Areia e Espuma
VII Capítulo
N/A:Não betada, favor informar qualquer erro que conserto e reposto. No mais, boa leitura.
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Shun ouviu a campainha e correu para atender a porta. Seu coração deu pulos de alegria e ele se jogou nos braços do homem a sua frente.
- Hyoga! – exclamou feliz – Eu achei que você tivesse partido o que aconteceu?
- Alguns problemas, Shun, eu... Bem, posso entrar? - ele perguntou e Shun percebeu que estavam parados à porta ainda. Sorriu sem jeito, saindo se seus braços e dando passagem para que ele entrasse e depois fechando a porta.
- Você parece triste, aconteceu alguma coisa? – perguntou o rapaz sem jeito, se sentando no sofá e convidando o russo que aceitou. O Amamiya mais jovem percebeu que pela primeira vez o loiro não olhava em seus olhos.
- Shun, eu preciso terminar o quadro, porque adiantei minha viagem.
- E foi por isso também que não voltou ao hospital, e que não veio me ver durante esses sete dias? – o rapaz tentou disfarçar a tristeza da voz, mas foi em vão. Hyoga se odiou por magoá-lo, vê-lo daquela forma o despedaçava; se amaldiçoava mentalmente por ter deixado as coisas chegarem aquele ponto.
- Perdoe-me, Shun. Eu realmente tive alguns problemas, mais isso não quer dizer que não me importe com você. Eu só não quero magoá-lo mais.
- E por que magoa, então? – perguntou, baixando os olhos e a franja espessa caiu sobre seu rosto espalhando no ar o perfume de seus cabelos.
Hyoga aspirou aquele perfume cítrico e suave e ficou hipnotizado por aquele jeito de mártir do belo rapaz. A sua beleza era maior que as de todos os quadros de santos que já vira; perfeita em sua delicadeza infantil e sagrada. Sagrada para ele, e que não queria macular de forma alguma.
- Porque eu sou uma pessoa ruim, Shun, só por isso. – disse Hyoga num suspiro – Bem, você posará pra mim?
- Sim, Hyoga, é só você me dizer quando... – respondeu o rapaz prendendo os cabelos atrás da orelha.
- Pode ser quando você quiser. Estarei na galeria todas as manhãs até conseguir resolver tudo, mas isso não vai demorar...
- Tudo bem. – sussurrou o mais jovem e o loiro segurou seu rosto.
- Shun, eu não quero vê-lo triste assim, sorria, por favor.
- Ah, Hyoga, estou magoado. Você sumiu por sete dias, sei que não tenho direito de...
- Shun, você tem todo o direito porque você é muito especial pra mim, por favor, não duvide disso, nunca.
- Eu não duvido, Hyoga, mas isso não me dá direitos sobre você. Não tenho e não me diga que tenho! Porque sou um garoto idiota que vai acabar acreditando que deve lutar por você e sei que não devo!
O russo ficou calado com olhar baixo por um tempo.
- Shun, você tem mais significado pra mim do que eu gostaria. Eu só não posso ficar com você, por que...
- Por quê? Diz, mas ver se diz a verdade, Hyoga, porque acho que nos últimos tempos só mentiras saem da sua boca! – regougou Shun e logo corou arrependido – Desculpe-me, Hyoga...
- Não precisa se desculpar, Shun, você tem razão, eu sou um mentiroso, um crápula! – ele desviou o olhar e Shun puxou seu rosto e sorriu.
- Desculpe-me, eu sei que você não fez por mal, alguma coisa me faz confiar em você, russo, mais do que posso entender.
- Shun, você é um imã que me atrai mais do que eu posso entender também! – falou e se abraçaram, ficando assim por um tempo, até que o mais jovem se afastou e procurou os lábios do loiro que não teve forças para repeli-lo. Começaram um beijo voraz, sensual e excitante, totalmente descontrolado.
- Shun... eu não devo... – sussurrou um protesto enquanto tirava a regata branca que o jovem de cabelos esmeraldinos vestia.
- Eu também não... mas eu quero... – Shun sussurrou de volta tratando de livrá-lo da camisa também.
Não demorou muito para que estivessem na cama, se amando da mesma forma sensual e voraz de sempre.
"É mais forte do que posso suportar. Domina todos os meus sentidos e meu corpo perde totalmente o controle quando estou perto de você. O que é isso que me guia a afundar em suas suaves cores? Paixão, descontrole, mas também há o sentimento profundo que sinto queimar tanto a alma quanto a pele como fogo em brasa. Eu quero suas tintas, Shun. Eu quero essa felicidade estranha que você pinta no quadro negro da minha alma! Eu quero essa beleza; eu preciso dessa essência dentro de mim, mas que a razão, mas que a necessidade estranha que tenho daquele que você ama; preciso dessa fascinação que aquece e que devora, preciso desse céu intratável que é você, meu Shun, meu amor."
- Estava com saudade de você... – disse o mais jovem depois de um tempo descansando a cabeça no peito musculoso do russo.
- Eu também estava com saudades, Shun, eu sempre sentirei saudade de você.
- Mas, alguma coisa aconteceu. Você está mudado. – Shun disse e sua tristeza não passou despercebida para o loiro.
- Eu gosto de estar sempre em processo de metamorfose. – sorriu Hyoga e se perguntou como ainda conseguia. E se Ikki chegasse naquele momento o que faria? O que diria aos dois? As indagações, o medo, e a certeza de ser pessoa mais desleal do mundo o atormentavam. E mesmo assim, ele não conseguia resistir.
- Você parecia preocupado enquanto nos amávamos, parecia pensar e não somente se entregar como sempre fez. Tem alguma coisa que queira me contar?
"por que você é tão perceptivo? Acho que é isso que amo tanto em você; sua essência capta as vibrações do ambiente, tão sensível e tão ingênuo..."
- Sim, há algo que eu deveria lhe contar, mas não quero. – confessou o loiro – Eu prefiro que tenha bons pensamentos a meu respeito quando eu for embora.
- Independente de qualquer coisa, eu terei, Hyoga, sempre terei boas lembranças suas, porque você nunca me enganou...
Aquelas palavras foi um duro golpe no aquariano e ele baixou os olhos e calou-se por um tempo.
- Não deveria confiar tanto nas pessoas... – quando falou foi num fio de voz. Queria fugir dali, isolar-se em algum lugar onde nunca pudesse magoar aquele anjo.
- Mas é um problema que tenho, – sorriu Shun – Eu sempre confiarei nas pessoas, se elas me traem, tanto pior pra elas. Não mudarei por causa disso, continuarei confiando.
- Você é um anjo... – disse o russo e Shun percebeu que seus olhos estavam úmidos, o que estava acontecendo com ele? Aquele não era o frio e sedutor escultor que conhecia. Por que depois do sumiço ele se mostrava daquela forma?
- Não, você é. – tentou sorrir o mais jovem, embora seu coração já estivesse cheio de incertezas – Você quer almoçar comigo? Podemos ir a um restaurante a beira mar que serve uma comida maravilhosa.
- Eu aceito sim, sua companhia é sempre agradável.
- Certo, tomarei um banho e iremos. Depois eu poso pra você, está bom assim?
- Você é perfeito até em suas idéias, Shun! – sorriu o russo tentando afastar a comoção interna. De qualquer forma, sabia que não teria escapatória. Cedo ou tarde a lâmina da guilhotina cairia sobre seu pescoço, e decidiu que ao menos daquela vez, seguiria seus instintos. Sempre a razão o guiou e ele nunca se afastou dela, até visitar aquela cidadezinha e tudo que acreditava, tudo que aprendeu virar pó em meio à neblina de uma madrugada fria.
Eles almoçaram juntos e passaram a tarde trabalhando no quadro, logo, o mal estar de Hyoga passou, porque Shun era otimista e divertido e fazia com que o russo se esquecesse de tudo em sua companhia. Lembrava-se apenas que era jovem e com um mundo pela frente e era desse "mundo pela frente" que Shun falava com tanto entusiasmo que afastava o negrume de sua alma e a enchia de cores vibrantes.
- Hyoga, eu gostaria de lhe pedir um favor, um último favor! – disse ainda sem se mover, porque o russo pintava concentrado no quadro.
- Sim, farei qualquer coisa que pedir.
- Eu tenho uma apresentação curricular daqui a duas semanas e gostaria que você assistisse... – pediu Shun, desconfortável.
- Shun, eu não sei se estarei aqui daqui a duas semanas, mas se estiver, será um prazer, você é um virtuose.
- Não exagera! – riu o mais jovem.
- E você não se mova! – reclamou e Shun estancou divertido.
- Certo, senhor artista!
- Não se preocupe, mais dois dias e você se livra disso.
- Você não vai me deixar nitidamente nu nessa tela, não é, Hyoga? – perguntou Shun hesitante e o russo riu.
- Não, fique tranqüilo. Adoro esse seu falso pudor!
- Falso?
- É, falso. Você é totalmente desinibido na cama e tirou a roupa muito fácil pra mim...
Shun corou.
- Você poderia pensar apenas por um momento que... desde que o vi, sabia que era uma pessoa especial?
- Eu sei.
- Estou falando sério, eu nunca... eu nunca fui tão fácil pra cama de alguém... – Shun estava terrivelmente embaraçado com o comentário do loiro.
- Shun, não foi isso que quis dizer. Eu sei que você não vai pra cama com qualquer um e nem é leviano; entenda-me, eu só quis dizer que você deveria soltar a sensualidade que você tem sem esse pudor produzido por seus conceitos morais. Por isso, eu chamei de falso pudor, porque não é uma coisa sua e sim, algo que lhe foi ensinado como certo. Sua essência é pura e sensual e você deveria aflorá-la, não quis dizer que você foi falso.
- Desculpe-me pela má interpretação, não sou tão articulado quanto você! – tornou o mais jovem sem jeito e irritado.
Hyoga riu largando o pincel e se aproximando dele, erguendo-lhe o queixou e examinando o rosto chateado.
- Não precisa fazer becinho, Shun... – disse divertido e imitou o becinho do mais jovem, Shun acabou rindo.
- Você, às vezes, é muito irritante, Hyoga!
- É uma parte eminente da minha personalidade, agora vamos trabalhar!
Eles voltaram a se concentrar no quadro e deixaram a galeria já ao cair da noite. Shun correu pra casa porque teria que voltar ao trabalho, embora o irmão houvesse tentado impedi-lo. Já era hora de voltar à vida normal. Estava bem de saúde e ficar em casa só servia para que pensasse em Hyoga além da conta. Ikki já fazia dois dias que voltara para o rancho. Claro que não antes de ter a certeza dada pelos médicos, de que o irmão não corria mais nenhum risco. Se a companhia do irmão era importante para Shun, em parte, sua distância era um alívio. Ikki era um controlador autoritário que muitas vezes o sufocava e ele precisava de liberdade. Liberdade para pensar, para ensaiar e resolver seus próprios assuntos.
Seu celular tocou enquanto ele fazia o percurso de volta a casa. Pois dispensara a carona do russo; precisava caminhar um pouco, fazia bem a sua saúde.
- Oi, Ikki.
- Oi, Shun, como você está?
- Estou bem e você? Como estão as coisa no fim do mundo?
- Tudo tranqüilo, daqui a duas semanas, terminam os trabalhos aqui e poderei ficar mais tempo com você antes de viajar.
- Mas, você ainda vai viajar?
- Sim, se você estiver bem, eu vou sim.
- Ah, eu achei que depois de tudo...
- Para de fantasiar, nada mudou aquele respeito. Agora me diz, você vai mesmo trabalhar hoje?
- Vou sim e não...
- Eu vou buscá-lo, então.
- Ikki!
- Não adianta, Shun, estarei lá no mesmo horário.
Ele desligou o telefone e Shun bufou aborrecido, mas sabia que aquilo não mudaria jamais, ao menos, não naquele momento.
ooooooOOOooooooOOOoooooo
Ikki deixou Shun em casa como sempre fazia, mas ao contrário do que o irmão pensava, ele não foi para casa e sim encontrar o russo. Sua rotina era aquela desde que se reencontraram. Passava os dias com o irmão que a noite ia para o ensaio da orquestra e durante esse tempo ele se encontrava com o loiro. Depois, pegava o irmão na faculdade e seguiam para casa.
Agora, contudo, os encontros se realizariam em outro horário. Nas madrugadas quando ambos não tinham o que fazer. Embora o russo nunca dissesse o que fazia durante o dia e aquilo de certa forma angustiasse o Amamiya mais velho, ele não perguntava. Apesar da intimidade que possuíam, a verdade era que eles só se conheciam há alguns dias.
Porém, Ikki sentia que o amante parecia triste e melancólico a cada encontro e, embora ele tentasse disfarçar, sua angústia era quase tangível.
Aquela madrugada não estava tão fria quanto à noite em que se conheceram. Mesmo assim, a brisa marinha era forte enquanto ele caminhava para a casa do russo. O encontrou na varanda, apenas com uma regata e uma calça de moletom e o moreno se perguntava como ele não estava tremendo de frio.
- Pato, você é assim tão insensível? Eu estou congelando! – disse sentando ao lado dele no banco de madeira e se encolhendo embaixo da jaqueta jeans.
- Está menos frio que na noite em que nos conhecemos... – respondeu Hyoga sorrindo e Ikki retribuiu.
- Estava pensando exatamente nisso quando cheguei. – falou segurando o terço que ele levava preso ao pescoço.
- Era de minha mãe... – sussurrou.
- É bonito. – sorriu
- Ikki... – ele abraçou o moreno e escondeu o rosto em seu peito num suspiro – Eu queria poder ficar com você...
O mais velho engoliu em seco e afagou-lhe os cabelos.
- E por que não pode?
- Nossa história se resume as madrugadas e prefiro pensar que não passa daqueles sonhos que temos antes do raiar do dia. Aqueles que nunca nos lembramos, mas dos quais, sempre saímos com um sorriso no rosto...
Ikki ergue-lhe o rosto com as mãos e viu que o loiro chorava.
- Eu não entendo, Pato, se quer tanto ficar, por que diz o tempo inteiro que tem que partir? Eu vejo que está sofrendo, então...
- Meu amor, você nunca me entenderia se eu contasse e... prefiro que se lembre de mim como um sonho... – o russo falou e saiu de seus braços – Acho melhor que não venha mais, que... não me veja mais, Ikki...
- Não! – ele disse e o loiro mirou seu rosto, sua expressão era zangada.
- Não é você que decide. – disse Hyoga tentando entrar em casa, mas seu braço foi seguro pela mão forte do moreno.
- Então me diz o porquê? Não poderíamos ficar juntos até que você partisse? Eu não tentarei forçá-lo a ficar, Alexei, mas não entendo porque temos que nos separar hoje...
- Porque é o melhor pra você... – sussurrou o russo – Só pense nisso, é o melhor pra você, no futuro, você verá...
- Eu não estou preocupado com o futuro, Pato, estou preocupado com o agora e quero saber o que você quer agora, é me deixar, é isso? Diga e aceitarei! Agora não me fale que gostaria de ficar comigo para depois me mandar embora que isso eu não aceito!
- Ikki...
- Se você estar confuso, sabia que eu também estou e muito! – continuou o moreno – Não pense que pra mim é fácil admitir que eu goste de um homem; que eu amo você! merda! Isso pra mim é uma tortura. Mas nem por isso serei covarde e inventarei desculpas para meus sentimentos, Alexei, e gostaria que fizesse o mesmo!
- Você não entende! – gritou Hyoga – É isso mesmo que não quero! Eu conheço sua história, eu conheço você! eu não quero que tenha esperanças para depois... Ikki, eu não quero destruir seu jardim...
- Meu jardim só floresceu depois que você chegou, Pato... – sussurrou ele – E foi você que me ensinou a falar coisas ridículas como essas que acabei de dizer! – ele riu nervoso – Sei que só nos conhecemos há alguns dias de verdade... mas... eu sei o que sinto. Sei o que sinto e sei o que quero!
- Mas, não deve! Você conhece minha forma de brisa... – balbuciou Hyoga – Mas eu também sou tempestade que devasta... E eu não quero devastar você como já foi feito uma vez...
Ikki reparou o quanto o loiro tremia e que ele estava a ponto de chorar. Engoliu em seco... Talvez, um presságio, e achou melhor não pensar muito.
- Eu não quero mais ouvir essas bobagens! – reclamou o puxando pra si – Eu ficarei, mesmo que não queira!
- Ikki...
- Deixe-me mostrar que você não consegue mais viver sem mim... – sussurrou o moreno com a voz rouca o empurrando para dentro da casa, enquanto começava a arrancar sua camisa.
- Ikki, espera... não é assim que... Ikki! – Hyoga balbuciava enquanto as mãos e os lábios do moreno ateavam brasas em sua pele. Mais uma vez se amaram ardentemente por toda a madrugada e Ikki acabou passando a noite na companhia do loiro.
Quando Hyoga acordou a claridade já entrava pela janela, mas a manhã estava nublada e as gaivotas cantavam alto sobre o mar. Vestiu uma calça de pijama e foi andando na penumbra até a sala. Entretanto, não encontrou o amante, contudo, sentiu cheiro de café e foi até a cozinha; ele estava preparando panquecas, vestido apenas no jeans justo que caía como uma luva no corpo perfeito. Hyoga se viu preso, olhando para ele fascinado; tanto que só depois de muito tempo anunciou sua presença.
- Não acredito em você, Ikki Amamiya! – sorriu o loiro – Café da manhã? Você não tem muita coisa para fazer na sua fazenda, não?
- Tenho, mas como estou tentando seduzi-lo e convencê-lo a não me chutar, abrir uma exceção...
Hyoga balançou a cabeça.
- Por que você torna tudo mais difícil? – perguntou triste.
- Por que eu sou assim, você não sabe, mas sou a pessoa mais difícil sobre a terra, você está ferrado! Agora prova aqui essa geléia... – ofereceu a colher...
"Você tem razão, meu amor, eu estou ferrado!" pensou e experimentou a geléia.
- Nada mal...
- Era pra você dizer que estava ótima! Coisa insuportável! – reclamou o mais velho e passou a calda de morango no rosto do russo com os dedos.
- Ah, Ikki, que coisa mais sem graça! – reclamou o loiro mal humorado, passando a mão no rosto.
- Você fica lindo, zangadinho, Pato... – provocou deslizando os dedos sujos pelo rosto do russo que não conseguiu evitar um sorriso.
- Você é mesmo, irritante!
- Tento me superar a cada dia... – sussurrou beijando-o, depois Hyoga se afastou indo lavar o rosto e ele fez o mesmo com as mãos.
- Tenho que ir embora. – disse voltando para a sala e pegando a camisa que estava pendurada no braço do sofá.
- Não vai tomar café? – perguntou o loiro.
- Não, tenho muito trabalho hoje. Fiz as panquecas pra você!
- Obrigado. Eu também tenho que trabalhar. – ele suspirou – E... eu falei sério quando disse que não deveria mais voltar, Ikki...
- Só que eu não aceito isso. Porque sei que você não quer. – falou o moreno se aproximando dele e segurando seu queixo, olhando dentro dos confusos olhos azuis.
- Por Baco! Por que eu não consigo deixar você? – sua voz suave traiu todo o verdadeiro desespero que sentia – Mesmo querendo eu... eu não consigo, acho que você me enfeitiçou de alguma forma.
- Eu? – Ikki fingiu indignação – Pelo que eu me lembre, sempre gostei de mulheres e de repente me vejo apaixonado por um homem, então, quem enfeitiçou quem aqui, Alexei?
- Tudo bem. Acho que nunca concordaremos em alguma coisa!
- Não vejo problema nenhum nisso! – ele o beijou levemente – Você pode continuar sendo o Patinho arrogante que é. Não me incomoda.
Hyoga sorriu se despedindo dele e o moreno partiu. O russo fechou a porta e se apoiou atrás dela com um suspiro. Estava cansado daquela maratona emocional; perdido, sem noção nenhuma de que rumo tomar. Quanto mais tentava sair daquela teia, mais prisioneiro se tornava.
"O que posso fazer se amo os dois? O que posso fazer se as cores de Shun me fascina e das de Ikki me acolhe e acalma? Nada, a não ser me conformar e viver esse sentimento. Assim, meus dias serão do Shun como sempre foi desde que nos conhecemos e as minhas madrugadas frias e eternas serão dedicadas ao seu irmão, meu amante, seu melhor amigo."
ooooooOOOooooooOOOoooooo
A orquestra observava extasiada a habilidade do solista, enquanto este executava com mestria e segurança o primeiro movimento do concerto número cinco (K.219) de Mozart. Ninguém ali tinha dúvidas de que a apresentação seria um sucesso. Ele escolhera a peça mais difícil dentre as sugeridas pelo mestre e maestro e se empenhara ao máximo para executá-la com total profissionalismo. Além disso, o mestre percebia que seu estilo era único, a perfeita combinação de vigor e delicadeza nos movimentos dos dedos e braços e sua expressão compenetrada e serena, não deixavam dúvidas, estava em frente a um Virtuose.
Shun executou o último movimento, quando a música vai se tornando mais cadenciada e lenta, antes de explodir novamente, vigorosa e se extinguir.
Abaixou o violino cumprimentando os colegas que aplaudiram de pé. Ele então começou a respirar pesadamente. June se aproximou e o abraçou, sentindo que o corpo do amigo tremia e que seu rosto estava pálido e suado.
- Shun, você está bem? – perguntou a moça, preocupada.
- Estou, eu... só preciso de um pouco d'água, com licença, pessoal! – ele disse e entrou pelo bastidores do teatro, correndo para o banheiro e molhando o rosto com água fria. Todos seus ossos estavam doloridos, contudo, aquela era o último ensaio com a orquestra, antes da grande apresentação e ele ainda seria o solista no concerto de natal, precisava tocar impecavelmente.
Sabia que estava abusando. Passava horas e horas ensaiando, muito mais do que a média dos colegas; mas pensava que talvez, devesse a essa dedicação a posição que conquistara dentro do grupo. Era considerado um virtuose e a universidade tinha certeza que ele seria um dos ganhadores da importante bolsa de estudos.
- Shun, onde você está, Shun? – ele ouviu a voz do irmão, incrédulo, o que Ikki estaria fazendo ali? Deu leves tapas no rosto para ver se a cor voltava.
- Shun, onde você estar?
Ouviu a voz do irmão novamente e saiu do banheiro com um sorriso.
- Ikki, que surpresa! O que faz aqui? – tentou ser o mais natural possível, mas o irmão o conhecia como ninguém...
- O que aconteceu? A June me disse que você não passou bem durante o ensaio.
- A June é uma fofoqueira! – resmungou – Não foi nada, a minha peça exige demais de mim, foi só isso. Confesso que estou meio estressado com essa apresentação.
- E por que escolheu uma peça tão difícil se sabe que não está bem de saúde? – Ikki estava nervoso, não queria o irmão arriscando a saúde por causa de um capricho.
Shun baixou os olhos, sabia que deveria dizer a verdade ao irmão, mas não tinha força ainda para fazer aquilo.
- Eu preciso ser o melhor, Ikki, só isso. E os médicos já disseram que estou bem!
- Sim, mas não pode abusar, essa anemia que você tem é séria, irmão e precisa de atenção constante.
- Mais atenção do que você tem me dado impossível, Ikki! – falou zangado – Você tem me enchido de verduras, frutas... Patrulha a hora que eu como, a hora que eu saio, a hora que acordo! Saco! Sabe que já me deu vontade de quebrar o celular?!
Ikki mirou o irmão meio atordoado com aquela explosão.
- Desculpe por me preocupar! – respondeu irritado.
- Não é isso! – Shun estava realmente irritado, mas era por outros motivos e não queria comentá-los com o irmão. Não naquele momento – Mas, eu quero que você entenda, que nessa apresentação, eu preciso ser o melhor.
- Então é só por vaidade? Por vaidade você está pondo sua saúde em risco? – perguntou irritado.
- Pense como quiser! – respondeu zangado também, e o irmão estranhou, Shun não era assim, nunca lhe daria uma resposta como aquela se não estivesse escondendo alguma coisa muito séria.
O Amamiya mais velho pegou o mais jovem pelo braço.
- Eu quero saber agora, o que está acontecendo?!
- Solta meu braço, Ikki, ele está me machucado! – Shun baixou os olhos mais uma vez e o irmão fitou o hematoma que se formava na pele clara do cotovelo do caçula.
- O que foi isso?
- Cair da cama... – disse – Ando tendo aqueles pesadelos novamente. Havia parado e agora recomeçaram.
- Você só está estressado com essa apresentação como você mesmo disse. É por causa disso que tem pesadelos! – Ikki afagou os cabelos do rapaz – Venha, vamos dar um passeio, quem sabe assim você não relaxa um pouco.
- Eu ainda tenho mais duas músicas para ensaiar, Ikki.
- Você faz isso, amanhã, o Albion já me falou que hoje, você não pega mais naquele violino.
- Você... você não contou a ele, contou? – perguntou Shun, aflito.
- Claro que sim!
- Ah, Ikki, por que você fez isso? Agora se armou um complô contra mim! Você, June e Albion, eu não mereço isso!
- Deixa de ser dramático! Todos nós gostamos e nos preocupamos com você, só isso. Agora vamos, vamos andar um pouco até a praia, aproveitar que hoje não está tão frio, há muito não fazemos isso.
- Tudo bem, vamos. Eu preciso mesmo conversar com você.
ooooooOOOooooooOOOoooooo
Os irmãos Amamiya andavam pela areia, sentindo as ondas baterem nos seus pés. A água estava gelada e causava uma sensação boa, durante a caminhada.
Shun sentia os pés, que passaram o dia inteiro apertado dentro dos sapatos, relaxarem com o contato da água fria.
- Ikki, eu queria um favor seu...
- Então, fale. – disse o mais velho chutando a espuma que se formava enquanto a onda quebrava na praia.
Shun hesitou, mas precisava dele, sempre precisou dele a vida toda e sabia que sentiria muito sua falta. E também sabia que magoaria o irmão por mais que não quisesse.
- Você vai à minha avaliação, a que farei na próxima semana?
- Claro que sim, agora, por quê?
- É que essa é importante, muito importante pra mim e...
Ikki parou para mirar os olhos verdes do irmão. Shun também parou ressabiado, olhando meio embaraçados os olhos azuis dele.
- Fale, Shun, fale a verdade.
- Eu tenho estado com medo... – confessou o mais jovem baixando o olhar novamente – Esses pesadelos... eles sempre acontecem quando alguma coisa acontece de ruim... a você...
Ikki piscou confuso e ergueu o queixo do irmão.
- O que você quer dizer com isso, Shun?
- Eu nunca contei, porque não queria preocupá-lo, mas... é verdade... – as lágrimas desceram pelo rosto pálido do mais jovem – Sempre que você tem algum problema emocional... Ou qualquer outro tipo de problema, ele é precedido por esses sonhos estranhos que tenho e do qual nunca me lembro.
- Shun, você não precisa se preocupar tanto com isso, se alguma coisa ruim tiver de acontecer, não serão suas lágrimas que evitarão.
- Ikki, você é tudo pra mim... – Shun abraçou o irmão – Cuide-se, por favor, e não deixe que essa pessoa, seja lá quem for, o magoe.
- Fique tranqüilo, nada de ruim vai acontecer! – sorriu o mais velho e afastou o irmão – Agora eu quero falar de você, está tomando os remédios corretamente? Você está tão pálido, meu irmão.
- Eu sempre fui pálido, Ikki, nós nem parecemos que nascemos dos mesmos pais! E fique tranqüilo. Estou fazendo tudo direitinho.
- É, somos muito diferentes... – sorriu o moreno, enlaçando os ombros do irmão – Mesmo assim, nunca brigamos muito, não é?
- Claro que não! – riu Shun – Eu sempre cedo as suas vontades, ao contrário, você me torra a paciência, grita, esbraveja porque oh gênio difícil!
-Ah, não exagera!
- Agora, eu sou o exagerado? – perguntou Shun chutando água no irmão. Ikki recebeu o golpe e depois observou o irmão correndo. Riu e o seguiu.
- Volta aqui, Shun! Eu vou jogá-lo dentro desse mar gelado, você vai ver!
Passaram o resto da tarde assim, entre conversas e demonstração de amor mútuo, porém, nenhum dos dois disseram o que precisava ser dito.
ooooooOOOooooooOOOoooooo
- Alô, Shun, onde você está? Esperei por toda à tarde! – Hyoga atendeu ao telefone, irritado. Passou a tarde inteira na galeria esperando o rapaz e, somente agora, ele ligava.
- Hyoga, me desculpe, é que meu irmão foi me buscar no ensaio e acabei me esquecendo de você...
Hyoga riu nervoso.
- Assim você parte meu coração, Shun. Como diz dessa forma, que me esqueceu? Que me trocou por outro homem? – tentou esconder o desespero com divertimento.
- Não é outro homem, é meu irmão! – riu Shun também – E você sabe que não pode competir com ele.
- Você é cruel, Shun. – Hyoga brincava, mas estava cada vez mais apreensivo. Tanto que aquilo já estava lhe causando problemas físicos. Era um estado permanente de tensão que só passava na companhia dos seus próprios algozes.
- Não sou! Amanhã eu prometo que compenso, não poderei ensaiar e, por isso, vou pra aí, logo cedo se você quiser. – continuou Shun.
- Tudo bem, já estamos quase terminando. acho que mais alguns dias e você se ver livre de mim.
- Ah, Hyoga, não fale assim, você sabe que...
- Que?
- Nada, tchau, Hyoga, até amanhã.
- Até amanhã, Shun... – ele desligou o telefone e passou as mãos no cabelo; até quando continuaria aquela história? Estava se afundando cada vez mais e ao final, o que sobraria daquilo tudo?
- Hyoga, você é patético! – falou pra si, derrotado e começou a tirar os quadros das paredes. Teria que embalar tudo para mandá-los para Camus; ele saberia com certeza o melhor destino para mandá-lo recomeçar de mais um recomeço.
Nova madrugada. Ikki adentrava a casa do russo. Isso não o incomodava, porque passava o dia inteiro ocupado mesmo e era até prazeroso esperar durante todo o dia por àquelas horas de infinita ternura.
A madrugada que geralmente passava dormindo se tornou seu horário preferido. Também não era homem de cobranças e nunca perguntava o que o amante fazia com o tempo em que estava longe, falava pra si mesmo que, muitas vezes, a ignorância era a única oportunidade de felicidade e como aquele amor tinha hora e data para acabar, vivê-lo-ia plenamente até a inarredável separação.
- Olá! – o loiro deu seu mais encantador sorriso quando o moreno passou pela porta. Ele trazia uma sacola. Aproximou-se do dono da casa que estava na cozinha e o beijou carinhosamente.
- Trouxe algo pra comermos, eu mesmo fiz e posso garantir que está delicioso! – disse Ikki colocando a travessa, que tirou da sacola, sobre a mesa.
- Desse jeito, ficaremos gordos, nunca comi tanto, à noite! – falou Hyoga soltando os cabelos que estavam presos por um elástico e tirando o avental, porque terminara de lavar a louça.
- Ah, eu gostaria que você passasse um dia na minha casa, aí sim, você saberia o que é um café da manhã de verdade! – o moreno disse e riu – Pensando bem, eu não imagino um homem sofisticado como você em meu humilde rancho.
- Você pode se surpreender comigo, cowboy. Eu não sou tão sofisticado assim! – tornou Hyoga maliciosamente, enxugando as mãos.
- Não nego que me excita pensar em como você ficaria em botas de montaria. – Ikki disse rindo e ruborizando com as próprias palavras.
- Ah, estou descobrindo seus fetiches... – tornou o russo o enlaçando pelo pescoço – O tímido Ikki está confessando suas taras. Fale-me mais, quem sabe eu não consiga realizá-las, todas?
- Isso significa que teremos mais tempo? – indagou o moreno caindo no sofá e o russo olhou-o intrigado.
- O que você quer dizer com isso, Ikki Amamiya?
- Não sei, você quem me dirá? – provocou sorrindo – Eu só adoraria que você aceitasse viajar comigo, ao invés de fugir sozinho.
- Fugir? – Hyoga perguntou perturbado – Quem disse que eu estou fugindo?
- Você mesmo naquela estrada, ou acha que esqueci? Você me disse que estava fugindo dos seus próprios sentimentos, lembra-se?
- Eu gostaria que você se esquecesse disso... – falou baixando o olhar – É um erro quando deixamos alguém nos conhecer tanto; tão profundamente e tão sem reservas. O que farei caso você queria usar todas essas informações contra mim?
- Isso se chama amor, Pato. Amor é sim, se entregar sem reservas, e pode ter certeza que não usarei nada do que me disser, contra você.
- Eu sei que é amor... – sorriu Hyoga – Mas eu jurei nunca mais cair nessa armadilha e não queria que o mesmo acontecesse a você...
- Não reclame, foi você que me seduziu. – sorriu Ikki o puxando pra si.
O loiro acabou rindo também e o puxando para o quarto entre beijos.
- Espera, russo, nosso jantar... – protestou Ikki.
- Depois poderemos comer olhando o nascer do sol o que acha? – o russo perguntou sensualmente, enquanto começava a desabotoa-lhe a camisa e a empurrá-lo para o quarto.
- Certo, desse jeito eu concordo com qualquer coisa! – riu Ikki o beijando.
Amavam-se sempre intensamente,contudo, Hyoga nunca esteve tão preocupado. Por mais que quisesse viver aquele sentimento ao extremo, seu coração doía. E por mais que seus conceitos morais não fossem o da norma, isso não o impedia de se sentir sujo e desleal naquela situação.
- Você ainda não me respondeu, Pato, por que você não viaja comigo?
Hyoga baixou os olhos, envergonhado e ficou brincando de fazer desenhos no peito musculoso em que encostava a cabeça.
- Eu adoraria viajar com você, Ikki... – falou com tristeza – Mas, sei que não podemos. Quando nossa madrugada eterna acabar, você só sentirá ódio de mim...
- Ódio de você? – perguntou confuso – Por quê? Você está escondendo alguma coisa de mim, é isso?
Hyoga não respondeu, ergueu a cabeça e sorriu.
- Estou com fome, verei o que você trouxe! – disse e tentou levantar, mas o moreno o puxou pelo braço e ele caiu novamente sobre seu peito, olhando-o assustado.
- Pato, se você tem alguma coisa a me dizer, faça isso agora. – tornou Ikki sério e o aquariano gelou com seu olhar.
"Agora entendo o porquê de o Shun ter tanto medo de suas reações. Você é tão intenso e vejo que seu ódio é tão forte e letal quanto sua paixão. Você se entrega totalmente a qualquer tipo de sentimento. Eu sei que estou perdido, sei que o perderei assim que você souber a verdade. Será que alguém entenderá por que eu adio tanto essa verdade inevitável? Porque é essa verdade inexorável, que o levará de mim."
- Não, Ikki, eu não tenho nada a dizer, não agora. – falou o loiro e sentiu a mão que segurava seu braço relaxar e o moreno sorrir.
Aquele sorriso que o devastava, que ele nunca queria que se apagasse, mas... A inexorável verdade bateria sua porta a qualquer momento e tudo viraria as cinzas da fogueira...
Vestiu um roupão e correu para a cozinha e verificou a travessa levada pelo amante.
- Lasanha? – riu – não acredito que você fez lasanha!
- Você não gosta? – perguntou Ikki o abraçando pela cintura, também vestido num roupão.
- Adoro, vou aquecer e colocar nos pratos. Comeremos na praia, esperando o nascer do sol.
- Tudo bem, você é mesmo louco, russo! – riu Ikki caminhando para a porta e a abrindo, já começava a amanhecer.
Hyoga o seguiu. Entregando-lhe a bandeja e depois voltando, pegando uma toalha e um cobertor, além de uma garrafa de vinho.
- Vamos! – ele desceu animadamente a escada que separava a casa da areia. Lutou contra o vento para estender a toalha sob as gargalhadas de Ikki, mas conseguiu, e depois ficaram os dois olhando os primeiros raios do sol pálido que apareciam sobre o mar.
- Um brinde a esse momento! – disse o russo e eles tilintaram as taças – A esse momento tão especial e tão efêmero quanto essa espuma que se forma na areia.
- Um brinde a esse momento tão especial e tão efêmero quanto essa espuma que se forma na areia, e que, apesar de efêmera se repete desde os mais remotos tempos e não há nenhuma força que a impeça!
Ikki falou olhando os belos olhos azuis do russo que apesar de tristes sorriram. Voltaram a se beijar, entre a areia, a espuma, a brisa e a esperança do alvorecer.
Continua...
N/A: Certo... O Hyoga está cavando a própria sepultura eu sei, estou até com pena dele... (mentira, sou sádica).
Vocês perceberam que todos os personagens estão tendo atitudes erradas, não é? Eu quis fazê-los bem humanos, e humanos erram, e aviso que mais adiante vocês entenderão todas as atitudes. Tipo: O Hyoga ser desleal (querer ficar com os dois, coisa que eu também faria XD!Apaixonada pelos Amamiyas... Suspira Sion!), o Ikki muitas vezes esquecer sua "prioridade" (o Shun) por causa da sua paixão pelo russo, O Shun mentir para o irmão na cara de pau!
Aff... Gente, desculpe os que queriam algo diferente, mas eu tentei ser humanista nessa fic. Sim, sem anjos e sem demônios e sabia que isso causaria polêmica, mas é isso aí, fazer o quê? Eu que adoro um romance, preferi ser "desromantizada" nessa fic, embora ela seja um tanto romântica e poética... Vocês me entenderam? Preferi não fazer o estilo "princesa encantada e bruxa malvada".
Quem quiser ler algo desse tipo, está no ar "Verão da Paixão eterna" que é açúcar por todos os lados, claro que não esquecendo o drama que eu adoro! XD!
Declaração: As Quartas feiras será o dia oficial de minhas atualizações, e, ao menos tentarei ser disciplinada quando a isso. Só se faltar inspiração mesmo, mas pretendo atualizar todas as quartas feiras. XD!
Agradecimentos especialíssimos!
Vagabond, Mefram_Maru, mio77, Yoilandya, Shunzinhaah2, Arcueid e toda a galera nota 1000 do Nyah!
Kojican, PATRICIA RODRIGUES, Layzinha, Pandora Black(Você pode até ter razão, sabe?rsrsrss), Mamba negra, Amaterasu Sonne, Amamiya Fã (tá vendo que eu não sou tão má? Eu levei a sério os sofrimentos do carneirinho XD! Também dividi os cap porque vi que eram imensos tirando o tesão de qualquer leitor... Aff!!! Não sei como você conseguiu chegar até o final! Agora o Pato aqui tá ferrado mesmo, tenho até peninha dele!).
E toda a galera do FF
Beijos de coração! Valeu pelo apoio.
Sion Neblina 2010!
