acho que chegou a hora de você usar.

- Obrigada – fisse um pouco confusa.

- Você sabe a história desse cordão? – sua voz era terna.

- 'No idea' – respondi sincera.

- Usei-o quando conheci o seu pai – ela sorriu – Foi no baile do terceiro ano...

- E por que você o está dando para mim? – eu ainda estava confusa.

- Agora ele fica melhor em você – piscou.

- Vou cuidar bem dele – sorri também.

- O Harry está lindo – mudou de assunto - Ah se eu fosse uns trinta e cinco anos mais nova...

- Mãe, você tem marido! – disse boquiaberta, com um sorriso no canto da boca.

- Mas há trinta e cinco anos atrás eu não tinha – ela deu de ombros.

- Mas você ia deixar de casar com o papai pelo Harry? – ainda estava boquiaberta.

- Eu não disse que ia casar... – deu uma pequena pausa – Só dar uns beijinhos, talvez.

- Mãe! – eu disse alto, em meio a uma gargalhada. Ela também riu.

- Vamos. Temos que ser os primeiros a chegar à festa – ela me apressou.

- Só mais um minuto – disse, terminando de passar a sombra.

- Só não demore – minha mãe se virou, saindo do quarto e fechando a porta.

Respirei fundo, fechando meus olhos e imaginando como o Harry estaria de terno. Era uma imaginação bonita. Permiti-me sorrir.

Equilibrei-me nos saltos, indo em direção ao corredor. A poucos passos, estava a escada e sentia o número de borboletas aumentar cada vez mais (ok, isso era uma reação idiota). Olhei para os degraus que eu ainda teria que descer e respirei fundo, tendo tempo de ainda ouvir uma conversa entre o Harry e o meu pai na sala.

- Você está tão elegante quanto eu estava no dia em que vesti esse terno – meu pai disse, parecendo encher o peito de orgulho. Ele via o Harry com um olhar paterno,e o adorava tanto quanto minha mãe.

- Obrigado por me emprestar esse terno, senhor Granger. Não sei o que faria sem ele – Harry deu uma risadinha.

- De nada, meu rapaz. Você já faz demais por mim cuidando da Hermione todos os dias.

- Ah, que é isso... – deu outra risadinha – Ela nem dá tanto trabalho.

"Não dou mesmo", pensei.

- Sei que dá – Harry gargalhou. Meu pai deu uma pausa – Usei esse terno no meu casamento.

- Ah! – exclamou – Então não posso aceitar uma coisa tão importante quanto...

- Se você quiser, é seu – meu pai pareceu dar de ombros – A importância está na memória e não nos objetos.

- Obrigado...

- Hermione! – minha mãe disse alto, do pé da escada, me desconcentrando da minha imaginação. Eu nem tinha a visto ali – Você vai ficar parada aí ou vai descer?

De repente, o Harry saiu apressado da sala, provavelmente para me ver. Tampei a respiração, vendo-o sair. Nosso olhar se cruzou. Ele deixou sua boca entreaberta. Engoli em seco.

De uma hora para outra, o mundo tinha razão: o Harry era muito bonito... Muito bonito não. Lindo! Ele era lindo. Esteve aqui o tempo todo e eu não vi.

Seu cabelo estava penteado (pela primeira vez desde a oitava série), seus olhos pareciam brilhar mais e o terno lhe caía perfeitamente bem. Ele fazia a mesma cara abobada com a qual eu deveria estar.

- Mione... – murmurou e depois deu um pigarro – Mione! – corrigiu-se. Desviei meu olhar, sem graça. Depois vi que não tinha motivo para tanta tensão. Empinei meu nariz e desci as escadas até o seu lado.

- E aí... - tentei parecer descontraída – Como eu estou?

- Você está... – ele me olhava com os olhos arregalados.

- Minha filha, como você está linda! – meu pai disse, interrompendo a fala do Harry, e me dando um abraço. Retribuí um pouco tonta.

- Vamos? – minha mãe disse, pegando as chaves e abrindo a porta – O motorista já está esperando...

- Motorista? – Harry perguntou, me olhando confuso.

- Eu disse que não precisava disso tudo, mas você sabe como são meus pais... – balancei os ombros.

Minha mãe saiu na frente, sendo conduzida pelo meu pai. Harry colocou o braço em volta dos meus ombros, fazendo o mesmo. Por dentro, uma parte de mim sorria. Eu sabia que sim.

Salão de festas em não sei exatamente onde, 3 de outubro. Aproximadamente oito e dez.

O salão era grande, lotado de espelhos e estava incrível. Eu sabia que a empresa do meu pai era boa para organizar festas, mas nunca tinha realmente ido a uma. Essa era a primeira vez.

O local era branco e os cantores já estavam posicionados, assim como os garçons. Fomos os primeiros a chegar, como o planejado.

- Esse lugar está incrível! – Harry disse boquiaberto, agradando meu pai.

- Fruto de muito esforço – ele respondeu, sorrindo.

Um dos garçons cutucou meu pai, cochichando algo. Ele logo sinalizou para minha mãe alguma coisa como "venha aqui rapidinho".

- Com licença, crianças – ela disse, afastando-se juntamente com meu pai, deixando eu e o Harry sozinhos.

Sozinhos.

Permanecemos um momento em silêncio.

Ficar perto dele sem ter o que dizer estava começando a me incomodar. Antes eu não me importava em ficar horas calada ao seu lado. Era como se não precisássemos falar nada. Mas agora eu tinha necessidade de me pronunciar de alguma forma, senão ia morrer de aflição.

Abri meus lábios devagar, sem saber exatamente o que dizer. Talvez, na hora em que o primeiro "ah" saísse, eu conseguiria terminar a frase.

- Ah...

- Então... – disse na mesma hora que eu. Fiquei sem graça e ele também, abaixando a cabeça – Pode falar primeiro.

- Ah... – pensei um pouco – Só ia dizer que você fica bem de terno – dei de ombros.

- Seu pai usou isso no casamento – encolheu-se – Acho que não tenho lugar para esconder a minha vergonha. Eu nem devia estar usando uma coisa tão importante quanto essa.

- Vá se acostumando – disse convencida, tomando ar de brincadeira – No nosso casamento você vai usar um igual.

- Wow, calma lá – gargalhou – Quem disse que quero um casamento na igreja?

- Não importa o que você pensa. Quero que o nosso casamento seja na igreja – peguei um refrigerante da bandeja do garçom que nos servia.

Acho que ele me olhou com uma cara de "casamento? Ela está grávida?".Segurei o riso e Harry fez o mesmo, mas recusou o refrigerante.

- A patroa é que manda, então? – perguntou com um sorriso.

- Claro. É a mulher que manda e sempre vou ser a cabeça desse casamento – dessa vez, passou o garçom que servia os coquetéis com álcool.

Ele pegou um de pêssego.

- Então 'ta – brincou – Sou todo seu – ri.

- Idiota - balancei a cabeça para os dois lados, como se discordasse. Algumas pessoas já haviam chegado – Você já tinha vindo aqui antes?

- Já, na verdade – fez uma pequena pausa – Uma vez contrataram o meu pai para cozinhar aqui... A festa foi boa.

- Quantos anos você tinha? – dei um gole no refrigerante.

- Uns catorze, quinze.

- Pegou quantas na festa? – perguntei indiferente.

- Quem disse que peguei alguém aqui? – arqueou as sobrancelhas.

- Eu – respondi confiante.– Acho que às vezes você se esquece de que conheço você desde os onze – girei os olhos e ele sorriu. Realmente, eu conhecia o Harry e eu sabia que ele não era lá um santo.

- Está certo.

- Quantas? – perguntei novamente, mas dessa vez transpareceu uma pontada de curiosidade na minha voz.

Estranhei isso.

- Não me lembro. Talvez duas – suspirou derrotado – Satisfeita?

- Não – fui sincera. Eu não estava satisfeita.

- O que mais você quer de mim? – perguntou, como se fosse um sacrifício me dizer qualquer coisa. Dei risada da careta que ele fez.

- Uma resposta – levantei o dedo indicador, ressaltando o "uma resposta".

- Qual?

- Lá em casa...

- Hm... – começou a acompanhar o que eu dizia.

- Quando perguntei: "e aí, como estou?".

- Ahn... – olhava para o vazio, como se recuperasse a lembrança.

- Você não me respondeu – concluí por fim. Ele desviou seu olhar do vazio diretamente para o meu. Seus olhos eram ternos. As malditas borboletas voltaram.

Eu podia perceber que havia outras pessoas à nossa volta: homens de terno, mulheres de vestidos longos e coloridos... Mas apesar da curiosidade em saber o tipo de roupas e de rosto que os funcionários e amigos do meu pai tinham, eu não conseguia desviar meus olhos dos do Harry.

Eu queria aquela resposta. Já até estava começando a criar expectativas na minha cabeça. Ele continuava olhando para o meu rosto sem dizer nada.

Abriu a boca – até que enfim – e tomou fôlego para falar alguma coisa.

- Você está... – respondeu baixo. Estiquei meu pescoço discretamente mais para frente, como se isso adiantasse para eu ouvir melhor a resposta.

- Hermione? – ouvi uma voz masculina não-identificada vinda de trás de mim. Seu rosto enrijeceu-se. Detestei o fato de ele ter sido interrompido –Hermione Granger?

Virei-me de má vontade, dando de cara com um par de olhos verdes que quase me deixaram tonta.

- Chad Stweart? – respondi boquiaberta, alargando um sorriso.

- Hermione! Não acredito que seja você! – Chad me abraçou forte e retribuí com gosto.

Era o meu melhor amigo atéa quinta série, quando mudou-se pra Chicago. A partir daí, o Harry entrou na minha vida.

Acho que devo ser masculina demais ou algo assim. Todos os meus melhores amigos até hoje tinham sido meninos. Deve ser algo no meu jeito, no meu cheiro.

Chad tinha ficado lindo, encorpado, "embonitado", ou seja lá como se chame. Só sei que ele estava um excelente partido e extremamente "ficável".

Comecei a criar imaginações na minha cabeça de como seria se eu ficasse com meu amigo de infância e, acredite, elas eram boas.

- Quando você voltou? – perguntei interessada.

- Para falar a verdade... – coçou seus (lindos) cabelos castanhos – Não voltei. Vim à festa porque meus pais estão negociando com o seu de gerenciar uma sede da empresa Granger em Chicago...

- Mas isso é ótimo. Quer dizer que provavelmente vamos nos ver mais – sorriu. Ouvi um pigarro vindo de trás de mim e lembrei-me de que o Harry estava lá – Ah! Chad, tem uma pessoa que quero que você conheça... – meu amigo deu um passo até ficar do meu lado.

Ele encarava o garoto de olhos verdes de um jeito nada amigável, que por sua vez olhava-me com cara de surpresa.

- Seu... – começou a falar devagar, juntando as sobrancelhas em sinal de confusão – Namorado?

- Não – respondi depressa – Não, não. Não tenho namorado. O Harry é só um amigo – Harry virou seu olhar para mim devagar e eu não soube como interpretar aquele ato.

Alguma coisa fez com que eu me sentisse mal em ter respondido daquele jeito e tão depressa, mas não sabia o quê. Um sentimento estranho de culpa me invadiu, misturado com um de curiosidade e euforia com relação ao menino de cabelos castanhos.

- Ah, ótimo – Chad suspirou aliviado – Então suponho que o "Harry" não vai se importar se eu tirar você para dançar – estendeu a mão para mim, olhando-o e dando um sorriso.

Uma parte minha tinha vontade de que ele interrompesse aquele ato e achasse ruim qualquer coisa, mas, em compensação, a outra parte estava louca para segurar a mão do maravilhoso do Chad e dançar com ele o salão inteiro.

- Suponho que não – Harry respondeu em meio a um suspiro, depois de algum tempo.

Apesar de sentir uma pontada de decepção dentro do meu peito, segurei a mão do outro garoto, sorrindo, e de certa forma empolgada.

Salão de festas, 3 de outubro. Aproximadamente uma e meia da manhã.

[N/t]: Para quem quiser, coloque para carregar: Blind For You, da banda Di-Rect.

- Chad, você é ótimo – dava gargalhada abraçada com ele na varanda do salão.

- Você que é.– também ria. Depois parou de falar e fixou seu olhar no meu – Obrigado por tornar essa noite perfeita – aproximou seus lábios dos meus, me dando um selinho. Sorri.

Eu estava tomando o máximo cuidado do mundo para nenhum dos meus pais me ver aos beijos com o Chad durante toda festa. Nota: máximo cuidado do mundo é igual a deixar o Harry sentado perto da varanda, para que ele possa me avisar, caso algum dos dois estiver vindo.

Mas acho que minha segurança não estava mais tão efetiva assim, já que ele tinha bebido todo o álcool possível da festa e estava conversando até com o copo. A última vez que o vi bebendo tanto assim foi na festa de Primavera. Acabei não prestando muita atenção porque eu estava ocupada demais ficando com um universitário super gato.

- Ai, droga! – Chad disse, olhando o relógio – Preciso voltar para o hotel. Meus pais já devem estar me esperando – fez cara de decepção.

- Mas já? – fiz bico.

- Droga. Bem que eu queria ficar, mas o limite deles já deve ter estourado e você sabe como eles são rígidos – de fato, eu sabia.

- Se é assim...

- Um beijo de despedida, então? – perguntou.

- Com certeza – respondi, sorrindo e selando nossos lábios.

Depois de algum tempo de duração do nosso beijo, Chad se afastou.

- Então, tchau – disse baixo.

- Tchau – no mesmo tom.

- Espere. Qual seu número? – tirou o celular do bolso. Passei, recebendo mais um selinho e observando-o ir embora.

Suspirei fundo, passando os dedos entre meus cabelos suados. Tinha dançado com ele a festa inteira e, mesmo tendo ficado animada, ainda sentia-me um pouco vazia.

Meus olhos se desviaram do vazio para o garoto bêbado que mexia com os guardanapos. Harry tinha ficado sozinho a festa toda. Quer dizer... Ele teve o copo como companhia. Sentia-me culpada por isso, de verdade, mas eu não ia deixar de aproveitar a festa por causa dele. Certo? Ele ia entender... Ou não?

Andei devagar em sua direção. Virou seu olhar para mim devagar, com os olhos vermelhos e uma expressão sofrida. Se eu não soubesse que era por causa do álcool, provavelmente viraria o mundo de cabeça para baixo para vê-lo sorrir de novo. Sempre que o vejo chateado com alguma coisa, meu coração aperta. É uma reação boba, mas involuntária.

- Posso me sentar? – perguntei, tentando parecer descontraída.

Apesar de já ser quase duas horas da manhã, o salão ainda estava cheio e as pessoas não tinham perdido o pique para dançar.

- Não – disse simplesmente.

Senti-me ofendida.

- Por que não?

- Porque não – sua voz já estava um tanto alterada por causa do álcool – Por que você não procura o "Chad"?– fez uma cara de nojo.

- Porque o "Chad"... – imitei a careta e a voz que ele fez ao dizer o nome –... Já foi embora. – verdade.

- Então esse é seu único motivo para me procurar? – fez a expressão sofrida novamente.

Meu coração bateu sem espaço. Maldito álcool.

- Claro que não! – disse depressa – Você é meu melhor amigo...

- E...?

- E quero estar perto de você.

- Pode sentar... – apontou meio desnorteado para a cadeira. Sentei-me à sua frente – Mas saiba que isso não muda os fatos.

- Que fatos? – juntei as sobrancelhas.

Olhou-me fixamente por um momento e depois voltou a brincar com o guardanapo. Fitei o chão sem ter o que dizer. A culpa me invadiu novamente e as palavras retornaram.

- Você me desculpa? – falei baixo, olhando pra ele, arrependida. O garoto também me olhou por um momento, mas permaneceu em silêncio.

- Qual... – começou a falar, sussurrado – Qual o problema comigo? – a pergunta parecia ser mais para ele mesmo do que pra mim. Eu ainda estava sem jeito por ter o deixado sozinho.

- Você tem nenhum problema – fui sincera.

- Não – balançou a cabeça para os dois lados. Seus cabelos já estavam suados, fazendo com que eles voltassem a ficar bagunçados – Tenho um grande problema, Mione. Grande problema – embolou a língua ao falar.

Levantou-se um pouco tonto e flexionei meus joelhos, posicionando-me para chegar ao lado dele depressa, caso o mesmo precisasse de algum apoio.

- Qual? – perguntei curiosa e compreensiva ao mesmo tempo.

Ele parecia me devorar com os olhos.

- Eu não deveria – colocou uma das mãos na testa, olhando pra cima como se tivesse um grande arrependimento.

Levantei-me, me dirigindo depressa para o seu lado e segurando seu ombro. Voltou seu olhar para mim com os lábios entreabertos e os olhos arregalados e confusos.

- Não deveria o quê? – queria ajudá-lo mais do que tudo.

- Sentir o que estou sentido agora - falou baixo e, por um momento, pareceu sóbrio. Meu coração deu uma descompassada – Hermione...? – meu nome pareceu mais sonoro vindo da sua boca.

- Hm?

- Dança comigo? – apesar de bêbado, seus olhos ainda pareciam sinceros e saber o que estavam fazendo.

Expirei mais devagar. Depois de um tempo, consegui sorrir e responder.

- Mas é claro.

Segurou minha mão e me conduziu até a pista de dança.

Apesar de eu ter adorado dançar com o Chad, me sentia mais segura segurando sua mão quente. Meus dedos se encaixavam melhor nela. Um sentimento muito bom tomou conta de mim. Eu não sabia muito bem o que era, mas emanava calor para todo o meu corpo.

Harry parou de andar por fim no meio da pista, onde alguns casais ainda dançavam. Desencaixou os dedos dos meus e espalmou as duas mãos mornas na minha cintura, me puxando mais para perto do seu corpo. Minhas pernas estremeceram.

Isso fez com que eu adquirisse uma imensa falta de jeito e não soubesse onde colocar a minha mão. Ainda mantinha seu olhar no meu, terno e paciente, enquanto eu lutava com a minha memória para saber onde raios eu colocava os meus braços. Por fim, ele encostou sua bochecha à minha de leve, descompassando mais ainda as batidas do meu coração

- Dance comigo, Hermione – sussurrou no meu ouvido direito.

Arrepiei.

Coloquei meus braços em volta do seu pescoço (sim, era lá onde eles deveriam estar) e ele começou a se mover no ritmo da música, me conduzindo. Estávamos abraçados, nos movendo lentamente. A proximidade fazia com que eu pudesse sentir os batimentos cardíacos do menino. Ele respirava com dificuldade, assim como eu.

[N/t]: Coloque pra tocar!

Lembrei-me de um pensamento bobo e soltei uma risada sem a intenção.

- Que foi? – perguntou preocupado, apesar da língua embolada – Danço tão mal assim?

- Não, não – balancei a cabeça de leve, discordando – Só estava pensando...

- Em quê?

- Todos os melhores amigos que tive até hoje foram meninos... – ri fraco – Acho que devo ser muito masculina mesmo, para só atrair esse tipo de pessoas... – não conseguia ver o seu rosto. Estávamos com as bochechas coladas e ele permaneceu em silêncio, enquanto continuávamos com nossos passos lentos embalados pelo som.

Fechei os olhos, procurando sentir o máximo do : sua bochecha morna encostada à minha, suas mãos quentes na minha cintura, seus cabelos por cima das minhas mãos e seu peito encostado ao meu, me permitindo saber a quantas andava o seu coração.

- Não é por isso – disse por fim.

- Não é por isso o quê? – perguntei confusa.

- Você não é masculina – sua voz ficou mais baixa.

- Então por que atraí sua amizade?

- Porque quero tê-la por perto... – fez uma pequena pausa - Mesmo que você seja um sonho impossível para mim – a voz deu uma pequena falhada. Minha respiração também.

- Sonho impossível? – repeti as palavras.

- Você é... Minha utopia, Hermione.

Ok, isso estava sendo estranho.

Devo ter corado, enquanto o sangue parecia fluir mais quente e mais ágil pelo meu corpo. Apesar da situação nada casual, eu estava sentindo uma sensação de felicidade lá no fundo. Afinal, eu estava feliz por ser o sonho impossível do ? Do... ?

Involuntariamente, meus braços se firmaram ainda mais contra o seu pescoço, trazendo-o um pouco mais pra perto.

- Hermione...? – perguntou, sussurrado e colocando os lábios no meu ouvido.

Engoli em seco.

- Oi? – perguntei baixo (quase para dentro, de tão baixo).

- Posso... – seu hálito quente fez com que a minha bochecha se arrepiasse inteira – Tentar... – foi deslizando o rosto devagar pelo meu. Fui parando de dançar aos poucos, sentindo minhas pernas bambearem e o ritmo me escapar – Só... – parou a testa na minha. Meu coração pulsava depressa – Uma coisa? – minha respiração acelerou.

Seu olhar começou a alternar do meu para os meus lábios. Meus olhos fizeram o mesmo, percorrendo o caminho dos dele tão ternos, passando pelo nariz, até chegar à sua boca.

- Posso...? – tornou a perguntar, sussurrado devagar.

Novamente, os músculos dos meus braços se contraíram involuntariamente, puxando o para mais perto ainda (se isso fosse possível). Meu corpo contornou o dele, enquanto nossos narizes se tocavam. Firmou a mão na minha cintura.

- P... – comecei a falar, apesar da tremedeira repentina do meu queixo – P-pode.

Deixou transparecer um sorriso leve no canto da boca, enquanto aproximava seus lábios dos meus, como se isso fizesse parte de algum magnetismo.
Magnetismo... Era isso! O que eu sentia pelo era magnético, como uma atração incontrolável entre dois imãs. Eu sabia que era isso o que ele estava sentindo também. Eu tinha necessidade dele.

N/T: Oi pessoal , tudo bem? Estou aqui aproveitando um tempinho extra que me apareceu para atualizar a fic para vocês.A professora que daria as duas ultimas aulas falou então ou pude sair mais cedo... Nem devia estar aqui, tenho várias coisas para fazer então não vou me prolongar aqui ^^

Quem aí não foi com a cara do Chad? o/ Tadinho do Harry ficou sozinho na festa. Mas em que lugar do mundo alguém deixaria um Harry destes sozinho em uma festa? Só a Mione mesmo. Finalmente vai rolar o beijo , mas só no próximo capitulo kkk' Aguardem

Biaa Black Potter: Na verdade é "always" flor, mas tudo tem o mesmo significado então eu deixo essa passar kkk' Quem não queriau, Harry desses , me diga?Só uma doida kkk' E eu malvada, terminei bem na parte do beijo dos pombinhos kkk O que achou do capitulo?

jujurego/ yinfa / : Desculpa colocar o resposta de vocês juntas , mas é para adiantar rs' Amei saber que gostaram do capitulo *-*Muito obrigada mesmo. Agora creio que devem estar querendo me matar por ter parado o capitulo bem na melhor parte né ? kkkk Mas mesmo assim, o que acharam dele?

witchysha : O que achou da festa? HAHA Foi mal mesmo eu não sabia disso, mas obrigada por me avisar. Eu escutei a música depois na versão do Aerosmith , e de fato é bem melhor, não tenho como negar. Mas e ai? Gostou do capitulo?

Isabella : " só leio quando a fic é realmente boa" Nossa, me sinto lisonjeada. Obrigada por acompanhar e comentar. De verdade :) O que achou do capitulo?

Hachi-chan 2: Hey *-* Tudo bem contigo? Agora você não pode nem reclamar aqui que este capitulo foi curto e sem ação. Por que ele foi ótimo, concorda comigo? Pois é eu sabia que concordaria kkk' Me diga a sua opnião sobre ele. Amo ler os seus comentários.

18/07/2012 - 18:17 p.m