Já fazia dois meses que havíamos voltado para hogwarts, o natal na casa de Luna poderia ter sido interessante se eu não estivesse bem pra baixo. Mas ela e o pai dela me distraíram o quanto puderam, era engraçado ouvir as historias loucas do sr. Lovegood.
Na escola pensei que teria que enfrentar Draco, mas para a minha surpresa ele nem ao menos me olhou no rosto. Ele devia estar com raiva de mim. Mas era melhor assim, talvez a raiva fizesse com que ele me esquecesse mais rápido e seria melhor assim.
Eu o observava de longe, ele voltara a ser o mesmo sonserino de sempre. Ofendia ou provocava Harry, Rony e Gina sempre que passava por eles, tal como os meu outros amigos grifinorios. Porém ele não me provocava, não como se me respeitasse, mas como se eu fosse invisível aos olhos dele e simplesmente não existisse. Olhava o mundo de cima com a mesma expressão desdenhosa que ele manteve todos os anos durante os quais eu o conheci. O sorriso que era a imagem perfeita da alma que eu sabia que ele tinha mesmo que agora estivesse escondida por baixo da arrogância, o sorriso lindo de Draco Malfoy, o sorriso que iluminava todo o meu mundo, eu nunca mais o vi.
E por isso, eu levava agora uma vida mal iluminada. Eu decidi não me envolver com mais ninguém e me dedicar ainda mais aos estudos. Eu acordava assistia todas as aulas, depois eu ia para a biblioteca, quando acabavam os deveres de casa e eu já tinha revisado todas as aulas do dia, eu pegava algum livro complementar para ler. Tinha dia que eu comia, tinha dia que não. No geral eu não tinha vontade de comer. Mas nada era pior do que os sonhos. Toda noite eu sonhava a mesma coisa, todas as noites eu sonhava com Draco chorando no escuro e não tinha havido nem ao menos uma noite nesses dois meses que eu não tivesse chorado também.
Meus amigos tinham me perguntado muitas vezes o porquê do rompimento, mas eu não havia respondido. A escola inteira estava comentando o fim do meu relacionamento, inclusive os professores. Snape em particular não passava uma aula sem falar do assunto, sempre fazendo questão de me expor ao ridículo.
Flashback
Eu estava na aula de poções. Snape, como era de costume agora, dava indiretas pouquíssimo engraçadas sobre a minha vida.
- E essa são as propriedades da amortentia. Que com uma boa dose de certeza cairão nos N.I. , no fim do ano. – disse a ele e então parou em frente a mim e me olhou com desdém. Eu sabia que ele ia começar – Uma pena que algumas pessoas tenham que recorrer a esse tipo de poção. – ele olhou de mim para Draco – mas pelo menos o efeito passa logo e a vitima pode pensar racionalmente novo.
Draco não sorria seu riso debochado, ele olhava para Snape sem nenhuma emoção. Eu estava tão distraída olhando para a reação de Draco que nem reparei no ruivo sentado ao meu lado, agora vermelho e com muita raiva.
- Uma pena que algumas pessoas que realmente necessitariam desse tipo de poção, tenham decidido não usá-la e acabam terminando velhos, sozinhos e se metendo na vida dos outros. - Rony disse.
- E o que você vai escolher Weasley? A poção ou o futuro solitário? – perguntou Snape com raiva na voz. – Afinal sua amada sabe tudo tem bastante ambição, aliais mais ambição do que eu achava que ela tinha, visto que escolhe sonserinos para namorado.
Rony de repente ficou muito vermelho.
- Eu sou solteira, professor Snape. – eu disse com ódio, toda a minha vida exposta ali, vários alunos davam risadinhas e os outros me olhavam curiosos – Não quero saber de sonserinos, nem grifinorios.
-Vai fazer o que srta. Granger? – ele disse com um sorriso torto – Virar lésbica e namorar a srta. Lovegood?
Eu não soube mais nada sobre o suposto casamento de Draco e Pansy e ela continuava a correr atrás dele pela escola toda. Ele, por sua vez, continuava a desprezá-la como sempre. No fundo eu sabia que eu sentia um imenso prazer por causa disso. Apesar de querer que ele me esquecesse, eu não queria esquecê-lo, eu nem ao menos fazia algum esforço pra isso. Eu havia aprendido a administrar a minha dor que aos poucos se transformava em saudade. Eu sabia que ainda o queria e que eu não queria parar de querê-lo, nem que fosse sem nenhum objetivo futuro.
Neste instante, na sala precisa. – Narrado por Luna Lovegood.
Eu havia reunido ali os meus amigos alegando ter um assunto urgente para conversar. A sala precisa havia se transformado em uma salinha de reunião, com uma mesa redonda e cinco cadeiras. Encontrava-se ali todo o sexteto de prata, com exceção de Hermione Granger. Olhei para os meus colegas de escola, companheiros de guerra, meus amigos. Olhei um por um, todos pareciam curiosos. Deixei para o fim o rosto de Neville, a expressão dele era preocupada e isso me estimulou a fazer o que eu tinha que fazer, nem que isso significasse trair a confiança da minha melhor amiga.
- Eu chamei vocês aqui porque estou preocupada com a Mione – eu comecei - precisamos encontrar um meio de ajudá-la.
- Sim – Gina disse – Ela não come direito, estuda ainda mais do que antes e todas as noites ela tem pesadelos, sua muito, fica inquieta e diz varias vezes o nome dele. Depois quando ela acorda ela sempre chora, eu ouço. Tenho o sono muito leve.
Harry, Rony e Neville pareciam surpresos com a situação.
- Mas como, Luna? – perguntou Harry – como ajudá-la?
- Não sabemos nem por onde começar. – disse Rony. – a historia do natal ficou incrivelmente mal contada. Não sabemos nem porque eles terminaram.
- Eu sei. – eu disse.
E todos olharam para mim, ansiosos.
