Reviews respondidas em "Esclarecimentos", obrigada =D É que dá muito trabalho ficar mudando para itálico e… Ah, preguiça mesmo u.u Mas fiquei feliz de recebê-las 8D Mas vamos ao que importa ;P

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Kaoru ficou com uma expressão de repulsa quando Kyoko passou ao seu lado. Ela notou, mas preferiu não comentar. Provavelmente era por causa do cheiro da roupa. Seria grama molhada ou sangue. Ela foi até a parede oposta, recostando-se e pegando o celular. Discou um número rapidamente, sem olhar. Logo reconheceu a voz do outro lado.

- Ah, Mika. Pode mandar um carro para cá? Não vou conseguir sair do modo tradicional… Gente demais, sabe como é.

Os outros logo lançaram um olhar a ela, estranhando. A jovem apenas ignorou, continuando a falar no telefone. Uma voz infantil falava do outro lado e, mesmo que não pudessem entender o que estava sendo dito, sabiam quem dizia. Era a mesma garotinha que trouxera a mala no dia anterior.

- Kyoko-sama ainda está na casa dos gêmeos?

- Estou. Mande comida também. Antes que eu faça algo que não devo aqui. – ela lançou um rápido olhar a Kaoru, que a olhou de volta como se pedisse para ela sair.

- Sim, senhora. Estaremos aí em alguns minutos. – quando Mika desligou, Kyoko já estava em seu quarto, arrumando suas coisas.

Kaoru bateu algumas vezes na porta pouco depois. Tinha acabado de comer e saiu da cozinha por causa dos olhares dos amigos. Olhares curiosos demais na opinião dele. Ainda assim, se alguém tinha de explicar algo, seria ela, a causadora de tudo. Kyoko abriu a porta depois da quinta batida.

- O que? – ela não parecia muito amigável.

- Você está cheirando a sangue. – ele se afastou um pouco, uma mão cobrindo o nariz.

- É, eu sei. Foi sem querer. Mas não veio aqui para me dizer isso.

- Tem razão… Tome um banho, tire esse cheiro de você. O pessoal tem perguntas e acho que são muitas.

Ela suspirou.

- Tudo bem, eu vou tomar um banho. Ah, logo Mika estará aqui. Pode fazer com que ela suba com minhas coisas? – ela se virou e foi para o banheiro, fechando a porta.

Kaoru entrou no quarto, deixando a porta apenas encostada. Sentou-se na cama e ficou olhando pela janela fechada, coberta pelas cortinas. Lembrava-se vagamente de quando a conheceu. Logo ouviu o som da água escorrendo do chuveiro. O cheiro de sangue pelo menos não havia se impregnado no quarto. Esperou que ela saísse antes de levantar.

Quando Kyoko saiu do banheiro após um banho rápido, usava uma blusa regata preta, colada no corpo. Sua barriga só aparecia se ela levantasse os braços. Vestia também uma saia jeans que ficava quatro dedos acima do joelho. Tinha uma caveira bordada no bolso de trás. Na frente era muito simples. Olhou para Kaoru um momento, terminando de secar o cabelo.

Uma vez pronta, foi com Kaoru para a sala, onde o resto do Host esperava. Kyoko estranhava o fato de Mika ainda não ter aparecido, mas logo descobriu o que acontecia. Ela estava lá, só não podia subir por causa da curiosidade do clube. Eles lhe fizeram várias perguntas, mas ela se recusava a responder.

Kyoko foi até a serva e pôs uma mão em seu ombro. A garota lhe lançou um olhar e apontou para um canto do sofá, onde estava a bolsa pequena com as coisas que lhe foram pedidas. Pouco depois ela deu as costas e saiu. Kyoko se viu no meio de uma roda de humanos curiosos.

Kaoru sentou-se no sofá. Sentia-se cansado devido ao nervosismo causado por tudo aquilo. E o que aconteceria após descobrirem o que ela realmente era? Como reagiriam a tudo aquilo? Kyoko teria problemas… Ele teria problemas. E aquilo era mal.

- Tudo bem, perguntem. O que querem saber? De onde vim? Quem sou? Ou talvez… O que sou? – ela parecia indiferente. Estava em pé no centro da roda e olhava para algum ponto indefinido além dos integrantes do Host.

- Kyoko-hime. – Kaoru virou o rosto para ela – Sente-se, será melhor.

Kyoko acenou com a cabeça e sentou ao lado do ruivo.

- Eu queria saber… – começou Haruhi – De onde conhece Kaoru-senpai.

- Hitachiin-sama nos apresentou. – ela se referia ao pai dos gêmeos e todos entenderam.

Kyouya fez a próxima pergunta.

- Você não é humana, obviamente. Então… O que poderia ser?

Kyoko sorriu satisfeita com a pergunta. Era o que esperava de quem parecia o mais inteligente da turma.

- Kaoru pode responder esta. Não é, Kaoru?

Ele tremeu e passou a fitar o chão. Lembrou-se de quando descobriu a verdade sobre ela. Foi desagradável. Muito. Teve vontade de fugir quando descobriu. Quis chorar de desespero quando não conseguiu achar uma saída. E agora via os amigos na mesma situação. Kyoko, notando o silêncio do ruivo, respondeu à pergunta do moreno.

- Vampiro. – a voz dela saiu mais como um sussurro do que qualquer outra coisa.

O ar pareceu gelar naquele mesmo momento, mas Kyoko permaneceu com o sorriso satisfeito, o olhar fixo em Kyouya. Ele apenas fitava o chão, tentando processar aquilo. Ninguém conseguia acreditar, exceto Kaoru. Mas Kyoko sentia que mais alguém não estava realmente surpreso, só não sabia dizer quem.

O moreno foi quem se recuperou mais rapidamente.

- Isso não é possível. Não tem como…

- Você mesmo disse que eu não era humana.

- Sim, mas é impossível ainda assim. Parece mais um delírio do que verdade.

Kaoru se intrometeu.

- Mas é verdade.

Kyouya olhou para ele.

- Você sabia, Kaoru? – esperou que o ruivo confirmasse para prosseguir – Então é por isso que ontem não conseguimos nos aproximar?

- É uma coisa chamada "instinto" – disse a jovem – Eu ainda não tinha me alimentado.

Kyouya começou a suar frio. A idéia de que ela havia matado alguém lhe ocorreu e ela logo notou, começando a rir. Um tanto friamente para a ocasião. Mas achava o medo que se espalhava bastante divertido.

- Não, Kyouya-kun. Não matei ninguém. Mika me trouxe uma bolsa de sangue.

- Então ela… Também é… Assim…? – foi Hikaru quem perguntou.

Kyoko apenas confirmou com a cabeça.

- Isso é… Desumano! – Tamaki se levantou assim que terminou a frase. Parecia revoltado com aquilo.

- Você se esqueceu de um detalhe importante, loiro. Eu não sou humana.

Tamaki parecia horrorizado. Ele tremia e isso era óbvio. Também suava frio e seus olhos fitavam os de Kyoko com cautela. Ele sentia que qualquer movimento em falso a faria avançar sobre seu pescoço e essa idéia o fazia sentir mais medo. Ela apenas o olhava sem interesse. O loiro continuava a fitá-la. Então ela finalmente desviou o olhar do dele, voltando a falar com o grupo.

- Alguma pergunta mais?

- Kyoko-san… Você não fez nada com Kaoru-senpai, não é…? – a pergunta veio de Haruhi.

- Por enquanto não, mas pretendo. São os negócios. – ela deu os ombros, percebendo que todos engoliram em seco quando ela terminou.

- Você não vai deixar, não é, Kaoru? – Hikaru tinha desespero saindo com as palavras.

- Do que isso importa a você? O trato inclui os dois, mas principalmente Kaoru. – Kyoko continuava indiferente.

- Deixe Hikaru fora disso. – Kaoru estava sério, mas não olhava para ninguém.

- Depende do que o chefe disser. – Kyoko desviou o olhar para ele.

- Não deveria depender do que nosso pai escolher? – Kaoru a olhou.

- Foi o que eu disse.

Silêncio.

- O que? Não acreditam? O chefe de nossa "sociedade" é o pai de vocês. – ela continuava indiferente, mas via nos olhos de todos o quanto achavam aquilo improvável.

Então, cansada daquilo, ela se levantou e saiu, indo para o quarto com a mala que Mika trouxera. Arrumaria tudo para poder sair de lá, para voltar para sua "casa". Mesmo que lá não fosse onde ela mais quisesse estar independente do momento. Há algum tempo tinha repulsa por aquele lugar. Muita repulsa.

Um carro estacionou diante da mansão pouco depois. O motorista disse que estava lá para pegar a "senhorita Mitsuye", como ele disse. Kaoru decidiu chamá-la, mas quando se virou, encontrou com ela no pé da escada, pronta para sair. Ele apenas a observava, enquanto o motorista abria uma sombrinha para ela e a acompanhava até o carro. Não se despediram, o que o incomodava um pouco.