Uma promessa feita...

É um débito a ser pago.

Por: Faniicat

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" I know I said that I would keep my world

I wish that I could save you from the hurt "

( Eu sei que disse que eu manteria minha palavra

Eu queria poder salvar você da dor )

E ali estava eu mais uma vez, parada no meio de toda aquela relva que agora já era tão familiar. Foram três anos da minha vida que eu passei aqui, e agora, parada em frente à nossa árvore... Não, em frente à árvore deles, eu vejo o quanto eu sofri. O quanto eu errei. O quanto eu me auto desrespeitei, me machuquei e machuquei os outros. Mas posso ver também como eu aprendi, como eu acertei, como eu mudei, melhorei, como eu transformei esse lugar, mesmo que só um pouquinho. E mais que tudo, vejo como independente de qualquer dor, como eu amei esses três anos.

Acho que é por isso que estava sendo tão difícil ir embora. Praticamente todo mundo já sabe o que eu decidi. Quero dizer, acho que já estava claro o suficiente quando eu mesma trouxe a Kikyou para cá. A Sango e o Miroku não gostaram da idéia, mas meu maior aperto foi o Shippou. Acho que a insistência dele em me ver como mãe acabou me fazendo amá-lo como filho também.

Porém aqui e agora, o que me machuca de verdade é que chegou a hora de avisar para o Inuyasha que eu vou embora. Que dessa vez, eu vou para ficar.

Mais do que ninguém, foi ele quem achou estranho logo eu trazer Kikyou para perto de nós. Até porque ele muitas vezes tinha tentado e ela mesma não havia aceitado.

Talvez ele já soubesse que não era para que ela ficasse protegida, mas sim ele. Ambas sabíamos que o Inuyasha não sofreria minha partida, ao menos não muito, com ela ao seu lado. Fora bem estranho procurá-la, de verdade, ao invés de tentar achar Inuyasha com ela. Aliás fora um dos meus maiores erros achar que vê-lo com ela me faria algum bem.

Não precisei dizer nada para convencê-la a me acompanhar, no momento em que nós nos encaramos, já sabíamos. Talvez nós tenhamos mesmo alguma ligação de alma, ou talvez fosse óbvio demais. E Kikyou só me perguntou se eu tinha certeza que ir embora era a melhor coisa a fazer.

E para ser sincera eu não tinha. Parte de mim continuava gritando que não era justo comigo, que eu não tinha que desistir. Se eu não sou completa para ele, se eu não sou deste tempo, tampouco ela o é. Ela está morta e sobrevive com uma parte de alma que me pertence, que nasceu com o meu corpo. Se eu sou menos completa é porque ela vive. A realidade é que nenhuma de nós deveria realmente ficar com ele. Ao mesmo tempo que as duas temos este direito.

Eu acredito que ela o ame tanto quanto eu.

A diferença entre nós é que ele sempre preferiu a ela. Kikyou era realmente a dona do coração de Inuyasha, e não devia ser diferente. O erro nesta história não é nenhum de nós, é Naraku. Foi ele quem arruinou o curso natural das coisas. Se ele simplesmente não existisse, Inuyasha e Kikyou teriam ficado juntos e eu nunca teria a chance de me apaixonar pelo mesmo homem pela segunda vez.

Mas ele se intrometeu. E eu sei que no fundo do coração de Inuyasha, se ele tivesse que escolher, não seria a mim. Eu sei que ele me ama. Mas não do jeito certo. Eu não sou a mulher pra ele, eu sou só a menina boba. Eu o curei de muitas coisas, mas não sou dona de seu coração.

O vento soprou meus cabelos para longe e, mesmo sentado num dos grossos galhos da Árvore Sagrada, eu pude ver o nariz de Inuyasha se agitar. Ele finalmente me percebera ali e quando seus olhos dourados se cravaram em mim, meu estômago afundou e meu coração pareceu diminuir o ritmo.

Uma parte de mim começava a morrer.

Talvez eu não estivesse tão mais viva que Kikyou assim.

Nós nos encaramos por alguns minutos até Inuyasha saltar da árvore e vir andando até mim. A presença dele me embriagou mais uma vez, a intensidade dos seus olhos místicos, o calor que simplesmente emanava da sua pele direto para a minha. E dentro do meu coração o mais alto dos berros de insatisfação soou, forte, retumbante e esmagador.

A paixão pulsava dentro da cada mililitro do meu sangue, percorrendo as minhas veias como fogo líquido, em conjunto com a minha alma, me fazendo um pedido silencioso. Me pedindo para não abandonar o que eu mais amava. Eu adoraria não ir, eu adoraria poder ficar. Mas seria quantas vezes pior ir embora ao final? Quando ele realmente me abandonasse?

Era mais fácil abandoná-lo primeiro.

" O que você pensa que está fazendo? " Era mais que óbvio que ele já sabia o que eu estava fazendo, seus olhos estavam duros e irascíveis, sua voz não era assim tão diferente. Não sei como não irrompi em lágrimas naquele momento.

" Indo. " Foi tudo que consegui formular, à voz fraca. Não tinha forças ou vontade de dizer nada mais, minha garganta parecia bloqueada por um nó. Até aquele momento eu sentia como se estivesse perambulando por um sonho, alguma coisa inócua e irreal, mas bastou eu ver aqueles olhos que me hipnotizaram para que a realidade me acertasse com uma clareza nítida e aterrorizante.

Eu achei que ele fosse me perguntar porquê, que fosse contestar até, sabia que a idéia de me ver partir não era dolorida apenas para mim. Mas ele não o fez. Inuyasha se manteve quieto por mais algum tempo, só me encarando fixamente, sua firmeza me fazia esmorecer.

" Então eu não vou te perdoar. " A frase bateu e escorreu pela minha face chocada. De tudo que eu fantasiei – e olha que não foram poucas as vezes que minha imaginação driblou minhas tentativas de não pensar nisso, essa frase não era parecida com nada. Inuyasha não esperou que eu respondesse, e eu não o iria de qualquer forma, para continuar. " Odeio pessoas que não mantêm sua palavra. "

Sua expressão apenas confirmava cada palavra que saia de sua boca.

Era bem verdade que eu ir embora era porque eu estava me colocando primeiro. Não pela primeira vez, admito, todas as vezes que eu chorei e fiz cena, que eu o obriguei a se sentir culpado apenas por fazer o que seu coração mandava, foram pelo meu próprio egoísmo.

Mas não era equivalentemente egoísta querer me manter presa em um lugar onde no final os sentimentos mais pisados seriam os meus?

" Você prometeu que ficaria ao meu— " Inuyasha começou mais uma vez.

" Eu sei muito bem o que prometi, Inuyasha. " Pela minha falta de força e sequidão na garganta, eu fiquei genuinamente surpresa ao constatar que a voz autoritária era mesmo minha. " Mas você não vai precisar da minha promessa. Você não está mais sozinho, você tem seus amigos, você tem a mulher... A mulher que você ama, você tem seus objetivos. Em compensação o que eu tenho aqui, Inuyasha? Uma guerra que não é minha, uma promessa de dor, e um amor que não me pertence. "

" Nada é a mesma coisa sem você. "

O tom de carinho me pegou de guarda baixa e atingiu em cheio meu coração machucado. Eu podia dizer que seria como devia ser, que ele nem precisaria de mim como rastreador de fragmentos, como ele costumava me chamar no início, porque ela também poderia fazer isso. Mas todas essas coisas pareciam erradas.

" Nada é a mesma coisa sem você também. " Eu precisei me manter forte e não sucumbir ao medo que vinha subindo pelo meu pescoço enquanto eu pensava que era a última vez que eu iria vê-lo. Eu necessitava decorar o máximo que pudesse de seu rosto. " E eu nunca vou te perdoar também. Você prometeu que me protegeria e que nunca me deixaria sozinha. "

Inuyasa baixou os olhos, e eu senti meus ombros caírem, ambos tínhamos nossas promessas, mas elas eram apenas um peso a mais para nos fragmentar na hora da inevitável despedida. As coisas eram como eram e nossos laços eram tão facilmente quebráveis.

" Tudo bem, Inuyasha. " Eu tentei sorrir, mas meu sucesso não foi muito.

Meus joelhos falharam e eu bambeei, então me sentei na grama jogando aquela mochila gigantesca na terra ao meu lado. Inuyasha se sentou do meu outro lado, mas eu permaneci olhando para o céu. A noite estava caindo, o céu começava a adquirir tons de azul mais escuro por cima do vermelho alaranjado, e nuvens mais escuras tapavam o ambiente.

" Eu vou sentir a sua falta. " Ouvi o murmúrio vir da minha direita. " E acho que está errada. "

Não me dei ao trabalho de negar.

" Eu também vou. "

" But things will never go back to how we were

I'm sorry I can't be your world "

( Mas as coisas nunca voltaram a ser como eram conosco

Me desculpe, eu não posso ser o seu mundo. )

" Como foi que nós terminamos assim? " Inuyasha perguntou e eu quis rir.

" Nós já começamos assim, Inuyasha. Nós já começamos errados. " Eu disse e suspirei, era uma verdade tão grande e assombrosa que chegava a parecer mentira. Ou talvez fossem apenas os meus ouvidos que quisessem que aquilo realmente fosse uma mentira. Nós já começamos errado, e eu nunca, nunca, tive uma chance. Se eu não podia competir com a simples memória de Kikyou, não podia ser nada diferente com ela em pessoa.

E eu me sentia estranhamente aliviada. Aliviada por finalmente poder aceitar que eles foram feitos para serem, que mesmo morta, ela ainda vivia para ele. Não posso encontrar uma definição maior de 'para sempre' do que essa. E eu finalmente podia enxergar isso, o futuro não parecia mais claro, mas talvez mais fácil. Porque não era injusto comigo, não, era apenas muito, muito justo com eles.

Isso não queria dizer que a dor lancinante no meu coração tivesse diminuído em nada.

Nos três anos em que eu fiquei aqui eu o amei. Eu lutei por ele, eu lutei por suas causas, e fiz tudo o que fiz apenas por Inuyasha. Sem que eu deixasse, sem que eu sequer notasse, Inuyasha havia se tornado a minha vida.

E eu me sentia perdida.

" Eu preciso ir. " Fiz menção de me levantar, mas ele agarrou meu braço sem tanta gentileza assim.

" Muito obrigada. " Inuyasha sempre me pegava de guarda baixa, ele nunca agia ou se movia do jeito que eu esperava por melhor que eu o conhecesse. Ele sempre me deixava sem ar, sem reação. Talvez fosse isso que tivesse me encantado. " O seu amor... Foi o melhor e o mais bonito dos presentes que eu já ganhei. E sem merecer. "

Eu neguei com a cabeça. Inuyasha devia saber que merecia.

" You know I Love you, I really do

But I can't fight anymore for you "

( Você sabe que eu te amo, eu realmente amo

Mas eu não posso mais lutar por você )

A vida gosta demais de pregar peças;

Porque outra razão eu estaria aqui neste momento? Amando o único homem que eu nunca poderia ter porque, ironicamente, ele amava a parte de mim que eu não possuía.

Mas disso eu estava certa, eu o amava como louca e eu nunca mais poderia pertencer a ninguém. Minha alma estava presa no passado, que foi o único lugar onde realmente teve paz. E tenho certeza que, quando eu morrer e minha alma teimosa renascer no corpo de mais uma morena, eu vou amar pela terceira vez o homem mais inacreditável que eu já conheci.

" É a única coisa que eu posso te dar. "

" É a única que não deveria ter dado. " Seus dedos tocaram meu rosto, tomando cuidado para não me arranhar com as garras ameaçadoras, percorrendo dês da minha testa até o meu queixo em um movimento suave. " Você merecia tanto mais. Eu sinto muito, Kagome. "

" Não sinta. "

" I don't know maybe we'll be together again sometime

In another life "

( Eu não sei talvez nós venhamos a estar juntos de novo em algum momento

Em uma outra vida )

" Não sinta, por favor, não sinta. " Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não queria que a única e a mais valiosa coisa que eu podia deixar para ele fosse um peso. Eu estava desmontando, era irreversível. Eu estava abandonando parte da minha alma, e meu coração por completo.

Meu ar sumiu dos pulmões quando os braços fortes enlaçaram minha cintura e eu me perdi no calor conhecido daquele abraço protetor. Era sempre como se fosse a primeira vez quando Inuyasha me abraçava. Eu nunca conseguia me acostumar. Enterrei meu rosto em seu ombro e o cheiro almiscarado invadiu meu olfato, minha pele formigava em aprovação e frêmito de terror. Eu não queria que acabasse, eu sentia como se eu fosse morrer no exato momento em que seus braços deixassem de me envolver.

" The way you're holding on to me

Makes me feel like I can't breathe "

( O jeito como você está me abraçando

Me faz sentir como se não pudesse respirar )

E foi exatamente o que aconteceu.

Quando nos separamos senti aquela parte no fundo de mim desaparecer para sempre, eu nunca mais consegui encontrá-la. Eu enxuguei as lágrimas com o dorso da mão e o encarei pela última vez. Eu nunca o vira mais lindo ou mais desgastado do que naquele momento. Era quase um conforto saber que ao menos uma parte da dor seria compartilhada. E ao mesmo tempo era um veneno, eu não queria que o Inuyasha sofresse, nada, nunca. Eu só queria que ele sorrisse aquele sorriso que me ilumina e com isso fizesse meu coração que eu deixei em suas mãos, tão feliz quanto se era possível.

Me levantei afastando a terra e os pedacinhos de grama da saia verde e ridiculamente curta do uniforme de colegial e peguei minha mochila.

O caminho até o poço foi profundamente silencioso.

Meu corpo ardia em brasa. Eram as fagulhas da minha paixão queimando, sofrendo, e eu esperava que passasse logo. Eu passei em minha mente o rosto de todos que conheci e amei naquele tempo, rezando para que fossem felizes e vivessem até serem velhos o suficiente para contar histórias aos bisnetos.

Rezei também para que se lembrassem de mim o suficiente para contar aos bisnetos, eu certamente contaria deles para todos a quem eu tivesse oportunidade.

Não fazia a mínima idéia do que seria minha vida daquele momento em diante.

Eu teria que me reinventar, que me descobrir de novo. Teria que crescer e mudar, eles estavam em mim e eu os carregaria, feliz por ainda manter qualquer pedaço do lugar que me fez rir e me fez chorar.

A paisagem ao meu redor era única, a mais bonita que vi em toda a minha vida. As árvores nunca seriam verdes como lá, nem os bichos tão vivos.

Nem a vida tão boa.

Eu segui reto até o poço, sem me permitir olhar para trás. Se tivesse virado e alcançado mais uma vez os olhos tristes daquele por quem eu era louca, eu nunca mais teria coragem de partir. Eu ficaria ali para sempre independente do tamanho da dor.

Mas o preço era muito alto.

E era alto para ele também. Era melhor pra ele que eu fosse, tornava tudo mais fácil. Acho que Inuyasha preferia ser abandonado do que ter que me abandonar.

É claro que ele sempre mereceu meu amor.

Mas ainda assim o arrependimento brotou forte quando eu pulei dentro do poço come ossos e ouvi meu nome ser chamado com aquela urgência pela última vez.

Meu amor era o maior do mundo.

" Just let me go

Just let me go "

( Só me deixe ir

Só me deixe ir )

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Não vou fazer uma nota enorme. Não vou me desculpar. Fiz isso tantas vezes que está começando a parecer falso. E eu DEFINITIVAMENTE desisti ( não para sempre, claro que não para sempre! ) de escrever república! Toda vez que eu acho que eu vou poder postar acontece alguma coisa e eu perco. Estou ficando seriamente cansada de ver meus esforços indo por água abaixo.

Lamento por todo mundo – e nisso incluo a mim mesma – que queria ver o capítulo onze online mas aparentemente o kósmos tem alguma coisa contra essa idéia, por enquanto, até eu comprar um computador novo ou passar tempo o suficiente na casa de alguém para escrevê-lo, editá-lo e postá-lo, vocês vão ter que se contentar com as minhas oneshots não-tão-boas-assim.

Aliás, falando em oneshot, sei muitíssimo bem que essa oneshot tem uma temática parecida demais, DEMAIS MESMO, com Promessas para ser remotamente respeitável, mas uma tal de Kagome Juju Assis me ameaçou de morte caso eu não postasse, simples assim. Além do mais era uma boa maneira de responder ao item 12. Paixão. Que mais uma vez fugiu bastante do tema, mas acho que ainda é bem fácil encontrar a paixão avassaladora dela por ele aí dentro certo?

Não vou prometer nada sobre nenhuma outra idéia de oneshot que eu tenha. Aliás não vou prometer nada de nada. Assim como esses dois aí na fanfic eu estou rompendo todas as minhas promessas.

E olha que a minha sorte de hoje no Orkut é 'Uma promessa feita é um débito a pagar'. Como se eu precisasse de mais isso pra me lembrar. E sim, foi daí que saiu o nome.

Bom enfim, eu ainda amo todos vocês por mais que eu não ache que vocês me amem muito nesse momento, certo? Podem tacar tomates, ovos, cadeiras, ou o que quer que os façam felizes, pingüins, eu mereço.

Beijos, Fanii.