"Stairway to Heaven"
Por: Naki
Capítulo VI – O reencontro de um olhar
Domingo, 3:30 da manhã...
Tomoyo andava de um lado para o outro. Estava tensa. A preocupação assombrava seus olhos e lhe causava medo. Tentara inutilmente adormecer girando-se na cama, mas tamanha era sua angustia que não conseguia simplesmente manter o corpo parado. Precisava andar. Quem sabe assim colocaria todos os pensamentos em ordem.
A jovem encontrava-se na sala da casa de Sakura. Após o telefonema de sua mãe, a jovem não deixava de pensar naquela terrível situação. Ou Sakura aceitava ou ela perderia suas empresas... Sim, suas! Seu avô havia feito para ela. Sabia o quanto a neta gostava de arte, moda, música assim como ele. Sua mãe insistia em abrir uma fábrica de brinquedos, mas a opinião de Tomoyo tinha sido levada em conta, mesmo sendo a opinião de uma garotinha de 4 anos.
Como ela convenceria Sakura? Tomoyo ainda não sabia, mas teria que falar com a amiga. A amiga sabia que algo estava acontecendo. Percebera isso ainda no estacionamento da Pista de Patinação, confirmando após o retorno de Tomoyo à mesa durante o jantar. E foi esta certeza de que se tratava do mesmo assunto que fez Sakura puxar a amiga até o banheiro...
*~*~*~*~*~*~* Flash Back *~*~*~*~*~*~*
"O que foi, Sakura?" - perguntava Tomoyo ao ser praticamente empurrada porta adentro do banheiro do restaurante.
Sakura estava parada, braços cruzados, olhos fixos em Tomoyo. A jovem sabia que alguma coisa estava acontecendo com a amiga de olhos violetas. E estava decidida que descobriria o que era.
"Você está assim por conta daquele assunto, não é?" - perguntou uma Sakura inquieta.
"Que assunto?" - tentava Tomoyo disfarçar.
"Ora, Tomoyo! Pensa que não te conheço? Desde o estacionamento lá na Pista de Patinação que percebi que algo estava te incomodando, e você confessou. E agora você me volta de um telefonema com uma expressão de preocupação ainda maior!"
"Sakura, eu..."
"Tomoyo! Você disse que iria me contar!"
"Não é nada importante, Sakura... Vamos deixar isso pra depois... Sua família esta nos esperando e..." - Tomoyo saía do banheiro quando fora parada pela mão de Sakura segurando seu braço.
"Tá bem, Tomoyo... Você me conta quando achar que deve... Não vou força-la! Não é este o objetivo de uma amizade, mas sim ouvir quando a pessoa achar que deve dizer. Insistir será pior! Mas quero que saiba que desculpas esfarrapadas como "sua mãe ter ficado brava por você dormir em casa", ah... Essas eu não vou aceitar!"
Sakura sorria lembrando-se da desculpa que Tomoyo tinha dado a pouco à família de Sakura. Não importaria o problema... O que quer fosse, Sakura estaria ali, disposta a ajudar sua mais preciosa amiga. Tomoyo sorriu com seu olhar, como se entendesse o que a amiga estava lhe dizendo.
As duas saíram do banheiro sem dizer mais nenhuma palavra sobre o assunto. O pouco que tinha sido dito fora suficiente para tornar a noite novamente muito agradável...
*~*~*~*~*~*~* Fim do Flash Back *~*~*~*~*~*~*
"Sakura..." - murmurava Tomoyo sentando-se sobre o sofá da sala.
As amigas haviam chegado tarde do jantar junto com Fujitaka. Touya tinha ido com Nakuru para casa. Sakura arrumara uma pequena cama para Tomoyo se deitar e poucos instantes depois deitou-se confessando um imenso cansaço. As últimas palavras da patinadora campeã tinham sido de agradecimento. Sakura agradeceu pela oportunidade e frisou que seria eternamente grata à ela e a sua mãe. Talvez esse comentário tivesse sido a causa dela perder o sono. Sua mãe com certeza se usaria disso para fazer Sakura assinar o contrato...
"Talvez seja bom para ela..." - pensava Tomoyo - "Afinal ela vai treinar com um excelente patinador, e mais! Alguém que ela sempre admirou em segredo..." - pensou Tomoyo ao se lembrar que do que sua mãe havia dito. O empresário tinha sido um grande patinador. Não existiriam dois grandes patinadores com um mesmo sobrenome - "Sakura..."
E pensando sobre a possibilidade de Sakura aceitar a proposta, Tomoyo caiu no sono. Seu inconsciente não lhe trouxe bons sonhos, e Tomoyo nem ao menos se lembraria deles quando acordasse pela manhã, assustada...
Domingo, 8:15 da manhã...
"Bom dia, Sr."
"Bom dia, Wei!" - dizia Shaoran sorridente sentando-se a mesa do café.
"O de sempre, Sr.?"
"Ah... sim..." - dizia Shaoran abrindo o jornal que estava sobre a mesa, ao seu lado esquerdo.
Wei preparava o café de Li como de costume. Café forte, pouco açúcar, e leite espumante. Ao colocar a xícara bem preparada à frente de seu patrão, Wei percebeu um riso diferente nos lábios do jovem. Era muito raro ver Li sorrindo, ainda mais um riso infantil. Era este o riso no rosto de Shaoran, um sorriso maroto, jovial, como o jovem deveria ter porém nunca o demostrara antes. Wei resolveu deixar a sala, mas seu patrão o chamou a atenção com uma pergunta.
"Acha carregado demais usar preto num primeiro encontro?"
"Perdão, Sr.?"
"Preto Wei... É clássico demais?"
Shaoran estava de pé, e dava o último gole em seu café. Pegando uma torrada sobre a mesa caminhou até próximo de seu mordomo lhe fitando. Wei estava estranhando a sua pergunta, e isto era nitidamente perceptível. Balançando sua cabeça e virando-se em direção a sala de estar, Shaoran sorriu.
"Esqueça, Wei... Afinal, eu quase sempre uso ternos pretos!"
"Tomoyo, querida..."
"Ainda é muito cedo, mamãe.... Me deixe dormir mais um pouco..."
"Tomoyo, filha..."
"Hã..." - respondia uma Tomoyo sonolenta esfregando os olhos.
"Vá tomar um banho, sim. Eu a espero lá em baixo!"
Sonomi começava a deixar o quarto, quando Tomoyo percebeu aonde estava. Estava deitada em uma cama, no quarto de Sakura. Como chegara até ali? Mas antes que outras dúvidas surgissem a sua mente quanto a forma que ela havia chegado até ali, Tomoyo como num estalo, viu que sua mãe já estava ali. "Ah meu Deus..." - pensou virando-se rapidamente para a cama de Sakura. Ela não estava deitada ali...
"Mãe, me espere!" - chamou Tomoyo com a voz um pouco alterada, como num susto.
"Acalme-se querida... Se o que te aflige é o fato de eu já estar conversando com Sakura a respeito do contrato que assinei, fique tranqüila! Como você mesma me disse, você é sua treinadora e empresária." - Sonomi disse enchendo-se um pouco de orgulho de sua filha por vê-la tão jovem já com uma preciosidade artística em suas mãos - "Cabe a você iniciar a conversa... Arrume-se! Esperarei você lá em baixo!"
Sonomi saiu do quarto deixando Tomoyo com um sorriso de alívio nos lábios. Poderia até ser um alívio momentâneo, mas enfim, era um alívio saber que sua mãe ainda não tinha exposto a delicada situação ao qual se encontrava. Não apenas ela, mas Tomoyo também... As empresas Daidouji corriam risco.
Sakura estava com seu pai e Sonomi na sala. Estava sorridente. Seu pai e a mãe de Tomoyo comentavam sobre a apresentação que Sakura tinha feito no dia anterior. A graciosidade dos comentários por vezes a deixavam envergonhada. Afinal, não era apenas seu pai que dizia isso, mas uma grande empresária artística, conhecedora de talentos.
"Bom dia..." - dizia Tomoyo que acabava de descer as escadas. A jovem tinha os cabelos molhados, os olhos levemente inchados por falta de sono. Caminhando para próximo de sua mãe, foi interrompida por Sakura.
Sakura levantou-se e parou em frente a Tomoyo. Estava vestindo um lindo casaco verde claro, todo bordado em branco, que realçavam seus olhos. Os cabelos estavam soltos e destacavam-se sobre o casaco, dando uma imagem clássica e encantadora. Sakura puxou Tomoyo pelas mãos.
"Venha, eu vou preparar o seu café!" - disse Sakura.
Tomoyo sorriu e acompanhou Sakura. Era incrível como Sakura sempre estava sorridente. Tomoyo poderia contar nos dedos de uma mão as vezes que viu Sakura infeliz. Não que ela não chorasse, pelo contrário! Sakura era muito sensível... Era capaz de se emocionar com qualquer fato meigo e doce que presenciasse. Talvez fosse isso que a tornava tão carismática e fizesse Tomoyo valorizar tanto sua amizade.
Tomoyo sentou-se à mesa, tomou um café e comeu duas torradas rapidamente. Estava preocupada. A conversa que teria seria muito desgastante. Não sabia que resposta teria da parte de Sakura, e isto causava-lhe um certo receio. Fitando discretamente os olhos de sua amiga, encontrou algo que lhe preenchia de uma luz quente e acolhedora. Uma luz cálida que provinha do intenso verde dos olhos de Sakura... Um verde "esperança"...
As duas jovens caminharam de volta a sala onde Fujitaka conversava calmamente com Sonomi. Tomoyo sentou-se ao lado da mãe e Sakura fez o mesmo ao lado de seu pai. Limpando a garganta como uma forma de chamar a atenção de todos os presentes, Tomoyo tomou coragem e começou.
"Sakura... Eu preciso contar-lhe algo. À você e a seu pai."
"Meu Deus..." - a expressão de Fujitaka demostrava o quanto todas aquelas informações pareciam graves. Colocarem sua filha no meio de uma negociação sem comunicação prévia alguma... Como puderam?
Tomoyo havia lhes contado tudo. Sonomi poucas vezes a interrompera para acrescentar um ou outro detalhe. A jovem de olhos violetas permaneceu séria todo o momento, e isso fez com que Sakura e Fujitaka ficassem quietos, apenas ouvindo o que ela tinha a lhes dizer.
Ao invés de ir direto ao foco principal do assunto, o contrato e a escolha que o Sr. Li havia feito, Tomoyo preferiu argumentar com Sakura quanto a possibilidade dela treinar com um profissional. Sakura de imediato aceitou, e disse que ficaria grata por isso, que seria como um sonho. Sonomi sorriu e até tentou inverter a posição em que se encontrava, mentindo para Sakura que havia conseguido um maravilhoso contrato para ela, no entanto, Tomoyo não permitiu.
A jovem Daidouji contou-lhes toda a verdade.
Contou sobre o contrato erroneamente assinado por sua mãe, sobre a multa absurda que teriam que pagar caso o contrato fosse cancelado, sobre a escolha do contratante por Sakura. A jovem patinadora ouvira tudo atentamente. Tinha uma expressão de felicidade por saber que tinha sido escolhida, e um pouquinho de orgulho de si própria ao ouvir de Sonomi o comentário que o Sr. Li tinha realizado antes de apresentarem suas notas: Ele a queria, independente se fosse ou não a melhor entre as três candidatas de Tomoeda...
Fujitaka permanecera calmo por todo o tempo em que Tomoyo realizara o relato. Mas a imprudência de Sonomi tinha ultrapassado os limites do tolerável. A empresária não tinha se dado conta quanto ao contrato absurdo que tinha assinado. Por certo que o dinheiro oferecido por Li, que lhe brilharia nas mão, tinha falado mais alto.
"Como pôde fazer isso, Sonomi? Envolver minha filha!" - dizia Fujitaka nitidamente inconformado - "Colocou minha filha nesta situação sem consultá-la! E agora, do sacrifício de Sakura dependerá sua presidência assim como o dinheiro que receberá deste homem!"
Fujitaka estava nervoso, e com razão. Tomoyo sentia-se envergonhada, por mais que não tivesse culpa, estava envolvida. Eram suas empresas... Mas o que lhe importava mais era a amizade de Sakura. Tinha medo de perdê-la. Antes perder todas as ações de sua empresa do que imaginar sua vida sem a amizade, sem o sorriso e o apoio incondicional de sua amiga.
"Sakura, me desculpe..." - dizia Tomoyo, como se sentisse toda a revolta de Fujitaka cair sobre ela.
"Querida, pense bem na oportunidade que estará perdendo. Li é um excelente treinador. Já foi o melhor patinador do mundo..." - tentava Sonomi usar-se de artifícios na intenção de convencer Sakura.
"Ele era patinador?" - perguntava Sakura interessada.
"Sim... Ganhou todos os regionais aos quais participou inclusive o Nacional!" - empolgava-se Sonomi ao perceber o interesse de Sakura pelo homem que seria seu treinador. Ele seria! Ah, seria... Sonomi faria de tudo para assim ser. Não toleraria perder um contrato... Quanto mais este contrato!
"Nacional? Não me lembro de nenhum patinador chamado Li ter sido campeão Nacional do Japão..." - forçava Sakura obter a informação em sua memória.
"Ah, não... meu bem! Ele é chinês! Ganhou o Campeonato Nacional da China com apenas dezesseis anos!"
"Li..." - murmurava Sakura - "Ele competiu nas Olimpíadas?" - perguntava Sakura, tentando disfarçar a ansiedade em saber se esta pessoa tratava-se daquele patinador que tanto chamara sua atenção quando menina...
"Sim, competiu... Estava em primeiro lugar mas abandonou os Jogos já nas finais... Uma pena... Um grande talento desperdiçado..." - concluía Sonomi - "Mas veja você! Um talento incrível! Não pode perder esta oportunidade, Sakura... Não permita que seu talento fique adormecido e caia no esquecimento, não apenas para o público como para você também..."
"Não tente convencer minha filha com palavras doces, Sonomi... Não está certo ela se sacrificar para salvar as suas empresas, que a propósito, você mesmo colocou em risco!"
"Não queremos isso, Sr. Kinomoto..." - a voz sussurrada e presa de Tomoyo fez-se ouvir entre todos - "Longe de mim obrigar Sakura à isso. Quero o melhor para ela, e aceitarei a decisão que ela tomar. A amizade de sua filha vale mais do que qualquer negócio para mim."
"Tomoyo..." - tentava Sonomi dizer quando a filha a interrompeu e continuou.
"Não mamãe... Não tente dizer mais nada que possa vir a convencer Sakura. Se ela não quiser, arcaremos com as conseqüências. Não perderei o carinho de minha melhor amiga por um erro seu. Sinto muito mamãe, mas acho que o Sr. Li passará a controlar nossas empresas..."
Tomoyo tinha um terrível lamento em sua voz. Sabia que Fujitaka estava certo. Nunca o tinha visto defender sua filha com tanto empenho e coragem. Ele que era um homem sempre tão calmo havia perdido a suavidade quando sentira a vida de sua filha sendo invadida. Sonomi compreendia que o pai de Sakura tinha razão. Ela havia errado, e muito. Arcaria com todas as mudanças que sofreria, e aprenderia com elas a não cometer mais o mesmo deslize.
"Mas e se eu aceitasse?" - a voz baixa de Sakura, que tinha ficado quieta nestes últimos instantes, se manifestara. As poucas palavras ditas por ela fizeram aquele fio de esperança brotar no coração das Daidouji.
"Como, minha filha?" - disse Fujitaka não entendendo Sakura. Ela aceitaria? Não... aquilo deveria ser somente uma suposição.
"Eu... eu queria muito continuar patinando, papai. E tendo um treinador profissional me auxiliando poderia até competir novamente, em algum campeonato maior, como o Nacional!" - Sakura respirava fundo. Pela primeira vez estava colocando sua opinião perante todos, e não hesitaria em dizer o que realmente queria - "Não será um sacrifício na verdade. Acho que todos sairiam ganhando. As empresas teriam um apoio financeiro e eu mais um treinador para me ajudar, pois não quero que você pare de me treinar, Tomoyo." - Sakura virava seu rosto para a amiga, fitando-a - "Você é maravilhosa e parte do que conquistei foi graças à você, sabe disso não é?"
O sorriso de Tomoyo veio como resposta. Ela aceitaria. O seu coração afirmava isso. Tudo daria certo. Continuaria treinando Sakura, suas empresas cresceriam no ramo artístico, veria Sakura vencer o Nacional ao seu lado e o mais importante, a amizade que tinham não seria prejudicada.
"Sakura, será maravilhoso!" - Sonomi voltava a falar. Ela havia criado a possibilidade dentro de Sakura, bastava agora torná-la real - "Não se arrependerá, ele tem muito a lhe ensinar. Só o fato dele se predispor a treiná-la é incrível, não acha?"
Sakura assentia enquanto um maravilhoso sorriso lhe surgia na face. Seu sonho estava próximo de suas mãos. Por mais torto que fosse o caminho que o destino tinha criado para trazer até ela o seu maior sonho, ele tinha chegado. E o mais surpreendente é que ele tinha carregado junto um sonho de infância, seu patinador favorito. "Li... Ter a oportunidade de treinar com você é algo mágico..." - pensava Sakura.
Fujitaka observava a filha. Seus olhos tinham um brilho esverdeado lindo, contagiante. Sua filha realmente desejava aquilo. Não seria ele que impediria sua filha de conquistar, de tornar real seu mais íntimo e puro desejo.
"Desde que isso não interfira nos seus estudos, autorizo você a assinar este contrato." - As palavras de Fujitaka foram suficiente para fazer Sakura se jogar nos braços do pai e abraça-lo calorosamente.
"Obrigada, papai..." - dizia Sakura - "Eu te amo!"
Sonomi e Tomoyo se entreolharam. O sorriso das duas mostrava gratificação e alívio. Sakura era realmente uma menina incrível. Mas antes que pudessem desfrutar desta emoção ou de permitirem que Sakura caísse em si da maravilha que aconteceria em sua vida, Sonomi lembrou-se do mais importante.
"O contrato!" - disse Sonomi num estalo.
"O que tem o contrato, mamãe?" - perguntava Tomoyo.
"Veja! Já quase onze horas! Li pediu que deixasse o contrato assinado sobre sua mesa ainda na parte da manhã, não se lembra?"
"Ah, Meu Deus! Não conseguiremos chegar lá a tempo!" - dizia Tomoyo ao verificar em seu relógio a hora exata, 10:48.
"Sakura! Fujitaka! Peguem suas coisa. Vamos agora para o heliporto! De helicóptero conseguiremos chegar lá antes das doze e trinta." - disse Sonomi se levantando do sofá e caminhando até a porta onde Fujitaka já se preparava para abri-la - "Só espero que este atraso não deixe Li muito nervoso..."
Tóquio, Empresas Li, 12:45 pm...
"Diga que a Sra. Daidouji Sonomi está aqui!" - dizia Sonomi para o segurança que se encontrava do outro lado da imensa porta de vidro da construção onde se localizava as Empresas Li.
O prédio das Empresas Li ficava bem no coração de Tóquio, em uma das principais avenidas do grande centro empresarial. O movimento era pequeno, e nenhum dos prédios estava aberto. Era domingo. Sonomi, Tomoyo, Sakura e Fujitaka estavam parados, de frente ao prédio, tentando ouvir o que o segurança dizia do outro lado do vidro, dentro do prédio.
"Hoje - não - tem - expediente - Sra.!" - dizia o porteiro de forma pausada, querendo se fazer ouvir por quem estivesse do lado de fora do prédio.
"Ai.... por que ele não abre esta porta?" - perguntava Tomoyo para Sakura e Fujitaka.
"Deixe-me tentar..." - dizia Fujitaka se aproximando da porta - "Meu Sr., por favor. Temos um contrato para entregarmos par ao Sr. Li. É muito urgente. Será que o Sr. poderia ao menos abrir a porta para recebê-lo?"
O porteiro parecia não compreender muito bem o que Fujitaka queria. Ele tinha ordem de abrir aquela porta aos domingos para apenas duas pessoas. Uma por sinal, já estava lá dentro. Quanto à outra... Parecia que esta combinara o horário com os demais...
"Com licença." - dizia um homem ao se aproximar dos quatro ao lado de fora do prédio, na intenção de abrir passagem.
Assim que o recém chegado se aproximou da porta, o porteiro imediatamente a abriu.
"Bom dia, Sr. Hiiragisawa!" - dizia o porteiro abrindo a porta.
"Sr..." - uma suave voz chamava a atenção de Hiiragisawa.
Eriol virou-se e deparou-se com um oceano arroxeado. A pele branca levemente rosada pelo frio, os longos cabelos negros, levemente encaracolados, que se movimentavam graciosamente pelo vento. "Nossa..." - dizia Eriol para si mesmo, ao deparar-se com tamanha beleza.
"Em que posso ajudá-la, Srta.?" - dizia Eriol ao aproxima-se de Tomoyo.
"Precisamos falar com o Sr. Li. Sou Daidouji Sonomi." - dizia Sonomi ao colocar-se na frente da filha tomando a palavra - "Tenho um contrato para ele. É a respeito da patinadora de minha Empresa que ele irá treinar e..."
Eriol simplesmente levantou sua mão direita como se quisesse impedir que Sonomi continuasse a dizer qualquer coisa. Ele queria ficar ali, apenas observando a beleza incomum que chamara tanto a sua atenção. Ela era realmente linda, e aquela voz, então? Queria tanto ouvi-la novamente...
"Perdão, Srta. Queria me dizer algo?" - Eriol simplesmente ignorou o fato de Sonomi ter tomado a palavra em nome da jovem que havia lhe chamado.
"Oh, sim! Viemos falar com o Sr. Li a respeito de um contrato..."
"Ah, sim..." - disse Eriol interrompendo-a e virando-se para fitar a bela garota de olhos verdes que ele havia visto se apresentar no dia anterior. - "Você deve ser Kinomoto Sakura, não?"
Sakura assentiu e curvou-se delicadamente em forma de respeito. O jovem inglês tomando de sua cordial educação tomou a mão de Sakura e a beijou.
"Acredito que Li deve estar aguardando-a. Perdoem-me o segurança. São ordens dele não permitir que ninguém entre sem a autorização de Li ou a minha própria. Mas olhem só, eu aqui esclarecendo a situação e nem ao menos me apresentei. Perdoem-me mais uma vez. Sou Hiiragisawa, e trabalho nestas empresas." - Eriol curvava-se e recebia o cumprimento de todos - "Permitam-me levá-los até Li."
"Muito obrigada, Sr." - disse Tomoyo.
"Não a de que Srta. ..." - disse Eriol no intuito de ouvir o nome daquele ser angelical que parecia ter acabado de esconder as asas quando pousara de seu vôo sobre a terra dos mortais.
"Daidouji!" - disse Tomoyo percebendo a indagação subjetiva de Eriol.
"Daidouji... Suponho que seja sua filha." - disse Eriol ao virar-se para Sonomi, que apenas assentiu.
"Sou Kinomoto Fujitaka, pai de Sakura."
"Muito prazer, Sr." - disse Eriol - "Prazer em conhecê-la também, Srta. Kinomoto. Saiba que fiquei muito impressionado com sua apresentação. Foi belíssima!"
"Muito obrigada!" - disse Sakura envergonhada.
Eriol deu passagem para que os quatro entrassem no prédio. "Me acompanhem por favor..." - disse Eriol após entrar no prédio e direcionar-se para o elevador. Em momento algum, enquanto esperava o elevador chegar, Eriol disfarçou sua enorme admiração por Tomoyo. Era como se tivesse sido enfeitiçado... E pelo olhar que o jovem inglês lançava para a jovem de olhos violetas, o feitiço parecia ter sido muito forte...
"Bom dia, Akashi!" - disse Eriol ao entrar no hall que dava acesso a sala de Shaoran.
"Bom dia, Sr." - respondeu Akashi, um dos empregados das Empresas Li que auxiliava nos serviços de secretaria do presidente.
"Li está na sala?" - perguntou Eriol.
"Sim, Sr."
"Diga-lhe que o assunto ao qual ele está esperando desde cedo acabou de chegar." - disse Eriol por fim ao virar-se para os quatro logo atrás dele.
Akashi fez como solicitado por Eriol e anunciou por telefone a chegada do "assunto" de interesse de seu patrão. Ao desligar o telefone, Akashi levantou-se da cadeira ao qual estava sentado e caminhou até o final do hall parando em frente à enorme de madeira escura, que dava acesso a sala de Li.
"Por favor, Li está aguardando-os."
Um arrepio percorreu a espinha de Sakura. Ela em poucos momentos estaria diante dele. Como ele estaria? Deveria estar muito diferente da lembrança que tinha, afinal ele era muito jovem quando o viu pela televisão a última vez. Pensando no que dizer, como agiria perante o seu futuro treinador, Sakura não percebeu que havia caminhado atrás de seu pai e estava dentro da sala de Li. Somente quando Akashi fechou a porta da sala criando um barulho que Sakura ergueu a cabeça e deparou-se com um homem alto e muito elegante.
Shaoran estava parado entre as duas poltronas que localizavam-se em frente à sua enorme mesa. Trajava calças sociais pretas, e uma fina camisa social, também preta. Caminhando até Sonomi como se indagasse com o olhar quem eram aqueles que estavam ali com ela, indicou que todos sentassem nos sofás localizados à esquerda da mesa de Shaoran. Todos sentaram-se e Sonomi cuidou de apresentá-los à Li.
"Esta é minha filha, Tomoyo. Este é Kinomoto Fujitaka, pai desta jovem, que você já conhece..." - disse referindo-se a Sakura e o conhecimento de Shaoran devido a apresentação de ontem.
"Muito prazer..." - disse Shaoran - "Acredito que já devam saber quem sou. Sou Li, presidente destas empresas e o contratante da jovem." – todos assentiram em sinal da informação colocada por Shaoran - "Imagino que estão aqui porque a menina assinou o contrato..." - disse virando-se para Sonomi que mantinha um envelope pardo em mãos.
"Sim, Sakura assim como seu responsável assinaram os termos do contrato. Resta a você assiná-lo e..."
"Dê-me o aqui, sim." - disse Shaoran interrompendo-a, praticamente impondo que Sonomi lhe desse o contrato.
Shaoran recebeu de Sonomi o envelope e pardo e retirou de dentro os papéis que ali estavam. Observou a assinatura de Sakura e Fujitaka nas três vias do contrato, e pegando uma caneta sobre a pequena mesa de centro que se localizava entre os dois sofás, apoiou a folha sobre a mesma e assinou as três vias. Shaoran se levantou e colocou as três vias sobre sua mesa.
"Amanhã mesmo estarei encaminhando estas vias para que meus advogados protocolem e validem a contratação. Uma delas ficará comigo, a outra com a Srta. Kinomoto. Quanto a terceira, esta ficará arquivada."
Voltando a se sentar, Shaoran fitou Sakura. Ela estava com a cabeça baixa. Evitando ter o destino de seu olhar percebido, Shaoran virou-se para Sonomi, que estava com um ar de vitória e alívio.
"Creio que está tudo em ordem agora, Sonomi. Entro em contato com você durante esta semana e digo-lhe como cumprirei a minha parte do contrato. Quanto ao Sr., Sr. Kinomoto." - disse virando-se para Fujitaka – "Qualquer dúvida que persistir, qualquer esclarecimento, necessidade, sinta-se a vontade de tratar diretamente comigo." - Shaoran tirava um cartão do bolso de sua camisa e entregava nas mãos de Fujitaka, que aceitou prontamente.
Shaoran levantou-se e direcionou-se para a porta de sua sala, abriu-a cuidadosamente e chamou Akashi com um aceno. Seu ajudante aproximou-se rapidamente.
"Akashi, leve-os para a sala de espera, sim. Ofereça-os um café." - disse Shaoran.
"Sim, Sr." - respondeu Akashi.
Voltando para próximo dos sofás de sua sala, Shaoran aproximou-se de Sakura. "Srta.?" - chamou Shaoran a atenção de Sakura. A jovem que estava de cabeça baixa evitando olhar para Li ergueu seu rosto em sinal de resposta ao chamado - "Acredito que devemos conversar, não? Afinal trabalharemos juntos a partir de agora."
Sakura assentiu, e Shaoran estendeu o braço pedindo-a que passasse à sua frente. Caminhando a frente dele, Sakura não sabia que rumo tomar diante daquela enorme sala. Shaoran apontou-lhe uma das poltronas em frente a sua mesa e Sakura voltou seu olhar para ele.
"Sente-se ali, por favor, Srta." - disse Shaoran.
Obedecendo àquele que a partir daquele momento era seu treinador, Sakura se sentou. Sonomi, Tomoyo e Fujitaka continuavam de pé, em frente aos sofás, sem entender bem o que Li desejava naquele instante.
"Akashi os acompanhará até a sala de espera. Quero conversar com ela a sós."
Tomoyo, assim como sua mãe e Fujitaka, estranharam Shaoran. O que ele queria conversar com Sakura? E por que a sós? A garota sentada na poltrona sentira seu coração apertar. Ela ficaria a sós com ele. Shaoran indicou que Akashi entrasse, apresentando-o aos presentes. Sakura preferiu não virar o rosto para seu pai ou Tomoyo. Tinha medo de ver alguma expressão assustada. A descrição que Sonomi havia lhe dado a respeito de Li era que se tratava de um homem irônico, arrogante e muito intimidador. A sensação de tudo isso ser verdade fazia com que a jovem patinadora ficasse mais desconfortável do que já estava.
"Foi um prazer conhecê-los." - disse Shaoran para Tomoyo e Fujitaka, no sentido de fazê-los se despedirem e saírem logo da sala. Ele queria ficar a sós com Sakura. Queria poder conhecer melhor a jovem que tinha o espírito de uma verdadeira patinadora. O espírito que ele tinha quando patinava e que o fizera encantar-se tanto por ela.
"O prazer foi meu." - respondeu Tomoyo que começou a sair da sala atrás de sua mãe, meio a contragosto pois não queria deixar a amiga sozinha ali.
"E Sakura?" - perguntou Fujitaka.
"Quando terminar minha conversa com ela pedirei que Akashi os avise." - respondeu Shaoran.
Hesitando por um momento, Fujitaka seguiu Sonomi e Tomoyo, acompanhado por Akashi que fechou a porta da sala de Li ao se retirar do aposento. Fujitaka fitava Tomoyo que caminhava ao seu lado. A jovem parecia preocupada. Sabia que a amiga era sensível, frágil... Tinha medo que aquele homem fosse rude com ela, e que a fizesse desistir do contrato.
"Sakura não faria isso... Pare de pensar besteiras, Tomoyo. Ele deve apenas querer acertar com ela os horários dos treinos, os dias que irão se ver, nada de mais! Mas se é apenas isso, por que não nos permitiu que ficássemos na sala com eles?" - pensava Tomoyo quando Akashi abriu a porta de uma sala muito ampla e iluminada.
"Vou pedir que lhes serviam algo. Aguardem um momento, por favor." - disse Akashi saindo da sala.
"Por que ele pediu para conversar com Sakura a sós?" - perguntava Fujitaka para as Daidouji assim que Akashi deixara a sala.
Sonomi olhou para Tomoyo e percebeu que sua filha não responderia uma pergunta que ela própria gostaria de fazer. "Não deve ser nada demais. Apenas deve querer conhecê-la, discutir detalhes. Logo ela estará aqui e poderemos ir." - respondeu Sonomi com um sorriso não muito convincente. Ela própria sabia que Li não era um homem com personalidade fácil de lidar.
"Sim... Deve ser..." - disse Fujitaka balançando o cartão de Li em suas mãos, tentando disfarçar a preocupação que lhe invadia.
"Com licença? Desejariam algo para beber, um café, água, suco, chá?" - dizia uma mulher gordinha que acabava de entrar na sala trajando um avental.
Sakura estava diante de Li Shaoran. Sentada na poltrona à frente da enorme mesa do escritório do presidente das Empresas Li. Mantendo as mãos sobre os joelhos, flexionando-as e fazendo seus dedos roçarem sobre a calça que vestia, Sakura fitava o carpete sob seus pés. Estava nervosa. Aquele homem..., estar diante dele lhe causavam entusiasmo e receio ao mesmo tempo. Entusiasmo por ver se tratar de Li, o patinador que tanto a cativara quando menina, e receio por não saber o que aquele homem trataria com ela.
Shaoran mantinha seus olhos fixos em Sakura. "Deus... como ela é linda..." - pensava. Pela primeira vez o jovem empresário não cobrava a si próprio o fato de estar admitindo isso. Os cabelos castanhos, num tom quase mel, soltos, caídos sobre seus ombros. "Ela fica bem melhor de cabelos soltos..." - pensava Shaoran ao recordar-se da primeira vez que a vira, onde a jovem tinha os cabelos presos em um rabo da cavalo. Estudando-a detalhadamente, percebeu a inquietude dela, o nervosismo que seus tensos ombros apresentavam. Queria ver o rosto dela de novo. Ver aquele olhar... "Que olhar...." - pensava enquanto respirava forte soltando o ar num quase murmúrio de felicidade e prazer que veio a chamar a atenção de Sakura.
A menina ergueu o rosto rapidamente e deparou-se com um Li Shaoran fitando o teto, cabeça deitada para trás. Foi a vez de Sakura analisar o rapaz. A respiração pesada de Shaoran fazia seu peito encher-se de ar, e a fina camisa que vestia permitia que Sakura delineasse com os olhos toda a perfeição de seu corpo. Envergonhada e enrubescendo-se rapidamente, Sakura desviou seus olhos assustada. Passou a fitar o chão ao seu lado esquerdo, onde outra poltrona igual a dela permanecia.
"Kinomoto... Sakura Kinomoto..." - dizia Shaoran voltando a fitá-la. Sua expressão agora estava como de costume, séria. Como se todo o encanto que a pouco o dominara tivesse desaparecido. Sakura respondeu o chamado de seu nome erguendo os olhos timidamente, ainda mantendo a cabeça baixa.
Shaoran aproximou-se de sua mesa, colocando seus cotovelos sobre ela, entrelaçando suas mãos. Sakura sentiu um frio lhe percorrer a espinha tamanha a intensidade daquele olhar. Era como se seu corpo todo fosse tragado pelas misteriosas terras de um mundo totalmente novo, surpreendente.
"Então você decidiu-se por assinar o contrato..." - disse indicando as vias de contrato sobre à mesa com um levantar de sobrancelhas.
Sakura simplesmente assentiu. Ela prendia o lábio inferior com os dentes, o que causou certo devaneio em Shaoran. Como se quisesse dissipar qualquer pensamento tolo que pudesse lhe surgir a mente, que seria um tanto quanto inconveniente para o momento, Shaoran balançou sua cabeça fazendo Sakura estranhar tal atitude.
"É... Então..." - dizia Shaoran recuperando sua concentração e sua expressão séria - "O motivo pelo qual solicitei ter uma conversa particular com você é o seguinte..."
Sakura interessou-se pela questão que seria abordada. Realmente ela queria muito saber o por que dele resolver ficar a sós com ela uma vez que o contrato já estava assinado. Tal curiosidade fez com que Sakura esquecesse o nervosismo e a tensão que antes tomava conta de seu corpo era substituída por uma sensação de bem estar, ao qual ela não sabia e nem ao menos se deu ao trabalho de entender. Seus olhos estavam brilhando e a sua postura agora estava relaxada, permitindo até que seus braços levassem suas pequenas mãos a tocarem a mesa a sua frente.
"Eu tenho uma proposta a lhe fazer, Srta. Kinomoto."
"Que proposta, Sr.?"
"Ah, por favor... Não me chame de Sr.!" - disse Shaoran soltando um pequeno sorriso que fez com que Sakura sentisse-se ainda mais a vontade, apesar de um pouco envergonhada pelo tom de voz suave que havia sido usado pelo jovem.
"Como quer que eu te chame, então? Treinador?" - perguntou Sakura fazendo uma doce carinha interrogativa que cativou Shaoran completamente.
Shaoran sorriu e se aproximou mais dela, debruçando-se sobre a mesa. A reação mais expontânea que ele poderia esperar de Sakura era ela se afastar da mesa, recostando-se ao fundo da poltrona. E foi o que ela fez.
"Ei... Calma! Eu não vou te morder!" - Shaoran disse observando Sakura apertar suas mãos contra a barriga, sem graça. - "Pode me chamar de Li, como todos me chamam."
"Está certo..." - disse Sakura assentindo com a cabeça - "Li."
Que voz doce... Nunca uma voz tão doce havia dito seu nome. Shaoran daria tudo naquele momento para vê-la chamando-o pelo primeiro nome: "Shaoran...". As pedras de âmbar que possuía brilhavam com o pensamento. "Ah... Shaoran, pare com isso!" - culpava a si mesmo em pensamento pela besteira que estava pulsando em sua mente. Ele não permitia a ninguém que o chamasse pelo primeiro nome. Isso era extremamente pessoal e restrito apenas as suas irmãs e sua mãe, ah... e a Eriol também. "Eriol..." - Shaoran lembrava-se do amigo. Ele nunca havia permitido ao rapaz de olhos azuis escuros lhe chamar pelo primeiro nome, o jovem simplesmente o fazia. Agora já estava acostumado com o amigo lhe chamando de Shao...
"Se não for petulância minha, gostaria de pedir que me dissesse que proposta é essa que tem a me fazer." - disse Sakura numa tentativa de retomar o assunto que tanto lhe interessava.
"Como?" - as palavras de Sakura trouxeram Shaoran de volta a realidade.
"É... A proposta!" - disse Sakura sem graça, num tom baixinho.
"A proposta! Claro, me desculpe Srta."
"Se não for muita ousadia... Poderia não me chamar de Srta.? É que não estou acostumada, e me sinto um tanto quanto... é...."
"Sem graça?" - disse Shaoran como se soubesse exatamente o termo que deveria usar para descrever a sensação da jovem. Sakura assentiu - "E como gostaria que te chamasse?"
"Pelo meu nome, se não se importar..."
"Por que me importaria? Tem um nome tão bonito... Sakura...." - disse Shaoran suavemente. Tão suave quanto a jovem que carregava tal nome. Sakura enrubesceu-se um pouco. A forma com que Shaoran havia dito seu nome causara um brilho diferente em seu olhar. Um brilho mágico, cativante...
"Eu gosto do meu nome." - disse Sakura tentando argumentar qualquer assunto e fazer o brilho dos olhos que a fitavam desaparecer. Aquilo lhe causava um sensação diferente, nunca sentida por ela antes. Um tanto assustador, forte, e ao mesmo tempo terno, amável... - "Foi minha mãe quem o escolheu e significa..."
"Flor de Cerejeira..." – completou Shaoran antes de Sakura - "Apesar de ser chinês domino muito bem o japonês."
"Para quem não o conhece diria que você é japonês..."
"Tenho sobrenome chinês... Meu nome também é dito de forma diferente..."
"Como assim? Li é Li e..."
"Não, não!" - disse Shaoran rindo da pequena confusão que Sakura estava cometendo, deixando-a sem graça, com um sorriso bobo no rosto - "Me refiro ao primeiro nome..."
"Shaoran?"
"Deus..." - pensou Shaoran ao ouvi-la pronunciando seu nome - "O que esta acontecendo comigo? Eu ... eu simplesmente largaria tudo e ficaria ouvindo-a me chamar assim o resto da vida..." Sakura apenas tinha colocado o nome do jovem em uma pergunta, mas para ele aquilo soara como a melodia mais singela e pura que poderia existir.
"Sim..." - disse Shaoran respondendo a doce e suave pergunta de Sakura - "Meu nome é Xiao Lang, mas aqui no Japão..."
"Se diz Shaoran..." - completou Sakura.
Como ela era perfeita. Como alguém que ele mal conhecia podia estar dominando o seu ser de forma tão rápida? Parecia uma praga infestando seu corpo, mas ao contrário do que uma infestação possa parecer, esta era maravilhosa! E por mais que Shaoran se negasse a ser invadido e dominado por ela, ele simplesmente se envolvia mais... Se permitia... Era algo incrível, completamente envolvente. Uma sensação de calor dominou seu corpo ao ouvir Sakura repetindo seu nome, desta vez de forma mais calma e doce. A suavidade de cada letra que era pronunciada por ela era como uma pequena brisa de primavera, que toca a face e trás aquele perfume delicado e a maciez das pétalas das flores.
"É... Mas você queria saber da proposta, não?" - disse Shaoran mudando o assunto. Estava com medo de ouvi-la pronunciar mais uma vez seu nome e fraquejar perante sua postura e sua posição. Algo lhe dizia que se ouvisse aquela harmoniosa voz pronunciando seu primeiro nome novamente permitiria que ela sempre o chamasse assim.
"Sim!" - respondeu Sakura.
"O que quero te propor é que você passe a morar em Tóquio."
"Morar em Tóquio?"
"Sim, Sakura. Eu moro aqui, trabalho aqui. Como conseguirei treiná-la se tiver que me dirigir para Tomoeda todos os dias?"
"Mas posso vir para cá nos finais de semana e durante a semana posso continuar o meu treinamento com Tomoyo e..."
"Não!"
O "não" de Li fez Sakura tremer. Os olhos dele estavam frios agora, diferentes daquele terno e quente olhar. A firmeza e a espontaneidade de sua palavra deixaram a bela jovem sem reação. O medo de dizer algo que viesse por deixá-lo nervoso... Sem dúvidas ela não queria vê-lo nervoso. Pelo pouco que pudera ouvir de Sonomi, Li parecia ser um homem decidido, sério e muito drástico quanto as suas decisões.
Um momento de silêncio se iniciou na sala. Shaoran percebera o quão rude havia sido com a menina sentada a sua frente. Ela parecia tão frágil e aquela fragilidade fazia com que sentisse culpa por tê-la assustado. Numa atitude impensada, Shaoran se levantou e sentou-se na poltrona ao lado de Sakura. Ela, que mantinha os olhos fixos na parede oposta à poltrona em que Shaoran havia se sentado, não percebeu quando o jovem tocou-lhe a face.
Afastando-se rapidamente do toque das pontas dos dedos de Shaoran, Sakura o fitou assustada. Seus olhos verdes reluziam. Sua pela branca era tomada por um rubor, que indicavam o calor que havia percorrido em seu corpo devido aquele toque. E o fato da jovem perceber que seu rosto estava se corando fez com que se envergonhasse ainda mais, abaixando a cabeça rapidamente.
Shaoran sorriu. Ela era encantadora. Sentia uma energia única que o ligava àquela menina. "Menina..." – pensava Shaoran rindo. Ela podia ter um rosto de menina, mas era um linda mulher...
"Com quantos anos você está mesmo, Sakura?" - perguntava Shaoran. A pergunta pareceu um tanto quanto inadequada, perdida dentro daquela conversa. Mas quer tenha sido ou não a intenção de quebrar o clima pesado ao qual se encontravam, Shaoran havia conseguido. Sakura respirou aliviada.
"Dezessete." - respondeu voltando a se virar para ele.
"É muito jovem ainda..." - disse Shaoran sem pensar.
"Você também!" - disse Sakura rapidamente após Shaoran afirmar que ela era muito jovem. Ela não pensou ao dizer isso, falou de forma espontânea, e isso fez com que Shaoran sorrisse.
"Quantos anos acha que tenho?"
"Por aparência te daria uns vinte e dois, por comportamento uns trinta!"
Shaoran a olhou sério. Ousadia ou não, Sakura tinha surpreendido. Por ver tal expressão no rosto do rapaz, Sakura reprimiu-se por ter dito tamanha besteira. "O que estou fazendo... Por que fui falar isso? Que vergonha..." - pensava Sakura.
"Me desculpe... eu não deveria ter..." - dizia Sakura desculpando-se quando foi interrompida por uma risada contagiante de Li. Sakura não entendeu o motivo pelo qual aquele rapaz estava rindo, mas sorriu de volta. Que belo sorriso ele tinha....
"Você tem razão!" - dizia Shaoran tentando conter o riso - "Eu pareço ter trinta anos mesmo... Mas a vida me fez amadurecer cedo demais." - Respirando fundo e aproximando seu corpo à lateral da poltrona, próximo a Sakura, continuou - "Eu tenho 24, Sakura. Mas desde os meus 18 anos tomei a liderança desta empresa, e minha vida não tem sido muito fácil..." - Shaoran respirou e conteve-se. Talvez estivesse falando demais de sua vida pessoal para ela .Mas algo o fazia se sentir bem fazendo isso...
"Eu... eu entendo..."
"Gosto muito de patinação, Sakura. Fui um grande patinador, você sabia?"
"Sim... Admirava-o muito." - respondeu Sakura timidamente.
"Ela me admirava?" - pensou Shaoran. Aquilo realmente o tinha agradado. Levantando-se da poltrona, caminhou e deu a volta por trás de Sakura, parando praticamente na sua frente, encostado à mesa.
"Por que parou de patinar? Você era excelente!" - perguntou Sakura encarando-o. Shaoran desviou seu rosto por um momento. Parecia não querer tocar naquele assunto, e mais uma vez Sakura arrependeu-se de ter dito algo inconveniente.
"Tinha que cuidar das empresas de minha família." - disse secamente.
"Entendo..." - respondeu Sakura prendendo o ar. Queria evitar fazer qualquer outra pergunta inadequada.
"Mas nós estamos aqui conversando e você não me respondeu ainda." - disse Shaoran caminhando novamente e sentando-se na poltrona atrás de sua mesa - "Virá morar comigo em Tóquio?"
"Com você?" - disse Sakura surpresa e ao mesmo tempo assustada. Ele tinha dito morar em Tóquio, mas "com ele" era algo que não tinha sido mencionado.
"Aonde pensou que iria morar? Você não teria condição alguma de ficar sozinha nesta cidade. Além do mais, seu pai não permitiria que ficasse aqui sem ninguém para cuidar de você..."
"Mas você mesmo me disse que trabalha, como iríamos treinar juntos?" - perguntava Sakura. E antes que Shaoran pudesse responder, ela continuou - "Acredito que será muito mais proveitoso o treinamento se continuar treinando com Tomoyo durante a semana, como sempre fiz, e nos fins de semana você poderia ir para Tomoeda e colocar suas opiniões, das sugestões e..."
"Não, Sakura!" - interrompeu - "Já disse que não quero que treine com a filha de Daidouji!"
"E por que, não? Ela me treinou muito bem! Tão bem que venci e..."
"Sakura..." - Shaoran balançava a cabeça como se não acreditasse. Como se tudo o que ela dissesse não passasse de uma grande tolice - "Eu quero treiná-la! Do meu jeito! Sem pai, amiga, tia, irmão... não quero ninguém interferindo no que "eu" vou fazer." - Shaoran enfatizava o "eu". Sakura parecia não gostar muito daquilo. Era uma espécie de possessão que dominava o olhar de Li. - "Eu vou continuar trabalhando sim, Sakura. Mas como presidente poderei abrir mão de ficar aqui durante todo o dia, e além do mais tenho alguém muito responsável que irá me auxiliar nos negócios. Terei muito tempo para treiná-la."
"Se terá alguém cuidado de tudo por você, por que você não vai pra Tomoeda?"
"Ora Sakura... Tóquio tem excelentes locais para treinarmos e..."
"Tem um lago atrás da minha casa!" - disse Sakura interrompendo-o. Não estava agradando-a em nada aquela conversa.
"Lago?" - dizia Shaoran contendo uma risada - "Por favor... Você não é mais uma amadora, Sakura. Então pare de agir como tal. Você competirá o Nacional, e ter um nome como o meu de treinador lhe abrirá muitas portas... Não pode dizer em uma entrevista, por exemplo, que treina em um lago!" - Shaoran ria do último comentário.
"Nacional...Entrevistas?..." - pensava Sakura. Competir no Campeonato Nacional era algo que lhe enchia os olhos. E dar entrevistas então? Será que ela conseguiria... Parecia um sonho...
"Já preparei seu quarto. Poderá ficar comigo em meu apartamento."
"E a minha escola? Eu estudo sabia..." - dizia Sakura se atendo novamente a conversa.
"Posso te arranjar professores particulares aqui. Você estuda pela manhã, treinamos a tarde. Aproveito e resolvo os assuntos da empresa enquanto você estuda."
Shaoran parecia ter um bom argumento para todos os empecilhos colocados por Sakura. Mas a jovem de olhos verdes não se deixaria intimidar por ele.
"E se eu não aceitar?" - perguntou Sakura num tom desafiador.
"O contrato é claro e diz que você será treinada por mim! Se não for deste modo, o contrato não será válido e creio que Sonomi terá um novo presidente em suas empresas..." - Shaoran estava firme em sua posição. Não se deixaria vencer por Sakura. Ele a queria. Queria Sakura perto dele.
"Mas isso não quer dizer que tenha que morar aqui em Tóquio, muito menos com você!" - respondeu Sakura um tanto quanto grossa.
"Ótimo, faça como quiser." - disse Shaoran alterado. Mas antes que Sakura pudesse sentir-se como vencedora, Shaoran deu-lhe o ultimato - "Esteja aqui todos os dias, a partir de segunda que vem, às 14:00 em ponto!"
"Mas..." - Sakura parecia não acreditar no que estava ouvindo. Como chegaria lá às 14:00?
"E o treino, Srta. Kinomoto, terá cinco horas de duração." - disse Shaoran levantando-se, colocando as palmas das mãos sobre a mesa, olhos fixos em Sakura. - "Será como quiser! Pode continuar em Tomoeda, mas não tolerarei atrasos. Pode ir agora!" - Shaoran estava irônico, e sua ironia chegava a causar arrepios em Sakura.
Sakura encarava Li atônita. Esta era a palavra que melhor lhe descrevia. Seu olhos pareciam ter perdido o brilho, e seu corpo estava imóvel. Como estaria ali às duas da tarde se suas aulas só se encerravam às 15:30? Além do que Tomoeda não ficava assim tão próxima de Tóquio. Ir para lá todos os dias seria muito cansativo... E que horas chegaria em casa? Com um treino de duração de cinco horas, que se encerraria por volta das sete das noite, faria com que chegasse muito tarde em casa. Isso seria um enorme sacrifício. Por mais que amasse patinação, por mais que quisesse competir no Nacional, aquilo era demais. Não poderia aceitar... Mas e como ficariam Tomoyo e sua mãe? Elas contavam com ela...
"Isso é loucura!" - disse Sakura levantando-se, encontrando forças dentro de si para enfrentar aquele que seria seu treinador. Seus olhos mergulhavam dentro dos de Shaoran. O olhar do jovem mantinha uma espécie de desafio e uma nítida vitória. Revoltando-se, Sakura continuou - "Você está fazendo isso de propósito!"
"De propósito? Ah... Não..." - Shaoran agora tinha perdido a cabeça. Ergueu-se e caminhou até Sakura, que estava de pé. Parou próximo a ela e com sua mão direita, fez o rosto angelical de Sakura virar de encontro ao seu. Olhos nos olhos - "Eu cedo a minha casa pra você, digo que quero te treinar e que abrirei mão das minhas obrigações só para ter tempo de ficar com você! Digo que vou cuidar de você... É assim que me agradece?" - Os olhos de Shaoran não tinham mais o desafio e a raiva refletidos neles. Estavam ternos como antes.
Ao dizer que cuidaria de Sakura, Shaoran sentiu o quanto realmente queria aquela preciosidade próximo a ele. Aproximando-se mais de Sakura, pôde sentir o maravilhoso perfume que seus cabelos exalavam. As esmeraldas pareciam completar o espaço que faltava dentro de si. Era como se de todas as pedras preciosas somente as esmeraldas, somente àquelas esmeraldas tinham o brilho mais intenso e envolvente que poderia existir. O brilho que ele tanto buscava...
"Mas..." - Sakura estava hipnotizada pelas pedras de âmbar que lhe penetravam a alma. O olhar... Era o mesmo que sentiu quando deslizava na pista de patinação. "Era você..." - pensou Sakura ao se lembrar do dia anterior no Campeonato regional, onde havia cruzado seus olhos com um par de olhos castanhos. O olhar mágico e intenso que tanto tinha lhe chamado atenção era o dele!
"Como não percebi antes... Não lembrava do rosto dele, mas este olhar... Eu não poderia ter confundido com nenhum outro olhar! Era claro que era ele! O patinador que tanto admirei quando criança, porque não me dei conta antes?"- pensava Sakura.
"Não te dei muitas opções, não é?" - disse Shaoran com a voz calma, suave. Sakura, sem desviar momento algum dos olhos dele, assentiu. "Espero que me entenda... Não tenho outra opção. Não posso partir para treiná-la e largar tudo aqui. Nossos sonhos às vezes nos pedem sacrifícios. Será tanto sacrifício assim morar comigo? Sou tão péssima companhia?" - brincou Shaoran. Ele tinha um pequeno sorriso nos lábios.
"Me desculpe... Não queria..."
"Tudo bem..." - disse Shaoran - "O que acha de chamarmos teu pai e comunicarmos a situação?"
"Eu..." - Sakura não sabia o que dizer. Estava perdida nas terras castanhas e misteriosas do olhar de Shaoran e parecia não querer ser encontrada...
"Algum problema?" - perguntou Shaoran soltando a mão do rosto de Sakura.
"Não... Eu só estou tentando me acostumar com a idéia de morar em Tóquio..." - disse dando alguns passos para trás - "Com você..." - completou timidamente, desviando seus olhos dos dele.
"Espero que leve os treinos a sério, Sakura. Isto não são férias, sim?"
"Claro! Quer dizer, eu sei que não são férias!" - Sakura voltou a encará-lo - "Eu não vou decepcioná-lo, Li!"
Shaoran apenas fitou Sakura. Pegou o telefone sobre sua mesa e discou um número.
"Akashi?" - disse Shaoran - "Pode por favor localizar o Sr. Kinomoto e traze-lo até a minha sala?" - Shaoran aguardou alguns segundos, e após um momento, agradeceu e desligou.
"Ele já está a caminho." - disse Shaoran voltando a se sentar e indicando que Sakura fizesse o mesmo - "Não se preocupe. Explicarei toda a situação para ele. Tenho certeza que concordará."
Sakura apenas assentiu. Respirou fundo numa forma de acalmar seu coração que não parava de bater num ritmo frenético. Sua preocupação não era o fato de seu pai aceitar ou não, pois sabia que ele concordaria se aquilo fosse o melhor pra ela. Touya talvez fosse um problema, mas também dali a menos de dois meses ele teria muito trabalho com o bebê que estava a caminho e provavelmente esqueceria, mesmo que por um curto período, de se preocupar com ela. O que tanto afligia a alma de Sakura era exatamente Li, seu treinador.
Ele tinha algo diferente. Não sabia ao certo explicar o por que, apenas sentia-se completamente ligada a ele. Talvez fosse por ela ter ficado encantada por ele quando criança. No fundo sabia que não era apenas isso, mas com certeza seria melhor apoiar-se neste pensamento. Pensar e especular qualquer outra alternativa quanto a este sentimento que tanto fazia ferve-lhe o sangue só pioraria a situação. O momento não era para compreender seu coração, mas sim de ser responsável e ponderada, só assim conseguiria alcançar o seu tão amado sonho...
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Ok!!! Ok!!!
Eu demorei de novo... Eu sei. Mil perdões!!! Mas não me culpem!!! Tive muitas provas e contratempos e não consegui terminar este capítulo! Mas mereço um crédito, heim?
Que cena linda entre o Shao e a Sakurinha.... ^____^
7 páginas só relatando isso!!! Uau!!! S&S total!!!
É incrível, mas cada vez que escrevo um novo Cap. eles fica maior!!! Vocês não se importam, né? ^-~
Vamos lá, ao capítulo de hoje!!!
A Sakura aceitou assinar o contrato, para a felicidade de Sonomi... hehe. E para quem me mandou review não entendendo como e o porque do Shao preparar um quarto em sua cobertura... aí esta a resposta! Se a Sak vai morar com ele, se o Fujitaka vai aceitar isso ou não, só no próximo capítulo!!! HAUHAUAHUA (eu sou má... hehe). E o Eriol, heim? Enfeitiçado pelos olhos violetas de Tomoyo... Hummm... Digamos que um tantinho de E&T vem por aí... ^-^
Bom, não vou ficar aqui tomando o precioso tempo de vocês! Vamos a dedicatória deste Capítulo!!!
Vou dedicar este capítulo de hoje para mim mesma!!! Por quê??? Porque nesta quarta-feira, 29/10 foi o meu aniversário!!!!
Parabéns para mim!!! ^^
Nada melhor do que uma cena de S&S, levemente romântica com trocas de olhares mágicas e envolventes pra comemorar este dia tão especial!!!
Não esqueçam os meus reviews!!!! Puxa... pensei que fosse chegar aos 70 com o capítulo anterior... Doce ilusão!!! Snif, snif...
Vamos lá gente! Não custa nada apertar o botãozinho ai embaixo, né? ^-^
Pelo meu aniversário, por favor... por favorzinho!!! Seria uma presentinho maravilhoso para mim!!!
É isso!
Beijos pra todos vocês e...
See you on next chapter!!!
Naki
