Capítulo VII
Banquete, Parte II.
Trunks mostrou o caminho para o lado de fora. Estava bastante frio; assim, Trunks pôs um braço ao redor de Pan enquanto eles caminhavam. Ela aceitou isto como parte de seu ato, mas imagens de sua estupidez na câmara de gravidade continuavam voltando. Ela queria chutar a si mesma, mas sabia que teria alguns problemas se o fizesse.
"Você gosta de ciências?" Trunks perguntou enquanto eles passeavam pelo jardim.
"Gosto. É interessante", ela respondeu. E era verdade. Depois de todos os anos estudando o assunto para o plano, ela acabara gostando.
"E o que acha da minha irmã chata?"
"Chata? Bom, ela pode ser um pouco chata quando se trata de sair para fazer compras, mas, de outro modo, ela é ótima".
Eles caminhavam por uma pequena trilha, e então se acomodaram em um banquinho de onde tinham a vista de toda a cidade.
"Não é uma vista maravilhosa?" Pan perguntou.
"É sim".
Eles ficaram quietos por um minuto, mais ou menos.
"Pan, por que você treinava regularmente em sua casa?" Trunks perguntou.
Pan queria ver a expressão dele quando lhe contasse que era para matá-lo, mas considerou que devia esperar mais um pouco.
"Eu gostava de treinar. Às vezes, me ajudava a aliviar o estresse, e também me deixava mais forte", ela respondeu.
"Eu acho que, se eu puxar pelo seu treino agora, você pode ficar uma supersaiyajin em, vamos dizer, algumas semanas".
Pan quase ficou pálida quando ele mencionou a transformação em supersaiyajin, pois ela já a alcançara.
"Eu posso?" Ela disse, fingindo.
"Você é forte e gosta de treinar. Pode ser uma supersaiyajin como a minha irmã".
"Bra é uma supersaiyajin?" Pan perguntou.
"É sim. Meu pai a treina desde que ela tinha nove anos. Antes disso, ela não chegava perto de nenhum peso. No momento, meu pai está tentando fazê-la chegar ao nível seguinte".
"Nível seguinte?"
"É. Existem quatro níveis para a transformação. Cinco, se contar a ascensão. Em cada nível, seu cabelo muda, e seus olhos ficam de cores diferentes, não o azul esverdeado da primeira fase. Seu poder e sua velocidade aumentam a cada transformação, mas é necessário um pouco de determinação. Virar supersaiyajin foi fácil para mim, demorei um dia".
"O nível dois foi um pouco mais difícil, e consegui chegar lá depois de treinamento intenso. Mas o nível três foi o mais complicado. Quando eu me transformei, a câmara de gravidade explodiu, e toda a ala oeste do palácio teve de ser reconstruída, mas meu pai adorou".
"Isso aconteceu há três anos, e eu ainda posso me lembrar como foi. Meu pai meio que entrou em minha memória e colocou lá uma cena de milhares de saiyajins morrendo, culpando-me por isso, culpando-me por ser fraco, e eu explodi".
"Meu pai está no último nível, e disse que, quando eu quisesse chegar à última transformação, era só pedir ajuda a ele. Quanto mais fortes, mais proteção temos contra guerras futuras... e contra aquela sensação que eu tenho".
Trunks olhou para o céu, e não viu a expressão de pavor de Pan. Ela não sabia dos quatro níveis da transformação para supersaiyajin, e estava na primeira fase, enquanto ele estava na terceira. Isso queria dizer que ele era bem mais forte que ela.
O que vou fazer? Ainda sou capaz de matá-lo? Vou ter que bolar uma idéia.
Trunks baixou os olhos para ela.
"Pan, está gostando de sua estadia no palácio até agora?" Trunks perguntou.
"Estou. Tem sido muito divertido, e fiz grandes amigos", ela mentiu. Mas parte era verdade.
O silêncio preencheu o ar por mais alguns minutos. Pan, decidida a seguir o plano, apoiou-se no ombro dele. Trunks colocou um braço ao redor dela e a abraçou com força.
Devo ser o homem mais felizardo do mundo...
Mas Pan refletia sobre os últimos eventos.
Acho que ele está louco por mim, mas quero melhorar as coisas, como se eu estivesse a fim dele. Mas é verdade... Pan! Pare de pensar nisso! Tem que se concentra, garota, nada de causar confusão dizendo que gosta dele. Lembre do rosto deles, do rosto deles...
Imagens de seu pai e de seu avô vieram à mente dela, e ela decidiu tornar as coisas mais interessantes agora mesmo. Lenta, mas decididamente, ela desenrolou sua cauda de sua cintura fina. Olhou para a cauda dele, e viu que esta não estava enroscada ao redor da cintura.
Vai!
Ela moveu a cauda na direção da dele, trazendo-o para mais perto de si, e lentamente esfregou sua cauda na dele. Trunks sentiu deliciosos arrepios saindo de sua cauda, e corou furiosamente ao ver o que estava acontecendo. Pan percebeu isto e afastou sua cauda, sorrindo com seu sucesso ao fazê-lo pensar que ela gostava dele. Trunks baixou os olhos para ela, e então envolveu sua cauda completamente ao redor da dela, do mesmo modo que casais casados ou de namorados faziam. Agora, isto a fez corar. Ela não imaginava que ele iria fazer aquilo, mas pelo menos ainda era um sucesso.
Espero que me conte mais coisas logo, Trunks. Você já me falou sobre o mal que vem nesta direção, e posso usar isto a meu favor, mas seria melhor se eu soubesse mais.
Trunks fitou o seu rostinho corado. Ela era um anjo, não havia outra palavra para descrevê-la.
"Pan?" Ele a chamou. Ela ergueu os olhos, e ele esmagou seus lábios contra os dela. Surpresa, ela correspondeu.
Mas este não era um beijo como o outro. Era um beijo sem paixão, sem chamas de desejo. Ela estava com a cabeça limpa, e usava isto para brincar com ele. Ela sorriu com malícia para si mesma, enquanto eles continuavam a se beijar. Trunks deslizou a língua para dentro de sua boca, e ela fez o mesmo; seus braços ao redor um do outro. Trunks beijava com sentimentos, sem fingir, e não fazia idéia que Pan estava interpretando, por vingança por causa do pai e do avô.
Ela continuou a beijá-lo, mas podia sentir seu controle escapando-lhe. Depois de uns dois minutos, não podia mais suportar. Em vez de ouvir a cabeça, ouviu seu coração, e correspondeu com toda a intensidade. Agora, sim, era apaixonado. Suas caudas estavam coladas, e Pan deu um gemido rouco. Pôs cada uma das mãos em um lado do rosto dele. Quando Trunks se afastou, Pan roçou os dentes pelos lábios dele, fazendo com que eles pulsassem, mas Trunks adorou a sensação. Em vez de atacar o pescoço dela, como no beijo anterior, ele beijou-a na linha do queixo até a orelha, a qual ele lambeu e mordeu. Ela gemeu aos arrepios que corriam por seu corpo, e Trunks atacou seus lábios mais uma vez. Quando eles se afastaram, ofegavam para recuperar o fôlego. Foi aí que Pan percebeu o que tinha feito. Ficou furiosíssima consigo mesma. Tinha perdido o controle.
Quando ele ia beijá-la de novo, ela pôs um dedo nos lábios dele.
"Não devíamos entrar para a cerimônia de encerramento?" Ela sussurrou.
"Acho que sim", ele disse, desapontado por não ter durado mais. Mas adorara tudo mesmo assim. Acho que vou esperar mais um pouco antes de contar a ela como me sinto de verdade.
Eles fizeram o caminho de volta, de mãos dadas. Goten e Bra tinham desaparecido. Assim que eles entraram no salão, Trunks viu que o fim da noite se aproximava.
Talvez eu conte a ela esta noite, quando nós dois estivermos sozinhos, ele pensou. E sorriu. Talvez esta seria a noite na qual eles dividiriam uma cama.
Pan, entretanto, estava furiosa. Ela disse a Trunks que ia ao banheiro. Quando entrou lá, encontrou-o vazio, e olhou-se no espelho. Viu o mesmo rosto que tinha desde sempre, exceto que seu cabelo estava solto. Podia sentir a raiva bombeando por seus pulmões, e queria ensinar-se uma lição. Ergueu de leve o seu ki, e o fez correr para sua cabeça. Isso a feriu gravemente: uma dor cáustica e intensa na cabeça, mas ela continuou. E só parou pouco antes de desmaiar.
O evento acabou pouco depois disso. Ao deixarem o hall a caminho de seus quartos, ela podia ouvir Bra dando gargalhadas junto com Goten. Tanto Trunks quanto Pan suspiraram e pensaram a mesma coisa: que os dois pombinhos bêbados talvez não iriam dormir por um longo tempo.
Pan ainda sentia a ardência em sua cabeça, mas a ignorou.
"Divertiu-se esta noite?" Trunks perguntou ao abrir a porta para sua ala no palácio.
"Foram horas ótimas" ela respondeu.
Os dois se dirigiram à porta de Pan, aonde ela se virou.
"Obrigada por me convidar para ser sua acompanhante ao banquete, foi muito divertido".
"Sem problema", Trunks disse acariciando o queixo dela.
Acho que é hora de brincar um pouquinho, ela pensou. E se estendeu na ponta dos pés e deu um selinho nos lábios dele.
"Boa noite", ela disse sorridente.
Trunks estava quase a beijando intensamente mais uma vez, quando ouviu uma batida na porta principal de sua ala. Amaldiçoou quem quer que fosse em voz baixa e foi para a porta, com Pan atrás de si. Abriu a porta e encontrou ali um saiyajin totalmente paramentado com sua armadura.
"Ahn, oi", disse Trunks.
"Sim, Príncipe..."
"Trunks", Trunks corrigiu o saiyajin.
"Certo, Trunks; o senhor tem hospedado uma srta. Son Pan aqui?" Ele perguntou.
"Sim, sou eu", Pan respondeu atrás de Trunks.
"Tenho uma mensagem para a senhorita, de sua avó", ele disse.
"Do que ela precisa?" Pan perguntou preocupada.
O saiyajin fez uma pausa. "Lamento muitíssimo, mas sua mãe, Videl, suicidou-se há mais ou menos uma hora".
Isto atingiu Pan com toda a força. Ela podia sentir uma pontada no coração, e doía tanto! Seus batimentos cardíacos e sua respiração se aceleraram.
"Não..." Ela sussurrou, uma única lágrima descendo por seu rosto. "Não..."
Pan buscou pelo ki de sua mãe, mas não o encontrou. Trunks não conseguia achar palavras a dizer a Pan. Ele agora sabia que ela tinha perdido o pai e a mãe em um curto espaço de tempo. E pôs uma mão no ombro dela.
"Não..." Ela sussurrou de novo, e desmoronou no ombro de Trunks. O saiyajin se foi com um sorriso solene, enquanto Trunks foi deixado para confortar sua garota chorosa.
Pan tinha vívidas cenas lampejando em sua cabeça, mas uma se sobressaía:
Trunks não tinha assassinado só seu pai e seu avô, mas também a sua mãe.
