N.A.: Capítulo feito ao som de Counting Bodies Like Sheep (In The Rhythm of The War Drums) do Perfect Circle. So fucking perfect!

Agradecendo: gabs e Cora. Adoro vocês, muito obrigadinha! xD

Sem betagem, amores, sorry!


Capítulo 7

Já se faziam horas que Jon estava a olhar os portões, observando qualquer um que os atravessassem. E já era tarde, o sol já não mais esquentava nem minimamente seu corpo, e o vento assoviava em todos os cantos e janelas. E a cozinheira que vira Arya celar o cavalo e sair rápida havia lhe contado aquilo sem olhá-lo nos olhos, e Jon temia que agora todos em Winterfeell pensassem que Arya havia fugido, que ele não conseguira controlar a irmã mais nova.

Sabia que tudo que havia acontecido também era sua culpa, mas não justificava Arya sair daquele modo. Muito menos à cavalo e muito menos até aquela hora. Jon conseguia pressentir que aquilo lhe traria problemas, não sabia quais, mas sabia que teria problemas. E que não seriam poucos. Entrou novamente no castelo, indo até o grande salão de entrada e vendo que Sam entrava naquele momento. O amigo estava envolto em algumas peles negras, e vinha calmo em sua direção, apesar de que Jon conhecia-o bem demais para não ver que a face de Sam estava levemente ruborizada. Ou ele vinha rápido de onde quer que estivesse, ou ele estava novamente tentando adiar lhe contar algo.

"Boa noite, Jon."

"Boa noite, Sam."

Jon cruzou os braços na frente do corpo e esperou pacientemente até Sam estar devidamente para à sua frente e viu o amigo olhar para os lados, encarando brevemente as velas acessas e o chão parcialmente iluminado.

"Sam, diga-me onde a viu."

Para Sam era difícil esconder algo de Jon, parecia que ele sempre conseguia lhe dizer exatamente o que sentia, e exatamente o que ele estava pensando. E por mais que Sam gostasse de Jon, não gostava daquilo, sua privacidade não existia com o Lord Snow por perto.

"Chegando há minutos..."

Jon precipitou-se na direção da porta, porém, Sam não havia terminado de falar:

"Com um homem."

Para Jon não foi uma verdadeira surpresa, Arya já não o estava surpreendendo ultimamente, mas mesmo assim, cada vez que ouviu algo novo sobre ela, parecia que era feito diretamente para feri-lo, para fazê-lo ficar com raiva ou nervoso. Jon continuou sua saída e seguiu de cabeça baixa até os estábulos; se Arya havia chegado agora, estaria colocado o cavalo de onde havia tirado e com toda certeza o homem com quem ela fora vista entrando a propriedade estaria junto. Descobriria quem ele era e porque Arya retornara com ele.

Entrou nos estábulos e encontrou apenas Arya. Ela fechava a portinhola do canto do cavalo que havia pego e virava-se, apenas para prender a respiração por um mísero segundo e fechar o cenho ao vê-lo. Os cabelos estavam desfeitos, a pele estava avermelhada, as roupas levemente sujas, mas Jon viu. Jon conseguia ver qualquer diferença nos olhos cinza de Arya, e aquele brilho ele conhecia: felicidade.

Aproximou-se, a pouca luz parecia impedi-lo de ter certeza, e Arya parecia que não queria sua aproximação, pois ao tê-lo tão perto afastou-se um passo.

"Onde esteve, Arya?"

Respirou fundo. Sabia que não poderia passar dias a brigar com Jon, e por isso abaixou os braços, descruzando-os. Queria apenas um banho, uma cama para descansar, pensar em seu dia, e em como sairia amanhã sem Jon lhe seguir e descobrir sobre Jaqen; que ficara à porta do ferreiro, garantindo-o um bom serviço.

"Precisava sair, Jon. Precisava ficar sozinha."

Caso Jon não tivesse ouvido sobre o homem com quem ela entrara Winterfell, poderia apenas acreditar em tais palavras, mas aquilo apenas fez com que se aproximasse. Arya sentiu o hálito de Jon próximo a seu rosto e precisou levantar levemente a cabeça para que pudesse vê-lo perfeitamente. O estábulo não era o local mais claro, e as lamparinas ainda estava começando a pegar fogo; entretanto seus olhos conseguiam ver a face séria de Jon. Algo não estava certo.

"O que houve, Jon? Conte-me."

"Ainda não terminamos nossa conversa."

Engoliu em seco. Não conseguia acreditar que ficara horas fora e Jon ainda estava com os pensamentos de manhã a girarem a cabeça. Arya fizera questão de esquecer, de deixar aquilo para o esquecimento, o único bem que isso traria seriam as noites de suor e gemidos que teria sozinha em seu quarto, nada mais.

Balançou a cabeça e desviou-se dele, querendo sair do estábulo, mas Jon segurou seu braço e a pergunta que escorreu os lábios dele deixou Arya petrificada:

"Com quem esteve hoje, Arya?"

E mais uma vez Arya sentiu-se qualquer pessoa, menos uma lady, pois a reação que teria não seria digna de uma. Sansa nunca falaria ou faria o que ela estava prestes a fazer. Puxou seu braço com força da mão dele, com a outra mão segurou uma parte da frente do vestido e levantou-a brevemente, conseguindo virar-se rápido e vendo Jon olhá-la nervoso também, mas atencioso ao que ela faria.

"Eles foram rápidos." O rosto confuso de Jon apenas fez Arya continuar. "Seus criados, Jon. Eles foram correndo te contar algo destorcido."

"Quem era, Arya?"

Jon perguntou novamente, a raiva subindo por suas veias, como acontecera antes. Ele não sabia o que estava lhe acontecendo, tais reações não eram suas, não era dados a acessos de raiva. Mas era apenas olhar Arya, saber que ela não estivera em segurança, sobre sua guarda, sob seus olhos... algo dentro dele inflava, e Jon começava a descobrir-se ciumento.

"Quem, Arya?"

"Quem o que, Jon? Infernos, Lord Snow, não teria uma maldita noite de paz sem interrogatórios nesse castelo?"

Jon surpreendeu-se, mas logo se recuperou e avançou sobre Arya, segurando-a pelos ombros. Era como lidar com uma criança birrenta. Não conseguia entender a reluta dela em lhe dizer quem era o homem, mas parecia que aquilo era de extrema importância em esconder-lhe.

"Apenas conte-me quem ele era."

A voz baixa e rouca de Jon fez Arya parar de se debater e olhá-los nos olhos. Odiava a tal proximidade e o desame que seu corpo parecia ter quando isso acontecia. A voz, os olhos cinza, o corpo, as mãos em seus ombros, tudo estava lhe desarmando, precisava lutar contra isso.

"Um amigo, Lord Snow. Um antigo amigo de uma antiga vida. Uma outra Arya."

As palavras deslizaram maliciosas da boca de Arya, e Jon não resistiu olhar para os lábios a moverem-se calmos e semi sorridentes. Engoliu em seco, seria ele que a levara para cama? Seria ele que esquentara os lençóis dela? Arya já estivera com alguém? As perguntas rodavam a cabeça de Jon, mas ele não conseguia pensar direito, apenas sentia o sangue ferver e suas mãos fecharem-se por sobre os panos do vestido e da capa de Arya nos ombros dela.

"Outra Arya?"

As palavras ditas por entre dentes não assustaram Arya, pelo contrário, Arya achava que talvez Jon bravo fizesse o efeito que ela não procurava. Queria Jon bravo, irritado, não queria Jon lhe atiçando os sentidos. Engoliu em seco e viu os olhos cinza ficarem negros, algo que nuca vira antes fora de seus sonhos.

"Outra Arya?"

"Sim, Lord Snow, outra..."

"Pare com isso!"

A voz baixa, rouxa, entre dentes e os olhos negros a fizeram silenciar pela primeira vez por medo. Arya nunca sentira real medo de Jon, e não achava que isso poderia acontecer, mas estava enganada. Porém, sabia lidar com medo de um modo primário, cru. Agarrou as mãos dele e a fez soltá-la, afastando-se alguns passo, puxando o vestido novamente para que não tropeçasse e caísse.

"Jon, não seja inocente." Debochou. Sua defesa era o ataque, e Arya o atacaria naquele momento. "Sim, outra Arya. Uma antiga vida, pois nada compara-se a que tenho aqui. O medo, a dor, o sofrimento, escondendo-me e transformando-me em homem para que pudesse continuar viva."

E o moreno ouviu orgulho na voz dela. Deixou que ela continuasse.

"Você pode ter sofrido Jon, mas nada compara-se a ver seu pai perder a cabeça. Sua irmã ser tratada como traidora, seus irmãos mortos ou escondidos sabe-se Deuses onde, e olhar para os lados e apenas ver que a única pessoa que sabe seu nome pode ser a última pessoa que você verá antes de morrer. E aquela pessoa nunca lhe disse as palavras: eu te amo."

Por alguns segundos Arya respirou fundo, não querendo continuar o discurso, mas parecia inevitável. Parecia que sua garganta tinha vida própria. Sua boca se abriu e ela continuou:

"Jaqen. Esse foi o homem que entrou pelos portões de Winterfell hoje, Jon. O homem qual salvei a vida e de mais outros dois, e ele ficou a me dever 3 mortes. Quais fiz bom uso quando precisei... para continuar viva e poder aproximar-me de algum de vocês que pudesse ter sobrevivido." Seus olhos desfocaram e Arya viu-se a dizer os nomes das pessoas que queria que Jaqen matasse. E ele concordando e cumprindo a parte dele no acordo. Sorriu. "Ainda agora digo o nome das pessoas que queria que ele matasse. Mesmo que elas já tenham morrido."

Jon respirou fundo, preparando-se para a pergunta que estava atravessada em sua garganta. O ambiente estava mais claro, as lamparinas estavam com o máximo de fogo que conseguiam suportar. Viu Arya soltar o vestido e olhá-lo séria. Algo que estava por vir o deixaria bravo, ainda mais.

"Não, Jon, Jaqen nunca esquentou minha cama. Jaqen nunca tocou-me, eu tinha 10 anos quando nos encontramos. Eu era uma criança querendo vingança, ele era um fugitivo querendo escapar mais uma vez." E Arya pediria perdão à sua mãe após o que diria. "Quem esquentou meus lençóis foi o aprendiz de ferreiro de Robert Baratheon."

E com isso Arya virou-se, saindo rápida do estábulo, deixando Jon Snow sem palavras, extremamente atônito. Ali estava a prova que mais temia. Arya já não era mais uma menina. Ela estivera com um homem, e não tivera vergonha alguma em lhe dizer aquilo. Balançou a cabeça, como se aquilo fosse evitar de que continuasse ouvindo as últimas palavras dela.

De algum modo Jon sabia, tinha pela idéia de que Arya nunca seria uma lady como Sansa, mas nunca a imaginaria a lhe dizer coisas assim. Imaginou-a novamente entre ele e a parede do corredor daquele dia mais cedo, o modo como os lábios dela eram macios. E imaginou quantas vezes o aprendiz de ferreiro de Robert Baratheon havia profanado aqueles lábios.

Irritou-se severamente e começou a caminhar para dentro do castelo, não queria mais pensar em Arya e o rapaz, fosse quem fosse. Queria ver quem era Jaqen, e porque ele estava de volta. E por que o brilho de felicidade não saía dos olhos de Arya, nem mesmo quando ela estava com raiva.


continua...