Capítulo 7: Elus Ardus

Sem beta. Alguém quer a vaga? hahahaha

Disclaimer: Harry Potter pertence a J. K. Rowling, mas o Alec ela não toma de mim!


16ª Noite

Alec andava pelos corredores despreocupadamente. Mentira. Ele não era bobo nem nada para andar displicente por aí. Vai que o culpado ainda andasse a solta em Hogwarts? Não iria relaxar! Passava 'como quem não queria nada' pela porta da sala de Snape. Interessante... Estava entreaberta, Snape era muito cuidadoso para deixar algo tão a mostra, sinal de que talvez a conversa devesse ser ouvida. Resolveu espiar. Ele detestava aquelas bruxas fofoqueiras, mas existem situações às vezes que é importante se tomar medidas desesperadas com relação a alguma coisa. Principalmente se era para o bem de seus pacientes! Alec nunca admitiria verbalmente, mas gostava muito daqueles dois malucos brigões e cabeças duras. Bem duras, diga-se de passagem. Aproximou-se.

"–Lucius, ele é o seu filho! Como pode?" – Alec apurou os ouvidos, aquela voz era do professor de poções.

"–Pois bem, ele é meu filho e eu faço o que bem entender, Severus." – A voz era extremamente educada a ponto de dar calafrios.

"–Ainda assim é uma vida. Meu afilhado!" – Falou friamente, mas era audível uma pontada de desespero.

"–Não me venha com esse sentimentalismo barato agora!" – Pareceu um pouco mais descomposto. "–Você acha que é fácil pra mim? Mas pense bem Severus. Isso aqui é para um bem maior. Um Malfoy por um nome e uma geração inteira de Malfoys."

"–Então você pretende mesmo fazer isso? Deixar seu filho ao léu? Ele é seu sangue." – Se fosse alguém mais 'normal' dizendo, aquilo seria uma súplica.

"–Não vou deixar ninguém ao léu, Severus. Apenas não vou mais interferir em absolutamente nada."

"–Você sabe quem é o culpado, não é? E é com ele que você quer falar através da minha lareira para que ninguém suspeite de você. Não estou certo Lucius?" – O tom do professor de poções era intimidador, mas pelas sombras o homem de cabelos platinados sequer hesitou.

"–Hunf." – Cross já podia imaginar a cara de desdém que ele fazia. "–E se for?" – Disse em sua voz aveludada. Pra Alec aquilo foi uma confirmação, mas para o seu infortúnio Filch apareceu logo atrás dele.

"–Espionando senhor Cross?" – Deu aquele seu sorriso cheio de buracos onde deviam ter dentes e nos que lhe restavam um amarelado se fazia presente.

O medibruxo deu um salto para trás. Ajeitou as vestes e disse em um tom desdenhoso. "–Espionando? Olhe bem para a minha cara, Filch! Ponha-se no seu lugar, pois eu sei onde é o meu!" – Ajeitou levemente o jaleco branco sobre as vestes trouxas que gostava de usar.

O velho rosnou. "–Você não mudou nada, não é mesmo? Desde que estudava aqui."

"–Se eu mudei ou deixei de mudar o problema é meu, não acha?" – Deu dois passos em direção oposta de onde veio. "–Com licença, eu tenho assuntos a tratar com o professor Dumbledore." – Deu um sorriso triunfante, mas lamentou internamente por não ter ouvido o resto da conversa. Ficou receoso. Achava que Lucius nunca iria deixar o filho nessa situação, mas parece que se enganou.

-x-

"–Entre, por favor." – Disse uma voz calma de dentro do escritório.

Cross colocou primeiro a cabeça dando um sorriso estonteante e entrando logo em seguida fechando a porta. "–Olá Albus!"

"–Tortinha de limão?" – Ofereceu o velho.

"–Ahh! Claro, claro!" – Alec estendeu a mão pegando o pequeno bolinho da mão de Dumbledore e sentando-se a frente deste.

"–Mas o que lhe trás aqui? Com certeza você não veio provar essa delícia."

"–Hum." – Tentou falar o medibruxo, mas foi impedido até que engolisse. "–Muito bom, tem outro?" – Pareceu não ouvir o outro homem.

O diretor empurrou uma pequena caixa verde contendo ainda vários do pequeno bolo esperando pela resposta. Se Alec estava dando rodeios era porque o assunto era grave. Conhecia-o desde os seus onze anos quando foi selecionado para a casa Griffindor há alguns anos. Nunca entendeu direito como ele foi acabar naquela casa, foi o único garoto que ele não entendeu de primeira por não ter entrado na casa da serpente, mas com o tempo descobriu.

"–Professor." – Começou o homem de cabelos castanho-claros. "–O senhor só tem esperado pelas investigações de Lucius ou tem mobilizado alguns aurores? Quem sabe os da Ordem da Fênix que se encontram vivos."

"–Tenho um bem na minha frente." – Falou com um sorriso travesso encarando o medibruxo por cima de seus óculos meia-lua.

"–Isso foi há muito tempo, meu ramo sempre foi o que estou exercendo agora." – Falou nostálgico. "–Mas o senhor ainda não me respondeu."

"–Por que essa pergunta?" – Alec achou aquela interrogação desnecessária, sabia que Dumbledore era um homem que sempre estava a dois passos largos adiante de qualquer outro bruxo, então resolveu ser bem franco. Como sempre.

"–Ora vamos, Albus! Você sabe muito bem o porquê... eu achei que Lucius sentiria alguma pena do próprio filho, mas talvez não seja bem assim."

"–Sua capacidade de dedução às vezes me assusta Alec. Ficaria feliz se aceitasse ficar na escola permanentemente." – Alec lembrou que estava bisbilhotando a conversa dos outros, mas Dumbledore não precisava saber deste fato, não é mesmo?

"–De jeito nenhum!" – O homem foi categórico. "–Estou muito bem onde estou obrigado. Além disso, Pomfrey me mataria."

Dumbledore riu daquela arrogância exagerada, mas retrucou. "–Tenho dois aurores muito qualificados e de extrema confiança tentando capturar o acusado."

"–Você já sabe quem é?"

"–Sim, mas disso você já sabe."

"–Sei diretor." – Sorriu satisfeito. "–E o que mais?" – Estava realmente curioso.

"–Severus, também esta participando ativamente de tudo junto com Lupin."

Cross arregalou os olhos. "–Junto com Lupin?" – Questionou incrédulo soltando uma gargalhada em seguida.

"–Desavenças devem ser esquecidas, não é?" – Sorriu como se tivesse feito travessura, mas na verdade ele tinha feito mesmo!

Alec sorriu abertamente levantando-se. "–Vou cuidar daqueles dois alunos. São piores do que o demônio. E olha que eles estão doentes."

"–Você gosta muito deles." – Afirmou o professor.

O medibruxo fez careta. "–Draco é um bom rapaz, só precisa ser guiado pelas pessoas certas e Harry... bom, eu gostei da firmeza dele. E ambos sustentam o olhar para mim. Coisa rara. Coisa muito rara." – Falou saindo. "–Até mais. E não se atrase em pegar aquele idiota, sim?"

"–Claro." – Respondeu sorrindo com o jeito de seu ex-aluno que fechava a porta. Ficou sério por alguns instantes. Aquele homem na qual eles estavam procurando era muito escorregadio e como um ex-membro da Ordem da Fênix ele sabia muito bem como burlar todos.

-x-

Alec entrou sorrateiramente na enfermaria. Avistou os dois 'pombinhos' aos beijos sentados na cama enquanto pensava consigo mesmo como eles ainda arranjavam disposição para aquilo. Na realidade, com a maldição que eles receberam, era para o libido, a aquela altura, já estar praticamente sumindo. Mas ele não diria nada, pelo menos não naquele momento. Decidiu esperar passar mais um bocado de tempo. Eles iriam se desgrudar e pronto! Triste engano do medibruxo. Pode ver com aqueles seus olhinhos cor-de-mel Harry acariciar a nuca de Draco para logo descer por todo o abdômen e descer, e descer... Mas ele tinha que dar o remédio àqueles dois inconseqüentes.

"–Hã-ham..." – Pigarreou em alto e bom som dando uma risadinha sádica ao ver ambos saltando eletrizados e se afastando rapidamente com seus rostos afogueados. "–Que cena comovente." – Piscou os olhos falsamente, fazendo cara de apaixonado.

"–Pervertido." – Rosnou Malfoy.

"–Desculpem. Não resisti. Está no sangue."

O loiro soltou ar pelo nariz em um riso desconcertado e Potter apenas continuou encarando Alec que tinham um vinco na testa de preocupação.

"–Algum problema senhor?" – Começou o moreno. "–Alguma noticia sobre o acusado?" – Pode ver por alguns breves segundos o medibruxo olhar para o lado com uma cara meio preocupada.

Cross hesitou por meros segundos, mas pode perceber que Potter era bem observador e não deixava passar nada. Porém se fez de desentendido. Sorriu largamente, ele sabia fingir tão bem que o sorriso se alargava aos seus olhos sem ele sequer fazer força. Talvez ele fosse bem feliz consigo mesmo. "–Claro que não tenho novidades." – Empertigou-se. "–Isso é tarefa para o pai dessa coisa branca aí que está do seu lado."

"–Mais respeito." – Falou uma voz arrastada, mas sem um pingo de raiva, talvez por causa do cansaço físico ele tenha esboçado apenas tédio. O loiro estava deitado na cama novamente com o braço por cima dos olhos. Era gritante a diferença dos dois. O abatimento de Malfoy era bem maior que o de Harry. Pobre Lucius não sabia que se Harry não morresse antes de Draco ele poderia viver muito bem sem aquilo com um pouco de calma e alguns remédios, é claro. O único perigo era se Malfoy em alguma ânsia sugasse todo o seu sangue. O que era muito possível, dadas as circunstâncias do Slytherin.

Alec se afastou um pouco voltando logo em seguida com uma cartela de comprimidos em uma mão e uma garrafa com um líquido meio dourado na outra. "–Prestem atenção." – Falou olhando para ambos que se olhavam fixamente. Draco ainda deitado, mas sem o braço cobrindo os olhos e Harry sentado ao seu lado.

Os dois dirigiram o olhar para ele.

"–Tomem isso aqui antes das refeições." – Estendeu a cartela e a garrafa colocando tudo em cima da mesa de cabeceira na cama.

"–O que são essas coisas?" – Perguntou um curioso Draco levantando-se um pouco.

"–Os comprimidos são trouxas, eles chamam de vitamina." – O loiro fez cara de nojo, mas o medibruxo prosseguiu. "–E isso aqui. É firewiskey com poção animadora." – Apontou para a garrafa. "–Mas o conteúdo da garrafa é para a noite. Entendidos?"

"–Mas isso tem álcool? Por quê?" – Perguntou Potter.

"–Boa pergunta, Harry. Na realidade o álcool ajuda na circulação sanguínea, anima, é por isso que geralmente os mais fraquinhos para bebida ficam com o rosto rosado assim que tomam alguns copos a mais. O problema é a ressaca, por isso eu ministrei com poção reanimadora." – Sorriu, mas logo continuou. "–Mas bebam com moderação."

O moreno sorriu. "–Mesmo sem dirigir, não é?"

"–Isso mesmo." – Os dois sorriram juntos deixando Draco observar aquilo tudo sem dizer nada. Definitivamente coisas trouxas não eram com ele.

"–Vocês dois querem parar de fofoquinha e me deixar comer alguma coisa?" – Disse ranzinza. "–Eu estou com fome, Harry." – Gemeu como uma criança mimada que lhe foi negada um brinquedo.

"–Nossa, é mesmo." – Harry coçou a cabeça lembrando-se de comer, embora estivesse muito pálido. "–Eu esqueci." – Fez cara de culpado enquanto olhava para Draco e este lhe dava um sorriso torto com a mesma culpa.

"–É..." – Começou Alec. "–Por que será?" – Ironizou.

23ª noite

Era noite. E Harry estava deitado na cama do dormitório particular seu e de Draco. Tinha o loiro deitado preguiçosamente em seu peito enquanto acariciava seus cabelos.

Estavam nus, abraçados e cobertos apenas por um lençol fino que se movia gradualmente com a brisa que entrava pela janela aberta. O ar estava gelado, mas Malfoy sentia um calor insuportável por todo o seu corpo, ele suava frio. A boca nem tinha mais aquele sorriso torto que o Griffindor se acostumara a gostar. Ele estava tão apático. Fazia uma semana que ele se recusava a beber o sangue de Harry. O pior é que o cheiro do cicatriz não ajudava em nada. Draco estava definhando visivelmente, mas ainda tinha ânimo para fazer algumas perversões com Harry. O moreno protestava, porém ele dizia que estava doente e não impotente. Na realidade ele, mesmo com aquele maldito elo lhe provocando aquelas ondas de calor, gostava de sentir a quentura do corpo que se acostumara a ter durante aquele quase um mês juntos.

"–Se estiver com frio pode fechar, Harry." – Sua voz tentou falar com uma ironia, mas falhou vergonhosamente.

"–Está tudo bem." – Mentiu. A verdade é que estava uma friagem grande e seu corpo dava pequenos tremores quando vinha uma corrente de ar mais forte.

Os dois levaram um susto enorme quando algo começou a tocar, vibrando em cima da mesa de cabeceira deles.

"–Ai. Droga!" – Draco quase deu um salto esquecendo a dor em volta de seu pescoço como se o sufocasse.

"–Calma Draco. É só o celular." – Tentou acalmar o outro e a si mesmo. Ele não estava acostumado com aquela perafernalha toda. Lembrava-se de ver seu primo com um, mas nunca se interessou já que sabia que nunca ganharia tal aparelho.

Cross deu um a ele, para usar em casos urgentes e ele aparatar direto no quarto dos dois caso fosse preciso, mas o outro usava por puro comodismo mesmo. Alec gostava muito dos instrumentos trouxas dava para notar só por suas roupas e deu o celular a Harry com o seu número gravado. Ouviu Thomas dizendo certa vez que ele trabalhava tanto no mundo mágico como no dos trouxas. Atendeu apertando uma tecla verde.

"–Alô." – Disse Harry que foi prontamente respondido.

"–Olá Harry. Venha para a enfermaria agorinha mesmo e carregue Malfoy sim? E sem reclamações."

"–Mas o que é?"

"–Vai saber assim que vier, não é mesmo?" – Soou uma voz irônica em resposta e logo o aparelho estava mudo.

"–O que era?" – Draco ergue a sobrancelha direita olhando para Harry.

"–Alec quer nos ver na ala hospitalar."

"–Ahh, eu não vou não." – Ajeitou-se melhor nos travesseiros brancos com cara emburrada e com os braços cruzados sobre o abdômen nu.

Ambos já estavam acostumados a ficarem apenas assim, já que Alec os proibira de receber visitas ou saírem por muito tempo ao ar livre.

"–Vamos logo, Draco. Ele estava todo sorridente."

"–Claro que ele estava Harry." – Começou o loiro com um ar meio medonho e irônico ao mesmo tempo. "–Ele está nos esperando para nos matar a surdina, pegar a gente desprevenido e colocar a culpa nessa maldição idiota."

"–Não seja fantasioso, sim?" – Colocou o celular sobre a mesa e se abaixou para um beijo. Sentiu-se levemente tonto e uma fraqueza mais acentuada do que de costume, mas não era para menos. Só faltava uma semana para a maldição se completar. Logo seria sua morte. Sentiu lábios frios roçarem suavemente nos seus e aprofundou o beijo com a língua. Sentiu suas línguas se enroscarem enquanto suas mãos pediam sôfregas para vagar por aquele corpo esbelto. Logo já estavam ofegantes com as testas coladas e sorrisos desconcertados um para o outro. O de Harry era largo, inocente e totalmente sincero. O De Draco era torto, sugestivo, mas não menos verdadeiro.

O loiro ficou divagando enquanto olhava aqueles lábios rubros levemente entreabertos e um pouco inchados devido à excitação e a pressão do beijo de minutos atrás. Mas lembrou-se de seu pai e as ordens que ele mandara fazer. "—Se aproveitar dessa sua proximidade com Potter para adquirir a confiança dele. Assim podemos entregá-lo facilmente para o Lorde das Trevas." Draco sabia muito bem o que estava sentindo, não era apenas um libido daquela maldição. Afinal ele sorrateiramente pegou um livro na biblioteca na seção reservada enquanto ainda estavam aptos para ficarem alguns metros separados e o cicatriz estava entretido conversando com Finnigan e o Weasel. A maldição tendia a crescer até o meio do período onde era o pico nos hormônios com que ela mexia, mas isso tendia a decair depois disso como uma parábola. Então, tudo isso somado aos seus medos, sentimentos e sensações com que ele havia experimentado chegou à conclusão mais sensata de sua vida e a mais perigosa também: Estava apaixonado por Harry James Potter ou talvez algo mais. Ele sabia que não era corajoso, que era apenas suficientemente teimoso para contrariar o pedido de Lucius para ficar mais perto de Potter e não entregá-lo, mas daí a lutar por ele era outra história. Ele não faria isso, mas resolveu não pensar mais sobre o assunto. Nem sabia se estaria vivo dali a alguns dias...

O telefone tocou outra vez.

Potter atendeu novamente.

"–O que vocês estão fazendo seus idiotas... estão fazendo a dança do acasalamento em uma hora dessas? Estejam aqui em cinco minutos ou eu mesmo vou buscá-los e arrancar cada fio das pernas de vocês com uma pinça!" – E desligou um violento Alec Cross.

"–Vamos." – Levantou-se Harry segurando Malfoy pelas mãos e ambos foram pegar suas roupas.

-x-

"–Olá, olá." – Disse o medibruxo com sua personalidade peculiar e um sorriso largo e sincero. Abriu os braços a acolheu os dois garotos em um aperto forte.

Draco fez cara de nojo, mas até que gostou do abraço e ia com a cara do rapaz. Harry ficou sem jeito tentando retribuir timidamente.

"–Então." – Disse Potter. "–O que era?"

Alec fez uma cara de preocupação. "–Er..."

"–Er... O que?" – Falou um impaciente Draco.

"–Temos más noticias." – Falou culpadamente.

"–O que foi?" – Perguntou o Griffindor ainda de olhos arregalados.

"–Achamos o culpado!" – Sorriu. "–Ele está na ante-sala prestando depoimento para alguns aurores. Depois é a nossa vez!"

"–Até que enfim!" – Expôs Draco.

"–É..." – Disse Harry. Ele estava curioso e com raiva das pessoas que estava atrás daquelas cortinas brancas e feliz por saber que ainda não chegara sua hora de morrer. Mas sentiu seu estômago afundar com o "Até que enfim!" do Slytherin. Era como se ele tivesse sido empurrado de um arranha-céus e não tivesse apoio nenhum, apenas esperar para se espatifar no chão. Será que o outro não sentiria sua falta como ele iria sentir? Como seria dali para frente? Eles não podiam mais ser os mesmos. Simplesmente não podiam. O que fariam? Como se tratariam? Como trocariam palavras, sabendo que a primeira vez de ambos foram juntos? Harry por sua nula experiência e Draco pela novidade de fazer sexo com homem. E o que fizeram não foi apenas sexo. Ou foi? Será que para Malfoy só significou uma prática nova? Eram tantas perguntas e absolutamente nenhuma resposta. Não saberia nada de Draco se não exigisse um esclarecimento. Mas não queria pensar naquilo ainda. Afinal tinha que primeiro descobrir quem era o desgraçado que fez isso com Draco.

"–Sentem aí." – Cross empurrou os dois para a cama gentilmente. "–Eu vou pegar aquele imbecil para desfazer esse feitiço, está bem?"– Sorriu amável. Draco quase se engasga ao ver o medibruxo sem aquele sorriso diabólico dele e sendo afável. Como aquele cara podia ser tão ambíguo?

O medibruxo colocou uma cadeira perto dos garotos e foi para o outro lado da enfermaria onde se ouviam vozes agitadas. Potter achou que ouviu uma voz conhecida ecoar nervosamente daquele lugar, mas deixou pra lá vendo a cara de confusão do loiro. "–O que foi?"

"–Meu pai." – Franziu o cenho. "–Achei que ele estaria aqui."

"–Ele não está porque não foi ele quem achou o culpado." – Falou Cross trazendo o acusado que se encontrava de cabeça abaixada e se tremia todo. "–Ele não se empenhou nas investigações."

Harry que mantinha suas vistas perdidas naquelas duas piscinas de gelo que eram os olhos de Malfoy observou o culpado. Uma onde de raiva eletrizou todo o seu corpo. "–Você?" – Cuspiu raivosamente. "–Hunf! Por que será que eu não estou surpreso? Seu maldito traidor!" – Levantou-se Potter com os punhos cerrados em direção àquela figura franzina, suja, eternamente trapaceira e de cabelos empastados. "–Mundungus Fletcher! Seu traidor desgraçado!" – Tentou reunir todas as suas forças se precipitando para cima do ser trêmulo que era segurado firmemente por Alec. "–Eu sempre soube que você não prestava!"

Mas Lupin que se aproximava lentamente com Severus perto dele e o diretor logo mais atrás o impediu. "–Harry, não vale a pena." – Falou compreensível.

Malfoy ficou pasmo com a reação do moreno. Geralmente ele era sempre mais calmo e centrado, mas até que gostou da reação e deu um riso torto. Passou as mãos pelos braços dele enquanto este sentava novamente na cama ao seu lado.

"–Então que se inicie." – Começou Alec que deu um olhar atravessado para Mundungus e continuou. "–Nem tente fazer algo errado aqui, está me entendendo?"

Fletcher acenou nervosamente com a cabeça.

"–Bem melhor." – O medibruxo apertou o braço do outro em sua mão e lhe deu uma varinha ao ver os dois aurores se aproximarem em cantos estratégicos da sala assim como Lupin e Snape. "–Não tente nada, Dunga. Você sabe que eu sou bem mais forte que você e bem mais habilidoso. Se é que você se lembra."

O outro não disse nada, apenas pegou a varinha tremendo visivelmente. E conjurou. "–Specialis Revelio." – Começou a voz medrosa de Mundungus.

Nesse momento surgiu uma espécie de cordão reluzente em volta do pescoço de ambos que se ligava em uma linha tênue e quase imperceptível. Cross olhou com alarde para a linha que por pouco não se partia.

"–O que é isso?" – Potter não pode deixar de conter sua curiosidade.

"–Essa linha fina é o que os mantém ligados. Se ela se romper sem ser pelo contra feitiço, Draco morreria e dependendo da resistência de seu corpo, senhor Potter, você também." – Explicou Cross.

Draco apertou a mão de Harry na sua. Sentia curiosidade, alivio, tristeza, medo, saudade antecipada e tantos outros inomináveis sentimentos bagunçados que nem sabia quais pertencia a si ou a Harry. Sentiu dedos firmes em reciprocidade. Nem sabia desde que momento suas mãos se entrelaçaram, mas aquilo era bom e reconfortante. Só isso importava. E bastava.

"–Continue logo com isso." – Disse arrastadamente Alec.

Então Mundugus Fletcher pronunciou as palavras que dariam liberdade a ambos. "–Elus ardus." – E então as 'amarras' de luz que envolvia ambos de dissolveu em uma fumaça brilhosa e azulada no ar.

Nesse mesmo momento os garotos sentiram uma fraqueza grande cair sobre eles, não sentiam mais nada com relação aos sentimentos um do outro, mas sentiam-se como se estivessem sendo puxados pelos umbigos usando chave de portal. Porém eles não foram a lugar nenhum. Quer dizer, somente para o estado de inconsciência completa.

Alec Cross se precipitou alarmado para os dois meninos caídos para trás na cama. "–Meu Merlin!" – Alarmou-se um pouco. "–Eles não respiram!"

E todos os presentes ficaram estáticos com aquela afirmação.

Continua.


N/A:

Chegando na reta final! Hahaha, vocês querem me matar não querem? Mas é bom uma pequena emoção de vez em quando, não? Como eu estou de muito bom humor eu publiquei antes de quinta =D, mas o próximo capítulo só vai sair na quinta da próxima semana. Tudo normalmente :3

Até que enfim descobriram o culpado. –q Falta ainda algumas coisas... quem sabe uns três capítulos ainda e mais o epílogo. Ou só mais um com a morte deles e o funeral! Hahahahah #Apanha# Eu realmente não sei. . Tivemos mais participação do Alec :3 E perdoem os erros gramaticais e ortográficos, estou sem tempo para muita coisa.

Mas as coisas vão dar umas reviravoltas sinistras. –q Espero que gostem e não vou dar ênfase à guerra. Só estou com cabeça para a continuação de Hysteria (lendo tudo sobre gravidez!) e um novo long que veio na minha mente enquanto eu estava no ônibus voltando da universidade escutando meu velho Muse. É o Universo Alternativo nosso de cada dia, mas não vou dar detalhes ainda (Mas é Drarry, claro!) :3 Acho que a única fic minha que vai abordar a guerra e a Hysteria, não sei se tenho mais essa coragem. –q Embora eu tenha criado vários fins alternativos na minha cabeça. =p

#Esse capítulo é dedicado a minha loirinha fofa, ninda, sarcástica como ninguém e companheira de Psicologia Brus que nunca manda review, né sua vaca? (não se preocupem isso é tratamento carinhoso) Mas adoro esse seu humor irônico que me faz rir tanto, então está perdoada :3

Me desculpem, está sem lemon. Mas eu estou meio que passando por um momento meio Fluffy então não saiu, mas não se preocupem isso passa. :3

Espero as Reviews, elas me motivam e MUITO!

Kissus.