Capítulo 7

Eram as primeiras horas da manhã, recostado em um catre velho coberto por um pano puído estava um homem com um olhar quase doentio. Nas janelas, pesadas cortinas de gorgorão sujas e desfiadas cumpriam seu papel de escurecer o ambiente afastando qualquer possibilidade da claridade do sol entrar. O ar estava rarefeito e infestado de poeira, tinha um cheiro de mofo. De certa forma o ambiente decadente cabia bem ao espírito de Severo Snape, ele que outrora fora um professor, agora era um fugitivo, perdido entre seus sentimentos e suas culpas.

Severo fez como lhe foi pedido por Dumbledore, depois de matá-lo, procurou um local seguro para se esconder e esperar por seu enviado. Havia perguntado ao velho, durante os meses que antecederam a execução do plano, quem ele enviaria a sua procura e só obteve uma resposta "tudo há seu tempo meu rapaz, tudo há seu tempo".

Durante aquela madrugada, vagou perdido em busca de um local apropriado.

Acabou em uma rua escura onde vários bêbados cambaleavam a esmo se esbarrando nas paredes, era visivelmente um lugar mal freqüentado, o que Severo achou bom, pois, ele acreditava que em lugares assim, as pessoas eram menos inclinadas a fazerem perguntas e a bisbilhotarem a vida alheia. Avistou um prédio que tinha uma placa avisando de uma vaga. O bruxo decidiu que aquele serviria, caminhou até lá e subiu os pequenos degraus da frente, parou observando a porta que era empenada. Curvou o nariz desdenhosamente, não pensou muito antes de bater firmemente na madeira velha. Foi atendido depois de alguns minutos pelo senhorio, um homem baixo e atarracado com cabelos vermelhos já misturados com brancos. O ruivo parecia que já estava dormindo, mas não o mandou embora, apenas o olhou de cima em baixo com uma cara entre a assustada e a comedida. Severo achou interessante a reação e pensou "se ele soubesse quem eu sou e o que fiz essa noite com certeza não abriria a porta para mim". O homem mandou Snape entrar no pequeno hall e disse:

- O que o senhor deseja? – Severo respondeu lançando no homem um olhar de desprezo – Eu preciso de um apartamento e pela placa que está em sua fachada o senhor tem um a alugar. – o homem o olhou como se perguntasse se ele não sabia que era de madrugada, mas, resolveu negociar, pois, precisava do dinheiro e um inquilino seria bem vindo. – Eu sou o senhorio do prédio, tenho sim, o imóvel está para ser alugado. Olha, não é grande coisa, fica no sótão, é bem pequeno e tem os ambientes conjugados, o único cômodo separado é o banheiro, se quiser subir para olhar eu espero aqui em baixo. - o senhorio estendendo a chave a seu possível locatário. Severo disse - não precisa – pegando a chave - fico com ele, qual é o preço? - depois de uma rápida conversa sobre valores e condições de locação, o senhorio recebeu o dinheiro do aluguel que Snape lhe ofereceu e o bruxo subiu a escada a passos largos só parando defronte a porta de seu esconderijo, enfiou a chave na fechadura e entrou, olhou pela janela e sorriu ironicamente, estava certo quanto às peculiaridades daquele tipo de lugar, o homem que, agora era seu senhorio, como ele suspeitou que fosse fazer não se preocupou em saber o seu nome ou qualquer outra informação pessoal, apenas lhe avisou que o imóvel era familiar e que não queria confusões com a polícia. Snape achou graça dos receios do ruivo, se ele pensava que a pior coisa que podia acontecer ali, com a presença dele, era uma aparição da polícia, com certeza ele poderia se surpreender, no entanto, Severo esperava passar sua estada sem intempéries. Notou que o apartamento era pequeno e tinha pouca mobília, um velho catre para servir de cama, uma mesa e dois bancos. Em anexo existia um pequeno banheiro e ao fundo uma pia de cozinha e um fogão a gás. Na parede embaixo da única janela estava o radiador do aquecedor que tinha a tinta bege toda descascada. Snape depois de ter feito uma pequena revista no local, fechou as cortinas pondo o ambiente em uma penumbra deprimente. Andou a passos rápidos até o meio do aposento, sacou sua varinha de sua manga e começou a fazer as proteções mágicas básicas, pois, ele não queria que alguém aparatasse bem no meio de seu "distinto" quarto. Dando-se por satisfeito com o resultado de seus feitiços, deitou no catre e começou a lembrar-se das horas anteriores, desde o assassinato do velho até sua chegada junto a Voldemort naquela noite.

O lorde das Trevas o recebeu como um herói. Ele matara Dumbledore. Os comensais o aclamaram queriam uma grande festa. Severo se faz de rogado, disse que só cumprira os desejos de seu mestre e com uma reverência pediu ao lorde das trevas que o liberasse para se retirar, pois desejava poder descansar depois da fuga arriscada do castelo de Hogwarts. Na verdade, Severo não sentia motivos para comemorar, toda aquela alegria mórbida trazia-lhe náuseas, queria distância e solidão para aplacar sua dor. Mesmo contra o gosto de todos os comensais, Voldemort concedeu a ele o direito de se ausentar, mas, antes disse:

- Severo, admiro sua fidelidade a mim, saiba que será regiamente recompensado, seu ato de hoje marcou o início de nossa vitória e será para sempre lembrado, você é meu servo preferido, terá muitas regalias daqui para frente. – Severo fez outra longa reverência e partiu aparatando próximo ao local onde havia achado o apartamento.

Começou a sentir o sono tomar conta de seu corpo e antes de adormecer se perguntou: "Quem vai aparecer aqui pela manhã? Quem será o enviado de Dumbledore?".

Em sua casa, Hermione tinha acabado de acordar, abriu os olhos sonolenta e logo levantou de um salto, lembrou-se de que deveria procurar por Severo, estava feliz e ansiosa em revê-lo, mas temia o que podia encontrar. Como estaria o seu amado? Vestiu-se discretamente, calça jeans e camiseta de malha, colocou a figurinha no bolso de traz da calça e tomou o cuidado de esconder a varinha no outro bolso, desceu para encontrar seus pais na cozinha para tomar café.

Conversou amenidades sem prestar muita atenção ao assunto, estava demasiadamente nervosa para pensar em outra coisa que não fosse a conversa que teve com Dumbledore e o encontro que teria mais tarde. Pediu a sua mãe que fizesse um lanche reforçado para que comesse mais tarde, quando estivesse com sua amiga trouxa. O fez, por que queria levar alguma comida para Severo, não sabia em que condições o encontraria. Pegou o embrulho, reduziu e colocou no bolso da frente.

Saiu de casa dizendo que voltaria ao anoitecer, encontrou um lugar discreto e fechou os olhos, buscou por seu amado com toda a concentração que o nervoso lhe permitia ao sentir o Elo, aparatou.

A primeira coisa que ouviu ao desaparatar foi bem diferente do que esperava: um enorme burburinho de pessoas andando de um lado para o outro, crianças chorando no colo de suas mães, carros e buzinas. Olhou ao redor ainda tonta pelo efeito da aparatação, apesar de ter passado no teste e ter permissão para aparatar ainda não tinha muita prática. Movendo os olhos em volta procurou Severo. Ela estava no meio de uma rua, o bruxo lhe dissera que o Elo a faria aparatar próximo a ele, por mais que procurasse não o localizou. "Será que errei o feitiço?" pensou. Logo imaginou que se ele estivesse em um lugar onde a aparatação não fosse permitida, por alguma proteção mágica, ela provavelmente teria sido desviada para um local próximo, observando os arredores, tentou descobrir onde estaria, olhou os prédios de tijolos vermelhos com telhados decaídos tendo dois ou três andares, parecia que estava em alguma parte velha da cidade, olhou mais tentando saber aonde se encontrava, percebeu que corria um rio a certa distância, buscando na memória, lembrou que conhecia aquele rio, era o Avon, ela estive lá com seus pais há alguns anos visitando um barco de um amigo da família. Com certeza, acreditou, estava na zona portuária de Bristol, seu pai lhe dissera na época, que o lugar era meio ruim, ela tinha que concordar com ele pelo que via: bares sujos e mal freqüentados, e pessoas com aparência suspeita. "Onde Severo se meteu? Como vou achá-lo nesse lugar?" pensou. De repente sentiu uma atração por determinado prédio, era talvez o pior da rua, tinha realmente uma aparência arruinada, janelas sujas e uma porta de madeira que parecia não poder ser fechada de tão empenada. Resolveu investigar o local, subiu os degraus do pórtico e empurrou a porta vagarosamente tentando não chamar a atenção, o que foi impossível, pois, essa rangeu terrivelmente, Hermione achou que até as pessoas na beira do rio, mesmo esse estando distante, puderam ouvir o som, entrou rápido pela porta e ficou parada no que parecia um hall de entrada. O cômodo tinha as paredes recobertas de madeira envernizada com os lambris bem descascados e algumas portas que deveriam ser do apartamento térreo, logo em frente, uma escadaria que levaria aos andares superiores. Não viu ninguém, sentiu que o que a atraia estava no andar de cima, resolveu subir, colocou instintivamente a mão sobre a varinha em seu bolso, dando passos decididos em direção à escada. Quando já estava começando a subir um homem de aparência rude a interrompeu:

- Onde você pensa que vai? – Hermione virou-se assustada, encarou o homem e sentiu um frio na espinha, ele parecia tão sujo quanto o prédio, tinha uma forma ameaçadora, era forte, apesar de ser de baixa estatura. Tentou disfarçar seu temor e falou da forma mais educada possível – O Senhor é o encarregado do prédio? – vendo que o homem balançou a cabeça afirmativamente, prosseguiu - Estou procurando uma pessoa, talvez o senhor o tenha visto. – A bruxa estava tremendo, sua voz saiu como um sussurro. O homem percebeu e pareceu ficar mais seguro de si quando respondeu com um arzinho cínico e um olhar cheio de malícia – Vocês mulheres estão sempre atrás de alguém, se é companhia que procura, eu estou sozinho e moro aqui no térreo – quando terminou de falar o homem já estava perigosamente perto da garota. Hermione deu um passo para traz e ficou entre ele e o corrimão da escada. Sem saída entre a figura masculina repulsiva e o anteparo de madeira. O senhorio riu do pavor aparente da jovem e se aproximou mais, ela ficou enojada com a proximidade impingida, serrado a face e tentando parecer calma apertou mais a mão na varinha, esperava não ter que usá-la, pois, usar magia em trouxas sempre chamava a atenção do ministério e se Severo realmente estivesse ali, ela não queria criar problemas para ele. Respirando fundo para aplacar o medo, a bruxa resolveu falar – eu não vim com essa intenção, estou procurando um homem que acho, está aqui - começou a descrever Severo - ele é alto, magro, com os cabelos compridos, ele também se veste sempre de preto. - Enquanto Hermione falava o ruivo deu dois passos para trás e arregalou os olhos, ele sabia quem a garota estava procurando, era o sujeito para quem ele havia alugado o apartamento do sótão na madrugada de hoje.

Desde que Snape chegou, o senhorio teve a pior impressão possível de seu inquilino, ele parecia alguém perigoso, tinha um olhar de morte, frio e branco como um defunto, quando o viu achou que ele deveria ser de alguma daquelas gangues que infestavam a vizinhança, provavelmente se escondendo de alguém. Vestido daquele jeito estranho e procurando um lugar para morar de madrugada, não podia estar metido em nada bom. Por isso, o senhorio achou melhor não saber nem quem ele era, havia aprendido que aquele lugar, onde tinha o prédio, certas informações era melhor não saber, quanto menos se sabia, menos podia meter-se em encrencas. Alugou o imóvel assim mesmo para o homem estranho, estava desocupado há tempos e ele precisava ocupá-lo.

Encerrando sua divagação voltou a prestar atenção a jovem á sua frente, olhou intrigado, ela não parecia gente dali, não era como as mulheres que andavam com os meliantes da região, era respeitável demais para pertencer aquele lugar, mas, se estava atrás de um tipo como aquele era melhor ele ficar precavido. Mantendo a distância recém adquirida, o senhorio disse – Ele está no apartamento do sótão, no final da última escada. – Hermione agradeceu a informação, sentiu-se feliz por ter achado seu amado. Um alívio profundo tomou conta dela quando subiu o primeiro lance de escada, estava novamente sozinha ao alcançar o segundo andar e caminhava rapidamente para subir a escadaria que a levaria ao ultimo nível do prédio.

Dentro do apartamento Severo continuava sentado no catre, estava com muita fome, mas, antes de sair para procurar alguma comida, teria que esperar o enviado de Alvo, olhava insistentemente para a entrada do apartamento. Esperava que alguém viesse. Com um sobressalto ele ouviu três batidas no meio da porta.

Levantando-se e cumprindo rapidamente a distância até por a mão na maçaneta moveu-a e abrindo a porta de uma só vez, olhou para fora e viu uma sorridente Hermione a encará-lo.

Olhou-a com surpresa e indignação, pensando como Alvo pode mandá-la, mesmo ele tendo pedido para ele não a envolver, com uma voz seca ele perguntou:

- O que, pelo amor de Merlim, você está fazendo aqui? – entrando, sem se importar com a recepção pouco amistosa, Hermione falou – Bom dia para você também Severo, eu também estava morrendo de saudade e preocupação com você. – Severo fez um olhar gélido e observou a jovem que agora estava no meio do cômodo. Olhando em volta ela completou – lugar interessante esse, não tinha pior não? – Severo agora estava possesso, ele queria protegê-la e ela ficava debochando do seu esconderijo. Sem se conter, Snape vociferou – Se não está à altura da srta. pode retirar-se, eu estava muito bem aqui sozinho. – mal ele acabou de falar seu estomago rugiu fortemente o que fez Severo se irritar mais ainda, sentindo se ridículo com a demonstração exuberante de seu estômago. Hermione que havia arregalado os olhos perante a dispensada que recebeu, agora ria e retirava do bolso o embrulho reduzido com a comida colocando-o sobre a mesa ela falou – Ah! Homens, sempre ficam de mau humor quando estão com fome – com um feitiço voltou o lanche para o tamanho normal. Severo olhou com desdenho para o sanduíche e depois para a jovem dizendo – Como você acha que eu posso pensar em comida numa hora dessas. Alvo manda você atrás de mim, colocando-a em risco e... - Antes que ele pudesse terminar Hermione avançou sobre seu amado, passou os braços em volta do pescoço e o beijou intensamente. Tomado pelo susto, Severo demorou uns instantes para corresponder, mas, entregando-se completamente depois, passou as mãos em volta da cintura da bruxa apertando-a contra seu corpo sedento por mais contato, ele estava sim, com saudades dela, queria vê-la e no fundo de sua mente chegou a cogitar que seria ela a aparecer, mas, preferiu achar que Dumbledore teria um pouco de bom senso em não coloca-la naquela situação perigosa, mas não podia negar que estava feliz em vê-la.

Hermione separou-se pesarosa dos braços de seu amado, mantendo seu corpo ainda próximo ao dele ela perguntou – Severo você quer comer primeiro ou podemos tratar dos assuntos que me trouxeram aqui? – Olhando-a nos olhos ainda perdido em suas sensações o bruxo falou com um meio sorriso um tanto debochado – Srta. achei que tinha vindo aqui apenas para me roubar um beijo, vejo que estou enganado, tem assuntos sérios a falar, deste modo acho melhor unir os deveres com o prazer, como você escutou, eu estou faminto, pode ir falando enquanto eu como. – ao pronunciar as últimas palavras o homem sentou-se à mesa e pegou o sanduíche pondo-se a comer. Hermione tomou acento no banco a seu lado. Resolveu esperar ele terminar de engolir o lanche antes de mostrar-lhe a figurinha, ficou sentada apenas observando o homem comer. Severo limpou um pouco de maionese que ficou no canto de sua boca. Olhou para Hermione, essa não tirava os olhos dele, levantou as sobrancelhas e perguntou:

- Vai ficar me olhando ou vai falar logo o que veio fazer aqui. – Hermione engoliu um risinho e disse – tem ketchup no seu nariz – Snape passou a mão rapidamente no rosto limpando o molho um tanto constrangido. Ainda tentando não rir, a bruxa respondeu – depois que você terminar, não posso falar com você devorando o pobre sanduíche desse jeito. – o bruxo sacudiu a cabeça com um rizinho amarelo e debochou – se prefere assim, não vou demorar. – olhando para a comida disse - Esse negocio está bom, foi você que fez? – Negando com a cabeça Hermione respondeu:

- Não, minha mãe – Severo deu-lhe um olhar inquisidor e perguntou – Sua mãe fez um sanduíche para mim?

- É claro que não. Antes de sair eu disse que iria passar o dia com uma amiga trouxa passeando e que precisaria de um lanche para mais tarde. Ela fez para mim. Você acha que eu chegaria para minha mãe e falaria: Olha mãe, faz um lanchinho que eu vou levar para um ex-professor da escola que está escondido por que matou uma pessoa. Ah! E a propósito, nós dormimos juntos o ano todo. – A boca de Severo abriu como se fosse falar um impropério, mas, o que saiu foi uma sonora gargalhada concordando – Não podia falar isso mesmo, provavelmente ela ia desmaiar de susto e a internar num hospício. – Hermione começou a rir também imaginando a cara de sua mãe ao ouvir a frase dela. Vendo que Severo acabava de comer e embolava o papel do embrulho chamou para mais perto.

A garota enfiou a mão no bolso tirou a figurinha e entregou ao ex-professor. Snape olhou para ela sem entender nada, pegou o que lhe era entregue e já ia falar alguma coisa quando ouviu a voz de Alvo de dentro da estampa.

- Olá meu rapaz, vejo que a Srta. Granger conseguiu encontrá-lo – Hermione sorriu para Dumbledore – achei sim, senhor, não foi difícil, bastou procurar a pior espelunca da rua e lá estava ele. – Alvo sorriu ao ver a expressão carrancuda de Snape. O ex-professor tentando parecer altivo pigarreou e perguntou – Como você foi parar ai nessa coisa? – Dumbledore parecendo chateado em ter sua figurinha chamada de "coisa" alfinetou – pelo que a Srta. Granger acabou falou o lugar onde você se escondeu também não é lá essas coisas Severo – Alvo se divertia cada vez mais com as carretas de seu ex-funcionário. Mesmo assim, achou melhor acabar com a conversa inútil e respondeu a pergunta - Quanto a minha humilde aparição, a explicação é bem simples, Lembra-se quando você veio até meu escritório e me contou do seu relacionamento com a Hermione. – Severo assentiu e o velho continuou - A muito eu sabia que precisava arrumar um jeito de entrar em contato com você depois da minha morte, tinha certeza que se eu aparecesse no meu quadro na diretoria e pedisse para chamá-lo, mesmo que falasse a Minerva o que aconteceu realmente e meus motivos, não tinha como ter certeza que o chamariam, provavelmente iam achar que eu estava apenas não querendo acreditar em como você era realmente e estava sendo o que fui em vida, um velho crédulo, que acredita somente no melhor das pessoas. – Severo fechou os olhos por um instante, realmente Alvo tinha essa qualidade, de ver o que de bom, alguém podia fazer mesmo que essa pessoa até então só tenha feito maldades, abriu os olhos para continuar prestando atenção à fala de Dumbledore - Depois da nossa conversa tive essa singela idéia, vi a possibilidade de através de Hermione entra em contado direto com você. Fiz então esse feitiço, para que minha impressão pudesse aparecer não somente, no meu quadro, mas, também nessa figurinha de bruxo, - olhando para Hermione o velho continuou - chamei-a a minha sala e entreguei para ela uma caixinha com a figurinha dentro, pedi para que guardasse e só abrisse no momento em que se sentisse mais desesperada e a srta. o fez, sabiamente, no momento certo. – A cara de Severo não podia ser mais admirada, o velho tinha tudo maquiavelicamente planejado. Dumbledore continuou - agora chega de explicações, vamos aos assuntos que nos trouxeram aqui. Primeiro: sei que você – se referindo a Severo – não deve estar nada contente de eu ter enviado a Hermione a seu encontro, estou certo? – Severo assentiu – não fique chateado comigo, pois, em quem mais eu confiaria essa tarefa do que em alguém a quem você confiou a sua alma? – as palavras do velho bruxo fizeram os olhos de Hermione se desviarem da estampa para os de Severo que agora sustentava um discreto sorriso. Continuaram a escutar o diretor – Preciso ser rápido e explicar para vocês os próximos passos do nosso plano, mas a priori quero saber. Severo, como o Voldemort recebeu a noticia da minha morte? – o bruxo mais jovem voltou a fechar a cara, ele odiava ouvir o nome de Voldemort e não gostava do que ira contar – Ele recebeu com festa e me elegeu seu favorito – o retrato de Dumbledore deu um sorriso de vitória e voltou a falar – ótimo meu filho, agora poderemos prosseguir. A partir de já você vai pesquisar como puder para achar as outras horcuxes, seja discreto, mas consiga as informações, passe-as a Hermione e ensine-a como vencer as armadilhas mágicas, treine-a para que ela execute cada movimento. A senhorita é muito inteligente sei que conseguira. – Severo concordou. Agora, o velho se voltou para a jovem bruxa - Hermione volte para sua casa e aguarde um patrono chamando-a para uma reunião da ordem, vou marcar em Hogwarts para poder falar-lhes através do meu quadro, Pedirei a você, Harry e o Sr. Weasly que voltem ao castelo e pesquisem na biblioteca as informações sobre as horcuxes, no entanto, sei que nada acharam, mas assim, quando você souber o que fazer poderá disser que leu em algum lugar, os meninos, por sua natureza, não vão tentar averiguar, iram acreditar em você e tudo dará certo. – Hermione não pode crer que Dumbledore estava pedindo para que ela enganasse seus amigos, mas, depois de tudo o que eles não podiam saber daquela história, achou não fazer diferença eles ignorarem mais alguns fatos. O homem na figurinha começou a se despedir - Agora preciso ir, Minerva já deve ter falado a todos que eu não apareci no meu quadro, tenho que dar o ar da minha graça por lá – disse com um certo tom de divertimento - Vou coordenar a reunião e também ajudar Potter no que puder, não deve estar sendo fácil para ele, pena que ele não possa saber a verdade, tudo assim seria mais fácil, - com uma reverência e levantando o chapéu um pouco da cabeça, Dumbledore falou – Tenham um bom dia, - como se tivesse se lembrado repentinamente de algo que ainda não falara completou - Severo deixe a figurinha com a Granger, é mais seguro, quando precisar falar com você ela a trará até aqui. Até a próxima. A imagem na figurinha esmaeceu até sumir completamente.

Severo e Hermione estavam novamente sozinhos e agora se olhavam. A bruxa quebrou o silêncio perguntando – porque não me contou o que você tinha que fazer? Por que não confiou em mim? – Severo havia se perguntado várias vazes quando ela ia falar sobre isso, olhando para o teto pensou numa forma de explicar – Hermione, eu confio em você, sempre confiei. Não contei tudo por falta de confiança, apenas quis preservá-la, não queria lhe envolver mais do que fosse estritamente necessário. Como eu poderia contar-lhe o que iria fazer? – Falou olhando firmemente para ela. Ele tinha ensaiado bem o discurso, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que se explicar, não podia demonstrar incerteza no tom de sua voz, era vital que ela compreendesse seus motivos. – O que fiz foi uma coisa abominável, se contasse a você seria como colocar a sua mão junto a minha na varinha na hora de matar Dumbledore, basta eu carregar esse peso para sempre em minha consciência, não queria macular sua integridade. Eu tenho as minhas mãos sujas há muito tempo, minha vida foi cheia sangue, eu peno com isso em meu coração, não faria você penar também. Você merece o melhor dessa vida, não precisava ter uma mancha escura no seu peito pra sempre. – Snape foi sincero, Hermione olhou para ele e quase com um gemido, um som preso na garganta, falou – Eu entendo que quis me poupar, mas, podia ter me contado. Você não sabe pelo que passei quando soube, se tivesse me dito eu estaria preparada – Hermione realmente acreditava que se ela soubesse seria mais fácil. Severo com um sorriso, daqueles que se dá diante da ingenuidade, acrescentou – Ah! Hermione, você às vezes é tão sensata, mas agora me parece uma criança que não quer entender o óbvio. Você poderia estar mais preparada para receber a notícia, mas não estava pronta para agüentar o peso de carregar esse segredo. – Hermione não gostou de ser chamada de criança, empertigou-se no banco e já ia reclamar quando foi interrompida pela voz grave de Severo - Você acha mesmo que conseguiria viver esse tempo todo sabendo dessa noticia, olhar para Dumbledore todos os dias tendo ciência que ele estava condenado e que morreria por minha varinha. Ver o Potter sabendo o que ele passaria e sem poder dar alívio à dor dele, conversar com seus amigos, olhar sinceramente para eles. Não me arrependo de não ter lhe contado, fiz o melhor para você, a protegia. – A bruxa levantou-se e ficou em pé dizendo decidida – protegeu ou me subestimou. – Severo agora estava começando a perder a paciência, ela iria insistir outra vez, ele não acreditou que ela ainda não havia entendido. Olhando no fundo dos olhos negros a garota continuou – Você suportou tudo sozinho, podia ter dividido comigo, eu poderia suportar, assim como você pôde. - Hermione respirou hesitante, não estava certa de como ia ser interpretada. - Saiba que o amo, não subestime minha capacidade de fazer o que for preciso para te ajudar, espero que daqui para frente, confie no meu amor e saiba que pode dividir comigo seus segredos, por piores que sejam. – Severo levantou-se de uma só vez fazendo o banco cair para trás. Ele estava assustado com o que sentia, era quase irracional, uma necessidade de ter certeza que a fala de Hermione não era só retórica, que ela realmente estava disposta a fazer o que se propunha: dividir com ele suas angústias. Andando em direção a bruxa, chocou seu corpo com o dela lançando-a de encontro à parede. Hermione sentiu as costas doerem com o baque, era uma tarefa difícil respirar tamanha a pressão exercida pelo peito de Severo contra o seu, ela soltou um gemido e abriu os olhos, olhando na face de Snape que agora estava a milímetros da dela. Estranhou, nunca havia visto um brilho como aquele nos olhos de seu amado, em todos os meses em que estavam juntos, ela nunca o viu num estado alterado como aquele, era assustador. Ele a pressionou com mais força, colocou as mãos na parede e aproximou a boca do ouvido da jovem, sussurrando – você tem certeza que quer compartilhar de tudo na minha vida, meus... Como você disse? Segredos. – ao mesmo tempo em que falou, a cada palavra que disse, salpicou pequenas lambidas na região próxima a orelha. Hermione começou a tremer, ela não sabia se de desejo ou de medo, o comportamento diferente de seu amado era apavorante, mas incrivelmente excitante, o hálito quente em sua nuca quando ele falou, o contato da língua em sua pele, suas perguntas em sua voz grave. Hermione tentou responder, percebeu ser inútil o esforço, sua voz havia sumido na garganta. Ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo quando Severo voltou a falar, a voz do homem estava rouca – você sabe o que terei que ser agora? – Severo tinha se descontrolado, ele sentiu a excitação e o desejo por possuir Hermione acelerar seu sangue, seu corpo todo respondeu ao contato, ele tentou manter a cabeça no lugar, ele tinha que ter certeza que ela sabia o que a esperava junto a ele – Eu voltarei a ser um comensal. – A mão do homem soltou a parede e deslizou suavemente pelo flanco da bruxa entrou por dentro da blusa de malha acariciando a pele quente parando apenas quando alcançou o seio, afastou o sutiã e apertou-o com vontade, passou o dedo pelo mamilo e soltou um grunhido que foi precedido por uma mordiscada na bochecha da mulher. Hermione gemeu, sua cabeça rodava, aquele homem estava a enlouquecendo. Beijando o maxilar dela ele continuou a falar – farei coisas terríveis para obedecer ao lorde das trevas, coisas essas, que se eu contasse com certeza você choraria – a mulher não conseguia esconder o desejo que sentia por aquele homem, era como se todo seu corpo estivesse em curto circuito, ondas de choque punham seus nervos a prova. Dane-se o que ele iria fazer, ela o queria, ela era dele. Severo ainda não tinha ficado satisfeito, queria mais dela, sentiu a excitação crescente da sua amada, o desejo dela o enlouquecia, ele adorou o controle que estava tendo sobre o corpo de Hermione, a forma como cada parte de sua anatomia respondia a seus toques. Ainda queria fazer uma última pergunta. Com as mãos, ele pegou as duas coxas de Hermione erguendo-a do chão e colocando-se em meio as pernas abertas, as costas da jovem ainda na parede. Hermione apesar das roupas sentiu o membro intumescido de Severo pressionando entre suas pernas, achou que perderia os sentidos, quando ouviu – Tem certeza que quer compartilhar comigo essa vida torpe a qual eu vou me submeter a partir de agora? – Hermione posou as mãos no rosto de Severo, traçou delicadamente uma linha no contorno de sua face. Sentia-se impelida a beijá-lo, fechou os olhos e preferiu falar – Eu o amo, compartilharei seja lá o que for que você faça ou sinta. Quando fizemos o Elo nos unimos para sempre e é assim que deve ser. Eu sou sua! – Severo escutou a declaração e disse – Então me prove. Prove que nada mudou entre nós e que nada conseguirá mudar o que temos – Hermione enfiou os dedos nos cabelos negros dele, ela o queria. Nada no mundo importava e ela iria provar para ele. A jovem abaixou a cabeça e tomou os lábios do homem com urgência, desejo e vontade. Entregou-se ao sabor e calor da boca de Severo, esse por sua vez segurando-a mais perto de si levando-a para o catre libertando-se do beijo somente quando a deitou. Hermione estava ciente de que tipo de prova ele estava falando e ela daria a ele, tantas provas quanto precisasse.

Snape olhou para Hermione deitada, sentiu um suave tremor em suas pernas e pensou: "Como essa garota pode me deixar nesse estado, eu, o temido comensal, tremendo perante os encantamentos dessa menina, como ela exerce todo esse poder sobre meu corpo". O suor desceu por suas costas, tentou ainda manter o ar de predador, mas, falhou mediocremente. Sentiu-se possuído pelo desejo louco de ter os toques suaves das belas mãos dela em sua pele. Com suas defesas já abertas Snape sucumbe ao olhar tentador que Hermione lançou sobre ele. "Desejar é pouco perto do que sinto eu amo essa mulher" pensou e com uma voz trêmula disse olhando para a mulher deitada - eu ordeno, eu quero ter você. Preciso ter certeza que minhas ações nunca interferiram em seu olhar e sua opinião sobre mim e em como você julga meus atos! Não quero que você lamente quem sou ou o que faço. – Hermione levantou-se colocando se de joelhos, com suas mãos puxou-o pela roupa e altiva disse – não o julgarei e com certeza nunca me lamentarei por quem você é, eu sei quem você é verdadeiramente, eu o amo por isso, não me importa o que faça, isso nunca ira mudar.

Hermione se aproximou mais dele e tocou seus lábios para calá-lo.

O homem poderoso, o professor cruel capaz de impor o medo a todos por sua voz e seriedade obedeceu ao gesto dessa Bruxa, uma menina pequena, mas, audaciosa.

Severo sentiu chamas quentes queimarem o local onde Hermione tocou-o. A jovem, olhou e sorriu satisfeita com o efeito que causou, puxou-o para o catre desabotoando os inúmeros botões da veste do Mestre. Sensações de estremecimento juntamente com uma rápida paralisia dos gestos deixam-no a mercê dos carinhos de Herminone. Ela retirou a camiseta de Snape, em nada agora ela lembrava a aluna de Hogwarts, suas ações eram de uma mulher que sabe exatamente como domar e levar um homem a cometer insanidades. Severo tonto de paixão segurou firmemente os braços dela, encostando seu corpo ao dela e sentiu seu calor o abraçando. Retirou a blusa da mulher e com dedos ágeis desabotoou o sutiã, começou a acariciar com os lábios sua nuca, virando-a de costas, passou suavemente a língua pela carne desnuda, enterrando suas mãos no cabelo cacheado dela, desceu percorrendo-a e retornou suavemente a mordendo de leve provocando um arrepio profundo que Hermione achou delicioso, levando a soltar gemidos desconexos. Severo sentiu-se no comandar novamente, estava causando nela o descontrole de que ele próprio era vitima. Fazendo-a deitar novamente, observou seus cabelos bagunçados sobre o rosto, afastou-os e depositou no lugar beijos sensuais. Erguendo-se retirou a calça da jovem recebendo dela um olhar de puro desejo, ficando mais excitado, pegou um dos pés de Hermione e levou aos lábios, começou beijando os dedos e foi seguindo pela perna até vê-la se contorcer erguendo os quadris. Libertando-se, a bruxa, revidou deitando-se sobre o seu amado e fazendo uma trilha de beijos de seu tórax até suas pernas, ela resolveu dar a ele um pouco do seu próprio veneno. Retirou as calça negras dele de um só puxão e começou a mordiscando cada espaço da pele recoberta de pêlos, notou que, quando ela o beijava próximo a virilha as reações eram mais violentas, se concentrou naquilo por um tempo, estava delirando em atentar e seduzir Severo. O bruxo estava assustado com o desejo que sentia e com a forma erótica que Hermione o estava tocando, se era de provas que ele necessitava, achou estar satisfeito pela evidente entrega dela. Puxou-a para si, iniciando um sem fim de beijos e lambidas por todo o corpo da mulher. Hermione se arrepiava a cada toque de Severo. Com volúpia ele a beijou a partir do queixo até alcançar seus pêlos pubianos, o cheiro o deixou inebriado, sem tentar resistir tocou com sua língua a intimidade dela. Hermione soltou um gemido alto e gritou o nome dele sem se importar se alguém iria ouvir. Severo continuou com a doce tortura adorando ouvir os gritos dela e sentir o doce sabor do seu desejo, aumentou a velocidade e sugou-a mais fortemente, sentiu o corpo dela começar a vibrar, passou a mão por suas pernas e notou que elas estavam arrepiadas, sabia que esse era o sinal que o prazer dela estava próximo, intensificou os movimentos até senti-la estremecer. Hermione estava com as pernas bambas mais ainda queria mais. Puxou seu amado pelos cabelos fazendo-o encará-la e olhou dentro dos olhos dizendo: - você me faz enlouquecer, entra em mim agora. Quero sentir você gozar dentro de mim. – Ela desejava ardentemente ser possuída por ele. Severo, não resistindo diante dessa suplica deliciosa, retirou sua cueca deixando claro por sua evidente ereção o quanto a desejava.

Se ajeitando entre as pernas da mulher, começou a esfregar a ponta de seu órgão na entrada dela apenas admirando ela se levantar para tentar aumentar o contato, deslizou suavemente pela unidade dela até a ver implorar novamente – Agora Severo, não agüento mais – A suplica foi o fim das resistências do homem, com uma estocada firme ele a penetrou por inteiro, Hermione perdeu o fôlego e arfando gemeu algo sem sentido.

Snape entrou e saiu rapidamente, a bruxa sentiu uma enorme sensação de perda ao sentir-lo sair, o que foi esquecido quando ele voltou a tocar o seu fundo.

Seus corpos iniciaram uma docê batalha, os suores de ambos se misturavam. Severo acelerou os movimentos e foi acompanhado por sua amada. Suas mãos tocavam todos os lugares possíveis de o serem. Severo parou sobre um seio rígido de prazer e banhados de suor, pressionou com a mão e sentiu Hermione estremecer. A mulher havia esquecido o próprio nome naquele momento, somente se lembrava das ondas de prazer que percorriam seu corpo, suas pernas enlaçaram Severo obrigando-o a entrar mais e mais nela o que a levou ao auge e a fez gritar inconscientemente o nome de seu amado, logo depois, jogar a cabeça para trás. Severo aproveitou o gesto para mordiscar a garganta exposta sentindo o sal e o sabor da pele de Hermione. E gozou torridamente dentro do corpo de sua amada, no meio do triunfo final falou próximo ao ouvido dela – você é minha mulher, será sempre minha. Você me provou, sei que seremos unidos para sempre, eu a amo.

Feliz Hermione abraçou seu amado e eles permaneceram ali entregues a suas sensações por um sem contar de tempo.

Eu queria agradecer ao Detra trix, meu beta, por todo carinho e apoio que tem me dado e a Sandy Black, minha amiguinha de todos os momentos, por me ouvir falar de fic o dia inteiro. A cena nc deste capítulo é em sua homenagem.

Agradeço a todos que estão lendo e deixando recados carinhosos e de incentivo.

Um grande abraço da Leyla Poth.

Até o próximo capítulo.