Quarto ato

Em Alexandria, Omar fora perguntado aonde aquela localização dada pelo notebook de Rosário ficava. Ele, ainda na Land Rover, dissera que aquilo não se situava em Alexandria e sim, que puxava o sinal da cidade. Era como se fosse um gerador de sinal móvel, tendo sua base na segunda maior aglomeração urbana do Egito. Aquele gerador, segundo ele, seria bastante comum entre hackers e utilizado por vários expedicionários a lugares cujo sinal era péssimo ou inexistente. A localização exata, de acordo com o mapa dado, posicionava o sinal a altura da Cidade dos Mortos, Lúxor, onde ali existia a maior necrópole do mundo, além de ser o repouso eterno para muitos faraós egípcios e xeques antigos. Então, os sequestradores teriam a sua disposição um gênio na computação, para usar um sinal de Alexandria, sendo que a distância entre as duas cidades era imensa.

A cidade atual fixava-se próximo a antiga Tebas dos faraós sendo considerada sede de uma das realizações mais perfeitas do novo império: O templo de Amon, principal deus do panteão egípcio. O templo era célebre pelas proporções harmoniosas de suas columas as quais tinham forma de papiros e lótus, pela elegância de seus relevos e pela festa de Opet. Foi ampliado por Ramsés II que ligou o templo ao complexo de Karmak. No ângulo nordeste ao templo, situava-se a mesquita onde estava enterrado o xeque Yussuf al-hadjdjadj.

Para ir a Lúxor, o jeito mais rápido, de Alexandria, era subir o Nilo até o Cairo, afinal à cidade, como a maioria das cidades criadas no Egito antigo, ficava as margens do rio mais famoso do ocidente e quiçá do mundo. Por isto, Omar levou as jovens mulheres ao porto de Alexandria, na parte esquerda do delta do Nilo, buscar o barco que pertencia à organização Nemanjíc.

O porto de Alexandria era dividido no Porto Oeste e no Porto Leste. Na parte oeste era onde as trocas comerciais do Egito tomavam-se lugar. No leste, barcos pequenos davam o tom e mais parecia um cemitério de pequenos botes, iates e entre outras embarcações, ainda mais a noite. Omar estacionou a Land Rover próximo a um catamarã e desceu no carro abrindo a mala. As mulheres ficaram impressionadas com o tamanho do porto, afinal era tão grande que tivera que ser dividido em dois.

Aqui estão algumas armas – Omar retirou da mala várias maletas – Escolham a que acharem melhor. Irei chamar meus homens para irem com vocês assim que nos reunirmos.

Tudo bem – Corina se agachou e retirou de uma maleta prateada duas pistolas. Duas Berettas 92F de mesma cor de sua saia e camisa – Essas serão minhas armas básicas.

Já tenho as minhas – Alex retirou de sua mochila suas duas pistolas Glock.

Irei ir com uma submetralhadora também – Corina dizia enquanto prendia os coldres das suas pistolas nas pernas para facilitar o saque destas – Quanto mais balas e poder de fogo tivermos melhor.

Concordo – disse Omar retirando a última maleta de dentro do carro para colocar no catamarã – Vocês decidem, mas se eu fosse vocês.

Ele retirou um rifle M16 de uso exclusivo do exército americano.

Ia com essa beleza.

Alex ficou impressionada. Omar também não era um recuperador normal. Sabia que tinha pessoas como ela, mas ainda não havia encontrado um.

Prefiro as mais leves sabe – a Italiana pulou para o catamarã a medida que pegava o notebook de Rosário jogado por Alex – Vamos?

Olhem. Irei levar vocês de Catamarã até a cidade do Cairo, de lá temos um avião fretado que as levará direto a cidade dos mortos.

Após colocar todas as maletas dentro do Catamarã, seguiram rio acima, para a capital do Egito...

Em Roma.

Após sair de um voo vindo de São Paulo, Vittoria Rossetti, general dos agora caçados Carabinis, caminhava tranquilamente pelo aeroporto, indo em direção ao ponto de taxi para pegar um e ir pra casa.

É bom estar de volta, apesar de que gostaria de ter passado mais tempo com o Alejandro. – pensava a General

Vittoria então pegou o taxi e vai embora do aeroporto. No caminho, a general resolvera fazer uma visita a sua pequena Rosário, que deveria estar morrendo de saudades dela. Ela então instrui o chofer a ir até a via Labicana, onde morava a hacker.

Chegando lá, Vittoria deixa o taxi e adentra o prédio de Rosário. Ao chegar até a porta do apartamento da pequena garota, Vittoria toca a campainha.

Só um minuto! – a voz de Rosário dava a entender que ela havia acabado de acordar.

Rosário então abre a porta e vê a sorridente general, que salta sobre ela e a abraça.

Pequena Rosário, eu estava com tantas saudades. Como estão as coisas? – pergunta Vittoria antes que Rosário a empurrasse.

Ruins, aconteceram coisas horríveis enquanto você estava no Brasil curtindo sua folga e seu cantor. – Rosário cruza os braços, como se acusasse a general de algo.

Sério, que tipo de coisas horríveis? – pergunta Vittoria

Bem, pra começar, terroristas agiram novamente, os Carabinieris foram subornados e agora são considerados traidores da nação e a polizia di Stato também. Fui presa junto de Luísa, mas consegui dar um jeito de sair graças a uma subtenente da Guardia di Finanza. – Rosário tinha uma ponta de gratidão para com Tovalieri

Nossa! E Luísa está bem? – pergunta Vittoria.

Rosário mordeu seu lábio inferior e puxou a general, fazendo-a sentar no sofá.

Olha, a Luísa...

Fala logo, pequena Rosário! – Vittoria não gostava da expressão no rosto de Rosário.

A Luísa faleceu, foi assassinada pelos terroristas. – Rosário dera a noticia que Vittoria não queria ouvir.

Em Lúxor:

Como Omar havia dito um avião realmente as esperou no aeroporto de Cairo, e imediatamente, partiram para a cidade dos mortos.

O egípcio não fora com elas, pois teria que ser reunir com sua equipe primeiro antes de ir ajudá-las. Então era só elas se aventurando por uma cidade que não conheciam, e tinha um epíteto que assombrava a qualquer um em sua missão. Porém, ainda que estivessem intimidadas, elas iriam fundo, iriam cumprir sua missão, afinal não deixariam de jeito nenhum uma organização ditar os rumos de suas vidas.

Logo que chegaram, Alex abriu o Laptop para verificar a posição do sinal posto pelo hacker enquanto que Corina checava as horas. Já se passava da meia-noite na cidade...

Onde ele está Alex? – perguntara uma Corina impaciente e excitada.

Não sei. Temos que ver o mapa local – respondeu à arqueóloga retirando de sua mochila um mapa viário do Egito – Me dê um minuto.

Corina olhou em volta, visando pedir informação, mas o Aeroporto de uma das cidades turísticas mais visitadas daquele país estava deserto. Nenhuma pessoa fora encontrada, e isto era realmente estranho. Parecia uma cidade fantasma, e com a alcunha que aquela cidade tinha, não estranharia se zumbis ou seres sobrenaturais surgissem...

Mapa complicado – Alex estava se perdendo – Realmente não sei onde ele está...

Se tivéssemos o Omar aqui.

Foi quando uma face conhecida a Corina apareceu na tela do notebook. Ele tinha cabelos loiros, olhos azuis e algumas sardas em seu rosto. Possuía um óculos de lentes azuis, justamente porque trabalhava horas e mais horas na frente de um computador. Aquela pessoa era o gênio da programação da ISIS, líder da facção dos cientistas, e principal arquiteto de tudo aquilo... O garoto de quinze anos que nascera na Suécia, Vassili Nikolaevich.

Olá garotas! Tudo bem? – Vassili ajustara sua câmera para que o visualizasse junto a seu irmão, o qual estava deitado em cima de uma cama – Não posso dizer o mesmo de sua amiga Luísa e de meu irmão...

Você...

O ódio e a raiva das garotas não tinham limites...

Olha... Sinceramente eu avisei a meu pai que não era para matá-la, porém eu falhei demais e ele queria consertar meus erros... – Vassili sorria à medida que pronunciava suas palavras – Mas não é por isso que estamos aqui, certo?

Corina sentiu vontade de fuzilar aquele laptop. Já Alex não via a hora de socar aquela face quando a encontrasse. Porém necessitavam daquela informação e, por isso, pelo objetivo maior engoliram seu orgulho.

Muito bem, é assim que eu gosto de vocês – O escandinavo adorava aquela situação e não parava de sorrir – Então, é simples. Meu irmão poderá estar em apenas dois lugares.

Você vai fazer a gente perguntar? – indagou Alex segurando-se.

Ele estará ou na tumba de Tausert e Setnakht no Vale dos Reis, ou ele estará no Templo de Amon. O problema é que um fica na margem esquerda da cidade e outro fica na margem direita. Uma de vocês terá que ir para cada uma dessas localizações.

E se não quisermos? – perguntou Corina, afinal ela não gostava de jogar o jogo do irmão de seu líder.

Vassili engatilhou uma pistola e apontou para a cabeça do irmão.

Eu o mato – Vassili sorriu – Mas tem uma coisa! Aquela que for para a localidade errada, terá uma surpresa.

Você quis dizer morte? – Corina continuou a tentar sair do jogo proposto de Vassili.

Não– o garoto recolheu a arma – Quis dizer surpresa mesmo. Você pode sair viva ou não. Dependerá de sua habilidade.

Vassili encerrou sua ligação e o laptop voltou ao normal. Corina olhou em volta e não gostava de ter que andar aquela cidade sozinha, naquele escuro, sem cobertura... Já Alex, satisfeita com a dada localização, começou a se espreguiçar e a fazer certos aquecimentos. A italiana e a americana teriam que decidir para que lado cada uma fosse. Era certo de que uma delas iria cair na armadilha do segundo em comando da ISIS, mas era também certo que uma delas salvaria Nikolai e ficaria defronte com o planejador de tudo.

O templo de Amon fica mais próximo do Aeroporto – falou Alex conferindo seus equipamentos – Como sou acostumada a isto, eu irei para a margem direita. Para a tumba do Vale dos Reis.

Você acha que eu estou tão cansada assim?

Corina – disse a americana fechando o notebook – Você não está acostumada a esse tipo de viagem. É melhor você se movimentar menos.

Não me subestime, Alex – Corina retirou suas pistolas – Não sou tão fraca quanto você pensa

Eu sei que não – A arqueóloga sorriu levemente – Além desta questão, quero verificar algo no Vale dos Reis.

Eu sei o que você quer verificar.

E se despedindo, as duas vão para as localidades referidas. Alex para o Vale dos Reis enquanto que Corina para o Templo de Amon... O que esperava por elas? Só deus e os membros da ISIS sabiam.

De volta a Roma, na casa de Rosário.

Vittoria chorava copiosamente enquanto abraçava a pequena hacker que tentava reconfortá-la.

É tudo culpa minha, eu deveria ter voltado antes! – gemia a general

Calma, calma. A Fermani não iria gostar que você se culpasse pela morte dela. – Rosário tentava fazer com que Vittoria parasse de se culpar pela morte da major.

Mas pequena Rosário, por minha culpa você e Luísa foram para a prisão, se eu estivesse aqui, eu poderia fazer algo para evitar essa desgraça. – Vittoria cada vez mais apertava a jovem.

Por favor, você não teve nada a ver com nossa prisão. Pare de ficar colocando o mundo em suas costas. – Rosário começa a sentir o desconforto do aperto de Vittoria

Então você não está com raiva de mim? – perguntou a general ao largar a hacker e olhar para esta com seus olhos ainda molhados

Não. E por favor, pare de ficar tentando se responsabilizar por tudo de ruim que aconteceu. Fermani lhe daria uma bronca se estivesse aqui. – Rosário não gostava do fato de Vittoria sempre se culpar por tudo.

Sério? Você não está mesmo com raiva de mim? – a expressão de Vittoria havia melhorado um pouco

Já falei que não, caramba! – Rosário respondeu de forma ríspida

Eu te amo! Pequena Rosário. – Vittoria agarrara Rosário novamente.

Me larga! – Rosário sentia dores em seu pequeno corpo de tanto que Vittoria a apertava

Bem, vamos pegar esses terroristas, em memória a nossa amiga Luísa. – Vittoria soltou Rosário, enxugou as lagrimas e passou a ter uma expressão confiante em sua face.

Sim, mas não vamos agir por impulso, ok. – Rosário abriu seu notebook e traçou as localidades de Corina e Alex. – Estranho. Porque elas se separaram? – se perguntava

Quem são essas pessoas em seu radar, pequena Rosário? – perguntava a general, que encostava sua cabeça no ombro esquerdo da Hacker

Duas amigas. Você as conhecerá mais cedo ou mais tarde. Nesse momento elas estão indo atrás de quem fez isso à Fermani.

Rosário então olhara com atenção e vê que Alex estava se encaminhando para o pior lugar possível.

Essa não...pensou a hacker

No templo de Amon, em Lúxor...

Corina adentrara no templo com armas em punho. Não deixaria a guarda baixa nem por um minuto. Logo que entrara, se pôs a frente do Grande Hall que cercava o recinto de adoração do Rei dos deuses na mitologia egípcia. O Hall detinha grandes colunas, tendo marcas em relevos e escrituras em hieróglifos. O espaço entre elas era grande, o suficiente para fazer com que pessoas, basicamente, assassinos se escondessem por trás delas para fazer seus movimentos furtivos. A ISIS apesar de não ter uma divisão especifica para assassinatos, o líder desta também era o líder da Nova Ordem Mundial e esta sim, tinha uma seita de assassinos furtivos, com objetivos ocultos. Com cuidado atravessou as colunas, porém...

Um vento de origem desconhecida passara por ela. Focando justamente nela, fazendo-a atirar ao léu por duas vezes. Havia se assustado. Apesar de ter mantido a calma durante todo esse tempo, o local deserto, juntamente com o apelido da cidade a fazia tremer nas pernas, mas devia ser corajosa... Não existiria qualquer coisa sobrenatural... Ou existiria?

Para chegar à entrada propriamente dita, isso se incluía as tumbas subterrâneas, teria que passar pelas diversas estátuas, colunas, e esfinges postas com o objetivo de guardar o local. Assim que passara pela estátua de Ramsés II – seu nome estava escrito em letras bem legíveis ao sopé da estátua – ouviu um assobio. Era um assobio humano seguido de uma risada. E após o décimo terceiro assobio uma serie de vultos começaram a atacá-la, incessantemente. Tiros foram disparados, e ela tentara se desvencilhar de seus atacantes correndo para frente. Pareciam não humanos... Eram não humanos...

Correu entre as colunas em zigue-zague e após se colocar atrás de uma viu, novamente um vulto a observando. Quem era aquele que a atacava? Suas ordens com certeza vinham dos assobios e ele parecia ser um controlador de morcegos ou animais de hábitos noturnos... Porém como acertar alguém que você não pode ver. Tudo estava escuro e se ela acendesse uma lanterna, evidenciaria sua posição. Se ele fosse mesmo treinador de morcegos, era possível ele saber onde ela estava devido ao sonar produzido por estes animais, caso ele possuísse um aparelho receptor... Odiara admitir, mas só entraria naquele templo se derrotasse seu inimigo. Um inimigo oculto, invisível e que utilizara a noite e o local como suas armas mortais... Corina não deixou de pensar em como sua amiga estava se saindo no Vale dos Reis...

Escutou mais um assobio e os ataques voltariam. Guardou suas pistolas e começou a correr entre as colunas e as esfinges. Usou todo seu repertório vindo da ginástica para manobrar esquivas. Duplo mortal aéreo, uma estrela no ar, pulos com as pernas abertas... Tudo para evitar o ataque dos possíveis morcegos...

Corina raciocinou após a leva terminar e se escondeu atrás da estátua de Amenófis.

O "assobio" parece ser diferente e ele demora de uma leva e outra. Será que está procurando uma melhor localização para fazê-lo? Ou seja, as colunas são sua vantagem e sua desvantagem...

Retirara uma de suas armas e apontou para um possível lugar onde seu oponente poderia estar, mas...

Não houve resposta, parecia que ele tinha fugido. Muitas perguntas pairavam na cabeça da segunda em comando de Nikolai, porém só uma certeza, de que deveria seguir adiante para dentro do templo propriamente dito.

Lá dentro, encontrou um Nikolai no centro, em cima da tumba com os corpos todo roxo, marcas do encontro que tivera com Vassili talvez, e seu irmão bem como um homem de cabelos brancos sentado. Ao redor deles, havia centenas de escaravelhos, como aqueles vistos nos filmes...

O que vocês fizeram... – Corina indagava de boca aberta.

Simples, estamos realizando o ritual da deusa mãe, Isis – retrucou Vassili – Não é pai?

É filho... – O homem de cabelos negros possuía o livro dos mortos, livro roubado da biblioteca do Vaticano – É a nova era que se surge. E nós só podemos andar no fluxo dela.

Larguem-no! Agora! – Corina manteve suas armas apontadas para os dois.

Não, agora não... – respondera Vassili

Por trás, Corina viu o mesmo vulto a atacar e um homem de estatura mediana, porém bastante musculosa, a chutar para próximo dos escaravelhos que se assanhavam. Suas armas acabaram por cair no mar de insetos e foram devoradas em instantes.

Terá que enfrentar Anatoliy Eremenko e seu sambo, juntamente com Omar e o controlador de animais...

Corina se espantou... Como uma das pessoas as quais Nikolai tinha mais confiança os traiu? Mas nunca vira o líder daquele estado... Tão indefeso, tão fraco... O que será que aconteceu?

Nikolai só está vivo por causa dos méritos dele – Vassili disse olhando para seu laptop – O papai Pasteur quis matá-lo, porém ele foi espancado antes, e o senhor do narguilé decidiu prolongar a vida dele por ter a audácia de apontar uma arma para um dos senhores mais poderosos do mundo.

Por isso Nikolai é o Houdini – completou Roman – Porque ele sabe o melhor método de sobrevivência, embora o plano dele consista em você Corina Lo Bianco.

Eu?

Sim... Nikolai confiou à própria vida a você, e o que fará? Derrotará esses dois homens e salvará seu líder? Ou perecerá aqui junto a ele? Não foi você que disse que tiraria ele do inferno? Esse é o inferno, mas você tem essa capacidade?

A ex-ginasta se virou para Eremenko que sorriu... Ela havia tomado sua decisão.

Já no Vale dos Reis, Alex desceu o corredor da tumba. A planta era comum e esse fora o motivo da arqueóloga escolher aquele lugar. Esta comumente usada nas tumbas consistia em um longo corredor inclinado, descendo através de uma ou mais salas, fazendo a referência legal ao submundo, até a câmara funerária ou a tumba propriamente dita. Nas mais antigas o corredor virava 90º pelo menos uma vez, e a câmara tinha um formato de cartela. Esse traçado era conhecido como "eixo dobrado", e após o sepultamento, os corredores superiores eram cobertos por cascalho e a entrada da tumba era escondida. Ela realmente conhecia aquelas tumbas de cabeça.

Após a segunda metade da XVIII dinastia, o traçado gradualmente se endireitou, com o intermediário "eixo corrido" o qual o traçado não era brusco e sim leve, até o "eixo reto" do final da décima nona dinastia e da vigésima dinastia. À medida que os eixos das tumbas ficavam cada vez mais retos, a inclinação diminuiu, até quase desaparecer no final da vigésima dinastia.

Um dos elementos mais comuns da maioria delas era o fosso, que talvez tenha originado-se como uma barreira para impedir que a água de enchentes entrasse nas partes baixas das tumbas. Ele mais tarde desenvolveu um propósito "mágico" e simbólico, e era bastante comum, a partir dessa lenda, acreditarem que múmias rondassem as tumbas de seus reis para protegê-los a ida ao além, e manter seu corpo intacto.

O mapa do vale era como um mapa de uma mina, todavia as tumbas eram iguais, dependendo do período e seria fácil para Alex se mover... Se Corina estivesse ali, ela se perderia na confusão do Vale, ainda mais a noite...

Ao chegar à localização dada por Vassili, Alex encontrou uma figura conhecida por ela... Uma mulher de um olho só e vestido vermelho sorriu em direção à arqueóloga que sacara suas armas, bem como sua inimiga. As duas se encararam.

Se possível gostaria de manter essas ruínas intactas – disse Fiamma apontando a arma para a americana.

Eu também – retrucou Alex – Sempre deixei os artefatos e relíquias em primeira mão. Mas eu perdi uma amiga para vocês então...

Alex começou a atirar em direção a Fiamma, que evitava os tiros correndo e saltando por entre as vigas do recinto.

Vejo que está bem exaltada, minha cara inimiga. – Fiamma zombava de Alex enquanto evitava os tiros da arqueóloga.

A russa então agarrou uma das vigas e a usou como impulso para saltar pra perto da arqueóloga.

Olá! – Fiamma fala em tom irônico antes de acertar um soco no rosto de Alex, que não pode se defender por causa das pistolas.

Alex anda para trás e se recupera do soco. Fiamma segue tentando ataques corporais em vez de usar a arma, muito para estranhamento da arqueóloga.

Se ela continuar me atacando assim, não vou conseguir recarregar minhas armas e atirar. O jeito é confiar em minhas habilidades de luta e tentar roubar a arma dela. – Alex deixa as pistolas caírem no chão e contra ataca a capitã da R-1 com chutes

É isso! É assim que se luta! Assim que é interessante. Um tiroteio não seria tão excitante! – Fiamma gargalhava, gostava de lutar.

Alex seguia tentando acertar a Russa, mas esta se esquivava sem maiores problemas. A luta estava difícil, Alex estava preocupada com a arma na mão de Fiamma e por isso não atacava com tudo. Fiamma também estava se segurando, queria se divertir antes de acabar com a arqueóloga.

Alex então consegue acertar um chute no rosto de Fiamma e a Russa cai para trás.

Espero que tenha doído, sua vadia! – gritou a arqueóloga.

Fiamma se levanta gargalhando como louca.

Ah... Isso está muito divertido. Até me lembra dos velhos tempos. E quanto a seu chute, devo cumprimenta-la por conseguir me acertar. Agora eu tenho uma razão para lutar com tudo. – Fiamma guarda a arma e parte pra cima de Alex

A arqueóloga se defende do ataque de Fiamma e pula pra trás. A russa, então salta e se agarra a uma das vigas. Fiamma pula girando em cambalhota no ar e cai atrás de Alex.

Gostou? Aprendi com o senhor Nemanjic. – Fiamma dá um mata leão em Alexantes que esta possa se virar e reagir

Essa não. – Alex tinha dificuldades para respirar

O sorriso de Fiamma enquanto apertava o pescoço da arqueóloga era assombroso.

É o seu fim. – A russa seguia pressionando o pescoço da Arqueóloga, que já estava ficando zonza.

Utilizando suas ultimas forças, a arqueóloga puxa sua faca, presa a sua perna e enfia na coxa de Fiamma.

Argh! Sua maldita! – a dor faz com que a mulher de cabelos rubros largue a arqueóloga.

Aproveitando que Fiamma estava distraída por sua perna ensanguentada, Alex correu e acertou um chute com toda a força no queixo da mulher de um olho só.

Fiamma então caiu, desmaiada e com a boca sangrando. Havia quebrado dois dentes.

Alex respirou aliviada e recuperou seu folego. A arqueóloga então pegou de volta suas armas e foi embora dali, sabendo que o encontro com Fiamma não passava de uma armadilha.

Tenho de ir até onde Corina está. – pensava a arqueóloga.

No templo de Amon, Corina estava completamente exausta. Tinha lutado com tudo e mais um pouco, porém Eremenko era tão resistente quanto seu mestre. E quando conseguia uma abertura, Omar usava seus morcegos para impedir seu ataque abrindo uma brecha para socos fortes do russo. Já cuspira litros de saliva...

Nesta hora, Nikolai acordara e se vira em um local estranho, até mesmo para ele.

Pai... O que faço aqui? – perguntara com certa dor em na região dos quadris – Corina!

O bósnio gritou, porém se contorceu de dor.

Líder! – Ainda que estivesse cansada a garota exclamara de volta.

Não...

Quando Eremenko iniciara sua sentença, a ex-ginasta dera dois mortais para trás. E se posicionara nas beiradas do fosso onde se localizava os insetos.

Se vamos lutar vamos lutar aqui – Corina chamou o líder da R-2 para a luta. Sabia que ele era capaz, porém apostava em sua agilidade e controle de luta em um espaço com o equilíbrio reduzido – Venha ou está com medo de não ganhar?

Foi quando Omar assobiou e mais um ataque de morcegos veio em sua direção. Corina então correu em direção aos mamíferos e deslizando, passara por debaixo deles. O russo tentou agarrá-la, mas ela esticou ao máximo suas pernas ficando rente ao chão, conseguindo se esquivar da primeira tentativa... Depois ele se jogou e tentou utilizar do peso para esmagá-la, entretanto ela virou-se para o lado direito. E aproveitou a chance que tivera para correr em direção aos escaravelhos...

Quer morrer – murmurou Vassili...

Mas o escandinavo viu algo que o surpreendera. A coragem da garota era, realmente, sem limites. Ela deu um duplo mortal, no ar, após o salto e conseguiu atravessar o fosso de escaravelhos a fim de ficar no palanque onde se situava Roman e Vassili. Ela era realmente uma estrela da ginástica artística... Colocou-se entre pai e filho...

Nikolai... Você criou a oportunidade, seu filho da puta – Vassili quis socar seu irmão, porém foi seguro pelo punho pela garota que acabara de pousar ali.

Estou me segurando para não lhe jogar na poça de escaravelhos – Corina estava com um ódio tremendo do irmão de seu líder – Não quero que meu líder presencie a morte de seu irmão...

Pare Vassili – Roman então disse algo em aramaico.

O fosso de escaravelhos começou a sumir... Aberturas apareceram nos quatro cantos, e, aqueles insetos terríveis foram exterminados em questão de segundos.

Você passou no teste... Leve Nikolai para um hospital e proteja-o bem... Não serei tão bonzinho da próxima vez.

É o que eu pretendo...

Com um sinal, o russo mandou todos se retirarem do Templo de Amon... Corina então abraçou seu líder e só agora desandou a chorar...

Eu... tive... medo – Soluçando a garota ajoelhara-se frente ao lugar onde Nikolai fora posto deitado.

Porém foi corajosa – O traficante não conseguia se mexer – Mas eu sobrevivi, mas...

O corpo de Nikolai não respondia... Ele realmente estava com dor. Mas agora estava em segurança...

Cinco dias depois, em Roma:

Nikolai estava no apartamento de sua ex-namorada. Não acreditara que seu pai fora tão longe a ponto de matar uma pessoa daquela. Era a Nova Ordem Mundial... Cujo seu pai era somente uma torre ou um bispo naquele jogo de xadrez e ele ainda queria saber quem era o líder... A cadeira de rodas estava se tornando confortável, seus ferimentos se curavam com lentidão, entretanto não ligara... Queria mesmo era conhecer as garotas que Corina tanto falara no hospital em que ficara e na viagem de volta a Europa.

Eis que ela chega com duas mulheres. Duas baixas que chamaram sua atenção. A primeira pelo laptop e boné, tinha um estilo Maria João. A segunda, claramente oficial de uma guarda. Ele, com a morte de Luísa, fez negociações com todo o alto escalão italiano, ameaçando de guerra civil o país fragilizado se eles não acatassem com suas exigências. Pôs de forma clara que iria ajudar o país na sua reestruturação, que forneceria informações sobre os principais traficantes de armas, sobre todas as situações envolvendo o submundo do crime, e com suas reivindicações aceitas, a paz voltara a sorrir para a cidade.

Líder, essas são Rosário Acerbi e Paola Tovalieri. – Corina aponta para as duas

É uma honra conhece-lo, senhor Nikolai Milosevic. – Tovalieri faz uma reverencia a Nikolai. Era claro que a subtenente era uma pessoa extremamente humilde.

Por favor, não precisa ser tão formal. – Rosário cutuca Tovalieri com o cotovelo.

Olha, nós chamamos vocês aqui porque temos um pedido. – iniciou Corina.

O que seria? – perguntou Rosário curiosa.

Queremos que vocês se juntem a nossa organização. Nosso intuito é enfrentar a ISIS. – Corina põe as mãos na cintura e olha para as duas, esperando as reações.

Por mim tudo bem. É sempre bom ter aliados. – Rosário sorri

E você, subtenente Tovalieri? – Corina olha pro rosto da pensativa subtenente.

Ah. É claro que quero me juntar a vocês. Será uma honra lutar ao lado de pessoas tão interessantes. – Tovalieri parecia ter muito respeito pelos três

Corina deixa escapar uma risadinha, achava Tovalieri uma pessoa engraçada. Tinha o olhar de uma criança maravilhada com algum brinquedo novo a subtenente.

Se for assim, então está ótimo. - Corina sorri – Tem algo a dizer, líder? – a ex-ginasta olha para Nikolai.

Como disse a Corina... Não quero robôs me seguindo. Quero pessoas, gente com opinião própria, para discutir meus planos, questionar o que for preciso... E antes de fazer qualquer coisa, pensem...

Ele direcionou seu olhar a Rosário...

Mas garanto que isso é perfeito para você não é Rosário Acerbi? – Nikolai sorriu – A Luísa era minha namorada e não pude estar aqui para protegê-la nem usar a força de minha organização, mas acho que você fez uma promessa para ela não?

Sim... – A tenente coronel abaixou sua cabeça...

Meu senhor! – Tovalieri se abaixou e ficara de joelhos – Me desculpe...

Não precisa – Nikolai interrompeu a garota – Pelos seus feitos consegui com que você fosse posta como coronel, e será aquela que receberá quaisquer informações de minha parte. Minha organização funciona de forma descentralizada, cada um pode fazer seus trabalhos, porém quando houver uma ligação minha ou da Corina, significa que algo grande está para acontecer, ok?

Se for assim – Rosário se dirigira a porta.

Rosário – Nikolai exclamou – Nós pegaremos aqueles quem fizeram isso com a Luísa... Deixarei nas mãos de vocês três quando capturarmos todos seus membros.

Tudo bem, chefe – Rosário sorriu ironicamente – Por sinal, qual o nome de sua organização?

É líder – uma Corina feliz se virou para Nikolai – Qual o nome da nossa organização?

After Light – sorriu o bósnio – A luz depois da escuridão e vocês devem se referir a mim como Houdini ou Florian... E tenho uma curiosidade...

Qual? – indagou as três em uníssono.

O Alejandro faz parte da minha organização... E ele tem um segredo, porém deixo para vocês imaginarem...

Corina então empurrou a cadeira de rodas de seu líder para fora do apartamento, sendo seguida pelas duas garotas...

ISIS, NOM, Ordem da Bala de Prata... Tudo isso não vai acabar, enquanto existir pessoas com poder e capacidade para tal. Porém, sempre haverá pessoas para lutar contra este considerado mal. Seja no passado, seja no presente, seja no futuro...