Capítulo 7

Tradutora: Irene Maceió

Fui para casa de forma imprudente, forçando minha pobre caminhonete ao seu limite enquanto eu tentava persuadi-la pra que ela fosse a mais de cinqüenta por hora. Mesmo que eu me sentisse mal pela pobre coitada, eu não pude resistir à tentação de bater a porta do carro quando eu cheguei em casa. Eu realmente não tinha idéia de por que eu derramei o feijão em Edward daquele jeito. Quer dizer, segredo era geralmente uma coisa ruim, mas meu Deus, tinha de haver algumas exceções. E eu não queria dizer-lhe exatamente o porquê disso de qualquer maneira. Eu não tinha a intenção de sugerir que ele fosse culpado sozinho. Quer dizer, Jesus, isso realmente foi tudo minha culpa. Eu seduzi o bastardo. Eu sabia que eu não usava controle de natalidade. Eu não quis dizer que a culpa era apenas dele.

Suspirando para mim, corri até a escada para meu apartamento e consegui pisar em um prego com o meu pé descalço. Eu sibilei uma respiração e manquei o resto do caminho até em cima, mordendo o lábio para não praguejar realmente alto. Tenho certeza que minha vizinhança não iria apreciar o estado de extrema agonia que eu estava vivendo. Era um fato científico de que seus pés têm mais terminações nervosas do que seu corpo inteiro. Eu pessoalmente achava que minha perseguida era mais sensível, mas mais uma vez, eu não era uma cientista.

Deus, eu preciso arranjar um novo cérebro que não seja tão fodido como este é, eu pensei com um suspiro de lamento, trancando a porta do apartamento atrás de mim. Meu telefone escolheu aquele momento para tocar. Eu não estava nem um pouco surpresa quando vi que Edward estava me ligando. Cliquei em ignorar. Eu não podia falar com ele. Não até que eu descobrisse se eu estava grávida ou não. Eu tinha feito teste de DST's. Quer dizer, eu tinha certeza que Edward era cuidadoso com Tânia, considerando quantas vezes eu tive que comprar camisinha para ele, já que eu era a única que fazia compras por aqui. Mas nunca se sabe. . .

Eu gemi para mim, fazendo uma cara de paisagem no meu sofá e rolando na minha miséria e estupidez por ter tido relações sexuais desprotegida. Meu telefone tocou novamente e eu sabia que Edward iria continuar a ligar até que ele chegasse a mim. Temendo isso, eu lentamente coloquei minha mão no bolso e levei o meu telefone até o meu rosto, clicando no botão verde "atender".

"Você ligou para a linha vermelha do suicídio. Qual é a emergência?" Perguntei em voz profissional. Parecia apropriado considerar como incrivelmente deprimida eu estava me sentindo.

"Muito engraçado, Bella" Edward murmurou. "Eu estou do lado de fora da porta. Deixe-me entrar".

De repente tombei no sofá e meus olhos se focaram na parte de baixo da minha porta da frente. Certo o bastante, havia duas faixas de sombra que eu supunha serem os pés de Edward. Eu gemi no telefone. "Vá embora. Não vou deixar você entrar. Eu não quero nenhum contato com você e se você tivesse a porra da idéia, você perceberia isso".

Edward suspirou. "Bella, por favor. Eu quero fazer isso direito. Quer dizer, se você... Se você está grávida, então você pode apenas ter que tomar a pílula do dia seguinte, certo?"

"Isso é assassinato, Edward" eu disse com repulsa. Ele devia me conhecer melhor. Eu era muito conservadora sobre essa questão em particular e o fato de que ele fosse ao menos sugerir isso era revoltante para mim.

"Bella, ainda assim o óvulo não foi fecundado" disse em voz magoada. "Isso não precisa ser tão complicado como você está fazendo".

Eu fiquei inexplicavelmente zangada. Provavelmente porque ele estava certo. Quer dizer, eu cometi um erro e eu poderia consertá-lo tomando uma pequena pílula. . . mas eu não podia. Aos meus olhos, mesmo que eu estivesse enganando muitas pessoas, era assassinato. O assassinato de uma possível vida. E Deus sabia como era terrível, considerando as circunstâncias, se eu fosse trazer qualquer bebê ao mundo, então eu estava tão feliz que essa porra era de Edward.

Eu gelei na minha posição atual - não a mais confortável, deixe-me dizer-lhe - e parei. Cristo, eu amava tanto Edward que eu poderia estar pensando nisso enquanto tudo estava acontecendo ao redor e ele sugerindo ser amigo com benefícios. Eu pensei nessa palhaçada e imediatamente desliguei o telefone. Eu estava sendo psicótica por ao menos considerar a idéia de ficar feliz com isso.

Uma imagem de mim embalando um recém-nascido com tufos de pêlos brilhantes acobreados e dos olhos verdes de Edward encheram a minha cabeça. Eu me inclinei no sofá e gemi, "Merda". Eu estava tão fodidamente ferrada. Deus, são os hormônios. Por favor, diga-me que são os hormônios. Se eu realmente quero esse bebê, então eu vou me apegar a ele e não vou ser capaz de lhe dar para adoção. Ao simples pensamento de enviar um recém-nascido com os olhos de Edward para um mundo desconhecido onde eu não sabia se ele seria cuidado, meus lábios tremeram e segurei as lágrimas.

Meu telefone tocou novamente.

Eu joguei-o na porta.

Surpreendentemente, ele ainda tocou. Essa coisa poderia ser bombardeada e ainda faria esse ruído atroz.

"Bella, deixe-me entrar nesse apartamento, caralho" Edward chamou da porta, sua voz abafada. O toque parou.

"Não, eu te odeio demais" eu respondi, mentindo, é claro. Se eu odiava qualquer coisa, era o fato de que eu não o odeio o suficiente.

Ouvi-o falar lá de fora. "Eu realmente preferia não derrubar essa porta para baixo também."

Eu fiz uma careta na lembrança da última vez que ele tinha feito aquele pequeno truque. Meus olhos se ligaram à minha porta do quarto, que estava ainda em estilhaços no chão da minha entrada. Com a derrota, eu girei o trinco e me rendi, torcendo a maçaneta lentamente. Eu mantive meus olhos focados no chão. "Torne isso rápido, Edward porque eu estou ficando sem paciência agora." Eu não tinha certeza se eu queria dizer sobre a paciência com ele ou comigo mesma.

Seus dedos agarraram meu queixo e empurraram minha cabeça para cima, fazendo meus olhos se encontrarem com os dele. Mal tive a oportunidade de examinar a sua expressão, ele se aproximou e foi me beijando de novo. Eu não estava totalmente preparada para seu assalto em minha boca, então eu fui tropeçando para trás, silvando de dor por causa do buraco que eu tinha no meu pé. E pelo buraco, quero dizer que doeu um pouco. Mas uma alfinetada doeu como o inferno ao colocar meu peso.

Edward ajudou a orientar a minha forma oscilante, nunca tirando os lábios dos meus. Nós caímos para trás no sofá, as pernas fortemente emaranhadas. Seria uma maravilha se nós nunca conseguíssemos nos desembaraçar de novo.

O tempo todo, eu quase não reagi à parte do meu corpo que desligava, como eu sempre fazia quando em estado de choque. Que diabos estava acontecendo? Quando Edward ressurgiu no ar, nós dois nos olhamos, ofegantes. Fiquei surpresa como o inferno e Edward... ele apenas parecia intenso, embora não pudesse escolher uma emoção específica.

Eu levei um momento para me acalmar, o peso de Edward ainda firmemente preso em cima de mim. "Edward, eu vou te dar dez segundos para retirar-se do meu apartamento."

"Ou o quê?" Ele perguntou.

Eu não tinha uma resposta para lhe dar. Eu o ameaçaria com violência física, mas eu sabia que se realmente chegássemos a isso, Edward poderia facilmente dominar-me. E eu não poderia ameaçar chamar a polícia porque isso significaria que Charlie iria envolver-se nesse pesadelo. Como se eu não tivesse problemas o suficiente. Charlie exigiria um aborto se eu estivesse realmente grávida. Ele não partilharia das minhas opiniões sobre o tema do aborto. Eu fiz um barulho estranho de asfixia quando eu percebi que eu realmente não tinha jeito de fazer Edward sair.

"Por que você está com tanto medo?" Ele sussurrou, beijando meu pescoço.

"Você vai me machucar" eu solucei.

"Eu nunca vou te machucar, Bella" ele argumentou.

Revirei os olhos. "Eu quis dizer emocionalmente, idiota. Estou tão emocionalmente cicatrizada de sua presença que é revoltante".

Edward rolou pra fora de mim e ajoelhou-se no sofá. "Como?" Ele perguntou.

"Há dez anos, Edward. Dez anos de amizade e você nunca notou que eu começo a babar quando você entra na sala" eu disse com desdém, apesar que o desdém foi dirigido mais a mim. Eu era, muitas vezes, patética.

"Não se atreva a me culpar por isso, Swan. Isso não é apenas culpa minha, você sabe. Você nunca deu uma pista. Nunca ouvi uma palavra sobre isso de você. Claro que você reclamava quando Tânia vinha, mas você sempre disse que era pelo barulho. Quer dizer, como eu ia saber? Eu pensei que você só queria ser minha amiga. Eu nunca ofereci nada mais do que amizade porque eu não sabia que você iria querer isso."

Eu praticamente rosnei por como irritantemente Edward estava cego. Ele havia sido atingido milhares de vezes pelo sexo oposto. Ele sabia como esse jogo era jogado. No entanto, ele nunca percebeu que eu não queria que este "jogo" fosse uma brincadeira para mim. Eu queria mais.

"Você, Edward Cullen, é possivelmente a pessoa mais ignorante que eu já conheci," eu declarei, sentando e olhando para ele. "Eu não posso acreditar que você não viu isso. Até mesmo hoje, você sugeriu a porra de ser amigo com benefícios! Você está tão cego!"

Eu estou apaixonado por você, homem estúpido. Amor. Eu te amo. Amo, amo, amo!

"Então me diga o que eu não estou vendo!" Ele gritou, puxando seus cabelos, frustrado.

Eu pensei por um instante. Isso ia ser emocionalmente doloroso. Eu sou uma masoquista doente. Eu me encolhi enquanto eu me aconchegava mais no sofá até que Edward estava ajoelhado entre as minhas pernas e nossos rostos estavam a centímetros de distância. Quase como se estivesse em câmera lenta, inclinei-me mais perto dele com os lábios entreabertos.

Minha mão esquerda encontrou seus cabelos sedosos enquanto eu usei a palma da mão direita para acariciar seu queixo e sua bochecha que estavam ásperas com a barba cobre escuro. Eu coloquei tudo que eu tinha naquele beijo.

A primeira parte foi nossa amizade. Doce, provocante, não satisfeita, apenas fazendo contato com a boca.

Em seguida, a presença de Tânia em sua vida. Eu fui grosseira com ele. Eu espremi minha boca na sua até que eu senti que minha boca estava inchada e eu senti gosto de ferrugem de onde os meus dentes tinham cortado o interior do meu lábio. Eu queria que ele sentisse a frustração e a dor.

Então, sua traição à nossa amizade. Eu mordi o seu pescoço e ele gemeu de dor. Não se preocupe. Isso foi uma pequena vela para os incêndios florestais que eu sentia.

Deus, então veio a parte do sexo. A mão que eu tinha envolvido em seus cabelos apertou e eu empurrei-me no sofá e montei-o como um cowboy. Era a luxúria, desejo, necessidade.

Posteriormente, veio a raiva. Minhas unhas cavaram uma trilha em seu peito, fazendo-o gemer e murmurar as palavras "mulher gato" em volta da minha boca.

E, finalmente, houve a gravidez e o amor. Meus beijos diminuíram e se tornaram suaves e macios. Era praticamente casto, menos animalesco.

Edward, por meio da coisa toda - que durou cerca de dez minutos - tentou me acompanhar. Assim, quando estávamos caindo em um beijo suave, eu lhe mordia ou arranhava e teríamos que começar tudo de novo. Ele era na maior parte o beijado e eu era o beijador.

Quando ele reconheceu o meu beijo suave, porém, Edward gemeu na minha boca e tentou colocar a mão nas minhas coxas. Eu bati nele e mordi seu lábio em alerta, continuando com o beijo suave. Eu pressionei meus lábios mais uma vez nos seus antes de beijar o ponto que pulsava em seu pescoço suavemente onde eu o tinha mordido. Debrucei-me para trás para ver a expressão no seu rosto.

Ele estava totalmente confuso. "O que... O que foi isso?"

"Isso é o que você não está vendo, Edward" eu respondi em um sussurro. Apertei minha mão em seu peito e senti uma grande satisfação ao ver seu coração batendo freneticamente. Eu coloquei sua palma da mão acima do meu peito esquerdo para que ele pudesse sentir meu coração batendo irregular também. Eu inclinei-me e soprei em seu ouvido: "Você não está vendo o quanto eu te amo".

Eu esperei ele responder, rezando por algo do tipo, "Bella, eu te amo também. Eu fui um idiota e eu adoraria ter filhos com você. Dessa forma, aconteceu de eu estar carregando este anel de noivado comigo. Quer casar comigo?"

Ok, isso foi provavelmente um pouco otimista. Provavelmente.

Edward estava com uma gagueira louca. Seus olhos estavam arregalados e ele parecia um escoteiro envergonhado. Edward não estava preparado. Bem, eu não tinha realmente esperado que ele estivesse. Eu tinha acabado de saltar sobre ele.

Suspirei na sua incapacidade de dizer isso e levantei-me da posição que eu estava em cima dele. Virei-me para o meu quarto, pensando em dormir um pouco. Mas Edward pegou meu pulso, os olhos em chamas.

Ele não disse uma palavra, como sempre, mas ele me levou para o quarto.

Eu sabia que isso aconteceria e foda-se, mas eu não iria mesmo tentar pará-lo.


Nota da Tradutora: Estou muitoooo feliz que vocês estejam gostando... a batalha continua... 15 reviews= +1 capítulo! E ahh.... o próximo é muitoooo interessante...

Respondendo a algumas reviews:

Luana Potter: Estou aguardando suas 50 reviews então *pisca os olhinhos*

Jessika Sant'Iago: Pretendo continuar... obrigadaaaa por estar lendo!

Mila P. R. F.: Acredite... vai dar em muitaaaaa loucura... isso com certeza!

Priiii: Menina.... pois é... muito azar achar que está grávida logo na primeira vez dos dois... a sorte é que ter um mini-Ed deve ser maravilhoso!

Maraisa Oliveira: Menina, a Bella acredita fielmente que a pílula do dia seguinte é assassinato! Coitada de mim.... hahahahaaha

Ana Masen: medo de vc! =O