"Boa de Cama?"
Booth saiu do apartamento de Temperance ainda meio inseguro sobre poder confiar nela. Sabia que ela era maluca e rebelde o suficiente para se atrever a ir ao Jeffersonian, mesmo depois da conversa que tiveram. Às vezes ela podia ser tão ingênua, e era o que ele mais gostava nela, aquela ingenuidade quase infantil, que não combinava com sua genialidade. Passando pela portaria do prédio, Booth teve uma idéia. Foi até o porteiro e mostrou suas credenciais do FBI. Entregou seu cartão a ele e pediu que ligasse caso a Dra. Brennan deixasse o apartamento. O porteiro foi muito solícito e jurou ligar. Booth foi para casa mais tranqüilo.
Chegando no seu apartamento ele ligou para Ângela.
_ Ângela, sou eu.
_ Oi, Booth. – ela estava toda animada. – E aí, pronto para a festa?
_ Olha, eu não vou poder te ajudar a montar a festa. Eu achei melhor depois do que aconteceu acompanhar a Bones até a prisão, e depois trazê-la para cá. Não quero ela andando sozinha depois do que houve.
_ Claro que não. Eu concordo com você. Pode deixar que eu peço ajuda pra Cam. Como eu faço para pegar a chave do seu apartamento? Quero levar toda a comida, decorar a sala toda, arrumar os presentes na árvore... – ela pensou um pouco – Você tem uma árvore, não tem? Ai meu Deus, eu esqueci completamente da árvore!
Booth riu do desespero dela.
_ Tenho sim, Ângela, pode ficar sossegada. O Parker e eu montamos uma antes dele viajar. E quanto a chave eu vou deixar uma cópia com o porteiro e também os nomes de todos vocês para que possam entrar para esperar pela gente. Vai ser mais legal se ela chegar e todo mundo já estiver aqui.
_ Não vejo a hora. Ainda mais depois do que a pobrezinha passou hoje, ela merece uma festa com seus amigos...- ela fez uma pausa. – Ela está bem mesmo, Booth? Você tem certeza?
_ Está sim. Ela ficou muito nervosa na hora, passou por maus bocados, mas agora está bem.
_ Ela não foi estuprada, foi? Ai meu Deus! Tomara que não tenham feito nada com ela...
_ Claro que não Ângela, credo ! Ela só levou um soco, só isso...
Booth afastou o fone do ouvido quando Ângela gritou do outro lado da linha.
_ Um o que?! Um soco? Ai meu Deus, com ela está? Muito machucada? Quebrou alguma coisa?
_ Calma, Ângela, ela está bem. O rosto nem ficou muito inchado, só com um hematoma. E caso te interesse eu vinguei o soco, viu? Com vários, muito bem dados bem na cara do desgraçado!
Ela riu mais aliviada. Parece que o Booth tinha chegado na hora...
_ Que bom que a Brennan tem você, Booth...
_ É, eu sei... – ele suspirou – Bom, nós devemos chegar lá pelas dez e meia.
_ Certo, eu vou desligar, tenho uma festa para preparar. Até mais tarde...
_ Ok, tchau, Ângela.
Booth desligou e foi até a cozinha pegar uma cerveja, depois de um dia como aquele, ele bem que merecia... Deitou no sofá com a cerveja na mão, tirou os sapatos e ligou a TV. Ainda tinha algumas horas antes de pegar a Temperance na casa dela. Resolveu relaxar. Seu olhar caiu sobre o imenso pacote no canto da sala junto à árvore de Natal. O presente dela. Mal podia esperar para ver a cara dela quando abrisse o enorme pacote. Ele gastou boa parte de suas economias, mas valeria a pena só para ver aqueles olhos azuis brilhando e aquele sorriso lindo.
Não tinha se dado ao trabalho de comprar presentes para ninguém, apenas para o Parker e para ela. Afinal eles eram as duas pessoas mais importantes na sua vida. Não conseguia se imaginar sem nenhum dos dois. Booth ficou ali no sofá, mudando de canal, até perceber que não queria ver TV, queria estar com ela. Não gostava de se afastar dela.
As horas se arrastavam. E o beijo, Deus, aquele beijo ia lhe tirar o sono por dias, ele tinha certeza disso. Não imaginava que ela fosse tão ardente, que correspondesse com tamanho ardor a um simples beijo. Se não estivessem no meio de tanta gente ele teria perdido a cabeça... Estava sozinho há tanto tempo, sua tensão sexual já era palpável. "Ela sempre dizia que era boa de cama..." ele pensava "...será mesmo?" Booth sorriu. O que ele não daria para descobrir...
...continua...
Fernanda
