Está aí a continuação. Drama ahead, preparem-se. :'(
Capítulo 6: Olivia's Arc PT II
Santana pegou a criança, já com o cordão cortado, e a envolveu num dos panos umedecidos com água morna, acalmando-a ao poucos e então se prontificou em vereficá-la pra ver se tudo estava normal, dez dedos nos pés, dez nas mãos. Na falta do estetoscópio que estava na bolsa longe do alcance dela, a latina sentiu a respiração da bebê encostando-a perto do seu ouvido e então aproximou a orelha ao peito dela à procura de qualquer ruído irregular.
Lógico, o exame estava longe de ser preciso, mas diante das circunstâncias, isso era melhor do que nada.
Terminou de limpá-la e empacotou a pequena vida num grosso pano que achara na bolsa rosada. Aquilo a manteria aquecida por um tempinho. Deixou um soluço engasgado escapar de alívio por finalmente ter dado um fim naquilo, executara o parto da melhor amiga sem muitos problemas e o resultado final tinha sido positivo: a criança bem, curiosa absorvendo a vida fora da proteção da barriga da mãe e Rachel consumida pelo cansaço, mas bem.
- Fique com ela, Finn. Preciso cuidar de Rachel agora. – falou erguendo a criança empacotada no pano e somente com a cabeça para o lado de fora. Estava serena, o choro tinha cessado, os olhinhos fechados e babando pelos cantos da boquinha rosada.
O professor, que tinha procedido em cortar o cordão umbilical da filha ainda num estado de choque, recebeu a primogênita sentindo-se o ser humano mais desastrado do mundo porque ela era tão, tão pequena.
E tão frágil.
Aninhou a filha absorvendo cada detalhe daquele rostinho angelical, o nariz levemente arrebitado, os lábios perfeitamente desenhados como os da mãe, a testinha enrugada, como se estivesse concentrada, exatamente do jeito que ele fazia. Levou a ponta do pano na boca dela limpando a baba que escorria e ela soltou um barulhinho que foi música para os seus ouvidos e o estopim para um choro emocionado. O clarão iluminou a sala e o trovão em seguida ribombou e Finn se viu fazendo o seu primeiro ato como pai.
Encostou ainda mais a filha contra ele protegendo-a. E ele fizera isso sem ao menos perceber. Foi só quando o barulho do trovão cessou que notou que a sua filha já o tinha na palminha da pequena mão dela. Olhou para Rachel, pois sentia-se egoísta passando por esses momentos sozinhos, queria que a esposa também fizesse parte daquelas maravilhosas lembranças.
- Ela só está cansada, Finn. Exausta. – disse verbalizando a preocupação estampada no rosto dele. – Infelizmente a sua pulsação está fraca, preciso colocá-la no soro. – falou saindo do meio das pernas da amiga e a vestindo somente com a calça assim que terminou de limpá-la. Retirou as luvas e molhou a mão na bacia que não estava turva com sangue, pingando um pouco no rosto da baixinha. – Desculpa Hobbit, mas preciso monitorá-la acordada. – sussurrou.
Assim que ergueu as pálpebras percebeu o quanto elas estavam pesadas e imploravam para se fechar de novo. A visão estava turva, sombras distorcidas, o timbre de Santana distante, inerente a ela. Rachel só queria dormir, sentia como se estivesse sido atropelada, parte inferior do seu tronco ardia em dor, suas virilhas latejavam, sem contar a pressão incômoda que pesava contra o seu abdômen. Os pingos voltaram a escorrer pelo rosto dela e a voz de sua melhor amiga agora mais insistente, as coisas ao redor começando a tomar forma de novo, um clarão açoitando sua parcial visão e o estrondo fazendo com que ela tomasse consciência dos últimos acontecimentos.
- Minha filha...
Murmurou abraçando a barriga, agora flácida.
- Finn, fique de olho nela—
O casal de amigos se virou em direção à porta ouvindo as batidas frenéticas e o agudo inconfundível de Kurt do outro lado. Santana se levantou recebendo um Kurt Hummel ensopado, mãos trêmulas segurando o celular contra o ouvido, fala apressada com um tom de desespero ditando aquilo que via para o ouvinte do outro lado. Quando ele desligou que souberam que Kurt falava com Hiram.
O olhar em pânico dele rondava os três, ou melhor, os quatro, contando com a criança que o seu irmão segurava.
- Kurt...?
Rachel sussurrou reconhecendo a voz do melhor amigo e virando a cabeça na direção dele.
A latina abriu a boca com menção de explicar rapidamente o que tinha acontecido, embora a cena parecesse óbvia, mas de novo foi interrompida antes mesmo de começar pelo o seu celular no chão vibrando a piscando com uma nova mensagem. Era de Jake, o jovem médico que estava preso no resgate das vítimas do acidente.
Melissa viu você arrancando com a minha moto. Expliquei, ela avisou Elise e mandou uma ambulância para vocês. Espero que estejam bem. –Jake.
Melissa era a Chefe de Emergência e se ela estava enfiada no meio da Quinta Avenida, largando o PS e toda a equipe para trás era porque o negócio estava mesmo feio. Fez uma nota mental de agradecer o seu colega, além facilitar o lado dele com a Chefe de Enfermagem, Bianca e prometeu que assim que Rachel estivesse em segurança juntamente com a filha ela iria para a frente de batalha com os seus colegas.
- Quero ela acordada. – ordenou olhando para os dois homens e se levantando seguindo para a sacada da sala.
A baixinha continuava com dor, mas agora se via um pouco confusa. Pelo canto do olho viu uma movimentação, a mesma coisa aconteceu do lado oposto e então seu corpo queimou com uma excruciante agonia ao ser levemente erguida. Ainda desorientada, Rachel reconheceu o rosto de seu marido, ele sorria. Sorriu com ele ao perceber o que ele segurava num dos braços, com a luminosidade das velas o que se podia distinguir dentro da sala era pouco, mas a atriz não hesitou nem por um segundo ao estender os braços e receber sua filha pela primeira vez.
Filha.
Ela era mãe.
Surreal.
Podia ser os seus olhos ou a sua fraqueza lhe pregando peças, mas Rachel sabia de que alguma forma Olivia—
Ela tinha cara de Olivia.
Olivia Hudson.
Olivia ronronou contente, a boca entreaberta, a baba escorrendo, a linguinha pra fora, bochechas rosadas feito dois morangos, as pequenas narinas contraindo e expandindo respirando oxigênio pela primeira vez, as sobrancelhas claras quase inexistentes acima dos olhos fechados e a cabeça coberta por cabelos. Era o bebê mais cabeludinho, lindo e perfeito do mundo. Fungou emocionada quando colocou o indicador no meio da minúscula mãozinha dela e a viu apertar já proclamando-a como sua, como se dissesse a mãe é minha e ninguém toca.
- Estou orgulhoso dos dois. Ela é linda, Finn. – Kurt falou e ela notou que era nele que ela havia sido escorada. Desgrudou por breves segundo os olhos da filha para olhar para o melhor amigo que chorava, embora suas lágrimas se misturava com os pingos de chuva que escorriam de seus cabelos.
- A mais linda. Divide o posto com a mãe. – Finn disse ajeitando o pano ao redor da cabeça da filha e trocando um sorriso bobo com Rachel. – Ela se parece com você. – comentou notando com certa surpresa que a sua mão era quase um monstro em comparação a ela.
Ainda enfeitiçada com o seu dedo firmemente agarrado pela pequena vida em seus braços, Rachel a ergueu depositando um longo e suave beijo na testa da filha que miou descontente por ser interrompida do seu sono pacífico e sereno. A mão de Finn entrou no seu campo de visão limpando o rastro de baba que já alcançava o pescoço e ela fitou o homem de sua vida.
- Olivia.
- Bem vinda, Olivia. – falou rouco sentindo aquele nó na garganta de novo, a explosão esquisita na barriga e uma onda de emoções varrendo-o. – Eu e mamãe te amamos muito. – declarou se inclinando e dando um rápido selinho na esposa.
- Tio Kurt também te ama, princesa.
O casal olhou para ele e riu. Mas suas atenções foram voltadas para Santana que se reaproximou de novo.
- Vejo que está bem, embora esteja com dor, cansada e fraca. – disse enquanto Rachel confirmava tudo. Ela se abaixou se juntando aos quatro e dando mais uma olhada no centro das atenções ali: a filha da melhor amiga. – Nada que um soro e repouso não resolvam. Desculpa quebrar o momento família, mas eu preciso remover as duas para o hospital. A ambulância está lá embaixo e eles já estão subindo. – completou pegando o bebê nas mãos enquanto Finn e Kurt ajudavam a baixinha a ficar de pé.
Alívio transpareceu as facetas dos Hudson ao ver Elise esperando por eles e o mesmo podia ser dito da obstetra. Atravessaram a emergência com ela numa cadeira de rodas, que estava um verdadeiro caos seguindo direto para o elevador em direção aos leitos, mas Santana parou ficando lá por baixo mesmo e trocou olhares com Finn, Dr. Roberts e principalmente com Rachel, que sibilou um obrigado e sorriu para a amiga.
Numa conversa silenciosa todos eles entenderam que a latina seria mais útil na emergência e Santana só estava respondendo ao chamado de sua vocação. Aquelas vítimas agora eram prioridades, uma vez que a amiga e a criança estavam bem. A porta do elevador se fechou e a família seguiu para cima.
A partir daí as coisas ficaram menos erráticas e muito mais calmas. A equipe da obstetra dando os devidos e merecidos cuidados a Olivia enquanto Rachel tinha a veia furada e duas bolsas de soro penduradas ao seu lado, a exaustão voltando com força total, mas ela se mantinha acordada, os olhos atentos a todos os movimentos para cima de sua cria. Finn fazia a mesma coisa e Kurt apenas observava o casal isolado num canto do quarto ligando para todo mundo.
Uma das enfermeiras se aproximou pegando a bolsa rosada e colocou numa cadeira olhando para o recém-papai e recém-mamãe enquanto retirava várias roupinhas.
- A amarela, com a estrela dourada. – Rachel falou apontando o minúsculo macacãozinho que ela segurava. Viu Kurt revirar os olhos, pois se dependesse dele sua sobrinha desfilaria pelos braços da família e dos amigos trajada num dos modelitos de grife que ele mesmo mandou fazer e deu de presente para ela. Finn apenas sorriu.
Olivia já jogava os braços para o ar e balançava as perninhas quando estava sendo vestida e o alerta de mãe veio antes mesmo do primeiro miado de choro começar dela. Rachel se colocou sentada esticando os braços querendo a filha de volta, os pulmões dela se provando poderosos e uma pitada de orgulho se abateu sobre a baixinha... Já podia ver sua filha nos palcos seguindo os seus passos.
A enfermeira aninhou a criança querendo acalmá-la e trocou sorrisos com Elise. Ela se aproximou da mamãe e então para os dois homens no local.
- Pronta para amamentar?
Pânico se apossou na faceta dela. Rachel não tinha ideia de como fazer aquilo. Olhou para os seios, que continuava o dobro do tamanho, fitou Finn e em seguida Kurt. O último virou a cara, pediu licença e tornou a se isolar no canto fazendo mais algumas ligações.
Finn se sentia estranho olhando o modo como a enfermeira explicava o processo todo. Lógico, Finn não chegava aos níveis de Noah Puckerman de ficar babando em cima do seio da esposa só porque eles estavam à vista, mas ainda assim era estranho. Viu Rachel pegar a filha, direcionar a boca dela ao bico e em seguida apertar de leve, espirrando um pouco de leite para todos os lados. Sua esposa dá um sorriso inseguro para a enfermeira, e esta transparece segurança de volta. Olivia agarra no peito da mãe e começa a sugar com vontade, cessando o choro imediatamente.
A cena é linda.
Rachel passa os dedos pelos cabelos castanhos claros da filha com o choro preso na garganta e ele se aproxima, se senta na beirada da cama e observa.
De novo, a cena é linda.
- É esquisito. Não sei explicar. – a atriz tenta colocar em palavras a sensação de amamentar pela primeira vez. Ergue os olhos para ver o marido hipnotizado, um sorriso que parece não querer desaparecer nunca dos lábios, mas sua atenção logo volta para baixo quando a mãozinha de Olivia para justamente sobre o seu coração. As sugadas que eram desesperadas, de repente, assumem um ritmo preguiçoso e a pequena adormece. – Quer colocá-la para arrotar, baby? – pergunta antecipando o próximo passo mesmo antes de a enfermeira falar.
Não hesita.
Olivia resmunga pela falta de contato, porém se acalma. Parece que ela sabe que está nos braços dos pais, parece que ela, de alguma forma, conhece Finn e Rachel. Finn a pega com cuidado, ela era do tamanho de sua mão, apoia a cabeça cabeludinha no ombro começando a dar tapinhas de leve nas costas. A enfermeira lhe acena positivamente e ele se sente a personificação do orgulho naquele momento; sorrindo com os barulhinhos de manha que Olivia fazia. A funcionária se despede dizendo que qualquer coisa era só chamá-la e ao momento em que a porta se bate Olivia solta um arrotinho.
O ato por si só é nojento, mas Finn acha que é a coisa mais adorável do mundo.
- Viu, Rac—
Seu sorriso de empolgação murcha um pouco ao ver que sua esposa cerrou os olhos sendo vencida pelo sono. Não a culpa, e com cautela Finn se abaixa depositando um carinhoso beijo na testa dela. Ajeita Olivia nos braços, colocando-a deitada e cobrindo-a devidamente. A pequena babando pelas bochechas, mas caindo no sono como a mãe.
- Barriga cheia, não é? – cochicha passando o polegar pela bochecha rosada da filha. – É uma Hudson mesm—
É distraído pelo o barulho vindo da janela do quarto e pelo vidro Kurt acompanhado de Hiram e Leroy. Quando foi que Kurt tinha deixado o local que nem ao menos percebeu? Com aquela perfeição nos braços fica mesmo difícil se dar conta do que acontece ao redor. Nota que os dois pais estavam molhados por causa da chuva, Kurt coloca a cabeça na fresta da porta e Finn faz sinal de silêncio, mas deixa os sogros e irmãos entrarem.
Hiram tem que, praticamente, enfiar o pulso na boca para não acordar as duas enquanto saltita de amor pelo quarto, não se aguentando, literalmente, ao ver a neta pela primeira vez. Leroy é mais discreto e não esconde o sorriso ao ver o genro colocar a bebê de volta ao berço do lado de Rachel. Mesmo relutante, Finn os puxa para o lado de fora e Kurt se compromete em ficar de olhos nas duas lá dentro.
- Ela é absolutamente perfeita, Finn! – Hiram diz com a voz embargada e com os olhos grudados no vidro da janela do quarto. – Como está Rachel? – pergunta.
- Bem, exausta, mas bem. – responde esfregando a cara e tentando conter um bocejo. – Sim, Olivia é linda.
- Olivia, huh? – Leroy comenta abrindo ainda mais o sorriso. – Vá descansar com elas, Finn. – fala dando dois tapinhas nas costas do genro notando de imediato a exaustão que também de apoderava dele.
Acatou e voltou a entrar. Acomodou-se no minúsculo sofá com a certeza de que acordaria com uma dor nas costas inimaginável, mas mesmo assim fechou os olhos e dormiu.
A dor nas costas foi certeira.
Resmungou como se tivesse passado horas imprensado entre duas paredes ao abrir os olhos e a sua audição se ajustou aos vários tons de vozes dentro do quarto. Notou duas formas paradas ao lado do sofá e viu que era Beth e Ben, o mais novo segurando um brinquedo, um ônibus típico de Londres de plástico. Seu sobrinho sorria, assim como Beth.
- Tio Finn acordou. – ela declarou.
- Vocês o acordaram? Falei para deixá-lo dormir! – a voz de Quinn saiu um pouco severa.
O professor se ergueu do sofá com a mão na região lombar e acenou negando que as crianças tinha alguma culpa naquilo. Viu que o quarto estava com mais gente do que a noite anterior. Beth, Benjamin, Quinn – que estava em pé ao lado de uma Rachel bem acordada que segurava a filha contra o peito. Amamentando mais uma vez. – Brittany e Emma.
- Que horas são? – perguntou rouco se colocando de pé e caminhando até a cama da esposa.
- Quase dez horas da manhã. – Emma lhe respondeu oferecendo a Finn um copo d'água. Agradeceu em silêncio.
Ouviu várias batidas no vidro e quando olhou para trás viu a plateia que tinha se formado lá fora. Parece que todo mundo resolvera não trabalhar a fim de ver a mais nova mascote da turma. Os Berry, Puck, Sam e Will com Ian pendurado nas suas costas. Os homens acenaram empolgados e Finn sorriu para eles.
- Os expulsei a fim de dar um pouco de privacidade para a mamãe e a filha. Esse laço inicial criado durante a amamentação é crucial nós próximos meses. – a assistente social e esposa de Will explicou.
- Como estão as duas mulheres mais lindas desse mundo? – indagou se abaixando para dar um selinho na esposa que tinha acabado de apoiar Olivia nos ombros para arrotar mais uma vez.
A baixinha sorriu passando os dedos nos cabelos delicados de Olivia enquanto a ouvia soltar uns barulhinhos. Não estava na sua melhor forma, a corpo continuava dolorido, tinha aversão de olhar para a sua barriga, agora mais flácida do que nunca, os seios estavam doloridos – Olivia sugava com vontade -, não tivera a melhor das noites, uma vez que sua cria acordara umas duas vezes, mas conseguira dormir algumas horas. Isso já era alguma coisa.
- Kurt foi ao aeroporto com Blaine pegar Burt e sua mãe. – Rachel o informou mudando Olivia para o outro ombro e escutando o arrotinho. – Estamos bem, não é meu anjo? – perguntou com uma voz boba olhando para a bebê.
O mais recente papai colocou o indicador na mãozinha dela e viu Olivia agarrar a ponto de seu dedo com se sua vida dependesse daquilo. Ele só era pai há algumas horas e não conseguia conter a vontade de ter mais, queria mais. A insegurança continuava presente, ao olhar para a sua filha lhe trazia toda a confiança, era como uma injeção constante, uma lembrança a todo momento de que eles só levaram essa gravidez adiante porque Rachel acreditava nele como pai e vice-versa. E honestamente? Olivia o tinha rendido, um gigante como ele completamente rendido não só mais a uma baixinha de um metro e cinquenta e sete de altura, mas agora o seu mundo também girava ao redor daquela pequena vida em desenvolvimento.
- Bom dia, mortais. – o timbre de Santana invadiu a sala.
A morena vinha com uma cara de acabada, cabelos soltos, porém levemente bagunçados, estetoscópio pendurado no pescoço e o tradicional jaleco branco. Rachel notou a melhor amiga cumprimentar a namorada de longa data com um beijo, foi recebida calorosamente pelas crianças, Quinn lhe deu um abraço. Santana se aproximou da cama e deliberadamente tomou Olivia nos braços, erguendo-a um pouco e dando um estalado beijo na bochecha rosadinha dela.
- Bom dia para você também, Lil' Hobbit. – disse alegre. – Pronto, segura ela aí, madrinha. – girou entregando a criança para Emma que não conteve o sorriso ao ser lembrada de que era a madrinha de Olivia. – Ninguém vai usar o sofá? – olhou ao redor, todos ainda bem hesitantes com o jeito impulsivo da latina. – Ótimo, não durmo há dois dias, enfrentei chuva, fiz um parto e atendi emergência atrás de emergência a madrugada inteira. Adeus.
E com isso ela se jogou no sofá onde Finn estava minutos antes, fechou os olhos dormindo instantaneamente. Algo lhe ocorreu no momento em que a melhor amiga de sua esposa se entregou ao sono, não tivera a chance de agradecer o que Santana tinha feito por eles. Guardou esse pequeno e importante lembrete no fundo da mente e voltou a olhar para Rachel. Fitou que os olhos dela não saíam de cima da filha que agora era mimada por Emma, e honestamente, como culpá-la? Olivia tinha nascido com esse ímã para chamar atenção de todos – embora Finn desconfiasse que isso fosse genético, uma vez que ser o centro das atenções significa ter uma veia artística e olha quem ela era filha...? – e Rachel só estava projetando suas primeiras atitudes inconscientes como mãe.
- Vou ver se acho alguma coisa para comer. Quer algo em especial? – perguntou cortando a atenção dela.
- Quero um suco de laranja que seja bom, porque as coisas que eles servem nesse hospital são horríveis e sem gosto. – resmungou bisbilhotando a bandeja vazia que tinham lhe trazido como café-da-manhã. Só comera tudo porque estava faminta.
Ele acenou e deu mais um beijo na testa dela. Emma se aproximou e deixou que o papai depositasse um beijo nos cabelos da filha e em seguida passou pela porta. Ian estava extasiado ao vê-lo e Finn foi rápido o bastante para pegá-lo quando o garoto praticamente saltou do pescoço do pai.
- Parabéns papai! – Will foi o primeiro a cumprimentá-lo lhe puxando para um abraço. – Minha afilhada não poderia ser mais linda, Finn. – completou pegando Ian de volta.
Sam veio em seguida lhe entregando um charuto.
- É a tradição, meu chapa. – explicou e tanto Will quanto Puck concordaram. – Como se sente, huh? – perguntou alegre.
- Incrível. Eu me sinto incrível, Sam. – respondeu compartilhando um sorriso com os Berry que se aproximaram da pequena reunião deles.
Noah foi o último a abraçá-lo e o gesto demorou mais do que os demais. Mais uma vez provaram que a amizade deles valia mais de gestos do que palavras. Não foi preciso, o olhar de Puckermanc foi o suficiente para lhe dizer tudo o que ele precisava ouvir. Trocaram um aperto de mão e sorriram ainda mais.
- Podem entrar, se quiserem. Rachel já terminou de amamentar. – informou aos demais. – Eu vou buscar alguma coisa para comer. Desejam algo? – todos negaram e seguiram para a porta.
Ótimo, usaria esse tempo, esse break da realidade para tentar absorver, pelo menos uma parte, os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas. Não era insegurança, definitivamente não. Finn só precisava escapar um pouquinho, ter um momento dele com ele mesmo. O frenesi da noite passada ainda lívido nas suas lembranças, ficara tão assustado, foi, literalmente, uma verdadeira montanha-russa de emoções. Jamais experimentara na vida essas sequencias de sentimentos, uns opostos aos outros num tão curto espaço de tempo.
Sério, não sabia como lidar com aquilo.
Do remorso por ter deixado Rachel só com aquela chuva caindo – por falar nisso... Finn estava chegando ao lobby do andar e deu uma olhada para o lado de fora. Tinha parado de chover. Finalmente. -, daí teve a falta de energia e por pouco, por muito pouco ele não chegava a tempo de ver a sua filha nascer. E no meio disso tudo estava um Finn assustado, inseguro, atordoado, tentando se manter forte porque Rachel precisava que ele fosse o porto seguro naquele momento, e então tudo virou alívio, felicidade, emoção e um sentimento tão grande de orgulho que Finn simplesmente não conseguia de parar de estufar o peito.
Desceu pelo elevador e seguiu para fora em direção a uma daquelas barraquinhas onde se vende todos os tipos de besteira. Sentou-se no banco ao lado da barraca com três pacotes de doritos, refrigerante, finalmente acalmando o monstro que vivia dentro da sua barriga.
Perdera a noção do tempo, absorto demais nos próprios pensamentos. Só fora perceber quando se celular, nos últimos minutos de bateria vibrou com uma mensagem de Puck perguntando onde ele estava. Pegou o suco de laranja de Rachel e correu de volta para o hospital.
De fato, perdera a noção do tempo.
Chegou ao corredor se deparando com seu irmão segurando o filho no colo, Blaine conversando alegremente com Hiram e Leroy e quando se aproximou mais avistou pelo vidro do quarto sua mãe segurando Olivia e Burt ao redor das duas, o casal sorrindo como nunca.
- Quinn, Brittany e Emma saíram com as crianças para comerem alguma coisa. E eu vou lá também porque esse aqui não vai demorar muito para ficar com fome. – Blaine falou puxando Ben dos braços do marido e lhe dando um selinho. – Vá para casa descansar um pouco, Kurt.
O gay deu um aceno rápido e afagou os cabelos de Ben e então se virou para Finn:
- As malas deles estão no nosso apartamento. Carole não parou de chorar enquanto eu contava a odisseia que foi o nascimento de Olivia e meu pai estava duas vezes mais animado, não só por ver meu filho, mas para conhecer a mais nova neta da família. – Kurt resumiu antes de dar um longo bocejo.
- Vai pra casa. É sério, você ficou a noite inteira acordado cuidando da minha família para que pudesse descansar um pouco, agora é a sua vez. – disse com um timbre suave e segurando os ombros do irmão. Kurt pareceu convencido e concordou. – Vai lá, eu falo com eles.
Ele pegou o casaco e saiu. Finn entrou passando por Sam e Puck disputando uma estúpida guerra de braço, Leroy conversando animado com Schuester. Quando Carole o viu a senhora correu para os seus braços lhe abraçando como se não o visse há anos, quando na verdade ela o visitara há mais ou menos um mês atrás. Burt era quem segurava Olivia e fazia gracinhas para ela. Seu padrasto lhe deu um olhar que Finn não soube decifrar.
- Meus dois filhos me deram esses dois presentes Divinos e já aviso! – Carole falou empolgada olhando seriamente para o filho e para a sua nora. – Eu quero mais. Eu quero a nossa casa cheia de crianças correndo durante o verão.
Rachel sorriu trocando um olhar de pura adoração com o marido e Finn só acenou para a mãe. Teriam mais filhos, é claro. A sensação de ser pai era boa demais para ficarem somente com um, com certeza ele e Rachel teriam mais pela frente.
- Elise disse que vai me dar alta quando voltar. – a baixinha lhe informou sentando-se na cama e se arriscando a dar os primeiros passos, embora o corpo continuasse dolorido. Finn lhe entregou o suco de laranja e ela soltou um som contente por finalmente andar um pouco.
Girou a cabeça e não conseguiu segurar o sorriso ao ver que Santana dormia profundamente e toda torta no sofá. Burt lhe aparou quando se aproximou enquanto o outro braço sustentava uma agitada Olivia. A senhora também se aproximou com Finn e o professor reparou que sua filha conseguia abrir os olhos com mais facilidade, mesmo com a claridade do quarto. O castanho era inconfundível, definitivamente tinha os olhos de Rachel e ao assimilar isso seu coração bateu de forma mais errática, como se estivesse se apaixonando mais uma vez por aquela jovem estudante de Julliard anos atrás, de vocabulário difícil, e intensa nos gestos.
- Sua mãe não me deixa mentir. Você está com aquele olhar, Finn. – Burt comentou e sorrindo cheio de cumplicidade com a esposa.
O grandão só se deu ao trabalho de desviar a sua atenção para o padrasto por breves segundos antes de ser puxado de volta ao mundo de Olivia.
- O mesmo olhar que eu tenho com Kurt. – o mecânico continuou derretido pela forma como a pequenina mexia braços e pernas para todos os lados.
- O mesmo que Chris deu quando o viu pela primeira vez nos meus braços, meu bem. – a menção de seu pai fez com que ele olhasse sério para Carole. – Olhar paterno, Finn. Uma conexão única e especial, da mesma forma que Rachel tem a dela com Olivia. – explicou.
Burt acenou e entregou a neta de volta para os braços da mãe já que a bebê começava a ficar irritada por ficar boa parte da manhã passando de mão em mão. Ao reconhecer o aconchego da mãe ela se acalmou e Finn entendeu o tipo de conexão que sua mãe falava.
- É um olhar que eu aprendi a ter com você também ao longo desses anos. Não sei como explicar, mas é uma mistura de adoração, orgulho e serenidade. É algo tão intenso, não é? – seu padrasto adicionou e Finn sorriu porque era exatamente assim que se sentia todas as vezes que colocava os olhos na sua primogênita.
Era bom dar nomes às sensações que o dominavam desde o nascimento dela.
- Ele está orgulhoso de você, sabia? – ouviu Rachel sussurrar de uma forma que só ele tinha escutado. Sua nuca se arrepiou ao sentir a ponta dos dedos lá. – Você se tornou esse homem incrível, um excelente marido e pronto para ser o melhor pai do mundo. Christopher está muito orgulhoso. – disse se inclinando na ponta dos pés e lhe dando um beijinho. Seu olhar não perdeu o brilho das lágrimas nos olhos deles que ameaçavam cair.
O primeiro mês passou voando. Com Carole por perto, Burt visitando nos finais de semana e com as constantes visitas dos seus amigos, nem Rachel e nem Finn tiveram lá muitas dificuldades. Olivia crescia absurdamente depressa diante dos olhos deles, até um dia desses ela era do tamanho da palma da mão do pai e hoje ela já estava mais cabeludinha, mas babona e fazendo mais sons incoerentes.
E com certeza mais faminta.
A pequena festinha de aniversário de um mês de vida dela foi algo discreto, infelizmente alguém tinha deixado escapar o rosto de sua filha para a mídia e isso deixou Finn furioso.
Quando Carole foi embora aí eles tiveram a primeira provação como pais. Com um mês e pouco de vida Olivia já fora vítima do intenso clima de New York e passara dois dias seguidos doente e com febre deixando Rachel e Finn desesperados.
As coisas só se complicaram porque após adoecer Olivia se recusava a receber o leite materno, e Santana foi obrigada a se meter dizendo que a infecção da pequena fora a responsável por isso. A pediatra então receitou um leite rico em nutrientes – embora o materno fosse o ideal – e Olivia começou com a mamadeira.
Se Rachel não tivera noites bem dormidas durante a gestação, agora com a filha fora dela é que dormir se tornara uma tarefa impossível. A menina era manhosa, detestava ficar sozinha, era uma máquina incessante de urina e fezes, além de ter se acostumado a dormir no colo numa única posição.
Finn tinha voltado com tudo ao trabalho, suas cargas horárias cheias das sete da manhã até às seis da tarde no colégio e das sete da noite até às dez horas da noite ocupado com o mestrado. Mesmo exausto, ele sempre dava um jeito de passar um tempo com Olivia. Atravessou a porta e a sua feição de cansado foi substituída por um largo sorriso ao ver a filha esparramada no cercado da sala cercadas de brinquedinhos e ursinhos. As bochechas todas babadas, as perninhas para o ar e os olhos curiosos e bem abertos observando tudo ao redor.
- Hey princesa! Papai chegou! – falou animado e pegando a filha no colo. Olivia exclamou, parecia contente. Finn enterrou o rosto na barriga dela e a encheu de beijos. – Cadê mamãe, huh?
Pegou a fraldinha de pano e subiu as escadas atrás da esposa. Antes de chegar ao quarto do casal Olivia fez questão de mostrar a potência do seu intestino. Finn encurtou o caminho e entrou no quarto da filha.
O Desafio da Troca de Fraldas.
Colocou a Olivia sobre a bancada e ponderou uns minutos, repassando mentalmente os passos daquela tarefa. Sua mãe tinha lhe ensinado umas três ou quatro vezes e ele já tinha feito aquilo antes, mas não deixava de sentir um certo nervosismo. Abriu a fralda e cacete!
- Liiiiiiiiv! – resmungou fazendo um careta por causa do cheiro. – Você só bebe leite, como isso é possível, hein cagona?!
Em resposta, Olivia fez uma pequena bolha de baba e agitou ainda mais as pernas.
Pegou o lenço umedecido, gastou pelo menos uns sete para limpar aquela bundinha gorda e branquela, estava pegando uma fralda nova quando se lembrou da pomada contra assaduras. Lambuzou a pele dela com a pomada e por fim colocou a fralda limpa.
Segurou Olivia no ar e não ficou muito satisfeito, tinha ficado um pouco torta, mas a pequenina parecia satisfeita. Babou ainda mais. Riu e com a filha seguiu para o quarto onde encontrou Rachel deitada de costas para a porta.
- Julliard?
A atriz se virou no susto e Finn não deixou de perceber que ela andou chorando. Forçou um sorriso e se aproximou do marido, mas virou o rosto quando ele se abaixou para lhe dar um beijo. E sem mais uma palavra ela saiu nem ao menos olhando para os dois.
No final daquela noite Rachel o rejeitou quando Finn tentou se aproximar dela.
Os meses foram se passando, Olivia crescendo, Finn ainda mais ocupado com o trabalho e o mestrado e Rachel na mesma: quieta, sempre cansada, robótica, desanimada. Finn já tinha sido puxado de lado por Santana e Kurt que foram os primeiros, além dele, a perceberem esse comportamento atípico dela e tudo o que ele respondia era que Olivia continuava manhosa e acordando de três a quatro vezes durante a noite.
Mas quando a sua filha estava com quase cinco meses que, ao chegar em casa foi recebido pelo choro esganiçado da filha largada no cercado – já tinha aprendido a se virar e a se arrastar, logo estaria engatinhando – o cheiro de leite azedo inundando as suas narinas e Olivia com o rosto todo sujo de refluxo. O que lhe chamou a atenção foi Rachel sentada ao lado do sofá zapeando os canais com a maior naturalidade do mundo.
- Rachel?! Você não es—
- Vou dormir.
Deliberadamente ela se levantou e seguiu no seu estado zumbi para as escadas largando filha e marido.
Foi justamente no sexto mês que o inferno se abriu.
- Eu estou cansada, Finn! Não aguento mais! E para de me encher o saco, para! – Rachel gritou levando as mãos nos ouvidos tomando o rumo das escadas, mas Finn agarrou com certa brutalidade o braço dela e a girando de volta. – ME LARGA! – ordenou enquanto era arrastada de volta para o centro da sala.
- NÃO! Eu quero saber o que está acontecendo com você, Rachel!? – refutou com a atenção dividida entre a esposa e a filha que tinha acordado no meio da discussão deles.
- Eu quero ficar em paz, eu preciso ficar sozinha! Não aguento mais choros, fraldas, leite, Finn, por favor, me deixa. Eu quero deitar, eu quer—
Ela não continuou, pois desabou no sofá enterrando o rosto nas mãos deixando o choro escapar. Finn correu para pegar uma Olivia desesperada atrás de atenção e assustada, e o olhar de desprezo que Rachel lançou sobre a filha fez com que lhe faltasse ar nos pulmões. Tinha algo muito, muito errado.
- Foi um erro, Finn. – confessou engasgada. – Ela foi um erro.
Foi como receber tapas, pior. Foi como ter o coração esmagado, a alma dilacerada, foi a pior sensação do mundo. Instantes atrás enxergava o amor de sua vida, a mulher por quem se apaixonada e jurara diante de Deus e todos os seus amigos e familiares amá-la pelo resto de sua vida, mas agora via uma Rachel completamente desconhecida, uma pessoa que tem coragem de considerar a vida que conservou por nove meses e que era fruto de um amor sublime e lindo um erro.
Mágoa e dor transpareceram no olhar de Finn.
O que fez a seguir foi em tempo recorde. Correu com Olivia ainda aos berros pelas escadas, estufou uma bolsa com roupas e coisas dela e voltou com Rachel ainda chorando copiosamente no sofá. Aproximou-se no cercado pegando alguns brinquedos, foi até a cozinha pegar o pote de leite em pó, passou a mão nas chaves do carro, mas quando abriu a porta foi quando Rachel esboçou uma reação.
- Onde você está indo?! Finn, onde você vai com ela?! – desespero se evidenciando em sua voz.
- Longe de você. Minha filha não merece ficar perto de alguém que a considere como um erro.
Bateu a porta e desceu.
Está bem vago, eu sei. Tentei me focar mais no ponto de vista do Finn.
Para aqueles que ainda não identificaram, Rachel está sofrendo de depressão pós-parto. Vou abordar mais amplamente em retrospecto no próximo capítulo e mesclando o ponto de vista dos dois durantes esses meses. Podem ver que a coisa toda ficou bem sucinta, mas vou acrescentar quando tudo começou, os sintomas com mais detalhes, o que levou a coisa toda a se agravar, Finn não querendo enxergar o problema da esposa, interferência de Kurt e Santana e uma ajuda essencial de Tina :) Além de encaminhar tudo para o tratamento e tals.
Espero que tenham gostado, e preparem-se, o próximo capítulo vai se com mais drama.
Mais uma vez agradeço os comentários de vocês.
Reviews?
;)
