Confinados
Por Mukuroo
Obs 1 : Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
Obs 2: Já algum tempo eu estava com a idéia de escrever um fanfic nesse estilo. O assunto sempre me encantou e depois de muito pensar, finalmente consegui materializá-la.
Obs 3: o nome Carlo foi dado ao personagem Máscara da Morte pela escritora Pipe. Portanto, todos os créditos à ela.
VII
- Aiolos... Aiolos... Aiolos! – a voz do espanhol ecoava por uma cela fria e escura. Aquela era a segunda vez que tinha aquela alucinação: a visão de Aiolos ali parado à sua frente como se quisesse lhe dizer algo.
O espanhol mal conseguia encarar aqueles olhos acusadores que caíam sobre si. Chorava enquanto sussurrava o nome de seu ex-namorado. De seus olhos caíam lágrimas de dor, num pranto de desespero.
Em razão daquelas alucinações, Shura havia sido jogado em uma cela fria e escura. Era menor que a cela em que ficava com Máscara da Morte, bem menor. E aquele cheiro... Era um forte cheiro de sangue que o estava deixando enjoado.
Olhou novamente para a imagem de Aiolos que desapareceu. Suspirou, fechando os olhos fortemente. Tinha que se manter lúcido para não ser jogado na ala psiquiátrica do presídio. Tinha de se esforçar. Pensou um tanto, lembrando-se que não fazia a mínima idéia de como chegara ali. A única coisa que se lembrava era que havia visto Aiolos e...
- Aiolos... – sussurrou novamente o nome do ex-amante. Sim, sabia que ele estava morto. Sabia bem que sua mente estava lhe pregando peças, que era tudo mentira. Shura tinha plena noção que aquilo acontecia com as pessoas que sentiam remorso, um sentimento experimentado por aqueles que acreditavam ter cometido uma ação que infringe o código moral que seguem.
Suspirou, lembrando-se de suas aulas na faculdade de psicologia. O espanhol havia tornado-se passível de alguma condenação ou punição severa dada por terceiros, mas como não queria sofrer tal punição, sua mente estava punindo de uma maneira um tanto mais suportável... Ou não. A mente de alguém atormentado pelo remorso castigava a si mesmo de alguma maneira por acreditar que um castigo auto-imposto o redima de seu erro.
Talvez... Aquele fosse o motivo pelo qual sua mente imaginava que Aiolos estava ali ao seu lado, querendo puni-lo por seu ato grotesco. No caso de do espanhol, ele acreditava ter cometido um pecado contra Aiolos e contra a si mesmo.
- Aiolos... – mais uma vez, dos lábios do espanhol, o nome do grego foi chamado, num breve sussurro. Mantinha os olhos fechados, e sua mente voltava a se confundir, os pensamentos voltavam a se embaraçar. Havia apenas um pequeno fio que separavam a sanidade e a loucura, e aquele fio estava começando a se arrebentar.
O espanhol começou a imaginar agora de uma forma não muito sã, o motivo pelo qual Aiolos estava o atormentando e algumas hipóteses absurdas começaram a invadir seus pensamentos.
Lembrou-se do olhar de seu amado poucos segundos antes de morrer, e do pedido de perdão que Aiolos sussurrou para si. Aquela cena o atormentava sempre, pois por mais que o grego havia lhe pedido perdão, Shura sabia que o sentimento da traição arraigado em seu peito provocou conflitos psicológicos entre seus relacionamentos individuais.
Shura sabia bem que para que aqueles sentimentos ruins irem embora, precisava perdoar. E precisava se sentir perdoado também. Aquele sentimento de ressentimento e raiva que havia no peito do espanhol deveria cessar. Porém, ele devia ceder o perdão sem qualquer expectativa de compensação, o que era o mais difícil. Sua mente atormentada precisava de um alívio e só conseguiria isso quando fosse perdoado, quando começasse a agir diferente. Precisava voltar a viver... Mas como? Precisava... De ajuda..
Repentinamente, a visão dos intensos olhos verdes de Aiolos o fitando, invadiu sua mente. Também lhe invadiu o sentimento de angústia, aquela sensação de insegurança, dor e ferida na alma. Aquela lembrança traumática de seu amado morrendo em seus braços, tentando lhe dizer algo mais sempre lhe dilacerava o ego.
Talvez aquele fosse o motivo pelo qual o fantasma de Aiolos havia retornado à sua vida. Ele queria lhe dizer algo ou talvez, queria puni-lo. Ah... A idéia de punição novamente veio a seus pensamentos.
Punição... Era isso o que merecia por seu pecado. Talvez só o fato de ter sido enclausurado em um presídio de segurança máxima não seja o suficiente para pagar pelo sofrimento que causara a Aiolos, a Aiolia e a si mesmo.
Seus devaneios foram cortados por um barulho de passos ecoando pelo corredor. Estremeceu ao ouvir chaves se tocarem e depois a porta de sua cela foi aberta.
A pouca luz que entrara no local não o deixou ver quem era, apenas a sombra de um corpo alto, cabelos longos. Franziu o cenho um tanto temeroso, os pensamentos confusos demais para notar qualquer outro detalhe.
- Quem está aí? – foi a única coisa que o espanhol conseguiu perguntar. A voz saiu fraca e trêmula.
- Shura... Shura... – uma voz potente, masculina ecoou pelo local. – Queria muito te encontrar, Shura...
O corpo do espanhol novamente estremeceu, sentindo o homem se aproximar um tanto mais de si. A voz não lhe era estranha, mas sua mente não conseguira assimilar ao dono.
Sentado a um canto da cela, o espanhol tentou recuar, mas suas costas encontraram a parede fria do cômodo. – Q-Quem é? – gaguejou ao repetir a pergunta.
- Sou um vingador... – a voz do homem saiu fria, porém com uma pontada de sadismo.
A distância entre os dois corpos foi vencida por poucos passos, assim que a porta da cela foi fechada. Por algum motivo, Shura não conseguiu reagir àquilo. Sua mente avisava que algo não estava certo, que algo muito ruim iria acontecer. Mas talvez fosse apenas impressão sua...
Engoliu em seco ao sentir um breve toque de uma mão gelada em seu rosto. Sua respiração tornou-se um tanto mais pesada ao perceber o rosto do outro homem bem próximo o seu. Sentiu os lábios alheios colando em uma de suas orelhas e o hálito quente quando o homem lhe sussurrou.
- Vim lhe tirar todas as angústias. Vim livrá-lo do remorso por ter matado nosso amado Aiolos!... Vim libertar sua mente de todos os pensamentos ruins e do fantasma que o atormenta por causa de seus sentimentos de culpa. – o homem deu uma pausa antes de continuar a falar. – Eu vim salvá-lo, Shura.
O espanhol ouviu tudo atentamente e fechou os olhos na tentativa de processar a informação que acabara de receber.
- Mas, quem...? – tentou perguntar novamente quando foi interrompido pela voz grave do outro.
- Me chame de Ares! – dito isso, o homem colou os lábios aos do espanhol impedindo-o de protestar. O beijo era intenso demais e sem que Shura percebesse os dois corpos há estavam colados e já estava envolvido naquilo, sem que conseguisse recuar.
Quando os lábios se separaram, o espanhol conseguiu ver, refletido na pouca luz, o olhar daquele homem. Os olhos eram... Vermelhos. Mas Shura não conseguiu fazer nada. Apenas sussurrou com voz fraca.
- Então... Salve-me!
Shura abriu os olhos e gemeu um tanto de dor no corpo. Franziu o cenho ao sentir a entrada entre as nádegas arder e lembrou-se do que havia acontecido consigo na noite anterior.
- Ares... – sussurrou o homem do homem misterioso e não percebeu que estava sendo observado por um curioso par de olhos de certo italiano.
O espanhol suspirou tentando se levantar, porém foi parado por Carlo que o segurou na posição em que estava, deitado de costas no beliche.
- Não é recomendável que se levante, Shura. Está todo machucado! – Máscara da Morte murmurou ainda olhando curiosamente o companheiro de cela.
Machucado? Shura novamente franziu o cenho. Sim, lembrara-se que o tal Ares não havia sido nem um pouco delicado consigo, mas naquele momento, a dor o ajudara na esquecer. Dor... Nunca pensou que podia sentir prazer naquilo. Talvez a dor fosse tudo o que precisava para se sentir um tanto melhor em seus momentos de desespero.
Lembrou-se do alívio que sentira quando o outro o tomou com violência, arrancando sangue de algumas partes de seu corpo e acabou por sorrir um tanto.
Carlo viu aquele sorriso e ergueu os olhos sem entender o motivo da felicidade alheia. Estava todo arrebentado, não? Então, por que diabos sorria?
O italiano grunhiu, não descartando a possibilidade de seu companheiro realmente estar ficando louco. Ergueu uma sobrancelha, observando-o de forma curiosa e até teve vontade de perguntar por qualquer coisa, mas conteve-se.
- É melhor que descanse... Algum policial provavelmente virá trazer o café logo e mais tarde... você terá de ir comigo para a cozinha... – disse de forma tranqüila.
Shura ouviu aquilo e não entendeu, o olhando com uma expressão duvidosa.
- C-Cozinha? – o espanhol mostrava dor na voz e até mesmo uma certa angústia.
O italiano apenas deu de ombros como se não se importasse com nada mais.
- Sim... Ou você acha que ficaria de vida boa aqui até apodrecer na prisão? – suspirou. – Todos aqui tem que trabalhar.
- Entendo... – sussurrou. A voz saindo um tanto fraca talvez. – Mas... eu não sei cozinhar... – fechou os olhos, suspirando.
- E quem disse que vamos cozinhar? – revirou os olhos.
Dessa vez foi Shura quem revirou os olhos ao ouvir aquilo. – E o que se tem pra fazer na cozinha além de cozinhar e comer? Creio que a segunda opção não é válida para presos que vão trabalhar...
- Uma parte da cozinha está em reforma... – explicou tranquilamente. – Vamos lixar as paredes e depois pintar...
O espanhol bufou. – E quem disse que eu sei fazer isso?
Apenas sorriu de canto para ele ao ouvir aquilo.
- Não se preocupe, espanhol! Você vai aprender! – o olhou com um sorriso de canto. – Vai aprender muitas coisas enquanto estiver por aqui, mais coisas até do que você gostaria...
Shura suspirou, lembrando-se do que acontecera consigo durante a noite. É... já estou aprendendo...
Continua...
Bem gente... ta aí. O capítulo ficou curtinho mas confesso a vocês que foi um capítulo muito suado de escrever. Ele realmente demorou mais de um mês para ficar pronto. Eu já o havia começado a um tempo atrás e não saía o fim do capítulo de jeito nenhum. Mesmo que o capítulo tenha ficado pequeno, eu espero sinceramente que vocês tenham gostado. Eu PRECISO muito saber o que vocês estão achando do fic. Sugestões e Críticas construtivas também são bem-vindas. \o/ Muito bem-vindas! Gostaria de agradecer a todos aqueles que me mandaram reviews animando-me a continuar a escrever esse fic. Um forte abraço também à Akane M.A.S.T minha querida betinha sempre paciente com essa ficwritter maluca!
Beijos a todos!
Muk-chan \o/
