Guilty – Chapter 7 – Donoyoni

Sh: Sempre quero ver quantos derrubas!

Sak: Mais do que tu de certeza…

Sh: Isso, nós veremos!

Sak: Lá vão seis!

Sh: Sete!

Sak: Mais dois!

Sh: Parabéns mas eu… – Correu pelo meio deles derrubando todos os que estavam à sua volta – … Mais oito…

Sak: Depois no fim fazemos as contas! – Continuaram a lutar, mais empenhados do que nunca, cada um para o seu lado mas sempre com atenção ao que o outro fazia.

Sak: Já está…

Sh: Sim… – Não havia mais sinal de criaturas por perto.

Sak/Sh: 34! – Gritaram um para o outro ao mesmo tempo.

Sak: Oh não… será possível?

Sh: Como é que podemos estar empatados?

Sak: Olha… – Viram uma das criaturas caídas no chão a levantar. – É minha!

Sh: Isso querias tu! – Correram os dois em direcção à criatura. Quando iam a atacá-la, esta cai no chão e desaparece.

Sak/Sh: Mas como?

Maki: Olha quem eu encontrei! Juntos outra vez? Vocês não resistem…

Sak/Sh: Maki!

Sak: Caramba! Agora não dá para desempatar…

De repente, um som estranho fez-se ouvir por toda aquela zona. Num acto instantâneo, Sakura segurou o braço do Li.

Sak: Que foi isto? – Perguntou assustada. Shaolan pousou as mãos nos ombros dela, num acto de a proteger.

Sh: Não sei… parecia… um animal… – Sakura olhou para cima e arregalou os olhos quando viu algo voar em sua direcção.

Sak: Cuidado! – Empurrou Li e foi apanhada. – Ahh!

Sh: Sakura! – Levantou-se logo mas não a via em lado nenhum. – Maldita mania de me empurrar!

Maki: Oh não… e agora?

Sh: Temos de a encontrar! – Correu escadas abaixo seguido de Maki.

Maki: Eu vou por aqui… – Correu pela esquerda e Li tomou a direita.

Sh: " Onde estás…"

Sak: Au! – O animal que a tinha apanhado, que era semelhante a um grifo, largou-a, deixando-a cair ao chão.

: Sakura!

Sak: Hã? – Olhou para cima. – Não…

Keji: Tiveste saudades minhas? – Abaixou-se tocando o rosto dela com a mão.

Sak: AHHH!

Sh: É ela! – Olhou para o piso de cima e viu Sakura correr desesperada. Apressou-se a correr na sua direcção.

Keji: Não fujas! Porque foges de mim! – Repreendeu-a ao agarrá-la com força.

Sak: Por favor… para com isso… eu já não aguento mais! – Implorou com as lágrimas a descerem-lhe pela face.

Keji: Eu sei que és muito corajosa e determinada… claro que aguentas! E para mais… porque queres fugir de mim? Eu voltei para ficarmos juntos de novo, meu amor…

Sak: Canalha! Não quero mais nada contigo! Eu odeio-te!

Keji: Hum… quem é ele?

Sak: Ele?

Keji: Sim… esse sentimento que transportas contigo até me está a enjoar…

Sak: Mas não há ninguém!

Keji: Queres mentir a ti própria? És mesmo tola! Devias de aproveitar… não é todos os dias que se vê alguém gostar de uma assassina... – Sakura arregalou os olhos.

Sak: Assassina? Foste tu que mataste a minha mãe!

Keji: Eu?

Sak: Não te faças de sonso…

Keji: Até nem teria sido má ideia… a tua mãe era uma intrometida tal como tu. Sempre atrapalhar os meus planos! Mas não fui eu quem teve essa rica ideia…

Sak: MENTIROSO! Larga-me! – Gritava enquanto tentava soltar-se dos braços dele. Keji levantou a mão para cima e umas espécies de fitas saíram da mão e enrolaram-se em volta da cabeça da rapariga, impedindo-a de gritar.

Keji: Silêncio… ah Sakura… não sabes a falta que eu senti de ti… – Aproximava-se dela aos poucos. Voltou a tirar as fitas da cabeça dela e segurou-a com as mãos. – Senti… mesmo muita falta… – Após dizer isto, tomou os lábios dela, beijando-a. Como um infortúnio do destino, Li chegou lá acima naquele exacto momento deparando-se com a cena. Desde logo, ficou estático com o que tinha em frente dos seus olhos. Um homem mais ou menos da sua estatura, apenas ligeiramente mais baixo e de cabelos castanhos muito escuros, estava a beijá-la… ela que ainda há pouco estivera em seus braços… fora com ela que ainda há pouco fez algo que só havia feito uma vez na vida e, honestamente, contra sua vontade… agora ela estava ali, e não se debatia, nem mexia…

Sakura sentia todo o seu corpo paralisado. Não conseguia soltar-se agora daquelas mãos imundas.

A sua espada escorregou-lhe pela mão, caindo no chão silenciosamente, sem ele próprio dar conta. Sentiu a sua respiração tornar-se pesada e o seu peito dilatar ainda mais com a inspiração.

Reparou numa presença, que estava a aumentar anormalmente. Parou de beijar Sakura e olhou para o lado vendo um rapaz completamente sem acção a olhar para si.

O indivíduo parou de a beijar e olhou para ele. Tinha uns olhos cinzentos, completamente gelados, transmitia tanta crueldade e frieza. Olhou para a sua paciente e ela continuava deitada em seus braços sem se mover. Ele não sabia o que haveria de fazer naquele momento.

Keji: "Hum… chegou então…" Sakura, conheces este senhor? – Sakura sentiu a sua cabeça rodar para a direcção que Keji tinha indicado.

Sak: Hã? – Sentiu o seu coração disparar. – "Shaolan…" Não…

Sh: Como?

Keji: De certeza?

Sak: Sim…

Keji: Então não te importas se eu tratar dele, pois não?

Sak: Espera… eu própria o faço… Keji…

Sh: "Keji…" Sakura…

Keji: Bem, se fazes tanta questão em acabar com ele, tudo bem… quem sou eu para te impedir… – Passou-lhe o bastão para as mãos. Sakura caminhou lentamente em direcção a Li.

Sh: "Eu não posso magoá-la, mas se eu não fizer nada… não! Eu não vou atacá-la!"

Sak: Ah! – Correu e lançou o bastão em direcção à sua cabeça. Ele impediu o ataque, segurando com as duas mãos o bastão.

Sh: Sakura! Que estás a fazer?

Sak: …finge…

Sh: O quê? – Sakura rodou o bastão lançando Li para longe. Este caiu inanimado ao lado da sua espada.

Keji: Lindo! Não perdes-te o jeito, meu amor… estás a ver? Para que necessitas das cartas? És tão forte e tens tanto poder mesmo sem elas… – Aproximou-se dela. – Vem cá, vem…

Sak: Vem tu aqui… – Sorriu-lhe com um ar maroto.

Keji: Tudo bem, mas por precaução… – Tirou-lhe o bastão – Já não precisas dele, não é mesmo?

Sak: Não…

Keji: Finalmente vamos ficar juntos… – Esticou a mão para a agarrar.

Sh: Toma isto…

Keji: O que… – Sakura abaixou-se logo e por trás dela apareceu Shaolan, que lhe mandou com a espada na cara, lançando-o contra as escadas.

Sak: Shaolan… – Sorriu aliviada. Shaolan ajoelhou-se, pousou a espada e acolheu Sakura nos seus braços.

Keji: Vocês… – Levantou-se com a mão na cara. Tinha um golpe que ia desde a bochecha esquerda até à parte superior direita da testa, passando por cima dos olhos. O seu sangue escorria de sua mão, caindo no chão. - …não esperem pela demora…! – Dizendo isto uma enorme nuvem de fumo o envolveu e ele desapareceu.

Sh: Assustaste-me… por momentos pensei que estivesses a falar a sério… – Sakura sorriu. – Agora temos é de sair daqui… – Levantou-se ajudando-a. – Ai!

Sak: Ai! – O chão começou a inclinar. Sakura, desprevenida, escorregou e deslizou pelo chão, entrando numa das varandas. Agarrou-se a uma das varas da varanda ou teria caído no meio do jardim da casa que ficava três andares abaixo. Sabia que não aguentaria muito tempo naquela situação, pois a estrutura estava sempre abanar. Foi então que sentiu uma mão agarrar-lhe o pulso. Puxou-a para cima, segurando-a pelos braços e colocou-a de novo dentro da casa.

Sak: Touya!

Touya: Não tens mesmo cuidado nenhum, Kaiju…

Sak: Touya! Eu não sou kaiju!

Touya: Pois, claro… agora vai para fora do edifício e rápido!

Sak: Aonde vais?

Touya: Tenho de ir buscar a Hu San… – Sakura começou a correr e foi logo contra alguém.

Sh: Estás aí! Está tudo bem?

Sak: Sim… eu estou… temos de sair daqui rapidamente!

Sh: Com certeza… – Com o seu joelho empurrou os dela por trás, pegando-a ao colo. Correu em direcção ao piso debaixo.

Sak: Hei! Porque é que fizeste isso?

Sh: Então, não é para ir para fora do edifício?

Sak: Sim! Mas eu não podia ir simplesmente ao teu lado a correr?

Sh: Caramba Saki! Queres tirar-me o protagonismo todo! Não vês que eu agora estou na minha parte heróica?

Sak: Oh meu deus… não precisavas disso!

Sh: És muito lenta e depois nunca mais sairíamos daqui!

Sak: Eu? Lenta?

Sh: Olha…

Sak: Diz…

Sh: Se tu estás assim por causa do que… aquilo que aconteceu… esquece…

Sak: "Esquecer?"

Sh: Pelo menos por agora… Temos de pensar em sair daqui inteiros…

Ele tinha razão… novamente.

Sak: Sim… – Abraçou-o para se sentir mais segura.

Sh: Óptimo, então… Vamos a isto! – Chegaram à zona onde tudo tinha começado e toda a gente ainda se encontrava inconsciente no chão. Shaolan teve de andar aos saltos por cima das pessoas.

Sh: Olha a minha figura. Nunca pensei em ter de vir a fazer tal coisa…

Sak: Hahaha… oh… Shaolan…

Sh: Que se passa?

Sak: Eles vêm aí novamente! – Li parou de imediato e viu mais daquelas criaturas aproximarem-se deles os dois.

Sh: Já me estou a passar com estes indivíduos! Vou acabar com isto de uma vez… – Colocou Sakura por cima do seu ombro e tirou a espada.

Sak: Shaolan! Tira-me daqui!

Sh: Oh! Está mais é quieta! Deixa-me tratar deles! És muito nervosa…

Sak: Argh! Ao menos se certifica que não mandas nenhuma parte do teu ataque para as minhas pernas ou para o meu rabo, se faz favor!

Sh: Achas mesmo? Isso seria um prejuízo!

Sak: Tarado! – Disse colocando as mãos atrás e puxando mais a saia para baixo.

Sh: Haha… não te preocupes… eu não olho! Senão ainda ficava com um torcicolo e isso… é mau!

Sak: Ai…

Shaolan colocou-se em posição e levantou a espada.

Sh: Kaishin… Sho… ah!

Sak: Shaolan! – Alguém havia pegado Li pela camisa.

Sh: Sakura! – Por pouco Sakura não caiu, se não se tivesse agarrado à perna de Li.

Sak: Ah! Detesto alturas!

Li olhou para cima.

Sh: Tu!

Kero: Tudo bem?

Sh: Seu idiota! Ela quase caiu, seu inconsciente!

Kero: Calminha! Ela não caiu não é? Então não reclames!

Shaolan tentava mas não conseguia chegar com o braço, a Sakura.

Sh: Sakura! Sobe por mim acima! – Sakura ficou vermelha.

Sak: Hã? Nem pensar! Eu não sou nenhuma trepadora!

Sh: Ah! Teimosa! Queres cair? Anda daí!

Sak: Não!

Sh. Mas eu não te consigo agarrar!

Sak: Então fico pela perna, mesmo!

Sh: Tu…

Sak/Sh: Ai! – Kero balançou Li atirando-o para cima de si, levando Sakura junto.

Kero: Vocês já se deram conta do quanto que vocês são irritantes?

Sak/Sh: Irritantes? – Olharam um para o outro. – Para de dizer o mesmo que eu! Maldição…

Kero: Haha! Para quando é que é o casamento, mesmo?

Sak/Sh: Que casamento?

Kero: Do chinês intrometido e da namoradinha nervosa! Quem é que havia de ser?

Sak/Sh: Oh 'tá calado! – Viraram as costas um ao outro, cruzando os braços.

Kero: Isto vai dar em casamento… – Lançou uma bola de fogo por cima das criaturas que tentavam segui-los. Sakura até ficou assustada ao ver aquela gigantesca bola explodir mesmo à sua frente.

Sak: Meu deus…

Kero: Hahaha! Isto não é nada, minha querida.

Sh: Minha?

Sak: Querida?

Sh: Mas não é que o peluche pirou?

Kero: Vê lá se queres ir fazer companhia ali aos outros que acabaram de ser assados! – Olharam um para o outro, furiosos.

Sak: Parem com isso, por favor! – Ordenava enquanto puxava Li para acabar com aquela briga entre os dois. – Vamos, mas é rápido para fora daqui! Acelera!

Kero: Sim, senhora! – Kero aumentou incrivelmente a velocidade. Sakura caiu no colo de Li.

Sh: Ele está doido!

Kero: Não queriam mais depressa? Aqui vamos nós!


Lá fora, Tomoyo andava impaciente, de um lado para o outro.

Eriol: Será que havia mesmo necessidade de lhe levar a voz? Mas eu mato-o!

Maki: Tem calma Eriol… isto vai resolver-se! – Era um milagre ver Eriol furioso. Mas também quando isso acontecia, ele era mais perigoso do que qualquer outra pessoa.

Tomoyo começou a saltar de felicidade.

Eriol: Que se passa Tomoyo? – Olharam para uma das janelas da casa e viram Kero sair a alta velocidade. Depois de ele pousar, viram Li e Sakura sair de cima dele, a cambalear para depois caírem no chão.

Sak/Sh: Ai…

Eriol: Que é que lhes fizeste, Kero?

Kero: Eles pediram para andar rápido… – Voltou à sua forma adoptada – …apenas obedeci…

Sh: Que tonturas…

Sak: Ai… quero vomitar… – Abraçaram-se a si próprios e colocaram a mão na boca.

Maki: Sempre um exagerado…

Kero: Não sei como vocês os aturam todos os dias! Passam a vida se pegando!

Todos menos Sak/Sh: Nisso tens razão!

Sak: Não é nada!

Sh: Quem é que discute?

Eriol: Oh… ninguém de facto…

Sh: Nós não discutimos!

Sak: São apenas desentendimentos…

Maki: Claro… chamem-lhe o que quiserem…

Tomoyo aproximou-se da prima, abraçando-a.

Sak: Tomoyo… estás bem? – A rapariga confirmou positivamente com a cabeça. – Já sabem o que lhe aconteceu?

Eriol: Só pode ter sido o Keji que lhe tirou a voz…

Sh: Mas para que é que ele queria a voz da Tomoyo…?

Eriol: Não sei… espera! Pois… ele é esperto de facto…

Sak: O quê?

Eriol: Pensem no que a Tomoyo faz aqui… é ela que coordena a casa, é ela que apazigua as nossas discussões… é ela a única que se entende com o Touya… e é a pessoa mais chegada a ti, Sakura…

Sh: Realmente, bem pensado…

Sak: Oh… eu lamento tanto, Tomoyo…

Tomoyo sorriu abanando de leve a prima para a animar.

Sak: Nem assim perdes a tua boa disposição… realmente és única…

Touya: Chegamos…

Maki: Estão bem?

Hu: Sim… olhem a casa…

Eriol: Está a voltar ao normal…

Sak: Ainda bem…


Sakura levantou-se tarde, perto do meio-dia.

Arranjou-se e saiu do quarto. Ainda ninguém se encontrava de pé. Também depois de uma noite tão atribulada como a de ontem, era normal. Saiu da casa e caminhou pelo jardim. Quando deu por si, já estava lá. Era inevitável… Há três anos que não se encontrava tão perto daquela árvore. Respirando fundo, aproximou-se, ficando mesmo em frente a esta.

Sak: Okaasan-sama…

Flash-back

Sak: Okaasan! Olha para mim! Hei! – Disse colocando-se de cabeça para baixo num dos ramos da cerejeira.

Nad: Sakura! – Alarmou-se – Cuidado, filha! Podes cair…

Sak: Okaasan…

Nad: Diz meu amor…

Sak: Onde fica Hong Kong?

Nad: Na China…

Sak: Isso é muito longe?

Nad: Não… nem tanto assim…

Sak: Porque é que nunca lá fomos? – Perguntou balançando.

Nad: Não podemos ir a todos os lados, não é? Mas… porque estás a perguntar isso?

Sak: Hoje o professor falou de Hong Kong, mas não tinha nenhum mapa para nos mostrar… podemos ir lá?

Nad: Agora não dá Sakura… tu e o Touya estão na escola e eu tenho o meu trabalho…

Sak: Um dia destes podemos ir? – Nadeshiko sentou-se à sombra da cerejeira.

Nad: Claro… um dia destes vamos lá… eu prometo…

Sak: Okaasan…

Nad: Diz, meu amor…

Sak: A Tomoyo-chan vem para nossa casa?

Nad: Sim, amanhã…

Sak: Que bom! Mas… onde foi a tia?

Nad: Bem, a tua tia, Sakura, ela foi para o céu…

Sak: Quer dizer que está ali em cima? – Apontou para o céu, admiradíssima.

Nad: É… junto das nuvens, dos anjos, da lua, do sol…

Sak: E das estrelas também?

Nad: Também…

Sak: Oh… parece muito bonito mas a Tomoyo-chan? Não foi com ela?

Nad: Não, ela não podia ir…

Sak: Então, ela deve estar muito triste…

Nad: Por isso é que ela vem para aqui! Temos de a animar!

Sak: Sim mas, okaasan, tu também vais para o céu?

Nad: Um dia sim… todos vão um dia…

Sak: E vais-me deixar sozinha?

Nad: Claro que não tolinha! Quando eu for para lá, em princípio, já terás o teu marido e os teus filhinhos e eu nunca te deixarei sozinha! Eu estarei bem lá no meio das estrelas a olhar por ti… tal como a tia Sonomi está agora, a olhar pela tua prima…

Sak: Ainda bem! Eu não quero ficar sozinha… Onii-chan! – Exclamou eufórica ao ver o seu irmão se aproximar. – Onii-chan! Sabias que vamos a Hong Kong? E Sabias que a tia Sonomi está junto da estrelas?

Touya: O quê?

Nad: Hahaha! – Riu-se da cara de surpreso do filho.

Touya: Estás tu com as tuas histórias, kaiju…

Sak: Eu não sou kaiju! Okaasan…

Nad: Vá lá Touya, não importunes a tua irmã…

Touya: Que história é essa de ir a Hong Kong?

Sak: Um dia vamos lá! Todos juntos!

Touya: Eu não quero ir… não gosto de lá…

Sak: Okaasan! Já foste lá?

Nad: Já… já lá fui uma vez… – Um sorriso misterioso apareceu em seu rosto.

Sak: É bonito, não é?

Nas: Sim é muito bonito!

Sak: Vês Touya!

Touya: Oh! Eu não gosto… não gosto de chineses…

Sak: Eu gosto!

Fim Flash-back

Sak: A olhar por mim… – Observou o céu, por entre as folhas da cerejeira. – Ai… – Ajoelhou-se em frente à árvore –… estou tão cansada, tão farta disto tudo! Já cheguei a pensar se aí, junto das estrelas, não estivesse mais feliz… agora… aquele maldito voltou! Mas… ele era tão amável e simpático… e de repente… porque é que tinhas de o beijar? Ele era o meu namorado! Sabias que eu… gostava dele… – À sua cabeça veio à lembrança do beijo que tivera com o Li – Eu percebi que ia acontecer… mas não o evitei, não recusei… ele, também, é tudo o que o Keji era… sinceramente… bem, é melhor ainda… – Sentiu o rosto aquecer – Todas as emoções que ele transmite eu posso ter a certeza de que elas são verdadeiras… dá para ter essa certeza… achas que estou a agir bem? Eu estou a entrar numa loucura! Corre-se tudo mal novamente? O Li tem magia e quase todos ambicionam as cartas, apesar de já não as ter comigo… não… eu não consigo imaginá-lo a fazer tal coisa! Ele é… diferente… não sei explicar… será que fiz bem?

Sh: Se estiveres a perguntar à árvore se fizeste bem em vir aqui… eu posso responder por ela…

Sakura colocou-se direita e sentiu todo o seu corpo enrijecer. Será que ele tinha ouvido? Tentou agir com calma…

Sh: Sakura… – Sentou-se ao lado dela – Porque é que continuas a vir aqui se te sentes mal?

Sak: É que… – Fitou o chão. -… aqui me sinto mais perto da minha mãe…

Sh: Não tens emenda… – Falou, deitando-se de seguida no chão, com as mãos atrás da cabeça. Sakura moveu os olhos para ele e viu-o deitado de olhos fechados. Sentiu-se novamente a ficar atordoada e virou a cabeça para outro lado.

O sol brilhava no seu máximo e apenas uma leve brisa pairava no ar.

Sh: Podias ter avisado que vinhas para aqui! Isto é óptimo! Principalmente depois de uma noite como a de ontem… – Abriu os olhos de leve para saber o que ela estava a fazer. Estava de olhos fechados a levar com a luz do sol na face e os seus cabelos eram levemente agitados. Começou a sentir-se estranho e olhou para o outro lado.

Sh: Porque não te deitas também? Decerto que estais cansada…

Sak: Sim… – Moveu-se delicadamente deitando-se ao lado dele.

Sh: Sabe bem, não sabe?

Sak: Tens razão… – Confirmou, suspirando fundo.

Sh: Olha…

Sak: Diz…

Sh: Ontem… bem… eu não entendo uma coisa…

Sak: O que é?

Sh: Como… conseguiste beijá-lo?

Sak: Do que me estás a lembrar…

Sh: Desculpa, mas é algo que eu não consigo encaixar…

Sak: E porque não?

Sh: "Ups…" Bem… sempre disseste que o odeias, mas, no entanto…

Sak: "Oh… por isso…" Eu não me conseguia mexer por causa de um feitiço que ele me tinha lançado…

Sh: Ah…

Sak: Credo! Aquilo é algo que quero enterrar para sempre!

Sh:… e… o outro?

Sak: Não sei…

Sh: Não sabes se queres enterrar também?

Sak: Sim…

Sh: Nem eu… não sei se… olha… foi muito confuso!

Sak: Pois… e sabes?

Sh: Diz...

Sak: Pensei que tivesses ficado chateado comigo…

Sh: Chateado contigo? Porque haveria? – Perguntou em tom de riso, virando-se para ela.

Sak: Eu sai tão disparada de lá!

Sh: Eu compreendi o facto de teres tido aquela reacção. Na verdade, pensava que tu é que tinha ficado chateada comigo…

Sak: Chateada não! Eu fiquei um pouco desnorteada…

Sh: Como eu…

Começaram os dois a rir da figura que fizeram.

Sh: parece que voltei à adolescência…

Sak: Então esta adolescência é melhor do que a que eu tive…

Sh: Sabias que ele tinha poderes?

Sak: Não, não sabia… mesmo depois de ele ter descoberto que eu tinha, não me disse. Só depois o Eriol descobriu e contou…

Sh: Incrível… que lata… ele tem as cartas agora?

Sak: Penso que sim…

Sh: Então, porque é que ele voltou?

Sak: Tens razão… mas ele tem as cartas! O que será que ele quer mais?

Sh: Será… que ele veio para te levar?

Sak: Mas não tem nexo! – Sentou-se – Ele esteve comigo apenas pelas cartas… fez questão de deixar bem claro isto quando… foi embora… – Li sentiu um pouco de tristeza naquelas palavras. Deve ter sido duro demais para ela.

Sh: "Que anormal…" – Sentou-se ao lado dela. – Vamos de ter de estar com atenção… – Distraído, ao pousar a mão no chão, acabou por pousá-la por cima da mão de Sakura.

Sak/Sh: Ai! – Saltaram os dois ao sentir o toque.

Sh: Desculpo, eu não queria…

Sak: Não tem importância…

Ficaram em silêncio a olhar para todos os lados menos um para o outro. Para disfarçar aquela situação, Sakura lançou.

Sak: Sabes de uma coisa…

Sh: O que é?

Sak: Acerca do que aconteceu ontem…

Sh:… sim…

Sak: Vou ser muito sincera contigo… tu beijas muito mal! Hahahaha!

Sh: Sakura! É impressionante! És a pessoa mais cruel que eu já vi!

Sak: Mas não te preocupes! Isso não é grave, arranja-se… só precisas de um pouco mais de pratica! Hahaha! – Levantou-se ou teria sido agarrada por ele.

Sh: Mas tu vais ver! – Correu atrás dela – Espera até eu te apanhar!

Sak: Já devias de me ter apanhado! Afinal, eu sou lenta, não sou?

Sh: Chata! Volta aqui! – Gritou e agarrou-lhe o braço.

Sak: Ai! Solta-me! Hahaha! – Encostou-a na árvore e prendeu-lhe os braços – Isso não é justo…

Sh: Habitua-te… eu sempre ganho!

Sak: Ai sim? – Aproximou-se mais dele.

Sh: Tenho sempre tudo controlado… – Encostou a sua testa à dela.

Sak: Nota-se…

Sh: Mas…

Sak: O quê?

Sh: Há uma coisa… que eu… não controlo… – Ao acabar de dizer isto, beijou-a.

Kero: Que jardim! Não tem fim? – Voou para perto da cerejeira. - Uau! É enorme! Realmente, na Inglaterra, não há nada parecido com… o que… – Viu uns movimentos do outro lado da árvore. – Que é aquilo? – Para além dos movimentos começou a ouvir uns sons estranhos. Resolveu averiguar o que era. Voou para um dos lados e foi aí que viu Shaolan e Sakura a beijarem-se agarrados.

Kero: Ahhhhh! – Ficou boquiaberto. – Pervertidos!

Sh/Sak: Pervertidos? – Gritaram logo após terem parado de se beijar. – Kerberos!

Kero: Afinal sempre namoram! Pervertidos! A fazerem estas cenas em público?

Sak: Cenas? Mas quem é que namora?

Kero estreitou os olhos e apontou para o casal. Estes se olharam e viram que estavam abraçados.

Sh: Oh não…

Sak: Mas… eu… – Separaram-se logo, vermelhos.

Sh/Sak: Outra vez…

Kero: Hahaha! Mas não é que eu vim parar a uma casa de doidos?

Sak: Ouve lá! – Aproximou-se dele – Ninguém te deu o direito de falares assim de nós os dois, estás a ouvir? Oh… peluche!

Sh: Hahahaha!

Sak: Não compliques Li!

Kero: Ela fica assim nervosa por tudo e por nada…?

Sak: Tu ainda não viste nada… – Arregaçou as mangas.

Kero: Isto não é bom sinal… pois não? – Perguntou a Li, recuando.

Sh: Bom… – Cruzou os braços – Se eu fosse a ti… fugia…

Kero: Ajuda-me!

Sh: Eu?

Kero: Claro quem havia de ser? Ela é tua namorada! Impede-a! – Sakura começou avançar com um sorriso maléfico.

Sh: Deves estar a brincar… eu impedir a Saki? Nem pensar! Por mim, ela tem toda a permissão para fazer o que quer! Até porque adoro vê-la em acção!

Kero: Não posso crer! – Voou em direcção da casa.

Sak: Espera! Não me vais escapar! – Correu atrás dele.

Sh: Isto vai ser lindo... hahahaaha…

Sakura entrou a correr dentro de casa e teve de fazer uma paragem brusca ao ver a sua enfermeira.

Maki: Ora finalmente te encontro senhorita!

Sak: Andavas à minha procura?

Maki: Sim… parece que tinhas coisas mais importantes para fazer, não é? Mas tudo bem, toma! – Pousou-lhe nas mãos um papel enorme que ia até ao chão.

Sak: O que é isto?

Maki: É a lista das compras! Para tu ires fazer as compras!

Sak: Mas isto é infinito!

Maki: Sakura, não sejas resmungona! A Tomoyo está a descansar e não pode ir buscar as coisas…

Sak: Deves achar que eu sou um burro de carga não? Eu não vou poder com isto tudo!

Maki: Então… – Viu o Li entrar pela porta –… o Li vai contigo!

Sh: O quê…?

Sak: O quê!

Maki: Não querias alguém que te ajudasse? Agora já tens! – Empurrou os dois para fora da porta. – Espero que se divirtam! Até logo!

Sak: Ai… olha para isto… – Passou-lhe a lista e abriu o portão para saírem.

Sh: Tanta coisa? – Começou a ler as coisas que constavam da lista. – Vamos passar o resto do dia nas compras!

Sak: Eu tenho fome… ainda não almocei!

Sh: Nem eu… – Quando chegaram a meio da praça, pararam.

Sh: Isto está empilhado de gente…!

Sak: É sempre assim… bom… então… tu vais à mercearia enquanto que eu vou à padaria…

Sh: Porque tenho de ser eu a ir à mercearia?

Sak: Se quiseres podes ir à padaria! Eu vou à mercearia!

Sh: Mas agora quero ir à mercearia…

Sak: É só para me irritar…

Sh: É que ficas tão lindinha… – Gracejou apertando-lhe as bochechas.

Sak: Tolo… então… se eu acabar primeiro, vou ter contigo. Se acabares primeiro, vens ter comigo, pode ser?

Sh: Com certeza… até já!

Sak: Até já! – Foi cada um para o seu lado. Li entrou na mercearia. – Ora vamos lá ver… arroz… é para ali! – Dirigiu-se à bancada do arroz. – Para quê tanto arroz! É tudo igual… qual é que eu levo?

: Precisas de ajuda?

: Não! Eu ajudo-te!

Sh: Estas vozes… – Virou-se – Ahhh! Vocês? – Viu novamente aquele grupo de mulheres que o 'atacaram' na festa.

Rapariga 6: Já viram? Ele faz compras! Também cozinhas?

Sh: Bem… eu…

Rapariga: Hei! Vocês esqueceram-se? A Kinomoto pode estar em algum lugar por aqui!

Todas: É verdade! Ela veio contigo?

Rapariga 5: Acham que ela o ia deixar andar aí sozinho? Um pedaço de mau caminho como este?

Rapariga 2: Ela está aí?

Sh: É… sim está! E ela é muito ciumenta, portanto se fosse a vocês tinha cuidado! Ela torna-se uma fera!

Rapariga 4: Então… é melhor irmos embora…

Todas: Adeus lindo! – Abraçaram-no.

Sh: Ai…

Rapariga: Ah! E leva aquele… – Apontou para uma marca de arroz.

Sh: Este?

Rapariga: Sim…

Rapariga 6: É o melhor! – Saíram as seis da mercearia.

Sh: Bem, ao menos já não tenho de pensar muito em qual arroz hei-de levar… – Olhou em sua volta e viu todos os homens a olhar para ele com sete olhos. – Era o que mais me faltava… bem que a Sakura arrumava-os duma vez…


Sak: Que fila! Isto nem amanhã! – Viu um rapaz entrar na padaria. Este foi para trás do balcão, vestiu uma bata e calçou as luvas. Olhou para a enorme fila até que viu Sakura.

: Moça!

Sak: Hã? – Olhou para ele. – Está a falar comigo?

: Estou sim… venha para aqui! – Sakura hesitou. Deveria ir? Mas estava com pressa… provavelmente o Li já tinha acabado de comprar as coisas. Caminhou até lá. – Boa tarde menina…

Sak: Sakura…

: Sakura… lindíssimo nome! Já não nos conhecemos?

Sak: Bom, não creio que isso seja muito provável…

: Parece-me que já vi a sua cara em algum lado…

Sak: Eu não costumo esquecer-me da cara das pessoas e não me lembro da sua por isso acho que é a primeira vez que nos vemos…

: Asuka Dayo… – Esticou-lhe a mão.

Sak: Prazer… – Apertou-lhe a mão e ficou com esta cheia de farinha.

Asu: Então, o que vai ser?


: Volte sempre! – Li pegou nos sacos e saiu da mercearia.

Sh: Ela não veio aqui ter… quer dizer que ainda lá está! Tanto tempo? – Caminhou em direcção à padaria.


Sak: É só isso mesmo!

Asu: De certeza? É que se te esqueceres de alguma coisa terás de cá voltar… – Colocou a mão dele cheia de farinha por cima da dela.

Sak: Mas eu tenho a certeza de que é só isso…

Asu: De qualquer das maneiras, podes sempre ficar um pouco mais aqui…

Sh: Porque haveria…? – Perguntou enquanto tirava cuidadosamente a mão de Sakura debaixo da dele.

Asu: E tu és?

Sh: Li… para ti chega saberes isso… já compraste tudo, Sakura?

Sak: Já…

Sh: Então vamos… tenha um bom dia!

Asu: Igualmente… – Pegou na mão dela e saiu da padaria.

Sh: A dar conversa a um sujeitinho daqueles? – Sakura notou o tom sério na voz dele. Até se estava a sentir medrosa ao lado dele.

Sak: Eu não dei conversa… ele é que se atirou descaradamente e eu… fiquei… sem saber o que fazer… – Li parou.

Sh: Tu? Sem saber o que fazer? – Olhou para ela.

Sak: É… eu não estou muito habituada a este tipo de… coisas…

Sh: Hahaha!

Sak: Porque te ris? – Perguntou, sentindo-se aliviada por ver que ele não estava chateado.

Sh: É estranho para mim ver que a Sakura Kinomoto não se consegue desenvencilhar neste tipo de situação…

Sak: Ainda bem que tu apareceste… ainda tinha um ataque!

Shaolan lembrou-se então do que Hu San lhe havia dito há um tempo atrás…

Flash-back

Hu: Apesar de ela aparentar ser assim muito forte e confiante de si… a verdade é que ela é muito insegura! Tem coragem, mas sente-se sempre muito insegura… também ela já teve tantas más experiências que acho que isso não ajudou muito a situação dela…

Fim Flash-Back

Sak: Chegamos!

Sh: É que já não era sem tempo! Olha… tem uma carta no correio…

Sak: Eu vejo! – Pousou os sacos nos braços do Li.

Sh: Mais sacos! Já começa a tornar-se pesado! – Sakura tirou a carta.

Sak: O quê?

Sh: De onde vem? – Perguntou, tentando ver por entre os sacos.

Sak: É… do hospital… – Abriu a carta e um sorriso apareceu no seu rosto.

Sh: Que foi? Querem-te de volta?

Sak: Deixa de ser parvo…

Sh: Deixa-me ver…

Sak: Deixo nada!

Sh: Oh vá lá! Estou curioso!

Sak: Mas é para mim não é para ti… – Passou a carta à frente do nariz dele e correu para a porta de casa.

Sh: Hei! Sakura! Olha os sacos! Sakura!


"Sakura-chan! Somos nós a Lady e a Luna! Lembras-te de nós? Nós não te esquecemos! Já passou tanto tempo desde que foste embora… ficou tudo mais triste com a tua ausência! Já não estás mais aqui para nos contares aquelas histórias que costumavas contar! Mas, nós acreditamos que tu deves estar muito feliz agora que voltaste a casa… olha! Sabias que o Gesshin e a Hana começaram a namorar? E ele não deixou de ser cego… não foi isso que fez com que a Hana deixasse de gostar dele. Queriam tanto que cá estivesses mas eles sabem que não podes…. Mas o amor deles é lindo! Apesar de ele ter um grande problema que faz com que muita gente não o queira por perto, ela aceitou-o… ele arranjou alguém que gostasse dele assim do jeito como ele é! E tu? Encontraste um príncipe aí? Achamos bem que tenhas encontrado! Pois tu estás a precisar de um urgentemente! E mereces o melhor que houver…

Bom, talvez nos encontremos brevemente! Oxalá que sim! Não te esqueças da promessa! A tua estrela está bem guardada…

Muitos beijinhos, das tuas amigas!

Lady e Luna."

Sak: Eu sabia! Eu bem vi que aquilo ia dar caso… – Sentiu o papel deslizar pelas suas mãos. – Shaolan!

Sh: Com que então foram as tuas amigas… tanto segredo por causa disto?

Sak: Dá-me cá isso! – Tentou apanhar a carta, com insucesso.

Sh:… começaram a namorar… quem é que começou a namorar?

Sak: Teimoso! Pára de ler!

Sh: Convinha ser um pouquinho mais alta não? Hehehe!

Sak: Oh! Para de me gozar!

Sh: Isto foi pelo facto de eu ter levado todos aqueles sacos sozinho para a cozinha… – Sakura torceu o nariz e sentou no sofá, chateada. Li saltou para este.

Sh: E… – Colocou o braço à volta dos ombros dela. –… já encontraste o teu príncipe foi?

Sak: Tu consegues ser tão infantil! És psiquiatra mas parece que me queres por ainda mais louca… – Começou a rir.

# De noite #

"Sakura levantou-se da cama e saiu do quarto. Caminhou pelo corredor lentamente. Quase podia jurar que flutuava se não fosse o facto de sentir os seus pés a ficarem cada vez mais frios. Podendo dizer que, molhados. Ao observar o chão, este estava repleto de água. Tudo à sua volta era escuro e não tinha limites, não tinha fim. Provavelmente estaria a sonhar… mas era tudo tão realista".

Notou que os seus olhos ardiam e a pele da sua face estava a repuxar. Na verdade, sentiu com a ponta dos seus dedos marcas de lágrimas que por ali desceram. Porque esteve a chorar? Porque sentia o seu coração atrofiar cada vez mais?

Fechou os olhos e nesse momento alguém a envolveu nos braços. Sorriu ao imaginar que fosse ele… que ele a estivesse a amparar…

Soltou-se logo daqueles braços dos quais tinha… nojo… Ele voltara… sim… voltara para acabar com o que restou de si… para finalmente a fazer desaparecer. Não podia simplesmente ter desaparecido ele? Nunca mais a atormentar ou interferir na sua felicidade?

Porque continuava a sentir tristeza por ele? Porque ainda nutria um sequer resquício de sentimento?

Ele queria levá-la… mas ela não queria… agora havia ele… sim… ele… que dera um novo rumo na sua vida sem sentido. Ninguém é perfeito… mas aos seus olhos, ele era. Aguentava com o seu feitio, traumas e ajudava-a. Ele que entrara na sua vida de repente. Alguém que até nem desejava conhecer mas agora não se imaginava sem isso ter acontecido. Tinha medo, de facto. Medo de se envolver demais e voltar a ser traída… afinal, quem não deseja o poder? Quem não deseja ser forte?

Sentiu aquela fragrância… os seus olhos voltaram a ficar húmidos, mas desta vez, de felicidade. Virou-lhe costas e viu-o. Ali estava ele. Ar sério mas ao mesmo tempo, garboso. A cada dia que passava, achava-o ainda mais bonito.

Apesar daquela postura, ela sabia que ele não era assim. Pelo menos consigo não era. Ele quase sempre perdia a compostura com ela. Sempre sorria, sempre brincava. E sempre a chateava se fosse necessário. De verdade, achava até que eles eram parecidos. Com ele, descobriu outro rumo… em três anos o que fazia de mais ousado era ir à varanda do hospital. Simplesmente não queria viver mais… mas assim que o conheceu, a sua vida mudou… e o seu coração, que era gelado para sentimentos mais fortes, estava lentamente a descongelar e com isso vinha o medo. Medo de ele gostar ou não gostar dela. Medo de ela gostar ou não gostar dele. Medo de um novo… amor.

Todas estas dúvidas sempre a atormentavam mas, sempre que o via, ficava cega. Não queria saber de mais nada! Apenas se ele ia sorrir, se a ia abraçar, se a ia proteger, se a ia beijar… sim, imensas vezes pensou nisso desde a festa de anos de Eriol.

Deu um passo em frente para chegar aos braços dele e foi com isto que viu alguém aparecer e abraçar Li, mesmo na sua frente. Era uma rapariga… cabelos longos escuros.

Quando esta se dignou a olhar para si, Sakura assustou-se. Aqueles olhos vermelhos…"

Sak: Shaolan! – Acordou sobressaltada. Colocou-se de joelhos na cama. Sentia a sua cabeça rodar, as mãos trémulas e o coração a bater descontroladamente. Limpou o rosto, pois para além de molhado das lágrimas estava molhado de suor. Levantou-se e caminhou até à porta desequilibrando-se imensas vezes por estar a tremer.


Não estava a conseguir pregar olho naquela noite. Não sabia bem porquê mas sentia-se bem desconfortável. Revirava-se na cama mas de nada servia. Porque é que estava sempre com ela no pensamento? Não devia… mas porque não? Nunca tinha encontrado ninguém assim. Alguém com quem se identificasse tanto… mesmo vivendo rodeado de mulheres em casa, não havia uma única igual ou sequer parecida com ele.

De repente teve a impressão de ouvir o seu nome. Seria efeito do sono? Já estaria a ouvir coisas…

Pelo sim pelo não, resolveu levantar-se. Abriu a porta e arregalou os olhos.


Encostou-se à porta do quarto. Começou a inspirar profundamente pois estava a respirar mal. Foi aí que ouviu a porta imediatamente à sua frente abrir. Ficou completamente estática apenas olhando-o.

Sh: Que fazes aqui? – Perguntou calmamente. Sakura nada respondeu. O mais provável foi nem ter ouvido o que ele disse. – Sakura…? – Caminhou para a beira dela. Ela suspendeu a respiração ao vê-lo avançar mas não deixou de parar de olhar para ele. – Porque não me respondes…? Que se passou? – Colocou a mão na face dela e observou-a minuciosamente. Viu as marcas de lágrimas. – Estiveste a chorar?

Sak: Eu… bem… – Aquele toque estava a baralhá-la por completo. Shaolan achou estranho. Já lhe tinha feito quatro perguntas e ela não respondera a nenhuma. Segurou-lhe nas mãos.

Sh: Estás a deixar-me preocupado… está tudo bem?

Sak: " Para quê resistir mais… passei toda a minha vida a evitar isto… está na hora de eu parar…" Shaolan… – Deixou-se cair nos braços dele. Li assustou-se com aquilo mas logo a seguir ouviu o choro dela. O que estava a deixá-lo desesperado.

Sh: Sa…ki… – A primeira vez que a tinha chamado de uma maneira mais amorosa sem qualquer ironia. Apertou-a contra o seu peito enquanto que ela continuava a chorar, num tom bem audível.

Sak: Eu… pesadelo… não quero… aconteça… – Tentava dizer alguma coisa por entre os soluços.

Sh: Pronto… – Começou acariciar os seus cabelos. -… não tenhas medo… tal como disseste é um pesadelo… mas só isso… não precisas de te preocupar… – Deslizava as mãos pelas costas dela para a reconfortar. Mas ele estava num conflito interior. Tê-la ali, tão frágil… tão perto… estava a controlar-se. A controlar as suas mãos para que estas não começassem a percorrer. Ele não ia fazer isso com ela. Ele respeitava-a. Acima de tudo, gostava dela. Não sabia classificar ainda o tipo de 'gostar' que era, mas também não iria perder o controle. Ia fazer o que ela esperava que ele fizesse. Estava imensamente feliz só pelo facto de saber que ela confiava em si. Ia ajudá-la. -… eu estou aqui… – Deixou de ouvir os soluços e aos poucos o choro foi acalmando. Já só as lágrimas desciam pelo seu rosto. Quando a viu mais calma, pegou-a ao colo e levou-a para dentro do quarto dela. Deitou-a e cobriu-a, sentando-se, logo após, ao lado dela.


Maki entrou no quarto vendo Li e Sakura. Ele estava adormecido numa das cadeiras do quarto enquanto que ela estava a dormir profundamente em sua cama. Caminhou atépertodacadeira e pousou a mão no ombro de Li, acordando-o.

Sh: Maki… – Falou ainda ensonado.

Maki: Podes ir Li, que eu fico com ela… – Li olhou para Sakura.

Sh: "É verdade…" – Já se tinha esquecido que havia passado a noite a olhar por ela. Levantou-se e pousou a mão dela na cama. Tinha adormecido mesmo de mão dada. – Obrigada Maki…

Maki: De nada! – Sorriu-lhe e sentou-se ao lado da amiga. Shaolan por sua vez saiu do quarto e foi para o seu.


Eriol: Queres mais alguma coisa? – Tomoyo disse não com a cabeça e colocou a mão no estômago, fazendo cara de enfadada. – Já estás mais que satisfeita não é? – Ela sorriu e confirmou. – Queres ir para a sala? – Tomoyo levantou-se e puxou Eriol para o salão. Sentaram-se os dois no sofá.

Tomoyo olhou para um dos quadros. Virou-se de imediato para Eriol e começou a gesticular de forma confusa.

Eriol: Não te consigo perceber… – Tomoyo mexeu os lábios para ele os ler. – Como está o quê? – Voltou a fazer tudo do início. – Onde está… o quê? – Tomoyo rodou os olhos e apontou para o quadro. – Ah! A Sakura… onde é que ela está? – A rapariga elevou as mãos dando graças por finalmente ele ter percebido. – Parece que teve uma má noite e ainda está a descansar… mas não te preocupes que ela agora está bem… – Encostou-se a ele. Ouviram uns passos nas escadas.

Sh: Bom dia…

Eriol: Bom dia, Li! – Li deixou-se cair no sofá. Eriol reparou no ar lunático do amigo. Olhou para Tomoyo e esta levantou-se e foi para o seu quarto. – Então… a Sakura?

Sh: Está com a Maki…

Eriol: Está tudo bem?

Sh: Penso que ela está…

Eriol: Não me referia a ela…

Sh: Eu estou óptimo!

Eriol: Não é o que parece!

Sh: Eriol…

Eriol: Sim?

Sh: Onde é que a Sakura conheceu o outro?

Eriol: O Kejichiro?

Sh: Sim esse…

Eriol: Numa festa da escola… quando andávamos no nono ano…

Sh: Com catorze anos?

Eriol: É, ela era bem novinha, mas já dava bem nas vistas, mesmo que não quisesse…

Sh: E ele quantos tinha? Catorze também?

Eriol: Catorze? Hahaha! Não! Dezoito!

Sh: O quê? – disse bem surpreso


Maki: De certeza que já te sentes bem? Não queres descansar mais um pouco? – Perguntou a Sakura enquanto que esta se penteava ao espelho.

Sak: Não é necessário, eu já me sinto bem… hum… Maki…?

Maki: Diz…

Sak: Hoje de manhã… quando vieste para aqui…

Maki: Sim ele estava…

Sak: Ah…

Maki: Pelos vistos, passou aqui a noite toda… o Li é muito boa pessoa, não achas?

Sak: Sim…

Maki: É muito atencioso! Tens muita sorte…

Sak: Pois… talvez eu… nem mereça isso…

Maki: Sakura… – Levantou-se e foi ter com ela. – Claro que tu mereces alguém que goste de ti… e que te trate bem… acho que é o que tu mais precisas neste momento…

Sak: Que goste de mim? Quem disse que ele gosta…? Ele não é tão parvo para gostar de alguém como eu…


Eriol: Acredita que é verdade!

Sh: Mas ele era muito mais velho!

Eriol: Pois… parece que a Saki tem uma tendência para gostar de homens mais velhos…

Sh: Hei!

Eriol: Que foi?

Sh: Não faças essa carinha, pois eu percebi muito bem a piadinha!


Maki: Lá estás tu a rebaixar-te! Mau! Eu chateio-me! No mínimo, mereces ficar com alguém de quem tu gostes muito!

Sak: Mas eu não… esquece…

Maki: Uma coisa é enganares uma pessoa qualquer… outra é tentares me enganar! Olha que não consegues…

Sak: Sabes… mas eu não devia…

Maki: Porquê não?

Sak: Porque no fundo continuo a ser desequilibrada! Continuo com medo de me entregar a alguém, continuo com medo… de mim própria… medo de poder ter um novo ataque e…

Maki: Mas tens de deixar isso!

Sak: Comigo ele viveria um inferno…

Maki: Então já está a viver! E não parece ter intenções de sair!

Sak: O quê?


Eriol: Eu sempre achei estranho o facto de ele se interessar por uma raparigatão mais nova que ele… mas ele a tratava bem… dedicava-se tanto… por tanto tempo nos enganou, até nem consigo acreditar!

Sh: Eles namoraram quanto tempo?

Eriol: Desde que ela fez quinze até à morte da tia… logo foi uma média de um ano e meio…

Sh: Ela gostava muito dele?

Eriol: Ela vivia para ele… e ele aparentava o mesmo só que… afinal o seu interesse era outro. Mas… porque é que perguntas isso?


Maki: Achas que se ele não gostasse de ti ia chegar a uma relação como esta contigo? Se não gostasse, manteria apenas a relação profissional, de médico para paciente…

Sak: Maki! Por favor! O que veria ele em mim, mesmo? – Saiu pela porta do quarto fora.


Sh: Nada de mais, apenas curiosidade…

Eriol: Pois sim! Gostas dela…

Sh: O quê? Não!

Eriol: A sério Shaolan… acredita, a sério… eu adoraria acreditar no que tu dizes!

Sh: Eu…


Maki: Olha! Que raio de pergunta! O que tu viste nele para agora estares apaixonada?

Sak: Hã? – Parou de repente. – Que disseste?

Maki: O que tu ouviste!

Sak: Não! Isso não pode ser! Não é verdade! – Correu para as escadas.


Eriol:… sim?

Sh: Não sei… tenho andado confuso em relação a isso. Eu já não sei o que sinto mesmo! Quando sai de Hong Kong, até sentia raiva dela, pois tudo isto me fez lembrar a morte do meu pai, mas agora… eu sinto-me desnorteado à beira dela… quando ela simplesmente me olha eu fico sem saber o que fazer…

Eriol: Lamento dizer-te isto, caso não seja do teu agrado, mas estás apanhado!

Sh: Tinha exactamente de acontecer no pior momento da minha vida!

Eriol: Talvez seja para ajudar…

Sh: Ajudar como? Eu nem sequer sei o que fazer! O que lhe vou dizer se a vir à minha… frente… ai… – Viu Sakura descer as escadas em passos apressados.

Maki: Oh vá lá Sakura! Eu apenas disse a verdade!

Sak: Maki! Eu não estou apaix… Shaolan… – Ficaram a olhar um para o outro. Maki começou a rir. Sakura começou a ficar roxa de raiva. Virou-se e foi para dentro apressadamente.

Maki: Ups! Fiz asneira…


Sakura entrou na cozinha e não estava ninguém lá. Pegou numa caneca e colocou a água para ferver. Um pouco de chá era o que ela estava a precisar naquele momento. Ficou a observar as bolhas a se formarem na água.

Sak: "Eu apaixonei-me pelo Keji porque ele era perfeito para comigo… o Shaolan também está a ser… poderá ele fazer o mesmo que o Keji se eu… eu o…"

Flash-back

Keji: Tens de tratar disso…

Sak: Mas foi só uma entorse eu fico bem!

Keji: Não… tens de tratar, não quero que nada de mal te aconteça… eu levo-te… – Pegou-a ao colo. – Eu estou aqui contigo… não te preocupes…

Fim Flash-back

Sh: Sakura…

Sak: Ai! – Bateu na caneca queimando-se.

Sh: Cuidado! – Puxou-a para si e a caneca caiu com a água a ferver no local onde ela antes estava.

Sak: Obrigada… – Reparou que o seu corpo estava encostado ao dele. Um arrepio percorreu a sua espinha. Queria isso dizer… que a Maki estava certa?

Conseguia sentir a fragrância dos seus cabelos sedosos. Sentia que aquele era o momento. Tinha vontade de gritar para deitar para fora todo aquele sentimento que parecia estar a consumi-lo. Ele tinha de dizer… era como se aquele fosse o último momento em que estaria com ela…

Sh: Sakura… – Sakura moveu-se ficando de frente para ele. – Eu… – Com aqueles olhos a encará-lo tornava-se mais difícil dizer o que quer que fosse. – Eu… bem…

Sak: Sim… – Tinha um pressentimento estranho em relação ao que ele iria dizer. De certeza que aquilo iria mudar a vida dela dali para frente. – Diz…

Sh: Eu…

Sak: Ai! – Desequilibrou-se.

Sh: Que se passa… ai… – Encolheu-se. – Senti… um calafrio… o que terá sido?

Sak: Está… – Colocou-se direita e levou as mãos à cabeça. -… aqui alguém…

Sh: Alguém… tu dizes… diferente de nós…? É isso?

Sak: Sim, eu sinto uma presença… é um espírito qualquer… – Viram algo passar em frente dos seus olhos. – Ali! – Começou a correr.

Sh: Espera! – Seguiu-a.


Eriol/Maki: Hã? – Sentiram os dois, uma presença estranha. Levantaram-se e viram Sakura sair pela porta fora seguida de Li. Foram também eles para fora da casa.

Sak: Mas… – Parou.

Sh: Que foi?

Sak: Desapareceu…

Eriol: Não era o Keji, pelo menos podemos ficar um pouco mais descansados.

Maki: Então quem seria?

Sh: E o que estava aqui a fazer!

Sak: Estou a sentir novamente… vai ali! – Correu para a sua direita e quando olhou para cima abrandou os passos. Começaram-se a ouvir uns gritos.

Sh: O que é isto?

Maki: Oh meu deus! – Tapou a boca e começaram a descer lágrimas dos seus olhos quando viu o que se estava a passar.

Eriol: Não me digas que…

Sak: Okaa…san… – Viu a sua mãe correr para a cerejeira enquanto que era perseguida por… ela própria. Sakura perseguia Nadeshiko com uma espada na mão. Estava a ver tudo o que tinha acontecido naquele dia.

"Maldita! Deixa a minha filha em paz!"

Sh: Eu não consigo ver nada…

Eriol: Nem eu… – Shaolan olhou mais atentamente e viu umas marcas de pegadas que se iam formando no chão. Começou a sentir o seu corpo gelar.

Sh: Está acontecer alguma coisa…

"É o teu fim…Nadeshiko…"

Sh: Hã? Mas é a voz da Sakura… – Olhou para esta e ela parecia uma estátua. Reparou que os seus olhos estavam carregados de lágrimas que brevemente iriam cair.

Maki: Isto… naquele dia…

Eriol: É a altura em que a tia é…

Maki: É…

Shaolan não conseguia acreditar que tal coisa estivesse a acontecer. Colocou-se à frente de Sakura e abraçou-a.

Sh: Não olhes Sakura! Por favor não faças isso!

Sak: Mas… a… – Viu-se a si própria levar o braço a trás e penetrar a espada no peito da sua mãe. Desenvencilhou-se dos braços do Li e começou a correr em direcção à cerejeira – Mãe!

Maki: Não! Sakura! – Correu a trás dela.

Sak: Não mãe! Não fui eu! Não morras! Mãe! – Maki agarrou Sakura.

Maki: Não Sakura pára! É apenas ilusão! Não é verdade! Sakura!

Sak: Mãe… – O sangue começou a escorrer pela árvore.

Eriol: Não… olha para o estado dela… se foi o Keji que armou isto… – Apertou as mãos em punho. – Ele vai arrepender-se…

Maki: Pronto… acalma-te…

Sak: Eu mereço sofrer tanto? Porque é que tinha de voltar a ver isto…

Maki: Espera! Quem é aquela? – Sakura olhou. Viram uma mulher sair do corpo desmaiado de Sakura. Estava toda de negro e não se conseguia ver a cara.

Sak: Ela não me escapa! – Levantou-se e correu.

: Maldição… ela viu-me! – Virou-se para trás em fuga.

Sak: Isso querias… – Acelerou e quando estava a milímetros de a apanhar, saltou. Enquanto pairava depois do salto, o corpo da desconhecida começou a tornar-se transparente. – Oh não… – Caiu no chão.

Maki: Saki! – Chegaram todos perto dela. – Estás bem? – Ela moveu-se, levantando-se e tinha algo na mão.

Eriol: O que é isso?

Sakura levantou-a.

Eriol: O quê?

Maki: Mas isso é…

Sh: uma…

Sak:… the illusion… – Tinha em suas mãos uma carta Sakura.

Maki: Como é que tu a tens?

Sak: Caiu da capa daquela mulher antes de ela desaparecer.

Sh: Então, mas não é o Keji que tem as cartas?

Eriol: Parece… que alguma coisa está mal explicada…

# Hong Kong #

Mãe Mei: Yelan… – Pediu permissão ao abrir a porta do quarto da cunhada. Esta levantou-se e encarou a mãe da sobrinha seriamente.

Yelan: Que pretendes com isto? Por acaso desconfias do meu Xiao Lang?

Mãe Mei: Não! – Caminhou lentamente até ela. – Claro que não…

Yelan: Então… o que queres? Qual a finalidade do teu pedido?

Mãe Mei: Eu… – Ia a se sentar quando resolver não o fazer. Estava no quarto de Yelan, ela era muito exigente e rigorosa e como tinha uma ponta de desprezo por si era melhor não o fazer. – É obvio que não desconfio do teu filho. Ele é um óptimo rapaz… bem, homem… não é verdade? Cresceu muito! Eu sei que tu amas o teu filho, aliás, ele é o teu menino! O mais novinho de todos os teus filhos. A minha filha é abençoada por casar com ele…

Yelan: É… – Sorriu de lado. – A tua filha tem sorte até demais… – Sentou-se olhando-a nos olhos. - O meu filho é o meu tesouro… e se algo lhe acontecesse eu não me responsabilizaria pelos meus actos.

Mãe Mei: Pois… bem… a minha filha não aguenta mais estar sem ele!

Yelan: Já esqueceu o outro é?

Mãe Mei: Outro?

Yelan: Sim. O meu sobrinho. Ah! Mas é verdade! Eu tinha-me esquecido… que cabeça a minha! O Katai não tem tanto dinheiro como o meu Xiao Lang não é?

Mãe Mei: Ofendes-me dessa maneira…

Yelan: Não… algum dia te ofenderia, Yushiko? Esse nome… não tem mesmo nada a ver contigo, não é verdade? Tu de boa pessoa não tens nada… – Levantou-se. – Diz-me a verdade! Porque queres ir lá?

Mãe Mei: Querida Yelan… eu já perdi o Shang por causa de uma japonezinha irritante! Eu não vou permitir que aconteça o mesmo à minha Meiling!

Yelan: Era uma menina tão amorosa em nova. Também com uma cobra como mãe era impossível não ser malvada! És muito rancorosa!

Mãe Mei: Era para menos? Roubaste o meu marido!

Yelan: Ele não era teu marido Yushiko! E eu não o roubei!

Mãe Mei: Roubaste sim! A um dia de eu me casar! Ia ser feliz, rica!

Yelan: O Shang não te amava… amava-me a mim. Eu, uma japonezinha irritante. Tu tinhas um casamento arranjado tal como o meu filho tem. Mas… infelizmente, ele não se apaixonou por ninguém de modo a desfazê-lo. E eu lamento imenso por isso. Ele merecia alguém do seu calibre. Talvez… mais uma japonezinha irritante! Quem sabe?

Mãe Mei: Eu e a minha filha vamos lá, quer queiras quer não. Não posso permitir que mais uma vagabunda entre no seio desta família.

Yelan: Adoro esse teu sentido de humor, Yushi querida! Realmente mais uma vagabunda como tu seria desnecessário! Mais uma chinesa intrometida e interesseira. Pelo menos, as japonesas dão valor ao amor, aos seus companheiros e maridos. Não têm interesse em se apoderar da riqueza de ninguém. Mas eu já estou a falar mais do que devia. Não costumo gastar tanto o meu precioso latim com gente reles… podes ir! E podes levar a tua filha! E até o Katai para não irem sozinhas… mas já te aviso, se tentares algo contra o meu filho… eu própria vou lá e aí… – Pousou a mão no seu leque. - …ajustamos contas. – Alertou num tom de voz sereno e perigoso.

Mãe Mei: Hum! Adeusinho! – Saiu do quarto.

Yelan: Tenho de alertar o meu filho. Se ela lhe faz alguma coisa… não escapa desta vez! – Bateu com a mão na cómoda.


Eriol: Verdade seja dita… aquela perseguição da Sakura fez-me lembrar dos tempos de card captor.

Sak: Mas eu não entendo uma coisa. Mesmo que não seja o Keji que tenha as cartas… esta carta ainda está em meu nome… e mesmo assim foi usada para criar toda aquela situação. Como é que aquela mulher fez isso?

Eriol: As cartas podem estar confundidas… tanto tempo sem o seu verdadeiro criador… pode ter feito com que elas já nem soubessem a quem obedecer realmente. E tu Sakura, já não usas a tua magia há três anos. Quando usavas as cartas de Clow, elas também já não eram usadas por este há imenso tempo. Pode acontecer também o caso de terem modificado o nome do mestre… não sei… – Sakura olhou para a carta.

Sak: Até porque… o meu nome está meio apagado… já volto! – Pousou a carta e correu para o seu quarto. – Onde é que aquilo está? – Abriu o armário e viu bem no canto escondida, uma caixa e não era lá muito pequena. Pegou nela e desceu de novo para o salão.

Maki: Credo! Que caixa enorme! Que tens aí?

Sak: As minhas coisas de card captor… – Sentou-se. -… basicamente tenho tudo aqui… menos as cartas e as roupas. – Ficou embaraçada ao se lembrar das roupas que usava. – Elas estão com a Tomoyo… e a maior parte dos filmes também. Outros estão aqui…

Sh: Filmes…?

Eriol: É. A maior paixão da Tomoyo é filmar a Sakura com as roupas que ela própria faz… Na altura em que a Sakura estava a capturar as cartas, a Tomoyo fartou-se de fazer vestidos para ela. Por ela continuava a fazer! Todas as vezes que a Saki sentia a presença de uma carta, vestia uma fatiota nova… hahaha!

Sak: Pois… – Abriu a caixa.

Maki: Txi! Só cassetes!

Sak: E a maioria está com a Tomoyo… imagina então quantas são ao todo… – Levantou as cassetes e viu o seu pendente. Ou metade deste. Não tinha a estrela.

Eriol: Que foi feito à estrela?

Sak: Está… num sitio bem melhor… – Sorriu ao imaginar o cuidado que deviam de estar a ter as suas amigas a cuidar da estrela. – Oh! Encontrei! – Tirou a sua caneta da caixa. A caneta com a qual costumava assinar as cartas.

Maki: Então era por isso…

Sak: Sim… – Pegou na carta e começou assiná-la novamente. – Sa…ku…ra… – Ao levantar o bico da caneta da carta, esta começou a bilhar e abriu à sua frente. O seu pendente levitou também e uma nova estrela apareceu no lugar da outra. – Isto quer dizer que eu posso voltar a…

Eriol: Parece que sim! Isso é óptimo!

Sak: Sim! Vou poder utilizar novamente a minha magia… hã? – Olhou para o lado e viu Tomoyo com a câmara apontar para si. – Ah! – Caiu ao chão. – Tomoyo… vais começar outra vez…? – A sua prima começou a pular de felicidade e a filmar Sakura de vários ângulos diferentes. – Ai…

Maki: Haha! Não tens emenda Tomoyo!

Sh: Mas, uma coisa… vais ter de capturar novamente as cartas?

Sak: Se aquela mulher aparecer novamente, vou obrigá-la a dizer onde elas estão! – Tomoyo começou a bater palmas. – Tomoyo…!

Sh: Para ela ter uma das cartas consigo é porque deve saber onde as outras estão…

Eriol: Tem de saber! Esperemos que saiba!

Ding-Dong

Sak: Eu vejo quem é! – Abriu a porta e viu que estavam a tocar do portão. Era um homem. Tinhas aspecto de estar mal tratado. Apressou-se a ir ter com ele. – Sim? – O homem caiu de joelhos no chão. – Oh! Sente-se bem? – Segurou-o pelos ombros. O homem levantou a cabeça olhando para Sakura.

: Não pode ser…

Sak: Desculpe?

: Nadeshiko?

(continua)

b3a-Li


Recado da Revisadora:

Oiii, nossa quanto tempo! E novamente Bia-chan, desculpe-me por não ter revisado na quinta-feira, eu vi que você tinha me mandado o e-mail com a fic neste dia, mas eu não consegui revisar neste dia, e como eu continuo sem internet em casa, eu tenho que vir no computador da locadora que fica no escritório pra poder entrar na internet...

Então como ontem foi sexta-feira santa, o comércio não abriu... Obviamente a locadora também não... mas aqui está o capitulo 7 de Guilty saindo do forno! Beijinhos By Lori

PS: Vocês não sabem o que aconteceu agora! Eu tinha acabado de escrever este recado acima e antes de clicar no X da janelinha pra salvar as alterações que eu havia feito no capítulo (que teve alguns drásticos erros... como confundir Li colocando ao invés de ele, ela...) quis revisar de novo, mas ao invés de revisar lendo fui revisar na opções de ortografia e gramática do Microsoft Word... ai o computador deu pau e eu perdi o capítulo... depois eu consegui abri de novo, mas não tinha salvado as alterações, até que depois de eu fuçar bastante eu consegui o capítulo que eu havia alterado, tanto que ta até escrito "recuperado" no arquivo! OBRIGADA DEUS!

Beijos pra todos vocês e espero que tenham tido uma ótima semana Santa!

E que tenham uma ótima Páscoa! E cuidado com as espinhas ;D D


Oi! Gomen... gomen... pronto não há maneira para desculpar... mas eu andava sem tempo e sem inspiração... lamento muito ter demorado tanto a escrever! Mas juro que o proximo vai ser mais rapido porque aliás ja está andar e muito bem!

Bom, eu escrevi depois do recado da Lori-chan pois a historia dela é incrivel xD isso acontece-me muitas vezes tambem mas com as fics nem tanto... ainda bem né? Quanto aos erros drasticos que eu cometo quando estou a escrever bem... nada a dizer mesmo ' lamento que isso aconteça mas é que eu escrevo com tanto entusiasmo que acabo me enganando!

Agradeço os reviews, a todos que lêem e à Lori por rever.

Boa páscoa para todos